CAPA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
ZILAH EDELBURGA CHAVES DOS SANTOS
ACESSIBILIDADE DIGITAL DA HOMEPAGE DO WEBSITE DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFPA: avaliação com o software WAVE e testes com alunos cegos que usam o NVDA
BELÉM
2020
p.1 FOLHA DE ROSTO
ZILAH EDELBURGA CHAVES DOS SANTOS
ACESSIBILIDADE DIGITAL DA HOMEPAGE DO WEBSITE DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFPA: avaliação com o software WAVE e testes com alunos cegos que usam o NVDA
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, da Universidade Federal do Pará, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Ciência da Informação.
Área de concentração: Gestão da Informação e Organização do Conhecimento
Linha de Pesquisa: Mediação e Uso da Informação
Orientadora: Profª. Drª. Tania Chalhub
Coorientador: Prof. Dr. Cristian Berrío Zapata
BELÉM
2020
p. 2 FICHA CATALOGRÁFICA
Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)
S237a Santos, Zilah Edelburga Chaves dos, 1982
Acessibilidade digital da homepage do website da Biblioteca Central da UFPA: avaliação com o software WAVE e testes com alunos cegos que usam o NVDA / Zilah Edelburga Chaves dos Santos. -- 2020.
165 f.: il. Color.
Orientadora: Profª. Drª. Tania Chalhub
Coorientador: Prof. Dr. Cristian Berrío Zapata
Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2019.
1. Acessibilidade digital. 2. Biblioteca universitária. 3. Alunos cegos. 4. Inclusão digital. I. Título.
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CDD – 23. ed. 025.04
p. 3 FOLHA DE APRESENTAÇÃO
ZILAH EDELBURGA CHAVES DOS SANTOS
ACESSIBILIDADE DIGITAL DA HOMEPAGE DO WEBSITE DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFPA: avaliação com o software WAVE e testes com alunos cegos que usam o NVDA
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, da Universidade Federal do Pará, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Ciência da Informação.
Área de concentração: Gestão da Informação e Organização do Conhecimento
Linha de Pesquisa: Mediação e Uso da Informação
Orientadora: Profª. Drª. Tania Chalhub
Coorientador: Prof. Dr. Cristian Berrío Zapata
Membros componentes da banca examinadora:
Profª. Drª. Tania Chalhub (Presidente – Orientadora)
Prof. Dr. Cristian Berrío Zapata (Coorientador)
Profª. Drª. Arlete Marinho Gonçalves (Membro avaliador)
Prof. Dr. Cesar Augusto Cusin (Membro avaliador)
Local: Universidade Federal do Pará – UFPA - Campus Belém
p. 4 DEDICATÓRIA
À minha família por todo o amor propulsor da vida.
p. 5
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela vida e por sempre me conduzir e abençoar meu caminho estudantil.
A todos os meus familiares, em especial aos meus pais, Diva e Olivaldo dos Santos, pelo amor e apoio incondicional aos meus estudos. A ajuda de vocês foi decisiva em minha carreira acadêmica.
Aos meus, filhos por entenderem minha ausência nos momentos de estudo, por toda palavra de incentivo e força propulsora para a conclusão do mestrado.
Ao meu coorientador de todas as horas, Cristian Berrío Zapata, por todo o incentivo em cursar, desenvolver e concluir o mestrado. Obrigada, professor, por todos os esforços em nos conduzir no mundo da informação, do conhecimento e da ciência.
À Cássia Furtado, por todo ensinamento, intervenções, apoio e ajuda fundamentais na construção da pesquisa.
À Tania Chalhub, por aceitar o desafio de me orientar independente do tempo. Suas valiosas orientações e humanidade foram fundamentais nos momentos mais necessários da pesquisa.
Aos discentes cegos que aceitaram fazer parte desta pesquisa com coração aberto para a acessibilidade digital.
Ao amigo Marcelo Sales, por ser tão majestoso e acessível. Obrigada pela paciência, humildade e empatia de compartilhar sua vivência profissional, conhecimentos e aprendizados em prol do desenvolvimento e disseminação da acessibilidade digital.
Às amigas Ana Mary, Layane e Jaci por todos os momentos de “leitê quentê” que vivemos durante o mestrado, em especial Valdenise Cesar, pela sua humanidade.
Ao Bruno Welber, Pedro Neto, Ednamar Correa, Aline Correa, Lucilene Cavalcante por todo bate-papo acessível e às amigas Tayana, Maria e Phriscila pelo incentivo.
Aos professores do PPGCI, por todo o conhecimento e aos amigos de turma por toda vivência e união compartilhados, em especial aos amigos Eduardo e Rodrigo.
Aos membros da banca, Arlete Gonçalves e Cesar Cusin pelas pertinentes contribuições e observações para o melhor desenvolvimento da pesquisa.
À Universidade Federal do Pará e à Biblioteca Central, por possibilitarem a qualificação de seus funcionários.
A mim mesma por acreditar e persistir no desenvolvimento deste apaixonante e tão necessário tema.
p. 6 EPÍGRAFE
“Acessibilidade digital não tem a ver com tecnologias, mas sim com pessoas. A tecnologia é apenas um suporte para que pessoas tenham facilidade de uso, mas a concepção do projeto desde o planejamento, envolve o conhecimento de pessoas e seus respectivos comportamentos de uso”.
Marcelo Sales
p. 7
APRESENTAÇÃO DE ACESSIBILIDADE DIGITAL DA DISSERTAÇÃO
Com o intuito de tornar essa dissertação acessível para pessoas que encontram barreiras de acesso e uso de informações em documentos em ambiente digital, decidimos adotar recomendações que atendem requisitos de acessibilidade em documentos digitais. Baseamo-nos nos manuais “Orientações para criação de documentos acessíveis no Microsoft Word” do Núcleo de Acessibilidade e Usabilidade da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, acessado por meio do curso de Acessibilidade Digital para Web, do Instituto Benjamim Constant (2019); no “Manual de Acessibilidade em Documentos Digitais” do Centro Tecnológico de Acessibilidade do Instituto Federal Rio Grande do Sul (2018) e, principalmente, nas WCAG 2.1, que são a base para todos esses documentos.
Portanto, para que pessoas com deficiência acessem este documento foi necessário seguir alguns requisitos. O primeiro passo foi passar essa dissertação no verificador de acessibilidade do Microsoft Office 2010, ele verifica os documentos do Word e mostra erros, avisos e dicas de acessibilidade. Para esta dissertação, ele mostrou alguns erros em relação à falta de texto alternativo nas imagens e tabelas, falta de linhas de cabeçalhos especificadas em tabelas; informou também aviso sobre títulos não frequentes para alguns espaços em branco entre textos, assim como tabelas com células mescladas, títulos muito longos de algumas seções, objetos não alinhados e deu como dica verificar o sentido de leitura de algumas tabelas.
Conforme a realidade de estudantes cegos da UFPA, a maioria utiliza o sistema DOSVOX para leitura de trabalhos acadêmicos, portanto decidimos disponibilizar 2 arquivos, um em formato PDF para usuários de leitores de tela como o NVDA e usuários videntes e outro em formato TXT, com adaptações de formatação, de tabelas e descrição de ilustrações, para usuários que ainda usam somente o DOSVOX. Os procedimentos adotados para seguir as orientações de acessibilidade para documentos que são lidos por leitores de telas, diante dos problemas apontados pelo avaliador de acessibilidade do Word e dos manuais para tornar os documentos digitais acessíveis, foram:
* Troca da fonte Times New Roman para Arial, pois ela é recomendada, assim como a Verdana, por não ser serifada, aspecto que dificultaria a leitura de alguns usuários;
* Retirada das tabelas para formatar as listas de ilustrações, abreviaturas e siglas para se evitar o uso de tablas apenas para layout. Assim como os pontinhos da linha para
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se chegar à paginação, pois o NVDA lê quantos pontos têm. Para indicar a paginação foi escrito a letra p antes da numeração;
* Retirada das tabelas mescladas que formavam os quadros “Princípios e diretrizes de acessibilidade do W3C” e o “Forma de análise dos dados coletados”. Elas causavam confusão na navegação e na sua compreensão. Os leitores de tela realizam a leitura de forma linear, sem agrupar as linhas e colunas mescladas.
* Uso de estilos para fornecer estrutura hierárquica de títulos e subtítulos do documento, com isso o leitor de telas informa aos usuários cegos “título de nível 1”, por exemplo, para títulos que eles não podem perceber a estrutura por mudança de cor e tamanho de fonte.
* Inserção do sumário automático com visualização de hiperlink. Em documentos longos essa ação facilita a navegação às diversas seções do texto pelo leitor de telas NVDA.
* Retirada das informações que foram fornecidas automaticamente no alt das imagens. Não foram inseridos os títulos e descrições da imagem no alt conforme as recomendações dos manuais, pois elas já estão sendo fornecidas no próprio texto para que os videntes tenham a noção e percepção das descrições. Elas serão benéficas também para o formato em TXT, pois são retiradas automaticamente do texto ao ser convertido.
* Inserção de linhas de cabeçalhos para tabelas que formam os quadros de um a 11 para identificar os títulos das colunas, contribuindo na contextualização e navegação da tabela. Isso possibilitou também a repetição do cabeçalho de quadros que passaram para outra página.
* Posicionamento dos quadros das tarefas com os usuários e da entrevista logo após o parágrafo que o cita e não em apêndice, evitando que se perca na leitura.
Um documento em Word criado com recomendações acessíveis, torna o seu PDF acessível. Sendo assim, após esta dissertação ser finalizada no Word, salvamos em PDF utilizando a opção “Marcas estruturais do documento para acessibilidade”.
p. 9
RESUMO
A acessibilidade possibilita o uso com segurança e autonomia de estruturas urbanísticas, comunicacionais, informacionais e tecnológicas por pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. A acessibilidade digital em websites de bibliotecas universitárias assegura o direito e a autonomia no acesso à informação na web para todos, em especial às pessoas com deficiência, o que é previsto em diversas legislações. Diante desse panorama, tem-se como problema de pesquisa: “A homepage do website da Biblioteca Central da UFPA atende aos requisitos de acessibilidade para conteúdo web do W3C, permitindo que pessoas cegas que usam o NVDA possam acessar as informações contidas nela”? Para isso, delineou-se como objetivo geral: Analisar a acessibilidade digital da homepage da Biblioteca Central da UFPA, no que diz respeito ao acesso à informação, tendo com parâmetros as diretrizes de acessibilidade para conteúdo web (WCAG) 2.1 e a experiência do usuário cego na interação com a web usando o leitor de telas NVDA. Teve-se como objetivos específicos: a) Identificar itens que comprometem a acessibilidade da homepage do website da Biblioteca Central da UFPA, apontados pelo avaliador automático WAVE; b) Verificar a experiência de navegação do usuário cego que usa o NVDA com a homepage do website da BC/UFPA, acessando informações sobre os produtos e serviços disponíveis; c) Verificar a conformidade das diretrizes de acessibilidade para conteúdo web 2.1 de acordo com os resultados da avalição do WAVE e dos testes com os usuários cegos que usam o NVDA. Esta pesquisa teve como metodologia um estudo de caso de caráter descritivo. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica e documental, seguida da análise da acessibilidade digital da homepage do website da Biblioteca Central da UFPA, com a aplicação de três métodos de avaliação: automática com o software WAVE, testes com usuários cegos que usam NVDA e entrevista de satisfação. Os resultados mostraram que a acessibilidade digital da homepage do website da BC/UFPA está comprometida nos aspectos perceptível, operável, compreensível e robusto. O software WAVE identificou erros de acessibilidade que impedem o acesso à informação de produtos e serviços digitais por meio de imagens sem texto alternativo, imagens decorativas sem alt nulo, imagens usadas como links sem descrição adequada, links vazios, formulários e botões sem rótulos. Os testes com os alunos cegos ratificam os erros apontados pelo WAVE e mostram também problemas de acessibilidade digital relacionados à usabilidade, arquitetura da informação, boas práticas de acessibilidade, proficiência no uso do NVDA, falta de previsibilidade e clareza, entre outros. Causando nos usuários desorientação, desistência, desestímulo, cansaço etc. Conclui-se que analisar a acessibilidade digital da homepage do site da BC/UFPA foi fundamental para verificar aspectos tecnológicos e humanos necessários para garantir a democratização e autonomia no acesso à informação de sites de bibliotecas universitárias aos alunos cegos, que automaticamente atenderão outras categorias de usuários. É necessário acessibilidade atitudinal, atendimento das WCAG para o desenvolvimento de produtos e serviços digitais com a percepção do usuário com deficiência para que possa atender suas especificidades de navegação, percepção, compreensão, operação, interação, contribuição e acesso à informação na web.
Palavras-chave: Acessibilidade digital. Biblioteca universitária. Alunos cegos. Inclusão digital.
p. 10
ABSTRACT
Accessibility allows the safe and autonomous use of urban, communicational, informational and technological structures by people with disabilities and reduced mobility. Digital accessibility on university library websites ensures the right and autonomy in accessing information on the web for everyone, especially people with disabilities, which is provided for in several laws. Given this panorama, the research problem is: “Does the homepage of the UFPA Central Library website meet the accessibility requirements for W3C web content, allowing blind people using NVDA to access the information contained therein”? For this, the general objective was outlined: To analyze the digital accessibility of the homepage of the Central Library of UFPA, with regard to access to information, taking as parameters the accessibility guidelines for web content (WCAG) 2.1 and the user experience blind in interacting with the web using the NVDA screen reader. The specific objectives were: a) Identify items that compromise the accessibility of the homepage of the UFPA Central Library website, pointed out by the automatic evaluator WAVE; b) Check the browsing experience of the blind user using NVDA with the homepage of the BC / UFPA website, accessing information about the products and services available; c) Verify the compliance of the accessibility guidelines for web content 2.1 according to the results of the WAVE evaluation and tests with blind users using NVDA. This research had as methodology a descriptive case study. A bibliographic and documentary research was carried out, followed by an analysis of the digital accessibility of the homepage of the UFPA Central Library website, with the application of three evaluation methods: automatic with the WAVE software, tests with blind users using NVDA and a satisfaction interview.The results showed that the digital accessibility of the BC / UFPA website's homepage is compromised in the perceptible, operable, understandable and robust aspects. The WAVE software identified accessibility errors that prevent access to information about digital products and services through images without alternative text, decorative images without null, images used as links without proper description, empty links, forms and buttons without labels. Tests with blind students ratify the errors pointed out by WAVE and also show problems of digital accessibility related to usability, information architecture, good accessibility practices, proficiency in the use of NVDA, lack of predictability and clarity, among others. Causing users disorientation, giving up, discouragement, tiredness etc. It is concluded that analyzing the digital accessibility of the BC / UFPA website homepage was fundamental to verify the technological and human aspects necessary to guarantee democratization and autonomy in access to information from university library sites to blind students, who will automatically attend other categories of students. users. Attitudinal accessibility, WCAG attendance is necessary for the development of digital products and services with the perception of the disabled user so that they can meet their specificities of navigation, perception, understanding, operation, interaction, contribution and access to information on the web.
Keywords: Digital accessibility. University library. Blind students. Digital inclusion.
p. 11
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURA 1: Componentes essenciais à acessibilidade na web. p. 47
FIGURA 2: Parte da homepage do website da Biblioteca Central da UFPA. p.64
FIGURA 3: Página inicial dos resultados do WAVE na interface antiga. p. 73
FIGURA 4: Página inicial dos resultados do WAVE na interface atualizada. p.74
FIGURA 5: Imagens decorativas conforme o WAVE. p. 76
FIGURA 6: Imagens decorativas no website da BC/UFPA. p. 77
FIGURA 7: Imagem decorativa para o horário de funcionamento da biblioteca conforme WAVE. p. 78
FIGURA 8: Imagem decorativa para o horário de funcionamento da biblioteca no website da BC/UFPA. p. 78
FIGURA 9: Imagens no carrossel da homepage sem texto alternativo conforme o WAVE. p. 79
FIGURA 10: Imagens no carrossel da homepage sem texto alternativo no website da BC/UFPA. p. 80
FIGURA 11: Imagens de capas de livros sem alternativa em texto conforme o WAVE. p. 80
FIGURA 12: Imagens de capas de livros sem alternativa em texto no website da BC/UFPA. p. 81
FIGURA 13: Imagem do brasão da UFPA sem texto alternativo no website da BC/UFPA. p. 82
FIGURA 14: Imagem usada como link localizada no cabeçalho conforme o WAVE. p. 83
FIGURA 15: Imagem usada como link localizada no cabeçalho no website da BC/UFPA. p. 84
FIGURA 16: Imagem usada como link sem texto alternativo no slide principal conforme o WAVE. p. 85
FIGURA 17: Imagem usada como link sem texto alternativo no slide principal no website da BC/UFPA. p. 85
FIGURA 18: Imagem usada como link na área de notícias conforme o WAVE. p. 86
FIGURA 19: Imagem usada como link na área de notícias no website BC/UFPA. p. 87
FIGURA 20: Etiquetas ausentes na área de login do administrador conforme o WAVE. p. 89
FIGURA 21: Etiquetas ausentes na área de login do administrador no website da BC/UFPA. p. 90
FIGURA 22: Etiqueta de formulário ausente no campo de busca interna do website conforme o WAVE. p. 91
FIGURA 23: Etiqueta de formulário ausente na lupa de busca interna no website da BC/UFPA. p. 92
FIGURA 24: Etiqueta de formulário ausente na pesquisa ao acervo conforme o WAVE. p. 92
FIGURA 25: Etiqueta de formulário ausente na pesquisa ao acervo no website da BC/UFPA. p. 93
FIGURA 26: Link vazio das áreas de eventos e treinamentos conforme o WAVE. p. 94
FIGURA 27: Link vazio das áreas de eventos e treinamentos no website da BC/UFPA. p. 95
FIGURA 28: Menu e o link download do website da BC/UFPA. p. 99
p. 12
FIGURA 29: Recurso Accessibility Helper Sidebar. p. 100
FIGURA 30: Exemplo de menu acessível da Microsoft. p. 102
FIGURA 31: Área de novas aquisições. p. 104
FIGURA 32: Lista de elementos, opção cabeçalhos da homepage do site da BC/UFPA. p. 107
Figura 33: Tabela de eventos. p. 110
FIGURA 34: Exemplo de boas práticas de acessibilidade digital. p. 111
FIGURA 35: Área de notícias. p. 115
FIGURA 36: Imagens sem descrição apropriada. p. 116
FIGURA 37: Link saiba mais. p. 118
FIGURA 38: Finalidade do link acessível no site do Itaú. p. 119
FIGURA 39: Lista de links da homepage do site da BC/UFPA identificadas pelo NVDA. p. 120
FIGURA 40: Formulários de pesquisa no acervo e de busca interna da homepage do website da BC/UFPA. p. 123
FIGURA 41: Lista de botões da homepage do site da BC/UFPA identificadas pelo NVDA. p. 125
FIGURA 42: Link âncora “Pular Navegação” do YouTube. p. 139
GRÁFICO 1: Aumento de matrículas de PcD em IES brasileiras. p. 21
QUADRO 1: Convenções, declarações e trabalhos internacionais sobre PcD por local e data. p. 25
QUADRO 2: Impacto de eventos e trabalhos internacionais sobre a PcD na legislação brasileira. p. 26
QUADRO 3: Nova visão dos espanhóis sobre o direito das PcD. p. 27
QUADRO 4: Termos e conceitos da acessibilidade digital. p. 39
QUADRO 5: Requisitos básicos para a construção de uma página acessível. p. 46
QUADRO 6: Componentes para uma web acessível. p. 46
QUADRO 7: Alguns recursos de HTML para acessibilidade digital. p. 48
QUADRO 8: Tarefas a serem executadas por alunos cegos na homepage do website da BC/UFPA. p. 67
QUADRO 9: Guia de entrevista com os usuários cegos. p. 68
QUADRO 10: Formas de navegação do NVDA. p. 106
QUADRO 11: Critérios de sucesso identificados nos testes de acessibilidade. 126
TABELA 1: Resultado da aplicação do WAVE na homepage do site da Biblioteca Central da UFPA. p. 72
p. 13
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AACD: Associação de Assistência à Criança Deficiente
ABBR: Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação
ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas
AIPD: Ano Internacional das Pessoas Deficientes
AMPID: Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência
APAE: Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
BC: Biblioteca Central
CGI.Br: Comitê Gestor da Internet no Brasil
CID: Classificação Internacional de Doenças
CIF: Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde
CoAcess: Coordenadoria de Acessibilidade
CSS: Cascading Style Sheets
CUD: Centro para o Design Universal
e-MAG: Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico
HTML: Hypertext Markup Language
HTTTP: HyperText Transfer Protocol
IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICIDH: Classificação Internacional de Lesão, Deficiência e Handicap
INEP: Instituto Nacional de Estudos e Estatísticas Educacionais Anísio Teixeira
INES: Instituto Nacional de Educação de Surdos
LBI: Lei Brasileira de Inclusão
NBR: Norma Técnica
NVDA: Non Visual Desktop Access
OMS: Organização Mundial da Saúde
ONU: Organização das Nações Unidas
PcD: Pessoa com Deficiência
PDF: Portable Document Format
SIBI: Sistema de Bibliotecas
TIC: Tecnologia de Informação e Comunicação
UFPA: Universidade Federal do Pará
W3C: World Wide Web Consortium
WAI: Web Accessibility Initiative
WebAIM: Web Accessibility in Mind
WCAG: Web Content Accessibility Guidelines
XHTML: eXtensible HyperText Markup Language
p. 14
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO. p. 16
2 PESSOAS COM DEFICIÊNCIA. p. 24
2.1 Aspectos históricos e sociais no mundo e no Brasil. p. 24
2.2 Aspectos conceituais. p. 28
3 ACESSIBILIDADE DIGITAL. p. 32
3.1 Legislações brasileiras. p. 32
3.2 Aspectos históricos. p. 35
3.3 Cenário Brasileiro. p. 37
3.4 Conceitos, barreiras e benefícios. p. 39
3.5 WCAG 2.1 e outros componentes para tornar a web acessível. p. 44
4 ACESSIBILIDADE DIGITAL EM WEBSITES DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS. p. 51
4.1 Pesquisas em sites de bibliotecas universitárias nacionais e internacionais. p. 53
4.2 Barreiras de acesso à informação e experiências de usuários. p. 54
4.3 Avanços e possibilidades. p. 56
5 METODOLOGIA. p. 61
5.1 Locus da pesquisa. p. 61
5.2 Participantes da pesquisa. p. 65
5.3 Procedimentos dos testes de acessibilidade digital. p. 66
5.3.1 Avaliação automática com o software WAVE. p. 66
5.3.2 Teste de acessibilidade com alunos cegos que usam o NVDA. p. 66
5.3.3 Entrevista com os alunos cegos que usam o NVDA. p. 68
5.4 Percurso da pesquisa. p. 69
5.5 Recursos e instruções da pesquisa. p. 70
5.6 Forma de análise dos resultados da pesquisa. p. 71
6 RESULTADOS E DISCUSSÕES. p. 72
6.1 Análise da acessibilidade digital com o software WAVE. p. 72
6.1.1 Análise do indicador Erros. p. 74
6.2 Análise do teste de acessibilidade com os alunos cegos que usam o NVDA. p. 97
6.2.1 Tarefa 1: No menu principal, no link downloads, acesse o guia de trabalhos acadêmicos e veja se consegue ler o PDF. p. 98
6.2.2 Tarefa 2: Na área de novas aquisições constam as capas de publicações recentemente adicionadas ao acervo da biblioteca, cite duas obras. p. 104
6.2.3 Tarefa 3: Na área de eventos, existe uma tabela descrevendo os eventos mensais da biblioteca, cite um deles, seu dia e horário. p. 108
p. 15
6.2.4. Tarefa 4: Vá até a área de notícias e cite uma. p. 114
6.2.5 Tarefa 5: Acesse o link saiba mais sobre realizar cadastro no SIBI/UFPA. p. 117
6.2.6. Tarefa 6: Acesse o formulário de busca interna no website e busque por acessibilidade. p. 122
6.3 Acessibilidade digital na homepage do website da Biblioteca da UFPA. p. 125
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS. p. 142
REFERÊNCIAS . p. 151
APÊNDICE – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE). p. 164
p. 16
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO
A acessibilidade é um tema em constante debate e de importância crescente na sociedade, principalmente depois que diversas legislações foram criadas, após lutas e movimentos sociais travados pelas Pessoas com Deficiência (PcD)[Nota de rodapé 1: PcD é uma sigla usada na Convenção sobre os Direito das Pessoas com Deficiência, de acordo com a ONU. Todos os países signatários passaram a usar a sigla, inclusive o Brasil nas suas leis e políticas, a partir de 2006.]. Apesar da atualidade do tema, um marco neste processo foi a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948 (ONU, 1948), que resultou em um documento, que inspirou a Constituição de muitos países, dentre estes o Brasil. Diante dos tratados e documentos internacionais tem-se a Convenção sobre o Direito das Pessoas com Deficiência, adotada pela ONU em 2006 e incorporada à legislação brasileira em 2008. O artigo 9º da Convenção, cujo título é acessibilidade, assegura às pessoas com deficiência, o acesso à informação, comunicação, sistemas e tecnologias da informação e comunicação, incluindo a internet (BRASIL, 2009).
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), nº 13.146/15, define a acessibilidade como a possibilidade e condição para as pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida, fazerem uso de espaços, equipamentos, serviços, produtos da sociedade e utilizar a informação, comunicação e seus sistemas e tecnologias, todos com segurança e autonomia. Consequentemente, a acessibilidade serve para reconsiderar as estruturas urbanísticas, arquitetônicas, nos transportes, na comunicação e informação, atitudinais e tecnológicas, e com isso, repensar a sociedade para que as pessoas com características diversas possam usufruir seus direitos como cidadãos (BRASIL, 2015).
Até 1970, o conceito de acessibilidade era atrelado às barreiras arquitetônicas. Na década de 1980, com o Ano Internacional das Pessoas Deficientes (AIPD), surge, em 1981, o conceito de inclusão, no qual as pessoas com deficiência são inseridas em diversos setores da sociedade. A acessibilidade adota o paradigma do desenho universal, em que produtos e ambientes são projetados para todos (SASSAKI, 2006). O conceito de acessibilidade se expande até à web, com a propagação da internet. Nesse novo cenário há a preocupação de prover o acesso universal na web, e tanto o World Wide Web Consórcio (W3C) como a Iniciativa para a Acessibilidade na Web
p. 17
(WAI), são os principais responsáveis pelo termo e pelos padrões e diretrizes para conteúdo acessíveis na web (FERRAZ, 2017).
O W3C define acessibilidade na web, como a possibilidade de seu uso por pessoas com deficiência, que elas possam perceber, entender, navegar, interagir e contribuir para este ambiente digital. Este benefício atinge também outros grupos, como os idosos, crianças e pessoas sem deficiência (W3C BRASIL, 2013). Na literatura, os termos variam entre acessibilidade web, acessibilidade digital, acessibilidade no espaço digital, entre outros, mas apontam para o mesmo objetivo. Rocha, Alves e Duarte (2011) usam o termo e-acessibilidade, cujo conceito é possibilitar o acesso democrático às ferramentas, aplicativos e websites e seus serviços, para que as pessoas com deficiência percebam, naveguem e interajam com o conteúdo oferecido por websites.
Portanto, a acessibilidade digital é essencial para que as PcD possam participar nos diferentes ambientes web. O Decreto 5.296 de 2004 marca um grande avanço neste sentido, decretando como obrigatória, a partir de 2005, a acessibilidade nos portais e sites eletrônicos da administração pública na internet, para que as pessoas com deficiência tenham garantido o acesso às informações nesses ambientes. Além disso, ele, assim como várias legislações e a própria convenção, exigiu mudanças significativas de acessibilidade para garantir o acesso e permanência de professores, técnicos e alunos com deficiência no ensino superior, fomentando assim, um sistema educacional inclusivo (BRASIL, 2004).
Por conseguinte, é necessário que a universidade e seus sistemas de bibliotecas produzam um contexto de inclusão e acessibilidade, para garantir aos usuários com deficiências o direito de acesso à informação e ao conhecimento, previsto nas legislações e no oferecimento de produtos e serviços presenciais e virtuais inerentes a qualquer biblioteca. A biblioteca universitária assume-se, deste modo, como uma das principais mediadoras no contato entre os estudantes e os acervos de conhecimento científico, num cenário onde são motivados a construir cada vez mais autonomia e independência nos seus processos de aprendizagem (MARÇAL, 2015b).
Desde 1996, a Biblioteca Central (BC) da Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Espaço Braille, é pioneira na atuação da acessibilidade e inclusão dos usuários com deficiência visual, cegos e com baixa visão. Ele vem atendendo usuários de diversos cursos das áreas de Ciências Humanas e Sociais da
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UFPA. Atualmente, 18 usuários cegos e com baixa visão, alunos do Campus Belém, frequentam e utilizam esse local. Em 2016, devido a ações do Ministério Público Federal, iniciaram-se mudanças arquitetônicas na BC, segundo normas de acessibilidade arquitetônica, como o rebaixamento do balcão de atendimento, sinalização e piso táteis, totens, mapas, adaptação dos banheiros e rampa de entrada da biblioteca.
O serviço mais essencial do Espaço Braille é a pesquisa, digitalização, correção e disponibilização das bibliografias básicas e complementares aos discentes de graduação e pós-graduação dos cursos de Biblioteconomia, Ciências Sociais, Serviço Social, Direito, Psicologia, entre outros. Essas pesquisas são realizadas no acervo da biblioteca e na internet, em especial em bibliotecas digitais, bases de dados, repositórios, portal da CAPES, Google Acadêmico, site da BC/UFPA e outros que contenham conteúdos científicos. Após essa pesquisa, o texto é reproduzido para o formato digital permitindo sua leitura aos usuários cegos por meio do sistema operacional DOSVOX ou por um leitor de telas como o NVDA. Esse acervo digital é armazenado no computador do Espaço Braille, ainda não disponibilizado em acesso remoto. Quando o usuário cego necessita do texto já digitalizado, ele precisa solicitar às bibliotecárias do setor.
Até o momento o curso de Biblioteconomia da UFPA não tem em sua grade curricular elementos para instrumentalizar os futuros bibliotecários a trabalhar o tema da inclusão e acessibilidade em Bibliotecas, portanto, muito se é aprendido com as próprias pessoas com deficiência, em cursos, palestras e eventos oferecidos pela CoAcess e outros setores da universidade. Ter a oportunidade de conviver com usuários com deficiência foi fundamental para os bibliotecários exercerem o papel social neste espaço educacional de disseminar o conhecimento e a informação a todos os usuários.
Um dos fundamentos primordiais da acessibilidade é fornecer autonomia às pessoas com deficiência. A equipe do Espaço Braille na maioria das vezes realiza as pesquisas para seus usuários na web, devido, principalmente, à inacessibilidade de websites, permitindo o acesso à informação solicitada. Porém, é essencial que esse usuário possa realizar suas próprias pesquisas na web, sejam elas de interesse educacional ou pessoal, de forma autônoma e independente, o que é possível, apenas se as mesmas estiverem acessíveis.
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Além disso, o website da Biblioteca Central da UFPA oferece uma diversidade de informações técnico-científicas, serviços e produtos pertinentes ao ensino, pesquisa e extensão da comunidade acadêmica, da qual os diversos usuários com deficiência, não somente visual e nem somente do Campus Belém, estão inseridos. O website possui informações sobre horário de atendimento, cursos, palestras, documentos; a exemplo o manual de normalização, as novas aquisições da BC/UFPA, dissertações e teses, informações sobre ficha catalográfica, entre outros. Ele vem sempre inovando, como em 2018, com a série Conheça o SIBI, com amostra de reportagens sobre as bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da UFPA, apresentando histórico, serviços, produtos, acervos, projetos e outras informações pertinentes ao conhecimento da comunidade universitária e sociedade em geral (UFPA, 2019a). Recentemente, em junho de 2019, disponibilizou um chat por meio do Messenger do Facebook, no qual o usuário pode deixar sua dúvida, pergunta, comentário ou ajuda.
A missão da Biblioteca Central da UFPA é de “prover e disseminar informação à comunidade universitária de modo presencial e em meio à rede, contribuir para a formação profissional e para o espírito de cidadania” (MISSÃO..., [s.d.]). Essa disseminação precisa atingir a todos da universidade, independentemente de suas deficiências, para que não ocorra um processo de exclusão digital desse grupo de usuários. A LBI indica que para um site seja acessível às PcD é necessário seguir as “melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente” (BRASIL, 2015, não paginado). O W3C é responsável por padrões web e diretrizes de acessibilidade para conteúdo web adotadas mundialmente, desde 1999, elas têm como princípios: perceptível, operável, compreensível e robusto (W3C, 2018a).
Com essa reflexão, a pergunta-problema a que se propõe responder essa pesquisa é “A homepage do website da Biblioteca Central da UFPA atende aos requisitos de acessibilidade para conteúdo web do W3C, permitindo que pessoas cegas que usam o NVDA possam acessar as informações contidas nela”?
Esta pesquisa justifica-se em contribuir com a acessibilidade e inclusão digital e social de usuários cegos ou com algum grau de deficiência visual da UFPA ou de qualquer outro lugar do mundo, possibilitando uma vida acadêmica com melhor qualidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), há mais de 1 bilhão de pessoas com alguma forma de deficiência no mundo (OMS, 2011). No Brasil, há 12 milhões de pessoas com deficiências severas e 45 milhões de pessoas com diversos
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níveis de deficiência (IBGE, 2010, 2018). Elas vêm conquistando seu espaço nos diversos setores da sociedade, no mercado de trabalho, na saúde, no esporte, lazer e em todos os níveis da educação, buscando ter seus direitos garantidos e participação ativa e autônoma na sociedade.
Além disso, as pessoas com deficiência estão inseridas no universo das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). A pesquisa “População com deficiência no Brasil: fatos e percepções” de 2006 (SCHWARZ; HABER, 2006), mostra aspectos da inclusão digital, 37,7% do total da população com deficiência visual possui computador e 56,9% possui acesso ao computador, independente de tê-lo, “o acesso à informação, a troca de experiências, a facilidade de comunicação, a conveniência proporcionada pelo mundo digital e internet contribuem para uma sociedade mais inclusiva”(SCHWARZ; HABER, 2006, p. 17).
A pesquisa TIC Domicílios 2018, com o objetivo de medir o acesso às TIC nos domicílios brasileiros e seu uso pela população, mostra um crescimento no uso da internet, na zona urbana e rural, no período de 2008 a 2018. Neste último ano, cerca de 67% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet (NIC.BR, 2019). Para que as pessoas com deficiência tenham garantido seu acesso à websites, os mesmos necessitam de acessibilidade, contudo é pequeno o número de sites que se preocupam com essa questão. Pode-se confirmar isso na pesquisa do Projeto Censo da Web.br, dos 6,3 milhões de páginas HTML coletadas, foi constatado que somente 2% dos sites com domínio .gov.br apresentavam alguns tipos de conformidade de acessibilidade (CGI.Br, 2010). Em pesquisa mais atual sobre 14 milhões de sites nacionais ativos, menos de 1% passou nos testes de acessibilidade (MWPT, 2019).
Percebe-se, desse modo, um quadro de exclusão digital para esse grupo de pessoas, pois há uma desigualdade considerável de acesso às tecnologias fundamentais para a disseminação do conhecimento (DIMAGGIO et al., 2001). Warschauer (2006) afirma que as TICs são importantes para a inclusão social das pessoas com deficiência, pois com a falta de mobilidade, por exemplo, pessoas não precisam se deslocar para realizar alguns procedimentos pela internet, um tetraplégico pode ir atrás de um diploma universitário sem sair de casa, assim como uma pessoa cega pode acessar, fazer download de documentos da internet e convertê-los em fala, quando este é acessível. Ele argumenta que além da limitação, tem a situação de marginalização econômica e social que resulta em falta de meios para acesso à internet.
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A cada ano é registrado um aumento no quantitativo de discentes com deficiência matriculados em Instituições de Ensino Superior brasileiras e na UFPA, conforme o Gráfico 1 a seguir. Em 2019, o segundo maior grupo de matriculados foram os discentes com deficiência visual (COACESS, 2019a).
GRÁFICO 1 - AUMENTO DE MATRÍCULAS DE PcD EM IES BRASILEIRAS
DESCRIÇÃO DO GRÁFICO 1
Dois gráficos em paralelo. O gráfico da esquerda ilustra o crescimento do número de matrículas de PcD em IES brasileiras. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Estatísticas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), aumentou de 5.395, em 2004 para 38.272, em 2017. O gráfico da direita ilustra o crescimento do total de alunos PcD matriculados na UFPA, de acordo com dados da sua Coordenadoria de Acessibilidade, referente ao intervalo dos anos de 2010 ao primeiro semestre de 2019, tais quais: 2010: 1, 2011: 4, 2012: 1, 2013: 7, 2014: 25, 2015: 39, 2016: 55, 2017: 63, 2018: 127, 2019.2: 68.
FIM DA DESCRIÇÃO
Sendo assim, é importante conhecer as barreiras de acesso à informação na web, as tecnologias assistivas e o conjunto de componentes necessários para garantir que o website da BC/UFPA seja acessível a todos. Sendo assim, esta pesquisa também é relevante pela contribuição que pode fornecer no desenvolvimento de uma política de acessibilidade digital às informações disponíveis no website da BC/UFPA. Com os resultados obtidos neste estudo, é possível contribuir significativamente com a acessibilidade de produtos e serviços digitais já existentes no site, assim como na construção de novos. Como, por exemplo, usar esse ambiente informacional para disponibilizar, de forma acessível, o acervo digitalizado e direcionado ao usuário cego do Espaço Braille, pois segundo a pesquisa de Pinheiro (2019), os usuários cegos deste setor anseiam pelo acesso desse material em ambiente web. Com isso, o acesso será expandido para outras pessoas cegas e com outras deficiências, dentro e fora da UFPA, assim como pode ser um espaço de compartilhamento de informação por entidades que também têm trabalhos voltados para este público.
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Quanto à justificativa disciplinar, esta pesquisa vem trazer contribuições para a Ciência da Informação (CI), na linha Mediação da Informação, pois para que ocorra o processo de apropriação e uso da informação pelos usuários com deficiência em ambientes web, é preciso que ele consiga acessar a informação, para isso é necessário que haja acessibilidade digital nos websites. Isso implica em barreiras atitudinais e tecnológicas a serem sanadas, um conjunto de boas práticas, padrões e diretrizes web e leitores de telas precisam estar em sintonia para que a acessibilidade web seja efetivada. Trata-se de um trabalho interdisciplinar, com discussões da área de Biblioteconomia e Tecnologias, caráter este, segundo Saracevic (1996), natural da Ciência da Informação, assim como sua intrínseca vinculação à tecnologia da informação, sem contar com seu papel social e humano, que ultrapassa a tecnologia.
Desse modo, a Biblioteconomia e a Ciência da Informação têm a responsabilidade social inerente às suas áreas, contribuindo com a acessibilidade digital de sites de bibliotecas e, consequentemente, promovendo a inclusão digital de pessoas cegas e com outras deficiências.
Além disso, este estudo traz contribuições para os websites de bibliotecas no que se refere ao acesso à informação. Estudos nacionais e internacionais apontam inacessibilidade nos sites de bibliotecas universitárias, impedindo assim que os usuários com deficiência consigam usufruir dos serviços e produtos oferecidos por esses sites e ser incluídos digital e socialmente pelas bibliotecas universitárias (MARÇAL, 2015a; FERREIRA; CIACONI, 2011; SCHMETZKE, 2001)
Dessa maneira, o objetivo geral dessa pesquisa é “Analisar a acessibilidade digital da homepage do website da Biblioteca Central da UFPA, no que diz respeito ao acesso à informação, tendo como parâmetros as diretrizes de acessibilidade para conteúdo web (WCAG) 2.1 e a experiência do usuário cego na interação com a web usando o leitor de telas NVDA”. Para isso, delimitaram-se os seguintes objetivos específicos:
A) Identificar itens que comprometem a acessibilidade da homepage do website da Biblioteca Central da UFPA, apontados pelo avaliador automático WAVE.
B) Verificar a experiência de navegação do usuário cego que usa o NVDA com a homepage do website da BC/UFPA, acessando informações sobre os produtos e serviços disponíveis.
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C) Verificar a conformidade das diretrizes de acessibilidade para conteúdo web 2.1 de acordo com os resultados da avalição do WAVE e dos testes com os usuários cegos que usam o NVDA.
Assim, para a concretização desses objetivos específicos, esta pesquisa teve como metodologia um estudo de caso de caráter descritivo. Para a coleta de dados foram realizadas três etapas: o teste com o software WAVE, o teste com os usuários cegos que usam o NVDA e a entrevista de satisfação com quatro discentes cegos, três homens (dois da graduação em Ciências Sociais e Biblioteconomia, iniciantes no uso do NVDA, e um do mestrado em Matemática, mediano no uso do NVDA) e uma mulher (graduação em Nutrição, iniciante no uso do NVDA). Com isso, obtiveram-se resultados sobre um conjunto de fatores que estão diretamente interligados à acessibilidade digital do site e englobam componentes tecnológicos e humanos.
A estrutura deste estudo no seu segundo, terceiro e quarto capítulos desenvolve o referencial teórico da pesquisa. O capítulo 2 apresenta os aspectos históricos mundiais, nacionais e conceituais das pessoas com deficiência, em especial, a cegueira. O capítulo 3 aborda a acessibilidade em âmbito geral e digital em termos de legislação brasileira. Apresenta também um breve histórico da web e da acessibilidade digital, seus termos e conceitos por autores e entidades, barreiras digitais por pessoas cegas, componentes relacionados ao processo de acessibilidade na web, a exemplo das diretrizes, padrões web e tecnologias assistivas. O capítulo 4 analisa a acessibilidade digital em websites de bibliotecas universitárias, abordando pesquisas nacionais e internacionais, barreiras de acesso à informação e experiências de usuários, além de avanços e possibilidades em bibliotecas, ciência da informação e áreas afins.
Dando prosseguimento, o capítulo 5 expõe a metodologia adotada, seguida do capítulo 6 que discorre sobre os resultados e discussões da pesquisa, trazendo uma análise detalhada das três etapas da pesquisa. Por fim, o capítulo 7 disserta sobre as considerações finais da pesquisa, abordando os objetivos sugeridos e os resultados alcançados. Ao final são apresentadas as referências utilizadas na dissertação.
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CAPÍTULO 2 - PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Neste capítulo pretende-se contextualizar a trajetória das pessoas com deficiência, levantando aspectos históricos, sociais, conceituais e legislativos em torno destas temáticas.
SEÇÃO 2.1 Aspectos históricos e sociais no mundo e no Brasil
Grande parte da história da humanidade foi marcada por exclusão, preconceito e discriminação sobre as pessoas com deficiência. Até o século XVIII as deficiências eram tratadas de acordo com a percepção do mítico. Na época primitiva, devido às condições e recursos, elas representavam um fardo para o grupo, com isso eram predestinadas à morte. Vieram as práticas assistencialistas e depois, com a Revolução Francesa e seu conceito de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, houve uma quebra de paradigmas no tratamento das problemáticas das limitações dessas pessoas. Formam-se as primeiras instituições para estudar as múltiplas deficiências e o Estado assume o papel da igreja sobre a educação e a saúde (SILVA, 2017). No entanto, as guerras mundiais representaram outro marco para a criação de programas de assistência a soldados que retornavam dos campos de batalhas com traumas e mutilações que afetavam suas vidas profissionais e pessoais.
Para Otto Silva (1987), durante a história das pessoas com deficiência, a surdez e a cegueira foram as deficiências mais beneficiadas com pesquisas, métodos e modelos de aprendizagem. O método Braille, utilizado para a escrita e leitura de pessoas cegas, surgiu na tentativa de Charles Barbier apresentar ao imperador da França, Napoleão Bonaparte, um código para comunicação nos campos de batalha. Entretanto, em razão de sua recusa, Charles apresentou ao Instituto Nacional dos Jovens Cegos para ser usado como leitura tátil, onde estudava, Louis Braille, o qual sugeriu algumas alterações não acatadas por Barbier, que acabou por abandonar o projeto, sendo continuado, então, por Braille, com algumas adaptações.
Em 1948 o mundo teve um marco na história dos direitos humanos e um forte impulso às lutas dos direitos das PcD com a Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), com o debate sobre os direitos iguais e alienáveis como fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo
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(ONU, 1948). Esse documento fora assinado pelo Brasil em 10 de dezembro de 1948, e inspirou não somente a Constituição de muitos países, como também a formulação de diversos tratados e convenções, a exemplo da Convenção sobre o Direito das Pessoas com Deficiência, adotada pela ONU em 2006, e que fora incorporada à legislação brasileira em 2008, juntamente com seu protocolo facultativo. (BRASIL, 2009).
Houve diversas outras convenções e declarações internacionais sobre a pessoa com deficiência, tais como as descritas no Quadro 1 abaixo, seguidas de seus principais objetivos, locais e datas.
QUADRO 1: Convenções, declarações e trabalhos internacionais sobre a pessoa com deficiência por local e data. Fonte: Adaptação da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência, [s.d.]
QUADRO ADAPTADO
COLUNA 1: Convenções e Declarações; COLUNA 2: Temática; COLUNA 3: Local; COLUNA 4: Ano
LINHA 1 - Convenções e Declarações: Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU; Temática: Debate sobre os direitos iguais e alienáveis como fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; Local: Paris, França; Ano: 1948
LINHA 2 - Convenções e Declarações: Convenção nº 111; Temática: Discriminação em matéria de emprego e profissão.; Local: Genebra, Suíça; Ano: 1958
LINHA 3 - Convenções e Declarações: Declaração dos Direitos de Pessoas com Deficiência Mental – ONU; Temática: Trata sobre os direitos de pessoas com deficiência mental.; Local: Sem local; Ano: 1971
LINHA 4 - Convenções e Declarações; Declaração dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiências; Temática: Cooperar com a ONU, a fim de promover níveis de vida mais elevados, trabalho permanente para todos, condições de progresso, desenvolvimento econômico e social; Local: Sem local; Ano: 1975
LINHA 5 - Convenções e Declarações: Convenção nº 159; Temática: Reabilitação profissional e emprego de pessoas deficientes.; Local: Genebra, Suíça; Ano: 1983
LINHA 6 - Convenções e Declarações: Normas sobre Equiparação de Oportunidades; Temática: Promover padrões de vida mais altos, pleno emprego e condições de progresso e desenvolvimento econômico e social de acordo com a Carta das Nações Unidas.; Local: Sem local; Ano: 1993
LINHA 7 - Convenções e Declarações: Declaração de Salamanca; Temática: Princípios, política e prática em educação especial.; Local: Salamanca, Espanha; Ano: 1994
LINHA 8 - Convenções e Declarações: Carta para o Terceiro Milênio; Temática: No Terceiro Milênio, a meta de todas as nações precisa ser de evoluírem para sociedade que protejam os direitos das pessoas com deficiência mediante o apoio ao pleno empoderamento e inclusão delas em todos os aspectos da vida.; Local: Londres, Grã-Bretanha; Ano: 1999
LINHA 9 - Convenções e Declarações: Declaração de Washington; Temática: Toda vida humana tem valor e cada ser humano deve ter opções significativas para fazer escolhas sobre as questões que afetam suas vidas; respeito aos direitos humanos, autodeterminação, autoajuda, empoderamento, inclusão, correr riscos e integração são fundamentais.; Local: Washington, DC, Estados Unidos da América; Ano: 1999
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LINHA 10 - Convenções e Declarações: Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência Ou Convenção de Guatemala; Temática: Prevenir e eliminar todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência e propiciar a sua plena integração à sociedade.; Local: Guatemala; Ano: 2001
LINHA 11 - Convenções e Declarações: Declaração Internacional de Montreal sobre a Inclusão; Temática: Apela aos governos, empregadores e trabalhadores bem como à sociedade civil para que se comprometam com, e desenvolvam, o desenho inclusivo em todos os ambientes, produtos e serviços.; Local: Montreal, Canadá; Ano: 2001
LINHA 12 - Convenções e Declarações: Declaração de Madri; Temática: Parâmetro conceitual para as atividades do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência tanto em nível da União Europeia como nos níveis regional, nacional e local.; Local: Madri, Espanha; Ano: 2002
LINHA 13 - Convenções e Declarações: Declaração de Sapporo; Temática: Geração de renda, educação, impacto da pobreza etc. Educar a sociedade civil e nossos representantes políticos a respeito da participação igual das pessoas com deficiência na sociedade.; Local: Sapporo, Japão; Ano: 2002
LINHA 14 - Convenções e Declarações: Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; Temática: Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo.; Local: Nova York, Estados Unidos da América; Ano: 2006
FIM DO QUADRO
Muitas dessas convenções, declarações e trabalhos voltados para a pessoa com deficiência tiveram impactos em legislações brasileiras, que podem ser vistas no Quadro 2 a seguir.
QUADRO 2: Impacto de eventos e trabalhos internacionais sobre a PcD na legislação brasileira. Fonte: Adaptação da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência, [s.d.].
QUADRO ADAPTADO
COLUNA 1: Declarações; COLUNA 2: Impacto no Brasil
LINHA 1 – Declarações: Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU; Impacto no Brasil: Inspirou a Constituição brasileira de 1988 e formulação de diversos tratados e convenções como a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência de 2006.
LINHA 2 - Declarações: Convenção nº 111; Impacto no Brasil: Decreto nº 62.150, de 19/1/68.
LINHA 3 - Declarações: Declaração dos Direitos de Pessoas com Deficiência Mental; Impacto no Brasil: Resolução n° 2.856, de 20/12/71.
LINHA 4 - Declarações: Declaração dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiências; Impacto no Brasil: Resolução n° 30/84, de 9/12/75.
LINHA 5 - Declarações: Convenção nº 159; Impacto no Brasil: Decreto nº 129, de 22/5/91.
LINHA 6 - Declarações: Declaração de Salamanca; Impacto no Brasil: Conferência Mundial de Educação Especial, representando 88 governos e 25 organizações internacionais.
LINHA 7 - Declarações: Carta para o Terceiro Milênio; Impacto no Brasil: Assembléia Governativa da Rehabilitation International.
LINHA 8 - Declarações: Declaração de Washington; Impacto no Brasil: Movimento de Vida Independente e dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência, representantes dos 50 países participantes do Encontro Perspectivas Globais em Vida Independente para o Próximo Milênio.
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LINHA 9 - Declarações: Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência Ou Convenção de Guatemala; Impacto no Brasil: Decreto nº 3.956, de 8/10/2001.
LINHA 10 - Declarações: Declaração Internacional de Montreal sobre a Inclusão; Impacto no Brasil: Aprovada pelo Congresso Internacional Sociedade Inclusiva.
LINHA 11 - Declarações: Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; Impacto no Brasil: DECRETO Nº 6.949, DE 25 DE AGOSTO DE 2009.
FIM DO QUADRO
A nova visão da declaração de Madri (2002), sobre o direito dos europeus com deficiência, é o reflexo da necessidade de PcD no mundo, conforme Quadro 3.
QUADRO 3: Nova visão dos espanhóis sobre o direito das PcD. Fonte: Adaptação da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência, [s.d.].
QUADRO ADAPTADO
COLUNA 1: Antiga visão; COLUNA 2: Nova visão
LINHA 1 - Antiga visão: Pessoas com deficiência como objeto de caridade; Nova visão: Pessoas com deficiência como detentores de direitos
LINHA 2 - Antiga visão: Pessoas com deficiência como pacientes; Nova visão: Pessoas com deficiência como cidadãos e consumidores com autonomia
LINHA 3 - Antiga visão: Profissionais tomando decisões pelas pessoas com deficiência.; Nova visão: Tomada de decisões e assunção de responsabilidades, com independência, por parte das pessoas com deficiência e suas organizações em assuntos que lhes dizem respeito.
LINHA 4 - Antiga visão: Enfoque apenas nas deficiências das pessoas.; Nova visão: Promoção de ambientes acessíveis e de apoio e da eliminação de barreiras, revisão de culturas e de políticas e normas sociais.
LINHA 5 - Antiga visão: Projetar processos econômicos e sociais para poucos; Nova visão: Projetar um mundo flexível para muitos
LINHA 6 - Antiga visão: Segregação desnecessária em educação, emprego e outras áreas da vida; Nova visão: Inserção de pessoas com deficiência na corrente principal da sociedade.
LINHA 7 - Antiga visão: Políticas sobre deficiência como uma questão que afeta apenas os órgãos especiais.; Nova visão: Nova inserção de políticas sobre deficiência como uma responsabilidade geral do governo.
FIM DO QUADRO
No século XIX, período de forma precursora na América Latina, o imperador D. Pedro II, em 1854, criou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos (atual Instituto Benjamin Constant), e em 1856, criou o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos (atual Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES) com ajuda do professor francês E. Huet. No século XX, a sociedade civil formou as Sociedades Pestalozzi (1932), Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) (1954), Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), destinados às vítimas de poliomielite. A partir do final de 1970, as pessoas com deficiência começaram a ser protagonistas de suas próprias histórias e lutas com o lema “Nada sobre nós sem nós”, expressão difundida internacionalmente (HISTÓRIA, 2010).
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No que se refere à educação, Figueira (2018) elenca diversas políticas nacionais e legislativas e ações do governo para promover a educação especial e a cultura no país, desde 1957 até os dias atuais. Planos e políticas nacionais a favor da educação especial e inclusiva foram inseridos e moldados a ponto de garantir o direito à educação com respeito às diferenças e a promoção de oportunidades equitativas em todos os níveis de ensino. Diversos debates também foram feitos acerca do conceito de deficiência e PcD, os quais serão elencados a seguir.
SEÇÃO 2.2 Aspectos conceituais
Para entender a diversidade da deficiência é preciso conhecer seu conceito, assim como as dificuldades e restrições das pessoas com deficiência. Anteriormente, para se tipificar as deficiências era utilizada a Classificação Internacional de Doenças (CID) voltada aos diagnósticos, considerando os aspectos biológicos. Todavia, avanços nos debates apontam que a deficiência não é doença. Dessa forma, a CID não serve para interpretá-la e sim para exprimir a origem dos impedimentos (MAIOR, 2015).
Diniz (2007) afirma que para a Classificação Internacional de Lesão, Deficiência e Handicap (ICIDH) a deficiência é qualquer restrição ou falta resultante de uma lesão na habilidade de executar uma atividade da maneira ou da forma considerada normal para os seres humanos. Outra abordagem é da Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde (CIF), que baseia seus conceitos não somente na saúde, como também nos aspectos da sociedade. Ainda de acordo com a autora, a linguagem discriminatória como: “aleijado”, “manco”, “retardado”, “pessoa portadora de necessidades especiais” e “pessoa especial” fora sendo substituída por “pessoa deficiente”, “pessoa com deficiência” e “deficiente”, pois confirmam a deficiência como característica individual na interação social. No entanto, de acordo com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (BRASIL, 2009) e os debates mais recentes, o termo utilizado é “pessoa com deficiência”.
A deficiência, portanto, refere-se às dificuldades de alterações das estruturas e funções corporais, limitações, restrições à participação em certas atividades. Ela manifesta-se da relação entre problemas de saúde e fatores contextuais: fatores ambientais e pessoais (OMS, 2011). A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
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Deficiência conceitua pessoas com deficiência como “aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas” (BRASIL, 2009, p. 1).
O Decreto 5.296/2004 categoriza as deficiências como: física, auditiva, visual, mental (atualmente intelectual, função cognitiva) e múltipla, que é a associação de mais de um tipo de deficiência (BRASIL, 2004), e no ano de 2012, por meio da Lei Berenice Piana n. 12.764/12, a pessoa com transtorno do espectro autista – TEA, também passou a ser considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais (BRASIL, 2012).
É importante destacar que há o público que de fato é PcD como categoria legal, especificado nas legislações, e há o público que depende de acessibilidade digital, que envolve casos de mobilidade reduzida, miopia, daltonismo, estigmatismo e outros grupos não legislados como PcD.
As pessoas com deficiência representam 15% da população mundial, cerca de 1 bilhão de habitantes, sendo que para cada 7 habitantes, 1 possui algum tipo de deficiência, segundo divulgações da Organização Mundial de Saúde no Relatório Mundial sobre Deficiência (OMS, 2011). O censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 mostra que 23,9% da população brasileira com deficiência, aproximadamente 45 606 048 milhões de pessoas, tinham alguma dificuldade/ muita dificuldade/ não conseguem de modo algum executar uma ou mais questões do questionário referentes às deficiências investigadas.
No entanto, com a releitura do IBGE sobre esses dados, em 2018, no qual se incorporou a linha de corte do Grupo de Washington, que classifica pessoa com deficiência a que tem “muita dificuldade” e “não consegue de modo algum” realizar uma ou mais questões do questionário do censo de 2010. Segundo o documento da releitura, essas “pessoas com deficiência severa” constituem o principal alvo das políticas públicas voltadas para a população com deficiência. O resultado passou para 12.748.663 pessoas com deficiência, ou 6,7% do total de 190.755.048 pessoas recenseadas. Dentre o quantitativo atualizado, o destaque está para o percentual de pessoas com deficiência visual, que é de 3,4%. Quanto às demais deficiências, 2,3%, 1,4% e 1.1%, para motora, mental/intelectual e auditiva, respectivamente (IBGE, 2018).
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Todavia, segundo Sales (2019a) alguns aspectos têm que ser levados em consideração ao analisar a releitura de 2018 do IBGE sob o âmbito da acessibilidade digital, pois o processo relacionado à acessibilidade tem a ver com mudança de cultura. Entretanto, a pesquisa de 2018 não corrobora para isso, pois ela foca em estados extremos de deficiência. No caso, por exemplo, de pessoas que têm miopia ao acessar a web sem seus óculos, precisam chegar bem próximo do computador ou utilizar um recurso de tecnologia assistiva como um zoom. Levando em consideração a pesquisa de 2010, essa pessoa era considerada com deficiência permanente, não é severa, mas estava no quadro de 45 milhões PcD. Contudo, no novo estudo, ela foi retirada desse quantitativo, para a acessibilidade digital é relevante levar em consideração o número maior, por incluir todas as pessoas e seus diversos tipos e níveis de dificuldades de acesso à web (SALES, 2019b).
Apesar do foco deste trabalho ser pessoas cegas, o desenho universal possui sete princípios com o objetivo de tornar os ambientes, produtos e comunicações, acessíveis às pessoas com deficiência, com impedimentos de enxergar, pessoas videntes, entre outros grupos. Este é o verdadeiro foco da acessibilidade digital, atender a todos e não um grupo, em particular.
Para o Decreto 5.296/04, a deficiência visual divide-se em cegueira e baixa visão. Cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores (BRASIL, 2004). Atualmente, devido a Súmula 377 do Superior Tribunal Federal, tem-se também o caso da visão unilateral (BRASIL, 2009b).
Segundo Domingues et al. (2010), a cegueira pode ser Congênita: causada por lesões e enfermidades que comprometem as lesões do globo ocular; ou Adventícia: perda da visão ocorrida na infância, adolescência, na fase adulta ou senil.
Uma pessoa é considerada cega se apresenta um comprometimento visual em ambos os olhos, e não possui ou possui de forma muito reduzida, a percepção visual de forma e de luz. Esses indivíduos precisam usar recursos de tecnologia assistiva, principalmente programas leitores de tela, com os quais navegam na internet utilizando o teclado em vez do mouse e acessam a informação por meio de sintetizadores de voz ou de displays Braille (W3C BRASIL, 2018).
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De acordo com Domingues (2010), pessoas cegas têm ressalvas de locomoção; olhos vermelhos; lacrimejamento por esforço ocular; piscam constantemente; apresentam visão dupla e embaçada; movimentam constantemente os olhos (nistagmo); possuem sensibilidade à luz, dores de cabeça, tonturas, náuseas; tropeçam, ou esbarram em pessoas ou objetos; têm cautela excessiva ao andar; dispersam a atenção, entre outros. As pessoas cegas usam bengalas para evitar obstáculos e perigos e para direcionar seu deslocamento; os pisos táteis facilitam sua mobilidade. Ainda segundo o autor, pessoa com deficiência visual pode usar o cão-guia nas suas atividades dentro e fora de casa e em todos os ambientes, exceto os proibidos no Decreto nº 5904/2006, referente a algumas áreas das unidades de saúde e nos locais que exigem esterilização individual. Podem usar também sistema Braille, leitores de tela e recursos sonoros, programas com sínteses de voz, gravação em áudio, descrição de imagens etc.
Para que as pessoas com deficiência consigam ser incluídas nos espaços da sociedade, exercerem seus diretos e terem participação ativa e autônoma em diversos setores da sociedade é preciso que haja acessibilidade, e para acessar informações na web precisam de acessibilidade digital, que será abordada a seguir.
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CAPÍTULO 3 - ACESSIBILIDADE DIGITAL
Neste capítulo procura-se, inicialmente, abordar as legislações brasileiras como fundamentais aliadas na promoção da acessibilidade digital. Em seguida, serão tratados alguns avanços tecnológicos até se chegar à web e sua acessibilidade, mostrando o cenário mundial e brasileiro. São apresentados também alguns aspectos conceituais, barreiras e benefícios da acessibilidade digital. Na sequência, são discutidas as WCAG 2.1, juntamente com outros componentes que proporcionam a acessibilidade em ambientes digitais envolvendo uma diversidade de indivíduos.
SEÇÃO 3.1 - Legislações brasileiras
A acessibilidade, inicialmente arquitetônica, foi se ampliando à medida que pessoas com deficiência, organizações e instituições lutaram social e politicamente e promoveram legislações que as amparassem em diversas instâncias da sociedade. A seguir, é demonstrado um percurso histórico legislativo da acessibilidade no Brasil, que tiveram impactos significativos à acessibilidade digital de websites.
A acessibilidade é tratada no Brasil a partir da Emenda Constitucional nº 12, de 17 de outubro 1978, a qual menciona especificamente o acesso a edifícios e logradouros (COSTA; MAIOR; LIMA, 2005). Em 1985, tornou-se obrigatória a colocação do “Símbolo Internacional de Acesso”, que está relacionado às barreiras físicas, em todos os locais e serviços que permitissem a sua utilização por pessoas com deficiência, por meio da Lei nº 7.405/85 (BRASIL, 1985).
A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, é uma grande aliada no fomento da acessibilidade na web, pois a cidadania e a dignidade da pessoa humana fazem parte dos seus Princípios Fundamentais, para se construir um Estado democrático de direito. Além disso, a Constituição tem como objetivos essenciais construir uma sociedade livre, justa e solidária; reduzir as desigualdades sociais e promover o bem de todos, sem preconceito de qualquer forma de discriminação. A liberdade e a igualdade são estabelecidas em seus Direitos e Garantias Fundamentais, pois todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (BRASIL, 1988).
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Nesse sentido, o acesso à informação também faz parte de um direito garantido pela Constituição do Brasil. Com isso, nenhuma pessoa, com ou sem deficiência, pode ficar sem acessar um website por entraves de configuração de códigos (FERRAZ, 2017). A Constituição cita ainda, em seu artigo 24, inciso XIV, que cabe à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar sobre a proteção e integração social das pessoas portadoras[Nota de rodapé 2: O termo “Pessoa portadora de deficiência” atualmente está em desuso, substituído por “Pessoa com deficiência”, segundo a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas.] de deficiência.” (BRASIL, 1988).
O direito à liberdade, igualdade e dignidade está contemplado, do mesmo modo na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Semelhante a isso, a necessidade de inclusão da pessoa com deficiência parte do Ano Internacional das Pessoas Deficientes em 1981.
O primeiro e significativo avanço na legislação brasileira, após a publicação da Constituição, no que tange à acessibilidade em seu significado amplo, foi a Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, a qual estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. Nesse período, a acessibilidade era vista majoritariamente com o olhar arquitetônico, porém a regulamentação dessa lei e da 10.048/2000, pelo Decreto 5.296, de 2 de dezembro de 2004, deu um significativo avanço no conceito. Em seu capítulo 3, artigo 8º, inciso I a acessibilidade é definida como:
CITAÇÃO DIRETA
Condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. (BRASIL, 2004, não paginado, grifo nosso).
FIM DA CITAÇÃO
Nesse mesmo Decreto, o inciso II destaca algumas barreiras de acessibilidade, como “qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento, a circulação com segurança e a possibilidade de as pessoas se comunicarem ou terem acesso à informação” (BRASIL, 2004, não paginado, grifo nosso). As barreiras são classificadas em urbanísticas, nas edificações, nos transportes e, no que se propõe a tratar esta pesquisa, nas comunicações e informações.
No que se refere ao acesso às informações disponíveis na internet, o Decreto 5.296/2004, tem um capítulo específico sobre acesso à informação e comunicação.
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Nele, é estabelecido um prazo mínimo de um ano, a contar da data de sua publicação, para que os portais e sítios eletrônicos da administração pública garantam acessibilidade para que as pessoas com deficiência visual possam acessar as suas informações via internet (BRASIL, 2004, não paginado).
Esse Decreto marca um grande avanço para a acessibilidade na web. No entanto, percebe-se que há restrição no tipo de deficiência atendida – visual – e nos tipos de sítios e portais da administração pública. É importante que empresas públicas e privadas de diversas ordens façam uso das práticas de acessibilidade na web e que o foco seja contemplar todas as deficiências.
O Decreto 6.949/2009 promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, foram assinados em Nova York, em 2007. Com isso, a Convenção fica incorporada à Constituição Federal, os seus artigos 9º e 21º têm a finalidade de possibilitar às pessoas com deficiência viver de forma independente e participativa dos aspectos da vida. Caberá aos Estados Partes tomarem medidas que as assegurem desempenhar seu direito à liberdade de expressão e opinião, inclusive à liberdade de buscar, receber e compartilhar informações e ideias, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas e por intermédio de todas as formas de comunicação de sua escolha. Devem ser promovidos o acesso à informação, aos sistemas e tecnologias da informação e comunicação, inclusive à internet. A Convenção solicita igualmente às entidades privadas, que oferecem serviços por meio da internet, que estejam em formatos acessíveis e seu uso possa ser equitativo (BRASIL, 2009).
De acordo com a NBR 15599:2008 referente à Acessibilidade – Comunicação na prestação de serviços, a acessibilidade é definida como “possibilidade e condição de alcance para utilização do meio físico, meios de comunicação, produtos e serviços, por pessoa com deficiência” (ABNT, 2008).
O tema da acessibilidade em sites também é tratado pela Lei de Acesso à Informação, nº 12.527/2011, a qual solicita no capítulo 2 “Do acesso a informações e sua divulgação”, que os sítios dos órgãos e entidades públicas devem tomar iniciativas para garantir a acessibilidade de conteúdo para as pessoas com deficiência (BRASIL, 2011).
A Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, chamada de Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) foi um grande marco para assegurar e promover o exercício dos direitos e das liberdades das pessoas com
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deficiência com vistas à sua inclusão social e cidadania. Ela ratifica a definição de acessibilidade do Decreto 5.296/054, estendendo a necessidade de tê-la em qualquer serviço e instalação de uso público ou particular, seja na zona urbana ou rural.
Essa Lei estabelece como direito, que as instituições de ensino sejam inclusivas, em todos os seus níveis e modalidades de aprendizado, adotando medidas para alcançar o máximo do desenvolvimento acadêmico e social dos discentes com deficiência, contribuindo assim, ao acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem dos mesmos. Para isso, é necessária a adoção de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras arquitetônicas, atitudinais, tecnológicas, metodológicas, entre outras, que os limitam em exercer seus direitos à autonomia, liberdade de movimento, à compreensão, à comunicação e à informação (BRASIL, 2015).
A LBI possui um capítulo especialmente com foco para tratar do acesso à informação e à comunicação, que assinala como obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet por empresas ou órgãos do governo, com adoção das “melhores práticas e diretrizes de acessibilidades adotadas internacionalmente”. Isto é fundamental para se criar um ambiente universal, com padrões usados em diversos lugares, principalmente no acadêmico, comprometido com a construção de conhecimento, para que haja um debate e direcionamento de como criar e usar o conteúdo acessível na web. Para esta pesquisa serão estudadas as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.1 do W3C que serão melhor abordadas mais a frente, assim como outros componentes da acessibilidade digital. Entretanto, para isso é importante contextualizar os processos tecnológicos para se chegar a web e as discussões em torno de sua acessibilidade.
SEÇÃO 3.2 - Aspectos históricos
O cientista Vannevar Bush, em 1945, em seu artigo “As we may think”, traz não somente ideias inovadoras, mas reflexões sobre o uso das tecnologias para o domínio e acesso a gama de conhecimentos. A partir daí, Bush foi considerado o pioneiro da ideia de hipertexto, ele descreve uma máquina, denominada de Memex, com a capacidade de proporcionar leitura e escrita não lineares e armazenar uma biblioteca multimídia de documentos. A intenção desse cientista era reunir, armazenar e
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comprimir todas as produções da humanidade, em formatos de livros, revistas e correspondências em um pequeno espaço que pudesse ser consultado (BUSH, 1945).
Posteriormente, houve vários avanços tecnológicos até se chegar na World Wide Web. De acordo com Dias (1999), na década de 1960, o hipertexto estava relacionado à ideia de leitura/escrita não linear em sistemas informatizados. Neste momento também, as ideias de Bush que ficaram esquecidas por quase 20 anos, foram postas em prática, assim como as de Nelson. O Augement implementava links em diferentes arquivos, filtros e múltiplas janelas controladas pelos usuários. A década de 1970 teve várias pesquisas sobre hipertexto. A partir de 1980, os surgimentos de impacto foram a internet e a web.
Dentre os projetos de hipertextos que surgiram na década de 80 e 90, a World Wide Web, WWW, W3, ou web revolucionou a forma de comunicação na internet, por meio de documentos que comportam vídeos, textos, sons, figuras e são remetidos para diversos outros documentos, oriundos de toda parte do mundo. De acordo com os historiadores Briggs e Burke (2006), a WWW foi proposta por Tim Berners-Lee, em 1989, “suponha que eu tenha a possibilidade de programar meu computador para criar um espaço que em que tudo possa ser ligado a tudo”, “suponha que toda informação arquivada nos computadores de todos os lugares estivesse interligada” (BRIGGS; BURKE, 2006, p. 302).
A partir disso, de acordo com o W3C Brasil (2013), Berners-Lee desenvolve as primeiras especificações HyperText Transfer Protocol (HTTP) e Hypertext Markup Language (HTML) e a página da web. A proposta dele era que a web fosse sem patentes, aberta e livre. Atualmente, ela é um serviço oferecido na Internet [Nota de rodapé 3: De acordo com Fragoso, Recurero e Amaral (2010, p. 55) o uso dos termos internet e web como sinônimos é frequente, no entanto incorreto. A internet é a rede que conecta milhões de computadores pelo mundo, cujas primeiras conexões foram estabelecidas nos EUA, no final dos anos 1960. A World Wide Web foi criada no final dos anos 1980 e é uma das várias ferramentas de acesso a essa rede, organizadas em documentos interligados por hiperlinks e acessíveis através de softwares específicos.], criada com a proposta de disponibilizar informações a todos os usuários. Para Berners-Lee “O poder da web está na sua universalidade. O acesso por todas as pessoas, não obstante a sua deficiência, é um aspecto essencial” (W3C BRASIL, 2013, p. 22).
Com a finalidade de efetivar o acesso para todos, o físico Berners-Lee fundou, em 1994, o Worl Wide Web Consortium (W3C), um consórcio internacional, composto por muitas organizações membros, como Google, Apple, Amazon, Library of
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Congress, Microsoft Corporation, Stanford University, entre outros, uma equipe em tempo integral e o público em prol de desenvolver padrões e diretrizes web gratuitas e abertas, visando garantir a sua evolução e atingir todo o seu potencial. Assim como alcançar um dos principais objetivos do W3C, de que todas as pessoas, independentemente de seu hardware, software, infraestrutura de rede, idioma, cultura, localização, capacidades física ou mental, possam usufruir do valor social da web - de proporcionar à comunicação humana, aos negócios e às oportunidades o compartilhamento do conhecimento (W3C, 2019b, tradução livre; W3C BRASIL, 2013).
Consoante a Tangarife e Mont’Alvão (2005, p. 1) “os primeiros países a regulamentarem parâmetros de acessibilidade na web foram Austrália, Canadá e os Estados Unidos em 1997”. A Section 508, de 1998, conhecida internacionalmente como a lei criada pelos Estados Unidos da América, com o intuito de exigir das agências federais acessibilidade em suas tecnologias eletrônicas de informação, para atender a falta de acesso às informações das pessoas com deficiência na mesma proporção das que não tem deficiência. Hodiernamente, esta legislação está em concordância aos padrões da comissão europeia e as WCAG 2.0 do W3C (UNITED STATES, 2018).
No que se refere à Europa, o governo de Portugal foi pioneiro e o quarto no planeta a criar diretrizes de acessibilidade, sua iniciativa data de 1999, fora ampliada no ano posterior a 15 países da União Europeia, por meio do plano de ação e-Europa 2002, a partir daí muitos países criaram leis e modelos de acessibilidade adequados à sua realidade (ROCHA; ALVES; DUARTE, 2011).
SEÇÃO 3.3 - Cenário Brasileiro
No caso do Brasil, além do decreto 5.296/2004 que determina a acessibilidade em websites do governo brasileiro, foi criado o Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG), recomendações voltadas para o governo brasileiro, baseadas nas WCAG, que têm como objetivos a eliminação de barreiras digitais para que o acesso aos serviços e informações seja possível a todos. Sendo institucionalizado pela portaria nº 03/2007, tornando obrigatório nos sítios e portais do governo do Brasil. As suas versões 1.0 e 2.0 foram lançadas em 2005 e a 3.0 foi oficializada em 2011. A
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versão atual é a 3.1, sendo que não engloba todos os critérios do WCAG 2.0 (BRASIL, 2014, 2016).
Mesmo com as iniciativas do eMAG em prol da acessibilidade web, somente 2% dos sites com domínio .gov.br são acessíveis, conforme a pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.BR, 2010). Recentemente, em 29 de outubro de 2019, foi publicado o terceiro estudo de acessibilidade do Movimento Web para Todos juntamente com a BigData Corp e com o apoio da CeWeb.br, Centro de Estudos sobre Tecnologias Web do NIC.br. Esta pesquisa descobriu que dos 14 milhões de sites nacionais ativos, menos de 1% passou nos testes de acessibilidade, para os sites governamentais (os que estão sob o ccTLD “gov.br”) esse percentual diminui para 0,34%. Cerca de 93,79% apresentaram falhas em algum dos testes, mas obteve pontos favoráveis em outros (MWPT, 2019).
De acordo com a tese de Rodrigues (2004), sobre a acessibilidade nos sites do Setor Terciário, foram avaliadas as homepages dos sites do Governo do Estado do Paraná, McDonald’s Brasil, Banco do Brasil, Livraria Siciliano, Terra Networks e Faculdades Oswaldo Cruz, todos receberam a avaliação “não conforme”, isto é, não obedeceram as recomendações de prioridade 1, 2 e 3 do WCAG 1.0, mesmo que para alguns sites, algumas partes puderam ser acessadas.
A pesquisa de Guimarães e Sousa (2018), sobre acessibilidade dos três maiores sites de comércio eletrônico – Americanas, Walmart e Netshoes, resultou em barreiras de acesso para usuários cegos como informações em excesso, links quebrados, elementos visuais sem descrição, menus ocultos que dependem da ação do mouse, entre outras.
Um aspecto significativo para a acessibilidade é o desenho universal. O Centro para o Design Universal (CUD) da Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA) desenvolveu sete princípios de desenho universal voltados para ambientes, produtos e comunicações, tais como: 1) Uso Equitativo; 2) Flexibilidade no uso; 3) Uso simples e intuitivo; 4) Informação perceptível; 5) Tolerância ao erro; 6) Esforço físico baixo e 7) Tamanho e espaço de Abordagem e Uso (NC STATE UNIVERSITY, 1997, tradução livre). Com a proposta do desenho universal, também chamado de desenho para todos, os produtos e ambientes foram desenhados na perspectiva de atender diversas pessoas, de suas características pessoais, idades ou habilidades (DIAS, 2006).
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É importante frisar que o desenho universal está diretamente ligado à acessibilidade. A Lei Brasileira de Inclusão o define como “concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva”. (BRASIL, 2015, não paginado). Então, é fundamental acatar o conceito do desenho universal para que pessoas com e sem deficiência não tenham impedimentos em acessar produtos e ambientes, tanto físicos, quanto digitais (FERRAZ, 2017). Assim como, conhecer as barreiras de acesso, os benefícios e o que apregoa o conceito de acessibilidade digital.
SEÇÃO 3.4 - Conceitos, barreiras e benefícios
Conforme Sassaki (2010), a acessibilidade não se limita mais somente ao âmbito arquitetônico, ele a classifica em seis dimensões: arquitetônicas, comunicacionais, atitudinais, programáticas, metodológicas e instrumentais. A acessibilidade digital é destacada por ele como um dos tipos da acessibilidade comunicacional, na qual aborda as barreiras na comunicação interpessoal, como a língua gestual [Nota de rodapé 4: No Brasil, a língua gestual é a Língua Brasileira de Sinais, terminologia aprovada no Brasil, com a Lei nº 10436/2002.]; comunicação escrita como textos em Braille e com letras ampliadas; e comunicação virtual, como a acessibilidade digital.
Quando se refere à acessibilidade no âmbito da web, são variados os termos utilizados, todavia o entendimento do conceito converge para o mesmo fim. No Quadro 4 abaixo são elencados alguns autores e entidades, e seus respectivos termos e definições.
QUADRO 4: Termos e conceitos da acessibilidade Na web. Fonte: Elaborado pela autora.
QUADRO ADAPTADO
COLUNA 1: Autor/Entidade; COLUNA 2: Termo/Conceito
LINHA 1 - Autor/Entidade: Torres, Mazzoni e Alves (2002, p. 85); Termo/Conceito: Acessibilidade no espaço digital: “consiste em tornar disponível ao usuário, de forma autônoma, toda a informação que lhe for franqueável (informação para a qual o usuário tenha código de acesso ou, então, esteja liberada para todos os usuários), independentemente de suas características corporais, sem prejuízos quanto ao conteúdo da informação”.
LINHA 2 - Autor/Entidade: Soares (2005, não paginado); Termo/Conceito: Acessibilidade na internet: “É garantir que seu trabalho esteja disponível e acessível via web a qualquer hora, local, ambiente, dispositivo de acesso e por qualquer tipo de visitante/usuário. Permitir o acesso às informações via celular, Palmtop, Web-tv, geladeira ou qualquer dispositivo atual ou futuro de acesso à Web. Permitir que seus visitantes possam acessá-las em sistemas Linux, Windows, Unix, Mac OS ou qualquer outro sistema operacional e, principalmente, que as informações possam ser acessadas por qualquer visitante, independente de sua capacidade motora, visual, auditiva, mental, computacional, cultural ou social”.
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LINHA 3 - Autor/Entidade: Dias (2006, p. 111); Termo/Conceito: Acessibilidade na web: “significa que qualquer pessoa, usando qualquer tipo de tecnologia de navegação (navegadores gráficos, textuais, especiais para cegos ou para sistemas de computação móvel) deve ser capaz de visitar e interagir com qualquer site, compreendendo inteiramente as informações nele apresentadas”.
LINHA 4 - Autor/Entidade: Melo (2006, p. 33); Termo/Conceito: Acessibilidade na web, ou rede mundial de computadores: “diz respeito a viabilizar que qualquer pessoa, usando qualquer tecnologia adequada à navegação web esteja apta a visitar qualquer site, obtenha a informação oferecida e interaja com o site”.
LINHA 5 - Autor/Entidade: Rocha, Alves e Duarte (2011, p. 80); Termo/Conceito: E-acessibilidade (ou acessibilidade Web): “possui intuito similar ao da acessibilidade em outros contextos. Seu propósito é possibilitar acesso democrático a ferramentas, websites, aplicativos e serviços baseados na grande rede mundial de computadores. Objetiva a percepção, compreensão, navegação e interação de pessoas com deficiência (permanentes ou temporárias) com o conteúdo oferecido pelos websites. Tem a missão de remover barreiras que dificultam ou impossibilitam a compreensão e o acesso à informação em ambientes Web”.
LINHA 6 - Autor/Entidade: WAI/W3C (W3C BRASIL, 2013, p. 24-25); Termo/Conceito: Acessibilidade na web: “é a possibilidade e a condição de alcance, percepção, entendimento e interação para a utilização, a participação e a contribuição, em igualdade de oportunidades, com segurança e autonomia, em sítios e serviços disponíveis na web, por qualquer indivíduo, independentemente de sua capacidade motora, visual, auditiva, intelectual, cultural ou social, a qualquer momento, em qualquer local e em qualquer ambiente físico ou computacional e a partir de qualquer dispositivo de acesso”
LINHA 7 - Autor/Entidade: e-MAG (2016, p. 4); Termo/Conceito: Acessibilidade em páginas web: ”a acessibilidade em páginas web versa sobre a eliminação de barreiras que possam impedir ou dificultar o acesso à informação, a interação e uso pleno dos serviços e sistemas que são disponibilizados na Internet”.
FIM DO QUADRO
De acordo com o Quadro 4, não há um padrão para o termo da acessibilidade digital, contudo, há um crescimento de padrões e boas práticas de acessibilidade para deixar o conteúdo da web acessível a todos. Percebe-se diante dos conceitos que a acessibilidade web vem acompanhando as evoluções das tecnologias e das peculiaridades e necessidades dos usuários. Os sites, os sistemas operacionais, os diversos dispositivos de saída, estão alinhando-se, mesmo que de forma paulatina, à acessibilidade. A acessibilidade digital não se detém em atender às necessidades somente de pessoas com deficiência, mas de qualquer indivíduo independente de suas características físicas, sensoriais, intelectuais, educacionais, temporais. As WCAG 2.1, de 2018, trouxeram novos avanços, novas maneiras de acessar à web, como por meio dos dispositivos e necessidades de pessoas com baixa visão e com deficiência de atenção e memória.
De acordo com Torres, Mazzoni e Alves (2002), a maior barreira enfrentada pelas pessoas com deficiência não é a arquitetônica, mas a de acesso à informação,
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isso reflete nos aspectos relacionados à educação. Eles abordam ainda, a carência da informação ser representada de múltiplas formas para se tornar acessível, a redundância é uma delas, isto é, equivalentes textuais para conteúdos de imagens ou sons. Outra maneira é por meio de um sistema automático de transcrição de mídias, como por exemplo, o sistema de leitura de tela. No espaço digital é possível a realização do novo, o atendimento é amplificado e a forma de representação da informação é diversificada, atendendo às necessidades específicas das pessoas, de acordo com suas exceções ou preferências.
As ajudas técnicas informáticas, no âmbito da educação, vêm contribuir no desempenho de atividades, Mazzoni e Torres (2001) destacam as seguintes: a) trabalhar com computador – instruir e compreender as ações das máquinas etc.; b) aprendizagem – como usar o sistema que faz leitura de telas, conhecimento sobre Braille etc.; c) comunicação por meio do computador – uso do computador na comunicação entre pessoas seja por linguagens verbais e não verbais.
Para Rocha, Alves e Duarte (2011) a internet e a web trouxeram inúmeras possibilidades de acesso à informação, contudo muitos dos seus recursos tecnológicos podem gerar um acesso excludente. Dispor de computadores, internet e banda larga não é suficiente, pois a grande quantidade de websites tem valor semântico dos códigos e das interfaces que vai de encontro com a forma de acesso das pessoas com deficiência. Os autores esclarecem a diferença entre acessibilidade e usabilidade, um website construído em flash, pode ter uma excelente usabilidade (facilidade de uso), entretanto será inacessível (facilidade de acesso), devido ao não funcionamento de leitores de tela. Para Thatcher et al. (2002, tradução livre), os obstáculos de usabilidade afetam os usuários com e sem deficiência, enquanto os problemas de acessibilidade dificultam ou impendem o acesso ao conjunto de páginas da internet por pessoas com deficiência, deixando-as em desvantagens.
Um site acessível além de democratizar o acesso à informação, pode dar outras vantagens. Para Thatcher et al. (2006, tradução livre), pode obedecer as legislações de diversos países que obrigam a acessibilidade em sites; mais textos e menos imagens em páginas web permitem um carregamento mais rápido; os sítios eletrônicos acessíveis são de grande usabilidade para pessoas sem deficiência; maior compatibilidade com navegadores e maior chance dos robôs do Google encontrá-los. Sonza (2008) complementa que pessoas com deficiência também são consumidoras, compram onde tem acessibilidade.
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A acessibilidade na WWW beneficia usuários com deficiência, com mobilidade reduzida, com limitações temporárias e pessoas sem dificuldades e alterações das estruturas e funções corporais, mas que têm necessidades diversas. Além disso, a web acessível torna cenários que parecem improváveis, em realidade. A seguir alguns exemplos retirados da Cartilha de Acessibilidade na web do W3C Brasil (2013, não paginado):
CITAÇÃO DIRETA
* Uma mulher cega, utilizando um leitor de telas, pesquisa a restituição de imposto de renda no sítio da Receita Federal;
* Uma jovem tetraplégica, utilizando apenas um ponteiro na cabeça, procura informações sobre células-tronco em sítios especializados;
* Um senhor surdocego namora pela web, utilizando um dispositivo que mostra em Braille as informações exibidas na tela;
* Um jovem surdo ou com deficiência auditiva que faz um curso de inglês à distância.
* Casal de idosos, já com alguma dificuldade para ler textos pequenos e que possui pouca experiência com a Internet, amplia o tamanho do texto para comprar passagens aéreas em promoção para visitarem o filho em outro estado;
* Robôs de busca, como o Yahoo, Google, Bing etc., que só indexam texto, procuram sítios com informações sobre a Copa do Mundo no Brasil baseados na semântica dos documentos HTML;
* Mulher analfabeta funcional tenta tirar uma certidão no sítio da prefeitura da sua cidade, acessando informações representadas por ícones na página.
FIM DA CITAÇÃO
Para se construir a acessibilidade na World Wide Web para todos, é imprescindível conhecer as ressalvas e barreiras enfrentadas pelas pessoas com e sem deficiência. Nesta pesquisa, há o destaque às necessidades especiais no acesso às informações na web por pessoas cegas.
Para a Lei Brasileira de Inclusão, n. 13.146/2015, diversas são as barreiras que as pessoas com deficiência enfrentam, dentre elas estão os entraves no acesso à comunicação e informação. Esses dois elementos são tratados no capítulo II, artigo 63, dessa lei, o qual destaca a obrigatoriedade da acessibilidade no conjunto de páginas da internet de empresas ou de instituições do governo, para que as pessoas com deficiência tenham o acesso à informação garantido, indicando também que se adotem as diretrizes internacionais de acessibilidade (BRASIL, 2015).
As barreiras de acesso à informação via web são diversas, não somente os obstáculos encontrados pelas pessoas devido à sua deficiência, mas impedimentos de falta de tecnologia ou de capacitação no uso das mesmas, falta de uso de padrões web, mitos e a ausência de conhecimento sobre questões da acessibilidade em sistemas de documentos em hipermídias e da pessoa com deficiência por diversos profissionais que trabalham com o desenvolvimento de sites,
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insuficiência de habilidades no uso de tecnologias assistivas e internet pelos usuários, entre outras.
A falta de conhecimento sobre a acessibilidade e sobre as pessoas com deficiência pode levar a certos mitos em relação à acessibilidade na W3, tais como abordados por Bartlett (1999): uma página web é simplória, composta apenas por texto; é caro e demorado projetar sítios acessíveis; a acessibilidade digital é algo complexo para o projetista web mediano; deficientes não usam a WWW; as boas tecnologias assistivas podem resolver sozinhas os problemas de acessibilidade; a acessibilidade na web beneficia apenas pessoas com deficiência.
De acordo com Sonza (2008), Francisco (2008), Rodrigues (2004), Dias (2006), Cartilha do W3C Brasil (2018), as principais barreiras encontradas pelos usuários cegos são:
* Imagens que não possuem texto alternativo;
* Vídeos que não possuem descrição textual ou sonora;
* Imagens dinâmicas sem áudio-descrição ou sem texto complementar;
* Gráficos e imagens complexas indevidamente descritas;
* Formulários e tabelas complexos, sem leitura linear e que não fazem sentido;
* Uso de CAPTCHA como dispositivo de segurança;
* Falta de links para as principais regiões da página;
* Formulários que não podem ser navegados em uma sequência lógica;
* Navegadores e ferramentas de autoria que não possuem suporte de teclado para todos os comandos ou que não utilizam programas de interface padronizados para o sistema operacional em que foram baseados;
* Páginas web com excessos de elementos, sem hierarquia e cheias de informações desnecessárias;
* Documentos formatados que não seguem o padrão de desenvolvimento de páginas, o que pode dificultar a interpretação dos mesmos por leitores de tela;
* Projetistas web utilizam novas tecnologias sem considerar sua acessibilidade;
* Cor como única forma de enfatizar o texto;
* Elementos sem semântica;
* Informações apresentadas somente em formato visual;
* Falta de um canal de comunicação com o usuário, por meio do qual podem ser reportados problemas de acessibilidade.
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De acordo com o W3C, as barreiras de acesso à informação na web estão relacionadas a aspectos perceptíveis, operáveis, compreensíveis e robustos. De acordo com o WC3 Brasil (2018), os impeditivos em sítios e serviços web além de serem tecnológicos, são comunicacionais no sentido de que a WWW é um meio pelo qual as pessoas recebem, trocam e publicam informações; e atitudinais, devido à decisão e atitude humanas de se desenvolver ou não um site acessível. Diante disso é imprescindível conhecer todo esse arcabouço de componentes para acessibilizar os sítios eletrônicos, principalmente as boas práticas e diretrizes internacionais de acessibilidade digital.
SEÇÃO 3.5 - WCAG 2.1 e outros componentes para tornar a web acessível
Segundo o W3C (2018a), as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) são recomendações para tornar o conteúdo da web mais acessível para pessoas com diversos tipos de deficiência. Atingindo necessidades de pessoas cegas e com baixa visão, Surdas e com baixa audição, com limitações de movimento, incapacidade de fala, fotossensibilidade e pessoas com mais de uma dessas características, além de bloqueios de aprendizagem e limitações cognitivas, assim como pessoas idosas e sem deficiência.
O W3C, em 1999, criou a Iniciativa de Acessibilidade à Web (WAI – Web Accessibility Initiative), responsável pelo desenvolvimento das diretrizes, por meio do Processo W3C. A WAI criou a primeira versão do WCAG ainda em 1999, chamada de WCAG 1.0, que passou a ser adotada por governos e empresas como norma para se construir projetos de web acessíveis. Após nove anos, em 2008, houve a atualização para as WCAG 2.0, pois era necessário estar de acordo com as novas tecnologias que surgiram entre esse período, a principal mudança foi a formação de quatro princípios que regem as diretrizes (W3C BRASIL, 2015).
A versão atual das diretrizes são as WCAG 2.1, lançadas em 2018. Segundo o documento do W3C (2018a), o conjunto de camadas de orientação das WCAG 2.1 compõe quatro princípios, que estão no topo e representam a base da acessibilidade na web: perceptível, operável, compreensível e robusto. Em seguida, têm-se 13 diretrizes que oferecem os objetivos elementares para tornar o conteúdo da web acessível. As WCAG 2.1 contêm 78 critérios de sucesso testáveis que possibilitam
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o uso das diretrizes onde os requisitos e os testes de conformidade são indispensáveis. Existem três níveis de conformidade: A (nível mínimo de acessibilidade), AA (nível elevado de acessibilidade) e AAA (nível elevado melhorado de acessibilidade). Por fim, há uma diversidade de técnicas de natureza informativa, a do tipo necessária - satisfaz os critérios de sucesso, e do tipo sugerida - vai além do que é solicitado pelos critérios de sucesso. A seguir estão citados esses princípios e diretrizes conforme o W3C (2018a):
CITAÇÃO DIRETA
PRINCÍPIO 1: PERCEPTÍVEL - As informações e os componentes da interface do usuário devem ser apresentados em formas que possam ser percebidas pelo usuário.
Diretriz 1.1 Alternativas em Texto: Fornecer alternativas textuais para qualquer conteúdo não textual, para que possa ser transformado em outras formas de acordo com as necessidades dos usuários, tais como impressão com tamanho de fontes maiores, braille, fala, símbolos ou linguagem mais simples.
Diretriz 1.2 Mídias com base em tempo: Fornecer alternativas para mídias baseadas em tempo.
Diretriz 1.3 Adaptável: Criar conteúdo que pode ser apresentado de diferentes maneiras (por exemplo um layout simplificado) sem perder informação ou estrutura.
Diretriz 1.4 Discernível: Facilitar a audição e a visualização de conteúdo aos usuários, incluindo a separação entre o primeiro plano e o plano de fundo.
PRINCÍPIO 2: OPERÁVEL - Os componentes de interface de usuário e a navegação devem ser operáveis
Diretriz 2.1 Acessível por Teclado: Fazer com que toda funcionalidade fique disponível a partir de um teclado.
Diretriz 2.2 Tempo Suficiente: Fornecer aos usuários tempo suficiente para ler e utilizar o conteúdo.
Diretriz 2.3 Convulsões e reações físicas: Não criar conteúdo de uma forma conhecida por causar convulsões e reações físicas.
Diretriz 2.4 Navegável: Fornecer maneiras de ajudar os usuários a navegar, localizar conteúdos e determinar onde se encontram.
Diretriz 2.5 Modalidade de entrada: tornar mais fácil para os usuários operar a funcionalidade por meio de várias entradas além do teclado.
PRINCÍPIO 3: COMPREENSÍVEL - A informação e a operação da interface de usuário devem ser compreensíveis
Diretriz 3.1 Legível: Tornar o conteúdo do texto legível e compreensível.
Diretriz 3.2 Previsível: Fazer com que as páginas web apareçam e funcionem de modo previsível.
Diretriz 3.3 Assistência de Entrada: Ajudar os usuários a evitar e corrigir erros.
PRINCÍPIO 4: ROBUSTO - O conteúdo deve ser robusto o suficiente para poder ser interpretado de forma confiável por uma ampla variedade de agentes de usuário, incluindo tecnologias assistivas
Diretriz 4.1 Compatível: Maximizar a compatibilidade entre os atuais e futuros agentes de usuário, incluindo tecnologias assistivas.
FIM DA CITAÇÃO
De acordo com o W3C (2018c, tradução livre), o objetivo da criação das diretrizes é oferecer um padrão internacional único. Caso seja adotado, o site na World
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Wide Web torna-se acessível e atenderá às necessidades de pessoas com deficiência, organizações, empresas e governos em nível mundial. Para o World Wide Web Consortium, o conteúdo abordado nas WCAG, refere-se, na maioria das vezes, às informações em uma página ou aplicativo da web, incluindo: “Informações naturais, como texto, imagens e sons; Código ou marcação que define estrutura, apresentação etc.” (W3C, 2018c, não paginado, tradução livre).
As diretrizes são demasiadamente importantes no processo de construção de conteúdos acessíveis. Porém, é necessário um conjunto de processos e tecnologias, cuja conexão constrói uma página web acessível. Ferraz (2017) mostra alguns requisitos básicos para essa construção, no Quadro 5 abaixo:
QUADRO 5: Requisitos básicos para a construção de uma página acessível. Fonte: Ferraz (2017).
QUADRO ADAPTADO
COLUNA 1: 1 Seguir padrões web; COLUNA 2: 2 Seguir diretrizes de acessibilidade
LINHA 1 - Seguir padrões web: Os padrões Web foram construídos de forma que pudessem ser interpretados adequadamente por agentes de usuário que também seguem padrões. Seguir a documentação de cada uma das camadas da Web, como a da linguagem de marcação (HTML), das folhas de estilo (CSS) e de comportamento (JavaScript), já é meio caminho para tornar a Web acessível.; Seguir diretrizes de acessibilidade: As diretrizes de acessibilidade basicamente orientam o desenvolvimento dos padrões para que não se criem barreiras para pessoas com deficiência. Em algumas situações, apenas seguir a documentação (por exemplo, da HTML5 e da WCAG) já é suficiente para que o conteúdo se torne acessível. Porém, em outras, pode ser necessário adicionar recursos específicos (como WAI-ARIA).
FIM DO QUADRO
O W3C (2018b) elenca alguns componentes distintos que se interdependem e são essenciais para tornar a web acessível, para isso é imprescindível uma relação harmoniosa entre eles. Veja os componentes no Quadro 6:
QUADRO 6: Componentes para uma web acessível. Fonte: Adaptado de W3C (2018b, tradução livre); Melo (2007).
QUADRO ADAPTADO
COLUNA 1: COMPONENTES; COLUNA 2: TIPOS
LINHA 1 – COMPONENTES: Conteúdo; TIPOS: informações naturais, como texto, imagens e sons, código ou marcação que define estrutura, apresentação etc.
LINHA 2 – COMPONENTES: Navegadores da web, players de mídia e outros “agentes do usuário”.; TIPOS: Ex. Google Chrome, Opera, Mozilla Firefox, Explorer etc.
LINHA 3 – COMPONENTES: Tecnologia assistiva; TIPOS: Leitores de tela (ex. JAWS, NVDA, DOSVOX, Virtual Vision), teclados alternativos, switches, software de digitalização.
LINHA 4 – COMPONENTES: Conhecimento dos usuários; TIPOS: Experiências e estratégias adaptativas usando a web
LINHA 5 – COMPONENTES: Desenvolvedores; TIPOS: Designers, codificadores, autores etc., incluindo desenvolvedores com deficiências e usuários que contribuem com conteúdo.
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LINHA 6 – COMPONENTES: Ferramentas de autoria; TIPOS: Software que cria site, editores de páginas web, ferramentas de gerenciamento de conteúdo, wikis.
LINHA 7 – COMPONENTES: Ferramentas de avaliação; TIPOS: Ferramentas de avaliação de acessibilidade na web, validadores de HTML, CSS, entre outros.
FIM DO QUADRO
Nesse sentido, Melo (2007, p. 22) afirma que “acessibilidade na web depende da interação entre esses diferentes componentes e, quando um deles falha, a experiência do usuário com páginas e aplicações web fica comprometida”. Sendo assim, é preciso entender o processo da comunicação entre o conteúdo, o leitor de telas que lerá esse conteúdo, os navegadores que acessarão o conteúdo e a linguagem da página que permitirá que que o usuário acesse a informação. A Figura 1 demonstra esses componentes.
FIGURA 1: Componentes essenciais à acessibilidade na web. Fonte: W3C (2018b).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 1
No centro acima a palavra Content (Conteúdo), abaixo dela um quadro contendo uma fotografia de uma criança, informações sobre um gráfico, clima e formulário. Abaixo deste quadro há uma conexão de duas retas que se cruzam. A reta esquerda tem fundo azul, envolvida por dois retângulos cujos títulos são “evaluation tools” e “authoring tools” (ferramentas de avaliação e ferramentas de autoria) e na ponta um bonequinho com cabeça quadrada, o corpo simula um notebook e a mão um mouse, escrito developers (desenvolvedores). A reta direita tem fundo alaranjado, envolvida por dois retângulos que têm como títulos “browsers, media players” e “assistive technologies” (tecnologias assistivas) e na ponta um bonequinho com cabeça redonda, o corpo simula um notebook e a mão um mouse, escrito users (usuários).
FIM DA DESCRIÇÃO
Um dos recursos essenciais e imprescindíveis para a acessibilidade na web são comandos de HTML. No Quadro 7 serão demonstrados alguns elementos e atributos de HTML para a acessibilidade digital abordados por Ferraz (2017).
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QUADRO 7: Alguns recursos de HTML para acessibilidade digital. Fonte: Ferraz (2017).
QUADRO ADAPTADO
COLUNA 1: Recursos de HTML; COLUNA 2: Benefícios para a acessibilidade web:
LINHA 1 - Recursos de HTML: ; Benefícios para a acessibilidade web: Idioma da página: importante para informar ao navegador, a tecnologia assistiva ou ao buscador que o conteúdo da página está em língua portuguesa do Brasil.
LINHA 2 - Recursos de HTML:
Título da página; Benefícios para a acessibilidade web: Informação importante, primeira que o leitor de telas ler ao acessar uma página. O texto precisa ser claro e de fácil compreensão para o usuário.
LINHA 3 - Recursos de HTML:
Título principal do Website
; Benefícios para a acessibilidade web: Estrutura de cabeçalhos, os elementos vão de
a
, representam marcação semântica. A estrutura hierárquica possibilita a um cego, por exemplo, navegar por cada um dos cabeçalhos com o leitor de telas, este tem atalhos como o H, cujo foco vai para o próximo cabeçalho da página, e Shift+H, para a anterior.
LINHA 4 - Recursos de HTML:
Título da notícia
; Benefícios para a acessibilidade web: Ao pressionar as teclas de 1 a 6 do teclado, usando o leitor de telas, ele navega pelos respectivos níveis de cabeçalho. Pressionando a tecla 2 duas vezes, permite navegar por dois cabeçalhos de nível 2 da página.
LINHA 5 - Recursos de HTML:
O próximo parágrafo traz uma imagem que representa o Rio de Janeiro .
; Benefícios para a acessibilidade web: Para inserir uma imagem, que faz parte do contexto do conteúdo, é utilizado o elemento , para que ele seja acessível é necessário inserir o atributo “alt”, ele permite descrever brevemente a imagem. Neste caso está fornecendo uma alternativa textual. Porém, se a imagem é meramente decorativa, deve ser inserida pelo arquivo CSS, ou ter o “alt” vazio (alt=””) para que o leitor de telas não leia esse conteúdo. Para uma descrição longa, como um gráfico ou imagem complexa, deve se inserir um link ao lado da imagem que remeterá para outra página com a descrição detalhada.
FIM DO QUADRO
Os elementos de HTML aliados ao Cascading Style Sheets (CSS) são indispensáveis às informações acessíveis. Rodrigues (2004) dá um exemplo ilustrativo de acessibilidade, o cego quando navega em uma página da internet, em seu computador, utiliza apenas o teclado e o leitor de telas que faz a leitura da tela, de cima a baixo, e da esquerda para a direita para ter acesso ao conteúdo daquela página. Para que ele entenda uma imagem é necessário que o desenvolvedor do sítio web tenha adotado o atributo “alt” do HTML para dar uma alternativa em texto, descrevendo seu significado. As recomendações de acessibilidade não dizem para não usar imagens e sim torná-las acessíveis com um equivalente textual.
Assim sendo, para que usuários com deficiência utilizem o computador e naveguem na WWW, é indispensável fazer uso de tecnologias assistivas. Para a LBI, as TA são desde produtos, equipamentos, dispositivos a metodologias, estratégias,
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serviços entre outros, que contribuam na participação autônoma e na inclusão social das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida (BRASIL, 2015).
Para Ferraz (2017), dentre as tecnologias assistivas, existem os softwares leitores de tela, utilizados por pessoas sem acuidade visual para acessar conteúdos do computador ou de páginas web, por meio de voz sintetizada, eles transformam o conteúdo ou a informação em áudio. Entretanto, é fundamental que as diretrizes para o desenvolvimento de páginas web estejam em concordância com a ferramenta assistiva, assim, ela interpretará tudo que contém na página. O autor destaca ainda alguns leitores de telas, “para Windows: JAWS, NVDA e DOSVOX; para Linux: ORCA; para produtos Apple: VoiceOver (Mac OS e IOS) e para Android: TalkBack” (FERRAZ, 2017, p. 169).
A avaliação de acessibilidade de um sítio da internet pode ser realizada de várias maneiras, dentre elas existem duas formas elementares, a avaliação automática e a avaliação humana. A validação automática encontrará as falhas de acessibilidade de acordo com o código, é considerada uma avaliação com tempo e esforço reduzido, conquanto, identifica uma parte das barreiras (BRASIL, 2005). A avaliação humana é outra etapa relevante, pode ser feita por especialistas, com o uso de checklists ou guidelines, para ver a conformidade da página com as diretrizes; pode ser feita também por usuários com deficiência, eles são precípuos no processo de avaliação de acessibilidade, pois dirão o que conseguem ou não acessar (ROCHA; ALVES; DUARTE, 2011).
A World Wide Web possui inúmeros documentos disponíveis, Prado (2008 apud PASSOS, 2010) mostra que dentre os formatos PDF, DOC, TXT, PPT e XLS, o Portable Document Format (PDF) representa 71,07% (317.000.000) dos arquivos disponíveis na internet. Isso é preocupante comparado aos estudos de Ferreira e Passos (2009), porque afirmam que somente dois leitores de tela leem arquivos em PDF, o Jaws (software pago) e o NVDA. No entanto, os PDFs em formato pesquisável são convertidos para o formato TXT lido pelo DOSVOX, mas sofrem diversas desconfigurações, necessitando de adaptações.
Conforme Thatcher (2002), muitos dos PDFs são imagens e sendo assim inacessíveis, para que o cego consiga lê-los é indispensável que os autores dos documentos possam criá-los com acessibilidade embutida, Do mesmo modo desenvolvedores de sites precisam estar atentos tanto às diretrizes do W3C, quanto aos conhecimentos técnicos para tornar esses formatos acessíveis (THATCHER,
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2002, 2006, tradução livre). Estudos recentes de Salton, Agnol e Turcatti (2017) fornecem os passos necessários para se construir acessibilidade em documentos digitais, eles mostram que além dos documentos de textos, é possível criar acessibilidade em apresentação de slides, planilhas, documentos digitalizados e os documentos em PDF.
Os portais de bibliotecas universitárias contêm muitos PDFs, além de serviços e produtos digitais. Em vista disso, é urgente que a acessibilidade digital seja estudada e adotada nesses ambientes, eliminando-se as barreiras de acesso à informação e consequentemente a exclusão digital. As TIC, em especial a internet e a web, trouxeram mudanças sociais, econômicas, culturais e políticas de muitas nações. Sendo assim, bilhões de pessoas com deficiência existentes no mundo têm direito ao acesso equitativo à web, à educação democrática e à informação digital, de maneira inclusiva e autônoma. A seguir, verificar-se-á estudos de acessibilidade digital à informação em websites de bibliotecas universitárias.
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CAPÍTULO 4 - ACESSIBILIDADE DIGITAL EM WEBSITES DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Estatísticas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o número de matrículas de pessoas com deficiência no ensino superior aumentou de 5.395, em 2004, para 38.272, em 2017 (INEP, 2004, 2017). Este cenário pode ser resultado da aprovação da Lei 13.409 de 2016, que inclui as pessoas com deficiência na política de sistema de cotas nacional, além de ser o reflexo das inúmeras ações de inclusão, principalmente no espaço acadêmico, que despontou com cursos e pesquisas sobre acessibilidade e inclusão. A luta por acessibilidade e inclusão das PcD se estende à educação superior. Universidades brasileiras estão repensando os seus métodos de ensino, serviços, produtos e atendimentos por conta dessa realidade. Ela requer todos os tipos de acessibilidades para garantir o acesso, a permanência e a conclusão de atividades acadêmicas de discentes com deficiência, estendendo-se também para professores e técnicos dessa categoria.
A biblioteca universitária, consequentemente, vem adequando, ainda de forma paulatina, os seus serviços e produtos voltados para o acesso equitativo da informação e do conhecimento aos usuários com deficiência. Os resultados da tese de Diniz (2019) mostram que as bibliotecas universitárias brasileiras e portuguesas precisam se reestruturar quanto à acessibilidade arquitetônica, eles apontam falta de ações e atividades para a acessibilidade comunicacional e carências preocupantes quanto às acessibilidades pragmática, metodológica, instrumental e atitudinal. Por fim, esta pesquisa confirmou também que as bibliotecas brasileiras e portuguesas não possuem sites acessíveis de acordo com as normas do W3C (DINIZ, 2019).
Nesse sentido, para que as bibliotecas de instituições de ensino superior sejam de fato acessíveis e não somente adaptadas às normas e legislações, é preciso disponibilizar informações em diversos suportes para todos que as buscam (MENEGATTI, 2012). O acesso e uso da informação são objetivos essenciais de uma biblioteca, para que todos sejam contemplados, é preciso analisar as habilidade e dificuldades dos usuários e encontrar uma forma de disponibilizar as informações conforme suas capacidades de obtê-las (TORRES; MAZZONI; ALVES, 2002).
Os websites de bibliotecas universitárias possuem diversos serviços e produtos, os quais reúnem informações tanto técnicas quanto científicas, assim como
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uma gama de funções e possibilidades como classificados pelas autoras Amaral e Guimarães (2002): Informacional - fornece informações sobre a biblioteca; Promocional – utiliza ferramentas da internet para promover a biblioteca; Instrucional - Fornecer instruções de uso dos recursos informacionais e serviços oferecidos localmente e on-line; Referencial – oportuniza acessos para além da biblioteca com links para outras fontes; Pesquisa – Disponibiliza serviços/produtos on-line da biblioteca; Comunicação – Usa a interatividade para a comunicação entre usuários e biblioteca.
Logo, para que todo esse universo de possibilidades informacionais, como manuais, cursos, e-books, catálogos bibliográficos, periódicos, links, bases de dados, repositórios estejam disponíveis para todos os usuários, independentemente de suas deficiências, é indispensável a adoção das WCAG recomendadas pelo W3C, assim como diversos outros componentes de acessibilidade digital e atitudinal.
Marcondes, Mendonça e Carvalho (2006) constataram a presença de serviços inovadores oferecidos via web por bibliotecas universitárias brasileiras, tais como: Revistas Eletrônicas - listas de revistas científicas e tutorias ensinando como acessar e pesquisar nas revistas; Periódicos eletrônicos – seção para organizar revistas disponíveis on-line; Recursos on-line – bases de dados, jornais e periódicos eletrônicos, teses on-line entre outras fontes. Além disso, o estudo apontou que todas as bibliotecas universitárias referenciam os serviços públicos, como SciELO, Probe, BDTD/IBICT, Portal de Bibliotecas Virtuais Temáticas do Prossiga, CCN e o Portal de Periódicos da CAPES, que teve destaque dentre todos.
Neste contexto, pessoas com impedimentos de longo prazo de natureza física, sensorial, intelectual etc. estão gradualmente presentes nas universidades, é vital e urgente que toda a gama de produtos, serviços e informações relevantes para a vida acadêmica deles, oferecidos pelas bibliotecas universitárias em meio digital, sejam acessíveis de maneira equitativa, garantindo a inclusão digital de estudantes, pesquisadores, funcionários e professores com deficiência. Assim, é importante que se realizem estudos nesta área para a verificação das necessidades e barreiras de acesso às informações em ambientes digitais. Como os que serão mostrados na sequência.
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SEÇÃO 4.1 - Pesquisas em sites de bibliotecas universitárias nacionais e internacionais
Alguns estudos nacionais e internacionais têm sidos realizados com o intuito de avaliar a acessibilidade de sites, produtos e serviços digitais de bibliotecas universitárias, para garantir o acesso democrático à informação em ambientes digitais para usuários com diversas estruturas e funções corporais, em especial para os cegos.
Ferreira e Cianconi (2011) avaliaram a acessibilidade de 54 sites de bibliotecas universitárias brasileiras por usuários sem nenhuma percepção visual, conforme as WCAG 1.0, por meio de avaliação automática e avaliação humana. Os resultados dos dois métodos de avaliação mostraram problemas de acesso à informação digital. A falta de equivalentes textuais nas imagens e botões, problemas de formulários, excesso de links, leituras repetidas do menu principal, entre outros, dificultaram a interação e realização de atividades e acesso às informações do website.
As barreiras encontradas nesse estudo afetam os princípios de liberdade, autonomia e igualdade de todos os cidadãos. O engajamento entre profissionais de informática, da informação e os usuários possibilitaria produzir conjuntos de páginas da internet acessíveis a um número maior de pessoas com e sem deficiência.
Marçal et al. (2015a) analisaram os níveis de acessibilidade de páginas web e seus catálogos bibliográficos de bibliotecas de IES públicas na região da Grande Lisboa. De forma geral, os resultados foram de inconformidades na execução de critérios das WCAG 2.0. Na análise dos catálogos bibliográficos, na primeira página do catálogo, na do resultado das pesquisas e no detalhe do registro, os resultados mostraram que a totalidade das páginas dos catálogos analisados não conseguiu atingir sequer o nível A (o mais baixo). Os erros mais presentes são dos princípios de tornar as páginas operáveis e seus conteúdos perceptíveis. O estudo conclui que há muito a desenvolver para se assegurar níveis de excelência da acessibilidade digital e o maior desafio é a adoção de práticas que permitam igualdade de oportunidades no acesso à informação.
Nos estudos de Schmetzke (2001) foi avaliada a acessibilidade de sites de 24 bibliotecas de nível superior e programas de ciência da informação de acordo com US News & World Report, teve como resultado que um sítio estava livre de erros de acessibilidade em todas as páginas; 77% das páginas continham pelo menos um erro de acessibilidade, as descobertas dão motivo de preocupação, pois a baixa
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acessibilidade de websites das principais escolas de bibliotecas dos EUA reflete uma falta de consciência sobre esta questão entre os líderes e formadores na profissão da biblioteca.
Spindler (2002) estudou 188 sítios de bibliotecas de faculdades e universidades dos Estados Unidos, 42% estavam de acordo com as WCAG 1.0, os principais entraves estão em falta de alternativas textuais para as imagens. Esses mesmos obstáculos foram apontadas por Yu (2002) ao estudar, entre outros sítios, os das bibliotecas de 108 faculdades da Califórnia.
SEÇÃO 4.2 - Barreiras de acesso à informação e experiências de usuários
Os resultados dos estudos de acessibilidade digital em bibliotecas citados anteriormente ratificam os estudos de Ramalho, Hamad e Guimarães (2016), quanto às principais restrições enfrentadas pelos estudantes com deficiência visual, dentre as mais citadas está a inacessibilidade em websites. Para os autores, isso evidencia uma “negligência informacional” numa conjuntura social, onde a informação é o componente essencial da sociedade.
Sociedade, esta, na qual a informação é essencial para o desenvolvimento do ser humano em suas diversas esferas. Para pessoas comprometidas visualmente serem incluídas no mundo digital, é de suma importância sua socialização e formação educacional, já que ele trouxe uma quantidade enorme de informações e permite mais autonomia (MALHEIROS, 2013).
Nos estudos de Bastos (2017), Caselli (2007) e Malheiros (2013) sobre acesso à informação na web por usuários com deficiência visual, constata-se que o maior impedimento está na falta de acessibilidade nos sítios eletrônicos. Causando assim, um processo de exclusão digital, a autonomia proposta pela definição da acessibilidade não é atendida, o respeito às legislações não é cumprido e, principalmente, o usuário fica sem acessar informações disponibilizadas na rede mundial de computadores que oferecem inúmeras oportunidades.
Bastos (2017) constatou que a maioria dos usuários com deficiência visual fez curso de informática, alguns fazem uso de smartphone e notebook para se conectar à internet. Grande parte dos entrevistados tem obstáculos no acesso à informação digital em sites que possuem elementos gráficos, como imagens sem descrição e
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CAPTCHA, falta de menus acessíveis, sobreposição de informações nas páginas web e uso de animações e efeitos dinâmicos gerados por linguagem JavaScript, que são entraves na navegação de páginas web.
Lazzarin e Sousa (2015) constataram diversos obstáculos de acessibilidade digital em catálogos on-line de bibliotecas universitárias, devido à falta de atenção às diretrizes de acessibilidade para conteúdo web. Os autores fazem diversas recomendações para que pessoas com deficiência visual possam ter acesso às informações dos OPAC (Online Public Access Catalougue), tais como:
CITAÇÃO DIRETA
Os conteúdos que não forem textuais devem ter alternativas em texto de forma clara e concisa; orientação ao usuário de forma a conduzi-lo ao início do conteúdo principal; elementos semânticos para marcar a estrutura; eliminar ambiguidades tais como ocorrem no combobox da interface que tem as mesmas alternativas para a caixa de biblioteca e para a caixa de coleções, gerando desorientação ao usuário; indicação do idioma principal pré-definido no cabeçalho do conteúdo Web, entre outros.
FIM DA CITAÇÃO
Após mais de 25 anos da criação da World Wide Web já são incontáveis informações, serviços e produtos disponíveis aos seus usuários, todavia, não acessíveis a todos que necessitam e buscam, devido, principalmente, a inacessibilidade nos websites. Na análise de Geraldo e Fortes (2013), são demonstrados os principais impedimentos dos cegos na interação com aplicativos Web: 40 deles estão divididos em 3 categorias: 16 são constatados em problemas técnicos, 17 semânticos e cognitivos e 7 como de navegação.
Os usuários com comprometimento visual têm necessidades informacionais digitais como qualquer outra pessoa, eles se atualizam, buscam conteúdos para estudos, esporte, lazer, bens de consumo, religião, escutam música, assistem filmes, assim como interagem com outras pessoas por e-mail ou redes sociais etc. Por conseguinte, precisam ser incluídos no ambiente onde tudo isso acontece, na WWW (BASTOS, 2017).
Nesse sentido, Rocha, Alves e Duarte (2011) afirmam que o estudo de usuários vem contribuindo para a acessibilidade digital. Os autores destacam que conhecer como os usuários com deficiência buscam a informação na rede mundial de computadores e saber suas peculiaridades de acesso é de grande relevância para a contribuição no processo de organização, transmissão e recuperação da informação em sistemas digitais.
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Por conseguinte, para que ocorra o processo de inclusão de usuários com deficiência sensorial em páginas web, a acessibilidade digital é essencial para que eles façam uso dos recursos de tecnologia assistiva, na forma de software leitor de tela, para ler tudo que aparece na tela do computador. Dentre os mais utilizados aparecem o DOSVOX e o NVDA (CASELLI, 2007; MALHEIROS, 2013, BASTOS, 2017; GERALDO; FORTES, 2013).
SEÇÃO 4.3 - Avanços e possibilidades
Segundo Quaresma (2014), as bibliotecas universitárias, enquanto mediadoras da informação e suporte da construção do conhecimento, devem colaborar para a diminuição das desigualdades de acesso e recursos da informação que contribuem com a aprendizagem e com o ensino da investigação acadêmica de todos os usuários. Ainda segundo a autora, a inclusão digital é um grande desafio para as bibliotecas, pois não se trata somente de recursos tecnológicos atuais, mas de uma série de estruturas que permeiam o acesso físico ao equipamento disponibilizado, aos serviços e às coleções em formatos acessíveis. A acessibilidade de sites é um dos integrantes dos elementos necessários para o acesso total dos deficientes visuais à informação.
Nesse sentido, de acordo com Stroparo (2014, p. 68):
CITAÇÃO DIRETA
As possibilidades de acesso iguais e justas para todos os usuários precisam ser garantidas, criando-se ambientes que ofereçam recursos tanto em termos de mobiliário, espaço físico, acervo, sinalização e capacitação pessoal como na adequação da página da Web, software e hardware. Apresenta-se com o papel de buscar, por meio de tecnologia de informação, formas alternativas para compartilhar e contribuir no processo de aprendizagem, possibilitando o acesso ao conhecimento e favorecendo a garantia do direito à educação.
FIM DA CITAÇÃO
Logo, para que os usuários tenham acessibilidade à informação em sites, é indispensável que os criadores de páginas e sistemas web sigam as recomendações de acessibilidade do W3C, que aponta diretrizes para a produção de conteúdo web acessível, cuja apresentação possa ser adaptada por distintos dispositivos de acesso. No design de sistemas de bibliotecas digitais na web, por exemplo, a acessibilidade pode ser aplicada na estrutura que dá acesso às diferentes áreas do portal; no catálogo com informações sobre o acervo físico; no acervo on-line. O acesso não discriminado à informação é indispensável para que todos esses serviços estejam disponíveis às pessoas de diversas características (MELO, 2006).
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Na mesma proporção de importância, a conscientização da equipe da biblioteca e de seus setores é essencial para a acessibilidade de seus sites. Segundo Freire (2008), a ausência de elementos que propiciem a acessibilidade decorre da limitada percepção das pessoas que desenvolvem os sistemas e das que os adquirem. Além de capacitar as equipes em relação às questões técnicas, é preciso conscientizá-las sobre as restrições das pessoas que utilizarão os softwares.
Da mesma forma, o profissional bibliotecário precisa estar em constante aprendizado para atender as novas demandas que surgem em torno da acessibilidade à informação digital para pessoas com diversidade de características corporais, sensoriais, intelectuais e de habilidades. A razão de existir das bibliotecas são seus usuários, portanto, é vital conhecer os seus perfis, anseios, peculiaridades e exceções. Assim como investimento em qualificação, participação de projetos e cursos que permitam conhecimento acerca da inclusão e acessibilidade, pois com a educação continuada é possível desenvolver um trabalho inclusivo e acessível (DINIZ; ALMEIDA; FURTADO, 2017).
Para o desenvolvimento e mediação de conteúdos digitais, é indispensável que os profissionais da informação conheçam as necessidades e obstáculos de acesso em meio digital dos usuários cegos e com baixa visão, como utilizam o computador, acessam à web, quais as tecnologias assistivas necessárias neste processo, instruir-se sobre os websites com conteúdos acessíveis, aprender sobre as diretrizes de acessibilidades. O PDF é um formato bastante difundido na web, por esse motivo é primordial conhecer o seu processo de formatação acessível, para transpor barreiras de acessibilidade de conteúdos. A pesquisa de Bastos (2017) mostra a dificuldade dos usuários com deficiência visual em acessar o PDF quando são digitalizados em formato de imagens, que não podem ser interpretados pelo leitor de tela.
Sendo assim, a apropriação e a não neutralidade, a interferência que cerca o praticar biblioteconômico, como exigido na importância de mediação da informação, são as bases para a responsabilidade social do profissional da informação para promover o acesso à informação e contribuir para o crescimento, desenvolvimento, criticidade e tomada de decisão de pessoas com deficiência (ALVES; VIGENTIM, 2013).
As bibliotecas têm um importante papel de organizar, recuperar, disponibilizar e, principalmente, garantir o acesso à informação e ao conhecimento aos usuários, promovendo assim, por meio da sua atuação social, a cidadania de qualquer
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indivíduo. A acessibilidade digital em sites de bibliotecas permite que tanto a inclusão social, quanto a digital, sejam garantidas, mas para isso há um longo percurso de pesquisas, experimentos e conscientização em torno das bibliotecas universitárias.
Apesar dos resultados das pesquisas sobre a inacessibilidade dos sites de bibliotecas nacionais e internacionais e sobre aos diversos impeditivos enfrentados no acesso à informação por usuários com deficiência, têm crescido estudos com a temática da acessibilidade digital associada à inclusão digital dessa categoria de usuários. Sendo assim, foco de pesquisa de diversas áreas do conhecimento, inclusive da Biblioteconomia e da Ciência da Informação.
Isso pode ser confirmado na pesquisa de Sousa e Lazzarin (2014), a qual investigou a acessibilidade digital na literatura do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB) no período de 1994-2012, e obteve como resultado o forte crescimento de estudos na área da acessibilidade e da Arquitetura da Informação, para a inclusão de pessoas com deficiência em ambientes informacionais digitais.
Diante disso, é de grande importância que estudos de acessibilidade digital estejam sendo tratados pela Ciência da Informação, pois ela é uma área que há tempos “investiga as propriedades e o comportamento da informação, o uso e a transmissão da informação e o processamento da informação, visando uma armazenagem e uma recuperação ideal” (BORKO, 1968, p. 1). A CI tem o intuito de otimizar o acesso e a utilização da informação. Para Oliveira (2011, p. 21) “as teorias da Ciência da Informação aliadas às novas tecnologias de informação vêm contribuindo com novas práticas e serviços bibliotecários”.
A Ciência da Informação tem envolvimento com a responsabilidade social, sendo assim, ela pode desempenhar função essencial na promoção da democratização, inclusão e igualdade informacional (ROCHA; ALVES; DUARTE, 2011). Wersig e Neveling (1975, p. 137) ressaltam também esse posicionamento da CI “[...] transmitir o conhecimento para aqueles que dele necessitam é uma responsabilidade social, e uma responsabilidade social parece ser o verdadeiro fundamento da ciência da informação”.
Desse modo, a responsabilidade social inerente à Biblioteconomia e à Ciência da Informação pode contribuir para a acessibilidade de sites de bibliotecas e, consequentemente, promover a inclusão digital de pessoas cegas e com outras deficiências.
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No entanto, a inclusão digital não se restringe a somente fornecer acesso à rede, mas também a eliminação de diversas barreiras comunicacionais, softwares e conteúdos acessíveis, capacitação dos usuários no uso das tecnologias de informação e comunicação, políticas que reforcem uma educação inclusiva e acesso à informação por todos (PASSERINO; MONTARDO, 2007).
Esse pensamento corrobora com os do teórico da exclusão digital, Mark Warschauer (2006), que tem um profundo entendimento e reflexão sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação como ferramenta de inclusão digital e social. Para ele o acesso significativo às TICs permeia não somente o oferecimento de computadores e internet, como também recursos e relacionamentos físicos, digitais, humanos e sociais. O conteúdo, a língua o letramento, a educação e as estruturas comunitárias e institucionais devem ser considerados.
Warschauer (2006) afirma também que além da necessidade de formatação acessível das páginas de websites conforme as diretrizes de acessibilidade da Iniciativa de Acessibilidade para a Web - WAI, é fundamental a criação de conteúdos direcionados para as pessoas com deficiência como é feito por portais europeus que disseminam informações sobre programas de reabilitação, tecnologias de apoio, educação especial, adaptações do local de trabalho, legislação e treinamento.
Um exemplo desses conteúdos direcionados a pessoas com deficiência no Brasil é o Repositório Digital Huet, trata-se de um repositório temático que agrega textos, vídeos, imagens, aulas, produções artísticas e culturais destinados a Surdos e pessoas que trabalham com a educação de Surdos. Nele pode-se encontrar materiais em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e em português, com isso é o primeiro ambiente informacional com essa abordagem no Brasil (CHALHUB, 2019).
É fato que a virtualização, segundo Lévy (1996), está presente em nossa vida, contribuindo para ampliar as capacidades humanas e a forma de aprender e pensar. O conceito de acesso livre corrobora com esse desenvolvimento humano e com a ampliação de novos horizontes de acesso à informação. Nesse sentido, para Eloy Rodrigues (2004, p. 25) acesso livre é “a disponibilização livre na Internet de literatura de caráter académico ou científico, permitindo a qualquer utilizador ler, descarregar, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar ou referenciar o texto integral dos documentos”.
Todavia, além de livre, é preciso que a informação seja acessível para que todos possam alcançá-la. Iniciativas estão sendo construídas nesse sentido, Quaresma (2014, p. 46) opina que a rede de repositórios de Portugal tem entre os
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seus principais objetivos “aumentar a visibilidade, acessibilidade e difusão dos resultados da atividade académica e de investigação científica portuguesa, o que é importante para a própria comunidade académica, bem como a nível informativo, para a sociedade em geral”. Nesta mesma linha de importância tem-se a Biblioteca Aberta do Ensino Superior de Portugal, na qual fornece conteúdos acessíveis on-line.
Há 20 anos, o autor Jack Meadows, ao refletir sobre a transferência de informações pelos canais de comunicação, afirmou que o fornecimento e absorção de informações dependiam totalmente dos sentidos humanos. Ao analisar o projeto gráfico dos canais de comunicação, ele se preocupava com como as pessoas liam tabelas, gráficos e imagens, como realizavam os movimentos dos olhos, o tamanho e os tipos de letras etc. Sua indagação era “como empregar determinado canal de modo a transmitir informações visualmente, com o máximo de impacto, entre um cientista e os demais?” (MEADOWS, 1999, p. 116).
Hodiernamente, readaptando a pergunta de Meadows: como empregar determinado canal de modo a transmitir informações não visuais, com o máximo de impacto entre um cientista e as pessoas cegas ou com deficiência no geral? A preocupação agora é sobre como as pessoas cegas podem ler tabelas e figuras, como podem interagir com os canais científicos, mas sem a presença de um sentido ou mais? E, principalmente, como fazer tudo isso no espaço virtual de informações.
Para Castells (2005), apesar de toda a transformação estrutural no mundo por conta das tecnologias de informação e comunicação, a tecnologia não determina a sociedade, e sim a sociedade que formata a tecnologia de acordo com as necessidades, valores e interesse das pessoas usuárias da tecnologia. Para o autor, a sociedade em rede difunde-se por todo o planeta, contudo, não inclui todas as pessoas. A maior parte da humanidade é excluída, apesar de ser afetada por sua lógica e pelas relações de poder que interagem nas redes globais da organização social.
Desta forma, a acessibilidade digital em websites de bibliotecas, assim como em outros ambientes digitais e na web como um todo, possibilitará que as pessoas com deficiência, que representam uma minoria historicamente excluída social e digitalmente, possam não somente perceber, operar, compreender e acessar a informação, mas ter acesso a possibilidades de criar e produzir informação e conhecimento, tal como atuar acadêmica, econômica e politicamente para uma verdadeira inclusão digital e social.
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CAPÍTULO 5 - METODOLOGIA
Este estudo classifica-se como um estudo de caso, que segundo Yin (2010, p. 39) é “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes”.
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa de caráter descritivo. A pesquisa descritiva permite descobrir, com maior precisão, sobre determinada população e fenômeno por meio da descrição de suas características e a relação entre suas variáveis (GIL, 2008).
Foi realizada inicialmente uma pesquisa bibliográfica e documental sobre os assuntos debatidos nesta pesquisa.
SEÇÃO 5.1 - Locus da pesquisa
O website institucional da BC/UFPA foi concebido inicialmente no período da gestão da diretora Silvia Bitar, 2001-2009. Em 2017, ele foi criado usando o Wordpress, acessado pelo endereço http://bc.ufpa.br. A página inicial do website foi construída com intuito de fornecer um rápido acesso aos variados serviços que a Biblioteca Central oferece. Atualmente, o site está sob a gerência da Coordenadoria de Gestão de Produtos Informacionais, responsável por elaborar produtos e serviços para a comunidade acadêmica. De acordo com dados do Guia de Uso do site da BC (UFPA, 2018), complementados com análises no website da BC/UFPA, a homepage está estruturada conforme as informações abaixo:
1.MENU DO TOPO:
a) Data do dia corrente;
b) Link do “Administrador” por onde os usuários do site realizam login com contas exclusivamente criadas pelo Administrador;
c) Um submenu intitulado “Acesso rápido”, com links para o portal da UFPA, Pergamum (catálogo on-line), SIGAA/UFPA e Webmail institucional;
d) Um submenu intitulado “Fale conosco” pelo qual o usuário terá acesso a links da página de contato das seções da Biblioteca Central (telefone, e-
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mail e nome do responsável) e acesso a uma página de formulário de contato, que é enviado diretamente ao endereço bc@ufpa.br.
2.REDES SOCIAIS: Facebook, Instagram e Twitter.
3.LOGOTIPO DO SIBI/UFPA E BIBLIOTECA CENTRAL PROF. DR. CLODOALDO BECKMANN: Inicial: link da homepage do site
4.MENU PRINCIPAL: contém os principais links do site:
a) Institucional: submenu que lista os seguintes links:
* Histórico;
* Sobre o SIBI/UFPA;
* Missão e visão;
* Estrutura: Organograma e Sistema de Bibliotecas;
* Conselho de Bibliotecas;
* Plano de Desenvolvimento da Unidade (PDU) – Biblioteca Central (PDF);
* Relatórios anuais de gestão (PDF);
* Políticas: Política de formação e desenvolvimento de coleções do Sistema de Bibliotecas UFPA (PDF) e Política de Repositório Digital;
* Contatos: Biblioteca Central e Bibliotecas das Unidades e Subunidades;
* Pesquisa de satisfação de usuários (PDF).
b) Serviços
* Referência e Circulação: Seção Braille;
* Acesso eletrônico à informação;
* Comutação bibliográfica;
* Treinamento periódicos CAPES.
c)Produtos
* Catálogo On-line;
* Repositórios: a) Repositório Institucional da UFPA (RIUFPA): artigos, trabalhos de eventos, teses e dissertações; b) Biblioteca Digital de Monografias (BDM): TCCs de graduação e monografias de especialização; c) Livro Aberto;
* Ficha catalográfica ou Módulo de Elaboração de Ficha Catalográfica (FICAT 2.0);
* Guia de Elaboração de Trabalhos Acadêmicos;
* SOS Normaliza (Formulário);
* Base de Dados (Pergamum, Repositório Institucional, Portal de Periódicos da CAPES);
* Coleções Particulares: Coleção Clóvis Ferro Costa e Coleção Roberto Santos;
* Publicações: Guia de Usuário (PDF) e Castilha 52 anos da BC;
* Doação de Materiais Bibliográficos: Termo de doação (PDF).
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d) Notícias: link para a área de posts
e) Links: divulgação de blogs e revistas
* Blogs: Biblio; Portal do Bibliotecário; Biblioteconomia Nerd; INFOhome; Mundo Bibliotecário; Biblioteconomia digital;
* Canais no Youtube: Biblioteca Central UFPA; Arquivo Nacional; É o último, juro!;
* Revistas: INCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação; RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação.
f) Downloads: PDFs disponíveis para download no site:
1. Regimento do SIBI/UFPA;
2. Termo de doação;
3. Termo de autorização – RIUFPA;
4. Guia de Trabalhos Acadêmicos;
5. Relatórios Anuais de Gestão;
6. Ata de Reunião – Conselho SIBI.
5 PESQUISA NO ACERVO: Busca integrada EBSCO DISCOVERY SERVICE (EDS)
6 ATALHOS
* Catálogo – confira os títulos do SIBI/UFPA;
* Renovação – renovação de empréstimo on-line;
* Cadastro – realizar cadastro no SIBI/UFPA;
* Prazos – quanto tempo posso emprestar?;
* Dúvidas – consulte a nossa FAQ de dúvidas;
* Login – Logar em minha conta de usuário no Pergamum.
7 EVENTOS: Quadro de eventos programados;
8 NOVAS AQUISIÇÕES: As publicações mais recentes adicionadas ao nosso acervo;
9 HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: De segunda a sexta das 08h às 22h. Aos sábados das 08 às 14h;
10 CHAT: O usuário pode tirar dúvida, deixar um comentário, fazer uma pergunta ou pedir ajuda. A resposta não é instantânea.
Como o website da BC/UFPA tem diversas páginas, a delimitação do escopo desta pesquisa se restringiu em analisar a acessibilidade da homepage (página inicial), conforme a Figura 2, por ser a página mais acessada, segundo o guia do uso do site (UFPA, 2018) e conter informações sobre notícias, eventos, novas aquisições, horário de funcionamento e produtos e serviços. Com esta página é possível se obter uma análise significativa de acessibilidade, sendo a porta de entrada para se conhecer
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os serviços e produtos da Biblioteca Central e do SIBI/ UFPA, uma parte dela pode ser vista na Figura 2 a seguir.
FIGURA 2: Parte da homepage do website da Biblioteca Central da UFPA. Fonte: Website BC/UFPA, 2019.
DESCRIÇÃO DA FIGURA 2
Captura de tela (print), com fundo roxo, de uma parte da página inicial do website da Biblioteca Central da UFPA. Na primeira linha de informações de cima para baixo há a data, login de administrador, ir para o rodapé, acesso rápido, fale conosco e ícones de redes sociais. Na próxima linha a logo do SIBI/UFPA E Biblioteca Central. Abaixo o menu, seguido abaixo da área de pesquisa no acervo. Depois um slide contendo ao fundo estante de livros e a frente o texto “São cerca de 900 mil volumes totalizando o acervo SIBI/UFPA. Abaixo a área de circulação, contendo informações de: catálogo, renovação, cadastro, prazos, dúvidas e login.
FIM DA DESCRIÇÃO
Com os resultados do escopo desta pesquisa, não se pode afirmar que o website todo é acessível ou inacessível, pois para afirmar isso seria necessário realizar uma análise exaustiva em todas as páginas do website e com diversas metodologias de avaliação e tecnologias assistivas, envolvendo usuários com diversificados tipos de deficiência. Entretanto, com a análise da homepage é possível mostrar a importância da acessibilidade em websites de bibliotecas, ilustrando como fazer isso, dando uma amostra significativa de algumas partes da página inicial e de outras direcionadas por ela. Verificando assim, se está havendo atenção aos critérios internacionais de acessibilidade e se o acesso ao website da BC/UFPA é permitido aos usuários cegos que usam NVDA.
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SEÇÃO 5.2 - Participantes da pesquisa
Os sujeitos da pesquisa são alunos de graduação e pós-graduação cegos, regularmente matriculados no Campus Belém da UFPA, que têm prática de internet com o uso do leitor de telas Non Visual Desktop Access (NVDA) [Acesso não-visual à área de trabalho]. Conforme os dados atualizados da CoAcess (UFPA, 2019b), existem, regularmente matriculados em toda a UFPA, 127 alunos com deficiência visual, sendo 19 cegos e 108 com baixa visão. Matriculados no Campus Belém, são 87 alunos com deficiência visual, sendo 14 cegos e 73 com baixa visão. Portanto, nosso universo é constituído por esses 14 alunos cegos. Desses, a metade (7) estava na lista fornecida pela CoAcess (UFPA, 2019c) como usuários do NVDA, no entanto, eles não sabiam informar sobre as suas habilidades quanto ao uso do recurso.
Após contato telefônico com os sete (7) alunos cegos, para saber qual deles usava esta tecnologia assistiva para acesso à web, uma estava matriculada, mas não frequentava o curso, dois (2) não tinham prática de uso do NVDA para acesso à web, restando somente quatro (4) usuários cegos que utilizavam esse leitor de telas para acesso a sites, três (3) deles são nível iniciante e um (1) nível mediano. Todos os quatro concordaram em participar da pesquisa, logo, conseguiu-se um número aproximando de cinco, que é indicado como suficiente de acordo com os autores Dias (2006) e Freire, Lara e Fortes (2013) e Nielsen (2000) para a realização de avaliação humana com usuários.
Quanto ao leitor de telas escolhido, foi o NVDA, ele é um software livre e de código aberto para o Sistema Operacional Microsoft Windows. A sua resposta é dada por meio de sintetizador de voz integrado que suporta mais de 80 idiomas, ele permite que pessoas com deficiência visual acessem computadores e navegadores web. O NVDA foi desenvolvido pela NV Access, com ajuda da comunidade (GUÍA..., 2019).
Em algumas pesquisas nacionais de acesso à informação na web por usuários cegos (CASELLI, 2007; MALHEIROS, 2013, BASTOS, 2017; GERALDO; FORTES, 2013), o NVDA aparece como uma das principais tecnologias assistivas usadas, que permite uma maior abrangência de acesso às informações na web, além de ser um software gratuito. Pesquisas internacionais, como a realizada pela Web Accessibility in Mind (WebAIM) sobre as preferências dos usuários leitores de tela, mostram que 31,9% preferem o NVDA (WEBAIM, 2017). A Everis Brasil baseou-se na pesquisa da WebAIM e constatou que um percentual de 69,2% dos usuários prefere o leitor de
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tela NVDA (EVERIS BRASIL, 2018). Já em pesquisas mais recentes da WebAIM (2019c) foi constatado que pela primeira vez a tecnologia assistiva Jaws, desde 2009, é substituído pelo NVDA como principal leitor de telas usado por usuários de diversos países.
SEÇÃO 5.3 - Procedimentos dos testes de acessibilidade digital
Para a realização desta pesquisa foi necessária a adoção de três métodos de avaliação de acessibilidade, expostos a seguir:
SUBSEÇÃO 5.3.1 - Avaliação automática com o software WAVE
Foi realizada a avaliação automática na página inicial do website da BC/UFPA com o Web Accessibility Evaluation Tool (WAVE), Ferramenta de Avaliação de Acessibilidade à Web, pode ser encontrado no site https://wave.webaim.org/. Ele foi desenvolvido pela WebAIM, uma organização sem fins lucrativos, situada na Universidade do Estado do Utah, nos Estados Unidos da América. Cuja missão é ampliar o potencial da web para pessoas com deficiência, fornecendo, desde 1999, uma série de produtos e serviços voltados para a acessibilidade na web. O endereço da página web (URL) é inserido no campo de busca e automaticamente é fornecido um relatório, no qual são identificados erros de acessibilidade e segundo o documento do WAVE ele “inclui muitas verificações de problemas de conformidade encontradas nas diretrizes da Seção 508 e WCAG 2.1”. (WAVE, [s.d.]).
Este teste automático foi realizado no notebook da pesquisadora, utilizando como recurso Microsoft Windows 10 e o browser Google Chrome.
SUBSEÇÃO 5.3.2 - Teste de acessibilidade com alunos cegos que usam o NVDA
Segundo os autores Freire, Lara e Fortes (2013, não paginado) a avaliação humana “é o método mais adequado para identificar os problemas reais enfrentados por usuários, problemas estes que muitas vezes não são cobertos por guidelines técnicas”.
Nessa avaliação humana, foram repassadas seis tarefas pré-definidas, elaboradas pela autora da pesquisa e vistas como importantes para a vida acadêmica
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dos estudantes. Para a elaboração das tarefas, a pesquisadora baseou-se na sua experiência como bibliotecária de referência e na literatura de pesquisa em sites de bibliotecas (FERREIRA; CIANCONI, 2011; MARÇAL et al., 2015a, 2015b; BACH; FERREIRA; SILVEIRA, 2009). As tarefas envolveram a busca, recuperação, acesso e leitura da informação de serviços e produtos oferecidos pelo site em sua homepage. Os usuários cegos executaram as tarefas no website da BC/UFPA, com o uso do leitor de telas NVDA e o navegador de sua preferência. As tarefas são apresentadas no Quadro 8 a seguir.
QUADRO 8: Tarefas a serem executadas por alunos cegos na homepage do website da BC/UFPA. Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
QUADRO ADAPTADO
QUADRO ESTABELECIDO EM LINHAS
LINHA 1 - LETRA DO USUÁRIO:
LINHA 2 - DATA:
LINHA 3 - CURSO/NÍVEL DE ESCOLARIDADE:
LINHA 4 - NÍVEL DE USO DO NVDA:
OPÇÕES:
INICIANTE,
MÉDIO,
AVANÇADO
LINHA 5 - LOCAL/COMPUTADOR DO TESTE:
LINHA 6 - VERSÃO DO NVDA:
LINHA 7 - NAVEGADOR ESCOLHIDO:
LINHA 8 - TAREFAS
LINHA 9 - 1 – No menu principal, no link downloads, acesse o guia de trabalhos acadêmicos e veja se consegue ler o PDF.
LINHA 10 - 2 – Na área de novas aquisições, constam as capas de publicações recentemente adicionadas ao acervo da biblioteca, cite duas obras.
LINHA 11 - 3 – Na área de eventos, existe uma tabela descrevendo os eventos mensais da biblioteca, cite um deles, seu dia e horário.
LINHA 12 - 4 – Vá até a área de notícias e cite uma.
LINHA 13 - 5 – Acesse o link saiba mais sobre realizar cadastro no SIBI/UFPA.
LINHA 14 - 6 – Acesse o formulário de busca interna no website e busque por acessibilidade.
FIM DO QUADRO
Foi realizado um teste piloto com duas pessoas cegas, para averiguar se as tarefas propostas eram viáveis e realizáveis em um período de tempo que não causasse fadiga nos usuários, dando intervalo entre elas, ou se era necessário fazer alterações nas tarefas, como diminuição das mesmas para que a pesquisa fosse realizada. É importante notar que as pessoas cegas precisam de um tempo maior para execução de suas tarefas comparadas às pessoas videntes, conforme mostram estudos da Disability Rights Commission (2004).
Para a realização das tarefas com os discentes cegos foi utilizada a técnica de observação com os usuários – que permite observar os problemas de acessibilidade enfrentados por usuários no momento de sua interação com o site, não se limitando
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somente a descrição, pois nem sempre ele consegue expressar as suas dificuldades e a experiência de uso (PRATES; BARBOSA, 2003).
Foi utilizado também o protocolo think-aloud concorrente, no qual é solicitado que os usuários pensem em voz alta, enquanto estão interagindo com o website, falando de suas estratégias, pensamentos e problemas na realização das tarefas. Porém, para que o usuário não tivesse problemas de falar e ao mesmo tempo entender o que estava sendo lido pelo leitor de telas, foi dito aos usuários que interrompessem o NVDA ao fazer uma consideração mais longa (FREIRE; LARA; FORTES, 2013). Este protocolo permite também que o pesquisador possa pedir aos usuários esclarecimentos de problemas específicos que fogem ao seu conhecimento.
SUBSEÇÃO 5.3.3 – Entrevista com os alunos cegos que usam o NVDA
Logo após a realização das tarefas, realizou-se uma entrevista com os sujeitos da pesquisa para analisar a satisfação dos usuários sobre a avaliação de acessibilidade digital do website, entre outras questões. As quatro primeiras perguntas da entrevista estão fundamentadas nos estudos de Marçal et al. (2015) — e este é baseado nos quatro princípios básicos da acessibilidade na web que guiam as WCAG 2.1, onde as páginas devem ser perceptíveis (Q1), operáveis (Q2), compreensíveis (Q3) e robustas (Q4). A pergunta de satisfação também foi baseada em Marçal (2015) e as outras elaboradas pela autora, conforme Quadro 9.
QUADRO 9: Guia de entrevista com os usuários cegos. Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
QUADRO ADAPTADO
LINHA 1 - LETRA DO USUÁRIO:
LINHA 2 - DATA:
LINHA 3 - 1- Você conseguiu perceber as informações necessárias para a execução das tarefas? Caso a resposta seja não, onde foi a sua dificuldade?
LINHA 4 - 2- Marque o que achou do sistema de navegação do website
OPÇÕES:
Funcional
Simples
Intuitivo
De difícil navegação
Outro, relate qual?
LINHA 5 - 3- Você acha que as informações do website estão acessíveis por teclado? Caso a resposta seja não, porque?
LINHA 6 - 4- Teve alguma dificuldade na compreensão da informação disponibilizada ou na utilização dos serviços prestados a partir do site? Caso sua resposta seja sim, quais dificuldades?
LINHA 7 - 5- Teve dificuldade no acesso ao conteúdo do site decorrentes da utilização do leitor de telas? Se sim, quais seriam elas?
LINHA 8 - 6- Dê uma nota de 0 a 10 de satisfação geral sobre o acesso a homepage do website da BC/UFPA?
LINHA 9 - 7- Você já havia acessado o website da BC/UFPA? Caso não, por que?
LINHA 10 - 8- Qual opinião, sugestões, sentimentos ou necessidades você queira relatar sobre a acessibilidade do website da BC/UFPA?
FIM DO QUADRO
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Após a realização dos testes de acessibilidade com os alunos cegos, houve a necessidade de alguns contatos com os quatro participantes da pesquisa para esclarecimento de algumas dúvidas sobre as respostas da entrevista.
SEÇÃO 5.4 - Percurso da pesquisa
O teste de acessibilidade com os discentes cegos foi realizado nos dias 12 e 18 de dezembro de 2019, após a aprovação do parecer consubstanciado do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) do Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da UFPA, número 3.741.267, CAAE: 25761219.0.0000.0018, respeitando-se a Resolução N° 466/12 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
Diante do parecer do CEP, foram realizados alguns procedimentos anteriores ao teste, tais como:
1: Envio de e-mail para a Coordenadoria de Acessibilidade da UFPA, para coletar o quantitativo atualizado de discentes cegos matriculados que usam o NVDA, seus nomes e contatos. De acordo com a resposta, há um total de sete (7) discentes;
2: Durante os telefonemas com os discentes listados pela CoAcess, foi explicado a eles o motivo do contato, feito o convite para participação na pesquisa e o agendamento para o teste, em local e dia que fosse viável para os mesmos, sem prejuízo em suas atividades acadêmicas e trabalhistas. Dos sete (7) discentes, uma (1) está matriculada, porém não frequenta o curso, dois (2) foram contatados, mas afirmaram não ter condições de navegar por um website, pois não têm essa prática devido o pouco uso do NVDA, restando quatro (4) alunos que aceitaram participar da pesquisa;
3: Preparação do local de teste, com instalação do leitor de telas NVDA 2019.2.1. Apesar de alguns usuários terem notebook e a possibilidade de realização das tarefas em seus locais de trabalho e residência, eles preferiram usar os espaços e computadores da Biblioteca Central reservados para o teste: Espaço Braille e Sala Roberto Santos.
Antes da realização das tarefas com os usuários, realizou-se um teste piloto com duas pessoas cegas, uma delas de nível superior, que trabalha na Biblioteca Pública Arthur Vianna e tem uma experiência iniciante no uso do NVDA para acesso à web e outra de nível médio, usuário desta biblioteca que tem uma grande
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experiência com uso do NVDA para acesso à web. Alguns pontos foram retificados: reorganizou-se melhor o texto das tarefas e da entrevista, exclusão e inclusão de tarefas, decidiu-se cronometrar o tempo de 10 minutos para evitar que a avaliação ficasse cansativa para os discentes.
Após a leitura do TCLE para todos os participantes da pesquisa, eles o assinaram antes da realização das tarefas e cada um ficou com uma cópia do mesmo. Foi pedido também que os usuários ficassem relaxados e tranquilos quanto a filmagem e os possíveis erros que viessem a cometer, foi explicado o protocolo think-aloud e o tempo necessário para as tarefas e entrevista.
SEÇÃO 5.5 - Recursos da pesquisa
Para esta pesquisa foi usada gravação de áudio e vídeo para monitoramento dos passos seguidos pelos usuários na realização das tarefas, assim como os erros, acertos, obstáculos e sentimentos (DIAS, 2006).
O local de realização dos testes com os usuários foi o Espaço Braille e a Sala Roberto Santos da Biblioteca Central, onde configurou-se e instalou-se o leitor de telas NVDA e o browser, de acordo com a versão que os usuários estavam habituados.
No momento do teste com os discentes com deficiência visual, a pesquisadora iniciou falando sobre o objetivo da pesquisa, etapas do teste e da entrevista ao final. Foram explicados os procedimentos adotados, solicitada a autorização dos participantes para gravação em vídeo das interações com o site durante a avaliação e foi informado que suas informações seriam mantidas em sigilo por questões éticas.
Para que os usuários ficassem mais relaxados, foi esclarecido que o foco da avaliação estava sobre a acessibilidade do site e não em suas performances e nem mesmo em sua capacidade de realizar as tarefas, poderiam ficar à vontade para cometer erros e para expressar suas opiniões e confiar no anonimato de suas identidades (DIAS, 2006; FREIRE; LARA; FORTES 2013).
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SEÇÃO 5.6 - Forma de análise dos resultados da pesquisa
A análise dos dados foi procedida sobre os resultados “Erros”, apresentados pelo WAVE envolvendo os impactos sobre as WCAG. Quando necessário, a pesquisadora utilizou o leitor de telas NVDA para o estudo de alguns pontos. No segundo momento, analisou-se os resultados do teste com os discentes cegos que usam o NVDA. Por fim, efetuou-se uma análise geral dos métodos de teste de acessibilidade juntamente com os resultados da entrevista, envolvendo as categorias Perceptível, Operável, Compreensível e Robusto. Em todo momento da investigação dos dados foi feita a associação ao referencial teórico.
A análise proposta para esta pesquisa é qualitativa dos testes para identificação dos problemas encontrados pelos usuários cegos. Será usada a técnica de análise de conteúdo dos registros dos vídeos das sessões dos testes (LAZAR; FENG; HOCHHEISER, 2010). Ao utilizar esta técnica procura-se sugestões dadas pelos usuários no que se refere às expressões de dúvida, frustração, confusão em falas seguindo o protocolo “think-aloud”. Assim como analisar onde os usuários tiveram mais percalços em realizar alguma tarefa ou quando a realizaram repetidas vezes para executá-la com êxito.
Os autores Freire, Lara e Fortes (2013) ressaltam ainda, para que se tenha uma boa análise de conteúdo de vídeos é importante pedir aos usuários que diminuam a velocidade dos seus leitores de tela, devido à dificuldade em interpretar o que está sendo falado pelo sintetizador de voz. Alguns usuários podem não se sentir confortáveis quanto a lentidão da leitura, nesse caso pode diminuir a velocidade da reprodução do vídeo e ficar bem atento à voz do leitor de telas para não deixar de constatar problemas consideráveis. É necessário também saber detalhes sobre como o problema inviabilizou a execução das tarefas e de como ele esbarra em características inerentes a limitação do usuário.
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CAPÍTULO 6 - RESULTADOS E DISCUSSÕES
Este capítulo visa analisar os resultados apontados pelo software WAVE, pelo teste de acessibilidade e entrevista com os alunos cegos que usam o NVDA e apresentar o panorama da acessibilidade digital na homepage do website da Biblioteca da UFPA.
SEÇÃO 6.1 - Análise da acessibilidade digital com o software WAVE
A coleta de dados realizada por meio da aplicação do software teve início em 24 de setembro de 2019 e durou até 29 de novembro de 2019.
Foram utilizados o navegador Google Chrome e um notebook com sistema Windows versão 10, da pesquisadora, nos testes realizados com o WAVE. Ele, detectou diferentes resultados conforme Tabela 1.
TABELA 1: Resultado da aplicação do WAVE na homepage do site da Biblioteca Central da UFPA. Fonte: Dados da pesquisa, coletados no WAVE (2019).
DESCRIÇÃO DA TABELA 1
São apresentados na tabela os dias, a quantidade e os tipos de elementos apontados pelo WAVE. No dia 24/10/2019 foram detectados 125 Erros, 53 Erros de contraste, 47 Alertas, 19 Recursos, 81 Elementos estruturais, 117 HTML e ARIA. Dia 05/10/2019: 98 Erros, 203 Erros de contraste, 41 Alertas, 14 Recursos, 51 Elementos estruturais, 55 HTML5 e ARIA. Dia 23/10/2019: 98 Erros, 202 Erros de contraste, 45 Alertas, 15 Recursos, 51 Elementos estruturais, 67 HTML5 e ARIA. Dia 04/11/2019: 98 Erros, 207 Erros de contraste, 46 Alertas, 15 Recursos, 54 Elementos estruturais, 58 ARIA. No último dia de avaliação com a ferramenta, dia 29/11/2019: 98 Erros, 211 Erros de contraste, 48 Alertas, 15 Recursos, 58 Elementos estruturais, 68 ARIA.
FIM DA DESCRIÇÃO
No decorrer dos testes notou-se mudanças no quantitativo de alguns quesitos dos resultados. Devido à atualização do conjunto de ferramentas de teste de acessibilidade da web do WAVE, dentre elas o serviço de teste on-line WAVE, utilizado nesta pesquisa. Com isso, no dia 04 de novembro de 2019, a interface do
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resultado do WAVE estava diferente, realizou-se, portanto, a mudança das imagens da análise para que ficasse de acordo com o padrão dos atuais resultados mostrados pela ferramenta.
A análise foi realizada somente sobre o resultado dos 98 Erros e suas subcategorias. A quantidade de números de resultados de erros foi analisada e adotada conforme o último dia trabalhado com a ferramenta, 29 de novembro de 2019. No decorrer dos testes, a partir de meados de novembro, observou-se que foi inserido o Accessibility Helper Sidebar, o atributo accesskey para criar o “ir para o rodapé” e o “ir para o início”, na homepage do website da BC/UFPA.
A Figura 3 mostra os resultados detectados pela ferramenta WAVE, com a interface até dia 04 de novembro de 2019.
FIGURA 3: Página inicial dos resultados do WAVE na interface antiga. Fonte: Dados da pesquisa, coletados no WAVE (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 3
Captura de tela (print) colorida da página inicial de resultados do WAVE. No quadro esquerdo, indicadores do WAVE. Em frente de cada indicador uma barra vertical colorida. Vermelha: 98 erros. Amarela: 41 alertas. Verde: 14 recursos. Azul: 51 elementos estruturais. Lilás: 55 HTML 5 e ARIA. Cinza: 203 erros de contraste. No quadro direito, sinalização dos tópicos identificados pelo WAVE na página inicial do website da BC/UFPA, indicando erros e avisos.
FIM DA DESCRIÇÃO
Pode-se perceber, em comparação com a nova interface apresentada na Figura 4, um design moderno, tendo como cor de fundo não mais o verde e sim um
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azul mais claro, a barra lateral é um pouco maior, os ícones dos resultados são uma barra vertical colorida, entre outros.
FIGURA 4: Página inicial dos resultados do WAVE na interface atualizada. Fonte: Dados da pesquisa, coletados no WAVE (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 4
Captura de tela (print) colorida da página inicial de resultados do WAVE. No quadro esquerdo, ícones coloridos em formato geométrico e os indicadores do WAVE. No quadro direito, ícones dos indicadores do WAVE sinalizam erros e avisos em partes da página inicial do website da BC/UFPA para as janelas Sign in, Inicial, Institucional, Histórico, Sobre o SIBI/UFPA, Missão e Visão, Estrutura.
FIM DA DESCRIÇÃO
Esta nova configuração além de trazer novos aspectos de design visual possibilita novas formar de analisar os contrastes, correções de bugs e melhorias nos testes. Mudanças e inclusões de regras, como tabelas de layout, passaram a ser alertas. O teste está mais rápido e preciso (WEBAIM, 2019d, tradução livre).
SUBSEÇÃO 6.1.1 - Análise do indicador Erros
Neste tópico serão apresentados os erros de acessibilidade identificados e que precisam de correção para que o site possa atingir os níveis de acessibilidade recomendados internacionalmente. Foram detectados 98 erros, eles contêm algumas subcategorias que serão verificadas e analisadas a seguir. O software WAVE apresenta a leitura de cada erro de acessibilidade pelos indicadores: “O que significa”, “Por que isso importa”, “O que fazer”, assim como os critérios de sucesso do W3C.
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Essa significação fora registrada seguida da análise da pesquisadora. A seguir, apresenta-se o primeiro erro detectado.
Erro: 54 imagens sem texto alternativo
O que significa: O texto alternativo da imagem não está presente.
Por que isso importa: Cada imagem deve ter um atributo alt. Sem texto alternativo, o conteúdo de uma imagem não estará disponível para usuários leitores de tela ou quando a imagem estiver indisponível.
O que fazer: Adicione um atributo alt à imagem. O valor do atributo deve apresentar de forma precisa e sucinta o conteúdo e a função da imagem. Se o conteúdo da imagem for transmitido no contexto ou nos arredores da imagem, ou se a imagem não transmitir conteúdo ou não tiver uma função, deverá receber um texto alternativo vazio/nulo (alt=””).
Normas e diretrizes: 1.1.1 Conteúdo Não Textual (Nível A)
A presença desse erro afeta o critério de sucesso 1.1.1 Conteúdo não textual (Nível A) - todo o conteúdo não textual apresentado ao usuário, como por exemplo: imagens, áudios, vídeos, fotografias, gráficos etc. deve conter uma alternativa textual que serve para uma finalidade equivalente, exceto quando for teste, CAPTCHA, imagem decorativa etc (W3C, 2018a).
Para que os usuários cegos tenham acesso à informação contida na imagem é importante que se faça a sua descrição, pois eles usam o leitor de telas para saber as informações que se apresentam na página web. O leitor de telas é um software que converte o texto de uma página da web em voz. Se uma imagem não for descrita ela não será percebida pelo usuário cego.
CITAÇÃO DIRETA
Algumas tecnologias assistivas tentam compensar a falta de textos alternativos lendo o nome do arquivo da imagem, mas, por várias razões, é insuficiente confiar simplesmente no nome do arquivo. Por exemplo, nomes de arquivos costumam ser não-descritivos (ex: images/nav01.gif), e as especificações da tecnologia não exigem nomes descritivos para os arquivos. Algumas tecnologias assistivas não leem o nome do arquivo se o texto alternativo não está disponível via atributos HTML (MWPT, 2019).
FIM DA CITAÇÃO
Caso o critério de sucesso 1.1.1 seja atendido, dependendo da necessidade do usuário, além de ajudar as pessoas cegas e com baixa visão, atenderá às necessidades de pessoas sem deficiência que têm dificuldades em entender uma
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imagem. Por exemplo, em obras de arte, uma legenda, usada como texto alternativo contribuiria com a compreensão da arte, ou até mesmo a descrição de uma imagem complexa ajudaria pessoas leigas ou idosas no entendimento da mesma.
Além disso, caso o usuário, independente de deficiência, tenha algum impeditivo em carregar a imagem de um website, seja pela internet lenta ou pelo navegador antigo, as alternativas em textos das imagens permitirão que os usuários acessem a informação.
Verificar-se-á a seguir, em detalhes, os 54 erros de falta de texto alternativo.
Os seis (6) primeiros erros detectados pelo WAVE na homepage referem-se às imagens na área de circulação composta por atalhos ao Catálogo, a Renovação, ao Cadastro, a Prazos, a Dúvidas e ao Login. Tratam-se de imagens decorativas, ou seja, caso fossem retiradas não teriam prejuízo ao conteúdo, são imagens com propósito estético, sem funcionalidade. As inconsistências podem ser observadas nas Figuras 5 e 7, elas são seguidas das figuras 6 e 8 de como as imagens decorativas aparecem na homepage do website em estudo.
FIGURA 5: Imagens decorativas conforme o WAVE. Fonte: Dados da pesquisa, coletados no WAVE (2019).
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DESCRIÇÃO DA FIGURA 5
Captura de tela (print) colorida do resultado do WAVE. No quadro esquerdo, 54 ícones para texto alternativo ausente. No quadro direito, 6 desses ícones sinalizam para imagens decorativas na página inicial do website da BC/UFPA, tais quais: catálogo de título de livros da BC/UFPA: pequena figura de dois livros. Renovação de empréstimo: duas setas formando um círculo. Cadastro: folha de papel e uma caneta. Prazos de empréstimo: um calendário. Dúvidas: dois balões com um ponto de interrogação dentro. Login: símbolo de um humano (avatar).
FIM DA DESCRIÇÃO
A ferramenta WAVE detecta todas as imagens que não possuem o atributo alt, contudo, é necessário analisar cada caso, pois muitas dessas imagens são somente para decorar o site, conforme pode ser observado nas imagens da biblioteca na Figura 6.
FIGURA 6: Imagens decorativas no website da BC/UFPA. Fonte: Website BC/UFPA (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 6
Captura de tela (print) colorida do website da BC/UFPA das imagens decorativas, seis colunas em paralelo, com os seguintes serviços e imagens decorativas: catálogo de título de livros da BC/UFPA: pequena figura de dois livros; renovação de empréstimo: duas setas formando um círculo; cadastro: caderno e uma caneta; prazos de empréstimo: calendário; dúvidas: dois balões com um ponto de interrogação dentro; login: avatar ou um símbolo de humano.
FIM DA DESCRIÇÃO
De acordo com o documento do W3C (2018a), as imagens decorativas devem ser implementadas de uma maneira que possam ser ignoradas pelas tecnologias assistivas. A forma indicada de ser fazer isso é adotar o alt vazio (alt=””), isso possibilita que os usuários não percorram por essas imagens, pois o leitor de telas entenderá que a imagem deve ser ignorada completamente. Outra indicação de imagem decorativa é apontada pelo WAVE na Figura 7.
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FIGURA 7: Imagem decorativa para o horário de funcionamento da biblioteca conforme WAVE. Fonte: WAVE (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 7
Captura da tela (print) colorida de resultados do WAVE. No quadro esquerdo, ícones de texto alternativo ausente. No quadro direito, um ícone sinaliza para a imagem de um relógio referente ao horário de funcionamento da Biblioteca Central.
FIM DA DESCRIÇÃO
O W3C indica ainda que essas imagens devem ser repassadas para CSS, para isentar qualquer chance de sua leitura, já que a imagem não está apresentando conteúdo relevante ou útil para o usuário.
FIGURA 8: Imagem decorativa para o horário de funcionamento da biblioteca no website da BC/UFPA. Fonte: Website BC/UFPA (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 8
Captura de tela (print) colorida da página inicial do website da BC/UFPA. Fotografia colorida, detalhe de livros sobre a estante e atrás uma jovem escrevendo num caderno sobre uma mesa. Sobre a imagem em letras brancas o texto: “HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO. De segunda a sexta das 08h às 22h. Aos sábados das 08h às 14h”.
FIM DA DESCRIÇÃO
Os erros de falta de alternativa em texto apontam também para as 11 imagens localizadas no carrossel da homepage que remetem aos serviços do website e suas logomarcas, cada uma delas é um link que remete para a página dos serviços propostos. Na Figura 9, são mostrados os detalhes do resultado do WAVE.
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FIGURA 9: Imagens no carrossel da homepage sem texto alternativo conforme o WAVE. Fonte: Dados da pesquisa, coletados no WAVE (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 9
Captura da tela (print) colorida de resultados do WAVE. No quadro esquerdo, 54 ícones de texto alternativo ausente. No quadro direito, 6 desses ícones sinalizam imagens do carrossel (painel rotativo de apresentação) da homepage do website da BC/UFPA que representam os seguintes serviços e suas logomarcas: Elaborar Referências Bibliográficas, Portal de Periódicos, Ficha Catalográfica, Periódicos UFPA, Catálogo Online, Repositório Institucional.
FIM DA DESCRIÇÃO
Sem alternativa em texto para essas imagens o princípio perceptível é afetado, ou seja, o usuário não perceberá os diversos serviços importantes da biblioteca que este link poderá remetê-los. Consequentemente não acessará os links e nem os serviços além dos que aparecem na Figura 9, têm-se também o Portal do Livro Aberto, Biblioteca Digital de Monografias, Guia de Trabalhos Acadêmicos, Programa de Capacitação Continuada de Usuários e SOS Normaliza. Tratam-se de serviços importantes na vida acadêmica dos discentes, as imagens precisariam de uma alternativa em texto, como os próprios títulos dos referidos serviços, conforme a Figura 10, que mostra como são visualizados no website da BC.
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FIGURA 10: Imagens no carrossel da homepage sem texto alternativo no website da BC/UFPA. Fonte: Website BC/UFPA (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 10
Captura da tela (print) colorida do carrossel (painel rotativo de apresentação) da homepage do website da BC/UFPA. Três imagens retangulares com as frases de alguns serviços e suas logomarcas. Na imagem central, a logomarca do Programa de Capacitação Continuada de Usuários. Ao centro da imagem um ícone vermelho com símbolo do infinito.
FIM DA DESCRIÇÃO
O WAVE apontou também 35 imagens sem texto alternativo que fazem parte da área de novas aquisições, na qual são mostradas as capas de livros que foram recém-incorporadas ao acervo do Sistema de Bibliotecas. A Figura 11 exemplifica dois títulos.
FIGURA 11: Imagens de capas de livros sem alternativa em texto conforme o WAVE. Fonte: Dados da pesquisa, coletados no WAVE (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 11
Captura da tela (print) colorida de resultados do WAVE. No quadro esquerdo, ícones de falta de alternativa em texto. No quadro direito, dois desses ícones sinalizam para as capas dos livros recém-adquiridos: “Acessibilidade a Museus” e “Redes Neurais”.
FIM DA DESCRIÇÃO
Os casos de alternativas em texto podem ser desde uma simples legenda, uma descrição sucinta da imagem a uma descrição de uma imagem complexa, neste caso,
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quando o texto é longo há a necessidade de se utilizar um link que remete para uma página que possa conter esta descrição (W3C, 2018a). O importante é que os usuários cegos possam perceber que existe uma imagem e o que ela representa, a exemplo os livros adquiridos para a biblioteca, que podem ser de grande utilidade e interesse, como pode ser observado na Figura 12.
FIGURA 12: Imagens de capas de livros sem alternativa em texto no website da BC/UFPA. Fonte: Website BC/UFPA (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 12
Captura da tela (print) colorida da área de novas aquisições da homepage do website da BC/UFPA. Em um fundo roxo, em letras brancas o texto: “NOVAS AQUISIÇÕES. As publicações mais recentes adicionadas ao nosso acervo”. Abaixo do texto, há seis capas coloridas de livros dispostas em paralelo.
FIM DA DESCRIÇÃO
A alternativa em texto para um desses livros pode ser adotada no código HTML conforme o exemplo a seguir.
Código fonte com erro:
Código fonte corrigido:
Para os discentes com deficiência visual perceberem e se informarem sobre os livros recém-adquiridos pela biblioteca é importante que se adote as alternativas em textos.
A última imagem apontada pelo WAVE sem alternativa em texto é o brasão da UFPA localizado no rodapé da página. Este seria um caso de se conter uma pequena
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legenda, podendo ser identificada como “brasão da UFPA”, caso seja visto como necessário descrevê-lo, ou poderá ser adotada como imagem decorativa. Mas se fosse usar esta imagem como link para o site da UFPA o alt ficaria “UFPA”. Esta imagem localiza-se no rodapé da página, conforme mostra a Figura 13.
FIGURA 13: Imagem do brasão da UFPA sem texto alternativo no website da BC/UFPA. Fonte: Website BC/UFPA (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 13
Captura de tela (print) do rodapé da homepage do website da BC/UFPA. Sobre um fundo roxo, no lado esquerdo da imagem em letras brancas o texto: “Universidade Federal do Pará. Biblioteca Central Prof. Dr. Clodoaldo Beckmann. End.: Rua Augusto Corrêa, n. 1 – CEP 66075 – 110 Belém – Pará. Tel. =55(91) 3201 – 7110/ 3201 – 7345/ 3201 – 7352 – Fax: = 55(91) 3201 – 7351. Fale conosco/ Relatar problemas neste site/ Créditos “. No canto direito da imagem o brasão da UFPA.
FIM DA DESCRIÇÃO
De acordo com pesquisas (SONZA, 2008; FERREIRA E CIANCONI, 2011 GUIMARÃES E SOUSA, 2018; MWPT, 2019) em torno da acessibilidade digital, a falta de alternativa em texto é uma das principais barreiras enfrentadas pelos usuários cegos na web. Os sites são carregados de imagens, as redes sociais utilizam em seus conteúdos uma gama de mídias e imagens.
A seguir, o próximo erro apontado pelo WAVE refere-se às imagens que são usadas como link e que precisam de texto alternativo.
Erro: 4 imagens vinculadas faltando texto alternativo
O que significa: Uma imagem sem texto alternativo resulta em um link vazio.
Por que isso importa: As imagens que são a única coisa em um link devem ter texto alternativo descritivo. Se uma imagem estiver dentro de um link que não contém texto e não fornecer texto alternativo, o leitor de tela não terá conteúdo para apresentar ao usuário sobre a função do link.
O que fazer: Adicione texto alternativo apropriado que apresente o conteúdo da imagem e/ou a função do link.
Normas e diretrizes: 1.1.1 Conteúdo Não Textual (Nível A); 2.4.4 Finalidade do Link (No Contexto) (Nível A).
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Neste caso, a imagem é o único texto de um link, além de precisar de uma alternativa em texto, para identificar do que se trata a imagem, como consta no critério de sucesso 1.1.1 Conteúdo Não Textual ( Nível A), este erro apontado pelo WAVE infere também sobre a função do link que não poderá ser percebida, navegada e acessada pelo aluno cego. Sem texto que designe o link, o critério de sucesso 2.4.4 Finalidade do Link (No Contexto) (NA), que ajuda os usuários a entenderem a finalidade do link, assim como decidir se desejam segui-lo, será comprometido.
A primeira imagem vinculada usada como link, sem texto alternativo e apontada pelo WAVE, está localizada no cabeçalho da homepage da BC/UFPA, conforme a figura 14.
FIGURA 14: Imagem usada como link localizada no cabeçalho conforme o WAVE. Fonte: WAVE (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 14
Captura de tela (print) colorida de resultados do WAVE. No quadro esquerdo, ícones de imagem vinculada usada como link sem texto alternativo. No quadro direito, um desses ícones sinaliza para a área de cabeçalho do website, na qual consta a logomarca do SIBI/UFPA, o nome e a logomarca da Biblioteca Central Prof. Dr. Clodoaldo Beckmann da UFPA.
FIM DA DESCRIÇÃO
Neste caso, há a situação da imagem que contém a logomarca do SIBI/UFPA, o nome e a logomarca da Biblioteca Central Prof. Dr. Clodoaldo Beckman. Em uma análise automática, esta imagem deve ser descrita para resolver o problema apontado pelo WAVE. Porém, em uma análise humana, há o link que ao ser clicado abre uma nova aba, direcionando o usuário para a página inicial do website.
Sendo assim, neste caso, somente descrever a imagem como ela se apresenta não iria esclarecer ao usuário a função do link. O WAVE recomenda que se adicione texto alternativo apropriado que possa tanto apresentar o conteúdo da imagem, quanto a função do link, então uma opção seria dar a descrição da função do link (Página inicial da Biblioteca Central da UFPA). Na Figura 15 observar-se esta situação no website.
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FIGURA 15: Imagem usada como link localizada no cabeçalho no website da BC/UFPA. Fonte: Website BC/UFPA (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 15
Captura de tela (print) do cabeçalho da homepage do website da BC/UFPA onde consta a logomarca do SIBI/UFPA, o nome e a logomarca da Biblioteca Central Prof. Dr. Clodoaldo Beckmann da UFPA. Abaixo consta o menu do site: “Inicial, Institucional, Serviços, Produtos, Notícias, Links, Downloads”.
FIM DA DESCRIÇÃO
No entanto, de acordo com o artigo da WebAIM (2019a) sobre alternativa em texto referente ao logotipo, geralmente, por padrão ele está atrelado à página inicial do site, portanto, somente o nome da empresa ou instituição já é suficiente (alt=“Biblioteca Central da UFPA”), identificar o logotipo (alt=“logo da Biblioteca Central da UFPA) não seria tão comumente necessário, pois o conteúdo e a função do link não são o logo mas sim a página inicial do website. Apesar de alguns desenvolvedores adotarem o termo página inicial, se a imagem estiver no início da página e o texto alternativo for apropriado, não há necessidade dessas informações adicionais.
A priori parece ser redundante tal link, pois o usuário já está na página inicial, não há necessidade de um link que volte para a mesma página em outra aba. Esse link é importante quando se está navegando em páginas internas do site, para que se possa clicar nele e retornar à página inicial. Em qualquer caso, o usuário leitor de telas precisa saber a função do link, ou seja, para onde irá remetê-lo e assim decidir se deseja ou não acessá-lo.
A segunda imagem está localizada no slide principal da homepage que remete ao link de treinamento de periódicos da CAPES, conforme a Figura 16.
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FIGURA 16: Imagem usada como link sem texto alternativo no slide principal conforme o WAVE. Fonte: WAVE (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 16
Captura de tela (print) colorida de resultados do WAVE. No quadro esquerdo, 4 ícones de imagem vinculada usada como link sem texto alternativo. No quadro direito, um desses ícones sinaliza para o link de Treinamento do Periódico da CAPES do website da BC/UFPA.
FIM DA DESCRIÇÃO
Quando as imagens são usadas como links, o texto alternativo serve para indicar a função do link, geralmente, o conteúdo da imagem e a função do link são os mesmos, em razão disso, o texto pode ser bem sucinto (WEBAIM, 2019b). No caso abaixo, Figura 17, seria (alt=“Treinamento Periódicos CAPES.”).
FIGURA 17: Imagem usada como link sem texto alternativo no slide principal no website da BC/UFPA. Fonte: Website BC/UFPA (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 17
Captura de tela (print) colorida da opção TREINAMENTO no slide principal da homepage do website da BC/UFPA. Sobre um fundo acinzentado, as logomarcas de Periódicos, Biblioteca Central e Capes.
FIM DA DESCRIÇÃO
A terceira imagem apontada pelo WAVE como imagem vinculada usada como um link sem texto alternativo trata-se de um link que remete para visualizar todas as notícias da Biblioteca Central da UFPA, Figura 18, esta imagem fica ao lado da área de notícias do website.
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FIGURA 18: Imagem usada como link na área de notícias conforme o WAVE. Fonte: Website BC/UFPA (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 18
Captura de tela (print) colorida de resultados do WAVE. Quadro esquerdo indica quatro ausências de texto alternativo. Quadro direito, sobre um fundo roxo, em cor branca, a silhueta de uma tela de computador com suporte de mesa, acima se transforma em um livro aberto com sequência de letras soltas no ar que formam as palavras: “notícias biblioteca”. Ao centro da imagem da silhueta branca, em letras roxas o texto: “Quer mais notícias? Clique aqui”.
FIM DA DESCRIÇÃO
Quando a imagem é usada como link, é necessário ter cuidado para que ela possa repassar a função do link. Por esse motivo, uma imagem ilustrativa utilizada para informar a função do link não é a melhor opção a se fazer, pois ao descrever a imagem como ela realmente é (alt=“sobre um fundo roxo, em cor branca, a silhueta de uma tela de computador com suporte de mesa, acima se transforma em um livro aberto com sequência de letras soltas no ar que formam as palavras: “notícias biblioteca”. Ao centro da imagem da silhueta branca, em letras roxas o texto: “Quer mais notícias clique aqui”), seria um texto longo para representar um link. Como o essencial, nesse caso da imagem, é o link, o importante é fornecer sua função (alt=“Visualizar todas as notícias da Biblioteca Central.”).
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FIGURA 19: Imagem usada como link na área de notícias no website BC/UFPA. Fonte: Website BC/UFPA (2019).
DESCRIÇÃO DA FIGURA 19
Captura de tela (print) colorida da área de notícias da homepage do website da BC/UFPA. Encarte. Sobre um fundo roxo, à esquerda, fotografia colorida da plenária de um auditório, a foto possui borda branca e ao centro da imagem o texto: “Biblioteca Central promove Sétima Atividade do PCCU Sobre Normalização de Trabalhos Acadêmicos - 25 de setembro de 2019. Foi realizada nesta quarta-feira 25 de setembro de 2019, no Espaço Amazônia da Biblioteca Central da UFPA a sétima atividade ... “. No canto direito da imagem: sobre um fundo roxo, em cor branca, a silhueta de uma tela de computador com suporte de mesa, acima se transforma em um livro aberto com sequência de letras soltas no ar que formam as palavras: “notícias biblioteca”. Ao centro da imagem da silhueta branca, em letras roxas o texto: “Quer mais notícias clique aqui”.
FIM DA DESCRIÇÃO
O validador automático identificou como a quarta imagem com link vazio a mesma da Figura 15 da logomarca do SIBI e da logomarca e nome da Biblioteca Central Prof. Dr. Clodoaldo Beckman, contudo, está com o atributo display: none que oculta a div da imagem. Por isso essa imagem não é mostrada nos dispositivos de saída. De acordo com WebAIM (2014, não paginado, tradução livre) tanto o display: none; ou visibility: hidden; “são estilos que ocultam o conteúdo de todos os usuários, o texto é removido do fluxo visual da página e é ignorado pelos leitores de tela”.
A alternativa em texto para imagens é algo que depende da interpretação de cada pessoa. Mas alguns requisitos são importantes para serem analisados ao se decidir por um alt, tais como: seja preciso e equivalente; sucinto; não seja redundante; não use as frases “imagem de...”, ou “gráfico de ...” para descrever a imagem; o texto alternativo depende muito do contexto da imagem; o texto deve apresentar o conteúdo e a função das imagens (WEBAIM, 2019a).
A seguir os significados do erro relacionado às etiquetas.
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ERRO: 10 etiquetas de formulário ausentes
O que significa: Um controle de formulário não possui um rótulo correspondente.
Por que isso importa: Se um controle de formulário não tiver um rótulo de texto associado adequadamente, a função ou a finalidade desse controle de formulário poderá não ser apresentada aos usuários do leitor de tela. Os rótulos de formulário também fornecem descrições visíveis e destinos clicáveis maiores para controles de formulário.
O que fazer: Se um rótulo de texto para um controle de formulário estiver visível, use o elemento