Navegando por Autor "KAMBEBA, Marcia"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Os Omágua/Kambeba: narrativas, dispositivo colonial e territorialidades na Pan-Amazônia contemporânea(Universidade Federal do Pará, 2024-12-19) KAMBEBA, Marcia; NEVES, Ivânia dos Santos; http://lattes.cnpq.br/2648132192179863; OLSCHEWSKI, Elvira Belaunde; MACHADO, Ananda; LUCIANO, Gersem José dos Santos; TAVARES, Maria Lucilena Gonzaga Costa; http://lattes.cnpq.br/2452943059817065; http://lattes.cnpq.br/1012133793187374; http://lattes.cnpq.br/1021166118431706; http://lattes.cnpq.br/9432855899972772; http://lattes.cnpq.br/7211811266353518; https://orcid.org/0000000000000000000; https://orcid.org/0000-0002-3363-2587; https://orcid.org/0000000000000000000; https://orcid.org/0000000000000000000; https://orcid.org/0000-0003-2093-3388Esta tese investiga, a partir dos estudos do discurso, as experiências históricas e contemporâneas dos Omágua/Kambeba na Pan-Amazônia. Atualmente, vivem em terras indígenas espraiadas nos territórios de três países: Brasil, Peru e Equador. Propomos para essa tese uma metodologia chamada Kuara Açu que significa “grande caminho”. O nome “Kuara Açú” já carrega uma conotação de sabedoria ancestral e de um percurso importante, pois essa metodologia é uma forma de reconhecer e incorporar esses conhecimentos no processo científico, dando-lhes a mesma importância que às metodologias ocidentais. As pesquisas apresentadas envolveram extensos levantamentos de referências bibliográficas, de sites e de documentos eletrônicos e a realização de duas etapas de trabalho de campo. Consideramos a obra de Samuel Fritz e de naturalistas e viajantes que estabeleceram contato com os Omágua/Kambeba como uma das fontes para a construção de Kuara Açú. Realizamos duas etapas de trabalho de campo nos anos de 2022 e 2023. Em nossa primeira ida ao campo, na cidade de Nauta, no Peru, os Omágua da região desconheciam a existência de seus parentes no Brasil e nós ainda sabíamos muito pouco sobre a realidade peruana. Em função das condições políticas no Equador no período da pesquisa, não conseguimos chegar até lá. A riqueza de narrativas orais, arquiteturas, pinturas, fotografias, vídeos, roupas, materialidades registradas durante as interações do trabalho de campo, compõe a outra significativa fonte do arquivo de materialidades que analisamos nessa tese para desenhar o grande caminho. As análises comprometidas em visibilizar a pluralidade da história e a versão Omágua/Kambeba sobre a submissão aos governos das línguas impostos no Brasil e no Peru, abordam como o dispositivo colonial (NEVES, 2009, 20215, 2022) e suas potentes estratégias moldaram as relações de poder e território, resultando em processos de separação, silenciamento, resistência e adaptação por parte dos Omágua/Kambeba. Elas procuram mostrar a complexidade das territorialidades Omágua/Kambeba, considerando as interações com outros povos indígenas, o Estado e o mercado global e as estratégias adotadas por este povo para preservar sua identidade e reivindicar seus direitos territoriais em um contexto marcado pela expansão econômica e mudanças climáticas. Apresentamos as histórias entrelaçadas do povo Omágua/Kambeba, cujas trajetórias foram delineadas por distintos contextos coloniais, mas que, apesar dessas diferenças, permanecem profundamente conectadas por um território amazônico compartilhado. Para pensar o território como lugar de vivência, tomamos como aporte as formulações do geógrafo Rogério Haesbaert (2009). Ao examinar as narrativas, práticas culturais e processos de resistência desses povos, a tese explora como as influências coloniais brasileiras e peruanas impactaram suas identidades e territorialidades, mas também como os Omágua/Kambeba têm continuamente renegociado essas influências, fortalecendo suas conexões por meio de uma memória coletiva que ultrapassa fronteiras.
