Teses em Antropologia (Doutorado) - PPGA/IFCH
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/7137
O Doutorado em Antropologia está inserido no Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA), da Universidade Federal do Pará. É um curso ministrado sobre a responsabilidade do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFPA.
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Navegando Teses em Antropologia (Doutorado) - PPGA/IFCH por CNPq "CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Agrobiodiversidade Tentehar na Aldeia Olho D’Água, Maranhão: trajetórias, saberes e práticas(Universidade Federal do Pará, 2023-09-08) FELIX, Neusani Oliveira Ives; BARROS, Flávio Bezerra; http://lattes.cnpq.br/4706140805254262; https://orcid.org/0000-0002-6155-0511Nesta pesquisa abordei o tema da agrobiodiversidade entre os Tentehar da Aldeia Olho D’Água, TI Bacurizinho, estado do Maranhão. A agrobiodiversidade, no contexto desse estudo, é compreendida como a parte da biodiversidade que agrega variedades agrícolas e recursos genéticos, processos socioculturais, saberes associados às plantas, aos animais manejados e caçados para fins alimentares. Os caminhos metodológicos inseriram a observação participante, o controle de impressões, a memória coletiva, as narrativas orais, as entrevistas semiestruturadas e abertas, com 13 mulheres e 11 homens, o questionário e o caderno de campo. Essas estratégias foram fundamentais para a construção de uma etnografia atenta e alinhavada com base nas dimensões científicas, sociais e políticas para uma condução exitosa da pesquisa partindo de uma relação dialógica entre a pesquisadora e os interlocutores. Os agricultores reconhecem ou cultivam um imenso e rico conjunto de etnovariedades de plantas alimentícias de todo tipo. Nos quintais, além dos cultivares, se mantém a criação de animais, como porco, bode, galinha, angolista, pato, peru, codorna. Das matas se obtêm as caças tão importantes para a cultura alimentar dos Tentehar, dentre os quais, tatu, peba, veado catingueiro, veado mateiro, caititu, cutia, quati mundé, jacu, juriti, lambu, etc. A relação entre as práticas agrícolas, de roças e de quintais, as caças vindas das matas, e o conjunto da agrobiodiversidade se insere no debate sobre a soberania e segurança alimentar e nutricional e confere traços de singularidades na cultura alimentar Tentehar. A agrobiodiversidade se constitui o fio que entrelaça as relações do agricultor com o manejo das roças, dos quintais e com as caças, remetendo ao sentido de trajetórias, identidade e autenticidade, em que relações interespécies, regras, interdições e proibições são estabelecidas. Como guardiões da agrobiodiversidade, os agricultores Tentehar resistem com seus roçados, cultivando, multiplicando e trocando sementes com parentes e vizinhos. Nos quintais realizam experimentações com animais e plantas, e produzem mudas de cultivares que circulam entre si, em um sistema de conservação de recursos genéticos, in situ/on farm. Na prática da caça estão presentes os saberes ancestrais, as táticas empregadas para a captura dos animais, as armas, as armadilhas, as situações de convívio interespécies permeadas pela ambivalência entre matar a caça para se alimentar e o medo da represália vinda dos piwáras. Portanto, os dados da pesquisa apontam que o lugar da agrobioversidade na vida Tentehar é o lugar da resiliência e resistência, que se relaciona fortemente com a reprodução material e simbólica das famílias, assim como guarda enorme significado na manutenção dos modos de vida Tentehar.Tese Acesso aberto (Open Access) Caminhos de gênero nas feras de Bissau: resiliência e desafios de mulheres guineenses em contextos de vulnerabilidade diante dos impactos sociais e econômicos da COVID-19(Universidade Federal do Pará, 2024-04-24) GOMES, Peti Mama; BELTRÃO, Jane Felipe; http://lattes.cnpq.br/6647582671406048; https://orcid.org/0000-0003-2113-043XNa Guiné-Bissau, as feras - palavra do Crioulo para “feiras” - exercem um significativo papel na vida econômica, social e cultural do país. São locais de intensas atividades de compra e venda de mercadorias, e também englobam questões de emancipação feminina, pontos de encontro e reencontros, narrativas históricas, vivências e experiências compartilhadas. Sendo assim, configuram-se como espaços públicos plurais e privilegiados desde um ponto de vista etnográfico, onde uma série de relações socioculturais complexas se desenvolvem. Nesse contexto, a presente tese tem como objetivo compreender, por meio de uma perspectiva antropológica-feminina, a dinâmica socioeconômica de mulheres guineenses, que ora como bideras (vendedoras de feira oficiais), fassiduris di bida (mulheres que fazem a vida vendendo), ora como sumiaduris (vendedoras que têm hortas) e bindiduris (vendedoras no geral), estão em movimento com mercadorias desempenhando papéis ativos nas três principais feras locais: Bande, Caracol e Bairro Militar, todas na cidade de Bissau, capital da Guiné-Bissau, antes, durante e após a pandemia. O estudo é resultado de uma pesquisa de natureza etnográfica, cujo processo metodológico combinou pesquisa etnográfica online e trabalho de campo presencial. Para isso, utilizaram-se narrativas orais provenientes de plataformas digitais, como redes sociais, através de mensagens e áudios compartilhados com mindjeris di fera (mulheres de feira). Durante o período de pesquisa, os principais métodos de trabalho etnográfico incluíram conversas informais, transcrição e análise posterior dos dados. Essas últimas etapas ocorreram na cidade de Bissau, com o foco nas bideras e fassiduris di bida. A análise centrou-se na problematização das relações de gênero e trabalho e como elas foram afetadas pela pandemia. Os resultados indicam que as minhas interlocutoras de pesquisa são responsáveis pela organização de uma grande parte da subsistência material e simbólica no país, coisa que foi evidenciada e acentuada durante a emergência da pandemia de COVID-19.Tese Acesso aberto (Open Access) De colonialismos e memórias sitiadas: história, antropofagia e tecnologia bélica nas guerras guianenses(Universidade Federal do Pará, 2023-05-09) BATISTA, Ramiro Esdras Carneiro; BELTRÃO, Jane Felipe; http://lattes.cnpq.br/6647582671406048; https://orcid.org/0000-0003-2113-043XEste estudo constitui-se no exercício de documentação, tradução e interpretação das narrativas de guerra de quatro povos habitantes do Baixo rio Oiapoque. Por meio de métodos etnográficos, mnemônicos e narrativos o texto discorre sobre o tema da colonização que sulca a história da invasão de um Caribe periférico, situado à região do Oiapoque. Considerando que a produção de uma história Afro e Indígena apresenta-se, em muitos casos, como uma história de impossibilidades, dada a dificuldade teórica e metodológica das Ciências Sociais em lidar com um passado caracterizado pela ausência de registros escritos, pressupõe-se que as possibilidades de produção da História Étnica, narrada nos próprios termos, estão diretamente relacionadas ao conhecimento e tradução da memória originária. Na produção acadêmica é comum o exercício de reinterpretação e/ou correção da memória coletiva a partir da produção historiográfica, mas os dados desta pesquisa propõe uma pergunta invertida: as memórias afro e indígenas podem auxiliar na correção e/ou complementação dos cânones historiográficos? Perseguindo a questão, este estudo procura identificar e traduzir aspectos constantes das memórias de pessoas etnicamente diferenciadas marcadas pelo advento da Colônia, em que guerra, exercício de alteridade, aliança Inter étnica e violação/recomposição de direitos territoriais parecem fazer parte de uma mesma dinâmica. A tradução das narrativas de guerra desses quatro povos converge no sentido de propor a invasão colonial como um dos marcos fundantes da historicidade afro e indígena. Neste sentido, constata que a colonização perpetrada por diferentes povos e agências europeias à região das guianas – colonialismos que prevalecem de distintas maneiras no presente – constitui-se como o fio enredador que permite não só recompor, como entrecruzar as Memórias e Histórias recentes e remotas dos povos e narradores alcançados, desvelando, finalmente, como cada grupo étnico representa e compreende as hierarquias, alianças e dissonâncias constantes do mundo neocolonial.Tese Acesso aberto (Open Access) Entre cacos e flores: apropriações, usos e significados dos vestígios arqueológicos pelos moradores do sítio Macurany, Parintins, Amazonas(Universidade Federal do Pará, 2022-08-31) BIANCHEZZI, Clarice; ALMEIDA, Marcia Bezerra de; http://lattes.cnpq.br/1085631337892211Esta pesquisa buscou compreender as apropriações, usos e significados atribuídos aos vestígios arqueológicos pelas pessoas que moram sobre e no entorno do sítio arqueológico localizado na comunidade do Macurany, em Parintins, estado do Amazonas. Apresento as narrativas das pessoas do Macurany sobre os vestígios arqueológicos, sua pluralidade de interações estabelecidas com a Terra Preta de Índio (TPI), as castanheiras, a paisagem, com o intangível – visagens, assombros, encantados e outros habitantes que podem tomar conta do corpo físico e espiritual das pessoas – e que no Macurany também estão vinculadas com a materialidade arqueológica. Destaco os desafios da gestão do patrimônio arqueológico na Amazônia, no município de Parintins e no Macurany, a partir da realidade das coleções domésticas de material arqueológico no Macurany e em Parintins. As reflexões aqui trazidas intencionam contribuir com a gestão do patrimônio arqueológico na Amazônia e a compreender melhor as relações das gentes amazônicas com os vestígios de ocupação ancestral. No emaranhado de cultivares agrícolas, flores e cacos arqueológicos, foi possível reconhecer afetos e os sentimentos de pertencimentos das pessoas ao lugar e suas marcas; as coisas do passado e do presente na comunidade de Macurany.Tese Acesso aberto (Open Access) Entre o passado e o contemporâneo: o Mercedários UFPA e o fazer arqueológico e antropológico em uma capital amazônica(Universidade Federal do Pará, 2024-07-05) GONÇALVES, Ana Paula Claudino; COSTA, Diogo Menezes; http://lattes.cnpq.br/3938588690473816; https://orcid.org/0000-0003-4220-8232A pesquisa discorre sobre o Edifício dos Mercedários do ponto de vista da arqueologia e antropologia urbana nos centros históricos. Por meio de entrevistas com o público externo, dos arredores do prédio, e os frequentadores do Mercedários UFPA são abordados aspectos do cotidiano das pessoas com esse espaço na contemporaneidade, como seus elementos arquitetônicos e seus diferentes usos influenciam no modo como ele é lido e, embora tratar-se de um superartefato, e na maioria das vezes, não ser notado. Para a investigação arqueológica foi utilizada a metodologia geofísica, seguida pelo acompanhamento das obras que ocorriam no espaço e análise do material recolhido, evidenciando vestígios da cultura material escondida no subsolo do edifício, de modo a gerar novas possibilidades de estudo para a história da cidade e seus habitantes. Atualmente o prédio é um dos campus da UFPA, onde funcionam o Curso de Graduação em Conservação e Restauro e o Programa de Pós-Graduação em Ciências do Patrimônio. No século XVII foi fundado como um convento da Ordem dos Mercedários, a partir do final do século XVIII passou a funcionar como Alfândega de Belém, abrigando concomitantemente e posteriormente, entre outras instituições. Seus quase 400 anos nos contam sobre a biografia desse objeto e histórias da interação das pessoas hoje com o espaço, além do fazer arqueológico em uma capital da Amazônia.Tese Acesso aberto (Open Access) O fazer arqueológico no trabalho de campo em um sítio na Campina, Centro Histórico de Belém – pessoas, paisagem e cultura material(Universidade Federal do Pará, 2023-10-13) GOMES, Raimundo Ney da Cruz; ALVES, Daiana Travassos; http://lattes.cnpq.br/1052501030312328; https://orcid.org/0000-0003-0943-3200Esta tese, apresentada em três artigos, busca relacionar pessoas, paisagens e cultura material, três conceitos muito caros, seja a antropologia que a arqueologia. As junções e disjunções entre os três objetos, ensejo para produzir história, são trazidas pelo fazer arqueológico na escavação de um casarão localizado no centro histórico de Belém, no Pará, que foi registrado a partir desta pesquisa como sítio Sesc Ver-o-Peso. A tese aqui defendida é a de que, no centro histórico de Belém, pessoas, paisagem e cultura material, realizam complexos intercâmbios e entrecruzamentos, que contam histórias. E que essas histórias podem ser escritas por meio da investigação arqueológica e antropológica em sua interface com a problematização da ideia de patrimônio cultural. Essa é a tese que costurará os artigos que compõe este trabalho final de doutorado.Tese Acesso aberto (Open Access) Identidade étnica, formas de enquadramento institucional, modos de fazer e práticas de uso dos ribeirinhos amazônidas: o caso do Assentamento Quilombola na Ilha de Campompema, Abaetetuba, Pará(Universidade Federal do Pará, 2023-09-19) PEREIRA, Rosenildo da Costa; O`DWYER, Eliane Cantarino; http://lattes.cnpq.br/7254906067108841; https://orcid.org/0000-0003-0523-188XEste texto de tese analisa a partir de uma abordagem etnográfica como modos de conhecimento são mobilizados por grupos domésticos no contexto do território de comunidades tradicionais da Amazônia. O lócus em que a pesquisa foi desenvolvida trata-se do assentamento quilombola São João Batista, situado na cidade de Abaetetuba, Estado do Pará. A partir de um estudo etnográfico, descrevo tecnicamente como os modos de conhecimento do confeccionar o matapi e do seu respectivo uso são mobilizados pelos moradores locais, bem como, trago para o debate os modos de conhecimento da carpintaria naval artesanal construídos na dinâmica do território em estudo. Traço como objetivos principais: Fazer uma pesquisa etnográfica na comunidade, descrevendo modos de conhecimento transmitidos e mobilizados/utilizados/construídos na relação com o território ocupado até o res pectivo reconhecimento de terras tradicionalmente ocupadas, cujos saberes foram sendo reajustados ao longo dos anos anos; analisar como se dá o processo de fabricação do matapi pelos sujeitos ribeirinhos locais a partir da antropologia da técnica, descrevendo etnograficamente os processos de conhecimento envolvidos e etapas de produção; fazer uma análise das formas de uso do instrumento matapi pelos moradores do território local, descrevendo todo o processo com o trabalho de pesca com tal apetrecho; e abordar, da mesma forma, o conhecimento da carpintaria naval local. A análise situacional aponta para um conjunto de saberes e conhecimentos mobilizados pelos moradores dentro do/no território referenciados, sobretudo e de forma particular, à carpintaria naval artesanal e à confecção e uso da armadilha matapi, em uma perspectiva da antropologia da técnica.Tese Acesso aberto (Open Access) Peixe frito, Santos e Batuques: Bruno de Menezes em experiências etnográficas(Universidade Federal do Pará, 2018-04-06) WANZELER, Rodrigo de Souza; PACHECO, Agenor Sarraf; http://lattes.cnpq.br/5839293025434267Nesta tese empreendo um estudo que intenta, primordialmente, apresentar uma outra chave de leitura para a produção intelectual de Bruno de Menezes (1893-1963), o qual obteve destaque no cenário cultural amazônico como um grande literato. Assim, procuro reconstituir importantes aspectos de sua trajetória de vida, destaco representações do cotidiano da cidade de Belém advindas de suas experiências sociopolíticas e focalizo a diversidade e a pluralidade de vozes, provenientes da interculturalidade latente na Belém da primeira metade do século XX. Neste exercício, exploro o viés etnográfico em algumas de suas principais composições, linha interpretativa escolhida para ressignificar os estudos sobre o literato negro. Para alcançar o objetivo central da investigação, em outras palavras, a tese que costura o trabalho, algumas questões fizeram-se norte: Que experiências etnográficas conformam as trajetórias de vida de Bruno de Menezes? Como o intelectual percebia a si e aos outros em suas escrituras? Em que condições e circuitos o literato realizou pesquisas e produziu escritos sobre a dinâmica cultural em cenários paraenses da Amazônia? Por fim, qual a importância de Bruno enquanto um pensador social para o contexto amazônico na primeira metade do século XX? A formulação e compreensão destas questões estão ancoradas no cruzamento teórico-metodológico de um saber-fazer etnográfico que se alinhava nas conexões da Antropologia com a Literatura e o Folclore, os Estudos Culturais, Pós-Coloniais e a História Oral e se verticaliza num campo em que obras literárias, pesquisas de cunho folclórico, fotografias e relatos orais reconstituem evidências de e sobre o escritor em tela. Frente ao exposto, divido o texto acadêmico em duas partes: na primeira, trato dos vários percursos traçados por Bruno ao longo de sua existência e enfatizo as redes estabelecidas, as quais contribuíram para a formação de seu fazer-se e repertório crítico. Na segunda parte, abordo três produções de Bruno de Menezes – Boi Bumba: auto popular; São Benedito da Praia: Folclore do Ver-o-Peso e Batuque. A intenção é reconstituir e analisar a experiência etnográfica dessas composições literárias e ousar incluir o negro jurunense no rol dos grandes pensadores acerca da cultura na Amazônia, indo, dessa forma, para além do aspecto literário, faceta pela qual Bruno é deveras reconhecido. Assim, penso que a partir de todo cabedal epistemológico no qual a tese se ampara, outro Bruno de Menezes é descortinado, o esteta da palavra é também um etnógrafo da Amazônia paraense.Tese Acesso aberto (Open Access) "Póngase las plumas" - A decolonialidade no sistema das artes visuais contemporâneas pelas perspectivas de gênero e corpos dissidentes: complexidades e contradições entre Brasil, Colômbia e Peru(Universidade Federal do Pará, 2024-08-30) VIVIANI, Maria Cristina Simões; GONTIJO, Fabiano de Souza; http://lattes.cnpq.br/7539767705260462O conceito de decolonialidade tem sido agenciado com frequência pelo sistema das artes visuais contemporâneas. O termo proposto pelo Grupo Modernidade/Colonialidade é utilizado principalmente para apontar curadorias com a presença de artistas dissidentes - indígenas, negras, queer e periféricas. Contudo, o campo realizado entre Brasil, Colômbia e Peru indicou que a “decolonialidade” foi apropriada pelo campo das artes, tornando-se um termo nativo das instituições do circuito artístico. A capitalização do conceito pelo mercado das artes resultou em uma abordagem exclusivamente a partir das identidades que apenas se refere à presença de produções de artistas não hegemônicas, sem as devidas transformações que a decolonialidade deveria acarretar a nível estrutural. Sendo assim, agentes das artes acusam de terem suas identidades, antes marginalizadas, agora instrumentalizadas pelo sistema das artes. Diante de tal problemática, a pesquisa investigou o circuito das artes dos três países a partir de entrevistas com artistas, curadoras e galeristas mulheres (cis e transgênero), não bináries e homens transgênero. Considerando o sistema das artes uma estrutura porosa, formado por uma rede de relações de poder entre agentes, instituições e obras de arte, buscou-se evidenciar as complexidades e contradições inerentes a tal campo pela perspectiva de gênero e corpos dissidentes. A conexão territorial, demarcada pela tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, marca também a perspectiva hegemônica do Norte Global sobre suas produções artísticas. Dinâmicas de hierarquizações de poder se repetem em um modelo colonial replicado nas instituições de artes dos três países. Os conflitos e disputas de quem decide o que é arte, quem vende arte e quem consome arte, revelam que a perspectiva decolonial está mais voltada ao discurso do que à prática no circuito artístico. O avanço da decolonialidade propiciada pela pressão social por aumento da representatividade de grupos minoritários em espaços de poder, juntamente com produção acadêmica de alto impacto sobre decolonialidade e a demanda mercadológica, gerou a busca pelas identidades dissidentes que vive hoje o sistema das artes do Sul Global. As limitações sobre as produções das artistas demarcadas pela alteridade a partir da perspectiva hegemônica expõem a necessidade de novas estratégias para, de fato, decolonizar o sistema artístico. A essencialização das identidades e a leitura reducionista como esses corpos e produções são absorvidos pelo sistema das artes indicam que há uma percepção simplista sobre vivências complexas. O questionamento e a resistência das agentes das artes apontam para a necessidade de uma reparação histórica em que as produções sejam localizadas e o sujeito “universal” seja contestado. Assim, as produções dessas agentes determinam por uma descentralização da rigidez imposta sobre as identidades dissidentes, permitindo um esgarçamento do imaginário sobre seus corpos e experiências.Tese Acesso aberto (Open Access) Pontos de memória: de Política Cultural a Museus em periferias.(Universidade Federal do Pará, 2021-11-05) ALCÂNTARA, Camila de Fátima Simão de Moura; GODOY, Renata de; http://lattes.cnpq.br/5173744417832044; https://orcid.org/0000-0002-8138-8670A seguinte tese apresenta uma pesquisa etnografica sobre as iniciativas comunitarias de Pontos de Memoria que participaram de um processo democratico para a construcao de uma politica publica cultural no Brasil, pautada na museologia social. O objetivo deste estudo e compreender os (re)arranjos politicos e sociais que as doze iniciativas autodenominadas de “pioneiras” fazem para manter seus processos museais nas periferias brasileiras. Territorios marcados pela privacao e abandono de politicas publicas efetivas, onde ha proliferacao de todo tipo de violencia com o lugar e com a sua gente. As reflexoes sobre o objeto da pesquisa deram-se por meio da Antropologia dos Museus que forneceu uma interpretacao dos processos museais em contato com a percepcao das representatividades dos Pontos de Memoria pioneiros sobre as suas realidades nos seus lugares de existencia. Organizada em cinco capitulos, a tese traz uma discussao sobre museus em processos que se servem das realidades e solucoes criativas nos espacos urbanos perifericos para registrar a memoria social e salvaguardar o patrimonio cultural dos diversos grupos sociais que vivem nesses territorios. Apresentando as principais diretrizes de politicas publicas voltadas para museus que incentivaram esses grupos a criarem os seus processos museais. As iniciativas dos pontos pioneiros sao revisitadas a partir de uma visao privilegiada do Ponto de Memoria da Terra Firme, em Belem do Para, em que considerou os movimentos em comunidade para defender o desenvolvimento territorial, social, cultural e politico das comunidades que representam. Nesta pesquisa etnografica compreendo que os Pontos de Memoria pioneiros sao museus em processos formados por sujeitos diversos que se enriquecem como comunidades, ao desenvolverem pensamento critico sobre suas realidades e organizarem acoes coletivas transformadoras nas cidades onde acontecem, a partir das forcas ativas da memoria. Esses processos museais ganham vida no interior das comunidades as fortalecendo como sujeitos que criam, recriam e decidem sobre suas realidades.
