Navegando por CNPq "CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS::LITERATURA COMPARADA"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) A presença inglesa no Brasil e sua influência nas obras de escritores brasileiros do século XIX(Universidade Federal do Pará, 2005-08-31) PEREIRA, Rosamaria Reo; SALES, Germana Maria Araújo; http://lattes.cnpq.br/8723885160615840Esta dissertação tem por objetivo investigar a presença dos escritores ingleses nas obras de escritores brasileiros do século XIX. Os romancistas ingleses que se destacaram na Inglaterra do século XVIII foram Daniel Defoe, Samuel Richardson e Henry Fielding. Eles contribuíram para ascensão e consolidação do romance como gênero literário. No Brasil, o romance desenvolveu-se com maior liberdade e atraiu o público leitor. O novo público começa a ler romances que recriavam a cidade, as ruas e a vida de uma classe social emergente: a burguesia. O novo gênero que surgiu na Inglaterra promoveu o crescimento do comércio, a proliferação de revistas e jornais, de cunho popular e literário. Os escritores brasileiros como José de Alencar e Machado de Assis sofreram influências dos escritores ingleses, no entanto, essa influência não foi refletida somente nos romances desses escritores, foi sentida também nos negócios, na cultura e na vida social do Brasil. Alguns exemplos dessa presença são igualmente revelados nas obras de Machado de Assis por meio das citações, das referências e das alusões. Machado de Assis, sempre quando possível, faz referências aos escritores ingleses tanto dos séculos XVI e XVIII quanto do século XIX, tais como Shakespeare, Swift, Fielding. Sterne, Lamb e Dickens entre outros romancistas ingleses.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A crise da palavra no centro do drama: uma leitura de Eu sei que vou te amar de Arnaldo Jabor(Universidade Federal do Pará, 2012) MATOS, Bruno Sérvulo da Silva; MARTINS, Benedita Afonso; http://lattes.cnpq.br/6379814397024971A literatura e o cinema constituem dois campos de produção sígnica distintos cuja relação pode se tornar possível em razão da visualidade presente nas duas linguagens. Não é de hoje que o cinema se utiliza de outras linguagens e/ou outros signos para a construção, reconstrução, criação e recriação fílmica, provocando, dessa forma, o aparecimento de uma matéria híbrida. Porém, na atualidade, esse processo de influências/trocas também ocorre de forma contrária: se antes o cinema se valia da literatura como hipotexto, desta vez, a literatura pode valer-se do cinema para sua criação narrativo-verbal. O corpus de análise será o filme e romance homônimo EU SEI QUE VOU TE AMAR do cineasta, escritor, jornalista e crítico Arnaldo Jabor cujas obras exploram a linguagem cinematográfica de forma artística e também consegue, ao mesmo tempo, desenvolver seu cunho literário-poético, demonstrando assim, que a literatura pode sofrer influência do cinema. Os referenciais para análise se inserem nos estudos semiológicos que perpassam a teoria literária e fílmica. Far-se-á, portanto, análises das linguagens (literária e fílmica) empregadas pelo diretor/escritor e seu produto artístico final.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O erotismo revisitado na poética de Herberto Helder(Universidade Federal do Pará, 2015-03-02) FERNANDEZ, Rafaella Diaz; LEAL, Izabela Guimarães Guerra; http://lattes.cnpq.br/2507019514021007A obra de Herberto Helder é muito vasta e inclui trabalhos de poesia e tradução. Nota-se que na sua escrita há uma relação íntima entre as duas, tanto a poesia como a tradução surgem com uma potência erótica que será fundamental para a criação herbertiana. A tradução está intrinsecamente relacionada à criação, o próprio modo peculiar de o poeta nomear esse trabalho “poemas mudados para português” revela isso. A poesia e a tradução também instauram uma violência contra a linguagem, as duas deformam a língua, tirando-a do lugar-comum do sentido e aplicando a potência do vazio sobre ela. A desconstrução do sentido da palavra é o que possibilita a criação poética. A escrita de Herberto Helder é relacionada ao corpo e as imagens dos órgãos sexuais, do sangue, do sêmen e da saliva apontam para o corpo deformado, pensado agora em partes energéticas e é da deformação do corpo que surge o buraco para o fazer poético. Busca-se pensar na importância do erotismo como vetor de construção poética. Nesse sentido, as reflexões de Georges Bataille serão importantíssimas para nortear o erotismo e o relacionar à obra de Herberto Helder. Desta forma, a hipótese que se lança é de que o erotismo impõe uma violência contra a palavra e o corpo necessária para o trabalho de criação. Nesse sentido, nossa busca será pela presença do erotismo na poesia e na tradução de Herberto Helder, privilegiando os textos onde se encontra a imagem da criação.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Escritas que convergem: a ressonância poética entre Haroldo de Campos e Herberto Helder(Universidade Federal do Pará, 2015-02-02) GUIMARÃES, Geovanna Marcela da Silva; LEAL, Izabela Guimarães Guerra; http://lattes.cnpq.br/2507019514021007O objetivo deste trabalho é demonstrar como as escritas de Haroldo de Campos e Herberto Helder convergem e ressoam entre si tanto historicamente quanto poeticamente. A convergência histórica entre Haroldo de Campos e Herberto Helder dá-se, mais precisamente, nos contextos históricos da Poesia Concreta Brasileira e da Poesia Experimental Portuguesa, entre os anos 50, 60 e 70. Nesse contexto, são referências importantes as revistas Poesia Experimental: 1º caderno antológico (1964), Poesia Experimental: 2º caderno antológico (1966) e o livro Antologia da Poesia Concreta em Portugal (1977), que possuem poemas publicados tanto de Haroldo de Campos – um fragmento do livro Galáxias (1984), “começo aqui” –, quanto de Herberto Helder – o poema “Ascenção dos Hipopótamos ” e um fragmento do livro A máquina de emaranhar paisagens (1963). A partir desse recorte, tomaremos como objetos de análise os livros Galáxias, de Haroldo de Campos, e A máquina de emaranhar paisagens, de Herberto Helder. A escrita do primeiro fragmento de Galáxias data de 1963, que é o mesmo ano da publicação de A máquina de emaranhar paisagens. Já a convergência poética ocorre na relação entre Tradução e Antropofagia, concebidas como processos equivalentes de apropriação e devoração do outro, presente nas obras poéticas e tradutórias de ambos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A fissão no paradigma distópico: 1984 e Verde vagomundo(Universidade Federal do Pará, 2018-10-11) COSTA, Alline Araújo; SARMENTO-PANTOJA, Tânia Maria Pereira; http://lattes.cnpq.br/3707451019100958A dissertação analisa, em primeiro momento, o contexto catastrófico e dramático identificado nas narrativas, as formas representativas dos apelos aos contextos históricos que essas têm manifestado. Desta maneira, as referidas produções literárias separadas para análise são Nineteen Eighty-Four (1949), de George Orwell, ambientada em Londres e Verde Vagomundo, de Benedicto Monteiro, ambientada em Alenquer. As obras mantem a memória de episódios marcantes na história do mundo, como a II Guerra Mundial e a Guerra Fria, e mais próximo da realidade nacional, do Brasil, com a Ditadura Militar de 64. Deste modo, Miguel, o tal afilhado-do-diabo, é apresentado como resistente a qualquer tipo de sistema autoritário, ademais, às imposições ditatoriais que alcançara sua pacata cidade rodeada de rios e florestas amazônicas, percebe-se, então, que as memórias de infância contribuem de modo crucial para a postura de resistência adotada pelos protagonistas. Winston, por sua vez, tem constantes flesh’s de memória e sensações de uma Londres diferente da que está vivenciando. Conseguinte a esse pequeno panorama das obras, veremos neste texto o estado de exceção como estrutura distópica da narrativa, condição social essa que pressiona os personagens a se silenciarem diante da repressão e de suas inconformações. Deste modo, é preciso dizer, desde então, que a análise é comparativa no âmbito da infância e da produção de resistência a partir das memórias dos dois personagens, dentro de suas particularidades. Por esse motivo, abordaremos alguns temas que consideramos pertinentes para a pesquisa, tais temas estão presentes no mote de abordagem propostas por Walter Benjamin; Giorgio Agamben; Michel Foucault; Aleda Assmann; Roberto Esposito; Alfredo Bosi, entre outros. Temas como: Memória; Docilização; Silenciamento; Homem Matável.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A melancolia como provocação à resistência em Tristessa e Nove noites(Universidade Federal do Pará, 2014-03-31) MARTINS FILHO, Neuton Vieira; SARMENTO-PANTOJA, Tânia Maria Pereira; http://lattes.cnpq.br/3707451019100958Temos como principal objetivo nesse estudo analisar, enquanto narrativas de resistência, os romances Tristessa do escritor norte americano Jack Kerouac e Nove Noites do brasileiro Bernardo Carvalho. Partimos da hipótese que ambos constituem narrativas de resistência inerente à escrita (BOSI, 2012), quando a resistência não é tema da obra, mas manifesta-se na construção das personagens e no desenrolar da trama. Neste caso, o elemento utilizado como meio de manifestar a resistência é a melancolia. Pretendeu-se verificar por meio de um estudo de caso, como ambos os romances trabalham representações do sujeito em sua relação com a morte com base em processos melancólicos e como a melancolia se encontra ligada a uma atitude de resistência predominante na escrita. Assim, examina-se a melancolia enquanto patologia (FREUD, 2005) e elemento estético, assim como o processo da narrativa de resistência ao mesclar ética e estética. Para tanto foram considerados os contextos sociais nos quais as narrativas foram escritas, e como estes indicam que cada romance faz uma crítica social a uma força opressora contemporânea a sua publicação. Durante nosso estudo, por meio de análise comparativa, constatamos que temas com a perda, a morte, a ruína, o afastamento melancólico, a marginalização social e a transitoriedade do real são comuns aos dois romances.Tese Acesso aberto (Open Access) Necronarrativas em três romances contemporâneos brasileiros(Universidade Federal do Pará, 2021-07-30) AUTIELLO, Sheila Lopes Maués; RUSSO, Vincenzo; http://lattes.cnpq.br/4108882812232683; CASTILO, Luís Heleno Montoril del; http://lattes.cnpq.br/3519128535996125; https://orcid.org/0000-0002-2507-5346A presente tese trata da ocorrência de necronarrativas na Literatura Brasileira Contemporânea a partir dos romances Pssica (2015), de Edyr Augusto; Enterre seus mortos (2018), de Ana Paula Maia e A Morte e o Meteoro (2019), de Joca Reiners Terron. O objetivo é analisar, a partir de uma abordagem analítico-comparatista, de que modo as narrativas ficcionalizam os processos necropolíticos da sociedade brasileira, nos últimos cinco anos. A pesquisa propõe análise dos romances a partir de três eixos críticos: o primeiro, corresponde aos corpos dispensáveis, que terá como base os conceitos de vida nua, de Giorgio Agamben (2002) e de vida precária, de Judith Butler (2019); o segundo, respeita à presença predatória dos negócios ‘gore’, que se fundamenta nos estudos sobre o capitalismo ‘gore’, de Sayak Valencia (2010) e, por fim, o terceiro, que relaciona-se à recorrência da imagem do morto-vivo ou zumbi, tendo como chave de leitura os estudos de Deleuze e Guattari (2010) e de Leo Barros (2020). O estudo concentra-se na análise temática das obras, apesar de fazer breves incursões por outros elementos narrativos. Conclui-se que os romances estudados fazem parte de uma força estruturante de composição romanesca, que representa esteticamente os processos necropolíticos brasileiros, a qual denominei: necronarrativa. Portanto, entende-se que as obras analisadas, fazem parte de um trecho do romance brasileiro que está preocupado em problematizar esteticamente a vida a partir da necropolítica (MBEMBE, 2018). A caracterização das necronarrativas se dá, sobretudo, pelas representações da precarização dos corpos contemporâneos; da emergência de mercados criminosos que florescem nos grupos submetidos a condições mortíferas e da iniciação a processos simbólicos de zumbificação social. Trata-se, todavia, de um estudo que identifica uma tendência e não uma generalização.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O negro na literatura sob a perspectiva filosófico-literária de Friedrich Nietzsche e Bruno de Menezes: civilização, religião e corpo(Universidade Federal do Pará, 2011-10-26) LEAL, Julie Christie Damasceno; FERNANDES, José Guilherme dos Santos; http://lattes.cnpq.br/7023812449790431A temática do negro na literatura tem ocupado cada vez mais espaço nas discussões e debates em torno da questão da valoração da cultura negra no Brasil, especialmente no que tange a aspectos tais como o desmascaramento de determinados estereótipos há muito alicerçados, mas, acima de tudo, tem assumido particular relevância o papel da resistência negra, que ora analisamos a partir da perspectiva de um viés social, perpassando os enfoques histórico, religioso e cultural. Cada um desses enfoques adiciona uma importância diferente para a presença negra na poesia de Bruno de Menezes, nosso objeto de investigação, daí ser possível deduzir, o que acreditamos ser de fundamental importância, não nos subtrairmos a nenhuma das abordagens ressaltadas. A obra que doravante analisaremos intitula-se Batuque, do poeta supracitado, obra esta responsável por inscrever no contexto da literatura amazônica, e mais que isso, no seio da cultura de cunho nacional, um novo capítulo, isto é, uma nova perspectiva acerca da condição do negro na sociedade brasileira. Aliando-se a essas perspectivas, acrescentaremos o ponto de vista do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, como arcabouço teórico para as problematizações que pretendemos levantar no decorrer do texto. A presente pesquisa teve por objetivo investigar a influência do processo civilizador europeu versus negro e os cerceamentos (culturais/religiosos) decorrentes dessa influência, assim como as consequências negativas que incidirão sobre a perspectiva que o negro tem acerca de seu próprio corpo e lugar na cultura, muitas delas também provenientes da visão de mundo cristã que lhes foi imposta.Tese Acesso aberto (Open Access) No escuro coração do século XX: uma proposta dialética entre Eric Hobsbawm e Guimarães Rosa(Universidade Federal do Pará, 2017-10-31) TEIXEIRA, Everton Luís Farias; HOLANDA, Sílvio Augusto de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/0928175455054278Nesta Tese é proposto um estudo comparativo entre as obras de João Guimarães Rosa (1908-1967) — com destaque para o romance Grande sertão: veredas (1956) e os “cronicontos” alemães de Ave, palavra (1970) — e a historiografia de Eric Hobsbawm (1917-2012), enfeixada em Bandidos (1969) e Era dos Extremos (1994). O fio aparente que liga as produções destes dois observadores históricos do século XX é a preocupação de ambos com o homem comum em detrimento aos fatos históricos e aos espaços geográficos demarcados. O presente exame espera demonstrar como a história ocidental no século XX infiltra-se na particular inscrita desse autor brasileiro, seja pelo cosmopolitismo do terror forjado em ―O mau humor de Wotan‖, seja pelo remoto sertão caracterizado como o próprio mundo pela fala do protagonista Riobaldo. Acerca desta obra, afirma-se que esta topografia, diferente da tradição regionalista, se erige tal qual uma metonímia de todos os lugares, portanto, distante de um saudosismo sertanejo. Alguns exemplos dessa ressonância histórica abundam nesse romance, como os grandes fenômenos vivenciados no século passado: a emancipação feminina e a crítica aos modelos liberais, os quais geraram os bandidos sociais em algumas regiões do globo, e com estes um acontecimento específico na passagem do século XIX para o XX: a eclosão dos primeiros Estados-paralelos de procedência rural originada pelas catástrofes ocorridas na Europa, as quais levaram as personagens das narrativas ―A velha‖ e ―A senhora dos segredos‖ a acreditarem na ilusão de liberdade em território brasileiro. Assim, os temas da ―nova mulher‖ e dos movimentos de resistência social nas periféricas zonas do capitalismo são de grande relevância tanto para a obra rosiana, quanto para o trabalho deste intelectual britânico, pois, em ambos, a documentação histórica se constitui em algo circunstancial em que as dimensões míticas dialogam com as composições ideológicas. Tendo a ambiguidade como a tônica das relações humanas e de poder do século XX e da ficção rosiana, o jagunço ficcional ora se assemelha ao paladino robinwoodiano, arquétipo ideal do bom bandido, quanto ao criminoso comum, figura proscrita pelas leis do Estado e pela aceitação do público geral. Este trabalho analisa — com o auxílio da Estética da Recepção e das contribuições críticas de Antonio Candido (1918-2017) — o percurso traçado pelas sociedades ocidentais no breve século XX no intuito de encontrar outras formas de subexistir em meio à desintegração dos valores desenhados pelo iluminismo setecentista. Integrando essas construções estético-científicas, é possível estabelecer uma interpretação mais completa de uma das muitas faces da realidade contemporânea, época em que o globo, perplexo, observou ruir impérios e a civilidade diante da barbárie praticada em regiões, como o sertão (real ou metafórico), esquecidas pelo capitalismo e pelo desgastado poder público. Nesta dialética, por um lado, amplia-se o estudo do tema do banditismo social hobsbawmiano, acrescentando-se à sua tipologia a figura do jagunço, por outro, denota-se em Guimarães Rosa uma atitude excepcional diante da violência e da barbárie observada em um período de exceção como o nosso em que todas as escritas se configuram em cantos de sobrevivência ou réquiens da liberdade.Tese Acesso aberto (Open Access) A reconstrução histórica da cabanagem em “Lealdade” e da guerra civil moçambicana em “As Duas sombras do rio”(Universidade Federal do Pará, 2015) BARROS, Liliane Batista; PADILHA, Laura Cavalcante; http://lattes.cnpq.br/0119590982312606; SARMENTO-PANTOJA, Tânia Maria Pereira; http://lattes.cnpq.br/3707451019100958Nesta tese, pretendemos analisar comparativamente a reconstrução histórica da Cabanagem e da Guerra Civil Moçambicana nos romances Lealdade (1997), de Márcio Souza e As duas sombras do rio (2003), de João Paulo Borges Coelho. Para tanto, apresentaremos um breve percurso histórico da colonização brasileira e moçambicana, bem como o período da independência e pós-independência, além do percurso teórico sobre o romance histórico, resistência, memória, bem como a teoria sobre o espaço, nesse caso o rio, que utilizamos como ferramenta de análise. Utilizando o rio como fio condutor de nossa análise. Na obra de Borges Coelho, a análise foi feita a partir das travessias das personagens pelos rios que foram desencadeadas pela chegada da guerra civil. Fixamos nossa leitura em Leónidas Ntsato personagem que metaforiza Moçambique dividido em dois pela guerra civil e destacamos o papel do narrador neste romance. Na narrativa de Márcio Souza acompanhamos as viagens de Fernando, narrador do romance, que tem sua biografia entrelaçada aos acontecimentos que desencadearão a Cabanagem anos mais tarde. Cada um com seu estilo, os dois romancistas revisitam as agruras das duas guerras que tem como palco o Norte do Brasil e de Moçambique que são espaços periféricos desde os tempos coloniais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Vêm de Belém e vêm da Grécia! Metamorfoses: fronteiras entre narrativas orais e os mitos(Universidade Federal do Pará, 2013-02-25) ALMEIDA, Natasha de Queiroz; SIMÕES, Maria do Perpétuo Socorro Galvão; http://lattes.cnpq.br/0672011058049782A metamorfose, de acordo com Jean Chevalier e Alan Gheerbrant, é definida neste estudo como a transformação física e/ou comportamental de um ser em outro, sem a perda da identidade e ciência do primeiro ser. Esta transformação é um fenômeno recursivo em diversas mitologias e culturas. O presente trabalho tem por objetivo estabelecer, numa abordagem comparativa, as correlações e diferenças entre o tema da metamorfose recorrente nos mitos gregos relatados por Homero, em sua Odisseia, nos mitos gregos descrevidos pelo poeta latino Publius Ovidius Naso, conhecido como Ovídio, em sua obra Metamorfoses, nos cinco primeiros livros, e entre as narrativas orais que referem casos de metamorfoses ocorridos no município de Belém do Pará, inventariadas no período de 1994 a 2004. Foram consideradas as obras Odisseia e Metamorfoses por serem ambas, respectivamente, expoentes da literatura ocidental de uma Grécia dos séculos VIII a VII a.C e de uma Grécia do século I d.C retratada pelo poeta latino Ovídio, e que carregam o tema da metamorfose. Isto porque o estudo prévio ratifica a formação de índices míticos não somente nas narrativas da mitologia grega, mas também nos casos de metamorfoses oriundos de Belém. Em todo o caso, nota-se a configuração espaço-temporal como entidades que sedimentam e organizam o mundo mítico, articulando tais dimensões a representações no mundo físico-espiritual. O tema da metamorfose, contudo, é conformado de forma diferenciada, conforme o contexto histórico-cultural de cada narrativa, o que é refletido na multiplicidade de símbolos e sentidos perseguidos por cada narrativa. A fim de enriquecer o estudo dos símbolos e do contexto histórico-geográfico dos mitos gregos abordados, utilizam-se como fonte complementar os manuais de Junito Brandão, a saber, a obra Mitologia de Junito Brandão, nos volumes I, II e III, bem como os dois volumes do Dicionário Mítico-Etimológico da Mitologia Grega. Para uma análise comparativa mais eficaz, precisou-se ir além do estudo contextual de produção e representação dos códigos subjacentes a cada narrativa, pois o mito, nas palavras de Ernest Cassirer, é experimentado na consciência, porém é anterior a ela; o homem vive o mito, logo, o mito é anterior ao homem, posto que à medida que toma consciência de sua existência e das relações que tece com o mundo, o homem se vale do mito para estabelecer relações de valor e sentido, bem como representações para singularizar suas experiências. Trata-se, portanto, de uma questão filosófica de vital importância, por isso, buscou-se, para este estudo lítero-narratológico, os fundamentos da Filosofia da mitologia, junto a considerações de uma Antropologia cultural, associado ao levantamento contextual-histórico do cosmo que constitui cada narrativa, a fim de lançar bases elucidativas sobre as relações do homem com seu mundo a partir de determinadas transformações. Sob este foco, diante da pesquisa prévia das narrativas que serão analisadas, percebeu-se que as metamorfoses apresentavam maiores ocorrências quando: 1) simbolizavam o mal na figura dos metamorfoseados; 2) apresentavam motivações de cunho sexual e 3) consistiam em explicações para acontecimentos do mundo físico-espiritual. Trata-se de uma divisão metodológica que objetiva viabilizar a organização e visualização do estudo comparado. Conclui-se, então, que além de possibilitar a leitura e o conhecimento dos mitos gregos e de relatos da Amazônia pelos símbolos constituídos na consciência mítica, este estudo pode servir como uma base para verificação do exercício literário da linguagem criadora por meio do narrar, bem como ampliar a compreensão do que seja e faz a consciência humana enquanto arrimo para a difusão de comportamentos e crenças compartilhados pelo indivíduo em sociedade.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Videoescritura: um objeto-quase...(Universidade Federal do Pará, 2012-03-28) CASTRO, Jacksonilson dos Santos; SAMPAIO, Valzeli Figueira; http://lattes.cnpq.br/6142863342585522Esta dissertação de mestrado tem como objetivo uma abordagem do vídeo artístico através de conceitos da filosofia e dos estudos literários, tomando a noção de escritura como procedimento do vídeo. A videoescritura, potência escritural do vídeo, se apresenta como o entrelaçamento de signos eletrônicos do vídeo com as noções de escritura, texto, textualidade, oriundas dos estudos literários em autores como Roland Barthes, Leyla Perrone-Moisés, Neiva Pitta Kadota, Julia Kristeva e outros, assim como das noções de escritura e diferença presentes na filosofia, especialmente em autores como Jacques Derrida, Gilles Deleuze, entre outros. A linguagem do vídeo é abordada a partir de Arlindo Machado, Christine Mello, Philippe Dubois e outros que são trazidos para aproximar campos distintos do saber, mas que operam com códigos comuns de expressão. A partir de um olhar transdisciplinar, estes diferentes campos se juntam para projetar um objeto-quase, objeto dinâmico, híbrido e que dialoga com diferentes linguagens (literatura, cinema, filosofia, etc) formando um corpo diverso e sempre em deslocamento: a videoescritura.
