Navegando por CNPq "CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA::SOCIOLINGUISTICA E DIALETOLOGIA"
Agora exibindo 1 - 20 de 40
- Resultados por página
- Opções de Ordenação
Dissertação Acesso aberto (Open Access) O abaixamento das médias pretônicas no português falado em Aurora do Pará – PA: uma análise variacionista(Universidade Federal do Pará, 2013-08-19) FERREIRA, Jany Éric Queirós; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577A presente pesquisa teve como objeto de estudo a investigação do abaixamento das médias pretônicas na variedade do português falado em Aurora do Pará (PA). Pautou-se nos pressupostos da sociolinguística quantitativa de Labov (1972), suporte necessário para investigar e sistematizar a variação de uma comunidade linguística. Além destes, foram utilizados alguns procedimentos metodológicos adotados por Bortoni-Ricardo (1985) para as análises de redes sociais, importantes para o estudo de dialetos em comunidades de migração, como é o caso de Aurora do Pará, localizada na Mesorregião do Nordeste Paraense e que apresenta como particularidade o fato de ter recebido intenso fluxo migratório nas décadas de 60,70 e 80 do século passado. O corpus foi formado a partir de gravações de entrevistas de 28 informantes, divididos em dois grupos: a) um grupo de ancoragem, com 19 informantes migrantes do Ceará (9 (nove) do sexo masculino e 10 (dez) do sexo feminino), distribuídos nas faixas etárias de 30 a 46 anos e de 50 anos acima; b) outro de controle, com 9 (nove) informantes (3 (três) do sexo masculino e 6 (seis) do sexo feminino), paraenses descendentes do grupo de ancoragem. Os dados do corpus submetidos às análises somaram 4.033 ocorrências das vogais-objeto, anterior (2.394) e posterior (1.639). Foram estabelecidas como variáveis extralinguísticas: sexo, grupo de amostra, tempo de residência, e localidade. Para variáveis linguísticas, foram consideradas: natureza da vogal tônica, vogal pre-pretônica quando for oral, vogal pré-pretônica quando for nasal, vogal contígua, distância relativa à sílaba tônica, atonicidade, natureza do sufixo, consoante do onset da sílaba da vogal-alvo, consoante do onset da sílaba da vogal seguinte e peso silábico. Após as análises estatísticas computadas pelo software Goldvarb, os resultados mostraram que no dialeto de Aurora do Pará/PA predominam as variantes de não abaixamento – [.i,e] .71 e [o,u] .74 em detrimento das do abaixamento [E] .28 e [O] .26. Para o abaixamento, as variáveis favorecedoras foram: (i) natureza da vogal tônica, (ii) Vogal pré-pretônica, quando for oral, (iii) Vogal contígua, (iv) Distância relativamente à Sílaba Tônica, (v) Atonicidade, (vi) Natureza do sufixo, (vii) Consoante do onset da sílaba da vogal-alvo, (viii) Consoante do onset da sílaba seguinte, (ix) Peso silábico em relação à sílaba vogal alvo, (x) Sexo, (xi) Faixa etária, (xii) Tempo de residência. Os resultados revelaram perda da marca dialetal dos migrantes cearenses por conta do contato dialetal com outros dialetos e evidenciaram que o abaixamento vocálico no dialeto em questão é motivado, sobretudo pelo processo de harmonia vocálica. Tais resultados são reflexos da rede social dos informantes a qual tem baixa densidade e é uniplex, caracterizando-os como mais propensos a mudanças culturais e inovações linguísticas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O abaixamento das vogais médias pretônicas em Belém/PA: um estudo variacionista sobre o dialeto do migrante maranhense frente ao dialeto falado em Belém/PA(Universidade Federal do Pará, 2015-02-23) FAGUNDES, Giselda da Rocha; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577O presente estudo teve como objetivo investigar o Abaixamento das vogais médias pretônicas na variedade do português falado em Belém (PA). Pautamos-nos nos pressupostos da sociolinguística quantitativa de Labov (1972), e utilizados alguns procedimentos metodológicos adotados por Bortoni-Ricardo (1985) para as análises de redes sociais, importantes para o estudo de dialetos em comunidades de migração, como é o caso de Belém, que recebeu intenso fluxo migratório nas décadas de 50 a 80 do século passado. Utilizamos também, para comparação, os resultados de Castro (2008), Souza (2010) e Ferreira (2013). O corpus foi formado a partir de gravações de entrevistas de 18 informantes, divididos em dois grupos: a) um grupo de ancoragem, com 12 (doze) informantes migrantes do estado do Maranhão (06 (seis) do sexo masculino e 06 (seis) do sexo feminino), com idade de 50 ou mais, e que residem em Belém há mais de vinte e cinco anos; b) outro de controle, com 06 (seis) informantes (03 (três) do sexo masculino e 03 (três) do sexo feminino), paraenses descendentes do grupo de ancoragem, com idade entre 20 e 30 anos, ou que migraram para Belém muito novos, com até três anos. Os dados do corpus submetidos às análises somaram 3.099 ocorrências das vogais-objeto, anterior (1.948) e posterior (1.151). Foram estabelecidas como variáveis extralinguísticas: sexo, grupo de amostra e escolaridade. Para variáveis linguísticas foram consideradas: altura da vogal tônica, grau de recuo da tônica, grau de nasalidade da tônica, posição da pretônica no vocábulo, vogal contígua, distância relativa à sílaba tônica, segmento precedente, segmento seguinte e tipo de rima. Após as análises estatísticas computadas pelo software Goldvarb X, os resultados mostraram que no dialeto de Belém/PA há uma predominância das variantes de manutenção – [e] 40,7% e [o] 43,5% em detrimento das do alteamento – [i] 23,9% e [u] 16,1%, e do abaixamento – [E] 35,5% e [O] 40,4%, contudo, por ser o abaixamento a variante mais produtiva no Maranhão, este foi o fenômeno analisado. As variáveis linguísticas que favoreceram o abaixamento das variantes estudadas foram: (i) altura da vogal tônica, (ii) grau de recuo da tônica, (iii) grau de nasalidade da tônica, (iv) vogal contígua, (v) distância relativa à sílaba tônica, (vi) segmento precedente, (vii) segmento seguinte e (viii) tipo de rima. Com relação às variáveis extralinguísticas (ix) o grupo de amostra favoreceu o abaixamento tanto de quanto de e a variável (x) sexo favoreceu apenas o abaixamento de . Os resultados revelaram manutenção da marca dialetal dos migrantes maranhenses mesmo em virtude do contato interdialetal com outro dialeto e evidenciaram que o abaixamento vocálico no dialeto em questão é motivado, sobretudo pelo processo de harmonia vocálica. Tais resultados são reflexos da rede social dos informantes, a qual tem alta densidade e cujo vernáculo é símbolo de identidade.Tese Acesso aberto (Open Access) A arte de narrar: da constituição das estórias e dos saberes dos narradores da Amazônia paraense(Universidade Estadual de Campinas, 2000-12-13) BENTES, Anna Christina; ALKMIM, Tânia Maria; http://lattes.cnpq.br/8437404856512094; KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça; http://lattes.cnpq.br/9851642920435372Esta tese postula que os narradores da Amazônia paraense constróem dois modos distintos de configurar a tradição oral narrativa: um primeiro modo. denominado conto popular, caracterizado pelo fato de o narrador, ao enunciar o que enuncia, privilegiar uma das dimensões do fazer-tradição, a saber, a dimensão da repetição, da estabilidade; um segundo modo, denominado estória oral, caracterizado pelo fato de o narrador, ao enunciar o que enuncia, privilegiar a outra dimensão da tradicionalidade, a saber, a dimensão da diferença, da instabilidade. Estas formas de configuração das narrativas são analisadas considerando a situação enunciativa em que foram produzidas, as funções que desempenham no grupo social em que circulam e as estratégias textuais e enunciativo-discursivas operadas pelos narradores na elaboração de suas estórias. No capítulo 1 deste trabalho, a natureza oral das narrativas é discutida a partir de alguns pressupostos que concebem uma relação não-mecanicista entre oral e escrito; apresenta-se, também, uma visão geral de como as narrativas evidenciam o espetáculo da tradição oral. No capítulo 2, alguns conceitos de narrativa são explorados. Em um primeiro momento, são abordadas perspectivas que enxergam o fenômeno da narrativa como um fenômeno estruturado e com características perenes. Em um segundo momento, são apresentadas as duas perspectivas sobre o fenômeno da narratividade que fundamentam o trabalho e que compartilham dos pressupostos de que (i) o ato de narrar apresenta uma necessária reflexividade sobre o dizer, sendo esta reflexividade fundamental para a constituição do enunciado narrativo e de que (i i) a narrativa apresenta um "esquematismo", no dizer de Ricoeur ou uma "trajetória", no dizer de Toolan, responsável pela manutenção da ordem dos paradigmas narrativos, como também pela possibilidade de rupturas desta ordem. No capítulo 3, descreve-se a situação enunciativa na qual as narrativas são produzidas, postulando-se que o acordo estabelecido entre os interlocutores é de natureza ficcional, o que regula tanto os lugares destes interlocutores como as configurações textuais resultantes. No capítulo 4, antes de apresentar o corpus da tese, descrevem-se brevemente as características gerais do programa de pesquisa wo Imaginário nas Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia Paraense", de são retiradas as narrativas que são objeto deste estudo. Em seguida, apresentasse o corpus desta tese, constituído de 30 narrativas, retiradas das três publicações, Belém conta .... , Abaetetuba conta .... , Santarém conta .... . No capítulo cinco, descrevem-se as duas configurações narrativas postuladas. O conto popular caracteriza-se por apresentar um enredo fixo, publicamente partilhado, por apresentar estratégias de referenciação que procuram apagar as instâncias discursivas nas quais as narrativas são produzidas, por ser estruturado pela "dupla conflito/resolução", pela necessária inserção das seqüências no domínio do maravilhoso e por um distanciamento do narrador em relação ao seu dizer. A estória oral, por outro lado, constitui-se em uma reelaboração da tradição e, por isso mesmo, não apresenta um enredo fixo, o que possibilita a emergência de um "tecer da intriga" mais livre do caráter formulaico da tradição. As estratégias de referenciação presentes nesta configuração narrativa são variadas, sendo que não há necessidade de se construir um apagamento das instâncias discursivas nas quais as narrativas são produzidas. Além disso, não há, necessariamente, a presença da categoria "resolução", como ocorre nos contos populares. O distanciamento do narrador em relação ao que é narrado é minimizado pelo fato de (i) as estórias poderem serem enunciadas em 1• pessoa, (ii) o narrador ser capaz de conhecer os processos internos das personagens e (iii), nas narrativas em f pessoa, o narrador revelar uma atitude de dúvida em relação aos acontecimentos por ele protagonizados. Este último fator aponta para a não necessária inscrição das estórias no domínio do maravilhoso.Tese Acesso aberto (Open Access) Atitudes e estigma: investigações sobre o status do alteamento da vogal média posterior tônica na variedade marajoara(Universidade Federal do Pará, 2021-08-25) FRANCÊS JUNIOR, Celso; AGUILERA, Vanderci de Andrade; http://lattes.cnpq.br/8323910235303866; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577A presente tese, intitulada: Atitude e estigma: investigações sobre o status do alteamento da vogal média posterior tônica na variedade marajoara objetivou: i) examinar o papel das variáveis sociais sexo, escolaridade e faixa etária na formação das atitudes linguísticas diante de uma variedade desprestigiada e que sofre preconceito; ii) investigar os componentes cognitivo e afetivo, dentro de cada variável social, como elementos modificadores de atitudes, variações e mudanças linguísticas; e, iii) estudar, paralelamente, a recorrência das vogais médias posteriores em sílaba tônica na variedade do português falado na mesorregião do Marajó, como variante avaliada abaixo do nível da consciência do falante. Como complemento à pesquisa de atitude, realizou-se um estudo acústico vogal média posterior em sílaba tônica na variedade do português falado na mesorregião do Marajó, como possível variante alteada e avaliada de acordo com as atitudes linguísticas. Para tanto, foram utilizados os pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista (CARDOSO, 2015; LABOV, 2008; AGUILERA, 2008; CALVET, 2002; MORENO FERNÁNDEZ, 1998; LÓPEZ MORALES, 1989) e da Psicologia Social (BEM, 1973; LAMBERT; LAMBERT, 1972; ROKEACH, 1968; LICKERT, 1932; THURSTONE, 1929). O universo desta pesquisa foi a mesorregião do Marajó, maior arquipélago de ilhas fluviais do mundo, com 16 municípios legalmente reconhecidos, dos quais, as cidades de Breves, Curralinho e Portel foram selecionadas como localidades alvo, pois, compreendem zonas de contato interdialetal. A metodologia deste trabalho contemplou procedimentos utilizados para a coleta, tratamento e análise de dados acústicos e de atitude linguística, a saber: i) instrumentos para a coleta de dados acústicos de produção de fala, a partir do protocolo de entrevista (Questionário Fonético-Fonológico); e, para a coleta de dados e medição de atitude linguística (técnica dos falsos pares), a partir do questionário de atitude; ii) perfil dos participantes da pesquisa, que somam 72 indivíduos estratificados socialmente em sexo, faixa etária e escolaridade; iii) variáveis controladas na descrição acústica (segmentais, prosódicas e sociais); e variáveis controladas na análise de atitude linguística (sexo, faixa etária e escolaridade); iv) tratamentos dos dados. No procedimento de análise, foram realizadas: i) uma caracterização acústica da vogal alvo, a partir dos parâmetros de F1 e F2; e, iii) uma análise das avaliações linguísticas do alteamento da vogal média posterior tônica na variedade marajoara. Os dados acústicos demonstraram ser categórica a ausência do alteamento na variável alvo, pois, na constituição de um espaço acústico que pudesse mostrar o comportamento efetivo do que se imaginava ser uma vogal alta posterior, as ocorrências do segmento [u] apresentaram sua distribuição na mesma região da média posterior [o], com valor médio de F1 em 471 Hz e de F2, 956 Hz. Isso nos leva a afirmar que se trata do mesmo segmento vocálico, a partir dos dados acústicos. O resultado das avaliações subjetivas revelou que falantes nativos dos municípios marajoaras, alvo da pesquisa, manifestaram atitudes positivas quando foram colocados em posição de juízes para julgarem possíveis variedades recorrentes na região marajoara. Essa valoração positiva revela que, embora os participantes não realizassem o alteamento da vogal posterior na tônica, eles avaliaram como uma variante de prestígio. A aceitação e prestígio dado à variante, produto de atitude positiva, estão somados ao sentimento solidário, motivado por emoções, saberes e reações positivas adquiridas no uso de sua variedade ou na de outros sujeitos.Tese Acesso aberto (Open Access) Atlas geossociolinguístico quilombola do Nordeste do Pará (AGQUINPA)(Universidade Federal do Pará, 2017-03-07) DIAS, Marcelo Pires; OLIVEIRA, Marilucia Barros de; http://lattes.cnpq.br/9728768970430501Esta pesquisa tem como objetivo apresentar o Atlas Geossociolinguístico Quilombola do Nordeste do Pará (AGQUINPA). O AGQUINPA é um atlas semântico-lexical que descreve e mapeia a variedade linguística do português afro-brasileiro falado nas comunidades remanescentes de quilombos da Mesorregião Nordeste do Pará por meio do inventário lexical. O atlas apresenta um levantamento histórico e geossociolinguístico das comunidades pesquisadas, cartas linguísticas semântico-lexicais pluridimensionais, além de um banco de dados geossociolinguístico. A Mesorregião Nordeste do Pará foi selecionada como locus da pesquisa, em virtude da alta densidade de comunidades quilombolas reconhecidas e tituladas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Instituto de Terras do Pará (ITERPA) e Fundação Palmares (FCP), e representam 270 das 523 presentes no Estado do Pará. Essas comunidades foram ocupadas por negros escravizados fugidos, em regiões de difícil acesso, com o intuito de evitar a recaptura e, em outros casos, foram antigas propriedades doadas ou cedidas após a desorganização do sistema escravagista na Amazônia, no final do século XIX. As comunidades quilombolas que fazem parte do AGQUINPA estão localizadas nas áreas rurais dos municípios do Nordeste do Estado do Pará (Brasil) e são as seguintes: a) Comunidade do Cacau (Colares/PA); b) Comunidade América (Bragança/PA); c) Comunidade do Rio Acaraqui/Campompema (Abaetetuba/PA); d) Comunidade Taperinha (São Domingos do Capim/PA); e) Comunidade Laranjituba (Moju/PA) e f) Comunidade África (Moju/PA). Essas comunidades têm como principais atividades econômicas o extrativismo e a agricultura de subsistência, além de apresentarem baixa mobilidade social e a maioria dos moradores se autodeclara descendente de negros escravizados. Para a elaboração do atlas, utilizamos o instrumental metodológico da Geografia Linguística e da Geolinguística Pluridimensional, considerando as dimensões diatópica, diassexual (homens e mulheres) e diageracional (Geração I: 18 a 30 anos; Geração II: 50 a 65 anos). A coleta de dados foi realizada entre os anos de 2014 e 2016, por meio da aplicação do Questionário Semânticolexical do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), incluindo-se nele 31 questões de origem etimológica Bantu, para mensurar a difusão (ou não) do léxico de origem africana. Os dados coletados foram transcritos grafematicamente no software de anotação linguística ELAN e, posteriormente, trasladados para o Banco de Dados do AGQUINPA. As cartas foram confeccionadas através da utilização da ferramenta de georreferenciamento e edição de dados georreferenciados Quantum GIS (QGIS), além da ferramenta ColorBrewer para a colorimetria das cartas. O AGQUINPA possui 153 cartas semântico-lexicais, elaboradas a partir da aplicação do Questionário Semântico-lexical (QSL), das quais descreveremos 136, que apresentaram variação não categórica.Tese Acesso aberto (Open Access) Caracterização acústica das vogais médias pretônicas /e/ e /o/ do português falado na Cidade de Cametá/PA(Universidade Federal do Pará, 2021-02-19) SOUSA, Josivane do Carmo Campos; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577A presente Tese de Doutoramento em Linguística tem como objetivo geral fornecer uma descrição acústica das vogais médias pretônicas /e/ e /o/ no português falado na área urbana da Cidade de Cametá/PA. Como objetivos específicos, buscou-se: a) verificar as possíveis influências de fatores sociais como sexo, faixa etária e escolaridade sobre a variação das vogais médias pretônicas; b) verificar se o fenômeno da harmonia vocálica favorece o processo de variação das vogais alvo na variedade de Cametá/PA; c) fornecer o espaço acústico das vogais alvo em análise, conforme os parâmetros de F1 (altura da língua), F2 (anterioridade/posterioridade); d) investigar o papel de F0 (frequência fundamental), F3 (arredondamento dos lábios) e Duração na caracterização acústica das vogais médias pretônicas na variedade estudada. Para tanto, os procedimentos metodológicos adotados foram os estabelecidos por Cruz (2011) na caracterização acústica do sistema vocálico pretônico do português falado na Amazônia Paraense: a) corpus padronizado - sendo 45 vocábulos selecionados com base no contexto de alta variabilidade em estudos sociolinguísticos anteriores; b) amostra estratificada socialmente em sexo, faixa etária e escolaridade; c) coleta de dados por meio do protocolo de leitura de texto em voz alta (Y); d) segmentação dos dados no Praat; e) aplicação do script Praat Analyser Tier para obtenção das medidas acústicas tomadas da parte central das vogais alvo; f) organização dos valores dos parâmetros físicos no Excel; g) tratamento estatístico por meio do programa R. Os resultados apresentados são do tratamento dos 789 dados oriundos do protocolo de coleta de dados por meio da leitura de texto (Y), contemplando os 18 (dezoito) sinais sonoros referentes à amostra. A análise sociolinguística mostrou a predominância das variantes médias, tanto da anterior (75%) quanto da posterior (60%). Depois, as variantes baixas: 15% para a anterior, e 27% para a posterior; e por último, as variantes altas: 10% da anterior, e 13% da posterior. Quanto aos fatores sociais analisados, a escolaridade se mostrou o fator mais interferente na variação das vogais em estudo, pois constatou-se que quanto maior o nível de escolaridade, maior a probabilidade de realização das variantes médias, e menor a probabilidade de variantes altas, confirmando, portanto, que o processo de escolarização no município de Cametá tende ao apagamento das marcas dialetais. A análise acústica, por sua vez, a partir da análise conjunta de F1 e F2, confirma ser o sistema vocálico pretônico cametaense mais compacto e com maior tendência à centralização, como já atestado por Lages (2017) e Verçosa (2018). A harmonia vocálica foi confirmada pelos testes de significância como processo fonológico favorecedor da variação vocálica. No que diz respeito a F0 e F3, estes se confirmam como parâmetros de identidade entre as variantes, justamente por apresentarem frequências muito próximas, permitindo então que se considerem realizações de um mesmo fonema no nível subjacente. A duração, por sua vez, foi considerada mais que um parâmetro distintivo de vogais, pois também pode ser tomada como um parâmetro de identidade entre as variantes das vogais em contexto pretônico.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Caracterização acústica das vogais médias pretônicas do porguês falado em Barcarena/PA(Universidade Federal do Pará, 2015-02-27) SOUZA, Gisele Braga; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577O presente estudo visa caracterizar acusticamente o português falado na Amazônia Paraense, tendo como foco as vogais médias pretônicas da variedade linguística falada no município de Barcarena/PA. Esta pesquisa é vinculada ao projeto Norte Vogais, integrante do PROBRAVO, que tem como um de seus objetivos analisar acusticamente o sistema vocálico átono do Português Brasileiro (PB) falado no estado do Pará. O corpus total é composto por amostras de fala de 18 (dezoito) informantes nativos de Barcarena/PA, estratificados socialmente em sexo (masculino e feminino), faixa etária (15 a 25 anos; 26 a 45 anos e acima de 45 anos) e nível de escolaridade (fundamental, médio e superior). Ao todo, 818 realizações das vogais médias pretônicas orais foram analisadas, sendo 411 anteriores e 407 posteriores. Os dados foram obtidos a partir da leitura de um texto sobre futebol, por meio do qual os informantes selecionados produziram 53 vocábulos contendo as vogais médias em posição pretônica. No tratamento dos dados, foram tomadas medidas de F1 e F2 (Hz) das vogais alvo. Constatou-se, a partir da análise empreendida, que os falantes da variedade estudada dão preferência à manutenção das vogais médias, resultado que corrobora com a hipótese apresentada nos estudos variacionistas realizados pela equipe do projeto Norte Vogais. Além disso, verificou-se que, na fala feminina, em relação às anteriores, a variante alta ocupa quase o mesmo espaço acústico da variante média fechada e as duas mantém uma grande distância da variante média aberta. No caso das posteriores, as mesmas ocupam espaços acústicos bem diferenciados. Em contrapartida, na fala masculina, as variantes anteriores estão bem discriminadas e a variante alta e a média fechada posteriores estão muito próximas, distanciando-se significativamente na variante média aberta posterior. Uma tendência à centralização das vogais também foi observada.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Construção de glossário como mediação da escrita de alunos do campo(Universidade Federal do Pará, 2019-08-29) BORGES, Helena do Socorro Damasceno Palheta; LIMA, Alcides Fernandes de; http://lattes.cnpq.br/2565242209879834O presente trabalho trata das dificuldades de leitura e escrita de textos de alunos da Escola do Campo. O objetivo geral da pesquisa consiste em descrever os principais problemas de escrita dos alunos e construir uma proposta didático-pedagógica para se enfrentar essa realidade. Como se sabe, as atividades de leitura e escrita envolvem processos sociocognitivos complexos e exigem domínios de habilidades (igualmente complexas) que se adquirem e se desenvolvem por meio de práticas linguísticas que favoreçam a conceptualização e a verbalização do mundo. Tais práticas linguísticas envolvem, por exemplo, a observação e a reflexão sobre as coisas do mundo, a produção de texto (oral e escrito), a reescrita e a reelaboração discursiva, a sintetização e o desenvolvimento de tópicos temáticos, a reflexão metalinguística. Neste presente trabalho, portanto, apresentamos uma proposta de intervenção, embasada (dentre outros) na Pesquisa-ação (cf. THIOLLENT, 2008) e na Sociolinguística Educacional (cf. BORTONI-RICARDO, 2004, 2008, 2014), que usa como estratégia a elaboração de um glossário especializado dos termos das atividades agrícolas da Escola do Campo. A pesquisa e a intervenção foram desenvolvidas juntamente com os alunos do sexto/sétimo ano, na Escola Municipal Agrícola de Barcarena-PA, e compreendem as seguintes etapas metodológicas: (i) Observação diagnóstica; (ii) Identificação e análise dos problemas de escrita; (iii) Apresentação dos resultados; (iv) Processo de produção de textos a partir do gênero verbete; (v) Elaboração de fichas catalográficas; (vi) Coleta e seleção dos dados; e (vii) Organização de um glossário ilustrado contendo 301 termos das atividades agrícolas da Escola, o qual foi a culminância da proposta de intervenção e que servirá como material didático na escola.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Contribuições para o atlas do Projeto AMPER-Norte: variedade linguística do município de Santarém (PA)(Universidade Federal do Pará, 2016-06-18) LIMA, Leydiane Sousa; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577A presente Dissertação tem como objetivo principal contribuir para o Atlas Prosódico do Norte do Brasil com caracterização da variação dialetal do português falado no município de Santarém (PA). Trata-se de um estudo vinculado ao Projeto Atlas Prosódico Multimédia do Português do Norte do Brasil (AMPER-POR) que está diretamente ligado ao projeto de pesquisa europeu Atlas Multimédia Prosodique de l'Espace Roman (AMPER). Para a constituição do corpus foi realizada pesquisa de campo no município de Santarém (PA) que faz parte da área de atuação do projeto principal, que investiga o dialeto da Amazônia interiorana paraense. Todos os procedimentos metodológicos adotados no presente estudo seguiram as orientações estabelecidas pela equipe do Projeto AMPER na condução da formação dos corpora para o Atlas Prosódico Multimídia das Línguas Românicas. Para este trabalho foi criado um corpus expandido composto de 416 frases do tipo SVC (sujeito + verbo + complemento) com suas expansões em Sintagma Adjetival e Sintagma Preposicional. As frases foram estruturadas obedecendo às mesmas restrições fonéticas e sintáticas do projeto AMPER-POR. As análises foram feitas a partir de dados relativos a informantes de nível fundamental e de nível médio. Para a presente Dissertação, foram selecionadas 24 frases, sendo 12 na modalidade afirmativa e 12 na modalidade interrogativa total. Os resultados mostraram que o parâmetro acústico de Frequência fundamental (F0) apresentou distinção relevante, pelo movimento de pinça, que ocorre na sílaba tônica das pautas acentuais oxítonas, paroxítonas e apenas alguns casos das proparoxítonas. No parâmetro da Duração (ms), observou-se que os valores eram maiores em todas as afirmativas de ambos os sexos na sílaba tônica do último elemento da frase. Na Intensidade (dB), constatou-se que as medidas da fala masculina são mais elevadas que as da feminina, em geral, as interrogativas são sempre mais longas que as afirmativas, apenas dois casos mostraram que essa inversão de valores neste parâmetro. Deste modo, a intensidade é não foi caracterizada como um parâmetro acústico complementar de F0 e ms. Portanto, fica comprovado que apenas os parâmetros acústicos de F0, ms são fatores determinantes de distinção nas modalidades frasais, afirmativa e interrogativa total referente à variedade falada em Santarém.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Contribuições para o Atlas Prosódico Multimídia do Português do Norte do Brasil – AMPER-POR: variedade linguística do município de Abaetetuba (PA)(Universidade Federal do Pará, 2013-08-28) REMÉDIOS, Isabel Cristina Rocha dos; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577O objetivo principal dessa Dissertação de Mestrado é caracterizar a variação prosódica dialetal do português falado no município de Abaetetuba (PA). Todos os procedimentos metodológicos adotados, aqui, neste estudo, seguem as orientações estabelecidas pela equipe do Projeto AMPER, na condução do tratamento dos dados, para a confecção do Atlas Prosódico Multimídia das Línguas Românicas. As produções linguísticas dos falantes foram gravadas usando um único padrão, garantindo uma produção do sinal acústico de qualidade uniforme e uma boa representatividade da variedade dialetal. O corpus é constituído de 102 frases, SVC (sujeito + verbo + complemento) e suas expansões (sintagma adjetival e preposicionado), estruturadas com as mesmas restrições fonéticas e sintáticas. Cada uma das sentenças foi repetida seis vezes, por cada um dos quatro informantes, e o corpus total é composto por 612 frases. O pitch, para os informantes do sexo masculino, está entre 50 Hz e 250 Hz; e 110 Hz a 370 Hz para os informantes do sexo feminino. Foram utilizados três parâmetros acústicos controlados: a Frequência fundamental (F0), a Duração (ms) e a Intensidade (dB). O tratamento dos dados foi realizado por meio de sete etapas: 1) codificação das repetições, 2) isolamento de cada sentença em áudio individual; 3) segmentação fonética realizado no software PRAAT; 4) aplicação do PRAAT script; 5) seleção das três melhores repetições; 6) aplicação da interface MATLAB; e 7) utilização do EXCEL para gerar os gráficos para análise comparativa dos dados. Os resultados mostram que “as três maiores variações dos parâmetros acústicos controlados ocorrem preferencialmente na sílaba tônica da parte central do sintagma e/ou no sintagma final do enunciado” (CRUZ; BRITO, 2011).Dissertação Acesso aberto (Open Access) Distribuição geo-sociolinguística do ditongo 'ej' no português falado no estado do Pará(Universidade Federal do Pará, 2008-12-11) FARIAS, Maria Adelina Rodrigues de; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006Este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados de um estudo sobre a simplificação do ditongo decrescente /ej/ no português falado no Estado do Pará, localizado ao Norte do Brasil, com base nos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolingüística Variacionista e da Geografia Linguística. Trata-se, portanto, de uma abordagem Geo-Sociolingüística, a qual relaciona fenômenos lingüísticos a comportamentos sociológicos e geográficos, que impõem e são impostos por normas específicas nas mais diversas manifestações da vida em sociedade. O corpus que se utilizou para a análise foi levantado a partir de questionários do Projeto Atlas Lingüístico do Brasil (ALiB), e está composto de entrevistas aplicadas a informantes previamente selecionados por meio de critérios também definidos a priori. Foram utilizados três questionários – QFF (Questionário Fonético-Fonológico), QSL (Questionário Semântico-Lexical) e QMS (Questionário Morfossintático) – além de perguntas sobre questões de pragmática, discurso semi-dirigido e texto reproduzido via leitura. Todo esse material foi elaborado pela equipe do projeto ALiB e aplicado por diretores científicos e suas respectivas equipes. Abrange a transcrição grafemática de todo o corpus e fonética do QSL e QFF, além da triagem dos itens lexicais continentes do ditongo supracitado que o corpus apresentou, para que estes pudessem ser submetidos à análise probabilística do programa computacional VARBRUL. Obtidos os resultados estatísticos, buscou-se interpretar os dados à luz das pesquisas já apresentadas sobre a variável no Brasil, além daquelas que serviram de base às problematizações acerca do fenômeno em língua portuguesa. Com base nessa interpretação, verificamos que, do ponto de vista lingüístico, o ditongo /ej/ apresenta restrições estruturais à sua realização plena; e que, do ponto de vista extralingüístico, há uma significativa distribuição dessas realizações no Estado ora pesquisado, que parece estar pautada em fatores dialetológicos, mas pouco relacionada a fatores sociais, exceto o fator escolaridade, que se mostrou relevante na aplicação da regra de monotongação ou na manutenção da semivogal do ditongo na fala do paraense.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estudo comparativo das posposições no Timbira(Universidade Federal do Pará, 2020-08-24) AYAN, Sheyla da Conceição; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091; https://orcid.org/0000-0001-9995-1938O presente trabalho tem o objetivo de comparar semelhanças e diferenças na ocorrência das posposições no grupo das variantes dialetais Timbira: Parkatêjê, Canela Apãniekrá, Canela-Krahô e Pykobjê, sob uma visão tipológico-funcional. O complexo dialetal Timbira pertence à família Jê e ao tronco Macro-Jê. As posposições, de acordo com Genetti (2014), são partículas que ocorrem com um sintagma nominal e indicam a relação gramatical, semântica, espacial, temporal ou lógica do sintagma nominal com o outro elemento da cláusula. Os dados utilizados nesse estudo são oriundos de trabalhos descritivos já realizados nessas variantes dialetais, a saber: Ferreira (2003), Alves (2004), Popjes e Popjes (1986), Souza (1989), Miranda (2014), Amado (2004) e Silva (2011). Com base na comparação dos dados, notou-se uma grande semelhança na forma desses elementos, bem como nas funções exercidas por tais posposições. Entretanto, há também algumas diferenças muito relevantes entre elas, como a posposição ‘te’, por exemplo, que foi analisada ora como uma marca de ergatividade, ora como um elemento oblíquo, além da função de genitivo. Esta pesquisa está fundamentada nos postulados teóricos de Genetti (2014), Dixon (2010), Hagège, (2010), Blake (2004), Payne (1997), entre outros. A metodologia empregada neste trabalho consistiu em pesquisa bibliográfica na literatura especializada, comparação dos dados e análise de base tipológico-funcional dos mesmos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estudo geosociolinguístico do português falado em áreas indígenas Galibi-Marworno e Karipuna(Universidade Federal do Pará, 2019-10-28) CARVALHO, Amanda da Costa; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006; https://orcid.org/0000-0001-9250-8917Pretende-se neste trabalho mapear, no nível fonético, o português falado pelos povos Karipuna e pelos Galibi-Marworno, habitantes da Terra Indígena Uaçá, no município de Oiapoque, estado do Amapá, em fronteira com a comuna francesa de Saint-Georges, do Departamento de Ultramar da Guiana Francesa. O objetivo geral desta pesquisa é descrever e analisar a variação fonética encontrada no Português Brasileiro Indígena em contato com a língua Kheuól (Crioulo de base francesa falado pelos indígenas), nas realizações de vogal média pretônica vogal média pretônica [e]; manutenção do ditongo [eɪ], [oʊ] e /R/ em coda silábica na posição interna. Os pressupostos teórico-metodológicos que conduziram esta pesquisa fundamentaram-se na Dialetologia Pluridimensional e Contatual (RADKE; THUN, 1996; THUN, 1998), na Geolinguística (GILLIERON, 1902) e na Geossociolinguística (RAZKY, 1998). Baseando-se nas comunidades estudadas, na Dialetologia Pluridimensional e na Geossociolinguística, as dimensões selecionadas foram a dialingual-diatópica, a topostática, a diassexual/diageracional. Foram selecionados 4 pontos de inquérito: duas comunidades Galibis-Marworno (Kumarumã e Tukay) e duas Karipunas (Manga e Santa Isabel). Preteriram-se quatro colaboradores estratificados socialmente (idade e sexo) em cada localidade: (i) primeira faixa etária, um homem e uma mulher de 18 a 37 anos; (ii) na segunda faixa etária, um homem e uma mulher de 45 a 75 anos. Ao longo da coleta de dados foram aplicados: Questionário Fonético- Fonológico (QFF) adaptado com o total de 164 perguntas, com respostas bilingues; Questionário Sociolinguístico do projeto Atlas Sonoro das Línguas Indígenas Brasileiras (CABRAL et al., 2015). Os resultados sociolinguísticos mostraram que os Galibi-Marworno e os Karipuna são dois povos totalmente distintos, com níveis diferentes de proficiência em KH e PBI. A análise fonética corroborou com trabalhos anteriormente realizados sobre os fenômenos fonéticos identificados, com a exceção da realização do ditongo [eɪ]. Acrescentamos ainda que, os dados referentes às análises sociais dos dados fonéticos não foram significativos para a variação fonética. Esse contexto nos permite propor que o falar regional do PB dos colaboradores não indígenas que habitam áreas próximas às aldeias pesquisadas, é propagado nas áreas indígenas, formando, consequentemente, um contínuo de fala com marcas regionais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estudo geossociolinguístico da variação lexical na zona rural do estado do Pará(Universidade Federal do Pará, 2012-05-28) GUEDES, Regis José da Cunha; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006Este estudo tem por objetivo principal mapear uma parcela do corpus coletado por pesquisadores do projeto GeoLinTerm para a elaboração do Atlas Geossociolinguístico do Pará (ALIPA) no intento de projetar imagens prévias desse, no que se refere à variação lexical na zona rural do Estado. Para tanto, foram cartografados dados de doze municípios, sendo dois de cada uma das seis mesorregiões paraenses, quais sejam: Santarém e Oriximiná (Mesorregião do Baixo Amazonas); Anajás e Breves (Mesorregião do Marajó); Castanhal e Santo Antônio do Tauá (Mesorregião Metropolitana de Belém); Abaetetuba e Bragança (Mesorregião Nordeste); Altamira e Itaituba (Mesorregião Sudoeste); e Conceição do Araguaia e Redenção (Mesorregião Sudeste). Foram adotados os pressupostos teórico-metodológicos da Dialetologia e da Geografia Linguística, essas que, com o advento da Sociolinguística Labovina, passaram a controlar variantes sociais, como: sexo, idade, escolaridade dos informantes, além da variante geográfica tradicionalmente estudada, o que resultou no que se entende hoje por multidimensionalidade nos atlas linguísticos. Os dados foram selecionados, transcritos foneticamente, cartografados e discutidos. As análises foram realizadas no intuito de dar conta das dimensões diatópica, diagenérica e diageracional da variação ocorrida na fala dos informantes. Tratando as lexias cartografadas em cada carta lexical, foi realizado um levantamento do registro dessas lexias em dicionários de língua portuguesa e em outros estudos dialetológicos. Além disso, as variantes sociais são quantificadas em gráficos que demonstram as porcentagens de ocorrências das lexias mais recorrentes em cada carta. Como resultados obtivemos a produção de cinquenta cartas lexicais, dentre as quais, foram selecionadas as trinta mais produtivas do ponto de vista da variação lexical para serem apresentadas e discutidas neste trabalho. Observou-se que, em linhas gerais, se tomarmos o critério da predominância, os dados cartografados se organizam em agrupamentos lexicais de três tipos, formados a partir da distribuição geolinguística das lexias nos pontos de inquérito.Tese Acesso aberto (Open Access) Estudo geossociolinguístico do léxico do Português falado pelos Baré, Tukano e Baniwa em São Gabriel da Cachoeira(AM): Tomo I(Universidade Federal do Pará, 2019-08-16) FELIX, Maria Ivanete de Santana; SOLANO, Eliete de Jesus Bararuá; http://lattes.cnpq.br/0729560354405732; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006; https://orcid.org/0000-0001-9250-8917O reconhecimento das diferenças ou das igualdades que a língua de uma comunidade reflete é uma forma de responder aos fatores extralinguísticos inerentes aos falantes, indo além do aspecto espacial, essa é uma concepção atual considerada pela Dialetologia Pluridimensional Relacional; e, a presente tese de doutorado, inserida nesta perspectiva, apresenta como objetivo geral investigar a variação lexical do Português falado pelos índios Baré, Tukano e Baniwa, na Sede do Município São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas (AM), registrando-a em cartas linguísticas com enfoque na identificação das dimensões diatópica, diageracional, diassexual e diastrática. As principais referências teórico-metodológicas que servem como base para o presente estudo são: Thun (1998, 2000); Razky (1996, 2013) e Cardoso (1999), no que diz respeito aos trabalhos dialetológicos e geossociolinguísticos propriamente ditos, e Rodrigues (1963, 1985, 1986); Rodrigues e Cabral (2002); Felix (2002), no que diz respeito às línguas indígenas. O método geolinguístico priorizou o locus da pesquisa para a aplicação, principalmente, de questionários: o primeiro, Questionário Sociolinguístico (QS) do projeto Atlas Sonoro das Línguas Indígenas do Brasil (ASLIB); o segundo, o Questionário metalinguísticos/epilinguísticos; e o terceiro, o Questionário Semântico-Lexical do projeto Atlas Linguístico do Brasil (QSL-ALiB-2001). Foram selecionados três pontos de inquérito, sendo entrevistados oito colaboradores de cada língua das duas faixas etárias, de diferentes sexos e de diferentes graus de escolaridade, totalizando 24 consultantes. Por meio dos dados coletados e tratados, foram selecionados 40 itens lexicais referentes a treze campos semânticos. Considerando-se a análise das quatro dimensões, constatou-se que neste espaço geográfico há uma forte pluralidade lexical para designar um mesmo item lexical, no entanto, não há uma delimitação geográfica restrita à realização das variantes lexicais encontradas entre os pontos de inquérito. Sobre a comparação com os dados dos Atlas: Atlas Linguístico do Amazonas (ALAM), Atlas Linguístico do Sul Amazonense (ALSAM) e Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), a maioria dos dados comparados evidenciam maior aproximação em relação as variantes registradas no ALSAM que, influenciadas por fatores sócio-históricos, apontam para traços lexicais específicos de uma micro área, diferindo-se do Português falado em outras áreas da região amazônica e do Português padrão. Esta pesquisa proporcionará contribuições tanto para os estudos da Geossociolinguística de Razky e da Dialetologia Pluridimensional de Thun, quanto para os Atlas amazônicos ALAM e ALSAM, bem como para o ASLIB e o GeoLinTerm, projetos aos quais este trabalho está vinculado.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Fraseologismo no discurso político brasileiro: uma proposta de glossário, volumes 1 e 2(Universidade Federal do Pará, 2018-08-28) SOUZA, Davi Pereira de; ALVAREZ, Maria Luisa Ortiz; http://lattes.cnpq.br/0562632464695581; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006Esta pesquisa, de abordagem quali-quantitativa, tem como objetivo geral produzir um glossário, em versão impressa e eletrônica, de fraseologismos utilizados no discurso político brasileiro. Por sua vez, os objetivos específicos consistem em: descrever os fraseologismos que caracterizam o discurso político brasileiro; identificar padrões de combinatórias sintagmáticas recorrentes no corpus e; verificar possíveis variantes fraseológicas. Os fraseologismos, ou unidades fraseológicas, são combinações sintagmáticas recorrentes (MEJRI, 1997, 2012), caracterizadas, dentre outros aspectos, pela sua polilexicalidade, fixidez, frequência, congruência e idiomaticidade. Para tanto, adotou-se uma metodologia orientada pelos pressupostos gerais da Linguística de Corpus (BERBER SARDINHA, 2004) e sua relação com a Fraseologia (TAGNIN, 2005, 2011). A pesquisa foi dividida em cinco etapas principais, a saber: i) revisão da bibliografia sobre a área em foco, particularmente as pesquisas fraseológicas desenvolvidas no Brasil e na França; ii) constituição e tratamento do corpus; (iii) seleção do corpus de referência; (iv) procedimentos de análise dos resultados e; v) elaboração do glossário fraseológico. Os 570 textos que compõem o corpus são provenientes de blogs ou websites de 4 (quatro) colunistas que assinam matérias sobre política nas revistas Istoé, Época, Carta Capital e no jornal Folha de São Paulo, tendo sido escolhido um colunista por periódico. Os textos foram publicados entre janeiro de 2014 e dezembro de 2016. Foram utilizados os softwares Words Smith Tools (SCOTT, 2008), que realiza busca semiautomática em grandes corpora textuais, e o Lexique pro – versão 3.6 (SIL, 2004-2012), para preenchimento da ficha fraseológica de cada verbete, resultando posteriormente na organização do glossário, adotando-se microestrutura formada por entrada, categoria gramatical, definição, contexto, variante fraseológica, remissiva e notas. Quanto ao referencial teórico, o trabalho ancorou-se na abordagem francesa da Fraseologia, sobretudo na perspectiva de Salah Mejri (1997, 1998, 1999, 2002, 2005, 2010, 2011, 2012, 2018). O glossário produzido contém 438 entradas, lematizadas e organizadas alfabeticamente pela primeira unidade lexical da sequência. Os resultados demonstram a predominância de fraseologismos da língua geral em detrimento de unidades fraseológicas específicas do discurso político, o que está relacionado ao fato de o corpus não ser especializado, uma vez que os colunistas não são tecnicamente cientistas políticos, mas jornalistas e comentaristas que lidam com assuntos da área e se direcionam para um público geral de leitores, em grande parte formado também por não especialistas. Além disso, a política, sendo de natureza interdisciplinar, produz um discurso que se constitui no cruzamento de outros domínios, como o direito, as ciências sociais, a linguística, entre outros (DORNA, 1995; CHARAUDEAU, 2006). De todo modo, os fraseologismos desempenham um papel peculiar nesse domínio, servindo para produzir diferentes efeitos de sentido, particularmente, os de caráter irônico e ambíguo, presentes nas relações estabelecidas pelos interlocutores inseridos nas tensões ideológicas e político-partidárias que se acirram em momentos de crise política e econômicaDissertação Acesso aberto (Open Access) Haplologia no falar paraense(Universidade Federal do Pará, 2013-04-23) PAZ, Flávia Helena da Silva; OLIVEIRA, Marilucia Barros de; http://lattes.cnpq.br/9728768970430501O presente trabalho trata do fenômeno da Haplologia na fala espontânea de cidadãos paraenses. O estudo refere-se mais especificamente ao que chamamos de Haplologia entre frases. Avaliam-se os contextos de frases compostas apenas por /d/ - /d/, /t/ - /d/,/t/ - /t/ e /d/ - /t/, exemplificados respectivamente por: la(du) dʒi fora, per(tu) du, a gen(t∫i) t∫inha medu e tu(du) t∫inha. Os fatores avaliados dividem-se em dois grupos: linguísticos e extralinguísticos com o objetivo de mostrar os contextos favoráveis e desfavoráveis à aplicação do fenômeno em estudo. Os grupos de fatores linguísticos são: Relação entre palatalização e haplologia; Qualidade das vogais; Classe de palavra da sílaba elidida; Tonicidade das sílabas confinantes; e Estrutura silábica. No que se refere aos fatores extralinguísticos, analisamos: Sexo, Faixa etária e Escolaridade, seguindo a estratificação proposta no projeto Atlas Linguístico do Pará (ALIPA). Os dados analisados integram o corpus de duas cidades paraenses: Belém, a capital do Estado do Pará, e Itaituba, cidade paraense que fica a 891 km da capital mencionada. A coleta dos dados seguiu a orientação da Sociolinguística Variacionista. Os dados foram submetidos ao Programa de regra variável VARBRUL. Os resultados apontaram a haplologia como regra variável, entretanto, o fenômeno é pouco produtivo entre os informantes das duas cidades. Nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista (Labov, 2008) a palatalização, o alteamento da vogal e a desconstrução do grupo consoantal podem ser considerados um processo de encaixamento, enquanto que, do ponto de vista fonético-fonológico, seriam considerados regras alimentadoras da haplologia (BISOL, 1996).Dissertação Acesso aberto (Open Access) Jogos e diversões infantis: um estudo geossociolinguístico na Região Norte do Brasil(Universidade Federal do Pará, 2015-08-17) FERREIRA, Josevaldo Alves; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006Esta dissertação tem como objetivo mapear e discutir a variação semântico lexical em seis estados da região norte do Brasil nas localidades pesquisadas pelo projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), para apontar áreas onde ocorrem itens lexicais comuns, comparar os resultados das cidades do interior dos estados pesquisados com as suas respectivas capitais, assim como o falar da região norte com a área do falar baiano resultado da tese de doutorado de Ribeiro (2012). Como aporte teórico e metodológico para a execução deste trabalho considerou-se a dialetologia pluridimensional, Thun (1998), além das contribuições feitas por pesquisadores da área da dialetologia como Cardoso (2010) e Razky (2013). A abordagem metodológica seguida foi a da geolinguística que permitiu que os resultados fossem apresentados por meio de cartas lexicais que mostram a variação geográfica dos itens pesquisados. Por se tratar de um trabalho pluridimensional, será observada, por meio de gráficos, além da variação diatópica, a variação no nível diastrático (faixa etária e sexo). Para a execução do trabalho foram utilizados os dados do projeto ALiB, coletados em vinte e três localidades distribuídas pelos estados do Pará, Amapá, Amazonas, Acre, Rondônia e Tocantins, entrevistando-se sujeitos de ambos os sexos, divididos em duas faixas etárias, dezoito a trinta anos, (primeira faixa etária) e cinquenta a sessenta e cinco anos de idade (segunda faixa etária). Para a obtenção dos dados foi aplicado o questionário semântico lexical do projeto ALiB, composto de 202 questões em 14 campos semânticos, dos quais se delimitou para esta pesquisa a área semântica Jogos e Diversões Infantis. Os resultados deste estudo demonstraram a ocorrência de pelo menos duas áreas geográficas que apresentam características lexicais comuns a cada uma em si, o nordeste e o sudeste da região norte. As capitais e as cidades interioranas apresentaram pouca diferença no campo lexical estudado. Como itens lexicais comuns à região norte que a diferenciam da área do falar baiano documentaram-se peteca, para designar bolinha de gude, baladeira, para estilingue, curica, para pipa sem vareta, só para citar alguns.Tese Acesso aberto (Open Access) Língua como linha de força do dispositivo colonial: os gavião entre a aldeia e a universidade(Universidade Federal do Pará, 2019-05-09) LISBÔA, Flávia Marinho; NEVES, Ivânia dos Santos; http://lattes.cnpq.br/2648132192179863O presente trabalho propõe uma reflexão sobre o papel da língua nas práticas sociodiscursivas da universidade, como instituição de materialização das normatividades hegemônicas do dispositivo colonial, para a permanência de alunos indígenas Gavião dos grupos Parkatejê, Akrãtikatejê e Kyikatjê na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). Formulou-se uma ferramenta teóricometodológica a partir dos Estudos Pós-Coloniais (especialmente Walter Mignolo, Aníbal Quijano, Catherine Walsh e Àngel Rama) e da análise do discurso arquegenealógica de Michel Foucault, fundamentalmente na noção de “dispositivo”, também com a colaboração da leitura de Neves (2009, 2015) sobre o dispositivo foucaultiano, que resultou na proposta de “dispositivo colonial”. As quatro linhas (Visibilidade, Enunciação, Subjetividade e Força) desenhadas por Deleuze (2006) para o dispositivo de Foucault é outra influência estrutural na tese, das quais tomou-se duas (Subjetividade e Força) para apresentar as oscilações do funcionamento do dispositivo colonial na universidade ao longo da história e a partir da entrada de indígenas em função das ações afirmativas nos últimos dez anos. Dentro dessas linhas, observou-se que o perfil hegemônico da universidade é tensionado com a presença indígena e a língua se apresenta como a linha de força, costurando as práticas discursivas que garantem as normatividades do dispositivo colonial nesse contexto.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Linguagem e identidade: a construção discursiva das identidades sociais em interações com menores infratores(Universidade Federal do Pará, 2006-08-25) SILVA, Denilson de Souza; TOSCANO, Maria Eulália Sobral; http://lattes.cnpq.br/7725724776869425Este trabalho analisa a construção discursiva das identidades sociais em três interações com menores infratores sob o regime semiliberdade. O objetivo desta investigação é correlacionar língua e identidades. Para isto, o estudo começa por problematizar as idéias sobre o sujeito e sua identificação com diferentes centros sociais numa sociedade moderna e plural. Destaca, também, a influência das instituições na formação identitária do indivíduo, especialmente das instituições reguladoras para menores infratores e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Assim, relaciona o estigma, socialmente construído, às contingências identitárias com os quais os menores se deparam nas interações verbais. Deste modo, recorre a abordagens teóricas que consideram a língua em seu contexto social, como a Sociolingüística Interacional e as teorias da Enunciação, como também a outras áreas do conhecimento, como os Estudos Culturais e a Psicologia Social. É uma investigação de cunho interpretativista e etnográfico que analisa a construção das identidades sociais por meio de diferentes alinhamentos e enquadres no discurso, e estuda a relação do discurso dos adolescentes com os discursos que circulam na unidade onde estão e na sociedade. Para tanto, entrevistas com funcionários e pessoas que visitam o referido local foram realizadas, assim como notas de campo sobre a situação social dos participantes foram tomadas. O trabalho observa as identidades emergentes mais relevantes no discurso dos menores, tais como a identidade estigmatizada, a identidade religiosa, as familiares e a identidade da transformação, sempre formadas na sua necessária relação com o outro. A análise revela o conflito entre a identidade do infrator e as identidades, consideradas socialmente como normais, o que demonstra a complexidade das identidades sociais e suscita novas problematizações a serem consideradas em pesquisas futuras.
