Programa de Pós-Graduação em História - PPHIST/IFCH
URI Permanente desta comunidadehttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/4187
O Programa de Pós-Graduação em História (PPHIST) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA) foi criado em 2004, em nível de Mestrado. Em 2010, teve o seu Doutorado aprovado, cuja primeira turma iniciou em meados de 2011. O objetivo do PPHIST/UFPA é o de refletir historiograficamente sobre a diversidade social, étnica e cultural da Amazônia na sua relação com a biodiversidade local. Nesse sentido, trata-se de formar e capacitar pesquisadores e professores dentro desse campo de múltiplas realidades. Por outro lado, objetiva-se também o fomento e a criação de estudos históricos que relacionem a realidade e a historicidade da Amazônia com análises de outras dinâmicas históricas brasileiras e da Pan-Amazônia. Como primeiro Doutorado em História da região amazônica, o PPHIST/UFPA quer se consolidar como uma Pós-Graduação de referência para os demais estados da região e, inclusive, para os países que compõem a Pan-Amazônia.
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Navegando Programa de Pós-Graduação em História - PPHIST/IFCH por Linha de Pesquisa "ETNICIDADE E TERRITORIALIDADES: USOS E REPRESENTAÇÕES"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) O avesso das expectativas: exploração dos recursos naturais e exclusão em Moatize, Província de Tete, Moçambique (2000 a 2015)(Universidade Federal do Pará, 2024-05-31) MATEUS, Estone Bento Mifolo; BEZARRE NETO, José Maia; http://lattes.cnpq.br/7000143949499821O avanço do Capitalismo Moderno impõe novas formas de estar diante dum mercado global e concorrencial, resultante do crescimento da indústria, que demanda matéria prima de forma incessante para poder alimentar essa indústria numa linha contínua de progresso. Na senda desta corrida desenfreada pela aquisição de matéria prima, o continente africano passa a ser mais uma vez, o palco sobre o qual decorrem os jogos de interesses capitalistas, geralmente acompanhados por um silêncio ruidoso e a apatia que tem caracterizado os Governos africanos, se calhar, por essa razão, a fragilidade dos Governos africanos, do ponto de vista de fiscalização e defesa de interesses coletivos, a África tem sido o local preferencial. Neste contexto, Moçambique não fugiu à regra e, pelas jazidas de carvão existentes na bacia carbonífera de Moatize, verifica-se um crescente fluxo de grandes empresas interessadas na exploração do carvão mineral. Diante deste encontro entre duas realidades completamente diferentes, por um lado as multinacionais com larga experiência na exploração de recursos e, por outro lado um Estado, cujas instituições são fracas e sem a capacidade técnica necessária para fiscalizar empreendimentos de tamanha envergadura, aliado a uma população sem experiência nestas situações, resultando num choque de realidades, bem distintas. As empresas, aproveitando as fragilidades apresentadas, eximem-se da responsabilidade social corporativa, por outro lado, os novos ricos instrumentalizam o Estado para benefícios pessoal ou de grupo, instalando se um conflito permanente entre as populações locais reivindicando os seus direitos legítimos e, as empresas extrativistas ávidas por lucros, aplicando para o efeito princípios “maquiavélicos”, em que, os fins justificam os meios. Deste processo, resulta a exclusão nas suas variadas tipologias, desde exclusão ambiental, exclusão social e económica. O acentuado nível de exclusão social, remete ao pensamento de que o projeto poderá não ser socialmente justo e, nem ambientalmente sustentável, em razão da economia política moçambicana ser essencialmente extrativista e geradora de exclusão.Tese Acesso aberto (Open Access) Caminhos fluviais e mobilidade: os rios Guaporé, Mamoré e Madeira e a rota entre o Mato Grosso e o Grão-Pará (séculos XVII e XVIII)(Universidade Federal do Pará, 2022-04-28) MELO, Vanice Siqueira de; CHAMBOULEYRON, Rafael Ivan; http://lattes.cnpq.br/7906172621582952; https://orcid.org/0000-0003-1150-5912Em meados do século XVIII, os rios Guaporé, Mamoré e Madeira transformaram-se em um caminho fluvial utilizado para estabelecer a comunicação entre a capitania do Mato Grosso e o estado do Grão-Pará e Maranhão. A historiografia que analisou o assunto apontou, notadamente, a importância da Coroa portuguesa na constituição desse caminho e a relevância das atividades comerciais para a sua consolidação. Embora esses eixos de reflexão sejam importantes, acredita-se que não são suficientes para analisar a composição desse caminho fluvial. Nesse sentido, esta tese argumenta que esse caminho foi constituído também a partir da mobilidade e do interesse dos sujeitos que, em expedições, navegaram por esses rios e como esse deslocamento estava conectado a outras demandas e se constituía, igualmente, a partir da interação com o ambiente.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Cidadania negra, triolets e imprensa: a destemida trajetória de João da Cruz contra o racismo e sua luta por reconhecimento e igualdade (Maranhão-Pará, 1864-1887)(Universidade Federal do Pará, 2024-09-13) LIMA, Helder Lameira de; BEZERRA NETO, José Maia; http://lattes.cnpq.br/7000143949499821; RICCI, Magda Maria de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4368326880097299A dissertação proposta investiga a vida de João Francisco da Cruz, um intelectual negro do final do século XIX, cuja trajetória no Pará revela as complexidades das lutas por cidadania em uma sociedade marcada pelo escravismo. Focando na interseção entre sua narrativa pessoal e as tensões raciais da época, o estudo analisa o papel da imprensa, especialmente o jornal Diário de Notícias, na construção das representações raciais e nas batalhas ideológicas em torno da abolição da escravatura. No Pará, na seção “Solicitados” do jornal Diário de Notícias, encontramos Triolets que se referiam ao “macaco”, ao “preto”, ao “carafuz”, ao “negro mais petulante” João da Cruz, sendo usados para ironizar, satirizar e discriminar homens de cor. A pesquisa identificou cento e dois triolés, dois romances à vapor, um epigrama, um soneto, dois poemetos, cinco adivinhações e uma fábula, todos envolvendo João da Cruz, entre dezembro de 1882 e março de 1883, reaparecendo entre maio e setembro de 1885. A partir desses triolés e outras notas sobre João da Cruz, foram encontradas diversas notícias relacionadas a ele, aprofundando a compreensão sobre sua figura. Essa pesquisa busca não apenas mapear as conquistas de João da Cruz, mas também desvelar os obstáculos enfrentados pelos afrodescendentes em sua busca por reconhecimento e igualdade. Explorando fontes cartoriais e periódicas, o estudo destaca as estratégias de superação adotadas por João da Cruz e outros afrodescendentes em meio a um contexto de desigualdade e preconceito racial, contribuindo para uma compreensão mais ampla da história dos afrodescendentes no Brasil e seus legados na sociedade contemporânea.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ciência, nação e região na Era Vargas: o caso do Museu Paraense Emílio Goeldi (1930-1945)(Universidade Federal do Pará, 2024-06-27) LEAL, Diego Rodrigo Guimarães; GUZMÁN, Décio Marco Antônio de Alencar; http://lattes.cnpq.br/0656841754619406; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0003-3219-4404; SANJAD, Nelson Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/9110037947248805; https://orcid.org/0000-0002-6372-1185A presente dissertação situa-se na interface da história ambiental e da história das ciências. Propõe-se a analisar a relação entre ciência e política entre 1930 e 1945, período conhecido como Era Vargas. O período é caracterizado pela historiografia como uma ruptura no âmbito político, administrativo, social e econômico do Estado brasileiro, em relação ao equilíbrio de forças e ao padrão de desenvolvimento verificados na chamada Primeira República. Essa mudança se refletiu no âmbito cultural e teve consequências no processo de institucionalização das ciências e na configuração de um campo patrimonial brasileiro. Esse processo será analisado no Estado do Pará por meio de um estudo de caso, particularmente, a atuação de Carlos Estêvão de Oliveira (1880-1946) à frente do Museu Paraense Emílio Goeldi, por quase 15 anos, desde que foi convidado pelo interventor federal major Magalhães Barata, no ano de 1930. Nesse contexto, o estado do Pará passava por uma grave crise financeira, pois a economia da borracha havia entrado em colapso desde a década de 1910, e as instituições públicas, com baixos recursos à disposição, enfrentaram inúmeros problemas administrativos. Busca-se, portanto, compreender qual foi o projeto institucional adotado por Carlos Estêvão de Oliveira em sua gestão, qual a agenda científica construída no período e como a instituição foi transformada em um ambiente político centralizador e nacionalista.Tese Acesso aberto (Open Access) Conversa de pescador: história e cultura política na praia de Ajuruteua, Pará (1970- 2010)(Universidade Federal do Pará, 2022-12-09) OLIVEIRA, Marcus Vinicius Cunha; HENRIQUE, Márcio Couto; http://lattes.cnpq.br/9096024504515280Esta tese investiga a agência de pescadores e pescadoras frente aos impactos socioambientais da construção da rodovia PA-458 e às mudanças geográficas do processo de erosão e avanço do mar na ilha de Ajuruteua. Com base em documentos oficiais, jornais, fotografias, teses, dissertações e relatos orais foram analisadas as ações de moradores, lideranças locais e pescadores e pescadoras em relação às mudanças provocadas pela rodovia e às ameaças ao seu modo de vida. Conclui-se que os pescadores e pescadoras, ao contrário do que se costuma afirmar, estão atentos às transformações do seu tempo e da natureza, criam estratégias de adaptação, atualizando seus saberes, práticas e crenças, produzem cotidianamente novos conhecimentos ecológicos, aceitam ou rejeitam as inovações da “modernidade” de acordo com seus interesses, estabelecem relações complexas com a sociedade circundante e com a natureza, participam de redes de comércio nem sempre desfavoráveis, se apropriam de leis e linguagens fora do seu universo cultural e se organizam politicamente para defender seu território e seu modo de vida de acordo com a legislação vigente.Tese Acesso aberto (Open Access) Da Vila do Cariperana à nova territorialização da Comunidade Remanescente Quilombola do América nas narrativas de moradores no contexto bragantino(Universidade Federal do Pará, 2024-07-23) SILVA FILHO, Claudio Padilha da; SOUZA, Ana Paula Vieira e; http://lattes.cnpq.br/8840758628880141; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0003-3340-1866; MIRANDA, Leila Mourão; http://lattes.cnpq.br/5665064793338456; https://orcid.org/0000-0002-5273-1900A tese analisa o processo histórico de formação da Comunidade Remanescente Quilombola do América (CRQ), no município de Bragança-Pará, na Amazônia paraense motivada pela desterritorialização de moradores (as) da vila do Cariperana, em face às divergências de opiniões, conflitos, interesses e redução da área em que viviam e se constituam socialmente no trabalho da agricultura e produção da farinha d’água. As duas comunidades estão localizadas no município de Bragança, nordeste do Estado do Pará, e as configuram no contexto das redes de significações territoriais, socioespaciais, socioculturais e políticojurídicas, instituídas pela Constituição Federal do Brasil, de 1988. A tese assume a abordagem da fonte da oral, que parte do princípio de que os discursos orais são passíveis de transformação em textos escritos que se tornam testemunhas (Meihy, Holanda, 2015). Assim, a pesquisa de campo empírico partiu da escuta das narrativas orais de pessoas moradoras (os mais velhos das duas vilas), indicando colaboradores e os guardiões da memória. Metodologicamente, a tese é referendada na perspectiva da História Social nos estudos de história e memória, memória e identidade. A análise histórica das duas vilas na constituição da comunidade quilombola é contextualizada a despeito da origem e as relações da presença do negro-africano e descendentes, visando evidenciar a formação distinta de suas historicidades. Analisa-se a constituição de uma nova territorialização a partir das políticas públicas de igualdade racial discutindo os movimentos diaspóricos em busca de melhores condições de vida e trabalho na Amazônia paraense por pessoas negras e seus descendentes, que deram origem à vila do Cariperana e vila do Américo. O campo teórico sobre processos de território, desterritorialização e nova territorialização são abordados em três perspectivas: histórico-temporal, espacial e simbólico com base na teoria de Haesbaert (2004; 2005). Na coleta de dados, a utilização da técnica da entrevista com os afrodescendentes que são descendentes do casal Gregório e Tereza, bem como da mulher Andreza. Participaram os (as) colaboradores Júlio Monteiro, Nezila, João Paulo, Orlandina e Manoel Carivaldo. As análises das categorias interpretativas a despeito da origem da população negra das duas vilas foram com base na teoria da história oral por Thompson (1992), assim como, o uso da representação gráfica dos símbolos do ‘genograma’ para explicitar as gerações familiares de ambas as vilas , indicando as descendências dos(as) colaboradores desta pesquisa. Os resultados da tese apontam reflexões sobre o território e os conflitos entre famílias, a relação social, econômica e cultural na atividade do trabalho com o plantio da mandioca e casa do forno, evidenciando a rede de significado territorial com a certificação de comunidades remanescentes quilombolas no contexto amazônico. A função social e cultural da presença da mulher como liderança no movimento de ocupação territorial, do reconhecimento étnico-racial da Comunidade Remanescente Quilombola do América ocorreram a partir da implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais conforme os dispositivos legais do Brasil. A tese, conclui que a vila do Cariperana e vila do Américo originaram a nova territorialização da Comunidade Remanescente Quilombola do América, assim como, as políticas de valorização da história e cultura do Continente África e Afrobrasileiro, que reconheceu ancestralidade do território em 2015 e em 2023 foi titulada.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “[...] dividir o corte da lenha [...] afim de não vermos brevemente as nossas matas calvas e estragadas”: a lenha nas Províncias do Pará e Amazonas (1850-1888)(Universidade Federal do Pará, 2024-09-23) CORDOVIL, Wendell Presley Machado; NUNES, Francivaldo Alves; http://lattes.cnpq.br/4125313573133140No século XIX amazônico, as embarcações a vapor que navegavam pelos rios da região ainda não utilizavam o diesel como combustível. As cozinhas das residências não conheciam ainda o “gás de cozinha”. Outro item se destacava como gerador de energia para fornalhas e fogões na dinâmica cotidiana: a lenha. A árvore derrubada era cortada em pedaços, entre menores e maiores, e se transformava então em “achas de lenha”. A partir da década de 1850 a lenha se tornava um produto de grande valor para a movimentação a vapor nos rios da Amazônia, assim como era comercializada para cozinhas domésticas ou de instituições e negócios. A lenha mobilizou diversas interações dos humanos entre si e com outros seres não humanos, entre animais e plantas. Indígenas, negros, brancos, cavalos, e maçarandubas aparecem como personagens na presente Dissertação. Analisando documentos (como jornais, relatórios de presidentes de províncias, relatos de viajantes, desenhos e plantas baixas) foi possível compreender um pouco do complexo cenário que se desenvolvia no Pará e Amazonas em torno desse importante combustível, entre 1850 e 1888. Com foco na produção, comércio e consumo da lenha para vapores e cozinhas, neste trabalho emerge a temática do uso da lenha, o trabalho compulsório na sua produção, a interação com plantas, animais e também o início de uma preocupação com o desflorestamento gerado pela produção de lenha, entre seus usos e representações.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Do sarampão as perniciozissimas bexigas”: epidemias no Grão-Pará setecentista (1748-1800)(Universidade Federal do Pará, 2017-11-14) MARTINS, Roberta Sauaia; VIEIRA JÚNIOR, Antonio Otaviano; http://lattes.cnpq.br/6764908679902300Este trabalho tem por objetivo analisar as principais ações e estratégias acionadas pelas autoridades coloniais e metropolitanas voltadas aos impactos ocasionados por três epidemias específicas, grassadas na capitania do Grão-Pará, na segunda metade dos setecentos. Trata-se de um esforço em discutir como essas estratégias foram sendo gestadas e forjadas a partir do diálogo entre as esferas de poder dos dois lados do Atlântico, bem como nos contornos internos do Grão-Pará. Busca-se a compreensão não apenas das diretrizes realizadas, como também a forma como esses eventos foram narrados, bem como as convergências e tensões trilhadas no rastro das epidemias.Tese Acesso aberto (Open Access) As drogas do sertão e a Amazônia colonial (1677-1777)(Universidade Federal do Pará, 2021-09-20) POMPEU, André José Santos; CHAMBOULEYRON, Rafael Ivan; http://lattes.cnpq.br/7906172621582952; https://orcid.org/0000-0003-1150-5912O presente trabalho é centrado na atividade econômica das drogas do sertão, consideradas como a principal atividade econômica da Amazônia durante o período colonial. Durante o século XX, se convencionou em boa parte da historiografia que essa atividade econômica estava sob um monopólio missionário, principalmente, dos integrantes da Companhia de Jesus. E que, após a expulsão dos jesuítas, essa predominância recaiu sob os povoamentos de índios criados durante o reinado de D. José I, quase como herdeiros diretos do monopólio jesuítico. A presente tese propõe uma revisão dessa perspectiva, buscando demonstrar a participação ativa de outros sujeitos nessa atividade econômica, sobretudo, os particulares. A partir da análise das fontes, é possível destacar a participação desses sujeitos na atividade das drogas do sertão, sendo que, em diversos momentos é possível visualizar a predominância desses particulares em detrimento tanto de missionários, quanto das canoas das povoações de índios. O presente trabalho está focado nas relações, exercidas na atividade das drogas do sertão, dentro da própria colônia, em um espaço, comumente, conhecido como Amazônia portuguesa.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Em auxílio dos seus”: Mutualismo espanhol numa cidade Amazônica (Belém-Pará, 1890 – 1920)(Universidade Federal do Pará, 2021-02-26) LIMA, Aline de Kassia Malcher; NUNES, Francivaldo Alves; http://lattes.cnpq.br/4125313573133140Na virada do século XIX para o XX a cidade de Belém sofreu intensas modificações promovida pela economia da borracha, produto de maior exportação no período, nesse contexto a cidade de Belém experimentou a chegada de um número expressivo de migrantes nacionais e internacionais movidos pelo ensejo de enriquecer com a oportunidade que esta terra proporcionava e propagandeava. Os espanhóis configuram como o segundo maior grupo expressivo dessa leva de imigrantes estrangeiros para a cidade de Belém. Oriundos em sua maioria da região da Galícia, muitos emigrados se estabeleceram no contexto urbano e criaram redes de sociabilidade e solidariedade por meio do associativismo. Diante deste contexto, esta dissertação analisou o processo de construção das associações mutualistas de auxílio a imigrantes espanhóis. A problemática se detém em compreender como as estratégias de sobrevivência dos espanhóis que chegam à Amazônia no início do século XX são acionadas por meio das associações de socorros mútuos em Belém, particularmente a Union Española de Socorros Mútuos e o Centro Galaico del Pará. As associações mutualistas étnicas dos emigrantes se configuram como um verdadeiro marco simbólico de territorialidade. Por meio de um acervo de fontes diversas foi possível compreender a dinâmica de funcionamento do mesmo. Neste sentido, a memória dos imigrantes em relação à pátria é preservada e os laços mantidos com ela estão presentes no decorrer da existência dos centros associativos espanhóis como uma forma de expressão e pertencimento, sendo estes plataformas de interlocução política e social.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “Empório dos gêneros do sertão e do comércio”: elite proprietária e trabalho indígena no Baixo Amazonas em finais do século XVIII e início do XIX (1780-1810)(Universidade Federal do Pará, 2025-02-19) MCDANIEL, Alice Maria Teixeira; CHAMBOULEYRON, Rafael Ivan; http://lattes.cnpq.br/7906172621582952; https://orcid.org/0000-0003-1150-5912Esta dissertação tem como objetivo investigar a importância econômica e estratégica do Baixo Amazonas, região pertencente ao Estado do Grão-Pará e Rio Negro, especificamente na Capitania do Pará, por meio da análise da elite proprietária e do trabalho indígena, entre os anos de 1780 e 1810. A pesquisa se concentra na formação de uma “elite” colonial que emergiu no Baixo Amazonas a partir de meados do século XVIII, fortalecida pela ascensão do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo e pelas reformas pombalinas. Essas reformas, juntamente com a regulamentação do trabalho indígena por meio do “Diretório dos Índios”, reconfiguraram as políticas de utilização do trabalho indígena, o que teve grande impacto na coleta das “drogas do sertão” e na agricultura. A partir da análise de documentos da época, busca-se evidenciar a participação desses dois grupos e sua contribuição para a economia das drogas do sertão e para a agricultura da região do Baixo Amazonas no final do século XVIII e início do XIX.Tese Acesso aberto (Open Access) Entre as terras do Rio Branco e a Guiana Inglesa: relatos de viajantes sobre povos indígenas (1835-1899)(Universidade Federal do Pará, 2023-05-12) LAPOLA, Daniel Montenegro; SANJAD, Nelson Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/9110037947248805; https://orcid.org/0000-0002-6372-1185A tese se ampara na linha historiográfica de Peter Burke sobre a história cultural das representações e na história indígena para analisar os relatos de viajantes sobre os indígenas na região entre o extremo norte brasileiro e a Guiana Inglesa no século XIX. Trabalhamos os relatos do explorador prussiano Robert Hermann Schomburgk (1804-1865), do geólogo canadense Charles Barrington Brown (1839-1917), ambos a serviço da Royal Geographical Society da coroa britânica; em sequência, analisamos o viajante francês Henri Anatole Coudreau (1859-1899), em missão do Ministério da Marinha e das Colônias francesas e do governo do estado do Pará. Como objetivo central, analisei a relação dos viajantes junto aos indígenas, as alianças e estratégias utilizadas através da investigação científica para servir aos interesses demarcatórios e de ocupação de terras do país patrocinador do empreendimento na fronteira do extremo norte brasileiro com a Guiana Inglesa entre 1835-1899.Tese Acesso aberto (Open Access) Ernesto Cruz: um diálogo entre a história e a construção do patrimônio cultural no Pará (1940-1960)(Universidade Federal do Pará, 2023-03-31) TUTYIA, Dinah Reiko; HENRIQUE, Márcio Couto; http://lattes.cnpq.br/9096024504515280Esta tese analisa as contribuições do historiador paraense Ernesto Horácio Cruz para a preservação patrimonial no Pará. Seu nome, dentre as várias associações culturais paraenses as quais pertenceu, encontra-se sempre atrelado à direção da antiga Biblioteca e Arquivo Público do Estado do Pará (BAP) e ao Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP), permanecendo sua face preservacionista, pouco evidenciada ao longo de sua trajetória de vida, exposta nos livros, em notas de jornais e homenagens, assim como nas falas de seus confrades. Porém, nos processos de tombamento de bens patrimoniais, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Pará (IPHAN/PA), ao longo dos anos 1940 a 1960, sua figura encontra-se presente, fato que motivou a incursão da história da preservação patrimonial paraense a partir da figura de Ernesto Cruz. Este trabalho tem como finalidade compreender as práticas e o conjunto de ações operados por esse sujeito nas ações de patrimonialização das décadas iniciais de atuação do IPHAN no Brasil, logo, propõe um estudo histórico da política de preservação patrimonial paraense. Nesse sentido, a originalidade desta tese é apresentar a dimensão preservacionista de Ernesto Cruz, aspecto ainda não explorado no campo da Historiografia amazônica nem na Arquitetura. A partir de sua atuação enquanto delegado do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), Ernesto Cruz tornou-se uma figura fundamental no processo de institucionalização do patrimônio histórico no estado do Pará. A investigação encontra-se embasada em fontes do século XX, como a produção intelectual do historiador, o que inclui livros e artigos em jornais, além da documentação presente nos processos de tombamento do SPHAN e fontes que dialogam com os temas que emergiram do material, tais como a transformação da cidade, arquitetura e história de Belém.Tese Acesso aberto (Open Access) Etnogêneses e cidadanização no Brasil: movimentos indígenas e educação para a cidadania no tempo presente (1964-2021)(Universidade Federal do Pará, 2022-11-28) FERNANDES, Fernando Roque; COELHO, Mauro Cezar; http://lattes.cnpq.br/7187368960757936Os povos indígenas não foram receptores passivos das políticas indigenistas gestadas pelo Estado brasileiro na segunda metade do século XX. Ao contrário, protagonizaram a luta pela igualdade de direitos, mesmo quando o contexto de crise política e social que caracterizou o Regime Civil-Militar, entre os anos 1964-1985, avançou sobre o futuro da questão indígena através de tentativas de emancipação compulsória que punham em risco a sobrevivência de diversos povos. O objetivo desta tese é apresentar uma análise que auxilie na compreensão sobre as estratégias indígenas que dimensionaram as articulações de sujeitos e coletivos étnicos em defesa de suas especificidades e diferenças, contribuindo para a ocorrência de emergências políticas e sociais caracterizadas pelos fenômenos de etnogêneses, os quais informam aspectos da cidadanização indígena nos termos estabelecidos pela Constituição Brasileira de 1988. É também verificar de que modo os movimentos indígenas contemporâneos, através de suas agências, baseadas em exemplares iniciativas, se apropriaram das associações de representação civil e da educação escolar enquanto instrumentos à serviço da formação para o exercício da cidadania plena no contexto da luta, ainda em curso no tempo presente, pela garantia e conquista de direitos que considerem as especificidades sociohistóricas que informam o multiculturalismo no Brasil.Tese Acesso aberto (Open Access) Gente, natureza e colonização: fabricação e comércio de madeiras na capitania do Grão-Pará (1755-1808)(Universidade Federal do Pará, 2023-09-15) BATISTA, Regina Célia Corrêa; SOUZA JUNIOR, José Alves de; http://lattes.cnpq.br/0493030136179246O potencial da vasta cobertura florestal do Estado do Grão-Pará e Maranhão, região que abarca a maior parte do território da atual Amazônia brasileira, gerou interesse desde cedo ao colonizador europeu. A partir de meados do século XVIII a documentação do período registra uma intensa atividade de produção de madeiras na capitania do Grão-Pará, produzidas em fábricas instaladas nas proximidades dos rios Moju, Acará, Igarapé-Miri, Abaetetuba, Barcarena, vila do Conde, Maguari e Caraparú. Em diálogo com a historiografia e tendo como base fontes manuscritas e impressas, esse estudo busca analisar a intensa fabricação de madeiras na capitania e sua intrínseca participação no processo de colonização ao longo da segunda metade do século XVIII e início do XIX. Argumentamos que a atividade madeireira favoreceu o processo de colonização na capitania do Grão-Pará, sendo evidente a sua utilização no abastecimento dos Arsenais Reais da Marinha e do Exército na Corte, bem como esteve presente nos diversos aspectos da vida dos moradores como na construção de casas, móveis e embarcações, principal meio de circulação de pessoas e mercadorias naquele período.Tese Acesso aberto (Open Access) “Hostilidades da floresta”: agrodesenvolvimento e políticas agrárias no Nordeste do Pará (século XX)(Universidade Federal do Pará, 2024-06-21) SILVA, Bruno de Souza; NUNES, Francivaldo Alves; http://lattes.cnpq.br/4125313573133140Esta tese apresenta as principais políticas de desenvolvimento rural que foram direcionadas para a região amazônica a partir da chamada Era Vargas (1930-1945) até o final do governo militar em 1985. Uma vez que foram períodos de intensificação nas políticas desenvolvimentistas que visavam a colonização, agricultura e agroindústria através de agências como a SPVEA, BASA e SUDAM. Mais especificamente sobre a experiência da população de Tomé-Açu, por ser uma sociedade que surgiu a partir de um projeto de colonização que se desenvolveu econômica e politicamente tendo como base a agricultura da pimenta-do-reino, assim como constituiu umas das mais importantes instituições associativistas do nordeste do Pará, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu. Temos como principal argumento que orienta esta tese o fato de que Tomé-Açu surgiu a partir de políticas direcionadas para as florestas, seu desenvolvimento assim como as relações sociais e econômicas tiveram forte influência dos projetos capitaneados por agências do governo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Igarapé-Miri: a passagem da escravidão ao trabalho livre, numa região de engenhos (Grão-Pará: 1843-1888)(Universidade Federal do Pará, 2017-05-16) NASCIMENTO, Sônia Viana do; BEZERRA NETO, José Maia; http://lattes.cnpq.br/7000143949499821Em Igarapé-Miri, ao longo do século XIX, a presença de trabalhadores escravos se mostrou significativa e de grande relevância as atividades da lavoura canavieira e produção de aguardente/ cachaça. A presente dissertação analisa a passagem da escravidão ao trabalho livre, destacando que a proximidade ou o fim da escravidão, não significou a saída dos trabalhadores escravos dos engenhos da região. A partir do uso de fontes diversas como jornais, inventários post-mortem, saldo da câmara municipal de Igarapé-Miri, contratos de trabalho, e outros, dados demográficos, na busca em compreender a importância da escravidão no local assim como, os mecanismos utilizados pelos senhores para assegurar a mão-de-obra.Tese Acesso aberto (Open Access) “Melhores mestres...”: saberes indígenas e ciência colonial no vale Amazônico (século XVIII)(Universidade Federal do Pará, 2023-09-05) SANTOS, Rafael Rogério Nascimento dos; COELHO, Mauro Cezar; http://lattes.cnpq.br/7187368960757936Essa tese analisa os papéis que os povos indígenas do Vale Amazônico exerceram na circulação/construção do conhecimento, durante a segunda metade do século XVIII, encarando-os como sujeitos que estiveram envolvidos ativamente nesse processo, considerando-os protagonistas históricos. A partir do campo da História Indígena e da História das Ciências, e por meio da documentação, demonstro que seus conhecimentos fizeram parte da constituição das ciências naturais em construção naquele período, e, como, em grande parte, seus saberes foram apropriados pela ciência moderna então em construção. A tese afirma que a construção do conhecimento, assim como sua circulação, contou essencialmente com fontes e práticas locais, e, como procuro evidenciar e analisar, com práticas, técnicas e conhecimentos indígenas. Apresento e analiso fontes que permitem inserir os povos indígenas do Vale Amazônico na história do conhecimento científico ocidental.Tese Acesso aberto (Open Access) As memórias dos sertões: as práticas de cativeiro, escravidão e liberdade de índios e mestiços na Amazônia portuguesa (séculos XVII-XVIII)(Universidade Federal do Pará, 2023-07-28) FERREIRA, André Luís Bezerra; ARENZ, Karl Heinz; http://lattes.cnpq.br/0770998951374481Esta tese analisa as práticas de cativeiro, escravidão e liberdade dos índios e seus descendentes mestiços na Amazônia portuguesa durante os séculos XVII e XVIII. A região amazônica, desde o século XVII, esteve inserida nas rotas globais da escravidão, nas quais as rotas transamazônicas forneceram indígenas para os aldeamentos, vilas e também para os portos do Caribe e da Europa. Em vista do tráfico e as injustiças do cativeiro, nas conquistas portuguesas houve o estabelecimento de regimes de normatividades que regulamentaram as práticas de arregimentação – descimentos, resgates e guerras justas – da indispensável mão de obra indígena. As normatividades, além das dicotomias livres e escravos, aliados e inimigos, free ou unfree, estabeleceram uma gama de condições jurídicas que regulavam a inserção dos indígenas e mestiços na sociedade colonial, tais como forro, livre, cativo, prisioneiro, escravo e dado de condição. Estes regimes normativos eram dinâmicos e suas reformulações estavam interligadas com os processos multifacetados da região e as transformações ocorridas nas conjunturas globais do reino português. Entre esses processos, as dinâmicas de mestiçagem ocuparam um lugar central, sendo um aspecto constitutivo das leis referentes aos índios e seus descendentes. Independente das normatividades, mulheres e homens indígenas, através das suas sociabilidades com pessoas de diversas qualidades e condições jurídicas, foram sujeitos ativos das mestiçagens e também foram produtores de novas categorias de qualificações sociais. Assim, defendo que esse conjunto de normatividades jurídicas, associadas às qualificações das identidades sociais, afirmavam as dependências assimétricas nas quais indígenas e mestiços estavam inseridos dentro das hierarquias sociais na Amazônia colonial. Por sua vez, estes sujeitos, a partir das suas interagências com os demais agentes da sociedade, também souberem utilizar as leis vigentes e as tornaram inteligíveis a seu favor. Sendo assim, a presente pesquisa, por meio das ações de liberdades do Tribunal da Junta das Missões e os autos de libelo cível de liberdade do Juiz Privativo das Liberdades, analisa o acesso de índios e mestiços às esferas da justiça para denunciar o injusto cativeiro a que foram submetidos e para obter o reconhecimento das suas liberdades. Os cativos em juízo faziam uso das memórias familiares a fim de (re)afirmar suas origens indígenas e/ou denunciar as ilegalidades com que seus parentes foram resgatados e aprisionados nos sertões e várzeas do rio Amazonas e levados para os espaços coloniais. Tal estratégia, além de uma qualificação social, tinha uma dimensão jurídica e sociopolítica, pois as procedências indígenas poderiam lhes garantir direitos, sobretudo, suas liberdades.Tese Acesso aberto (Open Access) A mobilidade social das lideranças indígenas Tabajara e Potiguara na Paraíba e demais capitanias do Norte do Brasil (séculos XVI – XVIII)(Universidade Federal do Pará, 2021-05-04) MEIRA, Jean Paul Gouveia; COELHO, Mauro Cezar; http://lattes.cnpq.br/7187368960757936Essa tese teve como objetivo analisar o papel desempenhado pelas lideranças Tupi, pertencentes aos povos Tabajara e Potiguara, no processo de inserção dos indígenas na sociedade colonial a partir da conquista e colonização da Capitania Real da Paraíba, e demais capitanias do norte do Brasil, ao longo dos séculos XVI – XVIII. Durante os primeiros contatos entre indígenas e colonizadores, estes últimos tiveram a necessidade de se inserir na lógica das guerras travadas entre as sociedades Tupi para contrair alianças e conquistar o território. Os europeus foram inseridos no “universo” indígena a partir das relações de matrimônios estabelecidas com as filhas dos chefes Tupi. Os acordos matrimoniais entre indígenas e colonizadores foram fundamentais para o povoamento das capitanias de Pernambuco e Itamaracá na primeira metade do século XVI. Ao longo do referido século, muitos indígenas aliados foram escravizados, e tal conjuntura fez com que os chefes indígenas reestabelecessem os acordos de paz com os colonizadores através da prestação de serviços, notadamente de guerras, para não somente evitarem a escravização da sua gente, mas, também, para a preservação das terras coletivas a partir da inserção de tais indivíduos nos aldeamentos missionários. Muitos indígenas foram protagonistas nas guerras que resultaram na fundação da capitania da Paraíba e demais capitanias do norte do Brasil, assim como na conquista dos sertões, ao longo dos séculos XVI e XVIII. A prestação de serviços resultou em inúmeras recompensas, principalmente para as lideranças Tabajara e Potiguara, as quais puderam obter mobilidade social.
