Teses em Antropologia (Doutorado) - PPGA/IFCH
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/7137
O Doutorado em Antropologia está inserido no Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA), da Universidade Federal do Pará. É um curso ministrado sobre a responsabilidade do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFPA.
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Navegando Teses em Antropologia (Doutorado) - PPGA/IFCH por Agência de fomento "CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Caminhos de gênero nas feras de Bissau: resiliência e desafios de mulheres guineenses em contextos de vulnerabilidade diante dos impactos sociais e econômicos da COVID-19(Universidade Federal do Pará, 2024-04-24) GOMES, Peti Mama; BELTRÃO, Jane Felipe; http://lattes.cnpq.br/6647582671406048; https://orcid.org/0000-0003-2113-043XNa Guiné-Bissau, as feras - palavra do Crioulo para “feiras” - exercem um significativo papel na vida econômica, social e cultural do país. São locais de intensas atividades de compra e venda de mercadorias, e também englobam questões de emancipação feminina, pontos de encontro e reencontros, narrativas históricas, vivências e experiências compartilhadas. Sendo assim, configuram-se como espaços públicos plurais e privilegiados desde um ponto de vista etnográfico, onde uma série de relações socioculturais complexas se desenvolvem. Nesse contexto, a presente tese tem como objetivo compreender, por meio de uma perspectiva antropológica-feminina, a dinâmica socioeconômica de mulheres guineenses, que ora como bideras (vendedoras de feira oficiais), fassiduris di bida (mulheres que fazem a vida vendendo), ora como sumiaduris (vendedoras que têm hortas) e bindiduris (vendedoras no geral), estão em movimento com mercadorias desempenhando papéis ativos nas três principais feras locais: Bande, Caracol e Bairro Militar, todas na cidade de Bissau, capital da Guiné-Bissau, antes, durante e após a pandemia. O estudo é resultado de uma pesquisa de natureza etnográfica, cujo processo metodológico combinou pesquisa etnográfica online e trabalho de campo presencial. Para isso, utilizaram-se narrativas orais provenientes de plataformas digitais, como redes sociais, através de mensagens e áudios compartilhados com mindjeris di fera (mulheres de feira). Durante o período de pesquisa, os principais métodos de trabalho etnográfico incluíram conversas informais, transcrição e análise posterior dos dados. Essas últimas etapas ocorreram na cidade de Bissau, com o foco nas bideras e fassiduris di bida. A análise centrou-se na problematização das relações de gênero e trabalho e como elas foram afetadas pela pandemia. Os resultados indicam que as minhas interlocutoras de pesquisa são responsáveis pela organização de uma grande parte da subsistência material e simbólica no país, coisa que foi evidenciada e acentuada durante a emergência da pandemia de COVID-19.Tese Acesso aberto (Open Access) Entre o passado e o contemporâneo: o Mercedários UFPA e o fazer arqueológico e antropológico em uma capital amazônica(Universidade Federal do Pará, 2024-07-05) GONÇALVES, Ana Paula Claudino; COSTA, Diogo Menezes; http://lattes.cnpq.br/3938588690473816; https://orcid.org/0000-0003-4220-8232A pesquisa discorre sobre o Edifício dos Mercedários do ponto de vista da arqueologia e antropologia urbana nos centros históricos. Por meio de entrevistas com o público externo, dos arredores do prédio, e os frequentadores do Mercedários UFPA são abordados aspectos do cotidiano das pessoas com esse espaço na contemporaneidade, como seus elementos arquitetônicos e seus diferentes usos influenciam no modo como ele é lido e, embora tratar-se de um superartefato, e na maioria das vezes, não ser notado. Para a investigação arqueológica foi utilizada a metodologia geofísica, seguida pelo acompanhamento das obras que ocorriam no espaço e análise do material recolhido, evidenciando vestígios da cultura material escondida no subsolo do edifício, de modo a gerar novas possibilidades de estudo para a história da cidade e seus habitantes. Atualmente o prédio é um dos campus da UFPA, onde funcionam o Curso de Graduação em Conservação e Restauro e o Programa de Pós-Graduação em Ciências do Patrimônio. No século XVII foi fundado como um convento da Ordem dos Mercedários, a partir do final do século XVIII passou a funcionar como Alfândega de Belém, abrigando concomitantemente e posteriormente, entre outras instituições. Seus quase 400 anos nos contam sobre a biografia desse objeto e histórias da interação das pessoas hoje com o espaço, além do fazer arqueológico em uma capital da Amazônia.Tese Acesso aberto (Open Access) Exá raú mboguatá guassú mohekauka yvy marãe‟y(Universidade Federal do Pará, 2015) MACHADO, Almires Martins; BELTRÃO, Jane Felipe; http://lattes.cnpq.br/6647582671406048O presente estudo procura analisar sob as lentes da antropologia, a forma como as lideranças religiosas Mbya, cumprem os sonhos recebidos de Nhanderú Ete, iniciando a caminhada em direção a terra sem mal, a yvy marãe‟y; retornam ao local de ocupação antiga ou a indicada por Nhanderú, terra com a qual mantém laços históricos de luta. Os conflitos se intensificam com a demarcação/ampliação dos territórios ou de terra para o Guarani Mbya, como no caso do Pará, que andaram por cerca de cem anos até encontrar a terra onde exercitar o modo correto de se viver; o dissenso potencializa o etnocentrismo, a discriminação, o racismo, o estigma de ser índio, bugre, preguiçoso, alcoólatra, “raça inferior”. A pesquisa versa sobre o modo como "escolhem”, “adotam,” “retomam,” ressignificam, reterritorializam, guaranizam a terra onde pausaram a caminhada.Tese Acesso aberto (Open Access) O fazer arqueológico no trabalho de campo em um sítio na Campina, Centro Histórico de Belém – pessoas, paisagem e cultura material(Universidade Federal do Pará, 2023-10-13) GOMES, Raimundo Ney da Cruz; ALVES, Daiana Travassos; http://lattes.cnpq.br/1052501030312328; https://orcid.org/0000-0003-0943-3200Esta tese, apresentada em três artigos, busca relacionar pessoas, paisagens e cultura material, três conceitos muito caros, seja a antropologia que a arqueologia. As junções e disjunções entre os três objetos, ensejo para produzir história, são trazidas pelo fazer arqueológico na escavação de um casarão localizado no centro histórico de Belém, no Pará, que foi registrado a partir desta pesquisa como sítio Sesc Ver-o-Peso. A tese aqui defendida é a de que, no centro histórico de Belém, pessoas, paisagem e cultura material, realizam complexos intercâmbios e entrecruzamentos, que contam histórias. E que essas histórias podem ser escritas por meio da investigação arqueológica e antropológica em sua interface com a problematização da ideia de patrimônio cultural. Essa é a tese que costurará os artigos que compõe este trabalho final de doutorado.Tese Acesso aberto (Open Access) Peixe frito, Santos e Batuques: Bruno de Menezes em experiências etnográficas(Universidade Federal do Pará, 2018-04-06) WANZELER, Rodrigo de Souza; PACHECO, Agenor Sarraf; http://lattes.cnpq.br/5839293025434267Nesta tese empreendo um estudo que intenta, primordialmente, apresentar uma outra chave de leitura para a produção intelectual de Bruno de Menezes (1893-1963), o qual obteve destaque no cenário cultural amazônico como um grande literato. Assim, procuro reconstituir importantes aspectos de sua trajetória de vida, destaco representações do cotidiano da cidade de Belém advindas de suas experiências sociopolíticas e focalizo a diversidade e a pluralidade de vozes, provenientes da interculturalidade latente na Belém da primeira metade do século XX. Neste exercício, exploro o viés etnográfico em algumas de suas principais composições, linha interpretativa escolhida para ressignificar os estudos sobre o literato negro. Para alcançar o objetivo central da investigação, em outras palavras, a tese que costura o trabalho, algumas questões fizeram-se norte: Que experiências etnográficas conformam as trajetórias de vida de Bruno de Menezes? Como o intelectual percebia a si e aos outros em suas escrituras? Em que condições e circuitos o literato realizou pesquisas e produziu escritos sobre a dinâmica cultural em cenários paraenses da Amazônia? Por fim, qual a importância de Bruno enquanto um pensador social para o contexto amazônico na primeira metade do século XX? A formulação e compreensão destas questões estão ancoradas no cruzamento teórico-metodológico de um saber-fazer etnográfico que se alinhava nas conexões da Antropologia com a Literatura e o Folclore, os Estudos Culturais, Pós-Coloniais e a História Oral e se verticaliza num campo em que obras literárias, pesquisas de cunho folclórico, fotografias e relatos orais reconstituem evidências de e sobre o escritor em tela. Frente ao exposto, divido o texto acadêmico em duas partes: na primeira, trato dos vários percursos traçados por Bruno ao longo de sua existência e enfatizo as redes estabelecidas, as quais contribuíram para a formação de seu fazer-se e repertório crítico. Na segunda parte, abordo três produções de Bruno de Menezes – Boi Bumba: auto popular; São Benedito da Praia: Folclore do Ver-o-Peso e Batuque. A intenção é reconstituir e analisar a experiência etnográfica dessas composições literárias e ousar incluir o negro jurunense no rol dos grandes pensadores acerca da cultura na Amazônia, indo, dessa forma, para além do aspecto literário, faceta pela qual Bruno é deveras reconhecido. Assim, penso que a partir de todo cabedal epistemológico no qual a tese se ampara, outro Bruno de Menezes é descortinado, o esteta da palavra é também um etnógrafo da Amazônia paraense.Tese Acesso aberto (Open Access) "Póngase las plumas" - A decolonialidade no sistema das artes visuais contemporâneas pelas perspectivas de gênero e corpos dissidentes: complexidades e contradições entre Brasil, Colômbia e Peru(Universidade Federal do Pará, 2024-08-30) VIVIANI, Maria Cristina Simões; GONTIJO, Fabiano de Souza; http://lattes.cnpq.br/7539767705260462O conceito de decolonialidade tem sido agenciado com frequência pelo sistema das artes visuais contemporâneas. O termo proposto pelo Grupo Modernidade/Colonialidade é utilizado principalmente para apontar curadorias com a presença de artistas dissidentes - indígenas, negras, queer e periféricas. Contudo, o campo realizado entre Brasil, Colômbia e Peru indicou que a “decolonialidade” foi apropriada pelo campo das artes, tornando-se um termo nativo das instituições do circuito artístico. A capitalização do conceito pelo mercado das artes resultou em uma abordagem exclusivamente a partir das identidades que apenas se refere à presença de produções de artistas não hegemônicas, sem as devidas transformações que a decolonialidade deveria acarretar a nível estrutural. Sendo assim, agentes das artes acusam de terem suas identidades, antes marginalizadas, agora instrumentalizadas pelo sistema das artes. Diante de tal problemática, a pesquisa investigou o circuito das artes dos três países a partir de entrevistas com artistas, curadoras e galeristas mulheres (cis e transgênero), não bináries e homens transgênero. Considerando o sistema das artes uma estrutura porosa, formado por uma rede de relações de poder entre agentes, instituições e obras de arte, buscou-se evidenciar as complexidades e contradições inerentes a tal campo pela perspectiva de gênero e corpos dissidentes. A conexão territorial, demarcada pela tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, marca também a perspectiva hegemônica do Norte Global sobre suas produções artísticas. Dinâmicas de hierarquizações de poder se repetem em um modelo colonial replicado nas instituições de artes dos três países. Os conflitos e disputas de quem decide o que é arte, quem vende arte e quem consome arte, revelam que a perspectiva decolonial está mais voltada ao discurso do que à prática no circuito artístico. O avanço da decolonialidade propiciada pela pressão social por aumento da representatividade de grupos minoritários em espaços de poder, juntamente com produção acadêmica de alto impacto sobre decolonialidade e a demanda mercadológica, gerou a busca pelas identidades dissidentes que vive hoje o sistema das artes do Sul Global. As limitações sobre as produções das artistas demarcadas pela alteridade a partir da perspectiva hegemônica expõem a necessidade de novas estratégias para, de fato, decolonizar o sistema artístico. A essencialização das identidades e a leitura reducionista como esses corpos e produções são absorvidos pelo sistema das artes indicam que há uma percepção simplista sobre vivências complexas. O questionamento e a resistência das agentes das artes apontam para a necessidade de uma reparação histórica em que as produções sejam localizadas e o sujeito “universal” seja contestado. Assim, as produções dessas agentes determinam por uma descentralização da rigidez imposta sobre as identidades dissidentes, permitindo um esgarçamento do imaginário sobre seus corpos e experiências.Tese Acesso aberto (Open Access) Pontos de memória: de Política Cultural a Museus em periferias.(Universidade Federal do Pará, 2021-11-05) ALCÂNTARA, Camila de Fátima Simão de Moura; GODOY, Renata de; http://lattes.cnpq.br/5173744417832044; https://orcid.org/0000-0002-8138-8670A seguinte tese apresenta uma pesquisa etnografica sobre as iniciativas comunitarias de Pontos de Memoria que participaram de um processo democratico para a construcao de uma politica publica cultural no Brasil, pautada na museologia social. O objetivo deste estudo e compreender os (re)arranjos politicos e sociais que as doze iniciativas autodenominadas de “pioneiras” fazem para manter seus processos museais nas periferias brasileiras. Territorios marcados pela privacao e abandono de politicas publicas efetivas, onde ha proliferacao de todo tipo de violencia com o lugar e com a sua gente. As reflexoes sobre o objeto da pesquisa deram-se por meio da Antropologia dos Museus que forneceu uma interpretacao dos processos museais em contato com a percepcao das representatividades dos Pontos de Memoria pioneiros sobre as suas realidades nos seus lugares de existencia. Organizada em cinco capitulos, a tese traz uma discussao sobre museus em processos que se servem das realidades e solucoes criativas nos espacos urbanos perifericos para registrar a memoria social e salvaguardar o patrimonio cultural dos diversos grupos sociais que vivem nesses territorios. Apresentando as principais diretrizes de politicas publicas voltadas para museus que incentivaram esses grupos a criarem os seus processos museais. As iniciativas dos pontos pioneiros sao revisitadas a partir de uma visao privilegiada do Ponto de Memoria da Terra Firme, em Belem do Para, em que considerou os movimentos em comunidade para defender o desenvolvimento territorial, social, cultural e politico das comunidades que representam. Nesta pesquisa etnografica compreendo que os Pontos de Memoria pioneiros sao museus em processos formados por sujeitos diversos que se enriquecem como comunidades, ao desenvolverem pensamento critico sobre suas realidades e organizarem acoes coletivas transformadoras nas cidades onde acontecem, a partir das forcas ativas da memoria. Esses processos museais ganham vida no interior das comunidades as fortalecendo como sujeitos que criam, recriam e decidem sobre suas realidades.Tese Acesso aberto (Open Access) Povos Indígenas na cidade de Boa Vista: estratégias identitárias e demandas políticas em contexto urbano(Universidade Federal do Pará, 2018-09-06) MELO, Luciana Marinho de; ALENCAR, Edna Ferreira; http://lattes.cnpq.br/7555559649274791Nesta pesquisa trato das estratégias de luta pelo reconhecimento étnico dos povos indígenas residentes no contexto urbano de Boa Vista, Roraima. Esta luta é decorrente da recusa do Estado em reconhecer os seus pertencimentos étnicos, impedindo-os de ter acesso às políticas indigenistas. Tal situação motivou a criação de três organizações presididas por lideranças Macuxi e Wapichana, sendo elas a Organização dos Indígenas da Cidade, Associação Indígena Kapói e Kuaikrî Associação Indígena as quais apresentam diferentes estratégias como forma de pressionar o Estado pelo reconhecimento do pertencimento étnico. A intenção desta pesquisa foi tomar os Macuxi e Wapichana como sujeitos de estudo para, a partir deles, identificar como os povos indígenas que residem na cidade de Boa Vista elaboram estratégias para a participação nos direitos constitucionais direcionados aos povos originários. Dentre essas estratégias destaco as ações coletivas desenvolvidas por meio do movimento indígena. Por estratégias me refiro aos recursos discursivos e simbólicos acionados na construção de pautas reivindicatórias que são elaboradas no âmbito das organizações e associações. A primeira hipótese que proponho para discutir acerca do problema de pesquisa é que os critérios adotados pelos agentes do Estado e direcionados aos indígenas em contexto urbano se tornam mais restritivos e excludentes na medida em que estes são apropriados pelo movimento indígena em Boa Vista. A segunda hipótese é que a recusa em reconhecer o pertencimento étnico por parte do Estado expressa uma política estrategicamente elaborada. Para responder a estas questões foi realizada pesquisa etnográfica que elegeu como locus de observação as reuniões e assembleias promovidas pelas organizações e associações, possibilitando a coleta de dados sobre processos de construção política das identidades étnicas, a apropriação da cidade como lugar de ancestralidades, lutas, resistências, negociações e diálogos conduzidos por lideranças Macuxi e Wapichana. Os resultados da pesquisa demonstram que a relação das organizações com o Estado é marcada por negociações e conflitos, tendo como consequência o fortalecimento do movimento indígena em contexto urbano e o surgimento de novas lideranças que intencionam não apenas a reversão da situação de invisibilidade étnica em uma cidade que possui aproximadamente 31.000 pessoas autodeclaradas indígenas, mas também a participação política partidária. Neste estudo, as teorias sobre Etnicidade e Identidade Étnica foram privilegiadas de modo a refletir sobre as relações políticas entre diferentes grupos, bem como os estudos que consideram a objetificação cultural.Tese Acesso aberto (Open Access) Riquezas da Terra: paisagens e ocupaçõesn Serra Leste de Carajás(Universidade Federal do Pará, 2021-04-05) SILVA, Tallyta Suenny Araujo da; BELTRÃO, Jane Felipe; http://lattes.cnpq.br/6647582671406048; https://orcid.org/0000-0003-2113-043XO trabalho investigou as ocupações humanas e as transformações na paisagem por elas provocadas considerando a longa duração desse processo de habitar. Para realização da tese, ora apresentada, três momentos foram escolhidos: (1) a ocupação em cavidades, especificamente as realizadas na CECAV-047: Tyto Alba e CECAV-079: Samambaia do Inferno; (2) a ocupação do sítio a céu aberto Serra Leste 1; e (3) a ocupação recente do garimpo de Serra Pelada iniciada no ano de 1980, do século XX, no atual município de Curionópolis. A ocupação recente ligada à exploração de minérios ocasionou grandes transformações na paisagem, produzindo novas marcas e afetando as deixadas em outros momentos. Uma análise integrada dos diferentes momentos do habitar na Serra Leste de Carajás visou destacar a importância de cada uma das ocupações como instituidoras de novas paisagem local, modificada conforme as relações sociais mantidas pelas pessoas com os espaços que habitaram e habitam a partir da exploração e do uso das “riquezas da terra”.Tese Acesso aberto (Open Access) A “Senhora do reino encantado de Guimarães” e suas contemporâneas: Antropologia e Literatura na trajetória da escrita feminina negra na Amazônia do entresséculos XIX e XX(Universidade Federal do Pará, 2022-04-08) TRINDADE, Maria de Nazaré Barreto; ACEVEDO MARIN, Rosa Elizabeth; http://lattes.cnpq.br/0087693866786684; https://orcid.org/0000-0002-7509-3884A tese A “Senhora do Reino Encantado de Guimarães” e suas contemporâneas: Antropologia E Literatura na Trajetória da Escrita Feminina Negra na Amazônia do entresséculos XIX e XX pretende reconstruir etnograficamente a trajetória literária, social e política de vozes femininas e negras na literatura produzida no Brasil e, especialmente na Amazônia no entresséculos XIX e XX. Produzir uma teia de relações onde a multivocalidade, ou seja, as múltiplas vozes sejam evidenciadas e, essencialmente, as vozes silenciadas por uma sociedade que se construiu sobre o tripé do preconceito- racismo- discriminação social. Por meio do diálogo entre a antropologia e a literatura e usando a etnografia enquanto concepção teórico- metodológica que fundamenta uma espécie de “arqueologia” do conhecimento acerca das mulheres que escrevem e escreveram e cujos textos ficaram à sombra da historiografia literária. Penso que essas questões são relevantes nesse contexto de intensificação das discussões em torno da construção de novas relações de poder e da democratização do acesso aos bens culturais no Brasil. Assim, encaramos a literatura também como campo de poder, espaço construído histórica e socialmente, onde as publicações e o acesso foram controlados por homens, brancos e de classes sociais privilegiadas. A tese rastreia algumas dessas autoras, cujos nomes sofreram em determinados momentos apagamento dos registros oficiais, mas sua escrita permanece registrada seja em folhetins, em publicações avulsas, em periódicos, em livros já publicados. Levarei em conta suas subjetividades, o riscado de suas existências no mundo, ou como bem aponta Evaristo, suas escritas de vida- ou escrevivências, portanto são para mim sujeitas, das quais a tese compila e analisa um pouco da trajetória de vida e da produção literária. Algumas autoras e autores foram meus companheiros nessa incursão, entre eles, cito: Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo, Ângela Davis, bell hooks, Michele Perrot, Regina Dalcastagnè, Vicente Salles, Abdias do Nascimento, José Veríssimo, Aimé Cesairé, Frantz Fanon, George Balandier, Goldman, Pierre Bourdieu, J. Clifford entre outros.
