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    DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    A Relação dos humanos e não-humanos na rede pesqueira da vila do Treme, em Bragança, Pará, na perspectiva da teoria ator-rede (ANT) de Latour
    (Universidade Federal do Pará, 2025-10-10) PEREIRA, Josiane do Rosário; RAVENA CAÑETE, Thales Maximiliano; http://lattes.cnpq.br/6291249974166783; BAHIA, Mirleide Chaar; NEVES, Joana d’Arc de Vasconcelos; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; http://lattes.cnpq.br/5658289632563411; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019; https://orcid.org/0000-0002-3110-3649
    O surgimento do conhecimento está intrinsecamente ligado à evolução da humanidade e ao desejo de compreender e interpretar o mundo. O conhecimento desenvolveu-se gradualmente ao longo do tempo, perpassando por diferentes teorias que buscaram definir sua complexa construção e apropriação. Em contraposição à teoria e aos métodos positivistas, adentrado no antropocentrismo da Sociologia Clássica, que compreende a sociedade fundamentada na epistemologia da separação dos termos ambiente e sociedade, natureza e cultura, ciência e humanidade, entre outras dicotomias da modernidade; Bruno Latour propõe uma nova constituição, uma epistemologia do coletivo de humanos e não-humanos, em que não há separações, mas uma complexa rede de atores que se conectam e interagem de forma mútua, coevoluindo a partir das agências de agrupamentos. O trabalho tem como objetivo analisar a relação dos humanos e não-humanos na rede pesqueira da Vila do Treme, na perspectiva da Teoria Ator-Rede de Latour. A pesquisa parte do pressuposto de que as práticas pesqueiras artesanais não podem ser compreendidas apenas sob uma perspectiva técnica ou econômica, mas como uma rede complexa e dinâmica, composta por atores humanos e não-humanos, que se reconfiguram ao longo do tempo em resposta às transformações socioambientais, tecnológicas e políticas. A pesquisa investiga as interações entre humanos e não-humanos envolvidos na pesca artesanal, considerando os conceitos de simetria, controvérsias e mobilidade das associações. A metodologia abrangeu o método misto com ênfase na abordagem qualitativa, com observação participante e entrevistas semiestruturadas realizadas com 50 atores, sendo abordadas questões sobre os tipos de pesca praticados, a produção, a relação com o meio ambiente, as dificuldades enfrentadas atualmente, bem como a introdução de materiais industrializados nos processos produtivos, entre novembro de 2024 e abril de 2025. Foram identificadas três principais modalidades de pesca: curral, rede e anzol. Os resultados apontam que a rede pesqueira constitui um coletivo dinâmico e mutável, fundamentada em uma ampla articulação entre coletivos de humanos e não-humanos, construída historicamente a partir de relações íntimas com a cosmologia local, nas tecnologias ancestrais e no saber-fazer tradicional. Constatou-se também que a introdução de elementos industrializados não rompeu com os saberes tradicionais, mas foi incorporada de forma adaptativa e sustentável, demonstrando a capacidade da comunidade de integrar novos agrupamentos sem comprometer o equilíbrio ambiental. A ANT e os princípios da Ecologia Política revelaram-se eficazes para compreender a complexidade das relações socioambientais que sustentam a prática pesqueira na região.
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