Navegando por Assunto "Adorno"
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Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Notas sobre a educação a partir de Nietzsche e Adorno(Universidade Federal do Pará, 2004-09) BRITO, Maria dos Remédios de; HASSE, Simone HedwingCiência e tecnologia, entendidas durante muito tempo como expressões da racionalidade, produzem contraditoriamente efeitos irracionais e perversos. No entanto, sempre atrelado a justificativa do progresso e à melhorias das condições de vida, o discurso científico acabou por ocultar consequências negativas do desenvolvimento tecnológico, minimizando também a necessidade de reflexões críticas. Para Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Theodor Wiesengrund Adorno (1903-1969), há sombras nas promessas iluministas e, em suas obras, já se delineia a crítica ao racionalismo. Ambos reconhecem, embora em períodos com diferenças histórico-culturais, a necessidade de revisão do conceito de racionalidade e de reflexão sobre a crise da cultura e da educação. A alemanha do século XIX ou a Alemanha contemporânea estavam submersos a tipos educativos e culturais legados a necessidades do Estado e entricheirados por uma formação decadente a serviço do tecnicismo, do comércio e da burguesia. Nietzsche denuncia a cultura e a educação filistéia que estavam ligados efetivamente aos interesses do lucro, caindo num estreito degrau de empobrecimento humano, pois o incentivo da educação profissionalizante e técnica diminuía a forma para a construção de um indivíduo senhor de si mesmo. Adorno reluta contra a crença na ciência e na técnica como condição de emancipação social, pois sabe que o progresso se paga com o desaparecimento do sujeito autônomo, docilizado tanto pela sociedade industrial totalmente administrada, como pelas extremas regressões à barbárie representado pelos Estados totalitários. Num momento em que ciência e tecnologia se apresentam como passaporte para o mundo “moderno” e a razão revela-se a serviço da destruição, da alienação humana, do aniquilamento da individualidade, cabe importante papel à reflexão sobre a educação. Tentamos, assim, a partir da crítica a razão técnica e a massificação da cultura refletir a respeito das premissas de Nietzsche e Adorno sobre educação. Nossa pretensão não é unificar o pensamento desses autores e nem mesmo analisar a influência de Nietzsche sobre Adorno, mas a partir da percepção desses filósofos sobre a realidade social, sob diagnósticos, concepções e propostas, compreender a atualidade e observar as possibilidades para pensar a educação. Teremos como norte principal as leituras dos textos “Schopenhauer como educador” e “Crepúsculo dos Ídolos”, ambos escritos por Nietzsche, em 1874 e 1888, bem como os escritos de Adorno, “Educação após Auschwitz” e “Educação-para quê?”, ambas conferências proferidas na Rádio de Hessen em 1965 e 1966, e os textos “O que significa a elaboração do passado?” e Tabus a respeito do professor”, conferência de 1959 e 1965.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O conceito de arte e desartificação da arte em adorno(Universidade Federal do Pará, 2026-02-04) FRANÇA, France D’arc Cícera Costa de; BURNETT JUNIOR, Henry Martin; http://lattes.cnpq.br/7370655734935231; https://orcid.org/0000-0001-6806-8333; CHAVES, Ernani Pinheiro; LIMA, Bruna Della Torre de Carvalho; http://lattes.cnpq.br/5741253213910825; http://lattes.cnpq.br/7300470542229409; https://orcid.org/0000-0002-8988-1910; https://orcid.org/0000-0003-4472-8848Esta dissertação investiga o conceito de arte e o processo de desartificação em Theodor W. Adorno, elucidando sua importância para a crítica à indústria cultural. A partir de Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer demonstram como o projeto iluminista, ao transformar a razão em instrumento técnico, converte a cultura em mercadoria e o homem em objeto de dominação. Na Teoria Estética, Adorno entende que a arte surge como “antítese social”, espaço de resistência à racionalidade instrumental e de expressão do negativo do mundo. Assim, a autonomia estética compreende a arte como forma de pensamento crítico, capaz de revelar as contradições históricas e de preservar a promessa utópica de reconciliação entre sujeito e natureza. A noção de mimesis ocupa papel relevante ao expressar uma relação sensível e não dominadora com o real, reabilitando a dimensão reprimida da experiência humana. Na análise à indústria cultural, Adorno observa a conversão da cultura, da arte em produto e a padronização do gosto, em que o lazer se torna prolongamento do trabalho e a arte é reduzida a entretenimento. Tal processo evidencia a perda de negatividade e a desartificação da arte (Entkunstung der Kunst), o fim da arte, isto é, sua perda de autonomia e de força crítica diante da lógica mercadológica. Para Theodor Adorno, a arte ocupa uma posição dialética, sendo simultaneamente resistência e espelho das contradições sociais que a engendram. Sua autenticidade não se define apenas pela oposição à arte desartificada, mas pela capacidade de manter a negatividade e o confronto com a realidade histórica. É nesse movimento dialético que o filósofo identifica a crise da arte moderna, marcada pelo esgotamento interno de suas formas. Ao questionar o formalismo estético e o ideal clássico de beleza, Adorno reconhece o fenômeno da desartificação, em que a autonomia da arte se enfraquece sob a lógica do mercado. Contudo, essa crise não é apenas imposta de fora: ela também se manifesta nas próprias estruturas da arte, cuja busca incessante por inovação formal evidencia o colapso de suas linguagens e sentidos históricos.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Sobre a formação cultural e educação no campo(Universidade Federal do Pará, 2009-06) SILVA, Paulo Lucas daO texto é uma discussão baseada em pesquisas realizadas durante o doutorado, em dois projetos de pesquisa e em eventos sobre Educação Rural, Casa Familiar e Pedagogia da Alternância. Desta experiência e da leitura de autores da escola de Frankfurt, analiso o que se convencionou denominar "educação do campo", sua relação com a escola formal, no meio rural, os programas de educação para o campo e a tentativa de direcionamento, unilateral, para o treinamento adestramento dos agricultores e de seus filhos para a atividade econômica. As críticas ao urbanismo na escola rural dão vazão a um sem número de novidades pedagógicas, propaladas por diversos programas que, negligenciando a formação, redundam em semelhante fracasso da formação da escola oficail. Ainda assim, a escola oficial rural não é superada, apesar de seu fracasso, e os programas continuam com seus ineditismos e com o apoio oficial (cf. CALAZANS et al., 1981, p. 161-92).
