Navegando por Assunto "Agriculture"
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Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Etnografia e manejo de recursos naturais pelos índios Deni, Amazonas, Brasil(Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 2009-03) PEZZUTI, Juarez Carlos Brito; CHAVES, Rodrigo PáduaSão raros os estudos envolvendo o uso múltiplo de recursos naturais por populações amazônicas. Este trabalho apresenta um panorama de como os índios Deni, habitantes da região de interflúvio entre dois dos maiores afluentes de água branca da bacia amazônica, os rios Juruá e Purus, utilizam dos recursos disponíveis em seu território. Os Deni são, atualmente, índios que vivem da exploração de recursos da terra firme e de regiões alagadas. São um misto de horticultores e caçadores/coletores, que utilizam toda a sua área para a obtenção de recursos para subsistência. Como regra, deslocam periodicamente seus assentamentos, evitando o esgotamento local de recursos, e provocando a modificação local do ambiente. Esta alteração aumenta temporariamente a disponibilidade de alimento. Áreas com aldeias, pomares e roçados abandonados, por sua vez, tornam-se locais onde se concentram inúmeros recursos da flora e da fauna, posteriormente explorados. O impacto provocado por este sistema é aparentemente mínimo. Os Deni estão contextualizados na periferia de um sistema capitalista, onde a única fonte de renda para adquirir bens que são hoje considerados pelos índios como indispensáveis para sua sobrevivência são os recursos naturais. Estes são e continuarão sendo explorados de maneira a produzir um excedente a ser comercializado para a obtenção de uma série de produtos industrializados, independentemente das opiniões externas. É sobre este patamar que devemos avaliar a sustentabilidade do atual manejo da área.Tese Acesso aberto (Open Access) “Guiados pelo raciocínio e pela razão”: ciência e modernidade a serviço da agricultura paraense (1908-1929)(Universidade Federal do Pará, 2022) SANTOS, Francisnaldo Sousa dos; NUNES, Francivaldo Alves; http://lattes.cnpq.br/4125313573133140A presente tese busca analisar a implantação de um novo modelo de desenvolvimento pensado para a agricultura paraense no início do século XX. Especialmente a partir do segundo mandato do governador Augusto Montenegro se observa uma mudança de orientação não mais voltada exclusivamente para a criação de núcleos coloniais e a consequente ocupação dos mesmos por colonos estrangeiros, mas voltado também para a qualificação desse trabalhador agrícola. Em outras palavras, a qualidade na mão de obra para o campo ganhava cada vez mais importância. Com o auxílio da ciência os agentes públicos pretendiam então a qualificação técnica do lavrador por meio do ensino agrícola em instituições como estações experimentais e campos de demonstração ou por meio do ensino agrícola ambulante. Essa nova metodologia exigiu a criação, em 1908, de uma seção voltada exclusivamente para a agricultura e a pecuária dentro da Secretaria de Obras Públicas, Terras e Viação, mostrando uma estreita aproximação entre estado e elite agrícola paraense, uma vez que o representante desse patronato, o fazendeiro marajoara José Ferreira Teixeira, assumiu a direção da 4ª Secção de Agricultura. A publicação da revista A Lavoura Paraense, que circulou entre 1908 e 1912, retratou bem esse novo momento em suas páginas. Um dos objetivos dos agentes públicos era superar a monocultura e desenvolver outros produtos, principalmente quando a exportação da borracha mostrava sinais de crise, fazendo com que a agricultura ganhasse cada vez mais relevância para a economia paraense das primeiras décadas do século XX. Para além do receio em sustentar toda uma economia com base em um único produto, podemos apontar não apenas os resultados pouco satisfatórios com o antigo modelo de desenvolvimento agrícola que vinha sendo adotado desde meados do século XIX, mas também todo o incremento pelo qual passou o Museu Paraense a partir da chegada do suíço Emílio Goeldi e de seu sucessor na direção dessa instituição, o também suíço Jacques Huber. Contudo, a promissora expectativa em relação à onda modernizadora para o campo, pautada na racionalização das práticas agrícolas a partir dos atuais preceitos agronômicos da época, não se efetivou de fato, visto que o setor extrativo manteve-se em alta frente ao setor agrícola, com destaques, no final da década de 1920 para alguns produtos como o arroz e o algodão.Tese Acesso aberto (Open Access) Pelo bem da agricultura e do comércio: as dinâmicas sociais e econômicas no mundo rural do Centro-Norte (1780-1810)(Universidade Federal do Pará, 2024-06-26) BARBOSA, Carlos Eduardo Costa; NUNES, Francivaldo Alves; http://lattes.cnpq.br/4125313573133140As últimas décadas do século XVIII é um momento importante para a economia do Grão-Pará. Influenciado pela conjuntura externa que lhe rendeu oportunidades de um maior desenvolvimento de seu setor produtivo e mercantil endógeno. Durante esse período a capitania do Grão-Pará tornou-se importante para os interesses da Coroa em território colonial. A partir de Belém deveria se estabelecer as comunicações comerciais com as capitanias do Mato Grosso e do Goiás, garantindo a integridade territorial e a manutenção das exportações dos gêneros coloniais para Portugal. Entretanto, variadas questões se impuseram que dificultaram a execução das ações planejadas, principalmente, na conexão com Goiás. Os arraiais goianos experienciavam uma crise sistêmica após a derrocada da produção das minas e estava pleiteando uma transição para uma econômica de base agrícola. O comércio com o Grão-Pará era visto como uma solução ao problema da falta de gêneros e crédito. A documentação oficial demonstra que as autoridades estavam tomando as medidas possíveis para fomentar a atividade agrícola tanto de mantimentos quanto para exportação, mas com poucos resultados. Todavia, os comerciantes paraenses se mostraram reticentes após tomarem ciência do real estado daqueles povoados. O Estado Português, através de seus representantes, procurou desenvolver a região retomando suas políticas de povoamento a partir de presídios e Registros, assim como o incentivo ao desenvolvimento agrícola, concedendo isenções de impostos e outros benefícios aos colonos. Assim, podemos perceber que as medidas tomadas por ambas as capitanias contribuíram para a montagem de esquema de largo alcance comercial através da região do Araguaia-Tocantins.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Quando os paus de fruta da mata viram plantas: o amálgama entre a agricultura e floresta na Resex Arióca Pruanã, Oeiras do Pará(Universidade Federal do Pará, 2012-08-30) SILVA JUNIOR, Amintas Lopes da; SANTOS, Sonia Maria Simões Barbosa Magalhães; http://lattes.cnpq.br/2136454393021407; SABLAYROLLES, Maria das Graças Pires; http://lattes.cnpq.br/0250972497887101O presente estudo consiste em uma investigação, empreendida a partir de uma abordagem qualitativa, acerca do uso alimentar de espécies vegetais silvestres pelos moradores da vila de Melancial, uma das maiores aglomerações humanas da Reserva Extrativista Arióca Pruanã, no Estado do Pará. As espécies vegetais silvestres alimentícias levantadas são todas produtoras de frutos comestíveis. Foram registradas as práticas de manejo, coleta, preparo e consumo destas espécies, assim como o papel dos membros da família em cada uma das etapas mencionadas. Foram empreendidos esforços no sentido de compreender os fatores que levam as pessoas a coletar e consumir estas espécies e de registrar o conhecimento que as pessoas detêm sobre elas. Além disso, buscou-se verificar se estas espécies se encontram de alguma forma ameaçadas. Constatou-se que as estratégias de obtenção de alimentos são diversificadas em Melancial e se coadunam em um calendário complexo que inclui atividades como agricultura, pesca, criação de animais, caça, coleta de frutas silvestres e compra de rancho. Entretanto, se estas atividades têm em comum assegurar o acesso à alimentação, também se encontram imbricadas nas práticas cotidianas, que, em seu conjunto, resultam no manejo da paisagem. O repertório de conhecimentos necessários à manutenção dos modos de vida dos moradores de Melancial extrapola aquele estritamente relacionado às espécies da flora e da fauna. Este arcabouço inclui ainda a capacidade de analisar fenômenos climáticos, pedológicos, topográficos e hidrográficos, em um contexto marcado por distintas práticas e eventos sociais, além de formas de apropriação dos recursos. Fatores como o apreço pelas frutas e a manutenção de vínculos de pertencimento e identidade condicionam tanto quanto fatores fisiológicos e econômicos a opção pelas frutas silvestres na dieta das famílias. A divisão sexual do trabalho se evidencia sutilmente nas etapas de manejo, coleta, preparo e consumo das frutas silvestres. À exceção da exploração madeireira, não pairam ameaças sobre as espécies vegetais silvestres de uso alimentício. O domínio sobre o território parece estar se circunscrevendo cada vez mais aos limites da área comunitária. Os terreiros e sítios se destacam enquanto interface entre agricultura e extrativismo. A agricultura depende da floresta e a reconfigura em capoeiras e sítios, assim como a floresta se insinua nos terreiros à medida que espécies vegetais silvestres são aí introduzidas por mãos humanas. O resultado deste manejo é o agroflorestamento da paisagem, face visível do amálgama entre agricultura e floresta.
