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    DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Benefícios ambientais e econômicos de sistemas agroflorestais de Tomé-Açu, Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2023-04-22) SUZUKI, Patrícia Mie; VASCONCELOS, Steel Silva; http://lattes.cnpq.br/0719395243841543; https://orcid.org/0000-0003-2364-8822
    A demanda global de alimentos e o avanço das mudanças climáticas aumentam a pressão por sistemas produtivos sustentáveis e que gerem múltiplos benefícios. Os sistemas agroflorestais (SAFs) são modelos produtivos com potencial para atender tais demandas da sociedade e do meio ambiente. Nesse sentido, o objetivo da pesquisa foi avaliar a contribuição dos sistemas agroflorestais para a mitigação das mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e geração de renda no município de Tomé-Açu, Pará. Foram selecionadas doze áreas de SAF multiestratificados e instalada uma parcela de 30 x 30 metros, em cada sistema. Foram realizados inventário agroflorestal e entrevistas com o produtor rural, sobre o perfil socioeconômico e a percepção ambiental relacionada aos SAFs. Os dados foram utilizados para avaliar a influência da riqueza de plantas e de outras variáveis nos benefícios de “Mitigação das mudanças climáticas”, “Conservação da biodiversidade” e “Geração de renda”, por meio dos indicadores estoque de carbono da biomassa aérea, índice de Shannon (H’) e renda bruta, respectivamente. Para isso, utilizou-se a Análise de Componentes Principais (PCA) para selecionar as variáveis e a regressão linear para criar os modelos. Todos os dados do inventário agroflorestal e as análises estatísticas foram realizadas no ambiente computacional R 4.2.2. Também foi realizada a avaliação do desempenho dos SAFs quanto aos benefícios gerados, por meio da ponderação de pontos. De forma geral, 83% dos agricultores relataram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o retorno econômico nos SAFs, além de citar diversos serviços ambientais. A riqueza (S) de plantas por sistema variou entre 3 a 11 espécies e o índice de diversidade de Shannon (H’) entre 0,55 e 1,77. A média de estoque carbono da biomassa aérea nos SAFs estudados foi de 45,2 Mg ha-1, com variação entre 27,4 e 63,0 Mg ha-1. Os valores de carbono estocado nos componentes cacau, cupuaçu, açaí, dendê e outros foram similares estatisticamente, porém diferiram significativamente do estoque de carbono encontrado no componente florestal (gl=2; χ2=71,7; p=1,834e-13). O valor médio da renda bruta anual advindo da venda desses produtores foi de R$13.758,53 ha-1 e variou entre R$1.687,50 e R$26.250,00 ha-1. Nos sistemas com dendê (SAFs A1, A2 e A3), a palmeira elevou consideravelmente a renda bruta dos SAFs, ao contribuir com 58, 48 e 78% da renda total, respectivamente, apesar da baixa densidade de indivíduos, com média de 69 indivíduos ha-1, nas áreas, em comparação com as outras espécies principais. Nesse estudo não foi possível confirmar a influência da riqueza de plantas na geração de benefícios climático, de conservação da biodiversidade e de geração renda. Entretanto, outras variáveis influenciaram nos benefícios dos SAFs analisados. Para o estoque de carbono, o “tipo de SAF”, a “densidade de dendê” e a “densidade de espécies de sombra” tiveram melhores desempenhos sobre o estoque de carbono, índice de diversidade de Shannon e a renda bruta, respectivamente. Em geral, a maioria dos SAFs apresentou pontuações distribuídas de forma desuniforme entre os benefícios. Portanto, conclui-se que a riqueza de plantas não foi a variável que influenciou os benefícios avaliados, mas, sim, um conjunto de variáveis analisados, ratificando a complexidade dos SAFs. Os SAFs de Tomé-Açu, no geral, atendem as expectativas dos produtores quanto ao retorno econômico, além de gerarem benefícios relacionados à mitigação das mudanças climáticas e à conservação da biodiversidade. Sobretudo, os SAFs com o componente dendê apresentaram melhores desempenhos nas pontuações da geração dos benefícios.
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    DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Contribuição da agricultura familiar na construção do conhecimento agroecológico: estudo de caso do Projeto Raízes da Terra
    (Universidade Federal do Pará, 2012-08-31) FERREIRA, Josie Helen Oliveira; AZEVEDO, Célia Maria Braga Calandrini de; http://lattes.cnpq.br/8900515523984968; KATO, Osvaldo Ryohei; http://lattes.cnpq.br/4241891652832872; https://orcid.org/0000-0002-2422-9227
    A agricultura itinerante, caracterizada pelo uso do fogo como preparo de área, tem causado consequências negativas para a agricultura familiar, resultando em grandes áreas desflorestadas com baixa produtividade e diminuição da capacidade regenerativa da vegetação secundária. A busca de alternativas sustentáveis à agricultura de derruba e queima baseada em princípios agroecológicos pode resultar no desenvolvimento de um meio rural mais sustentável. Experiências veem sendo testadas por agricultores familiares através do Projeto Raízes da Terra, nesse sentido este trabalho tem como principal objetivo avaliar a contribuição dos agricultores familiares na construção do conhecimento agroecológico nos Municípios de Igarapé-Açu e Marapanim, identificando às razões que tem levado a incorporação de princípios agroecológicos no manejo do agroecossistema. Para isso, foram avaliados os processos metodológicos e as ferramentas participativas experimentadas pelos agricultores familiares para introdução de um conjunto de práticas agroecológicas em seus sistemas de uso da terra que se mostram promissoras para melhorar a sustentabilidade dos agroecossistemas. O uso do fogo foi reduzido de 28,5ha observado em 2005 para apenas 2ha em 2011, a diversificação da produção teve um aumento de 51% quando comparado o período de 2005 a 2011 com a implantação de 42ha de sistemas agroflorestais multiestratificados no período de 2006 a 2007 e ampliação para 55ha em 2011, representado 13ha a mais do planejado pelo projeto Raízes da Terra. Concluindo-se que o processo de construção do conhecimento agroecológico praticado pelos agricultores familiares do projeto Raízes da Terra contribuiu para o desenvolvimento de uma agricultura de base agroecológica.
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    TeseAcesso aberto (Open Access)
    Políticas públicas de restauração florestal: uma análise do Projeto PROSAF no Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2025-12-12) RODRIGUES, Thayana Cristina de Andrade; FOLHES, Ricardo Theophilo; http://lattes.cnpq.br/5612208724254738; VECCHIONE GONÇALVES, Marcela; FERNANDES, Danilo Araújo; SILVA, Harley; COUDEL, Emilie; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856; http://lattes.cnpq.br/2839366380149639; http://lattes.cnpq.br/1485109352201821; http://lattes.cnpq.br/3299840369978601; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-1326-9626; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0001-8272-8051
    A restauração florestal emergiu nos últimos anos como uma das principais abordagens das políticas públicas ambientais brasileiras, estimulada por normativas como a PROVEG e o Código Florestal de 2012. No estado do Pará, essas políticas assumiram contornos particulares, em consequência da intensa pressão sobre os ecossistemas locais. Esta tese tem como objetivo geral analisar os efeitos das políticas públicas de restauração florestal no Brasil e no Pará, com foco no PROSAF como estudo de caso e para isso, utiliza uma metodologia qualitativa e estruturada em três etapas: levantamento documental e normativo, revisão de literatura e entrevistas semiestruturadas com 32 atores-chave. Os achados foram distribuídos em três núcleos analíticos, que correspondem aos capítulos centrais da tese. O primeiro núcleo constatou que apesar do arcabouço normativo das políticas de restauração no Brasil representarem avanços em termos de reconhecimento da necessidade de recuperação ambiental, sua implementação esbarra em entraves como a flexibilização excessiva de normas e concentração dos benefícios em grandes proprietários rurais. Verificou-se também que a participação das comunidades tradicionais nesses processos permanece marginalizada, e seus conhecimentos seguem pouco valorizados nos processos decisórios. O segundo núcleo enfocou nas redes de sementes nativas, que apesar de relevantes nas ações de restauração, enfrentam limitações, como a escassez de sementes, a inadequação da legislação para a realidade das sementes nativas e a fragilidade das conexões com o mercado formal, desafios que em regiões como a Amazônia, são agravados pela dispersão territorial e carência de infraestrutura adequada. O terceiro núcleo apresenta o estudo de caso do PROSAF, realizado no distrito de Mosqueiro, em Belém, PA, com resultados mostrando a potencialidade do projeto para promover ganhos ambientais, sociais e econômicos, particularmente quando articulado à práticas agroflorestais, aos saberes locais e ao apoio institucional. Os beneficiários participantes da pesquisa, relataram experiências positivas, como o aumento de renda, mas também barreiras, como dificuldades no acesso ao crédito. Em sua conclusão, o estudo aponta que a materialização dos objetivos das políticas públicas para a restauração tem como condicionantes a superação de barreiras institucionais, valorização das redes de sementes como infraestrutura sociotécnica, ampliação de mecanismos de participação comunitária e consolidação de um modelo de governança territorial mais inclusivo e adaptado às particularidades regionais.
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