Navegando por Assunto "Amazônia - Colonização"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Histórias de brancos: memória, historiografia dos índios Manao do rio Negro (século XVIII-XX)(Universidade Estadual de Campinas, 1997-12-05) GUZMÁN, Décio Marco Antônio de Alencar; MONTEIRO, John Manuel; http://lattes.cnpq.br/7136468219742921Na primeira parte do estudo será narrado o processo de destruição dos Manao pelos portugueses, com a derrubada do bloqueio montado por estes índios, juntamente com diferentes grupos indígenas aliados de outras etnias. Volto às fontes do século XVIII, já conhecidas dos historiadores, para retirar dali os elementos selecionados pela memória portuguesa desta guerra, e que se instruíram historicamente como os marcos fundadores da colonização no rio Negro, segundo a visão da historiografia tradicional sobre o processo de formação da capitania do rio Negro. Ao mesmo tempo, tento estabelecer um diálogo com o historiador David Sweet, que mais reuniu documentos e melhor narrou este conflito entre os índios e os europeus12. Neste exercício de retorno às fontes, são apresentadas as temáticas da escravidão indígena e da presença dos padres carmelitas que auxiliavam as tropas de resgates portugueses neste trabalho de escravização dos índios. O objetivo de toda esta primeira parte do trabalho é recuperar os momentos e o contexto em que se foi calcando, pouco a pouco, esta imagem, levando em consideração as fontes de origem colonial e a principal narrativa histórica sobre ela. Na medida em que se desenvolvem os momentos dessa narrativa, destaco os principais eixos de ligação entre elas, através da delimitação de alguns temas que considero fundamentais para a compreensão da história e da historiografia sobre os Manao: as características do potencial econômico para a colonização; o cacau; os Manao; a guerra colonial contra os Manao; as características da guerra indígena; a escravidão dos índios. O capítulo II narra os encontros entre os Manao e as diversas expedições européias pelo Amazonas a partir de 1621. A linha de argumentação recai sempre no comércio de objetos de ouro, noticiadas pelos índios e reproduzidas nas crônicas de viagem de Walter Raleigh, e outros que vieram após ele: comércio de objetos de ouro e escravização de índios par outras sociedades indígenas aparecem como características fundamentais das relações interétnicas explicitadas pelos cronistas. Este interesse, sem qualquer dúvida, era a tônica de grande parte das descrições européias pioneiras da "terra incógnita". O Capítulo III tem por finalidade explicitar as influências ideológicas na produção do conhecimento histórico do Estado do Amazonas, sobre o conflito dos portugueses contra os índios Manao. Nesta parte do trabalho, desenvolvo diretamente a crítica e a contextualização das representações historiográficas produzidas pelos intelectuais amazonenses nos anos 30 e 40 sobre os personagens e o episódio do conflito colonial. Intenta-se demonstrar a importância da guerra entre os Manao e os portugueses, como um episódio que marca o processo de construção intelectual e historiográfico de uma identidade para o homem amazônico, atrelada ao passado heroicizado dos índios que lutaram contra os portugueses no período colonial. Tenta-se apresentar um perfil dos grupos de intelectuais do Estado do Amazonas, principais responsáveis pela cristalização da imagem dos índios Manao, a partir da década de trinta do século XX, assim como os contextos político, econômico e social em que foram produzidas as interpretações historiográficas. Recorremos, por isso, à historiografia amazonense do início do século, para demonstrar a utilização e construção de um fato histórico, transformado em mito político, a serviço da produção de uma identidade regional pelas elites intelectuais e políticas do Estado do Amazonas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) As representações dos indivíduos amazônicos na cronística de descobrimento da Amazônia e no romance de Inglês de Sousa(Universidade Federal do Pará, 2019-02-27) RODRIGUES, Ronaldo Júnior Pantoja; ALMEIDA, Carlos Henrique Lopes de; http://lattes.cnpq.br/9511564560016368Esta pesquisa busca analisar as representações dos indivíduos amazônicos em duas obras de grande relevância histórica e literária da Amazônia, avaliando as relações que tais representações possuem com a colonização da região. A primeira obra analisada é Descubrimiento del río de las Amazonas (1542), de Gaspar de Carvajal, na qual o indivíduo amazônico do século XVI, o indígena, é descrito como bárbaro e cognitivamente inferior ao colonizador. Tais representações limitadas do indivíduo amazônico começam a ganhar novos rumos de maneira expressiva a partir do século XIX, através das obras do escritor paraense Inglês de Sousa. Por sua obra marcar essa transição de representações, História de um pescador, de 1876, também é um romance analisado na pesquisa, no qual o autor nos apresenta o tapuio José, descendente direto do indígena amazônico, que se torna um protagonista consciente de sua condição oprimida sem se sujeitar a ela. Esta representação dos personagens de Inglês de Sousa atribui uma nova interpretação possível dos indivíduos amazônicos e até mesmo da própria História amazônica, uma vez que o indígena e seus descendentes já não são inferiorizados, o que difere das representações das crônicas de colonização, como a de Gaspar de Carvajal, cujo interesse era apagar e menosprezar os indígenas amazônicos em prol do projeto colonizador. Entender essas manifestações literárias contribui para uma discussão e compreensão maior sobre aspectos inerentes à região amazônica a partir da colonização, como a subalternidade, a mestiçagem e a resistência. Para que a pesquisa seja desenvolvida, utilizaremos autores como O’Gorman (2006), Mignolo (2008), Quijano (2001), Gondim (1994), Fernandes (2004), Bosi (1992) e Bhabha (1994), dentre tantos outros que nos fazem questionar a construção da história das regiões colonizadas e suas reverberações, o que inclui a Amazônia.
