Navegando por Assunto "Bio-etnografia"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Bio-etnografias do cuidar: vozes, memórias e ambientes das artesãs do cuidado em universos multissituados da Amazônia paraense(Universidade Federal do Pará, 2026-05-22) SANTOS, Leonardo Silveira; LUCAS, Flávia Cristina Araújo; http://lattes.cnpq.br/4286675736752972; https://orcid.org/0000-0002-0752-7206; MORAES JÚNIOR, Manoel Ribeiro de; http://lattes.cnpq.br/2429279552706202; https://orcid.org/0000-0001-6986-7671; CHAVES, Andréa Bittencourt Pires; CAÑETE, Voyner Ravena; JEROME, Laurent; CABRAL, Jimmy Sudário; RIBEIRO, Tânia Guimarães; SANTOS, Seidel Ferreira dos; http://lattes.cnpq.br/2807941293114021; http://lattes.cnpq.br/9961199993740323; http://lattes.cnpq.br/0987540213617485; http://lattes.cnpq.br/5534543538363263; http://lattes.cnpq.br/1193175057010343; http://lattes.cnpq.br/6531723156764196; https://orcid.org/0000-0003-0247-9265; https://orcid.org/0000-0001-8528-3086; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-1683-3659; https://orcid.org/Esta tese analisa, a partir de abordagens bioetnográficas, as práticas de cuidado, cura e proteção tecidas por mulheres, as “artesãs do cuidado”, em múltiplos contextos da Amazônia paraense. O estudo aborda como esses saberes emergem de modos de vida ancestrais e tradicionais, profundamente conectados às dimensões ambientais, simbólicas e socioculturais. Metodologicamente, a pesquisa multissituada articula narrativas biográficas, técnicas etnográficas e o diálogo com coletivos da Terra Indígena Sororó, da ilha do Combu e da ilha de Itapuá, partindo do entendimento de que o fazer biográfico também se constrói de forma coletiva. Os resultados indicam que as práticas dessas artesãs configuram ecossistemas dinâmicos e vivos de conhecimento, marcados pela criatividade, pela bricolagem e pela incorporação de entes, em um processo aqui compreendido como “antropofagia do cuidado”. Tais práticas evidenciam sistemas locais de saúde nos quais o cuidado, entendido como um conjunto integrado de ações de cura e proteção, se realiza de forma relacional, articulando corpo, território, memória, crenças e religiosidades. A pesquisa demonstra, ainda, as tensões entre esses saberes e as políticas públicas de saúde, sobretudo em razão das dificuldades de diálogo com a biomedicina promovida pelo Estado diante das especificidades socioculturais locais, o que pode resultar em processos de deslegitimação e colonialidade. Desse modo, esta tese apresenta as artesãs do cuidado como protagonistas das práticas de saúde na Amazônia, evidenciando a necessidade de reconhecimento, valorização e construção de diálogos entre seus saberes e as políticas públicas, em direção a uma abordagem mais plural, sensível e intercultural da saúde coletiva.
