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    TeseAcesso aberto (Open Access)
    Desenvolvimento neuropsicomotor, linguagem e a qualidade do ambiente ecológico de crianças do município de Belém: Uma compreensão bioecológica
    (Universidade Federal do Pará, 2019-02-28) COSTA, Elson Ferreira; CAVALCANTE, Lilia Iêda Chaves; http://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; FRIZZO, Giana Bitencourt; CALDAS, Ivete Furtado Ribeiro; CORRÊA, Víctor Augusto Cavaleiro; MAGALHÃES, Celina Maria Colino de; http://lattes.cnpq.br/7592497546758109; http://lattes.cnpq.br/7292576382211566; http://lattes.cnpq.br/1910742195880054; http://lattes.cnpq.br/1695449937472051; https://orcid.org/0000-0001-8106-4441; https://orcid.org/0000-0002-2095-101X; https://orcid.org/0000-0003-0133-7927
    Esta tese de doutorado teve como objetivo geral analisar se há relação entre a qualidade dos ambientes ecológicos e o desenvolvimento neuropsicomotor e de linguagem de crianças de uma Unidade de Educação Infantil do município de Belém, a partir de uma compreensão bioecológica. Para tal, foram realizados dois estudos, com características metodológicas semelhantes. O primeiro analisou a relação entre a qualidade de três ambientes ecológicos (família, escola e vizinhança) e o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) de crianças de uma UEI de Belém, através de um delineamento longitudinal, descritivo, correlacional e com abordagem quantitativa dos dados. A UEI selecionada está localizada no bairro da Batista Campos, Distrito de Belém (DABEL), região central do município. Participaram 70 crianças e um familiar de referência de cada uma delas. Para avaliação do DNPM foi utilizado o Denver II em três tempos, ao longo do ano letivo. Já a coleta dos dados pessoais e contextuais foi feita a partir da aplicação do Questionário de Caracterização da Criança, aplicado aos pais. A qualidade do ambiente familiar foi obtida pelo Inventário de Recursos do Ambiente (RAF) e pelo Índice de Pobreza da Família (IPF). A qualidade do ambiente de vizinhança foi mensurada pelo Instrumento de Qualidade da Vizinhança (IQV) e a qualidade do ambiente escolar pela Escala de Avaliação do Ambiente em Educação de Infância (ECERS-R). A coleta de dados foi realizada no ano letivo de 2016, os resultados mostraram que houve aumento no percentual de crianças com desempenho normal, ao longo das três avaliações pelo Denver II. Os escore do IPF (p=0,005), do RAF (p<0,001) e do IQV (p<0,001) apresentaram associação estatisticamente significativa com a suspeita de atraso no DNPM. A ECERS-R apontou a qualidade do ambiente escolar como básica ou mínima, no entanto não houve associação estatisticamente significativa com o desfecho do Denver II. O modelo de regressão logística indicou que a probabilidade de uma criança apresentar suspeita de atraso no DNPM é 80% menor quando for do sexo feminino (OR=0,20); 57% menor quando os pais são casados (OR=0,27); e 98% menor quanto mais atividades conjuntas os pais desenvolvem com a criança no ambiente familiar (OR=0,01), e ainda é 5,9 vezes maior quanto maior o nível de pobreza da família (OR=5,98). Já o segundo estudo verificou a relação entre a qualidade dos ambientes ecológicos, familiar e vizinhança, e o desenvolvimento da linguagem de crianças da mesma UEI. Este, teve um delineamento transversal, e o total de 64 participantes que foram avaliados pelo Denver II, ASQ-BR e pelos testes de nomeação infantil (TIN) e discriminação fonológica (TDF). A maioria das crianças teve o escore suspeita de atraso pelo Denver II (56,3%) e abaixo do ponto de corte (51,6%) pela ASQ-BR. Em contrapartida obtiveram as classificações média (48,4%) pelo TDF e alta (45,3%) pelo TIN. As variáveis pessoais que demonstraram associação estatisticamente significativas foram sexo (p<0,007), tempo na UEI (p<0,04) e aleitamento materno (p<0,01). As pontuações gerais do RAF (p<0,001) e do IPF (p=0,01) associaram-se ao desfecho. Os dados da regressão logística mostraram que a probabilidade de uma criança apresentar pior desempenho na linguagem é 62% maior quanto menor for a qualificação profissional da mãe (OR=0.39); 2,05 vezes maior quanto menor a escolaridade materna (OR=2.05), 1,97 vezes maior, quanto menor a renda mensal da família (OR=1.97); 4,91 vezes maior quanto menor a discriminação fonológica da criança (OR=4.91); e 4,30 vezes maior quanto menores forem as atividades conjuntas entre pais e filhos (4.31). Os dados foram analisados a partir da Teoria Bioecológica os quais mostram-se coerentes para compreender os resultados das crianças como uma função conjunta do processo, das características da pessoa, da natureza dos três microssistemas investigados e pelo intervalo de tempo da pesquisa. Portando, a alta prevalência de suspeita de atrasos no desenvolvimento das crianças participantes realça a importância da emergência de políticas e ações de estimulação ou monitoramento do desenvolvimento infantil, além de alertar para a presença de fatores de risco que podem interferir na qualidade dos ambientes.
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    TeseAcesso aberto (Open Access)
    O trabalho dos pais como um exossistema na bioecologia do desenvolvimento dos filhos
    (Universidade Federal do Pará, 2024-06-26) COSTA, Maria de Fátima Góes da; COSTA, Elson Ferreira; http://lattes.cnpq.br/1942489785908185; https://orcid.org/0000-0003-4115-9029; CAVALCANTE, Lilia Iêda Chaves; http://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; ALVES, Claudia Regina Lindgren; CARVALHO, Ana Emília Vita; CALDAS, Ivete Furtado Ribeiro; CARVALHO, Cíntia; http://lattes.cnpq.br/4383491149585936; http://lattes.cnpq.br/1981562999898097; http://lattes.cnpq.br/7292576382211566; http://lattes.cnpq.br/1335247034020448; https://orcid.org/0000-0002-0885-1729; https://orcid.org/0000-0002-2115-7897; https://orcid.org/0000-0002-2095-101X
    Esta tese de doutorado tem como objetivo geral investigar se e como o trabalho dos pais se constitui em um exossistema com influência na bioecologia do desenvolvimento dos filhos. Para tal, o trabalho foi organizado em dois estudos: O Estudo I, intitulado “Características do trabalho dos pais e sua relação com a bioecologia do desenvolvimento dos filhos”, objetivou explorar a relação entre as variáveis do trabalho dos pais (características gerais, nível de estresse e qualidade de vida no trabalho) e o desenvolvimento dos filhos. Trata-se de um estudo descritivo exploratório com abordagem quantitativa dos dados. Participaram 204 pais de crianças de zero a seis anos, que possuíam algum tipo de atividade remunerada. Os resultados revelaram a pertinência do modelo PPCT para a compreensão da relação entre o trabalho dos pais e o desenvolvimento dos filhos. Encontrou-se relação estatisticamente significante entre variáveis referentes aos pais, tais como grau de escolaridade (p < 0,001), gênero (p < 0,001) e faixa etária (p < 0,03), e às atividades realizadas com os filhos, como cantar (p < 0,03), ler/contar histórias (p < 0,04), brincar, assistir telas (p < 0,02), conversar sobre o dia da criança (p < 0,01), com o contexto familiar, incluindo a realização de atividades conjuntas e a frequência das refeições em família, (p < 0,05), e as características do trabalho dos pais, tais como: principal atividade remunerada (p < 0,001), local e modo de deslocamento para o trabalho, (p < 0,001), turno (p < 0,001), horário (p < 0,001), tempo de trabalho (p < 0,001), esforço exigido (p < 0,001) e estresse no trabalho (p < 0,04), bem como mudanças ocorridas no trabalho dos pais devido à pandemia de COVID-19 (p < 0,001) e se a empresa dos pais oferece incentivos à primeira infância. Além disso, foram identificadas relações mesossistêmicas, como a capacidade dos pais de acompanhar as atividades escolares dos filhos e aspectos relacionados ao tempo (horários, turnos, deslocamento e horas de trabalho dos pais). Dois modelos de regressão logística foram criados, utilizando como variáveis mediadoras a suspeita de atraso no desenvolvimento e o estresse no trabalho. No primeiro modelo, destacou-se a influência das características do trabalho dos pais, tais como o tipo de esforço exigido, e das preocupações dos pais com a aprendizagem e o comportamento das crianças, juntamente com elementos do microssistema escolar, na avaliação da suspeita de atraso no desenvolvimento (p < 0,041). No segundo modelo, a qualidade de vida no trabalho e a principal atividade remunerada dos pais, juntamente com suas preocupações com a aprendizagem e o comportamento das crianças, foram estatisticamente significativas na predição do estresse no trabalho (p < 0,063). Em suma, este estudo oferece conclusões consistentes sobre a interação complexa entre o trabalho dos pais e o desenvolvimento de seus filhos, ressaltando a importância de considerar múltiplas variáveis e sistemas em análises futuras nessa área. O Estudo II, intitulado “O trabalho dos pais como um exossistema na bioecologia do desenvolvimento dos filhos e as implicações do contexto da pandemia de COVID-19”, teve como objetivo investigar as mudanças no exossistema constituído pelo trabalho dos pais durante a Pandemia de COVID-19, examinando teoricamente essas transformações e seus impactos na bioecologia do desenvolvimento dos filhos. O estudo adotou uma abordagem descritiva com análise qualitativa dos dados, resultando em uma análise temática. Os resultados destacam diversas alterações no ambiente de trabalho dos pais, como sobrecarga de trabalho e a implementação de modalidades como o home office e o trabalho híbrido. Também foram identificadas dificuldades no desempenho profissional devido às atividades escolares remotas no ambiente doméstico. Essa análise temática apresenta como resultados evidências da relação entre o exossistema do trabalho dos pais e o desenvolvimento dos filhos, promovendo uma discussão teórica sobre elementos que integram o modelo PPCT de Bronfenbrenner. Os resultados apresentados demonstram-se teórica e empiricamente na tese proposta e defendida e podem servir como base para a reformulação de políticas públicas e privadas voltadas para a primeira infância, visando melhorias na qualidade de vida no trabalho e no combate ao estresse a ele associado. Isso pode resultar em maior satisfação no trabalho para os pais, com benefícios para as relações familiares, atividades conjuntas, brincadeiras e acompanhamento escolar dos filhos, contribuindo positivamente para o desenvolvimento infantil. Pesquisas futuras são necessárias para aprofundamento dos achados e contribuições práticas e políticas, uma vez que prejudicadas essas características, a tendência é prejudicar negativamente o curso, a direção e o sentido dos processos proximais. Sugere-se a realização de estudos com avaliação das crianças, utilizando escalas padronizadas que possam averiguar diferentes aspectos do desenvolvimento. Assim como estudos sobre a percepção do trabalho dos pais, além de outros trabalhos com número maior de participantes, que permitam a generalização de dados e predição de variáveis estudadas.
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