Navegando por Assunto "Ecologia"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Análise da ocorrência de peixes-boi com base no conhecimento ecológico local e nos parâmetros ambientais na costa leste da Ilha de Marajó, Pará(Universidade Federal do Pará, 2011-08-01) SOUSA, Maura Elisabeth Moraes de; FERNANDES, Marcus Emanuel Barroncas; http://lattes.cnpq.br/8943067124521530Atualmente, existem ao redor do mundo três espécies de peixes-boi: a) Trichechus manatus (Linnaeus, 1758); b) Trichechus senegalensis (Link, 1795) e c) Trichechus inunguis (Natterer, 1883), todas pertencentes à família Trichechidae. Algumas características ambientais parecem influenciar a presença dos peixes-boi em uma determinada área, tais como: i) temperatura da água – principalmente para áreas subtropicais, ii) profundidade dos corpos d’água, iii) salinidade e iv) ação das marés; v) disponibilidade de alimento e vi) baixa hidrodinamica. Apesar de as espécies de sirênios existentes no Brasil estarem protegidas pela Lei Federal de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197, de 03-01-1967) e sua alteração (Lei nº 7.653, de 18-12- 1987) e pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98, de 12-02-98), o peixe-boi amazônico e o peixe-boi marinho ainda correm risco de desaparecimento em um futuro próximo, sendo por isso, considerados como vulnerável e muito ameaçado de extinção, respectivamente, pela Portaria IBAMA nº 1.522/89. O presente estudo tem como objetivo investigar a ocorrência de sirênios do gênero Trichechus com base no conhecimento ecológico local e nos parâmetros ambientais existentes na costa leste da Ilha do Marajó, no Estado do Pará. Para tanto foi avaliado o nível de conhecimento dos pescadores locais sobre os peixes-boi; mapeada as áreas de ocorrência dos peixes-boi com base no conhecimento ecológico local e determinou as áreas de maior ou menor probabilidade de ocorrência de peixes-boi com base em indicadores ambientais. Os pescadores locais possuem um excelente conhecimento sobre o peixe-boi, informando características morfológicas, hábito alimentar e preferências ambientais satisfatórias. As ameaças diretas (caça) para a região não estão evidentes devido à diminuição de mão de obra especializadas, havendo apenas captura oportuna. Foi registrado durante o estudo dois encalhes na região e segundo informações de mortalidade de Trichechus spp. na área, nos últimos 50 anos morrem no mínimo 43 animais, sendo estes principalmente usados na farmacologia e consumo. O município de Salvaterra é o com maior probabilidade de ocorrência de peixe-boi segundo as características ambientais (menor intensidade de correntes, baixa salinidade, abundancia de alimento, menor tráfego de embarcações motorizadas) corroborando com os dados do conhecimento ecológico local, que indica a mesma área como de uso pelos peixes-boi. Apesar do incremento nos últimos anos nos estudos dos peixes-boi para o estado do Pará, ainda se faz necessário o investimento maior na pesquisa acerca desses animais. A continuidade das ações relacionadas ao manejo e a conservação dos peixes-boi devem ser somadas a participação dos atores sociais para uma rede de informações mais eficiente a fim de minimizar a perda de hábitat, os encalhes e aperfeiçoar as ações de resgate e reabilitações dos sirênios no estado. A foz do rio Amazonas deve ser especialmente estudada, pois se trata de uma área de simpatia das duas espécies ocorrentes no Brasil que influencia diretamente na conservação dos peixes-boi do todo o país.Tese Acesso aberto (Open Access) Aves da Floresta Nacional do Tapajós: composição, distribuição ecológica e efeitos da exploração madeireira de baixo impacto(Universidade Federal do Pará, 2005) HENRIQUES, Luiza Magalli Pinto; OREN, David Conway; http://lattes.cnpq.br/5451507856491990Uma comunidade de aves de sub-bosque foi estudada em floresta de terra firme na Floresta Nacional do Tapajós. Como resultado, a avifauna é caracterizada do ponto de vista ecológico e é apresentada a lista taxonômica das espécies registradas com dados sobre hábitat, microhábitat, abundância, sociabilidade intraespecífica e interespecífica e a dieta de cada espécie. Também foi investigado: 1) a contribuição das clareiras naturais para a diversidade de aves de aves de sub-bosque; 2) o efeito da exploração madeireira de baixo impacto sobre a comunidade de aves de sub-bosque com amostragens antes e depois da exploração; 3) e o efeito da exploração madeireira de baixo impacto em clareira e em sub-bosque. As análises são baseadas em dados quantitativos obtidos com o uso de redes de captura ao longo de cinco anos e desenvolvidas no nível das espécies e de guildas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Cantos da floresta: temáticas indígenas na produção de canção popular de artistas da amazônia brasileira (1988-1992)(Universidade Federal do Pará, 2022-09-30) COSTA, Jessica Maria de Queiroz; COSTA, Antonio Maurício Dias da; http://lattes.cnpq.br/2563255308649361; https://orcid.org/0000-0002-0223-9264Esta pesquisa investiga temáticas referentes aos povos indígenas na produção de canção popular de Nilson Chaves (PA), Raízes Caboclas (AM) e Trio Roraimeira (RR), artistas da Amazônia, entre 1988 e 1992. Período em que se estava em voga discussões sobre uma nova Constituição, tendo os povos indígenas como um dos novos sujeitos em cena, ao mesmo tempo que, o debate ambiental se acentou no Brasil, por conta da realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) ou popularmente chamada de “ECO-92”, realizada na cidade do Rio de Janeiro, em junho de 1992. O objetivo deste estudo surge em decorrência das constantes visitas de artistas amazônidas às referências indígenas para afirmarem uma identidade amazônica através de seus trabalhos musicais, no referido período. Era um momento de profunda discussão ambiental e sociopolítica, uma vez que, se alertava para a defesa e afirmação de vários temas no processo de construção da nova Constituição Federal, como a proteção ao meio ambiente, os direitos e deveres indígenas, direitos do trabalho, entre outros. Neste sentido, percebe-se um aumento de busca às temáticas indígenas devido a tal conjuntura. Para tanto, a pesquisa se ateve principalmente em apurar os periódicos dos estados desses artistas, como o Diário do Pará (PA), o Jornal do Commercio (AM) e o Folha de Boa Vista (RR), no referido período. Ademais foram realizadas entrevistas com os artistas Nilson Chaves (PA), Celdo Braga (AM) e Eliakin Rufino do Trio Roraimeira (RR) para cruzarmos dados e entendermos suas trajetórias como artistas e seus envolvimentos com as demandas e pautas indígenas. O estudo das canções e trajetórias desses artistas permite a compreensão de abordagens que reforçam e/ou reconstroem concepções sobre os povos indígenas no meio musical amazônida a depender de interesses sociopolíticos culturais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Composição e distribuição espaço-temporal das larvas de peixes do estuário do Rio Quatipuru - Nordeste Paraense(Universidade Federal do Pará, 2011-10-25) SILVA, Potira Fernandes e; MELO, Nuno Filipe Alves Correia de; http://lattes.cnpq.br/4989238044542736; QUEIROZ, Helder Lima de; http://lattes.cnpq.br/3131281054700225No Estuário Quatipuru, localizado no Nordeste do Estado do Pará foram realizadas duas campanhas, nos períodos seco (Novembro./2009) e chuvoso (Maio/2010), com coletas espacial e nictemeral. As larvas foram coletadas utilizando-se uma rede de plâncton, cônica, com 60 cm de abertura de boca, 1,80 m de comprimento e malha de 500 m de abertura. As amostras foram triadas e identificadas quanto ao seu estágio de desenvolvimento larval e ao nível de espécie, sendo algumas tipificadas. Nos arrastos espaço-temporais a principal família foi Clupeidae no período seco e a família Scianidae (Cynoscion acoupa) caracterizou o período chuvoso. Observa-se uma densidade muito baixa, com o maior valor de 8,50 ind./m³ no período seco (Clupeidae sp.3) e o menor valor de 0,06 ind./m³ também no período seco (Engraulididae sp.2). 65% das larvas no estágio de pré-flexão, 25% em flexão e 10% pós-flexão. No período chuvoso, 64% em pré-flexão, 14% em flexão e 22% em pós-flexão. Nas análises de Cluster (modo Q) distinguiram dois grupos principais de acordo com a sazonalidade local, o modo R não distinguiu grupos principais quanto à associação das espécies. A Análise de Componentes Principais (A.C.P.) os dois primeiros eixos explicaram 82% da variância dos dados, possível observar uma tendência de distribuição de acordo com a riqueza das espécies. Já nos arrastos nictemerais foi representado principalmente pela família Clupeidae no período seco (Clupeidae sp.1), e a família Scianidae caracterizou melhor o período chuvoso (Cynoscion acoupa). Densidade também muito baixa, maior valor de 2,96 ind./m³ no período chuvoso e o menor 0,01 ind./m³ no período seco. No período seco 57% estavam no estágio de pré-flexão, 26% em flexão e 17% em pós-flexão, já no período chuvoso 11% em pré-flexão, 38% em flexão e 51% em pós-flexão. A análise de cluster modo Q distingue também dois grupos de acordo com sazonalidade (seco/chuvoso), o modo R também não distinguiu grupos principais quanto à associação de suas espécies. Na A.C.P. o eixo 01 responsável por 70 % está diretamente relacionado com a riqueza e a densidade dos organismos, sendo possível observar uma tendência de distribuição de acordo com a ocorrência das espécies no sentido horizontal.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Composition of shrimp populations (Crustacea: Decapoda) in non-vegetated areas of two river islands in a Brazilian Amazon estuary(Universidade Federal do Pará, 2013-12) NÓBREGA, Priscila Sousa Vilela da; SILVA, Bianca Bentes da; MARTINELLI-LEMOS, Jussara MorettoDissertação Acesso aberto (Open Access) Consistência e uso das informações sobre ameaça no processo participativo de indicação de áreas prioritárias para a conservação da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2014-02-27) CASTRO, Rodrigo Baia; ALBERNAZ, Ana Luisa Kerti Mangabeira; http://lattes.cnpq.br/1220240487835422Apesar dos avanços acadêmicos, o planejamento para a conservação tem falhado na execução de ações que priorizem a preservação da biodiversidade. Novas estratégias têm sido propostas para o aumento da efetividade de planos de conservação, entre as quais a realização de processos decisórios com ampla participação, que facilitariam a aceitação social das ações. Este artigo analisa como as informações a respeito das ameaças foram utilizadas no processo de tomada de decisão para a indicação das áreas prioritárias para a conservação da Amazônia, no processo coordenado pelo Governo Brasileiro em 2006. Primeiramente foi verificada a consistência das informações sobre ameaças atribuídas às novas áreas indicadas, para depois avaliar se a existência, níveis e tipos de ameaças definidos pelos participantes influenciaram na indicação de áreas para conservação. Os resultados mostram que houve alguns acertos no reconhecimento das ameaças, mas também algumas incoerências, principalmente nos níveis atribuídos e para os tipos de ameaças de menor intensidade, como a pesca. O processo decisório também não aproveitou integralmente estas informações para a indicação de áreas para a conservação. A inexistência de informações sobre as motivações dessas incoerências deixam dúvida quanto à presença do oportunismo político, mas apontam que no processo participativo deve ser alocado um maior esforço para aliar o processo participativo aos sistemas de suporte à decisão, de forma a gerar uma ordem de prioridades mais quantitativa e menos dependente da seleção individual dos participantes, de forma a refletir mais diretamente às reais urgências de implantação.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A efetividade das unidades de conservação e das terras indígenas na contenção do desflorestamento na Amazônia Legal(Universidade Federal do Pará, 2010) NUNES, Tássia do Socorro Serra; FERREIRA, Leandro Valle; http://lattes.cnpq.br/8103998556619871Foi investigada a efetividade das Unidades de Conservação e das Terras Indígenas na contenção do desflorestamento na Amazônia Legal. A análise dos dados foi processada em ambiente SIG (Sistema de Informações Geográficas) no programa ArcGis 9.3. O modelo estatístico desenvolvido para testar a efetividade das Áreas Protegidas se baseou na diferença entre o desflorestamento interno observado nas Áreas Protegidas e o desflorestamento interno nas Áreas Protegidas, estimado a partir do entorno de cinco quilômetros e de dez quilômetros das Áreas Protegidas. Verificou-se que, em área de floresta, até o ano de 2007, as Áreas Protegidas ocupavam aproximadamente 40% da Amazônia Legal. As Unidades de Conservação de Proteção Integral ocupavam 7,5% da Amazônia Legal, as Unidades de Conservação de Uso Sustentável ocupavam 11,2% da Amazônia Legal e as Terras Indígenas ocupavam 21% da Amazônia Legal. Foi observada uma diferença significativa na proporção de área ocupada pelos tipos de Áreas Protegidas entre os estados da Amazônia Legal. Notou-se, ainda, que a proporção do desflorestamento interno nas Unidades de Conservação de Proteção Integral e nas Terras Indígenas foi menor do que nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável. A proporção do desflorestamento interno das Áreas Protegidas foi muito menor do que a proporção de desflorestamento externo à essas áreas, nos estados do Mato Grosso, Pará e Rondônia. Segundo o modelo estatístico de efetividade, 62,3% das Áreas Protegidas analisadas eram efetivas na contenção do desflorestamento. Esse modelo constitui importante instrumento para direcionar o planejamento de políticas públicas de conservação da Amazônia Legal, pois indica as Áreas Protegidas mais ameaçadas pelo desflorestamento. É imprescindível estabelecer com urgência a criação de mais Áreas Protegidas na Amazônia Legal e a consolidação das Áreas Protegidas existentes, já que não se sabe até quando essas áreas conseguirão se manter sem o mínimo necessário à sua sustentação.Tese Acesso aberto (Open Access) Estruturação da comunidade de odonata (insecta) na Amazônia Oriental: efeitos espaciais, ambientais e morfológicos em igarapés íntegros e alterados(Universidade Federal do Pará, 2015-12-04) OLIVEIRA JUNIOR, José Max Barbosa de; JUEN, Leandro; http://lattes.cnpq.br/1369357248133029Entender como as comunidades naturais estão estruturadas tem sido um dos principais objetivos em ecologia. Fatores locais e regionais, como o clima, o tipo de habitat e as interações entre espécies, são os principais responsáveis pela estruturação das comunidades em ambientes naturais. Neste contexto, nosso objetivo é avaliar o efeito dos fatores ambientais (locais e regionais) e espaciais sobre a distribuição da comunidade de adultos de Odonata em igarapés preservados e alterados na Amazônia Oriental. Adicionalmente, avaliamos se existe um limite na similaridade morfológica para a coocorrência das espécies, buscando testar padrões na distribuição das espécies. Para responder a esses objetivos dividimos a tese em três capítulos: O primeiro capítulo avalia o efeito dos fatores ambientais e espaciais; o segundo o efeito dos fatores ambientais locais e regionais e o terceiro avalia se existe um limite na similaridade morfológica para a coocorrência de espécies de comunidade de adultos de Odonata na Amazônia. Foram amostrados Odonata adultos em 98 igarapés na Amazônia Oriental. Os fatores ambientais locais foram avaliados com base em um índice de integridade ambiental e variáveis físicas quantitativas. Variáveis espaciais foram geradas através de filtros espaciais. Foram considerados como fatores ambientais regionais o gradiente de altitude, variáveis bioclimáticas e percentuais de cobertura florestal. Foram selecionados dez indivíduos machos de cada espécie para mensurar nove medidas morfométricas, com o uso de um paquímetro. Foram amostrados 3.588 espécimes de Odonata, distribuídos em 11 famílias, 49 gêneros e 133 espécies. Somente os fatores ambientais explicam a variação na comunidade de Odonata em todos os ambientes (preservados e alterados), bem como separadamente, não houve efeito dos fatores espaciais. O mesmo foi observado para Zygoptera. Para Anisoptera, os fatores ambientais explicam a variação na comunidade apenas quando considerado todos os ambientes e alterados. Em ambientes preservados nem fatores ambientais e espaciais explicam a variação da comunidade. O particionamento de variação indicou contribuições distintas dos fatores ambientais locais e regionais sobre a variação na composição de espécies. O componente partilhado pelos dois fatores (locais e regionais) foi mais importante para explicar a variação tanto nas comunidades de Odonata como de Anisoptera e Zygoptera separadamente, seguido pelo componente ambiental local puro e por último, pelo componente ambiental regional puro. Porém além desses fatores, a competição mostrou-se um fator importante na distribuição das espécies. Padrões não aleatórios de coocorrência das espécies de Odonata ocorrem tanto nos igarapés presevados quanto nos alterados. O mesmo foi observado quando avaliado separadamente para Zygoptera. Já para Anisoptera foi encontrado um padrão aleatório de coocorrência das espécies tanto nos igarapés preservados quanto nos alterados. Em igarapés preservados foi observado que existe uma intensa competição interespecifica de Odonata baseada na morfologia. O mesmo não foi observado em igarapés alterados. Quando avaliado separadamente por subordem, para Zygoptera o mesmo padrão foi observado. Para Anisoptera tanto em igarapés preservados quanto em alterados as sobreposições morfológicas não são diferentes de valores esperados em comunidades aleatórias. Demonstramos que os Odonata estão fortemente associados às condições ambientais dos ecossistemas aquáticos na Amazônia Oriental. Um grande número de espécies de Odonata são estenotópicas, as tornando altamente dependentes de condições locais. Em geral as espécies de Zygoptera são sensíveis às variações ambientais por restrições ecofisiológicas, já os Anisoptera são mais tolerantes às diferentes condições ambientais. Para essas espécies mais especialistas, as condições locais do ambiente tendem a ser mais determinantes para a sua distribuição, o que leva a inferência de que uma seleção de espécies está atuando como processo determinante na estrutura e dinâmica destas comunidades. A relação das subordens de Odonata com o habitat identificado neste estudo têm algumas implicações importantes no uso desses organismos para monitoramento em pequenos igarapés. Adicionalmente os padrões de distribuição das espécies de Odonata são afetados pelos processos de similaridade limitante, em especial em ambientes preservados, e para os grupos mais especialistas, como a maioria dos Zygoptera. À luz das rápidas mudanças ambientais, uma questão importante nos estudos sobre estruturação de comunidades é a escala em que o habitat é medido, uma vez que um habitat adequado deve atender às necessidades ecológicas de todos os estágios de vida desses indivíduos. Portanto, futuros trabalhos podem usar os fatores ambientais e espaciais conjuntamente com a similaridade limitante para melhor compreender a estruturação dessas comunidades.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Fungos poróides (Agaricomycetes) na Floresta Nacional de Caxiuanã: fenologia e relação com o substrato, topografia e fatores micrometeorológicos(Universidade Federal do Pará, 2011-03-30) MEDEIROS, Priscila Sanjuan de; CATTANIO, José Henrique; http://lattes.cnpq.br/1518769773387350O estudo foi desenvolvido em um dos sítios do Programa de Biodiversidade da Amazônia (PPBio) localizado na Floresta Nacional de Caxiuanã (PA) e teve como objetivos: apresentar os fungos poróides com ênfase nos novos registros; analisar a relação destes fungos com o substrato lenhoso e examinar a associação entre variáveis micrometeorológicas (temperatura do ar, umidade relativa e pluviosidade) durante um ano, em relação às variáveis ambientais produzidas pela topografia, com a riqueza, densidade, e a fenologia destes fungos. Foram identificadas 76 espécies de fungos poróides, distribuídas em 27 gêneros e cinco famílias. Cerrena sclerodepsis, Phellinus dependens e Trametes pavonia representam primeiro registros para o estado do Pará. A espécie Microporellus iguazuensis é citada pela primeira vez para o Brasil e é apresentada a proposição de uma de nova espécie para a ciência denominada Microporellus hirsuta. A maioria das espécies foi considerada rara e apresentou preferência por substratos nos primeiros estágios de decomposição. O número de ocorrências de basidioma e de espécies de fungos foi maior em troncos de plantas das famílias Caesalpinaceae, Sapotaceae, Annonaceae, Mimosaceae e Lecythidaceae, respectivamente, e em substrato com diâmetro menor. Era esperado que as diferenças no microclima gerado por diferentes altitudes, em um pequeno gradiente topográfico, fossem o suficiente para gerar diferenças na comunidade de fungos poróides. No entanto, embora tenha sido encontrado um maior número de espécies na região denominada de intermediária, esta diferença não foi significativa. O maior número de indivíduos foi encontrado quando das primeiras chuvas na estação chuvosa e a riqueza esteve diretamente correlacionada com a pluviosidade. O índice de atividade de produção de basidioma das espécies mais abundantes foi maior no período das primeiras chuvas após o período seco. Este estudo representa avanços no entendimento das relações dos fungos com o meio em que eles se desenvolvem principalmente nas regiões tropicais. No entanto muitos estudos ainda precisam ser desenvolvidos para o esclarecimento destas relações.Tese Acesso aberto (Open Access) História natural e ecologia das serpentes da Floresta Nacional de Caxiuanã e áreas adjacentes, Pará, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2008) MASCHIO, Gleomar Fabiano; MARTINS, Marlúcia Bonifácio; http://lattes.cnpq.br/8882047165338427; PRUDENTE, Ana Lúcia da Costa; http://lattes.cnpq.br/1008924786363328A busca por padrões de estrutura e composição das comunidades é essencial para prover informações que permitam o manejo sustentado de populações e monitoramento de atividades antrópicas. Na região neotropical, onde ocorre grande riqueza de espécies e complexas relações ecológicas entre elas, estudos envolvendo ofidiofauna ainda são escassos, o que faz com que o entendimento dos processos responsáveis pela estruturação de suas comunidades ainda seja incipiente. No Brasil, vários trabalhos foram desenvolvidos na tentativa de explicitar os fenômenos responsáveis pelos padrões de ocorrência e interações das espécies de serpentes. Objetivando esclarecer quais os fatores que determinam os padrões observados e que afinidades (ecológicas e/ou históricas) as espécies compartilham, foi realizado estudo da taxocenose de serpentes da FLONA de Caxiuanã e áreas adjacentes, durante os anos de 2005 e 2006. Utilizou-se conjuntamente quatro métodos de amostragem (Procura Limitada por Tempo-PLT, Encontros Ocasionais-EO, Armadilhas de Interceptação e Queda-AIQ e Coletas por Terceiros-CT), em cinco áreas (IBAMA e Caquajó, no interior da FLONA de Caxiuanã; Enseada e dois pontos com influência antrópica: Marinaú e Mojuá, estando esses três últimos localizados em áreas adjacentes à FLONA. Foram registrados 378 espécimes distribuídos em cinco famílias, 35 gêneros e 50 espécies. Com os novos registros obtidos nesse estudo, o número de espécies de serpentes para a FLONA de Caxiuanã e áreas adjacentes passa de 63 para 69. Os métodos que apresentaram melhor desempenho em número de indivíduos foram PLT (199/378) e CT (159/378). EO (11/378) e AIQ (9/378) foram os métodos menos eficazes. A riqueza estimada (Jackknife 1), a partir de dados obtidos através de PLT, foi de 56 (+ ou – 4) espécies. O número de espécies estimado para as áreas preservadas foi maior que para áreas antropizadas. A composição das espécies de serpentes da área estudada apresentou maior similaridade com outras taxocenoses de áreas amazônicas. As espécies mais abundantes, acessadas através de PLT, foram Imantodes cenchoa, Corallus hortulanus e Leptodeira annulata. Quando todos os métodos foram considerados, Bothrops atrox, Imantodes cenchoa e Corallus hortulanus foram as espécies mais representadas. As áreas mais antropizadas, localizadas fora da FLONA (Marinaú e Mojuá), apresentaram menores abundância e riqueza de espécies em comparação com áreas protegidas, localizadas no interior da FLONA. Nove espécies foram consideradas potencialmente especialistas: Lachesis muta (pequenos mamíferos), Atractus schach (minhocas), Dipsas catesbyi (moluscos - lesmas), Helicops trivitatus e Hydrops triangularis (peixes), Siphlophis compressus (lagartos), Xenopholis scalaris, Taeniophallus brevirostris (anfíbios anuros) e Tantilla melanocephala (centopéias). Os itens mais acessados foram “lagartos”, “anfíbios anuros” e “pequenos mamíferos”. Serpentes com hábitos primária ou exclusivamente diurnas prevaleceram na comunidade analisada. A ausência de sazonalidade reprodutiva foi característica da maioria das espécies e isso se deve, muito provavelmente, à pouca diferença na temperatura ao longo do ano. A taxocenose de serpentes da FLONA de Caxiuanã e áreas adjacentes está, basicamente, formada por grupos contendo espécies onde, em geral, hábitos diários e de dieta estão sobrepostos. Além dos diversos fatores ecológicos, também fatores históricos, como adaptações morfológicas das espécies, têm grande influência na composição da taxocenose analisada. A grande dificuldade na realização de estudos de comunidades de serpentes está na escassez de dados das espécies, portanto torna-se imperioso que estudos de Ecologia e História Natural continuem sendo exaustivamente conduzidos em uma mesma localidade, objetivando a elucidação dos padrões de respostas aos diversos fatores relacionados à existência das espécies nos diferentes biomas.
