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    TeseAcesso aberto (Open Access)
    Treino de habilidades sociais e comportamento alimentar após cirurgia bariátrica
    (Universidade Federal do Pará, 2015-07-09) SILVA, Lúcia Cristina Cavalcante da; FERREIRA, Eleonora Arnaud Pereira; http://lattes.cnpq.br/6600933695027723; NASCIMENTO, Gabriela Souza do; CASSEB, Mariene da Silva; NAJJAR, Enise Cássia Abdo; ARAUJO, Marilia de Souza; http://lattes.cnpq.br/8929203812398361; http://lattes.cnpq.br/2816970980732352; http://lattes.cnpq.br/8145098677313651; http://lattes.cnpq.br/9371703949781020; https://orcid.org/0000-0002-8731-4496
    A cirurgia bariátrica tem sido a principal indicação médica para casos de obesidade mórbida após a constatação da intratabilidade clínica. Entretanto, há registros de resultados muito variados, como reganho de peso, anorexia e bulimia, até manutenção do peso normal. Dentre os fatores estudados pela literatura está a relação entre obesidade e déficits em habilidades sociais, em geral ou especificamente relacionadas a situações alimentares. Esta pesquisa objetivou avaliar os efeitos do Treino de habilidades sociais (THS) no comportamento alimentar em indivíduos submetidos à cirurgia bariátrica. Participaram da pesquisa dez mulheres adultas, indicadas à cirurgia bariátrica, divididas em duas condições: Condição 1- Tratamento de rotina (TR) + THS, composta por duas participantes (P1 e P2); e, Condição 2 - TR, composta por oito participantes (de P3 a P10). Os critérios para a inclusão das participantes na Condição 1 foram: (a) estar na fase de exames pré-operatórios à cirurgia bariátrica; (b) ter Índice de Adesão à Dieta (IAD) abaixo de 50%; (c) não ter realizado quaisquer outros procedimentos cirúrgicos contra a obesidade (balão gástrico, por exemplo); e, (d) ter obtido baixos escores em, pelo menos, um dos cinco fatores avaliados no Inventário de Habilidades Sociais (IHS). Os critérios para a inclusão das participantes na Condição 2 foram: (a) ter realizado a cirurgia bariátrica em um período superior a três meses e inferior a um ano e (b) não ter realizado quaisquer outros procedimentos cirúrgicos contra a obesidade (balão gástrico, por exemplo). As participantes da Condição 1 foram expostas a seis fase de coleta de dados: Avaliação inicial; Avaliação do comportamento alimentar antes do THS; THS; Reavaliação do comportamento alimentar após o THS; Reavaliação do comportamento social após o THS e; Follow-up. O THS foi baseado em automonitoração, análise de contingências e ensaio comportamental. Todas as fases foram realizadas no período pós-operatório tardio, exceto a Avaliação inicial que ocorreu no período pré-operatório. As participantes da Condição 2 realizaram apenas a Avaliação inicial, aplicada no período pós-operatório tardio. Os dados sobre o comportamento alimentar foram obtidos por meio da análise do Roteiro de entrevista sobre comportamento alimentar e do Recordatório alimentar de 24 horas adaptado (R24h), permitindo a identificação dos alimentos ingeridos, do fracionamento, do IAD absoluto por refeição, médio por R24h e a média geral dos IAD’s por fase do estudo. Os dados sobre o comportamento social foram obtidos por meio da análise do IHS e do Formulário de automonitoração da emissão dos itens do THS, permitindo a identificação dos valores obtidos em cada item e nos escores fatoriais do IHS e da frequência e consequência da emissão de cada item do THS. Foram traçadas comparações entre os IAD e os escores fatoriais e os valores por item do IHS: 1) por participante em diferentes fases do estudo; 2) por participantes expostos a mesma Condição do estudo; 3) por participantes expostos a diferentes Condições do estudo. Quanto ao comportamento social, verificou-se que as participantes de ambas as Condições apresentaram déficits em itens componentes dos cinco fatores e nos itens não agrupados em fatores do IHS. Com exceção de P2 da Condição 1, as demais participantes apresentaram maiores déficits em itens do fator F5 (Autocontrole da agressividade em situações aversivas). Quanto ao comportamento alimentar, verificou se que nenhuma participante obteve IAD médio em R24h, nem na média geral dos três IADs de cada fase do procedimento, equivalente ou superior a 50%, tendo ocorrido reduzido número de IADs absolutos por refeição com estes valores. O abandono precoce do acompanhamento multiprofissional por 9/10 participantes pode ter contribuído para este resultado. A análise dos R24h das participantes de ambas as Condições também indicou que a escolha do alimento e o fracionamento das refeições no período pós-operatório tardio variaram pouco, já que apesar da inclusão de alimentos com menor valor calórico, identificou-se a manutenção de alimentos hipercalóricos na dieta e a supressão de refeições na maioria das participantes. A comparação dos dados do comportamento alimentar e do repertório de habilidades sociais das duas participantes da Condição 1 indicou que o THS realizado no período pós-operatório tardio não teve efeitos significativos para o aumento do IAD de ambas. Este resultado se confirmou com a comparação dos valores obtidos nas mesmas variáveis pelas participantes da Condição 2, a despeito dos efeitos em termos de aumento de repertório de auto-observação e autoconhecimento identificados nas participantes da Condição 1.
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