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    DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    “(Des)capsula” AI! Tecendo a Gestão Autônoma da Medicação (GAM) em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD) em Belém do Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2025-04-25) RAMOS, Vitor Igor Fernandes; CABRAL, Károl Veiga; http://lattes.cnpq.br/6421840541041541; https://orcid.org/0000-0001-5678-7859; CABRAL, Károl Veiga; LEMOS, Flávia Cristina Silveira; REIS, José de Arimateia Rodrigues; ALVES, Miriam Cristiane; FERLA, Alcindo Antonio; http://lattes.cnpq.br/6421840541041541; http://lattes.cnpq.br/8132595498104759; http://lattes.cnpq.br/3976380225171903; http://lattes.cnpq.br/6523933241917432; http://lattes.cnpq.br/6938715472729668; https://orcid.org/0000-0001-5678-7859; https://orcid.org/0000-0003-4951-4435; https://orcid.org/0000-0002-9527-5968; https://orcid.org; https://orcid.org/0000-0002-9408-1504
    A Gestão Autônoma da Medicação (GAM) é um dispositivo de cuidado em saúde mental que chega ao Brasil em 2009, por um estudo de pesquisa multicêntrico entre quatro Universidades públicas que se uniram para adaptar, traduzir, estudar e aprimorá-la, envolvendo trabalhadores (as), familiares e, principalmente, usuários da rede de saúde mental do Brasil. A GAM nasceu em uma das províncias do Canadá, em Québec, no ano de 1990, em um processo participativo e coletivo. Estudar a GAM no contexto brasileiro e pela primeira vez, em uma região amazônida, é ressaltar a importância da discussão de um território cabano que pulsa em cada paraense, por sentir e se afetar de diferentes formas. O objetivo dessa pesquisa de Dissertação foi implementar a discussão do Guia da Gestão Autônoma da Medicação pela primeira vez na Região Norte, sendo o Estado do Pará, o primeiro Estado do Norte a discutir sobre esse dispositivo de cuidado na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O local da pesquisa foi um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas tipo II (CAPS AD II), localizado no Município de Belém, que possui atividades direcionadas a pessoas que fazem uso problemático de álcool e outras drogas, tendo como filosofia e prática de cuidado, a política de Redução de Danos. Na pesquisa utilizamos o desenho metodológico da pesquisa-intervenção e, com a saúde mental coletiva como norte, implementamos este dispositivo em coletivo, com usuários, familiares, trabalhadores e gestão, utilizando ferramentas teórico-conceituais como diário de campo, observações, trabalho em roda e análise de implicação, uma vez que no CAPS ocupava a posição de trabalhador e pesquisador. Uma das análises que trouxemos para o campo foi a formulação de duas categorias teóricas: capsular e (des)capsular, que nos pareceu importante, ao implicar no campo saber-teórico do ser farmacêutico. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa e aprovada sendo o parecer ético 80522524.0.0000.001. A intervenção com o dispositivo do guia GAM aconteceu desde maio de 2022 e até o fim da pesquisa, em julho de 2024, se observou cisões entre usuário x trabalhador x gestão x sistema. Nos resultados, emprestamos a música Princípia, do cantor de RAP brasileiro Emicida, para conversar com os resultados encontrados. As estrofes selecionadas foram “tudo que nóis tem é nóis”, “Deus, por que a vida é tão amarga na terra da cana-de-açúcar?”, “cale o cansaço, refaça o laço, e ofereça um abraço quente”, “Paz não se constrói com tiro mas eu miro, de frente a minha fragilidade”, “já não está mais perdido o elo, o amor é o segredo de tudo e eu pinto tudo em amarelo”. Ampliamos a discussão do Guia GAM para outros marcadores sociais como gênero, raça/cor, sexo e território, ao discutir sobre os efeitos da Necropolítica e os resultados da “guerra às drogas”. O pioneirismo da GAM pela primeira vez na Região Amazônica e logo em um território ‘fora-manicômios’, foi para legalizar o cuidado em liberdade. Com a GAM refizemos o laço e (des)capsulamos o sistema.
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    TeseAcesso aberto (Open Access)
    Estratégias de sobrevivência e movimentos de vida: práticas de redução de danos e autocuidado no discurso de pessoas que usam drogas em situação de rua em Belém/PA
    (Universidade Federal do Pará, 2021-11-30) REIS, José de Arimatéia Rodrigues; PIANI, Pedro Paulo Freire; http://lattes.cnpq.br/6434100473666705; https://orcid.org/0000-0003-3091-2126; VICENTIN, Maria Cristina Gonçalves; BRIGAGÃO, Jacqueline Isaac Machado; LEMOS, Flávia Cristina Silveira; LIMA, Maria Lúcia Chaves; MOREIRA, Ana Cleide Guedes; http://lattes.cnpq.br/6947268789571591; http://lattes.cnpq.br/1533188485721174; http://lattes.cnpq.br/8132595498104759; http://lattes.cnpq.br/2883065146680171; http://lattes.cnpq.br/9245673017553186; https://orcid.org/0000-0003-1718-6721; https://orcid.org/0000-0002-5566-8839; https://orcid.org/0000-0003-4951-4435; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0001-6017-1467
    Nesta pesquisa, buscou-se analisar os discursos de pessoas que usavam drogas em situação de rua na cidade de Belém/PA, as suas práticas cotidianas de sobrevivência realizadas nos espaços urbanos, e em relação à utilização das estratégias para a redução de danos e o autocuidado nas ruas, e em possíveis interfaces com as políticas públicas à procura de ações governamentais, ou na busca de novas possibilidades de vida na complexidade da cidade, verificando-se quais formas particulares de produção de movimentos de vida são possíveis no uso de drogas a partir de contextos de situação de rua. Para tal, fez-se antes uma discussão de algumas das relações entre o modelo de sociedade contemporânea e as possíveis influências associadas à ocorrência dos fenômenos do consumo de substâncias psicoativas e das situações de rua, as quais são frequentemente aproximadas entre si na literatura especializada, e creditados à vulnerabilidade social, à marginalização ou aos estigmas sociais diversos, aliados ainda às práticas proibicionistas e às diferentes formas de governamentalidade. Discutiu-se, também, sobre quais práticas de resistência seriam possíveis às estratégias de dominação e de controle das produções de subjetividade e de sobrevivência nos cenários urbanos, aos potentes e poderosos discursos vigentes, aos muitos estigmas existentes e às políticas geradoras de desigualdades largamente adotadas. Travou-se, por outro lado, o debate sobre as políticas públicas de drogas e da população em situação de rua, bem como acerca da estratégia de redução de danos em suas características e sobre o seu surgimento entre nós e em outros países, além das possibilidades de autocuidado nas ruas pelas pessoas que utilizam substâncias, por meio de seus modos de circulação na cidade, nas modalidades próprias de sobrevivência engendradas e/ou nas formas particulares de produzir movimentos de vida. A pesquisa se fundamentou no método de análise das práticas discursivas e na escolha do campo-tema pessoas que usam drogas em situação de rua, com o intuito de contribuir para ampliar o escopo da psicologia social no estudo de temas atuais relevantes, procurando situar as complexas e as contraditórias relações entre o uso de drogas, a redução de danos, a política de drogas brasileira e as políticas públicas de cidadania e garantia de direitos. Constatou-se no estudo que as pessoas que faziam uso de drogas e viviam nas ruas de Belém/PA possuíam estratégias peculiares de sobrevivência, de relação com os espaços urbanos e dos cenários de uso da cidade, às vezes, mostrando expressiva capacidade de autocuidado, até chegando a praticar estratégias de redução de danos de forma espontânea ou intuitiva nas ruas. Apareceram, ainda, certas interfaces com as políticas públicas, principalmente, de saúde e assistência social, na procura e/ou no encontro eventual com algumas modalidades de tratamento de doenças, assim como do cuidado pela redução de danos ao uso de substâncias, mesmo durante o uso problemático, e em circunstâncias sociais muito adversas, não somente em meio às narrativas de extrema privação de direitos nas ruas da cidade, mas também de enfrentamento das vulnerabilidades, como possíveis resultados de opções de vida ou escolhas próprias. Surgiram nos relatos dos participantes circunstâncias relacionadas a uma espécie de exaustão atingida nas diferentes trajetórias pessoais que os levaram ao uso de drogas nas ruas e aos desejos frequentes de sair de tal condição, culminando em movimentos de mudanças de vida por parte de algumas das pessoas entrevistadas, geralmente, após longos anos de uso de substâncias e uma permanência significativa em situação de rua.
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