Navegando por Assunto "Igreja"
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Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Igreja e território, entre o tempo, o espaço e os conflitos: discursos e práticas sobre Belo Monte(Universidade Federal do Pará, 2020-12) MIRANDA, Tânia Nazarena de OliveiraA implantação do complexo de Belo Monte suscitou manifestações de ordem favoráveis e contrárias ao projeto de desenvolvimento na Amazônia. Vários setores e atores ligados à sociedade civil e governamental se envolveram na formulação de estratégias que permitiram discutir: os modelos de desenvolvimento, as questões ambientais, as alternativas e posturas que resultam em várias manifestações envolvendo o campo e a cidade, com repercussão em nível nacional e internacional. O presente texto apresenta o contexto das contradições referentes às concepções sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte. As questões pertinentes sobre território, identidade, realidade, desenvolvimento e progresso – as quais pontuam os governos, os consórcios, os movimentos sociais e a Igreja Católica – suscitam ampla discussão na sociedade brasileira. Os dados utilizados foram obtidos no levantamento de campo realizado em Altamira entre os agentes de pastorais, comunidade local, Movimento Xingu Vivo para Sempre e lideranças da Prelazia do Xingu. Foram tratados segundo a metodologia qualitativa e quantitativa utilizando a técnica de pesquisa do discurso do sujeito coletivo. À época observou-se a estreita relação da Igreja com movimentos e grupos, que encamparam a luta na região do Xingu. Identificou-se também que não é o todo da Igreja do Xingu que compartilha a resistência ao desenvolvimento e progresso que o estado e consórcio idealizam. Demonstra que há divergências e mudanças internas, na Igreja Católica e nos Movimentos Sociais, e na atual conjuntura as divergências e separações estão em pleno vigor.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Labor e prazer: a prática e o sentido dos mutirões na comunidade Monte Sião, São Domingos do Capim - PA(Universidade Federal do Pará, 2016) ANDRADE, Josiele Pantoja de; ALMEIDA, Ruth Helena Cristo; http://lattes.cnpq.br/1202019164727992; https://orcid.org/0000-0002-6805-6807; KATO, Osvaldo Ryohei; http://lattes.cnpq.br/4241891652832872; https://orcid.org/0000-0002-2422-9227Objetivamos nesse trabalho compreender as práticas e o sentido do mutirão e como os mesmos contribuem para o estabelecimento das relações de reciprocidade camponesa, a partir de uma análise do trabalho, em especial em mutirões, como parte integrante da vida camponesa, entendido como um espaço de reprodução da vida cotidiana. Esse estudo foi realizado na comunidade Monte Sião, Nordeste Paraense. Para a realização da pesquisa, optamos pela abordagem metodológica qualitativa, entretanto, métodos quantitativos também foram utilizados como uma forma de auxiliar a interpretação da realidade social. Como estratégia metodológica, utilizamos o estudo de caso, realizado com 45 famílias, nos valendo da observação participante, entrevistas e questionários, os quais permitiram compreender a história de formação da comunidade, a instalação da igreja Assembleia de Deus, a organização da APEPA, os festejos, a divisão social do trabalho na unidade de produção familiar, os espaços de sociabilidade e, sobretudo, compreender a organização dos distintos mutirões e as relações de reciprocidade que se estabelecem entre camponeses e camponeses e divindades, além apreendermos a noção de mutirão que os camponeses detêm. O estudo aponta a reciprocidade na essência camponesa. O mutirão até o século XX era realizado para auxílio em trabalhos agrícolas, em casos de doença, especialmente nos trabalhos das roças de mandioca. Havia duas formas de realizar o trabalho dos roçados: o mutirão e o trabalho de companhia. O primeiro, uma forma de ajuda mútua não formalizada, porém entendida como um contrato moral; o segundo entendido como uma forma institucionalizada, composto por um grupo fixo de camponeses, com registro hierárquico dos cargos ocupados e das atividades a serem executadas. Com as transformações socioeconômicas, a entrada da comercialização do açaí e a diminuição dos recursos naturais, as roças deixaram de ser a principal atividade econômica dos camponeses e, como consequência, o trabalho de companhia deixava de existir no trabalho dos roçados, sendo ressignificado e ganhando força em outras atividades, como na instituição religiosa, onde os camponeses se reúnem em mutirões movidos por um sentimento de fé e amizade para realizar determinados trabalhos, como construções, festejos, artesanatos e campanhas para captar recursos financeiros para doar a Deus, uma relação de reciprocidade entre os homens e Deus. A Associação, durante um período, também acionou os mutirões para o manejo dos açaizais e confecção de artesanatos. E, por último, o mutirão organizado pelos camponeses para ter acesso à energia elétrica. Esses mutirões ultrapassam a ideia utilitarista, são entendidos como um espaço pedagógico de aprendizagem coletiva. E, mais ainda, como uma forma de ação política, além de representar a união dos camponeses e a luta por acesso a serviços públicos historicamente negados. Eles não existem separados do restante da vida. Durante o trabalho as pessoas conversam da vida, fofocam, dão risos, fazem brincadeiras e até podem ocorrer desentendimentos. Assim, concluímos que os mutirões, em Monte Sião, continuam vivos na essência camponesa, sendo ressignificados e acionados de acordo com as necessidades econômicas, sociais, políticas, religiosas e culturais da comunidade.
