Navegando por Assunto "Infrastructures"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Olhos da paisagem: o monoculturar nos rastros das infraestruturas de produção e circulação de commodities no Baixo Tocantins(Universidade Federal do Pará, 2026-05-15) ALMEIDA, Nathália Tavares de Souza; INOUE, Cristina Yumie Aoki; http://lattes.cnpq.br/5557106844328206; GONÇALVES, Marcela Vecchione; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856; FOLHES, Ricardo Theophilo; CASTRO, Fábio Fonseca de; LOSEKANN, Cristiana; LEÃO, Ana Cláudia do Amaral; http://lattes.cnpq.br/5612208724254738; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/6484935860818055; http://lattes.cnpq.br/3091200390689592; https://orcid.org/; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0002-9043-6099; https://orcid.org/Esta tese se propõe a pensar o conceito de monoculturar com o objetivo de compreender processos contemporâneos de transformação da paisagem associados à expansão de infraestruturas. Mais do que para designar sistemas produtivos específicos, o termo é mobilizado como verbo, isto é, como uma atividade que simplifica, fragmenta e reorganiza relações, convertendo territórios vivos em superfícies operacionais voltadas à circulação, ao estoque e ao descarte. O foco da análise se desloca, assim, da descrição de cadeias produtivas isoladas à identificação de um modus operandi que se repete em diferentes contextos, atuando sobre dimensões visíveis e invisíveis. A pesquisa se ancora em um recorte situado no Nordeste paraense, especialmente na região do Baixo Tocantins, onde a paisagem se constitui como um tecido relacional em constante movimento, articulado por rios, marés, ilhas e fluxos que conectam pessoas, economias e modos de vida. A partir desse território, investiga-se como o monoculturar opera ao dissociar elementos indissociáveis como tempo e espaço, natureza e cultura, impondo ritmos, escalas e categorias que favorecem a acumulação e o controle. Esse processo produz não apenas transformações espaciais, mas também afetações na sensibilidade, alterando formas de perceber, habitar e experimentar o mundo. A análise é desenvolvida a partir de três movimentos complementares: a identificação das infraestruturas (i)materiais e suas inscrições na paisagem; o exame dos dispositivos jurídicos, técnicos e discursivos que viabilizam sua expansão; e a investigação dos efeitos dessa articulação sobre as relacionalidades locais, evidenciando a operação do monoculturar na reorganização dos fluxos, na produção de estoques e nas práticas de descarte. A tese se insere em um campo de debates que compreende a paisagem como efeito de relações em constante composição, mobilizando a noção de relacionalidade (Escobar, 2018) como eixo analítico para compreender como os mundos são produzidos, tensionados e transformados (Vecchione-Gonçalves, 2014). A partir desse enquadramento, dialoga com as abordagens críticas ao desenvolvimento e à modernização ecológica (Escobar, 2018; Shiva, 2005), entendidas não apenas como projetos econômicos, mas como dispositivos que reorganizam o espaço, o tempo e as formas de existência. Nesse sentido, ao acompanhar processos de transformação no Baixo Tocantins, a análise se aproxima de abordagens que enfatizam a fricção e a ruína como modos de apreender encontros e seus vestígios persistentes (Tsing, 2015), bem como de perspectivas que deslocam a separação entre natureza e sociedade ao considerar a coexistência de múltiplas ontologias em disputa (de la Cadena, 2015; Haraway, 2016). Ao mesmo tempo, incorpora contribuições que permitem compreender as infraestruturas para além de sua dimensão material (Cowen, 2014). Metodologicamente, a pesquisa se orienta por uma abordagem situada, que recusa a hierarquização dos saberes e reconhece o conhecimento como produzido na relação com o território. O percurso articula análise de infraestruturas visíveis e invisíveis, sejam elas materiais, jurídicas e simbólicas com práticas sensíveis de observação, escuta e criação, nas quais a fotografia se configura como linguagem e método. Como contribuição, a tese oferece uma leitura ampliada dos processos de monoculturação, evidenciando seus efeitos sobre paisagens, temporalidades e modos de vida, propondo o deslocamento do olhar. Ao compreender o monoculturar como verbo, a pesquisa explicita a atuação contínua desta ação - o monoculturar - sobre o mundo, apontando para a necessidade de reconhecer e sustentar formas de existência que resistam à sua lógica.
