Navegando por Assunto "Loucura"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) De louco, todo mundo tem um pouco: os discursos sobre inclusão escolar e a produção dos sujeitos anormais(Universidade Federal do Pará, 2021-05-14) LINHARES, Marcos Allan da Silva; CHAVES, Silvia Nogueira; http://lattes.cnpq.br/9353964127402937 Endereço; https://orcid.org/ 0000-0002-9771-4610Este trabalho propõe analisar enunciados que produzem uma loucura contemporânea na escola, mais precisamente em cartilhas de formação de professores, artefatos midiáticos, documentos que regem a educação básica brasileira, entre outros. Chama atenção o modo como a escola participa da criação de uma loucura contemporânea que agora precisa ser incluída no meio institucional, criando maneiras de ver os indivíduos ditos diferentes que chegam nesse ambiente. É importante lembrar que o que chamamos de loucura escolar, no contexto dessa dissertação, refere-se à produção de sujeitos ditos com déficit mental (aqueles classificados como autistas, com transtornos de atenção, hiperatividade, bipolar, esquizofrênico, entre outros). Essa dissertação também está desenhada em uma análise discursiva, principalmente sobre a ótica de pensadores da filosofia da diferença, que fogem da ideia da “descoberta de um discurso”, de uma origem ou de um ponto de partida para a produção daquilo que falam. Seguindo por esse caminho, entendemos que os discursos materializam os objetos de que falam, dizem sobre suas vidas e criam modos de ser e agir em nosso dia a dia. Para a escolha do material de análise, investimos numa metodologia que caminha junto com o processo de pesquisa, ela se torna o processo, tanto da escrita quanto do pensamento, semelhante aos passos de uma metodologia cartográfica, pois esse tipo de pesquisa também reverte o sentido tradicional de método, propondo não mais um caminhar para alcançar metas prefixadas, mas o primado do caminhar que traça, no percurso, suas metas. Na análise, o enunciado que logo despontou foi sobre o “reconhecimento” dos sujeitos loucos na escola. Havia (e há ainda) a produção de roteiros e protocolos que ensinam aos profissionais de educação como reconhecer os alunos diferentes na escola. Outro enunciado que saltou aos olhos foi sobre o suposto cuidado e o sentimento de condescendência que surgia nas relações tecidas para com os alunos loucos. Levantamos também questões sobre o enunciado “educação para todos” e em como a adoção desse lema nas escolas e na educação têm criado metas e habilidades que precisam ser acompanhadas e desenvolvidas pelos alunos em período escolar. Ao investirmos nesses enunciados, desconsideramos as múltiplas formas de vida que ocupam a escola e, consequentemente, as imensas potencialidades e possibilidades de aprendizagem, existência e vida.Tese Acesso aberto (Open Access) Loucura, a escrita de si no espaço do fora: uma análise de Viagem a Andara, o livro invisível de Vicente Cecim(Universidade Federal do Pará, 2022-08-22) SALES, Maria Domingas Ferreira de; CASTILO, Luís Heleno Montoril Del; http://lattes.cnpq.br/3519128535996125A questão da Amazônia como reduto de exploração estrangeira tem sido motivo plausível para o empreendimento de pesquisas na área das Humanidades, na medida em se volta a uma ética das relações sociais. Tal preocupação assume dimensões plurais, abrindo margem para discussões que ultrapassam o nicho da ecologia ambiental e da geografia política, transformando-se em tema de ordem planetária. Mais especificamente na área dos estudos literários, evidencia-se a pertinência dessa preocupação ocidental no espaço do dizer poético, transposta em tipos, modos e gêneros discursivos diversos. E, se por vezes, devido à opacidade na superfície do texto poético, mostra-se imperceptível, esta mesma estratégia literária, paradoxalmente, é quem torna possível esse dizer. Baseada nessa ideia, a presente tese se destina a apresentar uma leitura da obra Viagem a Andara, o livro invisível, do escritor paraense Vicente Franz Cecim, filho da Amazônia contemporânea, enfatizando a presença da loucura como acontecimento de resistência ao explorador/dominador, tanto no contexto interno das fábulas, quanto no efeito de estranhamento suscitado pelas rupturas formais presentes na obra. Esse duplo traçado desviante permitirá investigar como se constroem as relações de poder entre o sujeito louco e o dominador e/ou como são produzidas as verdades do homem-texto. O corpus selecionado para esse enfoque é constituído dos sete livros que compõem a edição publicada pela Editora Iluminuras (1988), intitulados na mesma ordem cronológica em que aparecem nesse volume: A asa e a serpente, Os animais da terra, Os jardins e a noite, Terra da sombra e do não, Diante de ti só verás o Atlântico, O sereno e As armas submersas. A partir da leitura comparativa entre as obras do conjunto, será possível perceber tanto a presença transversal da loucura enquanto tema explícito das narrativas e elemento de resistência, como o caráter transgressor do processo literário, elaborado a partir de construções não convencionais. Esses dois eixos formarão a base para a construção de um terceiro eixo, cujos tópicos se coadunam para a defesa de que a obra literária é essencialmente o espaço do fora ou a loucura da linguagem. Esse tripé deve oferecer elementos bastantes para responder às questões fundamentais deste estudo: a) De que forma a loucura ou os loucos citados nos textos de Cecim – analisados à luz dos estudos de Michel Foucault quanto às relações de poder e as formas históricas de subjetivação – representam modos de resistência aos mecanismos de controle e coerção social identificados no conjunto Andara?; b) De que maneira as práticas de repressão dos sujeitos pelo domínios do explorador e seus desdobramentos se veem suplantadas pelo caráter desviante dos acontecimentos, tomados como resistência, tanto no tempo da fábula como no construto linguístico-formal do texto, revelando-se como práticas de si ou de liberdade?; Ou ainda: c) Como tais ações de resistência correspondem ao “espaço do fora” –10 pensamento tomado de Blanchot – também concebido na dupla face do texto poético? Os resultados desse empreendimento acadêmico nos levaram, portanto, à defesa de que a loucura, como resistência e prática de liberdade dos sujeitos no contexto das narrativas, também pode constituir-se enquanto forma de subjetivação ou escrita de si do próprio fazer literário – uma resposta motivada pelo clamor do texto ceciniano, rebelado e insurrecto frente aos ditames do processo civilizatório a que está submetido o homem amazônico.
