Navegando por Assunto "Mulheres homossexuais"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Função sexual e níveis de testosterona em mulheres hetero e homossexuais(Universidade Federal do Pará, 2016-02-07) SILVA, Caio Santos Alves da; BRITO, Regina Célia SouzaA psicologia evolucionista tem demonstrado que o sexo possui funções para além da reprodução, tendo evoluído por promover a proximidade afetiva do casal e aumentar o grau de satisfação junto ao parceiro. Entretanto, a maior parte dos estudos tem se concentrado em explicar a sexualidade de casais heterossexuais deixando uma lacuna no que diz respeito a sexualidade de mulheres homossexuais. Hoje já existem indícios quanto as diferenças na qualidade de vida sexual de mulheres hetero e homossexuais, bem como tem sido constatado que os grupos homossexuais não configuram uma entidade homogênea, apresentando diferenças no estilo de vida, preferências, e níveis hormonais. Este trabalho teve como objetivo investigar a qualidade da vida sexual e diferenças nos níveis de testosterona livre de três grupos de mulheres: hetero, homossexuais femme e homossexuais butch utilizando o instrumento Female Sexual Function Index devido a sua capacidade de avaliar os domínios da função sexual. Participaram desta pesquisa 55 mulheres hetero, 39 femme e 17 butch. No que diz respeito as práticas sexuais, 64,7% das participantes do grupo butch gostariam de ter 5 ou mais relações sexuais por semana, contra 46,2% no grupo femme e 34% no grupo hetero, demonstrando que mulheres homossexuais apresentam maior desejo sexual. As mulheres heterossexuais declararam menor frequência nas atividades preliminares como “ser masturbada pelo parceiro”, atividade que 35% delas praticam mais de uma vez ao mês, enquanto nos grupos femme, 59% e butch 41% praticavam mais de uma vez por semana. Resultados similares foram encontrados para “receber sexo oral do parceiro”, onde as 41% das heterossexuais relataram praticar mais de uma vez ao mês, enquanto 51% das femme e 35% das butchs praticaram mais de uma vez por semana. O escore geral do FSFI apresentou diferença significativa entre as mulheres hetero (28,44) e os grupos femme (31,31) e butch (30,82). A análise da testosterona salivar mostrou que o grupo butch possui a maior concentração, alcançando 99,2 pg/ml, seguido pelo grupo femme, com 56,09 pg/ml e por último o grupo hetero com 43,3 pg/ml. Comparando as médias da testosterona foi encontrada diferença significativa entre os grupos femme e butch (p<0,01), e entre as hetero e butch (p=0,001). Entre os grupos hetero e femme não houve diferença. Foram encontradas correlações entre os níveis de testosterona e domínios do FSFI. No grupo hetero houve correlação com o domínio da Satisfação (r = 0,732, p=0,01), no grupo femme não foi encontrada nenhuma correlação, no grupo butch ocorreu correlação negativa e de forte magnitude entre o domínio da Lubrificação (r = -0,621, p = 0,41). Os resultados apontam que as mulheres homossexuais possuem menores chances de apresentar disfunção sexual que as hetero. As mulheres homossexuais investem mais em comportamentos geradores de excitação e orgasmos como beijos, carícias, estimulação genital e sexo oral receptivo em comparação aos casais hetero. É provável que o investimento na estimulação preliminar ocorra por um desejo maior das mulheres Homossexuais em ter proximidade afetiva com suas parceiras, o que pode ser diferente em uma relação heterossexual onde o homem, possivelmente, protagonize a relação priorizando sua própria satisfação sexual.Tese Acesso aberto (Open Access) Testosterona e preferência por parceria romântica em mulheres homossexuais e heterossexuais(Universidade Federal do Pará, 2016-03-04) CORRÊA, Hellen Vivianni Veloso; CHELINI, Marie Odile Monier; http://lattes.cnpq.br/7206393219737616; SOUSA, Regina Célia Gomes de; http://lattes.cnpq.br/5576436464955236A razão 2D:4D é utilizada como marcador da exposição aos andrógenos pré-natais, em especial a testosterona e seu efeito organizacional. A literatura tem indicado que há influencia desde hormônio na diferenciação física, psicológica e comportamental entre os sexos. Já na vida adulta, este hormônio tem sido apontado como exercendo um efeito ativador nos mecanismos que passarm por eventos organizacionais ocorridos na vida intrauterina. Além disso, a testosterona, tanto intrauterina quanto na vida adulta, tem mostrado influenciar a preferência por parceiros (amorosos e sexuais) do mesmo sexo ou do sexo oposto, bem como a preferência por características pessoais desses parceiros, especialmente as físicas. Homens apresentam um padrão diferenciado nas preferencias por atributos na escolha de parceiros em relação às mulheres. A literatura também tem mostrado que grupos específicos de mulheres homossexuais, com estilo menos feminino (mulheres butch), apresentam características físicas, psicológicas e comportamentais semelhantes, porém não iguais, às dos homens, o que pode estar relacionado à sua biologia por meio da interferência de hormônios como a testosterona. Além disso, a literatura de seleção de parceiros tem mostrado algumas diferenças entre mulheres homossexuais e heterossexuais quanto às preferencias na seleção de parceiros, com mulheres homossexuais apresentando algumas preferências semelhantes aos padrões de escolha masculinos. Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi verificar o quanto a testosterona, tanto intrauterina (sinalizada por meio da mensuração da razão 2D:4D) quanto na vida adulta (por meio da mensuração das concentrações na saliva), estariam relacionados às preferências por escolhas de parceiros em mulheres homossexuais de dois estilos, um mais relacionado ao masculino (butch) e outro mais relacionado ao feminino (femme), e mulheres heterossexuais. Participaram desse estudo 172 mulheres, 21 butch, 43 femme e 108 heterossexuais, todas no período reprodutivo, entre 18 e 39 anos, residentes na região Norte do Brasil. Os dados foram coletados em bares, associações LGBT e por indicação. A coleta das razões 2D:4D foi realizada por meio de paquímetros digitais; as de concentração de testosterona foram mensurados por meio da saliva e analisados com kits específicos para esse fim; foi utilizado um questionário para seleção da amostra e outro para verificar os critérios de seleção de parceiros das participantes. Os resultados indicaram que mulheres butch apresentaram diferenças em vários aspectos em relação às heterossexuais, desde as concentrações de testosterona na saliva, preferências na escolha de parceiros e no modo como a testosterona, tanto intrauterina quanto na vida adulta, se correlacionam com essas preferências. Já as mulheres femme, apresentam um padrão mais intermediário entre esses aspectos em relação a ambos os grupos. Conclui-se que há, entre as mulheres, um contínuo de expressão sexual/afetiva que vai desde um padrão biológico e comportamental heterossexual até um padrão homossexual mais próximo ao masculino, com mulheres homossexuais apresentando fenótipos comportamentais intermediários compartilhando características dos dois extremos do contínuo. Sugere-se que fatores externos relacionados ao estilo de vida (como a prática frequente de exercícios físicos), questões socioeconômicas, bem como fatores biológicos sejam responsáveis por tais diferenças, de modo que alguns desses fatores precisam ser investigados com mais profundidade por meio de análises aos hábitos quotidianos das mulheres desses grupos.
