Navegando por Assunto "Subjective well-being"
Agora exibindo 1 - 1 de 1
- Resultados por página
- Opções de Ordenação
Dissertação Acesso aberto (Open Access) Bem-estar subjetivo de crianças e adolescentes em acolhimento institucional e sua relação com a orfandade como uma experiência adversa na infância(Universidade Federal do Pará, 2025-04-09) FERNANDES, Iara Oliveira; CAVALCANTE, Lília Iêda Chaves; https://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; KAPPLER, Stella Rabello; NUNES, Laísy de Lima; https://lattes.cnpq.br/0929888063044256; https://lattes.cnpq.br/6535650472081606; https://orcid.org/0000-0002-5903-9845Um dos maiores desafios para quem busca compreender os caminhos pelos quais os processos saudáveis do desenvolvimento humano ocorrem é a complexidade das diversas influências que nele atuam, tais como fatores, contextos e experiências. O Bem-Estar Subjetivo (BES) tem sido tema de análise em estudos sobre o desenvolvimento humano realizados nas últimas décadas, o que provoca reflexões quanto ao uso atualizado do conceito e significado encontrado em diferentes contextos. Embora os aspectos afetivos relacionados ao BES possam ser importantes, eles não são completamente independentes de outros fatores, isto é, integram reações afetivas ligadas às experiências de vida de cada indivíduo, como ruptura de vínculos, orfandade, abandono parental, vulnerabilidade social, entre outras. Este estudo teve como objetivo demonstrar possíveis relações entre o bem-estar subjetivo e a orfandade como uma experiência adversa na infância (EAI) em crianças e adolescentes de ambos os sexos (N=40) que vivem em acolhimento institucional localizadas na mesorregião do Pará- Brasil. Para tanto, foi utilizado instrumentos biopsicossociais com o objetivo de levantar aspectos de perfil populacional e da motivação para o acolhimento. Além disso, foi utilizado o ACE-IQ, que define experiências adversas na infância como eventos emocionais traumáticos com desfechos negativos ao longo da vida. A escala multidimensional de satisfação de vida (EMSV) e Escala de afetos positivos e negativos (EA) foi aplicada com o objetivo de avaliar os sentimentos e atitudes positivas e negativas sobre bem-estar subjetivo infantil. Os resultados analisados quantitativamente, e os descritores da ocorrência e frequência de EAI, EMSV e EA foi identificado por meio do Software SPSS.20. Neste grupo amostral, 97,5% dos participantes relatou, no mínimo, cinco categorias de EAI. A média total de ACE-Score foi igual a 9,72, sendo predominante no sexo feminino. A violência doméstica foi o subtipo de EAI mais frequente, correspondendo a 87,5% da amostra, seguida pelo abuso físico (87%), abuso emocional (85%) e bullying (85%). A orfandade esteve presente em 72,5% da amostra, com média de 9,69 pontos, e foi associada à ausência parental, à falta de registro civil do nome do pai e à morte de um ou ambos os pais. A correlação de Pearson entre o score total de EAI e EMSV resultou em r -,034 (p-valor 0,033), indicando que quanto maior a vivência de EAI, menor o bem-estar subjetivo. Outro resultado mostra que 67,5% dos participantes obtiveram pontuação significativa de afetos negativos (AFN). Considera-se que o objetivo do estudo foi alcançado no que diz respeito a tornar evidente a correlação entre a orfandade como uma experiência adversa e bem-estar subjetivo. Os participantes apontaram vivenciar diversas EAI e, essas experiências contribuíram para diminuição do bem-estar subjetivo. Supõe-se que as experiências emocionais tendem a influenciar a avaliação dos eventos e circunstâncias da vida, e esta avaliação, por sua vez, pode evocar reações emocionais. Isso sugere que o BES depende da soma dos efeitos positivos e negativos vivenciados pelas pessoas no dia a dia e que esta variável concorre para o aumento ou diminuição do bem-estar subjetivo de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional. A discussão dos dados apresentados pode ser promissora para a reflexão sobre bem-estar subjetivo, a orfandade como uma experiência adversa na infância e, posteriormente, para contribuir com a implementação de políticas públicas voltadas à promoção da saúde e do desenvolvimento de crianças e adolescentes em acolhimento institucional.
