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    DissertaçãoAcesso aberto (Open Access)
    Percepção Materna e Paterna da Relação Coparental em Famílias Ribeirinhas da Amazônia
    (Universidade Federal do Pará, 2025-11-21) MATTOS, Bruna Jamilly Carvalho de Assis; MENDONÇA, Júlia Scarano de; https://lattes.cnpq.br/4361732982560734; https://orcid.org/0000-0003-1461-3759; SILVA, Simone Souza da Costa; LUCCI, Tania Kiehl; https://lattes.cnpq.br/9044423720257634; https://lattes.cnpq.br/4524302441806887; https://orcid.org/0000-0003-0795-2998; https://orcid.org/0000-0002-9268-3755
    A coparentalidade é o subsistema familiar que organiza como os cuidadores compartilham responsabilidades, apoio e o manejo de conflitos no cuidado infantil. A qualidade dessa relação influencia diretamente o desenvolvimento socioemocional da criança e pode ser afetada por fatores como conjugalidade, envolvimento parental, condições socioeconômicas e características culturais. Esta dissertação investigou a coparentalidade em 38 famílias biparentais ribeirinhas da região insular de Belém do Pará, envolvendo 43 crianças, sendo 20 meninas e 23 meninos, com idades entre 3 e 5 anos (M = 3,61). Adotou-se uma abordagem sistêmica, integrando autorrelato, dados sociodemográficos e observação direta das interações parentais. Os resultados mostraram elevados níveis de percepção de coparentalidade, com padrões distintos entre mães e pais. Entre os pais, observou-se uma associação particularmente forte entre coparentalidade e conjugalidade, indicando que a qualidade do relacionamento conjugal exerceu influência expressiva sobre a forma como percebiam a colaboração e o apoio mútuo no cuidado com os filhos. Para as mães, o fator mais relevante foi o envolvimento paterno percebido. As observações das interações parentais revelaram sincronia funcional, proximidade física, engajamento variável e clima afetivo predominantemente neutro, com tendência a expressões positivas de afeto, refletindo momentos alternados de colaboração e desengajamento. A análise sociodemográfica apontou efeitos sutis de variáveis contextuais, destacando a influência negativa da religião paterna nas percepções maternas e uma tendência negativa da renda materna sobre as percepções paternas de cooperação coparental. A comparação entre autorrelato e observação mostrou predição parcial do instrumento PATER, especialmente em aspectos de proximidade física e orientação corporal. Os achados reforçam a relevância da abordagem sistêmica, evidenciando a influência recíproca entre subsistemas familiares e fatores ambientais, e fornecem subsídios para intervenções culturalmente sensíveis que promovam coparentalidade positiva e bem-estar infantil.
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