Tambor de Mina no ciberespaço: o cotidiano de Pai Denilson de Oxaguiã como forma de resistência

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05-03-2026

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ROSÁRIO JUNIOR, Arlindo Figueiredo do. Tambor de Mina no ciberespaço: o cotidiano de Pai Denilson de Oxaguiã como forma de resistência. Orientador: Fábio Fonseca de Castro. 2026. 188 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação, Cultura e Amazônia) - Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18750. Acesso em:.

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Esta pesquisa busca estudar a presença dos Povos Tradicionais de Matriz Africana no ciberespaço, a partir de uma etnografia multissituada. Assumindo a condição de pesquisador nativo, por ser sacerdote de Tambor de Mina, vivenciei e observei tanto no ambiente online quanto no ambiente offline as interações e o cotidiano de Pai Denilson de Oxaguiã, sacerdote e ativista. Além de fazer um mapeamento da realidade digital do povo de terreiro presente na Região Metropolitana de Belém, o estudo buscou compreender o processo de socialização, interação e resistência, permitindo que essa tradição afro-amazônica possa se adaptar aos novos contextos tecnológicos sem perder suas raízes ancestrais. A pesquisa também analisa as tensões e os potenciais decorrentes desse processo, questionando como a plataformização influencia a preservação, a inovação e a visibilidade do Tambor de Mina no século XXI. O estudo demonstrou que a migração para o ambiente digital tem um duplo e contraditório papel na resistência ao racismo religioso, aqui denominado racismo tradicional. Por um lado, o ciberespaço oferece ferramentas para visibilidade e organização, criando redes de apoio e permitindo a circulação de saberes, configurando uma resistência digital. Exemplos disso são a divulgação pedagógica e a atuação de Pai Denilson de Oxaguiã, que constrói um ciberterreiro pedagógico memorialista. Por outro lado, o ciberespaço intensifica e moderniza o racismo, atuando como uma ferramenta eficiente de silenciamento e extermínio simbólico. As descobertas revelam barreiras materiais profundas: a maioria acessa a internet por smartphones Android básicos (84,3%) e conexões precárias, criando um teto tecnológico que limita a produção de conteúdo de qualidade. A comunidade adapta-se utilizando massivamente o WhatsApp (61,4%) como infraestrutura digital leve para comunicação interna. Contudo, sofre com censura algorítmica estrutural, onde 32,9% relatam remoção de conteúdos, mecanismo descrito como uma necropolítica digital. Conclui-se que o racismo online é mais eficiente, combinando anonimato, perseguição e censura automatizada. A superação exige políticas públicas que garantam acesso digital de qualidade, letramento crítico, transparência algorítmica e o reconhecimento de que a intolerância religiosa é expressão do racismo estrutural. A resistência documentada mostra uma tradição em reinvenção, aprendendo a codificar sua ancestralidade no mundo híbrido contemporâneo para não ser silenciada.

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Brasil

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Universidade Federal do Pará

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