Fúlvio Giuliano e o campo institucional da arte na Amazônia amapaense (1962-1985)

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19-03-2026

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FERREIRA, Cristiane Machado Corrêa. Fúlvio Giuliano e o campo institucional da arte na Amazônia amapaense (1962-1985). Orientador: José Denis de Oliveira Bezerra. 2026. 198 f. Tese (Doutorado em Artes) - Programa de Pós-Graduação em Arte, Instituto de Ciências da Arte, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18869. Acesso em:.

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Este estudo investiga as articulações sociais, políticas, religiosas e estéticas que envolveram a produção artística de Fúlvio Francesco Giuliano na Amazônia amapaense entre 1962 e 1985, período marcado pela atuação do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME) e pelos projetos modernizadores do governo federal no então Território Federal do Amapá. Ancorada na história social da arte, a pesquisa compreende a arte não apenas como expressão estética, mas também como documento histórico e prática social atravessada por relações de poder, disputas simbólicas e processos de construção identitária. A investigação analisa pinturas, murais e ícones de Fúlvio Giuliano em diálogo com fontes escritas – relatórios paroquiais, periódicos, documentos institucionais e registros eclesiásticos – por meio da triangulação entre bibliografias, imagens e fontes. A partir dessa análise, demonstra-se que a atuação missionária católica utilizou a arte como instrumento pedagógico e moralizante, inserido em um projeto hegemônico de romanização da sociedade amapaense. Contudo, as obras do artista revelam fissuras nesse discurso ao representarem o cotidiano ribeirinho, as mazelas sociais, os rituais fúnebres e as tensões entre fé oficial e fé popular. A análise iconográfica de pinturas de caráter social, como Assim morreu Pracaxi (1975), Último sacramento (1975), Benedito acabou de sofrer (1976), A fuga do povo de Deus (1985) e Jesus crucificado (1984), evidencia o quanto essas imagens funcionam como testemunhos históricos da vida amazônica e da condição dos sujeitos subalternizados. Conclui-se que a produção artística de Fúlvio Giuliano contribuiu para a formação de um campo institucional da arte, ao mesmo tempo em que desafia narrativas tradicionais da história da arte no Amapá. Assim, a tese propõe uma leitura crítica da arte produzida por um artista missionário, trazendo à tona a centralidade das imagens na construção de uma historiografia sensível às especificidades culturais, sociais e simbólicas da Amazônia amapaense.

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