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Tipo: Dissertação
Data do documento: 2020
Autor(es): OLIVEIRA, Dayana Portela de Assis
Primeiro(a) Orientador(a): STEWARD, Angela May
Título: As florestas e as roças: a construção de uma territorialidade indígena na aldeia Pino’a Tembé (Alto rio Guamá, Pará)
Agência de fomento: 
Citar como: Oliveira, Dayana Portela de Assis. As florestas e as roças: a construção de uma territorialidade indígena na aldeia Pino’a Tembé (Alto rio Guamá, Pará). Orientadora: Angela May Steward. 2020. 109 f. Dissertação (Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) - Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares, Universidade Federal do Pará, Belém, 2020. Disponível em: . Acesso em:.
Resumo: O objetivo geral deste trabalho foi analisar o processo de construção de um território de pertencimento do povo Tembé, na aldeia Pino’a (alto rio Guamá, Pará) com enfoque na importância das florestas e roças. A pesquisa foi realizada em uma área de retomada e diante disso, buscamos traçar a trajetória territorial do povo Tembé, dentro do contexto maior da história e do grupo indígena. Posteriormente caracterizamos-se as práticas de manejo das áreas de roça e de floresta na aldeia Pino’a; e analisamos como as práticas de manejo nestas áreas contribuem para a construção de uma territorialidade indígena local. A pesquisa foi realizada por meio de uma abordagem qualitativa, de cunho etnográfico, baseada em transcrições e descrições do caderno de campo, assim como a interpretação dos dados inspirados pela etnografia. Além disso, foi utilizado a observação participante e entrevistas semiestruturadas, e os dados secundários foram coletados por meio de livros, revistas, artigos, entre outros. O estudo foi realizado com os primeiros moradores, e com os chefes (as) de famílias e seus filhos, para analisarmos a importância das roças e florestas para o povo local de origem Tembé. De forma geral, foi realizado uma análise, com toda comunidade indígena da aldeia Pino’a, para que fosse possível entender o processo de territorialidade e território de pertencimento, dentro do contexto regional e local indígena. Os interlocutores envolvidos no processo de pesquisa se expressaram livremente para que fosse possível apreender a sua percepção sobre a realidade, sem interferir ou induzir o entrevistado a outro caminho que não se articula com a pesquisa. As principais conclusões mostram que a terra indígena do alto rio Guamá, foi palco de conflitos territoriais, uma vez que, parte dela, encontrava-se colonos e fazendeiros não-indígenas. E, o trecho que atualmente é a aldeia Pino’a, antes era ocupado por colonos, mas por um processo de extrusão, atualmente essa área é composta por indígenas Tembé. E, nesse território, os indígenas realizam práticas de cultivo de mandioca nas roças e fazem acampamentos nas matas como forma de perpetuar sua cultura, por meio de seus hábitos e costumes. E, as primeiras roças foram elaboradas nesse período inicial, como forma de sobrevivência e resistência na terra. A partir disso, os indígenas foram criando laços de territorialidade com o local, sendo que, as roças e as florestas estão interligadas como fonte de alimento, abrigo, proteção e resistência em permanecer no território. Dessa forma, as roças e as florestas fazem parte da territorialidade local, uma vez que, as florestas estão ligadas as práticas de acampamento e coleta de frutos como o açaí, e a roça está coadunada aos rituais da festa da menina Moça, por meio da mandioca de variedade Mandiocaba, que é utilizada durante o ritual de passagem de menina para mulher, representando um ato simbólico para os indígenas Tembé. Além disso, a roça é muito significativa para eles, por meio da confecção de farinha, um alimento muito utilizado durante as refeições indígenas Tembé. Portanto, é nesse território localizado na terra indígena do alto rio Guamá e mais especifico na aldeia Pino’a, que os Tembé reproduzem sua territorialidade, perpetuando suas formas de vida e seus laços culturais e simbólicos, assim como suas relações de afetividade entre os membros e suas formas de utilizar os recursos oferecidos pelas roças e florestas.
Abstract: The primary objective of this study was to analyze how the Tembé territory, in and around the village of Pino'a (upper Guamá River, Pará) is built, with a focus on the importance of forests and agricultural fields. Research was carried out in an area of “retomada”, and thus sought to trace the territorial trajectory of the Tembé people within the larger context of history of this indigenous group. Later, the management practices in fields and forested areas of the Pino'a village were characterize. How management practices in these areas contribute to the construction of a local indigenous territoriality was also analyzed. Research was carried out using a qualitative, ethnographic approach, based on transcriptions and descriptions recorded in the field with a notebook, as well interpreting ethnographic data. In addition, participant observation was used and semi-structured interviews were conducted; secondary data were collected from books, journals, articles, among other sources. Research was first conducted with the oldest residents, with heads of households and their children, to analyze the importance of the agricultural areas and forests for the Tembé. In general, research involved the entire indigenous community of the Pino'a village, so to understand the local territoriality and a sense of belonging to the territory within the regional and local indigenous context. The interlocutors involved in this research process expressed themselves freely so that the researcher could understand their perceptions of reality, without interfering or inducing the interviewees in any specific direction. Research results show that the indigenous lands of the upper Guamá River were rife with territorial conflicts, since part of it was occupied by settlers and non-indigenous farmers. And, the stretch that is now the Pino'a village, beforehand was occupied by settlers, but by a process of extrusion, today this area is occupied by Tembé Indians. In this territory, the indigenous people cultivate manioc in the fields and make camps in the forests as a way to perpetuate their culture, through their habits and customs. The first fields were established in this initial period, as a way of survival and land resistance. Since this initial period, the Tembé have been creating territorial ties to the land and their farms and forests are interconnected as sources of food, shelter, protection and resistance, as they fight to remain in their territory. In this way, the fields and the forests are part of the local territoriality, since, the forests are linked to the practices of camping and collection of fruits such as açaí. Cultivation practices, on the other hand, go hand in hand with the party of the “Menina Moça”, linked through the local manioc variety: Mandiocaba, which is used during the ritual of passage from girl to woman, representing a symbolic act for the indigenous Tembé. In addition, the "roça" is very important to the production of foods, such as manioc flour, a staple of the Tembé diet. Therefore, it is in this territory, located on the indigenous land of the upper Guamá River and more specifically in the Pino'a village, that the Tembé reproduce their territoriality, perpetuating their ways of life, as well as their affective relationships between members and their ways of using the resources of cultivated areas in in their forests.
Palavras-chave: Roças
Territorialidade Indígena
Área de Concentração: AGRICULTURAS FAMILIARES E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Linha de Pesquisa: DINÂMICAS ECONÔMICAS, CULTURAIS E SOCIOAMBIENTAIS NO DESENVOLVIMENTO RURAL NA AMAZÔNIA
SUSTENTABILIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR NA AMAZÔNIA
CNPq: CNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIA
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal do Pará
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Sigla da Instituição: UFPA
EMBRAPA
Instituto: Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares
Programa: Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
Fonte URI: https://ufpabr-my.sharepoint.com/personal/ppgaa_ufpa_br/_layouts/15/onedrive.aspx?id=%2Fpersonal%2Fppgaa%5Fufpa%5Fbr%2FDocuments%2Fdissertacoes%5Fe%5Fteses%2Fdissertacoes%2Fturma%5F2018%5Fdefesa%5F2020%2Fdayana%5Foliveira%2Epdf&parent=%2Fpersonal%2Fppgaa%5Fufpa%5Fbr%2FDocuments%2Fdissertacoes%5Fe%5Fteses%2Fdissertacoes%2Fturma%5F2018%5Fdefesa%5F2020&ga=1
Aparece nas coleções:Dissertações em Agriculturas Amazônicas (Mestrado) - PPGAA/INEAF

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