Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento - PPGTPC/NTPC
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O Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento (PPGTPC), que integra o Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento(NTPC) da Universidade Federal do Pará (UFPA), iniciou suas atividades em 1987 com o curso de Mestrado Acadêmico em Psicologia: Teoria e Pesquisa do Comportamento. O curso de Doutorado passou a ser oferecido a partir do ano 2000.
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Navegando Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento - PPGTPC/NTPC por Orientadores "CALVACANTE, Lília Iêda Chaves"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Adultos e adolescentes autores de agressão sexual: características biopsicossociais e suas percepções sobre infância, adolescência e violência(Universidade Federal do Pará, 2021-09-10) SILVEIRA, Víviam da Silva; REIS, Daniela Castro dos; http://lattes.cnpq.br/8805305887566391; https://orcid.org/0000-0002-9505-4516; CALVACANTE, Lília Iêda Chaves; http://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651A violência sexual abrange todas as sociedades, e se manifesta de diversas formas em seus diferentes contextos. Este fenômeno se faz presente ao longo da trajetória da vida de muitas crianças e adolescentes, seja na condição de vítimas ou autores da agressão sexual perpetrada. Com a proposta de investigação desse fenômeno, esta dissertação apresenta uma pesquisa com delineamento de natureza empírico-descritiva e análise quantitativa-qualitativa dos dados. A pesquisa buscou investigar percepções de adultos (+ 18 anos) e adolescentes (12 a 18 anos) autores de agressão sexual contra crianças e adolescentes sobre infância, adolescência e violência sexual relacionando-as às características biopsicossociais que definem os dois grupos etários envolvidos na pesquisa. Para tanto, realizaram-se dois estudos com características metodológicas semelhantes, tematicamente interligados, mas com indivíduos de dois grupos etários diferentes. O Estudo I buscou investigar a relação entre percepções de adultos autores de agressão sexual contra crianças e adolescentes sobre infância, adolescência e violência sexual e as características biopsicossociais deste grupo etário (+ 18 anos), que inclui homens sentenciados por crime de violência sexual em unidades prisionais. Foram selecionadas dez (N=10) entrevistas realizadas e transcritas entre 2015 e 2016 para análise de conteúdo pela Classificação Hierárquica Descendente (CHD) com apoio do Software Iramuteq. Os resultados apontaram que 90% destes adultos possuíam idade superior a 30 anos; quanto à escolaridade, 50% não concluíram o ensino fundamental; 10% cursaram o ensino médio incompleto e 30% conseguiram completar o ensino médio, destes participantes apenas 10% teve acesso ao ensino superior incompleto. Todos os participantes vivenciaram situações de violência ao longo das suas trajetórias de vida, e quanto ao grau de severidade da agressão sexual cometida, 40% dos autores assumiram a prática com hands on; 40% não assumiram tal agressão, e 20% destes declararam não se recordar o ato pelo qual cumpre pena. A percepção destes adultos sobre infância, adolescência e violência sexual aparece diretamente ligada às vivências destes participantes nas diferentes fases do seu desenvolvimento, além de não a disassociarem essa forma de agressão ao uso da força física. O Estudo II objetivou investigar a relação entre percepções de adolescentes autores de agressão sexual contra crianças e adolescentes sobre infância, adolescência e violência sexual e as características biopsicossociais deste grupo etário (12 a 18 anos), que reúne adolescentes que respondem judicialmente por ato infracional análogo ao estupro de vulnerável e que estavam em cumprimento de medida socioeducativa. Foram alcançados quatro (N=4) participantes para análise de conteúdo das entrevistas transcritas por meio da CHD do Iramuteq. Os resultados apontaram que os adolescentes possuíam idade superior a 15 anos. Na escolaridade, 2 (50%) possuíam o ensino fundamental incompleto, 1 (25%) o ensino médio incompleto, e 1 (25%) participante sem esta informação. Quanto às violências sofridas observou-se que todos os participantes vivenciaram situações de violência. No que se refere ao grau de severidade do ato praticado nenhum dos participantes assumiu a sua prática em hands on. A percepção destes adolescentes sobre infância, adolescência e violência sexual aparece como reflexo da construção destas categorias ao longo da trajetória de vida desses indivíduos, destacando a violência sexual vinculada ao uso da força física. Por conseguinte, mediante os dois estudos, levou-se em conta a hipótese de haver um maior número de semelhanças do que de diferenças nos relatos desses indivíduos (adultos e adolescentes) sobre as percepções da violência sexual. É possível apontar a relação entre as características biopsicossociais dos dois grupos etários de autores de agressão sexual, e formas particulares de lidar com as experiências presentes em suas trajetórias de vida. É possível afirmar que autores adolescentes e adultos apesar de se encontrarem em grupos diferentes provavelmente foram socializados em sistemas culturais e de crenças muito semelhantes, que podem influenciar e direcionar a construção de percepções próximas entre si. Entretanto, autores adultos tendem a se reportar à violência como capítulos à parte de sua trajetória de vida, e em direção oposta, adolescentes tendem a manifestar relação direta entre a violência sexual com as questões vivenciadas ao longo das suas fases do desenvolvimento anteriores.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Autores de agressão sexual de crianças e adolescentes: experiências adversas na infância e fatores associados(Universidade Federal do Pará, 2021-01-26) FERRAZ, Maíra de Maria Pires; VELOSO, Milene Maria Xavier; http://lattes.cnpq.br/6105598873866312; CALVACANTE, Lília Iêda Chaves; http://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651Estudos sobre os diferentes perfis dos autores de agressão sexual de crianças e adolescentes (AASCA) são encontrados com mais frequência na literatura da área nas últimas décadas, contudo, na população brasileira, a investigação acerca de sua trajetória de vida tem recebido menos atenção, principalmente na perspectiva da bioecologia do desenvolvimento humano. Este estudo teve por objetivo demonstrar possíveis relações entre Experiências Adversas na Infância (EAI) e fatores pessoais e situacionais de AASCA do sexo masculino (N = 30), que cumpriam pena em unidades prisionais localizadas nas mesorregiões do estado do Pará-Brasil. Para tanto, foi construído um sistema de categorias apoiado no instrumento ACE-IQ, que define as EAI como vivências potencialmente traumáticas que se tornam fonte de estresse crônico, com desfechos negativos para o desenvolvimento em idades posteriores. Os resultados foram analisados a partir de duas etapas: a primeira, quantitativa, onde os descritores da ocorrência, frequência e tipologia de EAI foram identificados, e uma segunda, quanti-qualitativa, em que trechos das entrevistas com os AASCA foram inseridos no Software IRAMUTEQ para realização de análises textuais simples e multivariadas. Neste grupo amostral, 96,67% dos AASCA relatou ter vivenciado ao menos uma subcategoria de EAI, enquanto mais da metade (60%) revelou quatro ou mais, com média de 4,36 EAI por participante. O abuso físico foi a EAI mais relatada (70%), estando relacionada principalmente à figura da mãe, enquanto a morte e/ou separação dos pais (56,67%) e o abuso de substâncias no contexto doméstico (53,33%) estiveram relacionadas ao pai. Cerca de 40% dos participantes relataram experiências envolvendo o abuso sexual, cujos relatos especificavam características como idade e vínculo com o possível autor da agressão, enquanto as violências sociais apareceram principalmente em contextos de transição da infância para a adolescência. Observou-se que experiências de morte e/ou separação dos pais, negligência emocional e violência doméstica na trajetória de vida de AASCA podem elevar o risco de vivenciar abuso sexual na infância. AASCA com maiores scores de EAI agrediram suas vítimas de forma mais recorrente e com menor necessidade do uso de álcool e/ou outras drogas. Os resultados confirmaram a relação entre a frequência e a tipologia de EAI e fatores referentes à prática da agressão sexual, demonstrando que esta é uma variável a ser considerada na investigação com AASCA, uma vez que os efeitos do estresse por estas gerado podem manifestar-se em curto e longo prazos, o que pode implicar na adoção futura de comportamentos sexualmente abusivos. Sugere-se que estudos posteriores possam aplicar diretamente o ACE-IQ em amostras maiores, com a realização de pós-teste para conferir maior confiabilidade aos relatos coletados.
