Teses em Linguística Aplicada (Doutorado) - PPGLA/UNICAMP
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Tese Acesso aberto (Open Access) A arte de narrar: da constituição das estórias e dos saberes dos narradores da Amazônia paraense(Universidade Estadual de Campinas, 2000-12-13) BENTES, Anna Christina; ALKMIM, Tânia Maria; http://lattes.cnpq.br/8437404856512094; KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça; http://lattes.cnpq.br/9851642920435372Esta tese postula que os narradores da Amazônia paraense constróem dois modos distintos de configurar a tradição oral narrativa: um primeiro modo. denominado conto popular, caracterizado pelo fato de o narrador, ao enunciar o que enuncia, privilegiar uma das dimensões do fazer-tradição, a saber, a dimensão da repetição, da estabilidade; um segundo modo, denominado estória oral, caracterizado pelo fato de o narrador, ao enunciar o que enuncia, privilegiar a outra dimensão da tradicionalidade, a saber, a dimensão da diferença, da instabilidade. Estas formas de configuração das narrativas são analisadas considerando a situação enunciativa em que foram produzidas, as funções que desempenham no grupo social em que circulam e as estratégias textuais e enunciativo-discursivas operadas pelos narradores na elaboração de suas estórias. No capítulo 1 deste trabalho, a natureza oral das narrativas é discutida a partir de alguns pressupostos que concebem uma relação não-mecanicista entre oral e escrito; apresenta-se, também, uma visão geral de como as narrativas evidenciam o espetáculo da tradição oral. No capítulo 2, alguns conceitos de narrativa são explorados. Em um primeiro momento, são abordadas perspectivas que enxergam o fenômeno da narrativa como um fenômeno estruturado e com características perenes. Em um segundo momento, são apresentadas as duas perspectivas sobre o fenômeno da narratividade que fundamentam o trabalho e que compartilham dos pressupostos de que (i) o ato de narrar apresenta uma necessária reflexividade sobre o dizer, sendo esta reflexividade fundamental para a constituição do enunciado narrativo e de que (i i) a narrativa apresenta um "esquematismo", no dizer de Ricoeur ou uma "trajetória", no dizer de Toolan, responsável pela manutenção da ordem dos paradigmas narrativos, como também pela possibilidade de rupturas desta ordem. No capítulo 3, descreve-se a situação enunciativa na qual as narrativas são produzidas, postulando-se que o acordo estabelecido entre os interlocutores é de natureza ficcional, o que regula tanto os lugares destes interlocutores como as configurações textuais resultantes. No capítulo 4, antes de apresentar o corpus da tese, descrevem-se brevemente as características gerais do programa de pesquisa wo Imaginário nas Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia Paraense", de são retiradas as narrativas que são objeto deste estudo. Em seguida, apresentasse o corpus desta tese, constituído de 30 narrativas, retiradas das três publicações, Belém conta .... , Abaetetuba conta .... , Santarém conta .... . No capítulo cinco, descrevem-se as duas configurações narrativas postuladas. O conto popular caracteriza-se por apresentar um enredo fixo, publicamente partilhado, por apresentar estratégias de referenciação que procuram apagar as instâncias discursivas nas quais as narrativas são produzidas, por ser estruturado pela "dupla conflito/resolução", pela necessária inserção das seqüências no domínio do maravilhoso e por um distanciamento do narrador em relação ao seu dizer. A estória oral, por outro lado, constitui-se em uma reelaboração da tradição e, por isso mesmo, não apresenta um enredo fixo, o que possibilita a emergência de um "tecer da intriga" mais livre do caráter formulaico da tradição. As estratégias de referenciação presentes nesta configuração narrativa são variadas, sendo que não há necessidade de se construir um apagamento das instâncias discursivas nas quais as narrativas são produzidas. Além disso, não há, necessariamente, a presença da categoria "resolução", como ocorre nos contos populares. O distanciamento do narrador em relação ao que é narrado é minimizado pelo fato de (i) as estórias poderem serem enunciadas em 1• pessoa, (ii) o narrador ser capaz de conhecer os processos internos das personagens e (iii), nas narrativas em f pessoa, o narrador revelar uma atitude de dúvida em relação aos acontecimentos por ele protagonizados. Este último fator aponta para a não necessária inscrição das estórias no domínio do maravilhoso.Tese Acesso aberto (Open Access) Práticas de letramento no meio rural brasileiro: a influência do movimento sem terra em escola pública de assentamento de reforma agrária(Universidade Estadual de Campinas, 2003-10-10) CAMPOS, Samuel Pereira; KLEIMAN, Angela Del Carmen Bustos Romero de; http://lattes.cnpq.br/4416353554838830Nesta tese, discutimos a influência do Movimento Sem Terra (MST), entendido como uma comunidade discursiva, que atua institucional e intencionalmente na formação dos trabalhadores rurais brasileiros. Focalizamos nossa discussão nas práticas de letramento construídas em uma escola pública de assentamento de reforma agrária, que nos revelam o projeto de letramento Sem Terra em conflito com o projeto escolar oficial, construído na escola pesquisada a partir de sua institucionalização. A escola pesquisada e os sujeitos que a compõem apresentam práticas de letramento relacionadas a dois projetos em disputa na escola, caracterizados como projeto de letramento emancipatório e projeto de letramento escolar, a partir da perspectiva dos “novos estudos lingüísticos”. Desse lugar, caracterizamos o projeto de educação Sem Terra como um projeto de letramento ideológico, situado, emancipatório (Street, 1984, 1995; Barton, 1998; Freire, 1978, 1987, 1995), dado seu caráter político e de inclusão ao mundo letrado, e discutimos sua influência nas práticas de letramento construídas em uma escola de assentamento de reforma agrária, focalizando salas de aula de duas professoras de Língua Portuguesa, que expressam práticas representativas dos projetos em disputa na escola.Tese Acesso aberto (Open Access) Entrecruzamento de gêneros discursivos na universidade: esferas do político, do científico e do ensino(Universidade Estadual de Campinas, 2005) RIBEIRO, Nilsa Brito; GERALDI, João Wanderley; http://lattes.cnpq.br/0942600232344834Este trabalho tem como propósito analisar o funcionamento discursivo de alguns gêneros em circulação na Instituição Universitária, orientado pela compreensão de que, na medida em que a universidade amplia as suas atividades para atender a demandas que lhe são endereçadas multiplicam-se também os gêneros discursivos que funcionam como a contraparte das atividades sócio-históricas desta instituição. Para compreendermos o funcionamento de discursos que a universidade coloca em movimento e que a colocam em movimento partiremos de análises de alguns gêneros produzidos por três esferas discursivas identificadas como esferas político-administrativas, científica e de ensino. No interior da esfera político-administrativa, optamos pela análise dos gêneros debate político e reunião; na esfera científica, o gênero comunicação em eventos; na esfera de ensino, a aula. Sentidos depreendidos nos discursos em circulação nessas três esferas sugerem que é na imbricação dos gêneros discursivos que se pode depreender o que há de comum entre eles. A análise do entrecruzamento de gêneros nos revela que os diferentes gêneros com suas especificidades se deixam perpassar pelo gênero complexo que é a aula; no imbricamento de gêneros identificaram-se marcas lingüísticas e discursivas que nos permitiram destacar a forte presença do tom professoral próprio do discurso de sala de aula, o que possibilita dizer que ecos do discurso de sala de aula se espraiam pelos demais gêneros discursivos. Essa constatação nos leva a admitir que: i) o ensino ainda é a atividade que caracteriza a instituição universitária; ii) as relações assimétricas marcadas nas distintas situações de interação, na universidade, possuem uma forte relação com a detenção do conhecimento, daí porque qualquer atividade que a universidade se propõe a desenvolver é marcada pela relação hierárquica vinculada a um tipo de saber.
