Teses em Geografia (Doutorado) - PPGEO/IFCH
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Navegando Teses em Geografia (Doutorado) - PPGEO/IFCH por Programas "Programa de Pós-Graduação em Geografia"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Antropoceno na Amazônia: holoceno em curso ou prelúdio de uma nova época geológica do homem?(Universidade Federal do Pará, 2021-08-31) PONTE, Franciney Carvalho da; SZLAFSZTEIN, Cláudio Fabian; http://lattes.cnpq.br/1348005678649555; https://orcid.org/0000-0002-2855-2056Os Domínios Naturais da Amazônia Brasileira apresentam uma elevada diversidade biogeográfica, favorecidos por um substrato geológico complexo e por um clima equatorial, ambos preponderantes na paisagem amazônica, localizados na porção Norte do Brasil, perfazendo uma área equivalente a 40% do território nacional (~3.7 milhões Km2 ). A expansão humana na Amazônia tem produzido uma série de transformações em seus recursos naturais. Nesse sentido, o trabalho teve, como objetivo, realizar uma retrospectiva da trajetória do ser humano nos domínios amazônicos, através da espacialização de evidências antropogênicas e da análise de indicadores antropogênicos, passíveis de associação a preceitos do Antropoceno, viabilizada por uma perspectiva geográfica. A análise levantou os aspectos dos domínios morfoclimáticos e fitogeográficos, destacando suas paisagens dominantes e seus respectivos sistemas naturais, através da compartimentação biofísica, funcionando como substrato na análise da dinâmica de eventos socioespaciais e das evidências materializadas da ação humana nas paisagens, sob um amplo espectro temporal — Holoceno. A investigação foi alicerçada em uma abordagem holística e integradora de variáveis, relacionadas a aspectos naturais e socioespaciais, a partir de uma visão sistêmica, direcionada a dimensionar e a mensurar os padrões de uso dos recursos naturais, o grau de antropogenização dos domínios naturais e a proposição de paisagens/estruturas antropocênicas. Nesse sentido, a pesquisa revelou que estes domínios apresentam, atualmente, um percentual antropogênico muito significativo, de aproximadamente 70%, fruto de uma dinâmica socioespacial ampla e diversa, o que atribuiu à região uma acentuada variabilidade de macrossistemas humanos e paisagens seminaturais, embutidas em ecossistemas aparentemente naturais. No entanto, foi detectado que esta estimativa provavelmente é subestimada, se considerarmos as evidências, segundo uma perspectiva acumulativa, alcançando um valor em torno de 150%, ou seja, 50% acima da área total do espaço de estudo, o que denuncia uma elevada pressão antropogênica na região. Diante do exposto, e considerando os preceitos do Antropoceno, centrados na concepção antropogênica, sugere-se que a Amazônia acondiciona paisagens antropogênicas, substancialmente alteradas, há pelos menos quatro mil anos AP, quando boa parte de seus domínios já era ocupada e significativamente usada e manejada por grupos humanos.Tese Acesso aberto (Open Access) Da patrimonialização global ao patrimônio-territorial amazônico: a singularidade da Feira do Ver-o-Peso em Belém do Pará(Universidade Federal do Pará, 2023-05-31) GONÇALVES, Sabrina Forte e Silva; COSTA, Everaldo Batista da Costa; http://lattes.cnpq.br/6223294904658578; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0003-0734-6680; TAVARES, Maria Goretti da Costa; http://lattes.cnpq.br/7796891525258446Esta pesquisa tem como objeto de análise a Feira do Ver-o-Peso, localizada na cidade de Belém do Pará, como patrimônio-territorial ativado popularmente. Assim, pretende compreender a feira como um território onde resistem práticas socioculturais e memoriais populares, saberes e fazeres ancestrais, mantido por sujeitos historicamente subalternizados pelos processos de formação territorial latino-americana, bem como investigar quais riscos esse patrimônio-territorial enfrenta diante da urbanização, em especial dos processos da patrimonialização global. São propostos os seguintes objetivos: identificar e analisar quais elementos e práticas da cultura amazônica dão notoriedade à Feira do Ver-o-Peso como patrimônio-territorial ativado popularmente a enfrentar riscos perante o processo da patrimonialização global; apontar quem são os sujeitos que ativam e como se constitui a ativação popular do patrimônio-territorial da Feira do Ver-o-Peso; e indicar quais riscos o patrimônio-territorial enfrenta diante da patrimonialização global. Assim, parte-se da relação dialética entre a economia urbana, a patrimonialização global e o patrimônio-territorial ativado para investigar a feira desde as questões-problemas: Quais elementos e práticas da cultura amazônica consagram a Feira do Ver-o-Peso como um patrimônio-territorial ativado popularmente a enfrentar riscos diante do processo da patrimonialização global? E questionamentos mais específicos, como: Quem são os sujeitos que ativam o patrimônio-territorial da Feira do Ver-o-Peso e resistem aos processos da patrimonialização global? Como se constitui a ativação popular do patrimônio-territorial da Feira do Ver-o-Peso, em face do processo da patrimonialização global? Quais riscos os elementos e práticas culturais populares, que fazem da Feira do Ver-o-Peso um patrimônio-territorial, enfrentam diante da patrimonialização global? A abordagem geográfica conferida à pesquisa é norteada pelo método materialista histórico-dialético, partindo da dimensão interescalar do movimento universal – particular – singular da urbanização contemporânea, para compreender como os mecanismos da patrimonialização global se particularizam na Área Central de Belém e aterrissam em um fato social representado por um território apropriado secularmente por relações socioculturais. Privilegia-se, desse modo, a dimensão cultural do território, cuja tese está pautada pela perspectiva dos utopismos patrimoniais, como proposta teórico-metodológica voltada para a realidade latino-americana, buscando compreender as contradições espaciais e as vulnerabilidades sociais geradas pela lógica universal eurocêntrica da urbanização/patrimonialização global particularizada na Feira do Ver-o-Peso. Outrossim, propõe-se a capturar elementos e valores de ordem espacial que ativam e evidenciam a Feira como território guardião de memórias e práticas sociais e culturais ancestrais. A pesquisa constatou que os utopismos patrimoniais já estão em curso na feira, ratificando a tese de que: a feira do Ver-o-Peso é um patrimônio-territorial amazônico ativado popularmente e fundamental para a manutenção da vida ancestral, a partir da metrópole. É representado pelas singularidades do artesanato; das ervas e remédios medicinais; das especiarias típicas como a maniva e o tucupi; e os elementos e práticas afrorreligiosos. No entanto, é impactado pelos mecanismos da urbanização contemporânea, como projetos de requalificação urbana e políticas patrimoniais voltadas ao mercado turístico, que desencadeiam riscos de ressignificação e perda de identidade. Portanto, a tese traz uma contribuição ao debate das contradições vinculadas ao patrimônio com o intuito de repensar novas proposições de preservação da perspectiva existencial dos sujeitos que a compõem.Tese Acesso aberto (Open Access) Deliveryzação do território? difusão e práticas espaciais dos trabalhadores de delivery no espaço metropolitano de Belém(Universidade Federal do Pará, 2024-02-20) CARVALHO, Raimundo Sócrates de Castro; RODRIGUES, Jovenildo Cardoso; http://lattes.cnpq.br/9028575905648156; https://orcid.org/0000-0002-5650-1168; ROCHA, Gilberto de Miranda; COELHO NETO, Agripino Souza; CHAGAS, Clay Anderson Nunes; LIMA, Ricardo Angelo Pereira de; http://lattes.cnpq.br/2436176783315749; http://lattes.cnpq.br/1597179534966668; http://lattes.cnpq.br/3537327292901649; http://lattes.cnpq.br/1993748824383678; https://orcid.org; https://orcid.org/0000-0003-3714-510X; https://orcid.org/0000-0002-4223-0192; https://orcid.org/0000-0002-3532-422XA tese tem como objetivo analisar o processo do trabalho uberizado no espaço metropolitano de Belém a partir dos anos de 2000, buscando refletir sobre as transformações no contexto do mundo do trabalho na dimensão espaço-tempo, em que tanto a cidade e suas dinâmicas sociais, processos espaciais e realizações do território pelo seu uso, conjuntamente e por meio de afeições indissociáveis, estabeleceram interposições ao advento do modo capitalista de produção, que possibilitaram tessituras que exteriorizaram o espaço metropolitano. Espaço que passa a constituir complexas relações à sua fase mais hegemônica e subordinadora na condição de exploração (neoliberalismo e globalização), assim como sua consolidação e expansão vilipendiadora dos direitos e garantias sociais, que se exteriorizam nos processos espaciais, mediante vetores em que as feições de centro e centralidade realizam-se pelas formas mais precárias do trabalho, que passam a ser processadas no e pelos processos espaciais, materializados na desrealização do trabalho. Defendemos a tese de que a nova condição do trabalho uberizado dos motoentregadores de delivery no espaço metropolitano de Belém, como expressão dos novos nexos da globalização neoliberal, marcados por intensa precarização da mão de obra, vem contribuindo para o aprofundamento de diferenciações, desigualdades socioespaciais e para o processo de subsunção e privação dos direitos sociais básicos do trabalhador, constituindo-se como negação do direito ao trabalho digno e ao exercício de sua cidadania. A pesquisa aqui desenvolvida promoveu levantamento e análise bibliográfica, levantamento e análise documental, aplicação de formulários, observações sistemáticas qualitativas, produção cartográfica, registros fotográficos e entrevistas semiestruturadas com trabalhadores motoentregadores de delivery. A relevância da tese está relacionada à necessidade de se evidenciar as novas condições de trabalho uberizado no espaço metropolitano de Belém, na segunda década do século XXI, face ao processo de metropolização, reestruturação urbana e da cidade e suas expressões nas paisagens urbanas, nas condições de exclusão social, desemprego, precarização e informalidade, assim como seus desdobramentos inerentes à exploração do trabalho em um mundo marcado pelo fortalecimento do neoliberalismo e por intensa globalização fragmentária.Tese Acesso aberto (Open Access) Desenvolvimento turístico na Amazônia: uma análise socioespacial fundada nos circuitos da economia urbana em Salinópolis, Pará(Universidade Federal do Pará, 2020-08-24) SILVA, Cleber Gomes da; TAVARES, Maria Goretti da Costa; http://lattes.cnpq.br/7796891525258446Observando as diferenças característica de renda e de modernização tecnológica comum aos países subdesenvolvidos, presentes no contexto amazônico, defende-se a tese de que a organização socioespacial de Salinópolis no Pará pode ser analisada como resultado de uma relação dialética entre os dois circuitos da economia urbana, constituída no processo de desenvolvimento turístico. Essa dinâmica pode ser evidenciada em certa medida por diferenças nos fluxos turísticos; nas relações de trabalho; na organização, tecnologia e distribuição espacial das firmas. Em termos gerais, apresenta-se como uma alternativa para apreender as implicações da praxis turística no espaço urbano. Devido às múltiplas possibilidades de abordagem sobre o tema e a necessidade de superar concepções mais economicistas, busca-se uma alternativa de análise crítica que tenha alcance na realidade local. Para essa finalidade, realizou-se um estudo de caso no município Salinópolis no estado do Pará, viabilizado por pesquisas documentais, bibliográficas, entrevistas e georreferenciamento de áreas apropriadas pelo turismo no espaço urbano. Foram entrevistados representantes de 100 firmas turísticas, especificamente dos meios de hospedagem e restaurantes; 100 moradores e 200 turistas. Com base na organização desses dados a tese foi organizada, além da introdução e da conclusão em mais três capítulos. No primeiro capítulo são discutidas as aproximações teóricas da tese e no segundo é descrita o papel do turismo na formação socioespacial da cidade. O terceiro capítulo evidencia a relação entre desenvolvimento do turismo na produção dos circuitos da economia urbano, demonstrado a partir de resultados da pesquisa de campo. Conclui que há uma coexistência de dois circuitos de turismo na economia urbana, responsáveis por desigualdades na organização socioespacial. Os resultados da análise podem contribuir diretamente para formulação de propostas de políticas, projetos e pesquisas que permitam o surgimento de alternativas de reprodução do turismo capazes de contemplar os interesses da sociedade na escala local.Tese Acesso aberto (Open Access) Dinâmica territorial do povo Galibi Kali’na de Oiapoque-AP(Universidade Federal do Pará, 2022-09-28) CUNHA, Evilania Bento da; ROCHA, Gilberto de Miranda; http://lattes.cnpq.br/2436176783315749Esta pesquisa tem a finalidade de apresentar a dinâmica territorial do povo Galibi Kali'na, principalmente, no que diz respeito à territorialização no Brasil. O povo Kali’na é um povo originário, cujo o espaço de origem é desde a Venezuela até a Guiana Francesa e, em julho de 1950, ao se deslocar pelo Platô das guianas, na área da Guiana Francesa, reconstruiu sua vida às margens direitas do rio Oiapoque, no estado do Amapá – Brasil. A ausência de um olhar geográfico sobre esse processo dos Kali’na do Brasil nos instigou a proposição de uma tese tendo em vista que é uma matéria desconhecida do universo acadêmico da Ciência Geográfica, já que a pesquisa não abordou apenas questões relacionadas a um Território Indígena, mas a um grupo autóctone que fez uma migração com negociações internacionais. Indagamos como se deu o processo de ocupação e instalação desse grupo no Brasil, uma vez que esse território não fazia parte da sua rota de deslocamento? Quais articulações políticas e institucionais foram necessárias mover para a demarcação da Terra Indígena Galibi? Por que essa Terra Indígena na região de Oiapoque foi a primeira a ser homologada? Que elementos definiram a área demarcada? Quais os fatores que interferiram na dinâmica populacional da T. I. Galibi? O que se sustenta em termos de tese é que a dinâmica territorial Kali’na, considerando sua vivência na Guiana Francesa e sua instalação no Brasil, ocorreu por uma mobilização política desse povo que embora tenham sido poucas famílias a fazerem a migração. Ao chegarem no Brasil, tiveram a primeira Terra Indígena demarcada na região de Oiapoque pelo Decreto 87.844 de 24/11/1982. E ainda com relações comerciais estabelecidas desde a Guiana Francesa e que teve continuidade ao chegar no Brasil tendo a agricultura como principal atividade econômica - o que vai sendo alterado para o setor de serviços, sobretudo na condição de servidores públicos. Esse trabalho objetiva analisar a dinâmica territorial dos Galibi Kali’na de Oiapoque nos setenta anos de presença no Brasil, levando em consideração três elementos da/na dinâmica territorial, a saber: 1. O deslocamento desse povo da Guiana Francesa para o Brasil e o contexto sócio-político-econômico; 2. A instalação e as relações estabelecidas com a nova terra do ponto de vista da natureza e da sociedade; 3. O olhar dos próprios Kali’na sobre o Território. Para atingir esse objetivo geral elencamos os seguintes objetivos específicos: verificar o território expandido dos Galibi Kali’na no arco norte das Guianas; entender o processo de formação do Território Kali’na no Brasil; mapear a organização dos Galibi Kali’na e os desafios da Terra Indígena Galibi. Fizemos uso de metodologia espaço temporal, sendo o recorte temporal os 70 anos, desde a territorialização no Brasil e o espacial a própria T.I. Galibi. A pesquisa bibliográfica foi se construindo ao longo do doutoramento, nas disciplinas cursadas, na participação em eventos e nas diversas interações, tendo como meta subsidiar o entendimento dos conceitos de território, dinâmica territorial, povo Kali’na, decolonialidade. Os Kali’na viveram diferentes acordos institucionais na sua territorialização no Brasil; para concluir isso, utilizamos a pesquisa documental como instrumento para demonstrar os acordos legais estabelecidos por esse povo e a geração de novos documentos e mapas a partir dos relatos orais concedidos formalmente por meio de entrevistas e informalmente por meio de conversas cotidianas. A pesquisa de campo com imersão de vivência auxiliou na continuidade e escolhas durante a construção da tese. A organização dos resultados da tese se desenvolve em quatro capítulos: o primeiro, intitulado “Território conceitos e vivências”, apresenta a base conceitual; o segundo, “O contexto da migração Kali’na”, faz uma retrospectiva histórica e documental da situação política e institucional no Brasil e na Guiana Francesa na decisão de saída de parte desse povo da Guiana; o terceiro, “Territorialização dos Kali’na no Oiapoque Brasil”, apresenta os elementos de territorialização, o uso e reprodução da terra, a organização espacial a partir da cultura, a escola como mediadora de fluxos; o quarto, “A visão Kali’na do território: cartografia social em perspectiva”, a partir da utilização da metodologia da cartografia social para mostrar como os próprios Kali’na se veem no território.Tese Acesso aberto (Open Access) Dinâmica territorial rural e urbana na Região Imediata de Belém (RIB): estudo comparativo em Santa Izabel do Pará e Santo Antônio do Tauá(Universidade Federal do Pará, 2024-04-19) ALBUQUERQUE, Antonio Marcos Silva de; ROCHA, Gilberto de Miranda; http://lattes.cnpq.br/2436176783315749; RODRIGUES, Jovenildo Cardoso; BARBOSA, Estêvão José da Silva; SILVA, Christian Nunes da; SOARES, Daniel Araujo Sombra; http://lattes.cnpq.br/9028575905648156; http://lattes.cnpq.br/0650519445162390; http://lattes.cnpq.br/4284396736118279; http://lattes.cnpq.br/6446474471044694; https://orcid.org/0000-0002-5650-1168; https://orcid.org; https://orcid.org; https://orcid.org/0000-0002-5208-2429A presente tese se debruça sobre as relações complexas e dinâmicas emergentes entre o espaço rural e urbano nos municípios de Santa Izabel do Pará e Santo Antônio do Tauá. A análise em questão é sustentada por uma compreensão que procurou se aprofundar na influência da disseminação metropolitana sobre esses territórios, onde as intrincadas dinâmicas territoriais e culturais desempenham um papel fundamental, evidenciando-se através das transformações do uso da terra em ambientes considerados rurais. O epicentro dessa pesquisa reside na proposição intrínseca de que as metamorfoses nas interfaces rural e urbanas estão incitando uma reconfiguração econômica substancial no âmbito do uso da terra dessas localidades. Nos locais onde as estruturas urbanas estão mais presentes, emerge a figura das Áreas de Periurbanização (APs), ao passo que nos espaços rurais mais remotos florescem, o que denominamos de Dinâmicas de um Novo Rural (DNRs). Estas manifestações empíricas contrariam a premissa tradicional que sugere que a disseminação urbana resulta na absorção completa do rural. As DNRs denotam um determinado padrão de uso da terra, concomitantemente a alterações no perfil produtivo tradicional do rural local, originando-se em uma complexa e híbrida intercessão entre o rural e o urbano. Para embasar essa abordagem, este estudo explora fundamentos conceituais sobre a interface entre campo e cidade conhecida como Periurbano e, finalmente, a conceituação do Novo Rural, tendo como uma importante delimitação a Região Imediata de Belém. Em síntese, esta investigação tem como desígnio primordial evidenciar que o contexto rural nesta parcela do estado do Pará está passando por transformações profundas em sua estrutura tradicional, engendrando novas configurações nas relações campo-cidade. Nesse ínterim, emerge a gestão pública municipal como um elemento de magnitude indispensável à compreensão dos conceitos de rural e urbano, bem como para a instrução de políticas de desenvolvimento, a exemplo dos territórios municipais sob investigação. Destarte, a conclusão inarredável é que o reconhecimento lúcido e abalizado da reorganização e ressignificação do rural torna-se um imperativo crucial para uma governança eficaz e contextualmente pertinente a tais dinâmicas territoriais. Nesse contexto, emerge a necessidade premente de uma abordagem mais abrangente e sistemática voltada a enfrentar os desafios latentes e capitalizar as oportunidades emergentes inerentes a essas novas relações entre o rural e o urbano no contexto municipal.Tese Acesso aberto (Open Access) Dinâmicas territoriais na Amazônia paraense: da relação entre planejamento regional e espaço agrário à pecuária bovina em Novo Repartimento-PA(Universidade Federal do Pará, 2022-08-26) RIBEIRO, Mílvio da Silva; NAHUM, João Santos; http://lattes.cnpq.br/9009465125001273A presente pesquisa defende a tese de que a dinâmica agrária da Amazônia Paraense resulta da relação entre espaço agrário e planejamento estatal. Verificou-se esta relação na dinâmica da pecuária bovina em Novo Repartimento-PA. O objetivo da pesquisa foi analisar a relação entre o planejamento regional e o espaço agrário no município de Novo Repartimento, considerando a dinâmica da criação de gado bovino a pasto. Metodologicamente, a pesquisa se estrutura em dois momentos: no primeiro momento elaborou-se uma retrospectiva contextual que evidencia políticas, planos e programas forjados para a Amazônia paraense, especificamente a partir da década de1960 até 1980. No segundo momento, a pesquisa configurou-se em uma perspectiva, na qual se considera a pecuária bovina determinada a partir da relação entre espaço agrário e planejamento regional, examinada no período de 1990 a 2020. As variáveis centrais da pesquisa relacionadas à dinâmica da pecuária bovina foram: áreas (desmatamento nas propriedades rurais) e unidade de paisagem (pastagens). A pesquisa aponta que a relação entre planejamento regional e o espaço agrário na Amazônia Oriental, objetivamente no município, promove processos espaciais, tendo como lógica a pecuária bovina como mercadoria e relação social. As formas de apropriação da terra não apenas são elementos de produção da pecuária, mas geram outras formas de usos. A expansão da atividade no município desqualifica as características e ações culturais dos atores que residiam antes da chegada da pecuária na área. O balizamento estatal, os programas, os projetos e as leis se configuram no espaço agrário em forma de créditos e de incentivos fiscais, a partir dos quais é favorecida a expansão da pecuária. Desta forma, a dinâmica espacial da pecuária se dá como um continuum floresta-política-pasto-gado-mercado-consumo. As fazendas e os bois são as expressões físicas da relação entre espaço e política, mas é apenas a ponta de um iceberg, pois, existem outros problemas oriundos do contexto de produção de commodities na Amazônia. A pesquisa está organizada da seguinte forma: Introdução e quatro capítulos (o primeiro, trata de Planejamento e Espaço Agrário, como termos conceituais e as situações contextuais da pesquisa; o segundo apresenta o Planejamento Regional e a pecuária no médio Rio Tocantins entre 1960 e 1980; o terceiro aborda a Conversão de florestas em pastagens em Novo Repartimento-PA; e no quarto discutiu-se o Planejamento Estatal e a pecuária em Novo Repartimento-PA); por fim, apresenta-se as considerações finais da pesquisa.Tese Acesso aberto (Open Access) Dinâmicas territoriais no município de Salinópolis/PA: unidades espaciais, ações públicas e a conservação ambiental(Universidade Federal do Pará, 2021-01-27) SOUZA, Geisa Bethânia Nogueira de; ROCHA, Gilberto de Miranda; http://lattes.cnpq.br/2436176783315749Os espaços costeiros concentram uma atenção especial no que se refere às discussões ecológicas, políticas e sociais contemporâneas por se tratar de áreas cada vez mais densamente habitadas, abranger funções ecológicas essenciais e apresentar grande importância econômica. A produção do espaço na costa amazônica aponta para um movimento de reprodução diversificada, ocasionando problemas que se relacionam à dinâmica natural, social e econômica, o que repercute em contradições que são reveladas na fragilidade das ações públicas presentes nos municípios litorâneos. Acompanhando essa realidade, o Município de Salinópolis concentra uma diversidade de práticas socioespaciais marcadas pela complexidade das atividades estabelecidas em seu processo de reprodução espacial. É a partir das dinâmicas territoriais no Município de Salinópolis, provenientes das formas de uso ao longo do processo de produção do espaço, que se contextualiza esse estudo. Busca-se mostrar que o uso que se manifesta hoje gera incoerências de natureza social e ambiental, com significativa perda de seus recursos naturais e paisagísticos, o que revela que as políticas costeiras são, muitas vezes, economicistas, priorizando determinadas atividades como o turismo e a expansão da urbanização. Uma diversidade de ações públicas está acontecendo no município para gerir as atividades produtivas. Tais ações podem ganhar aspectos conflituosos diante da discrepância do uso do solo que não se mostra concernente com a dinâmica social e a conservação ambiental.Tese Acesso aberto (Open Access) Dinâmicas territoriais, dendeicultura e produção de culturas alimentares: o caso do município de Moju, PA(Universidade Federal do Pará, 2020-09-25) SANTOS, Cleison Bastos dos; NAHUM, João Santos; http://lattes.cnpq.br/9009465125001273Expusemos neste trabalho a tese de doutorado intitulada: USO DO TERRITÓRIO, DENDEICULTURA E PRODUÇÃO DE CULTURAS ALIMENTARES: uma análise dos agricultores familiares integrados a empresa Agropalma, no município de Moju, Pa. Sustentamos a tese de que a dendeicultura ameaça a produção de alimentos nas localidades aonde aporta. Nossa hipótese é de que essa ameaça ocorre porque a implantação dos projetos de agricultura familiar com cultivo do dendezeiro necessita de dois recursos essenciais para sua implantação: força de trabalho e área. No caso específico dos projetos-pilotos I (2002) e III (2005), integrados a empresa Agropalma, a ocupação da área foi diferente se comparado a ocupação da área do projeto IV (2006). Objetivamos analisar os impactos da expansão da dendeicultura na produção de alimentos pelos grupos familiares integrados à cadeia produtiva do dendezeiro no município de Moju. Desejamos, neste trabalho, tal como Nahum e Santos (2015), interpretar geograficamente a dinâmica da dendeicultura no município de Moju, tendo na categoria território, usado seu ponto de partida (Santos; Silveira, 2001). Utilizamos, neste trabalho, dois procedimentos metodologicamente complementares: a metodologia analítica baseada nos conceitos de periodização e evento de Santos (2006), Santos e Silveira (2001) que nos permitiram pensar um tempo anterior (T1), a chegada do evento (projetos) e um tempo a partir da implantação dos projetos (T2) e pela metodologia operacional composta pela revisão bibliográfica dos levantamentos cartográficos, entrevistas estruturadas e semiestruturadas e dos trabalhos de campo. A tese está dividida em 3 capítulos. A mesma está estruturada em 3 partes: No primeiro capítulo analisamos o uso do território pelas famílias sitiantes antes da chegada dos projetos familiares com a cultura do dendezeiro. Utilizamos a categoria sítio camponês de Woortmann (1983) para demostrar empiricamente essas dinâmicas. Nesses sítios, os usos do território estavam submetidos a diferentes formas de trabalho, laços de solidariedade e sistemas produtivos. As produções dos sítios destinavam-se tanto para o consumo (uso) quanto para a venda (troca). No segundo capítulo, mostramos os eventos que moldaram os projetos de agricultura familiar com cultura do dendezeiro na região do Alto Moju e da PA 150, no município de Moju. Analisamos, sobretudo, os eventos que permitiram a emergência dos projetos I (Arauaí I) e projeto III (Arauaí II), que fazem parte da Associação do Desenvolvimento Comunitário do Ramal do Arauaí (ASDECRA). Já no terceiro capítulo, analisamos as transformações que o processo de integração aos projetos familiares com cultura do dendezeiro trouxe nos usos do território, nos sujeitos e na produção das culturas alimentares que alimentavam a unidade doméstica e uma infinidade de lares longícuos.Tese Acesso aberto (Open Access) Entre concebido, percebido e vivido: efeitos da turistificação e patrimonialização na produção do espaço do Círio de Nazaré em Belém-PA(Universidade Federal do Pará, 2022-02-15) SERRA, Débora Rodrigues de Oliveira; AMARAL, Márcio Douglas Brito; http://lattes.cnpq.br/6997234298024427; TAVARES, Maria Goretti da Costa; http://lattes.cnpq.br/7796891525258446O Círio de Nazaré em Belém-PA tem atraído fluxos de visitantes desde suas origens, mas, a partir de meados do século XX, com o avanço do capitalismo, Igreja, agentes da oferta mercadológica e poder público passaram a organizar e intensificar ações para a ampliação da sua atratividade turística, bem como a atuar em sua patrimonialização. Tais processos se destacam na produção do espaço dessa festividade e podem ser analisados a partir da tríade dialética lefebvriana dos espaços percebido, concebido e vivido, onde a hegemonia de alguns agentes, que compõem o que Gramsci compreende como Estado integral, se revela em ações que mesclam consenso e coerção. Assim, a presente pesquisa analisa a produção do espaço do Círio de Nazaré pelos processos de sua turistificação e patrimonialização, investigando os agentes neles envolvidos, as estratégias de controle coercitivo e consensual utilizadas na concepção do espaço e seus efeitos nos espaços percebido e vivido dessa festividade, bem como as contradições, apontando, a partir de ações subversivas à lógica de mercado, a viabilidade da restituição da Festa. Para tanto, utiliza-se como principais procedimentos metodológicos o levantamento e a pesquisa bibliográfica e documental, a observação em campo e a realização de entrevistas semiestruturadas. A pesquisa demonstra que os agentes hegemônicos da turistificação e da patrimonialização do Círio de Nazaré têm buscado ampliar seu domínio sobre o espaço dessa festividade, a partir da lógica do capital, mascarando contradições que, quando identificadas pelos agentes subalternizados, potencializam ações que podem contribuir para a construção de uma nova hegemonia.Tese Acesso aberto (Open Access) Os fluxos de produtos agrícolas comercializados pelos agricultores familiares nas feiras no município de Marabá-PA(Universidade Federal do Pará, 2024-09-30) AMADOR, Angel Marques; CHAVES, Patricia Rocha; http://lattes.cnpq.br/8368656524963047; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0002-5565-1412; LIMA, Ricardo Angelo Pereira de; http://lattes.cnpq.br/1993748824383678; https://orcid.org/0000-0002-3532-422XA presente tese sobre a comercialização no circuito de feiras da agricultura familiar de Marabá, no sudeste paraense. Objetivou-se analisar a contribuição do papel das feiras para estabelecer condições materiais de vida para famílias de agricultores e agricultoras rurais e fortalecimento da atividade camponesa nessa parte do território amazônico. A pesquisa buscou identificar e conhecer as duas feiras estudadas e como funciona o desenvolvimento do circuito inferior de comercialização para alimentos, buscando entender as características sociais e econômicas desenvolvidas pelos agricultores familiares. Nesse aspecto, foi estudado o assentamento responsável pela maior parte de produção de alimentos que são comercializados nas principais feiras da cidade, sua importância na escoação de alimentos. Como aspecto metodológico, o ponto de partida insere-se em uma ampla pesquisa bibliográfica e documental sobre a lutas dos trabalhadores rurais por lote de terra na década de 1970, ano de criação das principais feiras da cidade. A pesquisa de campo ofereceu ferramentas necessárias que possibilitou o levantamento de informações através da realização de entrevistas semiestruturadas, onde foram entrevistadas famílias de agricultores, feirantes e consumidores das feiras. Como resultado, consegue-se apontar que as formas de comercialização nas feiras contribuem para manutenção das condições materiais de vida dos agricultores familiares, fortalecendo a lutas dos trabalhadores rurais e proteção do meio ambiente com a produção agrícola familiar, e com a comercialização, os ganhos monetários retornam ao comércio de cidade na compra em lojas de materiais de construção, eletrodomésticos, aviamentos, entres outros. Observa-se que a produção no Assentamento Alegria contribui beneficamente com a manutenção dos ecossistemas e biodiversidade, e que ali, muitos dos alimentos produzidos são utilizados na comercialização das principais feiras da cidade de Marabá.Tese Acesso aberto (Open Access) A geografia dos serviços de abastecimento públicos e privados de água relacionados às metas de universalização dos objetivos do desenvolvimento sustentável da Amazônia brasileira (2008-2023)(Universidade Federal do Pará, 2024-08-28) GUEDES, Michel Pacheco; BORDALO, Carlos Alexandre Leão; http://lattes.cnpq.br/1253955182585852Essa tese busca analisar os serviços de abastecimento de água com o aporte da ciência geográfica e na teoria do espaço geográfico e baseado no método hipotético dedutivo como método de abordagem, com levantamento bibliográfico, documental como método de procedimento quantitativo e qualitativo atribuído a base de dados secundárias estabelecidos nos parâmetros de pesquisa, o período entre 2008 e 2023, o processo de atuação de empresas públicas e privadas que prestam estes serviços nos Estados do Pará e Amazonas, proceder uma análise comparativa entre essas modalidades de serviços a partir dos parâmetros presentes na base de dados do Sistema Nacional de Saneamento Básico (SNIS) e do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), identificar se há eficiência na gestão e gerenciamento nos atendimentos da população urbana e rural e se as metas contratuais são capazes de atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS), para 2030. Como base teórica foram utilizadas as reflexões dos documentos internacionais da ONU, por meio do “Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento da Água das Nações Unidas (WWDR)”, atrelado a uma leitura referente aos conceitos de justiça ambiental, crise hídrica e justiça hídrica. Ainda, foram considerados um debate acerca das ações da Globalização e do Neoliberalismo e como estes fenômenos conjuntamente com as legislações e normatizações locais influenciam na instalação das agências reguladoras de água como parte integrante de um processo de privatização das empresas públicas de abastecimento de água nos municípios de Belém (PA), Manaus (AM), Barcarena (PA) e Parauapebas (PA) e como se dá esse processo no espaço geográfico de uma fração da Amazônia Brasileira.Tese Acesso aberto (Open Access) Geograficidade e espacialidades urbanas na Amazônia: o caso das juventudes reassentadas em Altamira-PA com a construção da UHE Belo Monte(Universidade Federal do Pará, 2024-03-27) CONCEIÇÃO, Ronicleici Santos da; OLIVEIRA, Assis da Costa; http://lattes.cnpq.br/1543002680290808; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0003-3207-7400; HERRERA, José Antonio; http://lattes.cnpq.br/3490178082968263; https://orcid.org/0000-0001-8249-5024Analisa-se com esta tese as espacialidades urbanas das juventudes reassentadas, afetadas pelo deslocamento compulsório causado pela Usina Hidrelétrica Belo Monte, na Região de Integração do Xingu, Pará, Amazônia a partir de 2011. Revela-se neste estudo a complexidade das mudanças e dos desafios enfrentados pelos jovens e oferece insights, caso outros projetos parecidos sejam projetados para e na região. O deslocamento compulsório resultou na ruptura de laços materiais e imateriais com seus antigos territórios, levando à reconfiguração das dinâmicas espaciais. No entanto, esses grupos têm demonstrado resiliência, construindo múltiplas identidades e subjetividades contornando as desigualdades socioespaciais. Embora os reassentamentos ofereçam instalações físicas melhores que as palafitas, a segregação socioespacial persiste, e os jovens continuam enfrentando uma nuance dessas desigualdades seu cotidiano. Logo, destaca-se a importância de se considerar não apenas a infraestrutura física do contexto habitacional, mas também as dimensões econômicas, sociais, políticas e culturais – na concepção de projetos dessa natureza. Um aspecto crítico é a necessidade de considerar as múltiplas temporalidades envolvidas nesses processos, reconhecendo que cada reassentado possui trajetória e experiências únicas para e com o espaço geografico. Aponta-se, então, para a importância de uma abordagem holística e interdisciplinar na análise dos impactos dos grandes projetos na região, com foco no bemestar das comunidades locais, especialmente das juventudes que enfrentam desafios reais e significativos na (re)construção de suas espacialidades urbanas. O estudo revela diversos aspectos das juventudes nos Reassentamentos Urbanos Coletivos (RUC) Jatobá e Laranjeiras, destacando que criar novas espacialidades requer tempo, por meio do espaço que condiciona as relações das juventudes, assim como as relações socioespaciais modam o espaço, tais como a ruptura da fronteira entre RUC e os espaços publicos da cidade, das quais nova e velhas relaçoes estão sendo (re)construídas, tais como, interações com o mercado de trabalho, uso dos espaços publicos, praticas de recreações com o rio Xingu, inseção em movimentos sociais, inserção na criminalização, bem como, a perpetuação deviolações aos direitos humanos.Tese Acesso aberto (Open Access) Heteroendogenia intraurbana: reestruturação urbana e da cidade de Marabá-PA a partir de três centros e centralidades econômicas(Universidade Federal do Pará, 2021-10-29) SILVA, Mauro Emilio Costa; RODRIGUES, Jovenildo Cardoso; http://lattes.cnpq.br/9028575905648156; https://orcid.org/0000-0002-5650-1168O objetivo da pesquisa é o de em entender como vem ocorrendo o processo de reestruturação da cidade de Marabá, por meio do centro e centralidade nas dimensões socioeconômicas, cujo recorte espacial são os três centros dos núcleos, a saber: Marabá Pioneira, Nova Marabá e Cidade Nova no período entre os anos de 2000 a 2020. Embora a análise esteja pautada nas três frações espaciais intraurbanas mencionadas e com recorte temporal indicado, foi necessário inserir por vezes menções escalares interurbanas para consubstanciar o escopo da pesquisa, bem como recuar no tempo visando apreender os processos espaciais que determinaram a formação do território marabaense, apreendido nas formas e mesmo funções que ainda persistem e coexistem com “novas” dinâmicas, estabelecendo uma relação dialética entre o tradicional-moderno com suas relações de tensão, resistência, coexistência e supressão. Tornou-se necessário inserir a discussão sobre a modernidade para entender as manifestações deste fenômeno no espaço por meio das centralidades urbanas de caráter policêntrico, isto é, a materialidade sob o aporte moderno de produção e consumo. Assim, emergem os centros e as centralidades econômicas, com sua maior significância de reconfiguração no tecido urbano, para as atividades de serviços e comércio, interpretado como policentralidade pelo conteúdo técnico-transnacional que carrega. O fenômeno da centralidade produz substanciais mudanças no conteúdo urbano, o que denota a criação e/ou intensificação de áreas centrais complexificando a inteligibilidade das relações tanto de interescalaridade quanto de interação espacial intraurbana. Posto tal realidade, realizamos a análise com intuito de desvelar as dinâmicas dos três centros que promovem a interescalaridade pela faceta de serviços e comércio, sendo os mesmos fatores associados ao fator social que se utilizou para compreender as relações de interação espacial intraurbana, para além de uma perspectiva subsistêmica urbana, visando apreender complementariedades e competitividades entre si. Desta maneira, consideramos que a contribuição da tese decorre pelo conjunto dos elementos empíricos levantados e aferidos como dinâmica espacial, cujos resultados apreendidos sustentam que os conceitos, centro e centralidade urbana exercem significativa importância quando se vislumbra reconhecer o processo de reestruturação da cidade, através do tratamento de dados secundários e primários, estes, obtidos com a interlocução por meio de várias metodologias operacionais aplicados aos sujeitos, morador, consumidor, trabalhador, capital e estado, concluindo se tratar de uma cidade (multi)policêntrica composta por três centros interescalares interdependentes polimorfos, isto é, com suas formas particulares, cuja expressão espacial se verifica na paisagem urbana de cada centro e as centralidades econômicas com seus respectivos conteúdos endógenos e exógenos imbricados.Tese Acesso aberto (Open Access) O meio natural na Amazônia paraense: paisagem, configuração espacial e dinâmica social(Universidade Federal do Pará, 2021-08-26) CARVALHO, Ana Cláudia Alves de; NAHUM, João Santos; http://lattes.cnpq.br/9009465125001273Esta pesquisa integra-se ao projeto construído pelo Grupo de pesquisa Dinâmicas Territoriais do Espaço Rural na Amazônia – GDEA, onde Nahum (2018) propõe a utilização de conceitos geográficos que possibilitem analisar geograficamente a Amazônia paraense e em especifico seu processo de formação. De acordo com Nahum (2019) a Amazônia passou por uma sucessão e coexistência de meios geográficos, o meio natural sendo caracterizado pelas relações camponesas ligadas ao extrativismo; seguido de um meio técnico marcado por um período agrário ligado a atividades agropecuárias; e um meio técnico - científico - informacional sendo este rural, com atividades agroindustriais, compondo o quadro atual. Defende-se a ideia de que o meio natural ao qual a Amazônia passou compreende o período de 1616 a 1966. O ano de 1616 marca a fundação da cidade de Belém, e assim o início da formação da futura Companhia Geral do Pará e do Maranhão, definido como ponto de partida, e 1966 data o princípio da “Operação Amazônia”, conjunto de investimentos voltados para o desenvolvimento da região, como ponto de chegada. Tendo isso em conta, sustentamos a tese da existência de um meio natural na Amazônia paraense, busca-se construir uma periodização da Amazônia paraense, a fim de mostrar o movimento espacial que estruturou sua formação. Para isso, será caracteriza a paisagem, configuração espacial e dinâmica social nestes três séculos e meio, e assim singularizar o meio natural na Amazônia paraense. Pensar tal concepção exige-nos compreender que a existência dos meios geográficos caracterizados por Santos e Silveira (2001) são leituras espaciais que tem como referência a técnica. Busca-se nesta pesquisa ir além das contribuições, históricas, economicistas e sociológicas, no sentido de evidenciar a partir de uma periodização como a paisagem, configuração espacial e a dinâmica social de cada período possibilitou a Amazônia alcançar seu estágio atual. Pensando a metodologia analítica da pesquisa compreende-se que o espaço é a categoria fundamental para se compreender a ideia de período, evento e periodização em Santos (2008). Enquanto metodologia operacional, realizou-se revisão bibliográfica acerca da Amazônia paraense no período de 1616 a 1966, para assim construirmos a base de dados necessária ao entendimento da paisagem, configuração espacial e dinâmica social, da área de estudo. Incorporar a geografia no processo metodológico torna-se um desafio que se busca alcançar, no entanto, tem-se aqui uma tentativa.Tese Acesso aberto (Open Access) Metropolização e produção da moradia: uma análise das novas (velhas) condições do habitar e do morar na metrópole Belém(Universidade Federal do Pará, 2021-10-18) COSTA, Léa Maria Gomes da; RODRIGUES, Jovenildo Cardoso; http://lattes.cnpq.br/9028575905648156; https://orcid.org/0000-0002-5650-1168A cidade moderna deriva do advento do modo de produção capitalista industrial, que forjou o espaço metropolitano como um dos elementos primordiais para sua consolidação e expansão. Com a transição do capitalismo para um sistema de produção flexível e de integração global, a dispersão passa a ser a marca principal da expansão urbano-metropolitana. Tendo por referência o papel que os assentamentos residenciais, especialmente os derivados de políticas habitacionais, possuem no processo de metropolização de Belém, indaga-se: há semelhança entre a produção da habitação e moradia popular desenvolvida na segunda metade do século XX e a que se desenvolve neste primeiro quartel do século XXI? Tal indagação norteou a pesquisa ora apresentada, que teve como objetivo principal compreender os princípios que regem a produção da moradia popular no contexto da metropolização de Belém e os processos de ruptura e continuidade que balizam tal produção neste início de século. A tese defendida é a de que a recente forma metropolitana dispersa de Belém constitui expressão, produto, meio e condição das determinações da produção capitalista da cidade, que se revela por meio de um desenvolvimento geográfico desigual, o qual se expressa, no âmbito da moradia popular, pela manutenção do padrão periférico de localização da produção formal da habitação e pelo reforço das condições precárias a que estão submetidos os assentamentos populares no espaço metropolitano. A teorização sobre a produção do espaço orientou os procedimentos metodológicos de pesquisa, que se iniciaram com o estudo bibliográfico voltados à revisão e aprofundamento teórico-conceitual de temas como: urbanização, metropolização, reestruturação metropolitana e formas de produção da habitação. Esses estudos foram sequenciados por uma investigação documental sobre as políticas habitacionais desenvolvidas no Brasil a partir do século XX; a implantação dos programas habitacionais na Região Metropolitana de Belém (RMB); estudo de mapas históricos e levantamento de dados nos Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010 sobre as condições básicas de infraestrutura urbana na RMB. Complementando. A investigação documental foi complementada por estudos empíricos desenvolvidos por meio de trabalho de campo; levantamento de dados na Companhia de Habitação do Pará e Secretarias de Habitação dos municípios da RMB, que culminaram com a realização de entrevistas com técnico do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano e com gestores das Secretarias de Habitação dos municípios de Belém, Ananindeua e Marituba. O levantamento e sistematização de dados subsidiaram o processo analítico e a elaboração de mapas temáticos. Os resultados da pesquisa permitem inferir que no campo da produção da moradia encontram-se importantes chaves para a compreensão da atual fase da dispersão metropolitana em Belém. Uma dessas chaves é o incremento da desigualdade socioespacial, que se expressa nos territórios populares, cuja expansão reproduz tanto as condições precárias de moradia, quanto o seu distanciamento, concreto e/ou simbólico, em relação às áreas de valorização urbana; sejam elas representadas pelo centro tradicional ou pelas novas centralidades forjadas a partir dos enclaves territoriais produzidos pelo mercado imobiliário na periferia metropolitana.Tese Acesso aberto (Open Access) O passo a passo do Movimento Pela Sobrevivência na Transamazônica e Xingu pela produção do contraespaço(Universidade Federal do Pará, 2024-01-03) SOUZA, Ana Paula dos Santos; HERRERA, José Antonio; http://lattes.cnpq.br/3490178082968263; https://orcid.org/0000-0001-8249-5024; OLIVEIRA NETO, Adolfo da Costa; MAGALHÃES, Benedita Alcidema Coelho dos Santos; MIRANDA, Rogério Rego; FERNANDES, Bernardo Mançano; http://lattes.cnpq.br/3108272104911953; http://lattes.cnpq.br/7484794171047694; http://lattes.cnpq.br/4960836976718202; http://lattes.cnpq.br/2836764800084585; https://orcid.org/0000-0003-0420-6295; https://orcid.org/0000-0001-7536-5184; https://orcid.org/0000-0001-6309-7653; https://orcid.orgA Amazônia é um lugar onde existem lutas intensas pelos direitos das populações das cidades, do campo, das águas e das florestas. Na raiz dessas lutas está o modo como os governos e o capital hegemônico enxergam a Amazônia: provedora de riquezas para o Brasil e o mundo, a partir de sua paisagem convertida em recursos. Diante dessas práticas as populações que vivem nesse bioma se tornaram sujeitos fora da ordem de prioridade dos governos, restando aos agricultores familiares, povos indígenas, pescadores, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, moradores das periferias das cidades e vilas manifestarem sua contrariedade a essa racionalidade que os exclui. Esse estudo foi realizado na região sudoeste do Pará, entre os municípios de Pacajá e Rurópolis ao longo da Transamazônica, e pelo Xingu, de Vitória do Xingu até porto de Moz. O objetivo é analisar as ações do Movimento Pela Sobrevivência na Transamazônica (MPST), atualmente Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP), identificando qual a relevância do papel desempenhado por ele na melhoria da vida das populações e nas mudanças no território da Transamazônica e Xingu. O estudo começa com o registro da voz dos migrantes que vieram para essa região antes, durante e depois do Projeto Integrado de Colonização (PIC). A meta é identificar os motivos para migrar, as condições de chegada na nova terra, a participação e formação dos movimentos sociais e os desafios da relação com o governo federal. Analisa-se também a trajetória do MPST, surgido em 1990, formado inicialmente por esses migrantes e o apoio da igreja católica, a partir das Comunidades Eclesiais de Base. A categoria de base desse estudo é o espaço geográfico conforme definido por Milton Santos: um híbrido qualificado pelo sujeito. No espaço dominante, constrangidos pelo capital, os migrantes e seus apoiadores, a partir de suas lutas, produziram seus contraespaços, conforme Ruy Moreira. Denunciaram, construíram proposições coletivas e provocaram mudanças na configuração do território da Transamazônica e Xingu. Para melhor compreensão da formação e dos desdobramentos desses contraespaço, fez-se um recorte em três bandeiras de luta importantes para os movimentos: Questão fundiária e ambiental, crédito agrícola e educação. A última parte do trabalho traça um panorama dos movimentos sociais da atualidade nessa região: quem são e quais desafios enfrentam. Os resultados desse estudo demonstram que o MPST com suas mobilizações coletivas e regionalizadas produziu um contraespaço dentro da ordem hegemônica do PIC, garantindo voz e direitos para as populações. Suas práticas perduraram e influenciaram o surgimento de outros movimentos.Tese Acesso aberto (Open Access) Ordenamento territorial no município de Maracanã/PA: espectros sobre a criação da reserva extrativista(Universidade Federal do Pará, 2024-03-27) MORAES, Mauro Pantoja de; SILVA, Joao Marcio Palheta da; http://lattes.cnpq.br/5356047514671129; https://orcid.org/0000-0003-0354-4639; LIMA, Ricardo Angelo Pereira de; ROCHA, Gilberto de Miranda; LOPES, Luis Otávio do Canto; SOARES, Daniel Araujo Sombra; SOUZA, Eldilene da Silva Barbosa de; http://lattes.cnpq.br/1993748824383678; http://lattes.cnpq.br/2436176783315749; http://lattes.cnpq.br/1013147545099173; http://lattes.cnpq.br/6446474471044694; http://lattes.cnpq.br/3938394892535968; https://orcid.org/0000-0002-3532-422X; https://orcid.org; https://orcid.org/0000-0002-6209-9646; https://orcid.org/0000-0002-5208-2429; https://orcid.org/0000-0002-9980-2286O objeto de estudo desta tese foi o ordenamento territorial (OT) do município de Maracanã, no Pará, a partir da criação da Reserva Extrativista. A construção desta pesquisa foi motivada pela necessidade de compreender o processo de constituição do OT no município de Maracanã, Pará, desde a criação da Reserva Extrativista (RESEX). Com essa perspectiva, questionamos: Como ocorreu o OT em Maracanã, PA, após a criação da RESEX? Na busca por respostas, estabelecemos como objetivo geral da investigação, analisar o OT que se formou em Maracanã, PA, a partir da criação da RESEX. Metodologicamente, optamos por iniciar com uma revisão bibliográfica sobre OT, Unidade de Conservação e Políticas de Zoneamento Costeiro, baseando-nos nos postulados de Moraes (1999), Pereira (2010), Amêndola (2011), Moreira (2011), Veloso (2018), entre outros que discutem essas temáticas. Além da revisão bibliográfica, a pesquisa incluiu um estudo de campo (Gil, 2008), utilizando entrevistas semiestruturadas como instrumento de coleta de dados (Pádua, 2002; Severino, 2007; Oliveira, 2010). Foram selecionadas doze pessoas com cargo de membros do Conselho Deliberativo da RESEX de Maracanã, PA, durante o período de coleta de dados. As interpretações basearam-se na técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 1977). Entendemos que todos esses momentos da pesquisa foram eficazes para estabelecer a importância da temática tendo em vista o contexto do atual debate sobre OT somado com o município localizado na Amazônia. Concluímos que o OT em Maracanã é percebido pelos participantes como um espaço desprovido, um instrumento para uso, controle e ato de preservação do espaço com perspectiva de gestão ambiental inclusiva e democrática, bem como um movimento que provoca (des)ordem e conflitos. O processo de OT ocorreu a partir de ações originadas junto a criação da RESEX, voltadas principalmente ao estabelecimento da sustentabilidade socioambiental, criando novas dinâmicas nesse espaço e regramentos. Isso inclui os impactos do aprendizado mais apropriados para o uso e preservação do espaço, estabelecendo um novo ordenamento de ações nos limites territoriais do município.Tese Acesso aberto (Open Access) Políticas de energia no Brasil: difusão de usinas hidrelétricas para a indústria agropecuária na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2021-11-25) PENHA, Luciano Rocha da; BACKHOUSE, Maria; https://orcid.org/0000-0001-9103-9637; HERRERA, José Antônio; http://lattes.cnpq.br/3490178082968263; https://orcid.org/0000-0001-8249-5024A políticas energéticas no Brasil vem passando por várias reformas para concretizar a desestatização, resultando em concessões para empresas privadas, criando o mercado de energia com diferenças de agentes econômicos da energia. Ao mesmo tempo da referida política, o país sofre pressões globais investir em energias renováveis. Dentre essas energias destacam-se as PCHs. Devido a abundância de disponibilidade hídrica, na Amazônia Legal, está em curso a difusão por expansão de PCHs e de UHEs no entorno da indústria agropecuária nos estados do Mato Grosso, Tocantins, Pará, Maranhão e Rondônia. Isso é demonstrado quando se faz conexão das localizações espaciais dessas usinas hídricas com as localizações dos silos, dos armazéns e dos frigoríficos. A difusão dessas PCHs e UHEs, estão materializadas nas usinas em operação, nas usinas em estudo e, nas usinas com processos abertos para estudo. Este trabalho teve como objetivo principal analisar de que forma a atual transição energética mundial tem influenciado as políticas de energia no Brasil. Os objetivos específicos foram: entender de que maneira as políticas de energia no Brasil tem contribuído para o aumento da difusão de UHEs e PCHs no entorno da indústria agropecuária na Amazônia Legal; entender de que maneira a política energética e o mercado de energia no Brasil, têm refletido no aumento por demanda em energia hídrica na Amazônia Legal; demonstrar como funcionam as dinâmicas territoriais-produtivas da soja, assim como o entorno dos silos e dos armazéns e da pecuária (frigoríficos) às quais fazem com que a demanda por energia elétrica aumente, logo, em mais construções de pequenas e grandes usinas hidrelétricas na Amazônia Legal. A metodologia utilizada foi a revisão bibliográfica de cunho teórico-metodológico da Geografia, da Sociologia, das engenharias e da Economia. A análise documental sobre a política e o planejamento energético no Brasil. Dados primários e secundário coletados nos sítios eletrônicos do IBGE, ME, ANEEL, EPE, MAPA e ODS. Por fim, foram construídos mapas, gráficos, tabelas e mapas, também figuras extraídas dos documentos. A forma de apresentação desses dados foi da forma gráfica. Conclui-se que a difusão das usinas hídricas na Amazônia Legal está em curso, porque as PCHs são renováveis e as UHEs podem ser construídas à fio d’água, bem como, essa difusão é induzida pela demanda por energia da indústria agropecuária na Amazônia Legal. Bem como, essa difusão é também fomentada pela política mundial das mudanças climáticas que influencia a transição energética mundial.Tese Acesso aberto (Open Access) Produção do espaço ribeirinho na Amazônia: uma análise a partir do contexto espacial em comunidades das ilhas de Abaetetuba-PA(Universidade Federal do Pará, 2021-08-31) FERREIRA, Denison da Silva; NAHUM, João Santos; http://lattes.cnpq.br/9009465125001273A análise aqui empreendida visa dar ênfase à dimensão ribeirinha do espaço na Amazônia tocantina paraense tendo como ponto de partida a porção insular do município de Abaetetuba, Nordeste do Estado do Pará, localmente conhecida como ―ilhas de Abaetetuba‖. Defendemos como tese norteadora a existência de um processo de produção espaço ribeirinho na Amazônia, a proposito da área de estudo, que não se constitui como um processo ―isolado‖, mas integra o movimento mais amplo de produção do espaço regional. A pesquisa encontra-se estruturada em quatro momentos ou eixos de análise, precedidos das considerações finais. No primeiro momento, dissolvido no primeiro capítulo, descrevemos aspectos gerais sobre o contexto espacial empírico a partir do qual estamos propondo a construção da pesquisa, ou seja, a Amazônia tocantina e particularmente as ilhas de Abaetetuba. Trata-se de uma caracterização preliminar da realidade empírica a ser estudada onde serão considerados aspectos referentes tanto à configuração territorial quanto à própria dinâmica social ribeirinha. No segundo e terceiro momentos (compreendidos no segundo e terceiro capítulos), propomos um exercício de regressão, ou seja, de reconstituição de alguns processos histórico-espaciais que tiveram importantes correlações com a produção do espaço ribeirinho na região, de maneira especial nas ilhas de Abaetetuba, como a criação dos aldeamentos comandados pelos missionários durante a primeira fase de colonização portuguesa da região; a criação de capitanias e sesmarias; o estabelecimento dos diretórios dos índios; a introdução dos escravos negros na região; assim como o desenvolvimento mais sistemático da economia dos engenhos de aguardente já numa conjuntura pós-colonial. No quarto momento propomos um retorno ao contexto espacial ribeirinho no tempo presente buscando compreendê-lo de forma mais esclarecida, ressignificada. Neste momento tomamos como ponto de partida as estratégias de organização política, especialmente aquelas que se atrelam ao uso da terra, tendo em vista suas correlações com a dinâmica de produção do espaço ribeirinho. Alinhado aos propósitos da pesquisa, elegemos como teoria norteadora a produção (social) do espaço situando os debates nos horizontes abertos pela perspectiva dialética suscitada principalmente nos escritos do filósofo Henri Lefebvre cujos fundamentos se mostraram pertinentes e adaptáveis ao desenvolvimento da análise aqui proposta. Partimos do principio de que as práticas sociais projetadas em um determinado espaço traduzem também práticas de produção do espaço. Esta produção, porém, não faz referência estritamente à produção de coisas, objetos, ou mercadorias, mas remete sua compreensão à existência de relações sociais, que inclui a produção dos objetos e a produção do espaço num sentido amplo. É nessa perspectiva que suscitamos a presente análise tendo as ilhas de Abaetetuba como lócus empírico da pesquisa.
