Programa de Pós-Graduação em Letras - PPGL/ILC
URI Permanente desta comunidadehttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2310
O Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) do Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Confere ao candidato habilitado o título de Mestre e/ou Doutor em Letras, nas Áreas de Concentração em Estudos Literários ou Estudos Linguísticos, tem como objetivos gerais e fundamentais: preparar pesquisadores capazes de desenvolver trabalhos científicos no campo dos Estudos da Linguagem; desenvolver a competência profissional e científica do graduado para que ele atue com criticidade na sua área de conhecimento; e produzir conhecimento científico relevante para o país, com ênfase, quando oportuno, para as especificidades linguísticas e literárias presentes na Região Amazônica.
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Navegando Programa de Pós-Graduação em Letras - PPGL/ILC por Linha de Pesquisa "ANÁLISE, DESCRIÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS NATURAIS"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Análise perceptual da harmonia vocálica na fala Belenense(Universidade Federal do Pará, 2024-08-29) XAVIER, Francisco Cavalcante; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577O presente trabalho tem por objetivo investigar, perceptualmente, a produtividade da harmonia vocálica (HV) disparada por vogais baixas na variedade do português falada em Belém/PA. Para isso, formou-se um corpus com 42 vocábulos paroxítonos, em sua maioria, no molde silábico CV'CV.CV, em que /e/ e /o/ se alternam na sílaba pretônica e /i, e, ɛ, a, ᴐ, o, u/, na tônica. Com uso do conversor Wideo Text-to-Speech Software, geraram-se, como estímulos sonoros, três variantes para cada item do corpus, de acordo com a altura da vogal pretônica: para , [i], [e], [E]; para , [u], [o], [O]. Uma amostra de 60 belenenses, estratificados em sexo, faixa etária e escolaridade, respondeu a um questionário implementado na plataforma Gorilla Experiment BuilderTM, versão 4, com dois protocolos de coleta de dados: I - Avaliação de Frequência (AF); II - Avaliação de Identificação (AI). Para a AF, protocolo principal, os participantes atribuíram às variantes de , uma frequência de ocorrência/uso aproximada na fala belenense, a partir dos seguintes índices escalares: Nunca, Raramente, Às vezes, Quase sempre. Na AI, tomou-se a avaliação dos participantes em identificar as três variantes como, de fato, diferentes. Para o tratamento estatístico dos 10.080 dados coletados, aplicaram-se análises de Correlação Simples e de Regressão Logística Binária, por meio do Programa R, versão 2024.04.1. Tomadas , por variáveis dependentes e as sete vogais tônicas por variáveis independentes, os resultados revelaram que, na fala de Belém, em geral, com base na escolha do índice de ocorrência plena Quase sempre: (a) as variantes altas são as menos frequentes – [i], com frequência relativa de .13 e [u], com .20; (b) as variantes médias são largamente predominantes, ajustando-se relativamente bem a todas as vogais tônicas – [e], .77 e [o], .75; (c) as variantes baixas estão em segundo lugar como mais frequentes – [E], .43 e [O], .41 –, mas, fortemente atraídas por vogais tônicas baixas, tomam a hegemonia das médias nesse contexto estrutural – [E], .82; [O], .78. Por fim, dos fatores externos: (a) falantes com mais idade realçaram a hegemonia da HV – [E], .83; [O], .83; (b) falantes mais jovens atenuaram-na – [E], .72; [O], .65; c) indivíduos formados na área da pesquisa tiveram maiores índices de discriminação entre as três variantes na AI – , .89; , .87. Em vista disso, atestou-se, no campo perceptual, uma regra fonológica de HV disparada por vogais baixas em pleno funcionamento no falar de Belém, como já apontavam estudos acústicos (Sousa, 2010; Fagundes, 2015; Souza, 2020). O fenômeno revelou-se produtivo com todas as vogais baixas em sílaba tônica, tanto sobre quanto , contrariando, nesse ponto específico, o sinal acústico (Souza, 2020).Dissertação Acesso aberto (Open Access) Aspectos morfossintáticos e semânticos da causativização em Parkatêjê(Universidade Federal do Pará, 2018-02-27) FERREIRA, Sindy Rayane de Souza; SHIBATANI, Masayoshi; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091Sob a visão do funcionalismo tipológico, o presente trabalho tem por objetivo descrever e analisar aspectos morfossintáticos e semânticos relacionados ao fenômeno de causativização em Parkatêjê (língua indígena da família Jê, tronco Macro-Jê, e pertencente ao Complexo Dialetal Timbira). Da perspectiva morfossintática, a causativização é um processo relacionado ao aumento de valência verbal, isto é, à mudança das funções e relações gramaticais dos argumentos de um verbo. Da perspectiva semântica, consiste em um fenômeno associado à relação de causa e efeito, em que um verbo causativo permite que o sujeito de uma oração aja sobre outro argumento, fazendo com que este realize alguma ação ou mude seu estado. Na língua Parkatêjê, a causativização se manifesta por meio do verbo to, cujo significado primeiro é „fazer‟ e que causativiza verbos intransitivos ativos e estativos. Os verbos transitivos parecem não sofrer causativização. O trabalho fundamenta-se nos postulados teóricos de Givón (1975), Shibatani (1976, 2002), Comrie (1989), Dixon (1994), entre outros. Além de verbo causativo, o elemento „to‟ desempenha outras funções morfossintáticas na língua: verbo lexical básico „fazer‟, verbo auxiliar, parte da raiz de verbos e posposição instrumental. Por este motivo, este trabalho também apresenta alguns aspectos relacionados a cada uma dessas funções. A metodologia utilizada neste trabalho consistiu em pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo com coleta de dados realizada na comunidade da língua em estudo.Tese Acesso aberto (Open Access) Aspectos morfossintáticos em mebengôkre: transitividade e marcação de argumentos(Universidade Federal do Pará, 2021-08-20) GOMES, Edson de Freitas; GALUCIO, Ana Vilacy Moreira; http://lattes.cnpq.br/3697197245602067; https://orcid.org/0000-0003-0168-1904O sujeito marcado canonicamente em Mẽbêngôkre já vem sendo descrito na literatura sobre a língua há alguns anos, no entanto, a descrição do sujeito marcado não-canonicamente ainda é um campo que precisa ser mais explorado e que mostra ser muito produtivo. A temática do sujeito que recebe marcação diferente do padrão canônico é bastante atual e relevante, pois, pode trazer informações novas para o conhecimento da morfossintaxe da língua e contribuir para o maior conhecimento de fenômenos ainda carentes de descrição. O estudo do sujeito não canônico pretende possibilitar a discussão sobre a realização do sujeito Mẽbêngôkre, mas sem perder de vista que ainda falta muito a ser feito para que esta hipótese seja confirmada definitivamente. Partindo desse cenário, esta tese tem o objetivo principal de descrever as formas como o sujeito é marcado em Mẽbêngôkre, com foco nas estratégias principais utilizadas para a marcação de sujeitos canônicos e não-canônicos, em especial o sujeito dativo, marcado pela posposição mã, e o sujeito locativo, marcado pelas posposições kãm, jã e bê. O padrão não-canônico de sujeitos em Mẽbêngôkre será tratado com base nos testes referentes às propriedades de codificação e comportamentais do sujeito propostos por Keenan (1976); Sigurðsson (2004); Eythórsson; Barddal (2005); Barddal; Eythórsson (2009 e 2016), entre outros autores. A análise apresentada baseia-se em dados oriundos de pesquisa de campo, obtidos por meio de gravação com consultores indígenas de aldeias Mẽbêngôkre, localizadas na reserva Gorotire, município de São Félix do Xingu, Sul do estado do Pará. A metodologia é baseada na aplicação de testes sobre as propriedades de codificação como a marcação de caso nominal, a indexação de argumentos no verbo e a ordem dos constituintes na sentença e das propriedades comportamentais como controle do reflexivo, controle e apagamento nas orações coordenadas e subordinadas, e mudança de referência. Os dados mostram que, além do sujeito marcado canonicamente, existe também o sujeito que é marcado formalmente por morfemas que são posposições e os testes morfossintáticos realizados mostram que estes sujeitos são aprovados na maioria dos testes propostos, no caso do sujeito dativo, e em alguns, no caso do sujeito locativo. Um argumento que corrobora a análise dos prefixos indexados em posposições como sujeito é o fato de estes prefixos serem duplicados pelo pronome nominativo, tal qual ocorre com o sujeito marcado canonicamente.Tese Acesso aberto (Open Access) Atitudes e estigma: investigações sobre o status do alteamento da vogal média posterior tônica na variedade marajoara(Universidade Federal do Pará, 2021-08-25) FRANCÊS JUNIOR, Celso; AGUILERA, Vanderci de Andrade; http://lattes.cnpq.br/8323910235303866; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577A presente tese, intitulada: Atitude e estigma: investigações sobre o status do alteamento da vogal média posterior tônica na variedade marajoara objetivou: i) examinar o papel das variáveis sociais sexo, escolaridade e faixa etária na formação das atitudes linguísticas diante de uma variedade desprestigiada e que sofre preconceito; ii) investigar os componentes cognitivo e afetivo, dentro de cada variável social, como elementos modificadores de atitudes, variações e mudanças linguísticas; e, iii) estudar, paralelamente, a recorrência das vogais médias posteriores em sílaba tônica na variedade do português falado na mesorregião do Marajó, como variante avaliada abaixo do nível da consciência do falante. Como complemento à pesquisa de atitude, realizou-se um estudo acústico vogal média posterior em sílaba tônica na variedade do português falado na mesorregião do Marajó, como possível variante alteada e avaliada de acordo com as atitudes linguísticas. Para tanto, foram utilizados os pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista (CARDOSO, 2015; LABOV, 2008; AGUILERA, 2008; CALVET, 2002; MORENO FERNÁNDEZ, 1998; LÓPEZ MORALES, 1989) e da Psicologia Social (BEM, 1973; LAMBERT; LAMBERT, 1972; ROKEACH, 1968; LICKERT, 1932; THURSTONE, 1929). O universo desta pesquisa foi a mesorregião do Marajó, maior arquipélago de ilhas fluviais do mundo, com 16 municípios legalmente reconhecidos, dos quais, as cidades de Breves, Curralinho e Portel foram selecionadas como localidades alvo, pois, compreendem zonas de contato interdialetal. A metodologia deste trabalho contemplou procedimentos utilizados para a coleta, tratamento e análise de dados acústicos e de atitude linguística, a saber: i) instrumentos para a coleta de dados acústicos de produção de fala, a partir do protocolo de entrevista (Questionário Fonético-Fonológico); e, para a coleta de dados e medição de atitude linguística (técnica dos falsos pares), a partir do questionário de atitude; ii) perfil dos participantes da pesquisa, que somam 72 indivíduos estratificados socialmente em sexo, faixa etária e escolaridade; iii) variáveis controladas na descrição acústica (segmentais, prosódicas e sociais); e variáveis controladas na análise de atitude linguística (sexo, faixa etária e escolaridade); iv) tratamentos dos dados. No procedimento de análise, foram realizadas: i) uma caracterização acústica da vogal alvo, a partir dos parâmetros de F1 e F2; e, iii) uma análise das avaliações linguísticas do alteamento da vogal média posterior tônica na variedade marajoara. Os dados acústicos demonstraram ser categórica a ausência do alteamento na variável alvo, pois, na constituição de um espaço acústico que pudesse mostrar o comportamento efetivo do que se imaginava ser uma vogal alta posterior, as ocorrências do segmento [u] apresentaram sua distribuição na mesma região da média posterior [o], com valor médio de F1 em 471 Hz e de F2, 956 Hz. Isso nos leva a afirmar que se trata do mesmo segmento vocálico, a partir dos dados acústicos. O resultado das avaliações subjetivas revelou que falantes nativos dos municípios marajoaras, alvo da pesquisa, manifestaram atitudes positivas quando foram colocados em posição de juízes para julgarem possíveis variedades recorrentes na região marajoara. Essa valoração positiva revela que, embora os participantes não realizassem o alteamento da vogal posterior na tônica, eles avaliaram como uma variante de prestígio. A aceitação e prestígio dado à variante, produto de atitude positiva, estão somados ao sentimento solidário, motivado por emoções, saberes e reações positivas adquiridas no uso de sua variedade ou na de outros sujeitos.Tese Acesso aberto (Open Access) Atlas geossociolinguístico quilombola do Nordeste do Pará (AGQUINPA)(Universidade Federal do Pará, 2017-03-07) DIAS, Marcelo Pires; OLIVEIRA, Marilucia Barros de; http://lattes.cnpq.br/9728768970430501Esta pesquisa tem como objetivo apresentar o Atlas Geossociolinguístico Quilombola do Nordeste do Pará (AGQUINPA). O AGQUINPA é um atlas semântico-lexical que descreve e mapeia a variedade linguística do português afro-brasileiro falado nas comunidades remanescentes de quilombos da Mesorregião Nordeste do Pará por meio do inventário lexical. O atlas apresenta um levantamento histórico e geossociolinguístico das comunidades pesquisadas, cartas linguísticas semântico-lexicais pluridimensionais, além de um banco de dados geossociolinguístico. A Mesorregião Nordeste do Pará foi selecionada como locus da pesquisa, em virtude da alta densidade de comunidades quilombolas reconhecidas e tituladas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Instituto de Terras do Pará (ITERPA) e Fundação Palmares (FCP), e representam 270 das 523 presentes no Estado do Pará. Essas comunidades foram ocupadas por negros escravizados fugidos, em regiões de difícil acesso, com o intuito de evitar a recaptura e, em outros casos, foram antigas propriedades doadas ou cedidas após a desorganização do sistema escravagista na Amazônia, no final do século XIX. As comunidades quilombolas que fazem parte do AGQUINPA estão localizadas nas áreas rurais dos municípios do Nordeste do Estado do Pará (Brasil) e são as seguintes: a) Comunidade do Cacau (Colares/PA); b) Comunidade América (Bragança/PA); c) Comunidade do Rio Acaraqui/Campompema (Abaetetuba/PA); d) Comunidade Taperinha (São Domingos do Capim/PA); e) Comunidade Laranjituba (Moju/PA) e f) Comunidade África (Moju/PA). Essas comunidades têm como principais atividades econômicas o extrativismo e a agricultura de subsistência, além de apresentarem baixa mobilidade social e a maioria dos moradores se autodeclara descendente de negros escravizados. Para a elaboração do atlas, utilizamos o instrumental metodológico da Geografia Linguística e da Geolinguística Pluridimensional, considerando as dimensões diatópica, diassexual (homens e mulheres) e diageracional (Geração I: 18 a 30 anos; Geração II: 50 a 65 anos). A coleta de dados foi realizada entre os anos de 2014 e 2016, por meio da aplicação do Questionário Semânticolexical do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), incluindo-se nele 31 questões de origem etimológica Bantu, para mensurar a difusão (ou não) do léxico de origem africana. Os dados coletados foram transcritos grafematicamente no software de anotação linguística ELAN e, posteriormente, trasladados para o Banco de Dados do AGQUINPA. As cartas foram confeccionadas através da utilização da ferramenta de georreferenciamento e edição de dados georreferenciados Quantum GIS (QGIS), além da ferramenta ColorBrewer para a colorimetria das cartas. O AGQUINPA possui 153 cartas semântico-lexicais, elaboradas a partir da aplicação do Questionário Semântico-lexical (QSL), das quais descreveremos 136, que apresentaram variação não categórica.Tese Acesso aberto (Open Access) Caracterização acústica das vogais médias pretônicas /e/ e /o/ do português falado na Cidade de Cametá/PA(Universidade Federal do Pará, 2021-02-19) SOUSA, Josivane do Carmo Campos; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577A presente Tese de Doutoramento em Linguística tem como objetivo geral fornecer uma descrição acústica das vogais médias pretônicas /e/ e /o/ no português falado na área urbana da Cidade de Cametá/PA. Como objetivos específicos, buscou-se: a) verificar as possíveis influências de fatores sociais como sexo, faixa etária e escolaridade sobre a variação das vogais médias pretônicas; b) verificar se o fenômeno da harmonia vocálica favorece o processo de variação das vogais alvo na variedade de Cametá/PA; c) fornecer o espaço acústico das vogais alvo em análise, conforme os parâmetros de F1 (altura da língua), F2 (anterioridade/posterioridade); d) investigar o papel de F0 (frequência fundamental), F3 (arredondamento dos lábios) e Duração na caracterização acústica das vogais médias pretônicas na variedade estudada. Para tanto, os procedimentos metodológicos adotados foram os estabelecidos por Cruz (2011) na caracterização acústica do sistema vocálico pretônico do português falado na Amazônia Paraense: a) corpus padronizado - sendo 45 vocábulos selecionados com base no contexto de alta variabilidade em estudos sociolinguísticos anteriores; b) amostra estratificada socialmente em sexo, faixa etária e escolaridade; c) coleta de dados por meio do protocolo de leitura de texto em voz alta (Y); d) segmentação dos dados no Praat; e) aplicação do script Praat Analyser Tier para obtenção das medidas acústicas tomadas da parte central das vogais alvo; f) organização dos valores dos parâmetros físicos no Excel; g) tratamento estatístico por meio do programa R. Os resultados apresentados são do tratamento dos 789 dados oriundos do protocolo de coleta de dados por meio da leitura de texto (Y), contemplando os 18 (dezoito) sinais sonoros referentes à amostra. A análise sociolinguística mostrou a predominância das variantes médias, tanto da anterior (75%) quanto da posterior (60%). Depois, as variantes baixas: 15% para a anterior, e 27% para a posterior; e por último, as variantes altas: 10% da anterior, e 13% da posterior. Quanto aos fatores sociais analisados, a escolaridade se mostrou o fator mais interferente na variação das vogais em estudo, pois constatou-se que quanto maior o nível de escolaridade, maior a probabilidade de realização das variantes médias, e menor a probabilidade de variantes altas, confirmando, portanto, que o processo de escolarização no município de Cametá tende ao apagamento das marcas dialetais. A análise acústica, por sua vez, a partir da análise conjunta de F1 e F2, confirma ser o sistema vocálico pretônico cametaense mais compacto e com maior tendência à centralização, como já atestado por Lages (2017) e Verçosa (2018). A harmonia vocálica foi confirmada pelos testes de significância como processo fonológico favorecedor da variação vocálica. No que diz respeito a F0 e F3, estes se confirmam como parâmetros de identidade entre as variantes, justamente por apresentarem frequências muito próximas, permitindo então que se considerem realizações de um mesmo fonema no nível subjacente. A duração, por sua vez, foi considerada mais que um parâmetro distintivo de vogais, pois também pode ser tomada como um parâmetro de identidade entre as variantes das vogais em contexto pretônico.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A contribuição dos estudos discursivos para a gramaática da língua Apurinã (Aruak)(Universidade Federal do Pará, 2016-03-14) BARROS, Laise Maciel; FACUNDES, Sidney da Silva; ttp://lattes.cnpq.br/9502308340482231; https://orcid.org/0000-0002-7460-8620Este trabalho tem por finalidade apresentar um estudo acerca da gramática Apurinã por meio do viés discursivo, ou seja, demonstrar como determinados usos da gramática abarcam a interação entre propriedades semânticas, pragmáticas e morfossintáticas. Os elementos gramaticais envolvidos nesta pesquisa envolvem os pronomes pessoais, as partículas discursivas e a marca morfológica =nhi. Para descrever os fatos relevantes a respeito destes elementos, propomos uma análise descritiva que explique como a morfossintaxe interage com os domínios da semântica e pragmática, uma vez que alguns dos usos dos elementos pesquisados estão diretamente associados a noções discursivo-pragmáticas como empatia, ou intencionalidade do falante, fluxo de informação ou ao ordenamento de eventos no discurso. A pesquisa adota os postulados da linguística tipológico-funcional e abrange aspectos morfossintáticos, semânticos e pragmático-discursivos.Tese Acesso aberto (Open Access) Crenças e atitudes linguísticas de paraenses e cearenses na Região Nordeste do Pará: um estudo sobre o abaixamento das vogais médias pretônicas(Universidade Federal do Pará, 2020-02-21) FERREIRA, Jany Éric Queirós; FERREIRA, Jany Éric Queirós; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577; AGUILERA, Vanderci; http://lattes.cnpq.br/8323910235303866A presente Tese objetivou investigar as crenças e atitudes linguísticas de falantes residentes na Região Nordeste do Estado do Pará (localidades de Santa Maria do Pará, São Miguel do Guamá, Aurora do Pará, Mãe do Rio, Ipixuna do Pará) no que se refere à variação das médias pretônicas, à luz dos princípios teórico-metodológicos da Dialetologia Pluridimensional, da Sociolinguística e o Estudo de Crenças Linguísticas (LAMBERT e LAMBERT, 1972; RADTKE e THUN, 1996; LABOV, 2008; BOTASSINI, 2013; FREITAG e SANTOS, 2016). Justifica-se pela contribuição que trará aos estudos linguísticos da Região Norte, onde há escassez de pesquisas dessa natureza. Espera-se contribuir para a compreensão da variação e mudança linguísticas e, consequentemente, auxiliar no combate ao preconceito linguístico (SILVA e AGUILERA, 2014). Para sua execução, as vogais médias pretônicas foram analisadasa partir da fala de migrantes cearenses e de nativos em cinco pontos de inquéritos, tendo como base da amostra a dimensão diatópica (oito informantes de cada localidade), subdividida em topostática (seis nativos de cada localidade) e topodinâmica (dois migrantes cearenses em cada localidade). A amostra foi estratificada de acordo com as dimensões diassexual (4 do sexo feminino e 4 do sexo masculino) e diageracional (18 a 25 anos e 50 a 65 anos). Os dados foram coletados por entrevistas: as ocorrências da vogais-objeto foram coletadas por meio de leitura, resposta ao questionário e narrativas; os dados de crenças e atitudes foram coletados por meio do questionário quantitativo, com uso da técnica matched guise test, e um questionário qualitativo, bem como do teste de autoavaliação. Todo material coletado foi organizado para transcrição no Praat. Foram constituídos três corpora: um de ocorrências das médias, com controle do abaixamento e não abaixamento; outro das respostas do questionário quantitativo de atitudes e outro para análise qualitativa. Os corpora de dados quantitativos foram codificados em Excel para tratamento estatístico no Goldvarb X. O corpus de dados qualitativos foi categorizado para posterior análises Os resultados apontaram que a realização de [e] e [o] predomina na fala de nativos e migrantes das localidades, seguindo a tendência de outras regiões do Pará (RAZKY, LIMA e OLIVEIRA, 2012; CRUZ, 2012). Para o abaixamento de /e/ e /o/, as vogais abertas, tanto em posição tônica como em posição contígua, e o grau de nasalidade da vogal da sílaba tônica favoreceram o fenômeno, evidenciando a harmonia vocálica como grande impulsionador desse fenômeno. O grau de formalidade não se mostrou significativo à aplicação do abaixamento. Dos fatores sociais, a procedência do informante, um único grupo considerado significante, apresentou favorecimento do fenômeno na fala de migrantes. Sexo e faixa etária não se mostraram significantes probalisticamente, mas em termos percentuais, houve maior ocorrência de abaixamento na fala de mulheres e de jovens. As atitudes subjetivas revelaram que os dialetos cearense, belenense e local gozam de certo prestígio, pois foram avaliados positivamente, com percentuais acima de 70%. Diatopicamente, os resultados divergem apresentando avaliações positivas ora ao dialeto local, ora ao belenense, ora ao cearense. Os migrantes atribuíram mais avaliações positivas aos dialetos que os nativos. Do ponto de vista diassexual, homens preferiram os dialetos locais e cearense, e mulheres, os dialetos locais e belenense. Em relação à diageracional, jovens os dialetos belenenses e local, enquanto adultos preferiam os dialetos local e cearense. A maioria dos informantes não percebeu a diferença entre vogais abertas e fechadas em duas sequências de palavras, entretanto, preferiram e afirmaram falar as sequências de palavras com vogais fechadas. Os dialetos local e belenenses possuem maior estatus social. Os nativos foram mais leais ao seu dialeto do que os migrantes.Tese Acesso aberto (Open Access) Da promoção da cartografia das línguas indígenas na universidade á construção de diretrizes para uma política linguística institucional multilíngue(Universidade Federal do Pará, 2025-02-22) LEITE, Marília Fernanda Pereira; CRAVO, Marilucia de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/9728768970430501; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577O processo histórico de construção das políticas de ingresso e permanência dos estudantes indígenas na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) demonstra o exercício de diálogo existente entre a instituição, os estudantes indígenas e o movimento indígena da região. Em 2023 a Ufopa era a única universidade federal do Estado do Pará que não possuía uma resolução ou documento normativo de Política Linguística, o que nos levou a delinear como objeto de estudo as Políticas Linguísticas Institucionais na perspectiva das línguas indígenas. Nosso objetivo foi contribuir com a redução de pesquisas e dados institucionais quanto à realidade linguística dos estudantes indígenas da instituição. Por essa razão, a presente pesquisa inserese em uma área emergente das Políticas Linguísticas (Calvet, 2007) denominada Política e Planejamento Linguístico para a Ciência e a Educação Superior - PPLICES (Oliveira et al., 2017; Jesus, 2020). Realiza-se aqui um estudo de caso com abordagem etnográfica (Larchert, 2017; André, 2013; Mattos, 2011), a base teórica envolve, principalmente, os estudos sobre Políticas linguísticas educacionais (Maher, 2010; Guimarães, 2020); Direitos linguísticos (Abreu, 2020; Oliveira, 2003; Morello, 2012); Ensino superior indígena (Baniwa, 2019; Vaz Filho, 2010); Interculturalidade (Ponso, 2018; Walsh, 2009; Candau, 2009) e Línguas indígenas brasileiras (D’Angelis, 2012; Meirelles, 2020; Rodrigues, 1994; Rubim, 2016). Os procedimentos metodológicos se deram em quatro etapas: 1ª etapa) mapeamento dos povos e línguas indígenas presentes na Ufopa; 2ª etapa) elaboração do material educativo do curso “A cartografia das línguas indígenas da Ufopa” e dos questionários voltados para a comunidade acadêmica não indígena; 3º etapa) realização do curso e análise dos questionários quanto aos significados atribuídos às línguas e povos indígenas da instituição; 4ª etapa) elaboração de diretrizes quanto às línguas indígenas na política linguística institucional. Na primeira etapa mapearam-se 21 (vinte e um) povos indígenas e 11 (onze) línguas indígenas no corpo discente da instituição. No total, 182 participantes não indígenas responderam os questionários: 158 estudantes (87%), 18 professores (10%) e 6 técnicas (3%). Os resultados do tratamento estatístico apontaram que a comunidade acadêmica desconhece a diversidade étnica e linguística da instituição. Dos estudantes que participaram do estudo: 32% afirmaram não fazer atividades acadêmicas com indígenas e 51% apontaram a necessidade de atividades de acolhimento para melhorar a interação entre indígenas e não indígenas. Dos professores participantes: 78% apontaram que estavam atendendo indígenas com dificuldade em língua portuguesa no semestre e 67% avaliaram como regular a capacidade de apresentação em trabalhos expositivos. Das servidoras técnicas participantes: 50% afirmaram enfrentar dificuldades em se comunicar com estudantes indígenas; todas foram categóricas ao apontar não terem tido treinamento para atender o público indígena e ser a língua o maior desafio da interação com os estudantes indígenas. Nossas análises apontaram que o planejamento do processo de internacionalização da Ufopa, bem como o planejamento linguístico institucional, se promoverem as línguas locais no ambiente acadêmico poderão impactar positivamente no percurso acadêmico dos estudantes indígenas. Para a execução da presente proposta de tese, obtivemos apoio financeiro do Comitê Gestor de Programas Institucionais da Ufopa via Edital Nº 001/2023 do Programa Integrado de Pesquisa, Ensino e Extensão (PEEx/Ufopa).Dissertação Acesso aberto (Open Access) Descrição de orações complexas em Parkatejê: coordenação e switch-reference(Universidade Federal do Pará, 2018-06-21) VIEIRA, Luciana Renata dos Santos; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091A língua indígena Parkatêjê, pertencente ao Tronco Macro-Jê, família Jê e complexo dialetal Timbira, é falada pelo povo Parkatêjê, o qual vive na Reserva Indígena Mãe Maria (RIMM), na cidade de Marabá, no sudeste do Pará. O processo de articulação de orações coordenadas da língua em questão foi descrito inicialmente por Ferreira (2003), que verificou o mecanismo de switch-reference por meio da ocorrência de duas conjunções específicas nã e mã, uma para o sujeito idêntico (SS) e a outra para o sujeito diferente (DS), respectivamente. Esta dissertação descreve a coordenação entre sintagmas nominais e verbais em Parkatêjê e aponta para alguns fatos sobre a referida língua: (1) confirma-se que a língua apresenta switchreference (FERREIRA, 2003); (2) confirma-se que uma forma homófona a mẽ ocorre como conjunção para coordenar sintagmas nominais e nomes em série (FERREIRA, 2003); (3) a ocorrência das conjunções nã/mã relativas ao fenômeno de switch-reference parecem não ser obrigatórias de acordo com a análise dos dados, ou seja, o mecanismo de justaposição (parataxe) também é utilizado pelos falantes. O aporte metodológico para o desenvolvimento dessa pesquisa seguiu etapas como pesquisa bibliográfica; trabalho de campo; transcrição e organização de dados linguísticos e análise/discussão dos dados coletados.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Descrição e análise de propriedades semânticas e morfossintáticas de nomes contáveis nomes massivos em Parkatêjê(Universidade Federal do Pará, 2020-02-28) LIRA, Ingryd Moraes de Moraes; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091; https://orcid.org/0000-0001-9995-1938O presente trabalho tem como objetivo descrever o comportamento de nomes contáveis e nomes massivos em Parkatêjê, língua falada por povos indígenas que vivem em aldeias situadas ao longo da BR-222, no município de Bom Jesus do Tocantins, no estado do Pará. Conforme Rodrigues (1986), trata-se de uma língua pertencente ao Complexo Dialetal Timbira, Família Jê, tronco linguístico Macro-Jê. Muitos estudos demonstram que, na maioria das línguas, temos dois grupos distintos de nomes: contáveis e massivos. De acordo com Paraguassu-Martins e Muller (2007), os primeiros trabalhos na linguística acerca desse assunto foram introduzidos por Jespersen, em 1924. Para ele, contáveis seriam os nomes que transmitem uma ideia de coisa definida, com formato e limites precisos, e massivos aqueles que não apresentam essas características, independentemente de serem concretos ou abstratos. Entretanto, estabelecer conceitos e critérios para distinguir tais nomes ainda representa um grande desafio para os trabalhos de análise e descrição das línguas naturais, considerando que há significativa variação entre as línguas, até mesmo entre aquelas relativamente semelhantes. Para a realização deste estudo em Parkatêjê, foram realizadas coletas de dados com falantes nativos da comunidade indígena. Os procedimentos metodológicos tiveram como base, principalmente, o estudo desenvolvido por Lima (2014) sobre contagem e individuação em Yudja, bem como o questionário elaborado por essa autora juntamente com Rothstein (2016). Os resultados obtidos demonstram que nomes contáveis e massivos apresentam, de fato, aspectos morfossintáticos e semânticos distintos. Constatou-se que expressões de quantidade, em sua maioria, funcionam como propriedades distintivas nessa classe nominal. Nomes contáveis são combinados diretamente com numerais, sem a necessidade de um recipiente de medida. Nomes massivos, por sua vez, são combinados com numerais nas seguintes circunstâncias: 1) quando há a inserção de um recipiente de medida entre o nome e o numeral; e 2) quando não há a inserção de um recipiente de medida, contudo este está subtendido no contexto. Há quantificadores que são usados com todos os nomes, mas há alguns que ocorrem especificamente com nomes contáveis e outros somente com nomes massivos. Observou-se que o comportamento de tais nomes em Parkatêjê confronta a proposta de Chierchia (1998a, 1998b, 2010 apud LIMA, 2014) acerca dos tipos de línguas, tendo em vista que ela apresenta tanto traços de línguas de marcação de número quanto traços das línguas que são numericamente neutras.Tese Acesso aberto (Open Access) Dos campos do Marajó aos campos do discurso: sentidos sobre o trabalho do vaqueiro na tradição e na contemporaneidade(Universidade Federal do Pará, 2021-02-21) POMBO, Délcia Pereira; PESSOA, Fátima Cristina da Costa; http://lattes.cnpq.br/4011084861970140Esta tese aciona as rédeas de um percurso de estudo traçado com o objetivo de investigar os discursos sobre o trabalho do vaqueiro marajoara na tensão entre os sentidos tradicionais e contemporâneos acerca da profissão. Para apreender os efeitos de sentidos das experiências discursivas no contexto do trabalho, tem-se a questão norteadora: Como compreender a tensão inerente aos discursos que implicam a figura do vaqueiro, ainda arraigado às tradições, e do contemporâneo, mais distanciado delas? Nesse propósito, o percurso teórico-analítico se entrelaça ao arcabouço teórico-metodológicos da Análise do Discurso (AD), com base nos postulados de Dominique Maingueneau, focando nos conceitos de dêixis, prática discursiva, cenas da enunciação, simulacro e polêmica, para se pensar em atividades produtivas no universo laboral, em uma construção que é mediada discursivamente. Acrescentam-se a estes aportes, os princípios da Ergologia, com base nos postulados de Yves Schwartz, para pensar a relação entre linguagem e trabalho, na referência feita aos prescritos do trabalho e a atuação do vaqueiro na labuta diária. As narrativas de vida, com base nos postulados de Daniel Bertaux, inserem-se para se pensar no acesso aos discursos sobre o trabalho do vaqueiro, no contar das experiências da lida em um espaço no qual o enunciado adquire sentido. A investigação se deu por meio de entrevistas narrativas, com posterior transcrição, que se constituiu como ponto de articulação entre os fenômenos da linguagem e o trabalho do vaqueiro e como a identidade profissional é construída numa prática discursiva. A opção pela temática justifica-se pela relevância dos estudos acerca da vaqueirice marajoara e contribuir com a discussão em torno de um sujeito discursivo pensado a partir de um lugar. Nesse rumo, o lócus da investigação concentra-se em dez fazendas situadas nos campos no Marajó, município de Soure, com foco na articulação de dois corpora analíticos: as narrativas de vida de 16 vaqueiros marajoaras, distribuídos em 4 categorias de profissionais, sejam eles diaristas, efetivos, feitores e aposentados; e a Lei no 12870/2013, que regulamenta a profissão do vaqueiro. Aprofunda-se, assim, o reconhecimento de um funcionamento interdiscursivo entre os sentidos produzidos no campo jurídico e os sentidos produzidos no campo do trabalho. Nos fundamentos sobre os quais as análises se constituem, as vozes que narram fazem a tessitura de uma rede de relações discursivas implicadas no dizer de si e do trabalho com registro de marcas significativas na produção de sentidos na atividade da vaqueirice historicamente marcada nesta região dos campos do Marajó.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estudo comparativo das posposições no Timbira(Universidade Federal do Pará, 2020-08-24) AYAN, Sheyla da Conceição; FERREIRA, Marília de Nazaré de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4291543797221091; https://orcid.org/0000-0001-9995-1938O presente trabalho tem o objetivo de comparar semelhanças e diferenças na ocorrência das posposições no grupo das variantes dialetais Timbira: Parkatêjê, Canela Apãniekrá, Canela-Krahô e Pykobjê, sob uma visão tipológico-funcional. O complexo dialetal Timbira pertence à família Jê e ao tronco Macro-Jê. As posposições, de acordo com Genetti (2014), são partículas que ocorrem com um sintagma nominal e indicam a relação gramatical, semântica, espacial, temporal ou lógica do sintagma nominal com o outro elemento da cláusula. Os dados utilizados nesse estudo são oriundos de trabalhos descritivos já realizados nessas variantes dialetais, a saber: Ferreira (2003), Alves (2004), Popjes e Popjes (1986), Souza (1989), Miranda (2014), Amado (2004) e Silva (2011). Com base na comparação dos dados, notou-se uma grande semelhança na forma desses elementos, bem como nas funções exercidas por tais posposições. Entretanto, há também algumas diferenças muito relevantes entre elas, como a posposição ‘te’, por exemplo, que foi analisada ora como uma marca de ergatividade, ora como um elemento oblíquo, além da função de genitivo. Esta pesquisa está fundamentada nos postulados teóricos de Genetti (2014), Dixon (2010), Hagège, (2010), Blake (2004), Payne (1997), entre outros. A metodologia empregada neste trabalho consistiu em pesquisa bibliográfica na literatura especializada, comparação dos dados e análise de base tipológico-funcional dos mesmos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estudo comparativo do fenômeno de nasalização em línguas da família Tupi-Guaraní (Tronco Tupi)(Universidade Federal do Pará, 2018-04-26) MIRANDA, Camille Cardoso; PICANÇO, Gessiane Lobato; http://lattes.cnpq.br/8504849027565119Este trabalho objetiva descrever os padrões do fenômeno de nasalização em línguas indígenas da família Tupí-Guaraní, tronco Tupí. Foram analisadas 27 línguas que compõem esta família: Mbyá, Kaiowá, Guaraní-Paraguaio, Guaraní-Antigo, Nhandewa, Tapieté (Ramo I); Sirionó (Ramo II); Nheengatú, Tupinambá (Ramo III), Tembé, Parakanã, Suruí-Tocantins, Avá-Canoeiro, Tapirapé (Ramo IV); Anambé, Araweté, Asuriní do Xingu (Ramo V); Kayabi, Apiaká, Tenharím, Uru-Eu-Uau-Uau (Ramo VI), Kamayurá (Ramo VII), Guajá, Ka'apor, Zo'e, Emerillon e Wayampi, (Ramo VIII). Para averiguação do processo de nasalidade em línguas Tupí-Guaraní utilizamos como pressuposto teórico principal a abordagem tipológica de Walker (1998) para verificar e compreender, a partir de uma hierarquia tipológica de harmonia nasal, segmentos que podem se comportar tanto como gatilhos ou alvos do espalhamento nasal. O estudo também utiliza as considerações de Ohala (1981, 1993) e Cohn (1990, 1993) para examinar o processo de nasalização como efeito fonético e não fonológico. Em relação aos segmentos que são gatilhos, ou seja, aqueles iniciam o processo de nasalidade, foram vistos que consoante nasal (N) e vogal nasal (Ṽ) são fontes de nasalidade predominantes em quase todas as línguas. Contudo, em Suruí-Tocantins, Parakanã, Tembé e Apiaká (Ramo IV e VI), apenas foi verificada nasalidade sendo desencadeada por N, já em Sirionó (Ramo II) e Tapirapé (Ramo IV) a nasalidade é condicionada apenas por Ṽ. Para os segmentos alvos, as línguas foram classificadas em quatro tipos diferentes, conforme a escala implicacional de harmonia nasal de Walker. A língua Sirionó (Ramo II), e as línguas dos Ramos IV e VI tendem a ter vogais sendo predominantemente nasalizadas (tipo 1), enquanto Tupinambá, Nheengatú, Anambé, Araweté e Asuriní do Xingu, Ka'apor and Zo'e (Ramos III, IV e VIII) têm vogais + glides sofrendo a nasalização (tipo 2). A língua Kamayurá pertencente ao Ramo VII exibe vogais + glides + líquidas sendo afetadas pelo processo de nasalidade; o mesmo ocorre com a língua Guajá (Ramo VIII). As línguas do Ramo I (com exceção de Tapieté), Wayampi e Emerillon (Ramo VIII) exibem o tipo (5), em que todos os segmentos são afetados pela harmonia nasal. O estudo também examinou segmentos que são bloqueadores do processo de nasalidade. As línguas que apresentam segmentos bloqueadores (especialmente as obstruintes surdas) são: Tapieté (Ramo I); Tupinambá, Nheengatú (Ramo III); Avá-Canoeiro (Ramo IV); Anambé, Araweté e Asuriní do Xingu (Ramo V); Kayabi, Apiaká (Ramo VI); Kamayurá (Ramo VII); Guajá, Ka'apor e Zo'e (Ramo VIII). Já as outras línguas apresentam obstruintes surdas sendo transparentes ao processo de nasalidade. A direcionalidade do espalhamento é predominantemente regressiva, embora possa ter também o espalhamento progressivo ou bidirecional, esses dois últimos são bastante frequentes em processos morfofonológicos. O domínio da nasalidade é dois tipos: Local, quando é N e a palavra quando é Ṽ. Em suma, o trabalhou compreende-se em diversas etapas que auxiliaram na averiguação do fenômeno de nasalização nas línguas Tupí-Guaraní. A abordagem apresentada neste estudo é tipológica, uma vez que utiliza de métodos translinguísticos para verificar, entre as línguas investigadas, padrões semelhantes e diferentes relacionados ao tema em questão. Assim, a pesquisa realizada nessa dissertação buscou ampliar cada vez mais informações importantes sobre o processo de nasalização nessas línguas. Espera-se que essa pesquisa possa contribuir para análises futuras referentes à tipologia fonológica em línguas indígenas brasileiras.Tese Acesso aberto (Open Access) Estudo de fraseologia do futebol brasileiro das séries B, C e D em jornais digitais populares: construção de um dicionário eletrônico(Universidade Federal do Pará, 2017-03-27) SALVADOR, Carlene Ferreira Nunes; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006Esta pesquisa, de base fraseológica e de cunho quali-quantitativo, apresenta um apanhado de unidades lexicais fixas, as quais se configuram como sequências portadoras das vivências de uma ou mais gerações e funcionam como instrumentos de conduta aptos para serem aplicados no cotidiano. O que caracteriza o fraseologismo é a convencionalidade do agrupamento e a sua memorização como um bloco coeso, sua sequência é recuperada da memória como um todo e reconhecida como uma unidade informacional. Neste sentido, o presente trabalho de doutoramento, tem por objetivo produzir um dicionário fraseológico do futebol, em versão impressa e eletrônica, a partir de um corpus coletado de textos oriundos de jornais populares brasileiros que circulam em formato impresso e digital, em cinco capitais brasileiras: Belém, Goiânia, Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro. Os textos dos jornais que serviram de base para a análise fraseológica são referentes ao recorte temporal de 2008 a 2015, período que compreende um pós-Copa e a realização de duas Copas do Mundo da FIFA, o que leva a crer que há uma propensão natural à produção dessas estruturas, e que leva a verificar o grau de cristalização dessas unidades fraseológicas, tendo a coleta iniciada em 2014 e finalizada em 2016. A Linguística de Corpus forma parte dos procedimentos metodológicos e da abordagem empírica empregada para a compilação e a extração dos dados de acordo com Berber Sardinha (2004) e Tagnin (2005). A fundamentação teórica adotada está circunscrita à taxonomia proposta por M. Gross (1982), G. Gross (1996) e Mejri (1997, 1998, 2002, 2012), Xatara (1994,1998), Ortiz-Alvarez (2000, 2012) e Oto-Vale (2002) para a identificação dos critérios e a análise dos fraseologismos. O software Lexique Pro foi utilizado como ferramenta de organização do dicionário eletrônico. Para uma abordagem específica sobre a fraseologia, foram utilizados os preceitos desenvolvidos por Mejri (1998, 2012), no qual o autor explicita que subjacentes aos comportamentos sintáticos das sequências fixas, estão mecanismos semânticos profundos. Considerados sob esse viés, os estudos na área da Fraseologia não só permitem refletir sobre questões no campo da linguagem, como também contribuem para compreender determinada comunidade por meio do registro e análise das expressões que compõem seu acervo linguístico. Após a compilação dos dados e aplicação dos testes fraseológicos, foram encontrados 1.318 fraseologismos, os quais revelam presença expressiva de fraseologismos nos textos investigados; alguns exemplos bastante emblemáticos podem ser notados: pisar na bola, no sentido de cometer um erro, gol de bicicleta, uma alusão ao gol que é feito com as pernas lançadas ao alto, movimento que imita o pedalar de uma bicicleta e lá onde a coruja dorme, uma referência ao canto esquerdo superior do goleiro. O corpus evidencia, assim, marcas incontestes dessa fraseologia no léxico, razão pela qual se faz necessário investigar essas marcas.Tese Acesso aberto (Open Access) Estudo do léxico da língua Apurinã uma proposta de macro e microestrura para o dicionário Apurinã(Universidade Federal do Pará, 2020-02-28) PADOVANI, Bruna Fernanda Soares de Lima; FACUNDES, Sidney da Silva; http://lattes.cnpq.br/9502308340482231; https://orcid.org/0000-0002-7460-8620Esta tese tem por objetivo descrever e analisar o léxico da língua Apurinã (Aruák), como subsídio para a elaboração de um dicionário geral bilíngue bidirecional Apurinã- Português/Português-Apurinã. Apurinã é uma etnia indígena e uma língua minoritária falada, principalmente, em comunidades espalhadas às margens de vários afluentes do rio Purus, no Sul do Estado do Amazonas. Este trabalho procurou articular objetivos acadêmicos e sociais, em que, de um lado, temos a descrição e a análise do sistema lexical da língua Apurinã e, do outro, a documentação abrangente dessa língua com o intuito de assegurar o seu registro escrito, auxiliando o povo Apurinã nas iniciativas de ensino-aprendizagem e alfabetização da sua língua nativa. Cabe ressaltar que, no caso de Apurinã e de outras línguas indígenas brasileiras, a importância deste último aspecto se avoluma, uma vez que as línguas indígenas se encontram em risco de extinção. Para tanto, esta tese foi organizada em dois volumes. O primeiro volume é composto por quatro partes que, por sua vez, são constituídas por sete capítulos. O segundo volume apresenta o dicionário Apurinã, produto desta tese. Na primeira parte do primeiro volume, intitulada Considerações Iniciais, apresentamos no primeiro capítulo algumas características gerais da língua, cultura, e território Apurinã, bem como o contexto da pesquisa; no segundo capítulo apresentamos os aportes teóricos necessários para a construção desse trabalho; no terceiro capítulo discutimos acerca da construção e organização do corpus utilizado nessa pesquisa. Na segunda parte, denominada Estrutura do Léxico do Apurinã, apresentamos no quarto capítulo uma visão geral dos aspectos fonético-fonológico do Apurinã, onde mostramos o quadro de vogais e consoantes da língua, pontuando as variações que ocorrem em alguns segmentos, discutimos ainda sobre as distintas propostas da ortografia da língua; no quinto capítulo focamos nas categorias lexicais abertas da língua Apurinã, iniciando pela descrição dos nomes, suas subcategorias, discutindo sobre os processos de inovação lexical, variação linguística e o fenômeno do duplo vocabulário; em seguida, tratamos dos verbos e suas subcategorias. No sexto capítulo, tratamos das categorias lexicais fechadas, são elas: pronomes, demonstrativos, palavras interrogativas, partículas e morfemas flutuantes, procuramos descrever suas principais características e funções, bem como a forma como elas foram registradas no material lexicográfico. Na terceira parte, Dicionário Apurinã, constituída apenas pelo sétimo capítulo, debatemos sobre o modo como o dicionário foi organizado e as decisões tomadas em relação à proposta de macro e microestrutura. A quarta parte desta tese, Considerações Finais, é composta pelas conclusões, onde fazemos um apanhado geral do trabalho e dos possíveis desdobramentos que podem ser explorados a partir do dicionário, como, por exemplo, uma versão eletrônica do dicionário, dicionários pedagógicos, glossários de campos específicos da cultura Apurinã e cartilhas temáticas; os apêndices que são formados por pequenos textos coletados exclusivamente para esta pesquisa e os questionários. Finalmente, no segundo volume apresenta-se a proposta do dicionário geral para língua Apurinã.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Estudo geosociolinguístico do português falado em áreas indígenas Galibi-Marworno e Karipuna(Universidade Federal do Pará, 2019-10-28) CARVALHO, Amanda da Costa; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006; https://orcid.org/0000-0001-9250-8917Pretende-se neste trabalho mapear, no nível fonético, o português falado pelos povos Karipuna e pelos Galibi-Marworno, habitantes da Terra Indígena Uaçá, no município de Oiapoque, estado do Amapá, em fronteira com a comuna francesa de Saint-Georges, do Departamento de Ultramar da Guiana Francesa. O objetivo geral desta pesquisa é descrever e analisar a variação fonética encontrada no Português Brasileiro Indígena em contato com a língua Kheuól (Crioulo de base francesa falado pelos indígenas), nas realizações de vogal média pretônica vogal média pretônica [e]; manutenção do ditongo [eɪ], [oʊ] e /R/ em coda silábica na posição interna. Os pressupostos teórico-metodológicos que conduziram esta pesquisa fundamentaram-se na Dialetologia Pluridimensional e Contatual (RADKE; THUN, 1996; THUN, 1998), na Geolinguística (GILLIERON, 1902) e na Geossociolinguística (RAZKY, 1998). Baseando-se nas comunidades estudadas, na Dialetologia Pluridimensional e na Geossociolinguística, as dimensões selecionadas foram a dialingual-diatópica, a topostática, a diassexual/diageracional. Foram selecionados 4 pontos de inquérito: duas comunidades Galibis-Marworno (Kumarumã e Tukay) e duas Karipunas (Manga e Santa Isabel). Preteriram-se quatro colaboradores estratificados socialmente (idade e sexo) em cada localidade: (i) primeira faixa etária, um homem e uma mulher de 18 a 37 anos; (ii) na segunda faixa etária, um homem e uma mulher de 45 a 75 anos. Ao longo da coleta de dados foram aplicados: Questionário Fonético- Fonológico (QFF) adaptado com o total de 164 perguntas, com respostas bilingues; Questionário Sociolinguístico do projeto Atlas Sonoro das Línguas Indígenas Brasileiras (CABRAL et al., 2015). Os resultados sociolinguísticos mostraram que os Galibi-Marworno e os Karipuna são dois povos totalmente distintos, com níveis diferentes de proficiência em KH e PBI. A análise fonética corroborou com trabalhos anteriormente realizados sobre os fenômenos fonéticos identificados, com a exceção da realização do ditongo [eɪ]. Acrescentamos ainda que, os dados referentes às análises sociais dos dados fonéticos não foram significativos para a variação fonética. Esse contexto nos permite propor que o falar regional do PB dos colaboradores não indígenas que habitam áreas próximas às aldeias pesquisadas, é propagado nas áreas indígenas, formando, consequentemente, um contínuo de fala com marcas regionais.Tese Acesso aberto (Open Access) Estudo geossociolinguístico do léxico do Portuguê falado em áreas indígenas de língua Tupi-guarani nos estados do Pará e do Maranhão Tomo I(Universidade Federal do Pará, 2018-08-27) COSTA, Eliane Oliveira da; MEJRI, Salah; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006Por muito tempo a Dialetologia caracterizou-se por sustentar a preocupação exclusivamente com o aspecto diatópico da variação linguística. No entanto, a configuração atual das sociedades modernas fez com que ela aceitasse a importância dos fatores sociolinguísticos e das relações de contato linguístico para a compreensão dos fenômenos linguísticos, passando, a partir desse momento, a considerar outras dimensões em que uma língua natural pode diversificar-se. A presente tese insere-se nessa perspectiva geossociolinguística e/ou pluridimensional e procurou investigar a variação lexical do português falado em áreas indígenas de língua Tupí-Guaraní nos estados do Pará e Maranhão à luz da Dialetologia Pluridimensional e Relacional proposta por Radtke e Thun (1999), Thun (1998, 2000, 2010, 2017), que conjuga a dimensão horizontal (diatópica) à dimensão vertical (diastrática) e dos estudos de Cardoso (2010), Cardoso e Mota (2016) Razky (1998, 2010), Elizaincín (2010), Calvet (2002), Romaine (1996), Chambers e Trudgill (1998), Trudgill (1999) e Berruto (2010). Foram investigadas quatro terras indígenas, a saber: Trocará (etnia Asuriní do Tocantins/PA), Nova Jacundá (etnia Guaraní Mbyá/PA), Sororó (etnia Suruí Aikewára/PA) e Cana Brava (etnia Guajajára/MA), que representam a dimensão diatópica deste estudo. Em cada uma dessas comunidades indígenas buscou-se entrevistar dez colaboradores, considerando-se as dimensões diageracional (5 a 10 anos – Faixa etária C, 18 a 37 anos – Faixa etária A, 47 a 75 anos – Faixa etária B), diagenérica (masculino e feminino) e diastrática (não escolarizados ou escolarizados até a 8ª série (9º ano) e escolarizados a partir do 1º ano do ensino médio). Além das dimensões supracitadas, foi considerada a dimensão dialingual (referente ao contato entre duas ou mais línguas numa comunidade linguística), que é amplamente contemplada pelas seguintes relações de contato linguístico: português/Asuriní do Tocantins, português/Guaraní Mbyá, português/Suruí Aikewára e português/Guajajára. A coleta de dados foi realizada in loco por meio da aplicação do Questionário Semântico-Lexical (QSL) do projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB). Além disso, observou-se a situação de bilinguismo nas comunidades investigadas, com o auxílio do Questionário Sociolinguístico (QS). Os resultados, de modo geral, mostram que o léxico do português falado nas terras indígenas analisadas reflete um contínuo, tanto na área indígena considerada quanto em relação a áreas não indígenas onde as comunidades étnicas estão localizadas. Quando ao bilinguismo, a dimensão diageracional (faixa etária B) é decisiva para a manutenção das línguas indígenas nas comunidades linguísticas investigadas.Tese Acesso aberto (Open Access) Estudo geossociolinguístico do léxico do Português falado pelos Baré, Tukano e Baniwa em São Gabriel da Cachoeira(AM): Tomo I(Universidade Federal do Pará, 2019-08-16) FELIX, Maria Ivanete de Santana; SOLANO, Eliete de Jesus Bararuá; http://lattes.cnpq.br/0729560354405732; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006; https://orcid.org/0000-0001-9250-8917O reconhecimento das diferenças ou das igualdades que a língua de uma comunidade reflete é uma forma de responder aos fatores extralinguísticos inerentes aos falantes, indo além do aspecto espacial, essa é uma concepção atual considerada pela Dialetologia Pluridimensional Relacional; e, a presente tese de doutorado, inserida nesta perspectiva, apresenta como objetivo geral investigar a variação lexical do Português falado pelos índios Baré, Tukano e Baniwa, na Sede do Município São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas (AM), registrando-a em cartas linguísticas com enfoque na identificação das dimensões diatópica, diageracional, diassexual e diastrática. As principais referências teórico-metodológicas que servem como base para o presente estudo são: Thun (1998, 2000); Razky (1996, 2013) e Cardoso (1999), no que diz respeito aos trabalhos dialetológicos e geossociolinguísticos propriamente ditos, e Rodrigues (1963, 1985, 1986); Rodrigues e Cabral (2002); Felix (2002), no que diz respeito às línguas indígenas. O método geolinguístico priorizou o locus da pesquisa para a aplicação, principalmente, de questionários: o primeiro, Questionário Sociolinguístico (QS) do projeto Atlas Sonoro das Línguas Indígenas do Brasil (ASLIB); o segundo, o Questionário metalinguísticos/epilinguísticos; e o terceiro, o Questionário Semântico-Lexical do projeto Atlas Linguístico do Brasil (QSL-ALiB-2001). Foram selecionados três pontos de inquérito, sendo entrevistados oito colaboradores de cada língua das duas faixas etárias, de diferentes sexos e de diferentes graus de escolaridade, totalizando 24 consultantes. Por meio dos dados coletados e tratados, foram selecionados 40 itens lexicais referentes a treze campos semânticos. Considerando-se a análise das quatro dimensões, constatou-se que neste espaço geográfico há uma forte pluralidade lexical para designar um mesmo item lexical, no entanto, não há uma delimitação geográfica restrita à realização das variantes lexicais encontradas entre os pontos de inquérito. Sobre a comparação com os dados dos Atlas: Atlas Linguístico do Amazonas (ALAM), Atlas Linguístico do Sul Amazonense (ALSAM) e Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), a maioria dos dados comparados evidenciam maior aproximação em relação as variantes registradas no ALSAM que, influenciadas por fatores sócio-históricos, apontam para traços lexicais específicos de uma micro área, diferindo-se do Português falado em outras áreas da região amazônica e do Português padrão. Esta pesquisa proporcionará contribuições tanto para os estudos da Geossociolinguística de Razky e da Dialetologia Pluridimensional de Thun, quanto para os Atlas amazônicos ALAM e ALSAM, bem como para o ASLIB e o GeoLinTerm, projetos aos quais este trabalho está vinculado.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A forma verbal TXA da língua Apurinã: um fenômeno de gramaticalização(Universidade Federal do Pará, 2021-05-21) BATISTA, Gabriela de Andrade; FACUNDES, Sidney da Silva; http://lattes.cnpq.br/9502308340482231; https://orcid.org/0000-0002-7460-8620Domínios semânticos como polissemia e homonímia não dão conta de explicar satisfatoriamente determinados comportamentos do verbo txa da língua Apurinã (Aruák), falada por comunidades indígenas que vivem ao longo dos afluentes do Rio Purus no sudeste do estado do Amazonas. Por isso, o processo de gramaticalização torna-se a melhor forma de analisar e descrever a forma em que este verbo se manifesta na língua, em contextos diferentes, com significados distintos e comportamentos sintáticos díspares, mas que, no entanto, apresentam a mesma forma. Acerca do verbo txa Facundes (2000), constatou em sua gramática da língua que este pode funcionar como verbo pleno, pró-verbo, cópula e verbo auxiliar. A hipótese de que esta forma verbal tenha passado ou esteja passando por um processo de gramaticalização advém do pressuposto de que há certa relação semântica entre as diferentes ocorrências do verbo, mas com diferentes comportamentos morfossintáticos associados. Mediante isso, considera-se que na língua está em progresso esse fenômeno de gramaticalização (HEINE, 2001), em que certas formas verbais “fonte” dão origem a significados “alvo”, os últimos mais abstratos, como resultado de um processo de desbotamento semântico. Para a realização desta pesquisa, foi selecionado um corpus composto por 32 textos que fazem parte do banco de dados da língua Apurinã, mais alguns dados coletados com falantes nativos da língua, em um levantamento sistemático das diferentes ocorrências desses verbos, para então analisa-los e descrevê-los, a fim de observar o comportamento do verbo na respectiva língua, com a intenção de verificar a direção das mudanças linguísticas ocorridas, para uma visão mais ampla sobre o fenômeno que ocorre em Apurinã, mais em específico na forma verbal txa.
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