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Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Educação superior em etnodesenvolvimento, movimenos indígenas e agência da diferença étnica em Altamira/PA(Universidade Federal de Sergipe, 2014-12) PARENTE, Francilene de AguiarO presente artigo discute a experiência do acesso de indígenas das etnias Xypaia e Kuruaya da região do Xingu ao curso de graduação em Etnodesenvolvimento, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e possibilita instrumental teórico para as reafirmações identitárias em contexto considerado adverso e homogeneizante, valorizando as relações com os movimentos indígenas locais. A partir de relatos escritos e depoimentos, percebe-se o crescente acesso de povos indígenas ao ensino superior, via políticas afirmativas, notando-se maior número entre mulheres indígenas pertencentes às duas etnias mencionadas, permitindo a reinserção de membros mais jovens em movimentos indígenas organizados, bem como o estímulo destes à luta pelo prestígio de sua identidade, pela agência e reconhecimento de sua etnicidade.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Gênero e surdez: trajetórias de mulheres surdas no município de Igarapé-Miri/PA(Universidade Federal do Pará, 2024-02-28) CASTRO, Mariane Moraes; SOUSA, Rosângela do Socorro Nogueira de; http://lattes.cnpq.br/9922481132027268; https://orcid.org/0000-0003-0429-9700; ANJOS, Hildete Pereira dos; SOUZA, Alexandre Augusto Cals e; http://lattes.cnpq.br/7935566504348919; http://lattes.cnpq.br/2652815221358066; https://orcid.org/0000-0001-9628-9264; https://orcid.org/0000-0002-1424-5055Esta pesquisa investiga o protagonismo de mulheres surdas no contexto educacional, explorando como a educação pode promover sua autonomia e empoderamento, considerando a interseccionalidade de gênero e surdez. Para embasá-la, estabelecem-se como objetivos específicos: (a) analisar desafios enfrentados no sistema educacional, investigando entraves e desigualdades que impactam o acesso à educação de qualidade por parte mulheres surdas; (b) discutir a percepção dessas mulheres surdas acerca de seu papel e protagonismo no contexto educacional, analisando como elas se percebem como agentes de transformação e líderes em suas trajetórias educacionais; e (c) avaliar as experiências educacionais vivenciadas pelas mulheres surdas entrevistadas, tendo em vista as barreiras e os desafios específicos decorrentes das interseções de gênero e surdez, com atenção às suas necessidades e demandas. A pesquisa foi desenvolvida com base em uma abordagem metodológica qualitativa, valendo-se das Narrativas Orais (Thompson, 1992) e da Análise do Discurso Crítica (Melo, 2009; Souza et al., 2022). O arcabouço teórico fundamentou-se nos postulados de autores como Freire (2007, 2019, 2015), Moura (2020), Perlin (2013), entre outros. Por sua vez, as colaboradoras da pesquisa foram mulheres surdas residentes do município de Igarapé-Miri/PA. Como resultado, constatou-se que a educação pode constituir um instrumento de emancipação e resistência para essas mulheres, desde que respeite e valorize sua diversidade e singularidade, mediante a garantia de acesso à educação bilíngue, a qual reconhece a língua de sinais como primeira língua e a língua portuguesa como segunda. Ademais, a educação evidenciou-se como agente promotor de autonomia e empoderamento, essencialmente, em situações que envolvem questões de gênero e raça no contexto local.Tese Acesso aberto (Open Access) Resistências malungas: agências sociopolíticas de mulheres quilombolas em Salvaterra, Arquipélago do Marajó - Pará(Universidade Federal do Pará, 2022-12-16) SOUSA, Maria Páscoa Sarmento de; MARIN, Rosa Elizabeth Acevedo; http://lattes.cnpq.br/0087693866786684; https://orcid.org/0000-0002-7509-3884Novas etnias são uma realidade no Marajó contemporâneo, revelando-se com particular ênfase nas primeiras décadas do século XXI, quando grupos humanos majoritariamente formados por pessoas negras passaram a reivindicar a identidade etnopolítica quilombola neste lugar. Neste trabalho sustentamos a premissa que os aquilombamentos deste século estão imbricados em agências femininas, pois fomos e somos as principais articuladoras de ações no âmbito do movimento quilombola nesta região, desde 1998. Aqui, esforço-me para compreender, através da afrocentricidade e desde a perspectiva antropológica feminista (feminismo afrodiaspórico), as agências sociopolíticas das mulheres em processos de aquilombamentos contemporâneos no município de Salvaterra, na tentativa de localizar o lugar do feminino no campo do político em sociedades étnicas contemporâneas, espaços onde a identidade é um fenômeno eminentemente político e corporificado (corpo-político) e onde as pessoas se apercebem como sujeitas de direitos a partir de confrontações com o Estado, com outras instituições e outros indivíduos. Deste modo, introduzo questões centrais como o deslocamento do ser individualizado para o ser coletivo, próprio à existência e experiência política através de um exercício de escrevivência autoetnográfica que é reflexo de experiências pessoais e coletivas com 21 outras mulheres, co-autoras e agentes da pesquisa, no interior de um movimento étnico situado em um sistema de dominação cujos fundamentos são o racismo, o patriarcado, o machismo, o heterossexismo e o capitalismo. Esta pesquisa filia-se aos Estudos Negros, Estudos Africana ou Africalogia enquanto campo científico que tem por base teórica a Afrocentricidade ou Paradigma Afrocêntrico, um amplo campo de estudos construído pelo trabalho de diversa(o)s intelectuais africanas e africanos situada(o)s em variadas latitudes no globo terrestre e em tempos diversos, desde a África, passando pelas Américas, Caribe até a Europa. Constitui-se como o lugar de enunciação de uma nova maneira de pensar a África e os/as africanos/as no continente e seus descendentes na Diáspora Negra Transatlântica, recentralizando-os/as enquanto agentes da/na História. Esta pesquisa, também, filia-se à teoria crítica feminista e orienta-se desde as proposições teórico-práticas do Feminismo Afrodiaspórico, gestado nos diversos lugares onde mulheres negras e não-brancas situam-se em projetos de subjetivações, insurgências e enunciações frente a sistemas de opressão que interseccionam nossas existências no mundo, com especial enfoque nas interrelações entre gênero, raça/etnia e classe social e localização, vistos não apenas como sistemas hierarquizados de opressão, mas como interseccionalidades que estruturam ‘lugares’ onde as mulheres negras são obrigadas a viver e permanecer. Estas escrevivências autoetnográficas exigiram mergulhar em minhas experiências pessoais enquanto mulher negra quilombola, enquanto quilombola amazônida, enquanto ativista do movimento negro e afrofeminista, mas também implicaram imersão em experiências coletivas compartilhadas com aquelas que são minhas outras manas e manos quilombolas, a fim de buscar compreender nossas agências sociais e políticas nos lugares de pertença. Concluo pela existência de uma agência malunga, significando com isso as maneiras diversas de ação articuladas por nós mulheres quilombolas ao longo de mais de 20 anos de movimento quilombola em Salvaterra, uma agência que é contra colonial, insurgente e desafiadora, mas que se realiza mediada pelos sentidos do Ubunto materializado em solidariedade, partilha, cooperação, enfim permeada por Amor.
