Navegando por Assunto "Bioeconomia"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Análise dos efeitos de algumas atividades do setor da agropecuária ligados à bioeconomia, sobre a economia paraense: uma abordagem de insumo produto(Universidade Federal do Pará, 2024-11-26) MOREIRA, Maria Glaucia Pacheco; FERNANDES, Danilo Araújo; http://lattes.cnpq.br/2839366380149639Este estudo teve como objetivo analisar os efeitos de algumas atividades do setor agropecuário ligadas à bioeconomia sobre a economia paraense, por meio da Matriz Insumo-Produto. Como fontes de informação, foram utilizadas a Tabela de Recursos e Usos do Pará 2017, os microdados do Sistema de Contas Regionais e os dados do Censo Agropecuário. A metodologia empregada seguiu os procedimentos do Sistema de Contas Nacionais, utilizando as tabelas de recursos e usos e a matriz de insumo-produto, aplicando-se o Modelo de Leontief, no entanto, foram necessárias algumas adaptações da metodologia convencional para que fosse possível obter os resultados dentro de uma visão atribuída a uma bioeconomia bioecológica. Para estimar o valor dessa bioeconomia, foi realizada a reorganização da TRU a partir da seleção de algumas atividades e produtos relacionados à bioeconomia. Após a definição das atividades, foram calculados os coeficientes de produto e de atividade para serem utilizados na desagregação da TRU Pará 2017, com o intuito de evidenciar a valoração dessas atividades. Em seguida, foi construída a matriz de Leontief, envolvendo relações intersetoriais do setor, que subsidiaram a análise do grau de integração dessa bioeconomia com os demais setores da economia paraense. Os resultados obtidos mostram que, em 2017, o PIB das atividades selecionadas no estudo atribuídas à bioeconomia foi de R$ 8.363 milhões, correspondendo a 5,4% do PIB paraense (R$ 155.195 milhões). Considerando apenas as atividades atribuídas à bioeconomia, os setores-chave com elevados valores de encadeamento para trás foram: Silvicultura (1,150) e Borrachas (1,055). As atividades que ficaram próximas de uma unidade, ou seja, que se mostram importantes demandantes de outros setores, foram: Pesca (0,957); Aromáticos (0,941); Alimentos (0,932); e Mel de abelha (0,913). Com efeito, para frente, destacam-se as atividades: Açaí (1,007); Leite (1,006); Mandioca (1,001); e Outros produtos da lavoura temporária (1,007). Nos multiplicadores, a Silvicultura apresentou o maior multiplicador de produto (1,41), seguida das atividades de: Borrachas (1,29); Pesca (1,17); e Aromáticos (1,15); e Alimentos (1,14). Entre os multiplicadores de emprego, os destaques são: Silvicultura (1,21); Outros produtos da lavoura temporária (1,10); Borrachas (1,09); e Mel de abelha (1,06). Para os multiplicadores de renda, os maiores índices foram: Silvicultura (3,38); Borrachas (2,20); Pesca e aquicultura (1,66); Aromáticos (1,47); e Alimentos (1,42). Os resultados demonstram a importância da bioeconomia, mesmo considerando apenas alguns aspectos, e fornecem à gestão pública informações e técnicas de mensuração dos impactos de políticas de desenvolvimento sustentável, por meio do fomento à atividade da bioeconomia.Tese Acesso aberto (Open Access) Conservação, biodiversidade e bioeconomia: discursos neoliberais e a “Ecologia da Plantation” da soja na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2022-02-15) NUNES, Adriana; ACEVEDO MARIN, Rosa Elizabeth; http://lattes.cnpq.br/0087693866786684; https://orcid.org/0000-0002-7509-3884Esta tese doutoral estuda e analisa as relações e dispositivos de poder-saber que erigiram na Amazônia uma ideia de conservação dominante, de feição estatal, lastreada na descarbonização dos processos produtivos, de mudança de uso da terra, e na comoditização da floresta, sua biodiversidade e serviços ecossistêmicos. Em tempos de enfrentamento à crise bioclimática, e da própria Amazônia ameaçada de colapso, o mais recente discurso político-científico global preconiza mudanças transformadoras na relação sociedade e natureza, notadamente no modelo econômico global, capazes de solucionar a crise do clima, paralisar a perda da biodiversidade planetária e prover o desenvolvimento sustentável, um Great Reset. O objeto de pesquisa está, por sua vez, centrado nas políticas públicas postas como transformadoras e ao mesmo tempo, conciliadoras do desenvolvimento e da conservação da floresta em uma fronteira da soja na Amazônia e ao mesmo tempo considerada um laboratório de políticas públicas de conservação, de onde emergem novas noções e apropriações do discurso global, a exemplo de “ecologia de aptidões”, “ecoeficiência”, “paisagem eficiente”, e de forma mais abrangente, “restauração da floresta”, “carbono neutro”, “economia de baixo carbono”, “transição sustentável” e “Bioeconomia”. A empiria principal da pesquisa é o “Modelo Municipal de Desenvolvimento e Inteligência Territorial de Paragominas”, no estado do Pará, mais especificamente a conservação das áreas de Reserva Legal (RL) de imóveis rurais particulares. O instrumental teórico da tese é interdisciplinar, combinando conhecimentos das ciências biológicas e os estudos analíticos do poder e discurso, nas ciências humanas. As opções metodológicas reúnem a sobreposição de escalas espaciais, análise bibliográfica e documental, entrevistas semiestruturadas, e, mapeamento das relações e dispositivos de poder-saber postos em nome da conservação, dinamizados entre Estado, empresas, instituições, organizações ONGs, e outros atores. Defende-se na presente tese, que uma nova ordem social global, que não apenas inclui a conservação, mas detém nela a condição de possibilidade para manutenção das práticas neoliberais de dominação do espaço e seus recursos, se encontra em curso. Este novo sentido da conservação, socialmente produzido, oferta soluções técnicas às crises que decorrem de graves problemas políticos como a desigualdade de acesso e uso dos recursos naturais, impondo saberes que promovem o ambientalismo de mercado, e não atuam sobre impulsionadores reais. Ao mesmo tempo, invisibilizam as práticas dos agentes sociais, que por meio de seus modos de vida asseguram a diversidade biológica, social, cultural e econômica, tornando-se dominante sobre as práticas fundamentadas no princípio comum. Concluímos que a Amazônia vem sendo palco de uma conservação impostora, embasada por “tecnociências”, que utiliza da prática de abandono de outras áreas à regeneração para destruir a RL, convertendo a floresta e sua biodiversidade em soja e em outras commodities agropecuárias; expropria e pulveriza comunidades locais da agricultura familiar e prioriza atores e setores associados às commodities de exportação, nas políticas públicas de desenvolvimento e enfrentamento da crise bioclimática. A “ecologia” presente nas “cartografias de aptidão”, “conservação ecoeficiente” e transição/transformação da agricultura sustentável constitui, na realidade, uma “Ecologia da Plantation” da soja, que ultrapassa a região, pois se organiza e beneficia grupos de poder de instâncias, organizações e instituições para além das paisagens certificadas e rastreáveis de Paragominas. Os resultados dos cinco (5) capítulos produzidos constituem um esforço para mostrar por quais processos são organizadas as práticas que transmutam desmatamento, destruição da sociobiodiversidade e concentração de benefícios monetários e não monetários, em grupos de poder, em discursos de conservação.Tese Acesso aberto (Open Access) Consumo, sustentabilidade e origem: segmentação e estratégias para mercados locais de produtos da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2024-02-08) FERREIRA, Mariana Faro; AZEVEDO-RAMOS, Claudia; http://lattes.cnpq.br/1968630321407619A Amazônia tem sido vista como um território de inúmeras possibilidades no contexto da bioeconomia, devido à dimensão e diversidade de seus recursos bioculturais. Entretanto, ainda são pouco discutidos do ponto de vista do consumo, os elementos que podem influenciar o desenvolvimento de mercados locais para produtos derivados das especificidades da região. Com base no arcabouço teórico do marketing e dos estudos de comportamento do consumidor, este estudo teve como objetivo: a) analisar os elementos associados ao conceito de consumo sustentável e os comportamentos de consumo a ele relacionados; b) identificar comportamentos de consumo da população de Belém, Pará, Brasil; e, a partir deles, c) propor estratégias de marketing baseadas na segmentação do mercado, que contribuam para o desenvolvimento de mercados locais para produtos amazônicos. Mediante uma revisão da literatura recente do marketing, baseada na Análise de conteúdo (AC), foram identificados elementos centrais do conceito de consumo sustentável. Destacam-se: o aspecto multidimensional do conceito, correspondendo a aspectos sociais e ambientais, além do econômico; sua forte associação à proposição do Desenvolvimento Sustentável e, consequentemente, sua abrangência, que facilita sua assimilação por diferentes setores enquanto discurso, mas dificulta sua operação no direcionamento de práticas de produção e consumo. Para orientar as práticas, consideramos que definições operativas devem contemplar: a) ênfase nas múltiplas dimensões (social, ambiental e econômica), b) abrangência de produto e processos, c) inclusão dos impactos de produção e consumo e e) indicação dos níveis de ação considerados (se individual, coletivo ou público/governamental). A partir do survey com uma amostra probabilística da população de Belém (PA), identificou-se que os consumidores da capital paraense apontam como seus principais critérios para escolha de shampoos, as funcionalidades, a fragrância, o preço e os ingredientes. No que diz respeito à origem de modo geral e, em específico, à produção local na Amazônia, este não foi um atributo considerado entre os mais importantes por nenhum dos perfis demográficos da população estudada. De acordo com os resultados discutidos, foram propostas estratégias para negócios baseados na Amazônia, envolvendo os quatros níveis do composto de marketing (produto, praça, promoção e preço). As estratégias contemplam elementos para diferenciação pela origem, valendo-se das especificidades da região para o desenvolvimento de produtos e considerando as particularidades de três segmentos de consumidores paraenses. Sinteticamente, sugere-se foco em: a) o desenvolvimento de produtos orientados à demanda local; b) a diferenciação pela origem; c) o incremento da disponibilidade; e d) o posicionamento por qualidade. Em um cenário de crescente interesse sobre a bioeconomia, o desenvolvimento de estratégias de marketing direcionadas ao consumo sustentável de produtos com origem na Amazônia ainda enfrentarão conceituações amplas e desconhecimento sobre o comportamento de consumidores locais, dificuldades que podem ser superadas com foco em atributos do produto, maior informação sobre o consumo e valorização econômica e cultural de sua sociobiodiversidade.Tese Acesso aberto (Open Access) O Desempenho das diretrizes socioeconômicas e ambientais nas compras governamentais das Instituições Federais de Ensino Superior do estado do Pará(Universidade Federal do Pará, 2023-05-11) SILVA, Jayme Nascimento; SANTANA, Antônio Cordeiro de; http://lattes.cnpq.br/2532279040491194; https://orcid.org/0000-0002-4324-9178As Compras Públicas Sustentáveis devem seguir os critérios de sustentabilidade nas aquisições de bens e serviços por parte dos órgãos da Administração Pública Federal, sendo uma importante ferramenta para contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A adoção desses critérios tem o intuito de estimular as boas práticas da Economia Circular como requisito da sustentabilidade ambiental, destacadamente nas organizações públicas. As Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) desempenham um papel primordial no desenvolvimento de pesquisas e ações práticas, especialmente para contribuir com o Desenvolvimento Sustentável. O fundamento teórico está relacionado aos conceitos que levam a compreensão das questões ambientais por meio das ciências econômicas, especialmente baseadas na percepção da lei da termodinâmica e na dinâmica dos ecossistemas naturais, e a influência dessas na política de Compras Públicas Sustentáveis. O objetivo geral da tese é analisar o comportamento das compras governamentais das Instituições Federais de Ensino Superior do estado do Pará em relação às diretrizes socioeconômicas e ambientais, bem como construir um indicador de compras sustentáveis para identificar e qualificar o grau de desempenho das IFES paraenses. A metodologia abrange a aplicação de métodos quantitativos para analisar o conjunto de dados referentes às compras das IFES no período de 2010 a 2021 e, para isso, utilizou-se a extração de dados das licitações para a aplicação de um survey alinhado com a revisão da literatura e aplicação da Análise Fatorial Exploratória e identificar os fatores de benefícios biosocioeconômicos das compras; conhecimento da legislação; governança da cadeia de compras. A pesquisa demonstra que, apesar do conjunto de incentivos nas legislações brasileiras alinhadas com os acordos internacionais para o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, a aplicabilidade a legislação teve alcance restrito em função da baixa disponibilidade de bens sustentáveis e a limitada participação dos servidores públicos nesse processo, cujo engajamento é fundamental para o êxito da política de Compras Públicas Sustentáveis.Dissertação Acesso aberto (Open Access) “A Floresta em pé como nova Commodity global!”: o discurso da bioeconomia enquanto alternativa ao desenvolvimento da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2024-12-16) CARNEIRO JUNIOR, José Airton; GONÇALVES, Marcela Vecchione; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856A proposta de pesquisa terá como objeto analisar o discurso da Bioeconomia do Estado do Pará, representado por políticas específicas, que tem apresentado um novo caminho para o desenvolvimento regional na e da Amazônia. Desde 2016, as políticas ambientais têm sofrido um desmonte, colocando em risco a integridade da floresta amazônica, o que resultou não só na perda de credibilidade do Brasil em cumprir os compromissos ambientais assumidos perante à comunidade internacional, mas também na suspensão dos recursos provenientes do Fundo Amazônia. Desse modo, os entes subnacionais tomaram a dianteira por meio de ações paradiplomáticas com o intuito de sinalizar a comunidade internacional o compromisso com a preservação da Amazônia. O Pará, aproveitou esse cenário, para se colocar como referência em sustentabilidade, promovendo-se como liderança em operacionalizar políticas ambientais e climáticas na Amazônia, por meio da Bioeconomia, como solução para garantir desenvolvimento econômico sustentável. Nesta dissertação, argumentar-se-á que esse discurso de promoção da Bioeconomia, utilizado pelo Estado do Pará, projeta um modelo de desenvolvimento baseado na Bioeconomia como nova vocação econômica da Amazônia, com foco na transformação da própria floresta em commodity. Sob essa perspectiva, a pesquisa partirá da seguinte pergunta: Em que medida o discurso da Bioeconomia praticado pelo Estado do Pará pode constituir um caminho proposto para o desenvolvimento regional da Amazônia Legal? Para o desenvolvimento deste estudo teórico e de cunho exploratório, será empregado como metodologia a análise de discurso e, como técnica de pesquisa, a análise de conteúdo com o auxílio do software NVIVO. Quanto à abordagem, esta será qualitativa, aliada a procedimentos de pesquisa bibliográfica e documental do Plano Estadual de Bioeconomia, do Plano Estadual Amazônia Agora, da Política Estadual de Mudanças Climáticas e em notícias da Agência de Notícias do Estado do Pará, entre 2020 e 2024. O referencial teórico utilizado, parte do conceito de racionalidade neoliberal de Dardot e Laval. Enquanto resultados, com base nos dados empíricos e na literatura, em resposta à pergunta norteadora, foi possível concluir que o discurso da Bioeconomia praticado pelo Estado do Pará, materializado em suas políticas ambientais não pode ser considerado um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, pois reproduz a mesma lógica dos modelos anteriores, condicionando o sucesso do modelo à existência de um produto (floresta em pé), almejado por um mercado que se pauta por valores neoliberais e de lógica carbonocêntrica, não levando em conta capital natural e social da Amazônia Legal.Tese Acesso aberto (Open Access) Os limites naturais do crescimento econômico à luz da economia ecológica: caminhos para uma solução neguentrópica(Universidade Federal do Pará, 2025-08-05) RIBEIRO, Mônica Moraes; FERNANDES, Danilo Araújo; http://lattes.cnpq.br/2839366380149639; COSTA, Francisco de Assis; FOLHES, Ricardo Theophilo; PONTES, Altem Nascimento; CHERMONT, Larissa Steiner; http://lattes.cnpq.br/1820238947667908; http://lattes.cnpq.br/5612208724254738; http://lattes.cnpq.br/5993352890364998; http://lattes.cnpq.br/5447234748261047; https://orcid.org/0000; https://orcid.org/0000; https://orcid.org/0000-0002-9001-4603; https://orcid.org/0000Este estudo objetiva compreender, no contexto do sistema econômico, as formas pelas quais o crescimento econômico impacta o meio ambiente, tanto em termos de extração de recursos materiais e energéticos, quanto da deposição de matéria degradada e de energia dissipada. Isso porque a prática econômica dominante, com sua escala de produção, gera uma série de problemas ambientais que ameaçam a sustentabilidade da vida na Terra. Esses problemas incluem a deterioração dos ecossistemas, a perda da biodiversidade e mudanças no clima. Neste sentido, cabe a indagação: de que forma o crescimento econômico, com seus impactos ambientais decorrentes, vêm sendo tratado pelas teorias econômicas ao longo do tempo; e quais abordagens teóricas poderiam ser identificadas, no estado atual da literatura, no sentido da defesa de uma abordagem teórica inovadora – com possibilidades de soluções neguentrópicas – capaz de dirimir o impasse da relação entre crescimento vs conservação ambiental? Para estas demandas, foi realizada extensa pesquisa bibliográfica no campo interdisciplinar, nas áreas da Economia Aplicada, Economia do Meio Ambiente, Física, Ecologia e Ecologia Política; com enfoque para a obra basilar de Nicholas Georgescu-Roegen (1971), na apreensão de sua crítica ao paradigma econômico dominante, bem como nos autores que representam a visão por ele criticada. No final do século XX, muitos debates divergentes emergiram na esfera acadêmica e no âmbito de formulações de políticas multilaterais globais. Isso resultou na elaboração de dois distintos campos de estudo que investigam a interação entre o processo econômico e os processos ecológicos, que são a Economia Ambiental e a Economia Ecológica. Essas duas correntes constituem pólos antagônicos de um mesmo processo, em que de um lado, na Economia Ambiental, se afirma o potencial de crescimento econômico sustentável de longo prazo, desde que se avance nos processos de internalização dos custos ambientais e substituição dos fatores escassos por fatores e recursos disponíveis; de outro, na Economia Ecológica, firmada nos limites biofísicos do crescimento e na necessidade de uma nova forma de pensar a economia, fundamentada em princípios bioeconômicos, ao propor sua reestruturação com foco na sustentabilidade dos fluxos de matéria e energia. Diante desse impasse e avançando sobre o cenário da emergência climática, dos esforços globais em buscar a conciliação para a questão do crescimento econômico e da conservação dos ecossistemas, propõe-se o debate sobre um modelo conceitual e inovador, que possa conciliar opções de crescimento com gabaritos qualitativos capazes de enquadrar as estratégias de crescimento dentro dos limites biofísicos dos ecossistemas, buscando compatibilizar a conflituosa relação entre crescimento vs conservação ambiental.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O sistema da bioeconomia do açaí no contexto amazônico de Abaetetuba/PA(Universidade Federal do Pará, 2024-09-03) QUEIROZ, Luiz Fernando Paes de; SOBRINHO, Mário Vasconcellos; http://lattes.cnpq.br/7843288526039148; https://orcid.org/0000-0001-6489-219X; FLORES, Maria do Socorro Almeida; http://lattes.cnpq.br/8875436559577793; https://orcid.org/0000-0001-9154-6938O conceito de bioeconomia tem passado por contínuas transformações desde suas primeiras menções, expandindo-se em escopo e aplicação. Para aprofundar o entendimento de suas origens e evolução, esta pesquisa aborda a bioeconomia sob as perspectivas acadêmica, político-institucional e amazônica. Essa base conceitual permitiu identificar os elementos formadores da bioeconomia amazônica e, de forma mais específica, a estrutura da bioeconomia do açaí. Esse produto, essencial na dieta das populações ribeirinhas, tornou-se uma commodity global, impulsionando uma atividade econômica que gera emprego e renda para milhares de famílias na região. O Pará é o maior produtor de açaí no Brasil, e o município de Abaetetuba, foco deste estudo, concentra a terceira maior produção no estado, destacando-se como um importante polo de bens e serviços na região do Baixo Tocantins. No entanto, essa atividade enfrenta desafios políticos-institucionais, econômicos, sociais, tecnológicos e ambientais que envolvem as comunidades tradicionais, as instituições governamentais e os setores empresariais. Neste cenário, o objetivo geral desta pesquisa é demonstrar como a bioeconomia do açaí está constituída no contexto amazônico de Abaetetuba/PA, propondo um modelo sistêmico com os elementos que a compõem. Por meio de revisão bibliográfica, análise documental e entrevistas com atores-chave da cadeia produtiva, foi possível desenvolver um modelo analítico em diagramas, representando tanto o Sistema da Bioeconomia Amazônica quanto o Sistema da Bioeconomia do Açaí. Esses modelos oferecem uma visão integrada das interações entre seus diferentes componentes, permitindo uma compreensão sistêmica dos desafios e das oportunidades presentes. Como resultado, a análise revelou pontos fortes e fragilidades desse sistema complexo, indicando que essa produção não pode ser entendida de forma isolada ou linear, mas sim como parte de um sistema vivo, no qual múltiplos fatores influenciam mutuamente os resultados finais. Além disso, a pesquisa destacou a importância de políticas públicas que incentivem a formalização da cadeia produtiva, o acesso ao crédito, a assistência técnica e a implementação de práticas de manejo sustentável. A partir das problemáticas identificadas ao longo da pesquisa, foram elaboradas propostas contributivas que visam aprimorar as estratégias de governança. Essas propostas alinham-se diretamente com os achados do estudo, atendendo às demandas e lacunas observadas e fortalecendo a articulação entre os diversos atores, processos e atividades envolvidos.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A Tradição da economia do meio ambiente e o pensamento de Nicholas Georgescu-Roegen: perspectivas no debate atual e Influência sobre políticas de bioeconomia(Universidade Federal do Pará, 2024-09-12) SANCHES, Matheus Frasão; FERNANDES, Danilo Araújo; http://lattes.cnpq.br/2839366380149639O presente trabalho investiga a partir de um recorte historiográfico e conceitual a formação do debate sobre os recursos naturais e o meio ambiente na história do pensamento econômico. Neste sentido, analisa-se a interação complexa entre o sistema econômico e a natureza, em seu sentido mais amplo, buscando nortear o aparecimento do conceito de bioeconomia para o debate contemporâneo voltado ao enfrentamento da questão da emergência climática. Para isso, enfatiza a virada de chave historiográfica e o papel desempenhado pela contribuição seminal do economista romeno Georgescu-Roegen para a formação do conceito de bioeconomia nos anos de 1970. Além disso, explora como, a partir desse momento, duas abordagens teóricas distintas emergem para lidar com os desafios impostos pela questão ambiental e que analisam o processo econômico de forma distintas: uma que, seguindo os princípios propostos por Georgescu-Roegen, promove a busca por uma integração mais estreita entre as esferas da teoria econômica da produção e a emergente ciência da ecologia; e outra que, mantendo a inspiração epistemológica ancorada na física da primeira metade do século XIX , busca reincorporar o papel dos recursos naturais e das variáveis ambientais “esquecidas” na análise econômica contemporânea. Por fim, o texto evidencia as divergências teóricas e práticas dessas abordagens, e como estas moldam as diversas concepções contemporâneas de bioeconomia, que hoje influenciam na formulação de políticas públicas voltadas para conciliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental, num cenário de mudanças climáticas ao redor do mundo.Tese Acesso aberto (Open Access) A Valoração socioeconômica e ambiental em sistemas agroflorestais na Amazônia Oriental, Tomé-Açu, Pará, como instrumento de desenvolvimento local e sustentável(Universidade Federal do Pará, 2021-04-16) OLIVEIRA, Gilmara Maureline Teles da Silva de; SANTANA, Antônio Cordeiro de; http://lattes.cnpq.br/2532279040491194; https://orcid.org/0000-0002-4324-9178Na Amazônia, as atividades agrícolas na forma de monocultivos, pecuárias extensivas e exploração florestal sem manejo continuam avançando no desmatamento da floresta. O avanço dessas atividades causam a substituição dos sistemas sustentáveis do extrativismo e inviabilizam a produção em consórcio da agricultura familiar e sistemas agroflorestais, que demonstram maior inclusão social e sustentabilidade ambiental. Os sistemas agroflorestais e silvipastoris apresentam-se como um importante instrumento para o desenvolvimento local sustentável por contribuir para acumular e distribuir riquezas no território, com conservação ambiental e melhoria da qualidade de vida da população. No município de Tomé-Açu, estado do Pará, esses agroecossistemas já estão consolidados como atividade agrícola local, fruto do conhecimento acumulado de mais de 50 anos. Nesta perspectiva, a tese teve como objetivo analisar a contribuição da valoração socioeconômica e ambiental dos serviços ecossistêmicos ofertados pelos SAFs de Tomé-Açu como instrumento para o desenvolvimento local sustentável. Para isto, fez-se necessário evidenciar os valores monetários dos serviços ecossistêmicos gerados pelos SAFs, o seu potencial de conservação dos solos e sua viabilidade bioeconômica de forma a compará-lo com outras atividades agropecuárias. Os dados utilizados na valoração socioeconômica e ambiental foram obtidos por meio de entrevistas com o uso de formulários estruturados e aplicados a uma amostra representativa da população do município. Para a análise de viabilidade bioeconômica, foram realizadas visitas de campo e entrevistas direta no imóvel rural com o produtor para estruturar os orçamentos unitários e fluxos de caixa dos sistemas produtivos, incluindo os custos de oportunidade dos ativos naturais: solo, água e serviços ecossistêmicos. Nas estimativas relacionadas à conservação do solo, utilizou-se o método do custo de reposição dos nutrientes perdidos por erosão com técnicas de geoprocessamento, a partir de amostras de solo coletadas a 20 cm de profundidade nos diversos cultivos e área de floresta do imóvel. Os resultados mostraram que os serviços ecossistêmicos dos SAFs de Tomé-Açu são reconhecidos pela população e foram avaliados por meio da disposição a pagar por sua conservação e a receber pela substituição por outras alternativas, cujos valores foram, respectivamente: R$ 5.011,19.ha-1 e R$ 7.367,24.ha-1. A análise bioeconômica mostrou que os SAFs apresentaram maior retorno socioeconômico e ambiental.A conservação dos solos e a capacidade de retenção de nutrientes foi superior nos SAFs e se aproximou dos resultados encontrados nas áreas de reserva legal. Concluiu-se que, a valoração do ativo natural é um importante instrumento para inserção dos produtores rurais na política de pagamento por serviços ecossistêmicos e contribui para a capitalização desses agentes produtivos locais. Essa capitalização tende a induzir uma trajetória de desenvolvimento local sustentável, uma vez que, são geradas riquezas no território com potencial atração de investimentos em práticas agrícolas mais sustentáveis como os SAFs, que geram maior receita líquida e taxa de retorno bioeconômica, incluem as pessoas das comunidades, mantém a biodiversidade e a conservação ambiental, e melhoram a qualidade de vida da população.
