Navegando por Assunto "Eurípides"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) O conflito entre razão e paixão em Medeia sob a perspectiva da teoria aristotélica das paixões(Universidade Federal do Pará, 2021-09-10) LOPES, Jeam Carlos Andrade; SOUZA, Jovelina Maria Ramos de; http://lattes.cnpq.br/0475424515288539; https://orcid.org/0000-0002-1249-1068O presente trabalho pretende interpretar o conflito entre logos e pathos, na protagonista Medeia, da obra homônima, a partir da teoria aristotélica das paixões. Na Retórica das Paixões, que é parte da obra Retórica, de Aristóteles, a cóle-ra é definida como o desejo de vingar-se que envolve tristeza e desprezo em relação a determinada pessoa. Para Aris-tóteles, o colérico acha agradável pensar que se poderá obter o que deseja, sendo assim, ele tem esperança de a vin-gança dar certo, pois anseia algo possível. Se tomarmos a personagem Medeia, de Eurípides, por um momento, ve-remos que essa definição se encaixa: Jasão sente desprezo por Medeia e ela deseja incansavelmente vingar-se dele, tanto que acha uma solução plausível, ainda que extrema e injustificável – a de matar os próprios filhos – a fim de satisfazer a emoção sentida, a cólera, que de maneira alguma é irracional, ou desumana, tal qual se presumiu por mui-to tempo entre os estudiosos. Por isso, procuramos definir primeiramente por qual definição e corrente teórica nos guiaremos ao analisar a emoção, para podermos, enfim, pontuar que não seguiremos pela interpretação do conflito entre pathos e logos, onde esses dois elementos são explicados em contraposição, como se fossem dois polos opostos e desconexos, em que a emoção é considerada parte irracional, fonte de desejos irrefreáveis e inconscientes, e a razão a parte consciente e controladora das paixões. Uma explicação já muito utilizada no conflito presente em Medeia, par-tindo da leitura da ética aristotélica, e do fenômeno da acrasia, é que a alma da personagem, ao entrar em contradição consigo, exporia a parte apetitiva, do elemento irracional, de um lado, e a racional, de outro lado. Esse aspecto, res-saltamos, não será analisado em nossa pesquisa. Na verdade, ao tentarmos responder à questão que nos inquieta, por mais que ela nos leve a enfocar na capacidade mais específica humana, isto é, a que nos distingue dos demais animais: a atividade racional, que permite ao indivíduo refletir sobre suas vontades e desejos antes de bem agir em sociedade, de modo algum salientamos, ou nos guiaremos, por qualquer autor que coloque as emoções como fontes de irraciona-lidade, porque, afinal, elas podem ser sinalizadores inteligentes de que algo precisa ser alterado no comportamento, tanto daquele que sente a afecção, como naquele que pode ter motivado o surgimento da afecção. Partindo deste en-tendimento, ter-se-á respostas emocionais, que dependerá da personalidade e do caráter do indivíduo. No caso de Medeia, antes do acontecimento do filicídio, seu caráter já pode ser considerado duvidoso, ou ao menos propenso a cometer atrocidades em prol do seu bem-estar: a matança de seus próprios familiares, que é contado em outro materi-al poético, que não o do tragediógrafo. Sendo assim, longe de imputar uma visão anacrônica à obra de Eurípides, ofereceremos, nesse trabalho, uma leitura que tem seu olhar primário na obra aristotélica Retórica, especificamente na parte denominada Retórica das paixões, dado que para seu estudo sobre as emoções, o filósofo resgata elementos do trágico: a vulnerabilidade humana frente a fortuna. Do mesmo modo, trabalharemos com a Ética a Nicômaco com o intuito de mostrar, tendo embasamento em Nussbaum principalmente, que o modo de viver fundamentado na raciona-lidade e no equilíbrio das emoções, pode ser a saída dada por Aristóteles para subtrair ou minimizar o poder da fortu-na na vida do ser humano.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Filosofia e drama em Platão: elementos das Bacantes no Banquete(Universidade Federal do Pará, 2017-07-03) SILVA, Camila de Souza da; SOUZA, Jovelina Maria Ramos de; http://lattes.cnpq.br/0475424515288539É comum falarmos que o discurso filosófico de Platão é apresentado, ao longo de seus diálogos, indiretamente, razão pela qual temos que filtrá-lo ou mesmo abstraí-lo de um quadro dramático complexo que não só o acompanha como lhe dá uma forma toda própria. Esse fato costuma ter como consequência uma duplicidade e até mesmo uma ambiguidade no modo de abordagem da obra do filósofo. Uma dessas abordagens é a que busca nos diálogos, principalmente, o que ele possui de “discurso literário”; a outra, por sua vez, procura corresponder ao que chamam de leitura “puramente analítica” dos textos. Nossa intenção nesta Dissertação é acolher e redimensionar ambas as perspectivas, sem que tenhamos que escolher entre uma e outra dessas formas de leitura, pois a nosso ver a integração das mesmas é um fator essencial para a compreensão do pensamento de Platão. Esperamos, com isso, manter em equilíbrio a relação entre a forma dramática dos diálogos e seu conteúdo filosófico. Apoiados nessa perspectiva, temos por objetivo investigar a relação necessária entre a filosofia e o drama, uma vez que ambas são elementos constitutivos e indissociáveis na obra de Platão. Nossa estratégia para melhor explorar esse tema é propor uma relação entre o Banquete, de Platão (concentrando nossa atenção no famoso diálogo entre Sócrates e Alcibíades) e as Bacantes, de Eurípides (destacando o modo como aí se constrói o personagem Dioniso). O que deve resultar daí é a percepção de que, em ambos os casos, a questão central é a ambivalência da natureza humana, ora regida pelo logos, ora dominada pelas paixões. E a nosso ver, não é apenas o interesse antropológico que une Platão e Eurípides, afinal, a utilização de elementos dramáticos pelo filósofo é uma prova da recepção crítica dos mesmos na construção dos diálogos, o que nos permite contestar aqueles que vêem em sua reflexão sobre a poesia um afastamento que não dá margens a nenhuma conciliação.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O lugar do poeta Eurípides na primeira estética de Nietzsche: tensões e ambiguidades na recepção da Tragédia grega(Universidade Federal do Pará, 2017-05-22) REIS, Ronney Alano Pinto dos; PITTELOUD, Luca Jean; http://lattes.cnpq.br/0887702139830510Em seu primeiro livro, Nietzsche ensejou tocar nos temas mais candentes de seu tempo, entre os quais se encontra o problema da ciência como modelo de apreciação da vida, cujo reflexo mais significativo se expressa na figura do homem teórico – fruto do racionalismo oriundo da metafísica socrático-platônica. Embalado por suas esperanças de renovação das artes germânicas, o filósofo procurou na Grécia uma espécie de contramodelo. Tal empreendimento exigiu todo um estudo a respeito da origem e declínio da arte trágica, no qual Eurípides ocupa um papel de destaque. Assim, buscamos refazer este percurso em torno do “Nascimento da Tragédia” de modo a pensar o poeta, para além do lugar comum (quase sempre ligado a uma cerrada crítica), também como uma possível e importante referência para aquele momento, pondo em evidência as tensões e ambiguidades acerca da interpretação nietzschiana da tragédia. Neste sentido, nossa pesquisa apresenta os deslocamentos teóricos operados pela filosofia trágica do jovem Nietzsche, de maneira a apontar para as bases com que ele lança sua própria proposta estética fundada na metafísica de artista. Na sequência, defendemos que Eurípides ocupa um lugar dentro do projeto nietzschiano de um antiplatonismo. Por fim, analisamos as máscaras ou facetas do tragediógrafo com e para além da crítica de Nietzsche.
