Navegando por Assunto "Extrativismos"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) O acontecimento da comida: memória coletiva sobre produção, preparo e consumo de alimentos no Quilombo Jacarequara, no Nordeste paraense(Universidade Federal do Pará, 2025-07-03) PEIXOTO, Quimera de Moraes; MOTA, Dalva Maria da; http://lattes.cnpq.br/4129724001987611; ZIMMERMANN, Silvia Aparecida; SOUZA, César Augusto Martins de; SANTOS, Raquel Rodrigues dos; http://lattes.cnpq.br/2430257571633286; http://lattes.cnpq.br/3353195442153329; http://lattes.cnpq.br/4077740709764864; https://orcid.org/0000-0003-2318-2743; https://orcid.org/0000-0003-4530-4844Esta dissertação analisa a memória coletiva sobre a produção, o preparo e o consumo de alimentos no território quilombola Jacarequara, localizado no município de Santa Luzia do Pará, na região Nordeste paraense, Amazônia Oriental. O objetivo foi analisar a memória coletiva sobre a produção, preparo e consumo de alimentos no quilombo Jacarequara, em Santa Luzia do Pará no Nordeste Paraense. A metodologia envolveu revisão bibliográfica, análise de estatísticas, a realização de 15 entrevistas abertas com pessoas idosas e 59 entrevistas semiestruturadas com quilombolas de diferentes gêneros e gerações, além de observações de campo realizadas entre 2023 e 2024. Os relatos destacam que, no passado, a maior disponibilidade de terras favorecia uma produção agroextrativista mais diversificada, o que se refletia na variedade e composição das refeições. O preparo dos alimentos era realizado principalmente pelas mulheres, com base nas condições locais, nas chamadas cozinhas estendidas — espaços centrais da casa destinados ao preparo das refeições. Nesses ambientes, utilizavam-se predominantemente utensílios de barro, além de pilões, cuias e cabaças, com o uso limitado de utensílios metálicos. As refeições eram preparadas com grande quantidade de lenha proveniente de galhos de árvores da região. O café da manhã era marcado pelo consumo de mingaus de tubérculos e frutas; o almoço incluía alimentos cultivados nas roças e caças; e o jantar consistia em refeições leves, como caldos e mingaus. No presente, embora a produção voltada ao autoconsumo persista, ela é reduzida, assim como o uso de alimentos tradicionais, devido a dificuldades socioambientais. Mesmo sendo um território titulado, a comunidade enfrenta pressões externas, como o avanço de fazendas e monocultivos, agravadas pela crise climática. A perda de território e a degradação ambiental, registradas na memória coletiva, resultam na diminuição da produção de alimentos e geram riscos de insegurança alimentar, além de transformações na cultura alimentar quilombola.
