O acontecimento da comida: memória coletiva sobre produção, preparo e consumo de alimentos no Quilombo Jacarequara, no Nordeste paraense

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03-07-2025

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PEIXOTO, Quimera de Moraes. O acontecimento da comida: memória coletiva sobre produção, preparo e consumo de alimentos no Quilombo Jacarequara, no Nordeste paraense. Orientadora: Dalva Maria da Mota . 2025. 170 f. Dissertação (Mestrado em Agriculturas Amazônicas) - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: . Acesso em:.

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Esta dissertação analisa a memória coletiva sobre a produção, o preparo e o consumo de alimentos no território quilombola Jacarequara, localizado no município de Santa Luzia do Pará, na região Nordeste paraense, Amazônia Oriental. O objetivo foi analisar a memória coletiva sobre a produção, preparo e consumo de alimentos no quilombo Jacarequara, em Santa Luzia do Pará no Nordeste Paraense. A metodologia envolveu revisão bibliográfica, análise de estatísticas, a realização de 15 entrevistas abertas com pessoas idosas e 59 entrevistas semiestruturadas com quilombolas de diferentes gêneros e gerações, além de observações de campo realizadas entre 2023 e 2024. Os relatos destacam que, no passado, a maior disponibilidade de terras favorecia uma produção agroextrativista mais diversificada, o que se refletia na variedade e composição das refeições. O preparo dos alimentos era realizado principalmente pelas mulheres, com base nas condições locais, nas chamadas cozinhas estendidas — espaços centrais da casa destinados ao preparo das refeições. Nesses ambientes, utilizavam-se predominantemente utensílios de barro, além de pilões, cuias e cabaças, com o uso limitado de utensílios metálicos. As refeições eram preparadas com grande quantidade de lenha proveniente de galhos de árvores da região. O café da manhã era marcado pelo consumo de mingaus de tubérculos e frutas; o almoço incluía alimentos cultivados nas roças e caças; e o jantar consistia em refeições leves, como caldos e mingaus. No presente, embora a produção voltada ao autoconsumo persista, ela é reduzida, assim como o uso de alimentos tradicionais, devido a dificuldades socioambientais. Mesmo sendo um território titulado, a comunidade enfrenta pressões externas, como o avanço de fazendas e monocultivos, agravadas pela crise climática. A perda de território e a degradação ambiental, registradas na memória coletiva, resultam na diminuição da produção de alimentos e geram riscos de insegurança alimentar, além de transformações na cultura alimentar quilombola.

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País

Brasil

Instituição(ões)

Universidade Federal do Pará
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

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UFPA
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