Navegando por Assunto "Narrative"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Artitas visuais e vídeos mapping: narrativas audiovisuais produzindo sentidos na Amazônia paraense(Universidade Federal do Pará, 2021-11-16) BREMGARTNER, Jean Lucas Teixeira; COSTA, Vânia Maria Torres; http://lattes.cnpq.br/7517564393392394Nesta pesquisa, procuramos compreender o uso e o conceito de vídeo mapping para além da sua dimensão técnica, posto que ele pode ser considerado uma nova forma de expressão e interação contemporânea. Paralelamente a isto, nos concentramos na análise das produções e das experiências de quatro artistas visuais locais, que tem como principais características serem oriundos da Amazônia paraense e se expressarem por meio da tecnologia da artemídia. Para isso, foram realizadas entrevistas com cada um deles para que pudéssemos observar como eles entendem suas vivências, como se veem enquanto amazônidas e como suas produções são facilitadoras (ou não) de uma conexão entre arte e comunicação, através da interação gerada entre o artista e a arte por meio das projeções criadas. Neste processo, adentramos no universo do audiovisual buscando entendimento sobre como se dá a conexão entre arte, artista e tecnologia, como ocorre o uso de narrativas neste contexto, e quais narrativas são essas construídas. Como procedimento metodológico, utilizamos entrevistas com artistas visuais a fim de conhecer suas criações e produções de sentidos. Destacamos que o audiovisual que tratamos aqui, o video mapping, é um audiovisual expandido para além das telas do circuito cinematográfico, sendo este uma ferramenta de arte e comunicação que gera conexão com/entre as pessoas, fortalecendo o ambiente cultural, em constante movimento por meio das imagens.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O caso de Klaus Keller: homossexualidades, narrativas populares e morte pela imprensa paraense (Belém-Pará, 1983-1990)(Universidade Federal do Pará, 2024-04-30) BRITO NETO, Pedro Antonio de; CANCELA, Cristina Donza; http://lattes.cnpq.br/8393402118322730Em 1983, na cidade de Belém–PA, a morte de um homossexual conhecido pelo nome de Klaus Keller tomaria as páginas de jornal da imprensa paraense, uma morte que seria revisitada por toda a década de 80. Esta narrativa seria exposta nas páginas dos jornais durante o período da “segunda onda” do movimento homossexual brasileiro e no contexto do processo de redemocratização do Estado Brasileiro, após a Ditadura Civil-Militar (1964– 1985). Disto, ficou observado uma imprensa mais crítica e com julgamentos que condenavam a ação da polícia diante do caso, como também o juízo explícito sobre a sexualidade da vítima. No entanto, em contrapartida, havia uma cobrança e para o caso ser solucionado, a considerar que Klaus era um homossexual de sexualidade explícita e conhecido em Belém. A Província do Pará, O Liberal, e o Diário do Pará foram os principais veículos de imprensa do Pará que redigiram sua história. Para entender essa veiculação, recorri aos conceitos de imprensa popular e/ou sensacionalista, seja para compreender as formas como disseminavam as notícias como o modo que as vendiam. Além disso, notou-se que nessa história poderia haver um debate sobre bio política e necropolítica, a considerar controle estatal e dos micros poderes sobre as identidades sexuais e raças presentes nas narrativas. Dito isso, este trabalho dissertativo, partiu do presente viajando ao passado, e nele encontrou semelhantes fins. Ou seja, as mortes dos homossexuais do presente se revelaram semelhantes às mortes ocorridas no passado. Nesse trabalho com as fontes da imprensa, foi constatado que o discurso pouco se modificou, e os homicídios, igualmente.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O desvelar do processo de criação: a questão da autoria em Um Sopro de Vida, de Clarice Lispector(Universidade Federal do Pará, 2020-12-02) RIBEIRO, Merissa Ferreira; FERRAZ, Antônio Máximo von Sohsten Gomes; http://lattes.cnpq.br/5982898787473373Este trabalho pretende alargar as concepções acerca da autoria na obra de Clarice Lispector, a partir do romance Um Sopro de Vida – o qual nos concede um rico conteúdo para pensarmos as dimensões do autor na obra literária, principalmente pelo fato de nele a questão da autoria ser posta em pauta de modo indubitável, não apenas pela personagem chamada Autor, mas porque, além disso, tal personagem inquieta-se a todo momento com o material de sua narrativa, inquirindo-se a respeito da autonomia e natureza de sua criação, Ângela Pralini. Essa criação (a personagem Ângela) do Autor, na obra, também tem espaço para expor seus pensamentos, suas manifestações e, numa espécie de diálogo indireto, questiona (em sintonia com o seu criador) o fazer artístico. Os elementos da narrativa expostos nesta obra publicada em 1978 abrem-nos, nesse sentido, novas perspectivas sobre as delimitações do autor na obra de arte. A fim de oferecer uma colaboração para a fortuna crítica da autora, o estudo se justifica em razão da vasta crítica que aborda as representações autobiográficas na obra clariceana, as quais apresentam, por vezes, um olhar restrito sobre a questão da autoria. Esta noção, todavia, passa pelos conceitos de literatura confessional e literatura feminina: no primeiro, pelo entendimento de que a obra literária é uma externalização ou projeção das vivências pessoais do escritor, o qual – sob a face de uma personagem – transpõe para narrativa uma autobiografia; na segunda, por evidenciarmos que “confessional” e “feminino” são termos por vezes amalgamados nas críticas literárias. Ao trazer-se para a discussão essas percepções, discutimos ligeiramente a cobrança por uma literatura engajada na obra de Clarice Lispector, posto que esse conceito é um dos critérios para se abordar a qualidade biográfica de determinada obra. Fazemos, para isso, um percurso por obras tidas como confessionais, por outros escritos de Lispector, bem como considerações acerca de sua fortuna crítica. Dessa forma, ancorando-nos em textos que nos deixam entrever o conceito de autor e no que postula Martin Heidegger (2010) sobre a origem da obra artística, buscamos instaurar outras possibilidades para a interpretação da autoria na obra da escritora.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Entre dunas, mangue e mar: narrativas e resistências dos moradores da Ponta da Sofia em Salinas (PA)(Universidade Federal do Pará, 2024-02-28) FERREIRA, Erika Mourão; COSTA, Vânia Maria Torres; http://lattes.cnpq.br/7517564393392394Esta dissertação tem como objetivo principal compreender as interações, narrativas e práticas de resistência dos moradores da comunidade da Ponta da Sofia, em Salinópolis (PA), diante da violação de seu território para a instalação de empreendimentos turísticos. O estudo abordará o cotidiano dessa comunidade, suas produções de sentido sobre história, lugar, preservação do meio ambiente e relações de afeto, explorando as narrativas dos moradores, suas interações e os processos de resistência em suas práticas sociais e culturais. Os procedimentos metodológicos adotados são fundamentados na pesquisa qualitativa, com base na análise de dados por meio de entrevistas (MOTTA, 2013); (GOMES, 2007), amparada na prática etnográfica conforme definido por Rocha e Eckert (2008), e realização de entrevistas. Os principais autores utilizados para embasar a compreensão das narrativas e práticas sociais incluem Ferdinand Tönnies (1973), Martin Buber (1987), Filho e Mendes (2014), Krenak (2021), Medeiros e Ido (2018), Gudynas (2019) e Santos (2023). O resultado desta investigação destaca não apenas as adversidades enfrentadas pelos moradores da Ponta da Sofia, mas também a resiliência e a profundidade de suas conexões, especialmente o cuidado com o meio ambiente, uma vez que compreendem a intrínseca interdependência com o ecossistema que consideram seu lar.Artigo de Evento Acesso aberto (Open Access) Estrada de ferro Belém-Bragança: sujeitos, memórias e narrativas na Amazônia paraense(Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, 2018-06) COSTA, Vânia Maria TorresEste artigo problematiza significações e interações comunicacionais de sujeitos sociais, seguindo-se o percurso da antiga Estrada de Ferro Belém Bragança (EFB), desativada pelo governo militar em 1965. O trem, como meio de comunicação, nos instigar a refletir sobre as relações, aglomerados e cidades que foram surgindo a partir de suas viagens e deslocamentos, assim como os núcleos familiares que se formaram às proximidades da via férrea. As narrativas memoráveis sobre a referida ferrovia nos servirão de mapa simbólico inicial para problematizar as relações entre comunicação, cultura e identidades na Amazônia paraense. Livros, fotos, mapas, blogs e vídeos são pistas para buscar os rastros do trem de Bragança e de seus passageiros por meio de suas narrativas. Percebe-se o modo como tais textos produzem no tempo a totalidade dessa experiência, que atravessou vidas em épocas datadas como acontecimento lembrado em busca da construção de si a partir da memória coletiva.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Histórias de vidas: a vez e a voz dos professores(Universidade Federal do Pará, 2013-04) COSTA, Roseli Araújo Barros; GONÇALVES, Tadeu OliverEste artigo apresenta alguns olhares acerca da história de vida dos professores. Para tanto, procuramos definir a noção de memória e memória coletiva, bem como diferenciá-la de história e narrativa. Ao buscarmos essa definição o texto mostra que a memória é algo vivo e, ao ser contada, passado e presente vão se misturando no presente. As narrativas ajudam-nos a colocar ordem e coerência em nossa experiência e dar sentido aos acontecimentos de nossa vida. A história é a maneira como organizamos e revelamos para o outro aquilo que reconhecemos em nossa memória. O texto indica que é importante lançarmos um olhar sobre as experiências pelas quais os professores passam, com o intuito de conhecer mais sobre sua história de vida. Por meio dessa reflexão podemos encontrar respostas e detectar formas de apoio e entraves para que o desenvolvimento profissional aconteça.Tese Acesso aberto (Open Access) Os moradores de Belém e suas relações com a cidade: tessitura de uma cartografia comunicativa(Universidade Federal do Pará, 2023-04-12) KABUENGE, Nathan Nguangu; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630A presente tese analisou as construções narrativas que os moradores de Belém fazem de si, do outro e de Belém. Considerando as construções imaginárias que se estabelecem entre os moradores da capital paraense, o medo se constitui como um dos tensionamentos na tessitura das narrativas. Na análise, indagou-se: Como a cartografia de Belém permite observar os processos comunicativos de construção de si, do outro e da cidade? A pergunta instigou a buscar saber como os moradores de Belém se percebem numa relação entre o eu e o outro. No contemporâneo, a compreensão dessa relação Eu-Tu se justifica porque tal relação tem-se configurado como calculista, na medida em que faz do outro um Isso, e não o eu exteriorizado determinante no entendimento do agir humano. Como percurso metodológico, elaborou-se uma cartografia comunicativa, com a finalidade de tecer os sentidos atribuídos pelos indivíduos a si mesmos e ao outro, assim como aos espaços por eles vivenciados. A cartografia foi apreendida como relação de poder, tensões e força na negociação de sentidos e no controle do espaço enquanto produto das práticas e relações sociais. Nessa construção, 15 entrevistas narrativas foram realizadas com moradores de 14 bairros de Belém, de janeiro a outubro de 2022. As análises de tais entrevistas tiveram inspirações nas aberturas teórico metodológicas: da narrativa-hermenêutica de Ricoeur, e as explicações sobre o desdobramento das mímesis I, II e III; da cartografia de Deleuze e Guattari; da dimensão ontológica da relação Eu-Tu em Buber; e da dimensão ética da relação face-a-face de Lévinas. A partir das histórias dos interlocutores sobre e de Belém, identificou-se como foi formado um quadro geral, denominado de ―quadro afetivo‖, com ramificações em outros quadros: urbanístico, sociocultural e de segurança. No quadro afetivo, os moradores cartografam a cidade de Belém de forma afetiva e pessoal. Em todos os quadros, emergiram experiências comunicativas categorizadas em três dimensões: a) no centro da cidade – uma forte relação da comunicação enquanto possibilidade ou incomunicação; b) na periferia, a comunicação como diálogo; e c) em Belém como um todo – a comunicação enquanto relação de alteridade. Os resultados da pesquisa apontaram para uma cartografia das relações, dos afetos, das intensidades, dos conflitos, das disputas de sentidos, das resistências, da territorialidade, desterritorialidade e da reterritorialidade, que cotidianamente os moradores de Belém vivem e fazem para tornar a cidade um lugar do possível, pois este mesmo lugar comporta, ao mesmo tempo, o sentir-se seguro e em perigo, em que há riqueza e pobreza. Apesar desses problemas, os moradores de Belém se esforçam, através das manifestações culturais, para vibrarem junto em torno da cidade.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) A Narrativa documental diegética(Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2015) CASTRO, Fábio Fonseca deO artigo discute o ethos da ação interpretativa na realização do filme etnográfico e, a partir dela, a natureza do trabalho com imagens na pesquisa social. Compreendendo essa ação interpretativa como um processo diegético, procura-se refletir sobre a validade do método interpretativo, sobre a relação política que ele mantém com a realidade e com sua própria eficácia. Em termos gerais, o artigo opõe a narrativa diegética à narrativa, por assim dizer, dialética. A primeira reproduz um padrão narrativo hermenêutico, ou melhor, compreensivo e interpretativo. A segunda, por sua vez, está centrada na exigência de uma vigilância epistemológica da imagem, uma exigência da ordem da descrição, necessariamente objetivista.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Narrativas e mídia: discussões e proposta(Universidade Federal do Pará, 2014-12) CAVALCANTI, Larissa de PinhoDesde meados da década de 1960 somos testemunha do interesse científico e da especulação acerca de narrativas, suas estruturas e funções. Distribuídas pela oralidade, pela escrita e pela imagem, eventos narrativos contribuem para o desenvolvimento, legitimação ou rejeição de atitudes e valores em contextos específicos, isto é, ligam o sujeito a sua cultura. Nosso trabalho aborda, em particular, as narrativas visuais produzidas pelos meios de comunicação em massa com o objetivo de definir e caracterizar as narrativas visuais e relacioná-las aos pressupostos de pesquisa da antropologia. Trabalhamos com revisão de literatura e, ao fim, oferecemos um exemplo de análise de seriado televisivo The Night Shift como artefato cultural e a articulação identitária em torno dos eixos ‘soldado’ e ‘médico’. Para tal recorremos, principalmente, a Bamberg (2010), Cihodariu (2012), Hartmann (2004, 2005), Labov (1997), Ochs (2004), Ochs e Capss (1996), Pimenta e Poovaiah (2010) e Travancas (2008).Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Narratividade nas malhas da história, língua e discurso(Universidade Federal do Pará, 2017-09) AMORIM, Thaís Fernandes deO presente estudo busca refletir a narratividade como ação humana, atrelada e intrinsecamente relacionada com o discurso ao longo do tempo, e, por conseguinte, ao longo da história e da literatura. Literatura, história e história da literatura estão de tal forma entrelaçadas que podemos afirmar que historiadores não têm acesso aos eventos passados, mas às narrativas que chegaram até eles, atribuindo-lhes sentido. O historiador da literatura é um narrador que, na composição de uma narrativa, incorpora outros contextos de outras instâncias. As narrativas do século XIX que apresentavam o título de "história da literatura", por exemplo, não apresentavam elementos que hoje vimos pertencentes à "história da narrativa", a saber: o caráter narrativo, os eventos sucedidos num intervalo de tempo e espaço e, sobretudo, a organização desses elementos a fim de que a narrativa ganhe sentido. Para tanto, traremos as contribuições de Wellek e Warren (19--), Pesavento (2003), Culler (1999), Vodicka (1978) e Jauss (1994), dentre outros.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) O papel da narratividade na teoria do direito de Ronald Dworkin: há uma teoria narrativa em “Como o direito se assemelha à literatura”?(Rede Brasileira Direito e Literatura, 2019-12) GUIMARÃES FILHO, Gilberto; MATOS, Saulo Monteiro Martinho deEste estudo busca discutir qual o papel da narratividade na teoria do direito de Ronald Dworkin. Sua pergunta central consiste em saber se a teoria do direito de Dworkin pode ser considerada uma teoria narrativa do direito. Por teoria narrativa, compreende-se toda teoria que parta de uma caracterização heurística de personagens, tramas, gêneros narrativos etc. Seis teses são apresentadas por Dworkin para uma aproximação entre direito e literatura em seu clássico “How law is like literature”: (1) o direito como prática de identificação de proposições jurídicas válidas pode ser melhor compreendido se comparado com a prática da literatura (tese da metodologia sinestésica); (2) a compressão da prática do direito sempre envolve uma dimensão descritiva e valorativa (tese da teoria normativa); (3) todo juízo acerca da arte pressupõe uma teoria acerca do que é a arte (hipótese estética); (4) todo juízo acerca de proposições jurídicas válidas pressupõe a determinação do que é o direito (hipótese política); (5) a hipótese política do direito depende da compreensão da intencionalidade da comunidade política (romance em cadeia); e (6) o romance em cadeia depende da compreensão da história institucional da comunidade política (tese da história institucional). A conclusão do estudo é no sentido de que a teoria do direito de Dworkin precisa ser considerada uma espécie de teoria narrativa e que, ademais, sem tal caráter narrativo, a sua teoria pode ser, equivocadamente, interpretada como uma teoria jusnaturalista, dado que o propósito ou valor do direito passa a ser absoluto.Tese Acesso aberto (Open Access) Relatório de estágio: a formação do professor de língua portuguesa no modo de narrar a aula(Universidade Federal do Pará, 2020-02-12) MORAES, Dione Márcia Alves de; FAIRCHILD, Thomas Massao; http://lattes.cnpq.br/1771292039081039Desenvolvemos uma pesquisa sobre a escrita de relatórios de estágio produzidos na Universidade Federal do Pará (UFPA), campi Marajó-Breves, Belém e Castanhal e a relação do processo de escrita com a produção de conhecimento, problematizando especificamente a forma como se narra a aula. Nos relatórios, o estagiário constrói imagens sobre os acontecimentos da aula por meio da escrita. Nesse estudo, uma das hipóteses que discutimos é que a forma de narrar produza um discurso polifônico (discursos que estruturam o campo do ensino) que indicia pontos de vista aos quais necessariamente se vinculam formas de conhecimento sobre o papel dos sujeitos participantes do estágio, a escola e o ensino. Esses conhecimentos se manifestam pela seleção ou ocultamento de um termo, de uma expressão, pela organização de um enunciado etc. Ao considerarmos que o relatório é um texto predominantemente narrativo, propomos analisá-lo tanto no plano da narração, em que o locutor constrói imagens dessas interações por meio da escrita, quanto no plano da narrativa, em que as interações vivenciadas em sala surgem como objeto do relato. Em ambos, a “ação” é um elemento de destaque. Construímos as noções de plano da narração e plano da narrativa a partir de Todorov (2008); a concepção de discurso polifônico, a partir de Bakhtin (2008), Ducrot (1987) e Authier-Revuz (2004). A concepção de “ação” é construída a partir de Bakhtin/Volochínov (2010) e Geraldi (2013). Enfim, abordamos a maneira como as ações do plano da narrativa são materializadas linguisticamente e sua relação com o estatuto empírico dessas ações embasando-nos em Castilho (1968), Travaglia (2016), Ducrot (1987) e Austin (1990). Nosso objetivo geral consiste em compreender como o relatório, enquanto texto essencialmente narrativo, apresenta indícios do processo de formação do professor e como se caracterizam os conhecimentos incorporados pelo estagiário nesse processo formativo. Para alcançarmos esse objetivo, organizamos em dois momentos as análises das seções de regência de três relatórios. No primeiro momento, a partir do plano da narrativa, discutimos as ações atribuídas aos alunos e aos professores/estagiários, e o relato sobre o conteúdo trabalhado e/ou a metodologia empregada em sala. No segundo momento, a partir do plano da narração, discutimos as formas como os estagiários expõem as ações do plano da narrativa ao produzir o texto em que elas são relatadas. Com o estudo, respondemos a duas questões que levantamos. A primeira, Quando podemos dizer que um relatório nos dá indícios de um processo de produção de conhecimento? Evidenciamos que, ainda que o relatório seja repleto de generalizações e ocultamentos, ele produz conhecimento sobre as concepções de ensino que norteiam o estagiário. A segunda questão, o que pode ser considerado um “bom” relatório?, também foi respondida. Concluímos que um “bom” relatório precisa cumprir pelo menos dois quesitos: uma escrita detalhada e reflexiva; uma escrita que abale os conhecimentos pré-concebidos. O primeiro quesito, escrita detalhada e reflexiva, é importante para que o estagiário possa revisitar seu texto e exceder seus posicionamentos iniciais, refletindo sobre os seus dados a partir das concepções apreendidas durante o curso de graduação. O segundo quesito, uma escrita que abale os conhecimentos pré-concebidos, diz respeito ao fato de que o relatório precisa ser compreendido como uma prática em que o estagiário abale as concepções pré-concebidas, muitas vezes, “arcaicas e autoritárias”, que tem sobre os sujeitos que participam da aula, sobre a escola e o ensino.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Tempo e narrativa: interseções entre filosofia e relato de um certo oriente, de Milton Hatoum(Universidade Federal do Pará, 2019-10-29) JESUS, Stélio Rafael Azevedo de; CASTILO, Luís Heleno Montoril del; http://lattes.cnpq.br/3519128535996125; https://orcid.org/0000-0002-2507-5346Esta dissertação discorre acerca de tempo e narrativa, focando nas interseções entre filosofia Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum. Utiliza a obra Temps et Récits, de Paul Ricoeur, como guia fundamental na análise da díade proposta. Além disso, o caráter fenomenológico do tempo fornece uma chave para um estudo qualitativo da análise do tempo em Relato, ao mesmo tempo um estudo da narrativa, perpassando pela Poética de Aristóteles como elemento importante para o desenvolvimento da noção de tríplice mimese e teoria narrativa, presente na obra teórica em questão. Pensar o fenômeno do tempo e seus aspectos essenciais para a fabulação da escrita é elemento fundamental que resulta na constatação da experiência de escrever a temporalidade. Nesse sentido, a escrita dessa temporalidade em Relato de um certo Oriente refigura a experiência humana no tempo e suas formas de produzir signos e abstrair sentidos, ao transpor ao mundo da linguagem a recriação artística da imagem-tempo.
