Navegando por Assunto "Resistência"
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Tese Acesso aberto (Open Access) A Universidade como território de resistência e conquistas e a atuação do movimento sindical docente da UFPA(Universidade Federal do Pará, 2024-07-08) MOTA, Joselene Ferreira; OLIVEIRA NETO, Adolfo da Costa; http://lattes.cnpq.br/3108272104911953; https://orcid.org/0000-0003-0420-6295; SILVA, Joao Marcio Palheta da; SILVA, Christian Nunes da; QUEIROZ, Zuleide Fernandes de; ALVES, Edivania Santos; http://lattes.cnpq.br/5356047514671129; http://lattes.cnpq.br/4284396736118279; http://lattes.cnpq.br/3003401690552110; http://lattes.cnpq.br/0906438826727019; https://orcid.org/0000-0003-0354-4639; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-3174-4750; https://orcid.org/0000-0001-8996-2174O objetivo do estudo é analisar a atuação do movimento sindical docente da Universidade Federal do Pará (UFPA) nas duas primeiras décadas dos anos 2000, período de conjuntura complexa marcada pelas consequências da reestruturação produtiva do capital que impactou as estruturas educacionais e sindicais, com fins de adequar os trabalhadores ao processo sociometabólico do ideário neoliberal pela incorporação dos preceitos mercantis para vida humana. Parte-se da hipótese que mediante os conflitos de projetos de classes os docentes universitários têm sido levados a incorporarem os preceitos neoliberais que os imputam práticas sociais sintonizadas aos aspectos do individualismo, do produtivismo e da competitividade. O que reflete de forma significativa e determinante na sua atuação político-sindical já que eles ingressaram na universidade em meio à conjuntura complexa da educação superior pública, precarização das condições de trabalho e da desvalorização do magistério, conjuntura que o limitam a compreender processo de contrarreforma da educação superior, seu papel protagonista diante da conjuntura de privatização da universidade pública, de criminalização e cooptação dos sindicatos, e dos limites político-ideológicos impostos aos trabalhadores dos dias atuais. Para o desenvolvimento da pesquisa o método adotado é baseado nas categorias da totalidade, mediação e contradição da teoria social marxiana que deverão ser articuladas às abstrações empíricas do objeto de estudo. O problema da tese é: como se configura o movimento sindical docente da UFPA Universidade Federal do Pará (UFPA) nas duas primeiras décadas dos anos 2000? A coleta de dados se deu pela aplicação de formulário com questões que traçam o perfil da população de docentes da UFPA. E o segundo momento foi realizada entrevista semiestruturada com docentes que ingressaram na universidade a partir de 2007 e que viveram as greves da educação federal até 2016, o roteiro de entrevista apresentou os seguintes eixos temáticos: Concepção de universidade; Função social do professor do ensino superior; de Movimento sindical docente. O resultado aponta que o cenário de conflitos que tratam da política para educação superior adotada no Brasil nas primeiras décadas do século XXI, consolida os preceitos do ideário neoliberal, afetando a atuação político sindical dos docentes da UFPA, uma vez que a maioria dos que responderam ao questionário aplicado afirmou que não possui atuação efetiva nas ações da entidade sindical local – Associação dos Docentes da UFPA - ADUFPA. Dentre os motivos apontados, destacam-se: a) Não conhecem o sindicato e nunca foram abordados para a importância da sindicalização; b) Consideram que sindicato não atende as expectativas das pautas da categoria docente e c) Não concordam com os princípios e a concepção de sindicalismo desenvolvido pela ADUFPA. Nas entrevistas, ficou evidenciado que os docentes estão, de certa maneira, abertos a compor a luta política em defesa do teor público das universidades públicas do Brasil, inclusive por vias do movimento sindical docente. Afinal eles são trabalhadores que junto com os demais trabalhadores vivem intensos ataques aos seus direitos e sua condição de ser trabalhador. E que por isso sofrem investidas para que se tornem empreendedores, flexíveis às demandas imediatistas do mercado. Por fim, constatamos que as sínteses dos docentes entrevistados sobre o sindicalismo docente é reflexo da sua identidade como intelectual que possui a capacidade não só cognitiva para mudança da realidade, mas, sobretudo a capacidade política de objetivar a função da universidade, bem como a atuação dos sindicatos, por esses serem representações abstratas de uma determinada parte da totalidade da sociedade vigente que tenta desmobilizar os trabalhadores, individualizar suas relações, em que da lógica da liberdade é centrada em cada uma por si, e ninguém por todos.Artigo de Evento Acesso aberto (Open Access) Alegorias do sofrimento e da resistência: disposições afetivas da política em imagens fotográficas(Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, 2022-06) LAGE, Leandro RodriguesO objetivo do texto é apresentar as linhas gerais de uma proposta epistemológica e também metodológica no debate em torno das imagens enquanto expressões afetivas da indignação, da convicção e do desejo. Busca-se examinar fotografias dos regimes artístico e fotojornalístico enquanto alegorias do sofrimento e da resistência dos povos amazônicos, com a intenção de discutir como essas imagens agenciam e dão expressão visível e sensível a experiências de sofrimento, a fisionomias do tempo histórico, a sobrevivências do desejo e a subjetivações políticas. A proposta assume o experimentalismo do saber por alegorias, ensaiando a produtividade teórico metodológica da episteme alegórica benjaminiana na legibilidade das imagens e tensionando as formas, correspondências, temporalidades e convenções no exame de imagens que ofereçam uma apreensão da história como anacronia dos sofrimentos e das lutas. O pano de fundo dessa abordagem é o vínculo inextrincável entre imagem e política.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Os amigos da branquinha: entre a repressão e a resistência(Universidade Federal do Pará, 2014-12) MARTINS, Amilcar de SouzaA partir da década de 30, com a emergência de Getúlio Vargas ao poder foi criado um projeto de idealização do trabalhador brasileiro, onde hábitos como o consumo de bebidas deveria ser controlado. No Pará esse projeto de disciplinarização do trabalhador ganhou força na interventoria de Magalhães Barata, que proibiu o consumo e comércio de aguardente, interferindo numa prática comum entre as camadas populares do ParáDissertação Acesso aberto (Open Access) Araguaia em verso e prosa: os poemas da guerrilha veiculados pelo Resistência (o jornal em defesa dos direitos humanos)(Universidade Federal do Pará, 2018-08-30) MELO, Ivania da Silva Pereira de; SARMENTO-PANTOJA, Tânia Maria Pereira; http://lattes.cnpq.br/3707451019100958A guerrilha do Araguaia, movimento revolucionário ocorrido no norte do Brasil durante a primeira metade da década de 1970, ganhou destaque nas páginas do jornal Resistência, tanto em verso como em prosa. Em fevereiro de 1979 o mensário alternativo de Belém do Pará publicou, com exclusividade, oito poemas transcritos do folheto Primeiras Cantigas do Araguaia, assinado por Libério de Campos. Com o propósito de identificar o enquadramento de tais textos na poética de resistência, buscou-se apoio nas aproximações de Alfredo Bosi sobre a resistência como tema e como processo. Por se tratar de produções inseridas em um contexto de militância política, adotou-se uma abordagem fenomenológica. Outras duas verificações, realizadas através dos procedimentos observacional e comparativo, merecem destaque no texto, são elas: a função desempenhada pelo jornal Resistência referente aos direitos humanos; e a semelhança entre a existência do guerrilheiro e a do homo sacer no sentido de “vida nua”, ou seja, aquele que passa à ilegalidade e é obrigado a viver em uma zona de indiferença sob a condição de matável, desprotegido juridicamente e com o corpo exposto à violência extrema, comparação realizada com base nos fundamentos de Giorgio Agamben. Este trabalho apresenta três sondagens que relacionam Literatura, Imprensa e História, sendo estas duas últimas importantes suportes para o desenvolvimento do estudo realizado sobre os “poemas da guerrilha do Araguaia”.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Aspectos resistentes e performáticos nas tragédias medeia, Electra e as Troianas de Eurípedes(Universidade Federal do Pará, 2015-12) PINTO, Rosane Castro; SARMENTO-PANTOJA, Carlos Augusto NascimentoEste artigo propõe um estudo das tragédias Medeia, Electra e as Troianas, de Eurípides, nas quais discutiremos como se dá a performance e a resistência. Deternos-emos em analisar as personagens femininas, os elementos do trágico e de que maneira a narrativa é importante para a compreensão das categorias violência, memória e esquecimento. Para compreendermos as teorias relacionadas à performance, resistência e trauma utilizaremos os textos de autores como Jorge Glusberg (1980) que assegura à performance um relacionamento com o delírio, manifestado através do desejo inconsciente do performer, pois “o discurso resultante é próximo do delírio e, também, da verdade que é sempre delirante” (GLUSBERG, 1980, p.124). Assim como Sarmento-Pantoja o qual afirma que a performance também pode ser considerada como um desempenho construído pelas personagens, “para nós este desempenho pode ser fundamental para compreendermos o que chamamos de performance do sofrimento” (SARMENTOPANTOJA, 2002 p.23). Alfredo Bosi observa que resistir é “opor a força própria à força alheia” (BOSI, 2002, p. 118) no qual compreendemos como oposição de forças que conflitam entre si.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Bem viver vivido, conquistado e almejado: um estudo sobre comunidades tradicionais que lutam por reconhecimento territorial na Baixada Maranhense(Universidade Federal do Pará, 2018-03-29) BRITO, Ciro de Souza; SHIRAISHI NETO, Joaquim; http://lattes.cnpq.br/1945327707689415; PORRO, Noemi Sakiara Miyasaka; http://lattes.cnpq.br/3982338546545478A noção de bem viver emerge inspirada nos conhecimentos emanados de modos de vida de povos indígenas da América Latina, sendo apresentada por acadêmicos e militantes como uma alternativa aos modelos de consecução do Estado, baseados nas propostas hegemônicas de desenvolvimento. Desde sua incorporação no ordenamento constitucional da Bolívia e do Equador, com base nessa noção, elevou-se a natureza à posição de sujeita de direitos, antes ocupada historicamente apenas pelo homem. Nessa noção, aponta-se intrínseca relação entre coletivos de homens e mulheres e a natureza, e indica-se a forte vinculação de povos e comunidades tradicionais com os seus territórios. Neste sentido, esta dissertação buscou analisar a noção do bem viver à luz de um caso de regularização fundiária para povos e comunidades tradicionais no Brasil. Trata-se de reivindicação de regularização como quilombo por comunidades tradicionais do Território Sesmaria do Jardim, na Baixada Maranhense, área de campos naturais que são compostos por terras secas e terras inundáveis inseridas na Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense e considerada um sítio sob Convenção de Ramsar. A investigação se realizou a partir de revisão crítica da literatura à luz de empiria observada e participada por meio de pesquisa-ação junto às comunidades envolvidas e ao órgão fundiário que dá andamento ao processo de regularização fundiária. O trabalho é de cunho jurídico-antropológico, guarda caráter qualitativo e se realizou de julho de 2016 a janeiro de 2018, com trabalho de campo nos povoados e no Instituto de Colonização e Terras do Maranhão. Identificou-se complexa vinculação entre o processo e a forma de regularização fundiária com a noção de bem viver, dada a diversidade de grupos tradicionais em situação de conflito em território comum. Constatou-se que sobre o mesmo território há grupos com concepções distintas de como nele viver, no qual grupos auto-identificados como Quilombolas concebem coletivamente uma noção de bem viver estreitamente fundamentada no uso comum, enquanto outros rejeitam essa noção e suas consequências. Observou-se que esses antagonistas, mesmo aqueles com ancestralidade comum, não compartem com o bem viver fundado no uso comum de determinados componentes da natureza, pois suas práticas e formas de apropriação privada da natureza desqualificam e se incompatibilizam com essa noção. Isso gera conflitos que vêm obrigando as comunidades tradicionais a se mobilizar ante as violações de direitos que vêm passando e a buscar soluções que reconquistem o chamado tempo bom de viver e a garantia do seu direito à terra – terras secas e inundadas – que possibilita sua reprodução física e social. O caso investigado mostrou que o bem viver é construído a partir da articulação de territorialidades específicas, em que concepções e formas de apropriação da natureza divergentes podem ser responsáveis por quebrar a coesão da comunidade e do território, embora as comunidades tradicionais comportem um certo grau de dissenso, que se embasa no direito à diferença. O trabalho de campo mostrou ainda que o bem viver está sendo construído diariamente, por meio de práticas sociais e jurídicas que abarcam a resistência como prática atual e a liberdade como estágio almejado, mas não deixa de ser, no discurso, reivindicado como um futuro melhor. A pesquisa visa problematizar e melhor qualificar quem e em que situação sujeitos têm direitos a ter quais direitos e a eficácia dessa questão. Essa dissertação trata, portanto, de uma leitura e reflexão sobre processos sociais coletivos localizados como alternativas emergentes para a consecução do bem viver vivido, participado e almejado.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Cabanagem e o ensino médio na Amazônia: o desencontro entre a resistência e o currículo(Universidade Federal do Pará, 2024-12-17) GADELHA, Izabel Cristina Pereira; PANTOJA, Ana Renata do Rosario de Lima; http://lattes.cnpq.br/0154885817999880; NASCIMENTO, Afonso Welliton de Sousa; http://lattes.cnpq.br/0305006968020175; SOUZA, Orlando Nobre Bezerra de; PEREIRA, Maria do Socorro Vasconcelos; http://lattes.cnpq.br/8567141884452588; http://lattes.cnpq.br/8464004094228951Este trabalho analisa o desencontro entre o movimento da Cabanagem e o currículo do Ensino Médio em duas escolas públicas de Acará/PA: Escola Deusalina da Cunha e Sousa Carneiro e Escola Felipe Patroni. A pesquisa, de abordagem qualitativa, utilizou revisão bibliográfica, análise documental, entrevistas, observações e questionários, apoiando-se em autores como Raiol (1865, 1970), Ricci (2001, 2006, 2024), Salles (1971, 1992, 2009, 2025), Di Paolo (1985), Pinheiro (2001), Barriga (2024) e Gadelha (2009, 2024). Os resultados indicam que mais de 90% dos estudantes desconhecem a Cabanagem, evidenciando uma lacuna curricular. Embora haja valorização de povos indígenas e quilombolas, a ausência do ensino sobre a Cabanagem nos documentos oficiais compromete a formação histórica local e fragiliza a construção da identidade e do direito à memória dos jovens de Acará.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Capoeira: sobrevivência e resistência na sociedade do capital(Universidade Federal do Pará, 2023-08-14) SILVA, Francisco Márcio Costa da; SILVA, Élido Santiago da; http://lattes.cnpq.br/3584642268601018; https://orcid.org/0000-0003-2545-0860O presente estudo traz no seu escopo apontamentos que delineiam as configurações da Capoeira na atualidade e suas funções na conjuntura social cotidiana. Partindo do princípio de que a Capoeira é uma prática originada na diáspora, como forma de se contrapor a um sistema opressor (ABIB, 2004), e foi consolidada no Brasil ainda no período escravagista (Rego, 1968), a mesma ainda se mantém e possui abrangência nacional e internacional, fazendo-se presente em mais de 150 países nos cinco continentes segundo o último levantamento do IPHAN (2014). Assim, o problema da presente pesquisa é entender como uma prática secular oriunda da época da escravização mantém-se frente ao sistema vigente (o capitalista), que segundo Mészáros (2005), transforma tudo em mercadoria. Nessa busca foram utilizadas como referências deste trabalho: Marx (2007, 2008, 2011, 2013), Mészáros (2005, 2015), Antunes (2009), Vasquez (2011) dentre outros, que forneceram subsídios para compreender como funciona o sistema supracitado. No que tange a Capoeira, foram utilizados os trabalhos de Rego (1968), Brito e Granada (2021), Khol (2014), Araújo (2006, 2008), Campos (2001, 2009), Falcão (2004, 2011), Abib (2004) dentre outros, que delineiam as condições e demais aspectos que Capoeira vivenciou enquanto prática desportiva e cultural, (re)existindo ao tempo e as mudanças estruturais impulsionadas pelo capitalismo. Com o objetivo de entender como a Capoeira mantém-se até a atualidade e quais suas interfaces, foi buscado no âmbito nacional e internacional, pessoas capoeiristas que estão na prática há no mínimo 10 anos e lhes foi-lhes indagado acerca da maneira como a Capoeira faz-se presente em seus respectivos ambientes. Como resultado, verificou-se que houveram inúmeras mudanças nessa prática desde os primórdios, mas foi sua capacidade de se metamorfosear que a permitiu adaptar-se as demandas sociais transformando-se em uma prática plural. Entretanto, foi apontada sua condição enquanto mercadoria como preponderante, sendo esse caminho que garantiu outras possibilidades de sobrevivência frente ao sistema capitalista, sendo o trabalho (tanto no seu sentido formativo quanto no laboral, de subsistência) o pavimento que viabilizou sua longevidade e permanência até a atualidade, ratificando a condição embrionária da Capoeira enquanto resistências as mais diversas situações.Tese Acesso aberto (Open Access) O cinema de luta dos Mêbengôkre-Kayapó: as múltiplas dimensões de resistência nos filmes e práticas de produção do Coletivo Beture(Universidade Federal do Pará, 2024-08-30) GOMES, Angela Nelly dos Santos; LAGE, Leandro Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/2396184188116499; https://orcid.org/0000-0002-6814-9640Esta pesquisa analisa o cinema produzido por cineastas indígenas Mebêngôkre-Kayapó a partir dos filmes e práticas de produção do Coletivo Beture, que reúne cineastas dessa etnia no estado do Pará. O objetivo é compreender de que modo o cinema do Coletivo Beture MebêngôkreKayapó expressa dimensões ou sentidos de resistência a partir de suas obras e práticas de produção fílmicas, em relação com as lutas sociopolíticas ou culturais da etnia. Para compreender como o cinema é apropriado e transformado em aliado nessas lutas, e em quais dimensões isso ocorre ou se expressa, examinamos as obras do Coletivo Beture representativas de sua produção; observamos e analisamos a prática de produção do grupo visando entender como se relacionam aos processos de resistência do povo Mebêngôkre; quais são as motivações e finalidades do fazer cinematográfico e como o Coletivo Beture se apropria das técnicas, tecnologias e linguagem cinematográfica ou audiovisual e as adapta a seus objetivos de acordo com a sua cosmovisão. É uma pesquisa qualitativa desenvolvida através de análise fílmica e pesquisa de campo com entrevistas abertas e participação observante. O aporte teórico é interdisciplinar na medida em que alia aos estudos fílmicos e da imagem a crítica latinoamericana na perspectiva dos estudos decoloniais, assim como conceitos afins aos estudos indígenas advindos da antropologia, sociologia e geografia, que possuem convergência com o tema em análise, a fim de compreender os sentidos de resistência que se expressam, constituem ou que atravessam o cinema Mebêngôkre. A pesquisa destaca a complexidade do cinema Mebêngôkre e do Coletivo Beture, que nasce e se desenvolve de forma imbricada às questões sociopolíticas e culturais da etnia e dos povos originários como um todo. Concluímos que o cinema do Coletivo Beture é um cinema de luta e reexistência, uma prática de resistência multifacetada, pois surge e se expande de forma intrínseca às lutas por direitos em vários sentidos, pela preservação e demarcação de territórios, pela afirmação como produtor de suas imagens, narrativas e memórias, e apresentação de seus modos de ver e estar no mundo. Um cinema que é também operador de mediações na complexa inter-relação étnica e intercultural com a sociedade indígena e não indígena, e com isso transcende a produção de imagens enquanto forma de expressão artística.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Cinema e resistência: a ditadura militar brasileira em Zuzu Angel, de Sergio Rezende(Universidade Federal do Pará, 2015-12) CALEGARI, Lizandro CarlosNos anos compreendidos entre 1964 e 1985, o Brasil viveu a Ditadura Militar, a que se associam imagens de violência extrema. A produção artística desse momento passou a representar tal circunstância histórica, muitas vezes, procurando produzir obras que se colocavam contra a ideologia do poder autoritário em curso. Além de obras literárias e expressões musicais, muitos filmes foram produzidos para “falar” daquela experiência. O propósito deste artigo é arrolar sobre os conceitos de cinema e resistência, buscando verificar como as definições que caracterizam tais vocábulos prestam-se para uma análise da obra Zuzu Angel (2006), do diretor Sergio Rezende. Para o embasamento da proposta, buscou-se respaldo em autores como Walter Benjamin, Alfredo Bosi e Márcio Seligmann-Silva, entre outros.
