Navegando por Assunto "Territoriality"
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Antes a gente tinha um rio, agora a gente tem um lago: a construção do território ribeirinho às margens do reservatório do CHE Belo Monte(Universidade Federal do Pará, 2020-03-27) GRAÇA, Denise da Silva; SANTOS, Sônia Maria Simões Barbosa Magalhães; http://lattes.cnpq.br/2136454393021407A construção de hidrelétricas desencadeia processos de desterritorialização e reterritorialização de comunidades tradicionais. Esta dissertação tem por objetivo analisar a construção do território ribeirinho, isto é, as formas usadas para reconstruir a vida em um ambiente destruído, pós-instalação do CHE Belo Monte. Para isso, foi realizado um estudo de caso na localidade do Palhal, às margens do reservatório principal, no município de Altamira, Pará, por meio de observação participante e entrevistas. As famílias ribeirinhas passaram pelo violento processo de deslocamento compulsório, repleto de violações dos direitos. Assim, as famílias foram buscando formas de denunciar e conseguir a recomposição do seu modo de vida tradicional, movimento que culminou na criação do território ribeirinho. O início de construção do novo território tem sido marcado, principalmente, por novas atribuições de significados ao espaço; pelas atualizações dos conhecimentos tradicionais para se apropriar do novo ambiente; pela reconstrução das redes de parentesco e reciprocidade; e pelo uso de valores morais para a regulação do acesso aos recursos naturais escassos.Tese Acesso aberto (Open Access) As Cadeias de valor alimentar inclusivas e sustentáveis do açaí e do peixe: o caso de Abaetetuba, PA(Universidade Federal do Pará, 2021-01-15) SALGADO, Mayany Soares; SANTANA, Antônio Cordeiro de; http://lattes.cnpq.br/2532279040491194; https://orcid.org/0000-0002-4324-9178As cadeias de valor alimentar inclusivas e sustentáveis do açaí e do peixe são atividades geradoras de renda, de ocupação de mão de obra, de divisas, com as exportações para os mercados brasileiros e internacionais, assim como são fundamentais ao abastecimento do mercado local e são preservadoras dos estoques naturais dos açaizais das várzeas e dos peixes dos rios regionais no território de influência da cidade de Abaetetuba. Em função da importância destes produtos na alimentação funcional, a demanda vem crescendo mais rápido do que a oferta, causando pressões nos estoques desses ativos naturais e gerando externalidades ambientais em todos os elos dessas cadeias. Neste contexto, o objetivo geral da tese foi o de analisar a configuração das cadeias de valor do fruto de açaí e do peixe e a interação entre o extrativismo e o mercado consumidor, tendo em vista os agentes que atuam e que definem a territorialidade camponesa do município de Abaetetuba. A metodologia abrange análises descritivas e interpretativas da revisão bibliográfica e dos dados primários e secundários coletados. A pesquisa de campo, para a coleta de dados primários, contemplou a abordagem qualitativa, com a utilização da técnica de entrevista em profundidade, visando captar as dinâmicas dos camponeses ribeirinhos na sobrevivência, a partir da exploração dos estoques de recursos naturais, e a abordagem quantitativa, a partir da aplicação de questionários, para a análise das informações de mercado, via especificação das demandas dos consumidores por açaí e por peixe. A amostra representativa incluiu 342 entrevistados, com nível de confiança de 95% e com erro amostral de 5,4%. Os resultados demonstraram a falta de comprometimento dos agentes que operam nos elos de processamento e de comercialização dos produtos com a preservação da várzea abaetetubense, em função de não conhecerem e de não vivenciarem as dinâmicas e as necessidades de preservação dos ecossistemas naturais das várzeas e de visarem apenas o resultado econômico de curto prazo. Os consumidores de peixe e de açaí do extrativismo das ilhas de Abaetetuba estão dispostos a pagar valores de R$ 58,20 e de R$ 98,74 por família, por mês, para manter a preservação dos estoques naturais de açaí e de peixe, com vistas a assegurar o abastecimento do mercado e a proporcionar às famílias o padrão de consumo de alimentos saudáveis de 43,12 l de açaí e de 30,27 kg de peixe, respectivamente. Conclui-se que a territorialidade ribeirinha, composta por camponeses e por intermediários locais, mostrou uma elevada concepção sobre a importância do meio ambiente, relacionado a sua existência na várzea, a partir da prática da pesca e do extrativismo do açaí realizadas com uso de técnicas de bases sustentáveis e pela unidade familiar, que proporcionou maior abrangência da inclusão desse elo na cadeia. A principal contribuição desta tese foi mostrar a configuração interligada das dimensões econômica, social e ambiental das cadeias de açaí e de peixe, a partir de resultados significativos, para potencializar o desenvolvimento local, a partir do estímulo à organização social e da integração vertical da produção dos camponeses ribeirinhos com a agroindústria de alimentos funcionais no território de Abaetetuba.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Guitarra e tambor: territorialidade e expressões do carimbó em Belém-PA(Universidade Federal do Pará, 2021-03-01) BENITEZ, Bruno Daniel das Neves; TAVARES, Maria Goretti da Costa; http://lattes.cnpq.br/7796891525258446Este trabalho busca discutir de que forma se manifesta hoje a territorialidade do Carimbó na cidade de Belém-PA, abordando seus espaços de atuação, a influência do meio urbano e a produção de símbolos que caracterizam este ritmo musical como elemento integrante da identidade regional e como patrimônio cultural. O foco da pesquisa consiste em discutir os processos e as formas como o Carimbó expressa sua territorialidade em Belém, analisando como o conteúdo simbólico desta cultura contribui para formação de uma identidade regional, expressada em locais de convivência onde o Carimbó se faz presente na cidade. Abordaremos também a relação com o meio urbano, os diferentes usos do Carimbó, influências externas e o processo de patrimonialização do ritmo.A pesquisa fez uso dos seguintes procedimentos metodológicos: a) revisão bibliográfica de temas relacionados à cultura popular, geografia cultural e geografia urbana, buscando discutir a presença da cultura popular no meio urbano e suas formas de atuação; b) revisão bibliográfica de conceitos e temas como território, territorialidade, identidade cultural, patrimônio cultural e produção simbólica; c) revisão bibliográfica e documental relacionada com o Carimbó; d) Entrevistas semiestruturadas ocorridas durante os trabalhos de campo, realizadas com os seguintes agentes selecionados para a pesquisa: músicos, dançarinos, luthiers, e empreendedores que fazem uso do Carimbó f) observação de campo e registro fotográfico dos locais de atuação do Carimbó em Belém e eventos relacionados a esta manifestação cultural; g) análise e sistematização das informações e resultados obtidos e redação da dissertação. Como resultado percebemos que o Carimbó em Belém hoje manifesta uma territorialidade móvel, apoiada na atuação de espaços culturais e grupos coletivos que atuam diretamente com a cultura popular. Contextos como a ressignificação da música regional ocorrida nos anos 1990 em Belém, e o processo de patrimonialização do Carimbó contribuíram para o cenário atual de valorização do Carimbó em Belém, foco desta pesquisa.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Na “beira” do cais, o centro englobador em risco: perspectivas e possibilidade de reordenamento da orla de Abaetetuba/PA(Universidade Federal do Pará, 2022-05-30) SILVA, Dalgisa da Conceição Araújo da; SOUZA, Alexandre Augusto Cals e; http://lattes.cnpq.br/2652815221358066; https://orcid.org/0000-0002-1424-5055Este trabalho propõe-se a analisar o processo de transformação que vem se desenhando ao longo na orla fluvial urbana do município de Abaetetuba/PA, ocupações em paisagem amazônicas, em áreas afetadas por curso de marés e matas ciliares em áreas que deveriam ser de proteção. Essas ocupações vão-se constituindo em áreas de vulnerabilidades, onde os riscos, estão presentes nas moradias construídas em áreas de cursos d’água, em áreas de solo erosivo, de forma inadequada e sem infraestrutura de proteção, fato que culminou em desastre ocorrido em 2014 no bairro São João: um colapso de aterro destruiu 13 (treze) casas e, como consequência, 51 (cinquenta e uma) famílias foram afetadas pelo desastre. De forma similar, esse processo de ocupação afetou também outras áreas da orla fluvial, principalmente a orla comercial, a qual chamo aqui de centro englobador, por se tratar de uma local de bairro histórico com potencial econômico e cultural, onde está localizada uma das maiores feiras a céu aberto da região. Este sinistro acompanhei trabalhando na Coordenadoria Municipal da Defesa Civil, e pude ver de perto o sofrimento das pessoas que tiveram perdas de toda a natureza, e que não puderem mais retornar para suas casas. Esse fato me motivou a questionar em como reordenar as áreas de riscos em espaços urbanos já consolidados, de maneira a evitar que novos desastres aconteçam. O cenário de risco acontece em Abaetetuba, em áreas de diferentes usos e ocupações do solo, áreas vulnerabilidade social, fragilidade ambiental, fluxo comercial, concentração de equipamentos urbanos e área de memória histórica. Desta forma analiso o processo de transformação dos bairros da orla fluvial de Abaetetuba enquanto formação de áreas de risco para desenvolvimento de uma proposta e ordenamento que considere os riscos e as vulnerabilidade presentes nesses territórios. Com base nos resultados da pesquisa, constatou-se que, apesar do histórico de desastre nesses locais, a estrutura urbana existente e a falta de um plano de gestão de riscos que proteja a orla fluvial contribuíram para o cenário de risco que se apresenta. Desse modo, é necessário levar em conta as possibilidades de intervenção pública a partir de melhorias nos instrumentos de planejamento existentes e elaboração de novos, que incluam o diagnóstico das áreas, monitoramento e um tratamento diferenciado para as áreas de risco em que a população a participe do processo. A pesquisa foi realizada através de levantamento de dados e aplicação de questionários semiestruturados com agentes do setor público e sociedade civil para possibilitar uma proposta de planejamento mais eficiente. A pesquisa foi pensada em uma análise multidisciplinar em que são articuladas contribuições dos planos municipais e de estudiosos das áreas da geografia, meio ambiente, ciências sociais e política urbana.Tese Acesso aberto (Open Access) Territorialidad y representación del patronato rural paraense (1965-2016)(Universidad Nacional de Córdoba, 2020-12-04) SILVA JÚNIOR, Aluísio Fernandes da; GUERRA, Gutemberg Armando Diniz; http://lattes.cnpq.br/4262726973211880; HOSCMAN, Luiz DanielO principal objetivo desta tese é desenvolver um estudo sobre as atividades econômicas consideradas commodities espacializadas em diferentes mesorregiões do Pará, Brasil, no período de 1965 a 2016. A unidade espacial de referência é o Estado do Pará, localizado na região Norte do Brasil, na Amazônia brasileira, composto por seis mesorregiões: Baixo Amazonas, Marajó, Metropolitana, Nordeste paraense, Sudeste paraense e Sudoeste paraense. Quatro destas mesorregiões são objeto desse estudo devido o desenvolvimento de atividades econômicas como a produção bubalina, produção bovina, produção de dendê e a produção de soja. A categoria político-social do patronato rural é compreendida por empresarios com extensões de terras superiores a três módulos rurais, empregadores de mão-de-obra assalariada, com cultivo de terras especializadas. Muitas vezes esses personagens estão ausentes de seus estabelecimentos, que são gerenciados por terceiros e se apresentam na figura de pessoas físicas ou jurídicas. O estudo das diferentes formas de expressão do patronato rural, as estratégias de uso e domínio do território pela Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Pará, a regionalização fundiária e a territorialidade patronal constituem elementos cruciais para compreensão da territorialidade patronal no Estado do Pará. A pesquisa demonstrou as regiões economicamente mais importantes representadas cartograficamente, indicadas por um acréscimo de sindicatos vinculados à Federação de Agricultura e Pecuária no Estado do Pará como estratégias de uso e domínio do território. Constatou-se a abertura de uma nova fronteira no Sudoeste paraense associada à ocupação do corredor da BR – 163 que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA). Demonstra-se com essa pesquisa um avanço do agronegócio no Estado do Pará a partir da organização patronal rural em regiões que se considerou consolidada ou na nova fronteira, relacionado à participação do governo estadual e do governo federal por meio de investimentos que beneficiaram o agronegócio, em detrimento dos trabalhadores rurais representados por diferentes atores sociais, e expropriados pelo grande capital, físico ou jurídico.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Territorialidade e conflito ambiental: monocultura de palma versus comunidades remanescentes de quilombo no vale do Acará (PA)(Universidade Federal do Pará, 2024-08-23) SILVA, JONAS DA CONCEIÇÃO; SOARES, Daniel Araújo Sombra; http://lattes.cnpq.br/6446474471044694; https://orcid.org/0000-0002-5208-2429; VASCONCELLOS SOBRINHO, Mário; http://lattes.cnpq.br/7843288526039148; https://orcid.org/0000-0001-6489-219XA pesquisa tem por objetivo analisar os conflitos ambientais decorrentes da expansão do cultivo de palma de óleo e demarcação/titulação dos territórios quilombolas na Amazônia paraense. Apesar dos avanços na política pública de meio ambiente e ordenamento territorial, implementada com base na garantia do direito constitucional aos remanescentes de quilombo, com o Estado do Pará precedendo a todos os outros ao reconhecer o primeiro quilombo no Brasil, no ano de 1995, o estudo observou o decréscimo na expedição de títulos posteriormente à aprovação do zoneamento ecológico-econômico para a palma de óleo, a partir de 2010. O arcabouço teórico da pesquisa foi delineado sob as literaturas de gestão territorial, território e territorialidade quilombola, ordenamento territorial e conflitos ambientais. Metodologicamente, o trabalho seguiu um estudo de caso, como estratégia para se compreender questões de “como” e “por que” se desenvolve o fenômeno social contemporâneo em estudo. O demorado processo de titulação insere-se no contexto do caso concreto analisado, com a exposição dos problemas enfrentados pela comunidade quilombola, localizada às margens do Rio Acará, na divisa dos municípios de Acará e Tailândia, na busca pelo reconhecimento e titulação da área em disputa com empresa de dendê, que exemplifica a perenidade dos conflitos na Amazônia entre políticas públicas ambientais e de desenvolvimento econômico.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Territorialidade e representação do patronato rural paraense(Universidade Federal do Pará, 2008) SILVA JÚNIOR, Aluisio Fernandes da; GUERRA, Gutemberg Armando Diniz; http://lattes.cnpq.br/4262726973211880A pesquisa refere-se ao estudo do patronato rural no Estado do Pará, objetivando compreender a territorialidade e representação desta categoria social, através de uma abordagem descritiva. Fez-se necessário a construção de capítulos distribuídos didaticamente para desenvolvimento da pesquisa, proporcionando o debate a priori a respeito da trajetória das organizações patronais rurais do Estado do Pará e as mais representativas do País. Na seqüência estuda a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Pará - FAEPA, objeto crucial de pesquisa e principal fonte de dados e informações, a composição de suas diretorias e sua regionalização através de Núcleos e Sindicatos, essencial para abordar as territorialidades presentes na dinâmica fundiária, bem como a representação do patronato no Estado. O estudo demonstra a mudança de eixos da atividade pastoril ao longo dos anos no estado, através da representação cartográfica, o aumento significativo de sindicatos filiados junto a Federação nos últimos anos, estratégias de uso e domínio do território, através das organizações e eventos patronais e as complexas teias de relações presentes no cotidiano do patronato rural, essencial para caracterizar e estabelecer um perfil social do patronato paraense e suas diversas representações vinculadas à Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Pará - FAEPA. Demonstram-se com esse estudo, projeções voltadas para a dinâmica da organização patronal, através dos investimentos voltados para o agronegócio, marca registrada dessas organizações.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Território em transformação: conflitos na pesca artesanal – Araguari, Porto Grande, Amapá, Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2020-03-25) LIMA, Laís Melo; PAULA, Cristiano Quaresma de; SILVA, Christian Nunes da; http://lattes.cnpq.br/4284396736118279O presente estudo tem objetivo principal discorrer sobre os fatores que contribuíram para as transformações na territorialidade dos pescadores artesanais do Rio Araguari - Amapá. Localizados no trecho médio da bacia, os pescadores artesanais de Porto Grande fazem parte da parcela de atingidos pelos empreendimentos hidrelétricos instalados na ultima década. Com a instalação, os pescadores artesanais do Araguari passam a relatar alterações nos ciclos de reprodução dos pesqueiros e, consequentemente, perda da territorialidade pesqueira e de áreas piscosas, correndo maior pressão sobre novas áreas e insegurança na trafegabilidade em pesqueiros anteriormente utilizados. Com o novo uso, passa-se a relatar a ocorrência de conflitos e disputas pelo recurso. Dessa forma, recorremos ao panorama de políticas implementadas sobre o espaço amazônico, para compreender as estratégias de uso e apropriação conferidas nas diferentes temporalidades pelos diferentes agentes, assim como as respectivas resistências da atividade pesqueira.Artigo de Periódico Acesso aberto (Open Access) Território, territorialidade e fronteira: o problema dos limites municipais e seus desdobramentos em Belém/PA(Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana/ Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2017-04) SILVA, Marlon Lima da; TOURINHO, Helena Lúcia ZaguryO trabalho versa sobre o problema dos limites municipais à luz dos conceitos de território, territorialidade e fronteira. Mostra-se que imprecisões e inadequações nas leis, no que se refere ao estabelecimento dos limites fronteiriços de Belém, no Estado do Pará, com outros municípios, têm resultado em conflitos de mapas, de gestão pública, além da divisão de ocupações/conjuntos habitacionais, causando uma série de problemas aos gestores municipais e, principalmente, aos moradores das áreas em conflito. Ao analisar estudos realizados pelos poderes públicos com o objetivo de redefinir os limites, revela-se que tais pesquisas são incompletas e falham por não considerarem aspectos relativos às territorialidades dos grupos envolvidos na questão. Partindo-se do princípio que a definição de limites territoriais é muito mais do que uma questão de técnica de cartografia, embora esta seja importante, defende-se que a proposição de novos limites municipais deve considerar os conceitos de território, territorialidade e fronteira, além de ser apresentada a metodologia desenvolvida pelos autores deste artigo, que são técnicos da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém.Tese Acesso aberto (Open Access) Territórios e territorialidades de comunidades extrativistas na dinâmica de apropriação e uso do patrimônio natural no interior e entorno do parque ambiental de Mosqueiro-PA(Universidade Federal do Pará, 2022-03-23) DINIZ, Francisco Perpetuo Santos; TAVARES, Maria Goretti da Costa; http://lattes.cnpq.br/7796891525258446Trata-se de uma pesquisa que analisa as estratégias de controle territorial por diferentes sujeitos envolvidos na dinâmica de formação de territórios e territorialidades do patrimônio natural no contexto do interior e entorno do Parque Ambiental Municipal de Mosqueiro. A relevância desta pesquisa está no fato de se constituir num trabalho pioneiro quanto à abordagem do patrimônio natural associado à perspectiva territorial na Amazônia, pois a maior parte da literatura sobre o assunto está voltada à problematização do patrimônio cultural em ambientes urbanos, por ser a primeira tese sobre o patrimônio natural que versa sobre contextos de comunidades tradicionais na região e por apresentar discussão dissonante das perspectivas oficiais e hegemônicas nos meios técnicos e acadêmicos. Esta pesquisa teve sustentação na dialética espacial por considerar conflitos e contradições socioespaciais que envolvem a apropriação e uso do patrimônio natural. Possui caráter qualitativo, envolveu pesquisa bibliográfica, documental e exploratória com a realização de trabalho de campo com acompanhamento de práticas culturais e manejo da natureza nas Comunidades Extrativistas Caruarú, Tucumandeu e localidades Tamanduá, Pratiquara e Rio Murubira. Os dados foram analisados a partir da técnica de análise de entrevistas. A problemática da pesquisa teve sustentação na compreensão de tensões, conflitos e práticas socioespaciais que resultaram da institucionalização do Parque Ambiental de Mosqueiro. A questão central da pesquisa assentou-se na análise da formação de territórios e territorialidades de comunidades tradicionais vinculadas à apropriação e uso do patrimônio natural de forma multidimensional e os conflitos e tensões decorrentes da institucionalização do Parque Ambiental de Mosqueiro. As questões norteadoras indagaram quais eram os agentes envolvidos na apropriação e uso de patrimônios naturais, quais territorialidades se configuravam em práticas de reprodução do patrimônio natural como prática sócio-espacial e como se conflitavam. O objetivo geral buscou analisar a formação de territórios e territorialidades de comunidades tradicionais vinculadas à apropriação e ao uso do patrimônio natural de forma multidimensional e os conflitos e tensões decorrentes da institucionalização do Parque Ambiental de Mosqueiro. Os objetivos específicos pretenderam identificar e mapear quais agentes estavam envolvidos na apropriação e uso de patrimônios naturais, analisar como exerciam o controle territorial e como se conflitavam. A tese desta pesquisa se sustenta no entendimento de que o patrimônio natural, em espacialidades de comunidades tradicionais, não é fruto do acúmulo de elementos naturais, tampouco está destinado à turistificação como objetivo maior e não é referenciado num passado imexível, sendo o mesmo construído e ratificado por práticas sócio-espaciais multidimensionais ancestrais que se desenvolvem como processo de territorialização da natureza e inscritas em relações de poder. Logo, não possui inato valor e não expressa a reunião de elementos naturais dissociados do todo socioespacial. Assim, compreendemos que apesar de se constituir em unidade de conservação de uso sustentável, o Parque Ambiental de Mosqueiro, na prática, se configura como unidade de conservação de proteção integral porque não permite o acesso de moradores ao seu interior, o que reforça a ideia de natureza intocada, o que repercute na eclosão de conflitos socioambientais e espaciais. Assim, entende-se que o Parque Municipal foi imaginado como uma porção territorial com predominância de elementos naturais sem o reconhecimento de territorialidades de comunidades tradicionais, repercutindo no desajuste territorial, afetando relações socioespaciais que os ilhéus desenvolviam anteriormente. A situação se agrava com a falta de plano de manejo, dominância de única perspectiva de patrimônio natural inviolável e impedimento aos locais que se constituem sítios ancestrais de ilhéus (no interior e entorno do Parque). A pesquisa também revelou que em contextos de comunidades tradicionais amazônicas, patrimônios naturais emergem de práticas sócio-espaciais que configuram territorialidades envoltas e movidas por relações de poder, controle, domínio, conflitos, projeções, apropriações e manejos da natureza e vão além da ideia de que representam aglomerados de elementos naturais de valores inatos, pois são sempre construídos localmente, apesar de estarem integrados a dinâmicas territoriais totalizantes se considerarmos o espaço social como um todo integrado.
