Dissertações em Psicologia (Mestrado) - PPGP/IFCH
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2330
O Mestrado Acadêmico iniciou-se em 2005 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP) do Instituto de Filosofia de Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) “(Des)capsula” AI! Tecendo a Gestão Autônoma da Medicação (GAM) em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD) em Belém do Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-04-25) RAMOS, Vitor Igor Fernandes; CABRAL, Károl Veiga; http://lattes.cnpq.br/6421840541041541; https://orcid.org/0000-0001-5678-7859; CABRAL, Károl Veiga; LEMOS, Flávia Cristina Silveira; REIS, José de Arimateia Rodrigues; ALVES, Miriam Cristiane; FERLA, Alcindo Antonio; http://lattes.cnpq.br/6421840541041541; http://lattes.cnpq.br/8132595498104759; http://lattes.cnpq.br/3976380225171903; http://lattes.cnpq.br/6523933241917432; http://lattes.cnpq.br/6938715472729668; https://orcid.org/0000-0001-5678-7859; https://orcid.org/0000-0003-4951-4435; https://orcid.org/0000-0002-9527-5968; https://orcid.org; https://orcid.org/0000-0002-9408-1504A Gestão Autônoma da Medicação (GAM) é um dispositivo de cuidado em saúde mental que chega ao Brasil em 2009, por um estudo de pesquisa multicêntrico entre quatro Universidades públicas que se uniram para adaptar, traduzir, estudar e aprimorá-la, envolvendo trabalhadores (as), familiares e, principalmente, usuários da rede de saúde mental do Brasil. A GAM nasceu em uma das províncias do Canadá, em Québec, no ano de 1990, em um processo participativo e coletivo. Estudar a GAM no contexto brasileiro e pela primeira vez, em uma região amazônida, é ressaltar a importância da discussão de um território cabano que pulsa em cada paraense, por sentir e se afetar de diferentes formas. O objetivo dessa pesquisa de Dissertação foi implementar a discussão do Guia da Gestão Autônoma da Medicação pela primeira vez na Região Norte, sendo o Estado do Pará, o primeiro Estado do Norte a discutir sobre esse dispositivo de cuidado na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O local da pesquisa foi um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas tipo II (CAPS AD II), localizado no Município de Belém, que possui atividades direcionadas a pessoas que fazem uso problemático de álcool e outras drogas, tendo como filosofia e prática de cuidado, a política de Redução de Danos. Na pesquisa utilizamos o desenho metodológico da pesquisa-intervenção e, com a saúde mental coletiva como norte, implementamos este dispositivo em coletivo, com usuários, familiares, trabalhadores e gestão, utilizando ferramentas teórico-conceituais como diário de campo, observações, trabalho em roda e análise de implicação, uma vez que no CAPS ocupava a posição de trabalhador e pesquisador. Uma das análises que trouxemos para o campo foi a formulação de duas categorias teóricas: capsular e (des)capsular, que nos pareceu importante, ao implicar no campo saber-teórico do ser farmacêutico. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa e aprovada sendo o parecer ético 80522524.0.0000.001. A intervenção com o dispositivo do guia GAM aconteceu desde maio de 2022 e até o fim da pesquisa, em julho de 2024, se observou cisões entre usuário x trabalhador x gestão x sistema. Nos resultados, emprestamos a música Princípia, do cantor de RAP brasileiro Emicida, para conversar com os resultados encontrados. As estrofes selecionadas foram “tudo que nóis tem é nóis”, “Deus, por que a vida é tão amarga na terra da cana-de-açúcar?”, “cale o cansaço, refaça o laço, e ofereça um abraço quente”, “Paz não se constrói com tiro mas eu miro, de frente a minha fragilidade”, “já não está mais perdido o elo, o amor é o segredo de tudo e eu pinto tudo em amarelo”. Ampliamos a discussão do Guia GAM para outros marcadores sociais como gênero, raça/cor, sexo e território, ao discutir sobre os efeitos da Necropolítica e os resultados da “guerra às drogas”. O pioneirismo da GAM pela primeira vez na Região Amazônica e logo em um território ‘fora-manicômios’, foi para legalizar o cuidado em liberdade. Com a GAM refizemos o laço e (des)capsulamos o sistema.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Discursos de usuários do SUS sobre a integralidade do cuidado em rede num hospital público em Belém - Pará(Universidade Federal do Pará, 2014-01-27) REIS, José de Arimatéia Rodrigues; PIANI, Pedro Paulo Freire; http://lattes.cnpq.br/6434100473666705; https://orcid.org/0000-0003-3091-2126; BRIGAGÃO, Jacqueline Isaac Machado; LEMOS, Flávia Cristina Silveira; SOUZA, Airle Miranda de; http://lattes.cnpq.br/1533188485721174; http://lattes.cnpq.br/8132595498104759; http://lattes.cnpq.br/5311796283730540; https://orcid.org/0000-0002-5566-8839; https://orcid.org/0000-0003-4951-4435; https://orcid.org/Neste estudo foram analisados discursos de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) atendidos num hospital público em Belém-Pará, focalizando o sentido atribuído por estes ao cuidado integral em rede. O hospital foi o local de referência para esta pesquisa, mas o enfoque incluiu também as práticas discursivas dos usuários sobre experiências e percursos dentro da rede de saúde, considerando que acessaram vários outros locais ou serviços de saúde, antes e depois de sua passagem pela unidade hospitalar. A abordagem metodológica utilizada foi a do construcionismo social, no qual são buscados os sentidos dos discursos dos usuários dentro de uma relação dialógica e compartilhada, com posicionamentos tanto do usuário-participante quanto do pesquisador, resultando em uma interação na produção dos sentidos discursivos. Já a concepção teórica das práticas em saúde foi pautada na intersecção entre a psicologia social e a saúde coletiva, a partir da adoção de noções como práticas discursivas e integralidade do cuidado em rede. A pesquisa foi realizada em um hospital público onde o pesquisador atua como psicólogo, e contou com a participação de cinco usuários, em algum momento atendidos nesse hospital, mas que também haviam acessado outros serviços da rede de saúde. A coleta de dados se deu através de entrevistas semiestruturadas gravadas, transcritas e analisadas com referência em três categorias identificadas na produção discursiva dos sujeitos. 1) Sofrimento e crise do usuário. 2) Acesso e trajetória na rede de saúde. 3) Posicionamentos sobre as práticas de cuidado integral. Os sentidos dados pelos participantes à integralidade do cuidado obtido na rede de saúde sinalizaram aspectos facilitadores e dificultadores convivendo lado a lado nas práticas em saúde. Viu-se por um lado usuários vinculados aos serviços do SUS, enaltecendo as equipes e os profissionais de saúde por quem foram atendidos, com sentimentos de gratidão, reconhecimento, afetividade, amizade e solidariedade. De outro modo, surgiram vários relatos de deficiências do sistema de saúde, no acolhimento, no vínculo, no referenciamento a outras unidades, no acesso difícil, na descontinuidade dos tratamentos, na demora por exames e consultas, na ausência do diagnóstico de doenças gerando baixa resolutividade da assistência, no não atendimento às demandas dos usuários potencializando dor, sofrimento, medo, revolta, indignação e exclusão. Ao analisar a diversidade de sentidos e relações que emergiram da perspectiva dos usuários, chegou-se necessariamente à reflexão quanto às questões institucionais, políticas e governamentais envolvidas por detrás dos processos de trabalho e das práticas em saúde, marcando aqui um lugar social, político, histórico e epistêmico de reflexão crítica e contribuição teórica para a mudança dos modelos vigentes na saúde pública e no SUS. Concluiu-se então que as questões de saúde-doença seguem permeando a vida através do campo da saúde, produzindo sujeitos e subjetividades pautadas ainda no paradigma biomédico, no qual frequentemente o sujeito de direitos sequer consegue ter reconhecido os seus problemas e suas opções, para poder exercer o seu direito de escolha.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Restou (in)frutífero: reflexões psicanalíticas sobre o não-todo dizer de crianças no Depoimento Especial do Judiciário Amapaense(Universidade Federal do Pará, 2024-09-30) GUEDES, Elizabeth do Socorro Moraes; NICOLAU, Roseane Freitas; http://lattes.cnpq.br/0430583046421802; https://orcid.org/0000-0002-6988-943XA partir da interlocução entre Psicanálise e Direito suscitada através da práxis psicanalítica no Poder Judiciário Amapaense, a pesquisa em tela surgiu no cenário do Fórum da Comarca de Santana, lugar onde nasceram as primeiras indagações clínico-políticas sobre o Depoimento Especial - uma modalidade de escuta institucional realizada em um ambiente equipado com um amplo sistema de áudio e câmeras de vídeo, onde o Juiz ou Juíza pode assistir e fazer perguntas, por meio de um profissional capacitado em saber interpretá-las e adequá-las à linguagem de crianças e adolescentes, envolvidas em processos judiciais como testemunhas ou vítimas de maus tratos e/ou de crimes sexuais. O procedimento tem como objetivo, coroar um conjunto de práticas legislativas, jurídicas e políticas, voltadas para a maximização da fidedignidade dos testemunhos prestados em juízo e para a proteção de vítimas e testemunhas de crimes no Brasil. No Fórum da Comarca de Santana, o Depoimento Especial foi implantado em 2018, período em que houve uma redução significativa de casos de abuso sexual encaminhados para a escuta com Psicólogos e Assistentes Sociais, devido à recomendação de que a criança fosse escutada em audiência e uma única vez, a fim de que fosse evitado o processo de revitimização. No entanto, em virtude do comportamento e/ou relato de algumas crianças não corresponderem às expectativas da instituição, essa demanda foi redirecionada para a Central Psicossocial, sob a rubrica “restou infrutífero”, que, por ter se tornado um significante importante, assumiu o lugar de tema desta dissertação. A hipótese inicial era de que, ao se depararem com as manifestações do inconsciente, os atores sociais que compõem a cena jurídica, concluem que não é possível alcançar a verdade e que, portanto, o depoimento da criança não pode ser validado como prova, ficando o caso à margem, em um lugar-resto na instituição. A partir deste ponto de interrogação, esta pesquisa teve como objetivo: Analisar o não todo-dizer de crianças no Depoimento Especial, a partir da concepção de sujeito, articulada ao conceito de objeto a em Psicanálise. O “Resto”, enquanto conceito formulado por Lacan, ao ser articulado ao tema desta dissertação, nos conduziu a diferentes caminhos, revelando o que é da ordem do estranho, do obscuro, do repulsivo e do inquietante da experiência humana, que comparecem diariamente no contexto dos Fóruns espalhados pelo País. Em termos de metodologia, adotou-se o método psicanalítico, próprio à pesquisa em Psicanálise, com amparo nas obras de Sigmund Freud e Jacques Lacan, bem como a contribuição de autores contemporâneos das áreas do Direito e da Psicanálise. Serão apresentados “fragmentos de casos”, a partir da escuta psicanalítica de crianças, de modo a explorar o singular e, dessa forma, permitir a articulação entre a teoria e a prática psicanalíticas. Como resultado, concluiu-se que a escuta psicanalítica tem seu espaço no Poder Judiciário, visto que, aquilo que pode restar de infrutífero na tomada do Depoimento Especial ou em qualquer outro contexto de escuta dentro de instituições, pode se tornar frutífero para o psicanalista.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Crise do masculino e ascenção de discursos autoritários: possíveis afinidades entre o ideal viril e a personalidade autoritária(Universidade Federal do Pará, 2024-09-13) SATO, Yukimi Mori Mesquita; CORRÊA, Hevellyn Ciely da Silva; http://lattes.cnpq.br/7758199768776827; SOUZA, Mauricio Rodrigues de; http://lattes.cnpq.br/4730551301673902; https://orcid.org/0000-0002-6290-000XNa tentativa de definir a masculinidade, geralmente nos deparamos com um conjunto inflexível de atributos necessários à identificação do sujeito como homem e que, ao menos aparentemente, confirmariam certa universalidade, sendo amparados especialmente na oposição e distanciamento de identificadores considerados femininos. Levando em conta que tais características das quais se busca distanciamento não sejam exclusivas à subjetividade feminina, mas compreendem parte da experiência humana, a tentativa de supressão de certas emoções pelo homem pode estar na origem de um mal-estar resultante desse conflito interno que, ao ser projetado para o exterior, tem a violência como uma de suas possíveis expressões. Nesse ponto, evidenciamos a existência de um vínculo entre características conferidas ao masculino e o ideal constantemente reencenado por sujeitos autoritários. Assim, buscamos colocar em questão a masculinidade sustentada pelo exercício da virilidade e estabelecida enquanto um padrão invariável e, com isso, almejamos compreender: de que forma a construção da subjetividade masculina alicerçada em ideais específicos como virilidade, força e racionalidade se relaciona com a crescente naturalização de manifestações autoritárias direcionadas a grupos externos – ou out-groups? O exercício de uma masculinidade amparada em ideais viris necessariamente culmina no caráter autoritário? Como as mudanças sociais relativas ao gênero ocorridas nas últimas décadas podem ter impactado a posição masculina na sociedade e sua tentativa de garantir a segurança do identitário, a partir do retorno a uma virilidade que permanece? Diante dos questionamentos mencionados, empreendemos uma pesquisa teórico-bibliográfica, aproximando-nos das teorias de Sigmund Freud, Jacques Lacan e Theodor Adorno, das quais foi possível depreender que tanto as tentativas de homogeneização da masculinidade quanto os objetivos massificadores do autoritário seguem as mesmas trajetórias inconscientes: partem da presunção da possibilidade de alcançar um gozo total, uma completude imaginária, mesmo que tenha que ser conquistada e mantida à força. É nessa direção que os ideais regentes de ambas as esferas se amparam na ênfase ao semblante, no caráter ritualístico, já que o simbólico constituiria o único âmbito capaz de sustentar uma aparência de completude. Desse modo, a busca por uma hegemonia, uma totalidade inquestionável, resulta da predominância do significante fálico enquanto ordenador dos laços sociais, resultando na categorização e hierarquização de sujeitos tomados enquanto objetos da satisfação de alguns outros que se alocam nas posições de dominância.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Percepções, vivências e repercussões psicossociais a partir de um diagnóstico oncológico(Universidade Federal do Pará, 2024-07-31) SILVEIRA, Taynara Fidelis dos Reis; SILVA, Maria de Nazareth Rodrigues Malcher de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/8378348738142000; https://orcid.org/0000-0003-4405-7378O câncer é uma das doenças mais temidas e que mais cresce no Brasil. As estimativas em institutos representativos apontam que são esperados 704 mil novos casos da doença no país, para cada ano do triênio 2023-2025. Desse modo, receber um diagnóstico oncológico trará novas possibilidades em projetar-se e existir-no-mundo. O objetivo geral deste estudo foi conhecer as percepções e vivências de pessoas que foram acometidas por um diagnóstico oncológico e suas repercussões psicossociais a partir deste diagnóstico. O percurso metodológico foi de caráter qualitativo descritivo de estratégia fenomenológica ocorrida em duas etapas: (1) estudo teórico literário e documental; e (2) estudo empírico sobre a temática. O cenário escolhido para a realização da pesquisa foi a Casa de Apoio Amar é Servir, que abriga pacientes e seus acompanhantes, em tratamento oncológico na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, no município de Tucuruí - Pará. Os participantes da pesquisa foram três homens e três mulheres, todos idosos, com baixa escolaridade e que receberam diagnóstico oncológico no período entre quatro e dez meses. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi a entrevista semiestruturada e o tratamento dos dados foi pelo método fenomenológico de Amedeo Giorgi e análise fundamentada em Martin Heidegger. Os resultados apontaram para unidades do discurso sobre a ressignificação da vivência ao diagnóstico oncológico pela espiritualidade e transcendência do diagnóstico; sentimento de ambivalência, mesmo com sentimentos de angústia em relação as coisas do mundo experienciado; e apresentaram na nova realidade mudanças em três aspectos: cuidados com a saúde e bem-estar corporal, ocupação, vida financeira e rede de apoio. Corroborando com Heidegger que afirma que somos jogados no mundo, assim, somos jogados em meio a facticidade e cabe ao nosso Ser-aí projetar-se e encontrar novas possibilidades temporais, em transcender e existir. Finalmente, observou-se que diante do diagnóstico oncológico a percepção e vivência são atravessadas por contextos socioeconômicos e nas significações das relações interpessoais, demonstrando-se como secundário e não impactante. Este estudo é inovador, relevante e fundamental no âmbito social e científico, pois evidenciou a narrativa da vivência de um diagnóstico de uma doença considerada fatal e o desvelamento de seu mundo, podendo, portanto, auxiliar em estratégias no cuidado de profissionais que focalize nas dimensões do sujeito e não apenas dos diagnósticos em si, de forma integralizada e humanizada.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Itinerário, cuidado e vivência de profissionais de saúde na atenção à pessoa em risco e crise suicida(Universidade Federal do Pará, 2024-06-06) PAIVA, Samara Machado; SILVA, Maria de Nazareth Rodrigues Malcher de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/8378348738142000; https://orcid.org/0000-0003-4405-7378O suicídio é um fato social, considerado um problema de saúde pública, de alta complexidade e multicausal, que comumente gera impactos significativos na sociedade, em grupos e a nível individual, seja, em aspectos biológicos, psicológicos, econômicos, sociais e/ou pessoais. Buscou-se por meio deste estudo, conhecer o itinerário percorrido pelo usuário em risco ou crise suicida na RAPS de Belém, como também conhecer a percepção de profissionais de saúde que atuam em pontos de atenção da rede de cuidado à crise suicida. Para isso, utilizou-se como método uma pesquisa qualitativa exploratória descritiva, de estratégia fenomenológica, em duas etapas: (1) estudo teórico, na literatura científica e em documentos governamentais e não governamentais; e (2) estudo empírico com profissionais que atuam com pessoas em risco e crise suicida. Os dados do estudo teórico foram organizados em planilhas temáticas e analisados quanto ao conteúdo; enquanto o estudo empírico foi analisado conforme o método de análise do discurso proposto por Amedeo Giorgi. O itinerário de cuidado ao usuário em risco e crise suicida na RAPS de Belém-Pa é desenhado de modo desarticulado entre os dispositivos, os pontos de atenção apresentam ausência/carência de comunicação entre si, devido a barreiras tecnológicas, mas também relacionais. Enquanto, que os profissionais apresentam vivências pragmáticas em relação a cada papel operacional que exercem no dispositivo em que atuam, e mostraram sua subjetividade sobre seu processo de trabalho experienciado no cuidado de uma crise. Finalmente, este estudo evidenciou a necessidade de expansão da Rede de Atenção Psicossocial no cuidado da pessoa em risco de suicídio que extrapole o enfoque hospitalar, de internação, para um cuidado com dispositivos que foquem nas dimensões e demandas reais da pessoa, no território e em sociedade, por meio de uma clínica ampliada.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A construção da(s) subjetividade(s) masculina(s): um percurso teórico entre Freud e Stoller(Universidade Federal do Pará, 2024-09-26) GONÇALVES, Ricardo César dos Santos; SOUZA, Mauricio Rodrigues de; http://lattes.cnpq.br/4730551301673902; https://orcid.org/0000-0002-6290-000XO presente trabalho aborda a construção da(s) subjetividades(s) masculina(s) em um percurso psicanalítico inicialmente delineado por Freud e, posteriormente, ampliado por Robert Stoller. O trajeto metodológico estabelecido para esta dissertação se fundamenta a partir da pesquisa teórica em psicanálise. Entretanto, é pertinente ressaltar que, embora a pesquisa privilegie a psicanálise como seu principal aporte teórico, este trabalho não negligencia as contribuições provenientes de outras áreas do conhecimento, especialmente das abordagens sociológicas e dos estudos de gênero. O intuito desse trabalho pode ser dividido em quatro aspectos centrais: (1) demonstrar como o conceito de gênero se integrou a teoria psicanalítica; (2) conceitualizar a noção de masculinidade(s) por intermédio de um percurso histórico subdividido em três tempos – Antigo, Medieval e Moderno –, dessa forma, ratificando como o conceito pode ser mutável e interdependente de cenários sócio-históricos; (3) investigar as peculiaridades da subjetivação masculina na obra freudiana e; (4) analisar as contribuições teóricas do psicanalista norte-americano Robert Stoller, centralizando nossos esforços em examinar o conceito de “identidade de gênero”, introduzido pelo mesmo no âmbito psicanalítico. Por fim, nas considerações finais, faremos observações sobre os possíveis desdobramentos dessa pesquisa. Além disso, teceremos apontamentos críticos em relação à escassez de estudos que versam sobre os homens e a masculinidade tanto no meio psicanalítico quanto em outras produções acadêmicas brasileiras. Em última instância, espera-se que esse trabalho possa contribuir para o aprimoramento da temática proposta e, concomitantemente, servir de amparo às investigações futuras.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Missão principal: mulheres desenvolvedoras de jogos eletrônicos e o combate à violência de gênero(Universidade Federal do Pará, 2024-02-29) MELO, Renata Christine da Silva; ALVARENGA, Eric Campos; http://lattes.cnpq.br/5734378044087055; https://orcid.org/0000-0002-1803-2356Este trabalho objetivou explorar mulheres brasileiras desenvolvedoras de jogos eletrônicos, as experiências hostis vivenciadas no trabalho e as estratégias de enfrentamento utilizadas por elas para lidar com a violência de gênero nesse meio. A metodologia baseia-se na abordagem qualitativa de pesquisa, do tipo exploratória, com levantamento por meio de entrevista online individual com 10 participantes e a análise se deu a partir das propostas das práticas discursivas e produção de sentidos de Spink (2010). Os resultados apontaram que as mulheres gamedevs desse estudo seguem um perfil conforme o panorama da indústria, elas são majoritariamente brancas, habitam principalmente a região sudeste do Brasil e a maioria delas são dos setores de produção ou artes. Todas elas experienciaram violência de gênero de alguma forma – discriminação, assédios, microagressões – durante a carreira, proveniente de chefes ou colegas de trabalho. Para enfrentar e se ajustar a esse cenário adverso, elas utilizam estratégias de sobrevivência ligadas ao esforço de normalizar violências ou proteção (silenciar, recusar e evitar, adaptar o trabalho, rede de apoio...), e outras estratégias estão mais relacionadas com resistência e mudanças (falar e se impor, terapia, rede de apoio entre mulheres, gerenciamento consciente...). Elas também enfatizaram a necessidade de ações modificadoras individuais (pessoas, homens) e coletivas (instituições de ensino, empresas, mídias/redes sociais) que devem ser tomadas pela indústria com foco no incentivo, acolhimento e permanência de meninas e mulheres nas tecnologias e desenvolvimento, bem como no aumento da participação delas em posições de tomada de decisão (CEO) e na educação de homens e comunidade dev para conscientização de privilégios e preconceitos. Por fim, espera-se que esse estudo contribua para ampliar a nossa compreensão sobre gênero, trabalho, desenvolvimento de jogos e estratégias de enfrentamento, mas principalmente, para incentivar futuras pesquisas, projetos e ações que foquem em soluções para que esse cenário se torne mais inclusivo e adequado para grupos sub-representados.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Perdas significativas, luto e atividade sexual após a lesão medular: uma revisão de escopo(Universidade Federal do Pará, 2024-02-08) MOREIRA, Paula Silva; CORRÊA, Victor Augusto Cavaleiro; http://lattes.cnpq.br/1910742195880054Objetivo: descrever o que os estudos abordam sobre perdas significativas, luto e atividade sexual após a lesão medular. Método: Trata-se de uma revisão de escopo conduzida conforme recomendações do Instituto Joanna Briggs, descrita de acordo com as indicações da última versão do check list do Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR) e registrado no Open Science Framework (OSF), com acesso disponível em: https://osf.io/x6d4n. A questão de pesquisa foi elaborada a partir do acrônimo PCC: População (lesão medular), Conceito (perdas significativas, luto e atividade sexual) e Contexto (estudos publicados na literatura). Foram utilizadas cinco bases de dados científicos: APA-PsycInfo, Web of Science, Scopus, Cochrane Library e Portal BVS. Foram incluídos estudos em qualquer idioma que abordaram as perdas significativas, luto e a atividade sexual de pessoas após lesão medular, não limitando o ano de publicação. A coleta de dados foi cega, feita por dois revisores independentes utilizando os softwares Google planilhas® e Rayyan®, atendendo aos critérios de elegibilidade. Foi feita análise qualitativa descritiva dos dados e os resultados foram apresentados em figuras, tabelas, fluxogramas e redação discursiva. Resultados: Foram incluídos 6 estudos, os quais apresentavam relatos das vivências após a lesão medular. Os dados demonstram que uma das principais perdas que remete a elaboração do luto associado à atividade sexual são as mudanças corporais e perda/alterações nas sensações genitais afetam significativamente a experiência sexual de pessoas com lesão medular, e esse fator esteve associado a sentimentos de perda da aparência sexualmente atraente, sobretudo para as mulheres e impactou a autoestima e identidade, tanto feminina, quanto masculina e o processo de elaboração do luto não foi fortemente investigado e descrito nos estudos incluídos. Discussão: Demonstrou-se que a atividade sexual constitui uma grande preocupação para pessoas que sofrem uma lesão medular e o impacto dessa perda pode refletir na vivência do luto como uma possibilidade de elaboração seja ele percebido ou não pelos enlutados. No entanto, são necessárias novas pesquisas para identificar e classificar as perdas, e o luto associados ou não à atividade sexual, possibilitando melhor enfrentamento. Considerações finais: Existem poucos estudos que abordem as perdas associadas à atividade sexual de pessoas com lesão medular e identifique a elaboração do luto diante de tal perda , apesar de terem sido identificados estudos que apontam essa relação.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Compreensão das vivências de psicólogas sobre o trabalho no hospital durante a Covid-19(Universidade Federal do Pará, 2023-12-07) LIMA, Natasha Cabral Ferraz de; PIMENTEL, Adelma do Socorro Gonçalves; http://lattes.cnpq.br/4534230240595626A pesquisa focaliza a compreensão das vivências de psicólogas que trabalharam em um hospital em Belém/Pará, capital situada na Região Norte do Brasil, durante a pandemia de Covid-19 – que, de forma específica, apresentou repercussões significativas na vida dos que a experimentaram. Como em todos os setores sociais, a atuação psicológica no período pandêmico viu-se necessitada em ajustar a sua prática aos desafios emergentes dispostos pela Covid-19. Com o objetivo de realizar um estudo sobre as percepções de profissionais de psicologia que atuaram na área hospitalar durante a pandemia de Covid-19, esta dissertação é um estudo qualitativo fundamentado na teoria fenomenológica existencial. O método de análise de dados parte da perspectiva de Amedeo Giorgi. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da UFPA. O perfil das participantes da pesquisa delimitou-se a cinco psicólogas, maiores de 18 anos, residentes da grande Belém/PA, que atenderam pessoas infectadas e hospitalizadas por Covid-19 entre março de 2019 e março de 2022. A partir da análise da estrutura da experiência, identificamos sentidos comuns em todas as entrevistas: 1. a volatilidade das informações, velocidade das mudanças cotidianas, características intrínsecas à emergência de saúde; 2. problemática dos EPI's afetando o atendimento e o contato físico e humanizado; 3. do paciente à equipe de saúde, a pandemia afetou a saúde mental de todos, em diferentes formas e graus de sofrimento; 4. na pandemia, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) se tornaram imprescindíveis aos atendimentos; 5. a Psicologia clínica foi considerada um serviço essencial; 6. os profissionais de saúde expressaram a necessidade de autocuidado. Também a partir da contextualização dos aspectos singulares da subjetividade entre as entrevistas, desvelamos os aspectos variantes: 1. capacidade de ajustamento criativo pessoal baseado na autopercepção e autoconhecimento; 2. pandemia e questões de gênero; 3. fragilização da saúde pós-pandemia. Considera-se a pesquisa relevante devido ao desvelamento de achados subjetivos e intersubjetivos da vivência das psicólogas na pandemia. Concluímos que o estudo apontou indicadores para novas pesquisas em saúde mental e estratégias de cuidado, bem como o aprofundamento das modalidades de realizar atendimentos psicológicos por meio das TIC's.
