Teses em Doenças Tropicais (Doutorado) - PPGDT/NMT

URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/3560

O Doutorado Acadêmico em Doenças Tropicais iniciou em 2007 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais do Núcleo de Medicina Tropical (NMT) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

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  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Diagnóstico situacional e operacional das ações de controle da hanseníase em município hiperendêmico do maranhão
    (Universidade Federal do Pará, 2023-06-16) GORDON, Ariadne Siqueira de Araujo; BARRETO, Josafá Gonçalves
    INTRODUÇÃO: Limitações para a adequada implementação das ações de controle da hanseníase (ACH) nos estados e municípios podem contribuir fortemente para a perpetuação da transmissão do Mycobacterium leprae em suas comunidades. Desta forma, o monitoramento constante dos programas locais de controle da hanseníase parece ser essencial para a identificação das fragilidades, desempenho e implementação de soluções. OBJETIVO: Realizar diagnóstico situacional e operacional das ações de controle da hanseníase em município hiperendêmico do Maranhão. MÉTODO: Estudo exploratório, analítico, ecológico, com abordagem quali-quantitativa de investigação. Foi desenvolvido no município de Imperatriz, abrangendo as equipes da estratégia saúde da família (ESF), os profissionais ligados ao programa de controle da hanseníase e os indivíduos notificados como casos de hanseníase no período de 2001 a 2020. As ações de controle da hanseníase do município foram avaliadas por meio do Exercício de Monitoramento da Eliminação da Hanseníase (LEM). Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) foram coletados e analisados. Os endereços residenciais dos casos notificados foram georreferenciados e analisados para identificação do padrão de distribuição espacial. Os territórios da ESF também foram georreferenciados para a produção de mapas digitais das áreas de cobertura. Esses resultados guiaram uma ação de busca ativa entre contatos dos casos índices e escolares de duas escolas da rede pública municipal. RESULTADOS: Após a avaliação das ACH no município por meio do LEM, foi identificado que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) não atuam conforme preconizado para a avaliação das pessoas acometidas pela doença, ocasionando dificuldades em realizar diagnóstico e iniciar o tratamento. No período de 2001 a 2020, foram notificados 6.726 casos no município de Imperatriz, 5.842 foram georreferenciados (90,8%). O padrão de distribuição espacial dos casos foi heterogêneo com formação de clusters estatisticamente significantes. A distribuição de casos por UBS identificou que 13,99% de todos os casos do período foram diagnosticados por uma UBS. Até o ano de 2020, o município de Imperatriz contava com 41 equipes de ESF na zona urbana do município, o que representava 60% de cobertura de ESF. As áreas de cobertura de 39 equipes (95%), foram georreferenciadas. A análise indicou que indivíduos residentes em áreas descobertas pela ESF têm 14% mais chances de serem diagnosticados como multibacilares (MB) (OR: 1,14; IC 95%:1,05-1,32; p=0,04) e 40% mais chances de ter GIF2 no diagnóstico se comparados aos diagnosticados com GIF0 (OR: 1,40; IC 95%: 1,07-1,84; p=0,01). Observou-se que com o passar dos anos aumentou a chance da ocorrência de casos MB, (ano 2002: OR: 1,67; IC 95%:1,14-2,44; p<0,001; ano 2019: OR: 8,06; IC 95%:4,86-13,36; p<0,001). A ação de busca ativa resultou em três (17,6%) diagnósticos de recidivas entre os casos-índices, 17 (25,3%) casos novos entre os seus contatos domiciliares e nove (12,3%) casos novos entre os escolares. CONCLUSÃO: Apesar do alto número de diagnósticos realizados pelo município, o presente estudo identificou fragilidades que resultam em relevante endemia oculta. O almejado controle da hanseníase como problema de saúde pública não será alcançado antes do efetivo diagnóstico e tratamento dos atuais casos ainda não identificados. A detecção de casos aumentaria significativamente se o combate à hanseníase fosse realizado de modo adequado pelo sistema de saúde.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Avaliação do hemograma, da velocidade de hemossedimentação (VHS) e da proteína C reativa (PCR) como preditores diagnósticos da síndrome febril de caráter infeccioso
    (Universidade Federal do Pará, 2022-02-22) RAMOS, Francisco Lúzio de Paula; RODRIGUES, Anderson Raiol
    A febre é o sinal/sintoma mais antigo e mais frequente em todo o âmbito da medicina. Está presente em todas as idades e abrange todas as especialidades médicas. São conhecidas mais de 200 causas de febre, sendo a etiologia infecciosa a mais presente. Ela pode se apresentar com curta duração – mais afeita à etiologia viral –, e com longa duração, mais frequentemente causada por bactérias, protozoários e fungos. Quando excessivamente prolongada está mais ligada a fatores estruturais, como as doenças autoimunes e as neoplasias. A extensão etiológica coloca a febre como um desafio na maioria das vezes. O hemograma, por sua vez, é o exame mais solicitado no dia a dia médico em virtude de sua abrangente utilidade, uma vez que, devido fornecer mais de 20 parâmetros para análises, possibilita fazer ampla avaliação clínica e acompanhar a evolução dos casos. Tem grande utilidade na avaliação da síndrome febril por mostrar estado reacional em resposta às doenças infecciosas, principalmente se agregado à avaliação de provas inflamatórias como a velocidade de hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa (PCR). Este trabalho teve como objetivo avaliar a aplicação do hemograma, da VHS e da PCR aliados a fatores clinico-epidemiológicos e ao tempo de adoecimento como preditores diagnósticos da síndrome febril de caráter infeccioso. Foram avaliados 319 pacientes com síndrome febril de origem infecciosa, sendo 77 de causa bacteriana, 113 de causa viral, e 129 de etiologia parasitária, com faixa etária entre 18 e 60 anos de idade, no período de 02/2018 a 01/2020, captados no Setor de Atendimento Médico Unificado (SOAMU) do Instituto Evandro Chagas (IEC). Outros 213 indivíduos saudáveis foram incluídos no estudo como grupo controle. Para análise dos dados foram utilizados os softwares Microsoft Office Excel (2007), Bioestat 5.0 (2007), SPSS Statistcs 17.0 (2010), GraphPad Prism 9.0.0 Release Notes (2020) e Rv 3.5.2 (2018), empregando-se testes como Odds ratio para avaliar chances; Kruskal-Wallis para variância; Índice de Youden para ponto de corte entre variáveis; curva ROC (AUROC) para acurácia. Admitiu-se nível de significância para valores de p < 0,05. Os resultados revelaram que as doenças bacterianas têm como característica no hemograma a elevação do número de neutrófilos, que reflete no aumento numérico dos leucócitos; que as doenças virais, ao contrário das bacterianas, caracterizaram-se pela redução numérica dos linfócitos e principalmente dos neutrófilos, com reflexo sobre o número total de leucócitos definida como leucopenia; as doenças parasitárias assumiram um perfil intermediário entre as bacterianas e virais, marcado pela normalidade numérica dos glóbulos brancos, assemelhando-se, por isso, ao grupo controle. Mas a média dos linfócitos foi maior do que todas as outras doenças, inclusive do grupo controle. Nas doenças bacterianas, de modo geral, há aumento da VHS e principalmente da PCR, que também se encontram aumentados nas doenças parasitárias; porém, nas doenças virais essas provas tendem à normalidade numérica, assemelhando-se ao grupo controle neste aspecto. As provas inflamatórias, portanto, estão aumentadas nas doenças bacterianas e nas doenças parasitárias, mas principalmente nas primeiras, e se encontram normais nas doenças virais. Doenças como malária, leishmaniose visceral, febre tifoide e infecções pelo HIV e pelo Epstein Barr vírus podem ser identificadas por achados peculiares a elas vistos no hemograma. Concluiu-se que valores numéricos do hemograma, bem como níveis da VHS e da PCR agregados a fatores clínico-epidemiológicos e ao tempo de adoecimento podem predizer grupos de doenças e predizer até mesmo doenças específicas causadoras de síndrome febril de caráter infeccioso.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Contribuição ao conhecimento do escorpionismo e do escorpião Tityus obscurus Gervais, 1843 (Scorpiones: Buthidae), de duas regiões distintas no Estado do Pará na Amazônia brasileira
    (Universidade Federal do Pará, 2014-03-21) PARDAL, Pedro Pereira de Oliveira; VIEIRA, José Luiz Fernandes; ISHIKAWA, Edna Aoba Yassui
    Introdução: O Tityus obscurus Gervais, 1843 (Scorpiones: Buthidae), sinônimo sênior de T. paraensis Kraepelin, 1896 e T. cambridgei Pocock, 1897 têm ampla distribuição na Amazônia brasileira, sendo o de maior importância médica na região e apresenta manifestação clínica diversificada, dependendo da região. Objetivos: Contribuir para o conhecimento da diversidade do escorpionismo e do escorpião T. obscurus na Amazônia brasileira, Metodologia: Descrever, analisar e comparar os aspectos clínico-epidemiológicos do envenenamento, o molecular ao nível do ácido desoxirribonucleico (DNA) de espécimes que ocasionaram acidentes, assim como, analisar a morfometria e a peçonha destes espécimes capturados nas regiões Leste e Oeste do Estado do Pará, Brasil, distantes cerca de 850 km. Resultados: No estudo clínico epidemiológico, foram analisados 48 envenenamentos comprovados por estes espécimes, no período de janeiro de 2008 a julho de 2011, sendo 70,8% da região Leste e 29,2% da Oeste, com maior ocorrência na faixa etária acima de 15 anos, nos membros superiores e no período diurno; contudo, o tempo para o atendimento médico foi abaixo de 3 horas, com maior mediana e intervalo interquartil no Oeste. Na Leste, predominou gravidade leve, enquanto na Oeste, o moderado foi significante. A frequência dos sintomas no sítio da picada foi similar em ambas as áreas, enquanto as manifestações sistêmicas foram significantes na Oeste, predomindo os sintomas gerais, oftalmológicos, gastrointestinais e neurológicos. Dentre os neurológicos, destacam-se as mioclonias, sensação de “choque elétrico”, disartria, parestesia, ataxia, dismetria e fasciculação, encontrados somente nesta região. No estudo do DNA, foi utilizado o gene mitocondrial 16S rRNA, cuja análise comparativa das sequências das duas regiões mostrou 9.06% de polimorfismo, com divergência de 9.7 a 11%, com as árvores filogenéticas formando dois clados distintos no Neijgbor-Joininge e na Máxima Parcimônia. Para a análise morfológica, foram aplicados critérios taxonômicos morfométricos em 18 espécies coletadas na região Leste e 20 da Oeste, com tamanho variando de 62,15 mm a 85,24 mm, cujas medidas dos 29 caracteres dos machos e fêmeas das duas populações apresentaram maiores proporções das médias nos espécimes da Oeste, enquanto a análise multivariada dos dois sexos mostrou nos estudos de conglomerados e na análise discriminante, distinção entre os indivíduos das duas populações. Já a análise química da peçonha por meio do RP-HPLC e pela espectrometria de massa do tipo MALDI-TOF/TOF encontrou divergência qualitativa e quantitativa no perfil cromatográfico das duas populações e nenhuma similaridade na composição química entre os seus componentes, com uma maior concentração de neurotransmissores para canais de K+ e para Na+ na região Oeste. Conclusões: Concluímos que os escorpiões analisados das populações das regiões do Leste e Oeste do Estado do Pará da Amazônia brasileira e que hoje conhecemos como T. obscurus Gervais, 1843, colocam em evidência uma diversidade regional deste escorpião que pode estar relacionada à especiação dos espécimes, decorrente da distância e de barreiras geográficas, chegando a formar duas linhagens distintas, o que justifica a diversidade genética na composição química da peçonha e nas manifestações clínicas nos envenenamentos encontrados neste estudo e sugerimos uma revisão taxonômica destes “espécimes”.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Estimativas da dose e dos parâmetros farmacocinéticos da cloroquina em pacientes com malária por Plasmodium vivax na amazônia brasileira
    (Universidade Federal do Pará, 2019-10-07) FERREIRA, Michelle Valéria Dias; VIEIRA, José Luiz Fernandes; http://lattes.cnpq.br/2739079559531098; https://orcid.org/0000-0003-4842-8762
    A malária causada pelo Plasmodium vivax ainda constitui importante problema de saúde púbica no Brasil, com 169,000 casos reportados em 2018. O tratamento é baseado na administração de cloroquina e primaquina, usado há mais de 60 anos com eficácia e segurança no país. Porém, há vários aspectos relacionados ao uso da cloroquina a serem elucidados na Amazônia. O estudo objetivou estimar a dose administrada e os parâmetros farmacocinéticos da cloroquina por modelo não compartimental, associando-os a idade e ao sexo. Foram incluídos 161 pacientes com malária por P. vivax residentes no município de Anajás, Pará, destas 81 crianças e 80 adultos. A parasitemia média à admissão das crianças foi 2,644 e dos adultos de 1,210 por mm3 de sangue. Os pacientes apresentaram parasitemia negativa no final de 28 dias de seguimento. As doses de cloroquina variaram de 20,2 a 28,9 mg/kg nas crianças e de 16,3 a 34,09 mg/kg nos adultos. A proporção de doses abaixo de 25mg/kg variou de 29,4% a 63,6% entre as crianças e foi de 59% em adultos. A comparação entre as doses requeridas e as administradas foram inferiores nas faixas etárias de 4-8 anos (U = 64; p = 0,007), 9-11 anos (U = 32; p < 0,001) e de 12-14 anos (U = 18; p < 0,0001). As concentrações sanguíneas de cloroquina após 168 horas variaram de 107 a 440 ng/ml nas crianças e nos adultos de 201 a 582 ng/ml, e do metabólito de 167 a 412 ng/ml nas crianças e de 178 a 482 nos adultos. Os parâmetros farmacocinéticos derivados foram: área sob a curva até o 28 dia e, a seguir, extrapolada ao infinito, concentração máxima, clearance total, meia vida de eliminação, volume de distribuição e tempo médio de residência, os quais foram semelhantes a outros grupos populacionais e corroboraram sua elevada meia vida de eliminação e amplo volume de distribuição, não foram influenciados pelo sexo, entretanto, a idade reduziu de forma significativa o volume de distribuição e o clareamento do fármaco em crianças. Os resultados indicam que a cloroquina permanece efetiva na área de estudo, más, a maioria dos pacientes receberam sub doses do fármaco. Os parâmetros farmacocinéticos não foram influenciados pelo sexo, contudo a idade modificou a distribuição e a eliminação do fármaco.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Monitorização terapêutica de fármacos utilizados no tratamento da tuberculose no Brasil
    (Universidade Federal do Pará, 2018-12-07) ALBERIO, Carlos Augusto Abreu; VIEIRA, José Luiz Fernandes
    A tuberculose continua sendo um problema de saúde pública em todo o Brasil. Diversos esforços têm sido realizados para aumentar suas taxas de cura, como o emprego da estratégia TDO (Tratamento Diretamente Observado por Curto Período) que visa reduzir os casos de abandono e melhorar a adesão ao tratamento. Em decorrência do aumento da resistência primária a isoniazida, o Ministério da Saúde modificou o esquema terapêutico em 2010, ajustando as doses da isoniazida e da pirazinamida, e acrescentando o etambutol na fase intensiva do tratamento. Pela falta de dados sobre as concentrações séricas das drogas de primeira linha na população brasileira neste novo esquema, este estudo teve como objetivo determinar as concentrações séricas da rifampicina, isoniazida e pirazinamida durante o tratamento e as suas associações com alterações hematológicas e bioquímicas, reações adversas e desfechos clínicos. Para tanto, foi realizado estudo prospectivo, tipo coorte, no período de setembro de 2013 a novembro de 2016, em duas unidades básicas de saúde na cidade de Belém (Pará). As reações adversas mais comuns foram irritação gástrica e o prurido, principalmente na fase intensiva do tratamento e o desfecho clínico mais frequente foi a alta por cura (87,5%). Houve alta taxa de negativação da baciloscopia (98,90%) no final da fase intensiva do tratamento. Os parâmetros hematológicos foram determinados por contador automático de células (Cobas 2300®) e os parâmetros bioquímicos por espectrofotometria (Varian®), os quais não apresentaram modificações relevantes durante o tratamento. Os medicamentos analisados foram a rifampicina, a isoniazida e a pirazinamida, e as suas concentrações séricas foram determinadas através da cromatografia líquida de alta eficiência em fase reversa (HPLC-RP). A rifampicina e a isoniazida apresentaram concentrações séricas dentro da concentração inibitória mínima (CIM), exceto a pirazinamida que apresentou valores abaixo da CIM (3,3μg/ml), porém com concentração máxima (Cmáx) bem acima dos valores preconizados (63,3μg/ml). Os pacientes do sexo feminino apresentaram concentrações séricas de rifampicina maiores que os do sexo masculino. As concentrações séricas da rifampicina e da isoniazida não apresentaram variações significativas entre a fase intensiva e a fase de manutenção. Os achados deste estudo permitem concluir que o tratamento atual é seguro e eficaz, pois as reações adversas menores foram as mais frequentes, não houve alterações hematológicas e bioquímicas relevantes, e a maioria dos pacientes evoluíram para cura.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Perfil microbiológico e taxa de letalidade das infecções primárias de corrente sanguínea nas crianças menores de um ano em um hospital público de Belém/Pa.
    (Universidade Federal do Pará, 2019-12-19) LOPES, Cássia de Barros; FUZII, Hellen Thais; RODRIGUES, Anderson Raiol
    As Infecções Primárias de Corrente Sanguínea (IPCS) estão entre as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) mais prevalentes e associadas a elevada morbidade e mortalidade sobretudo nas crianças jovens, recém-nascidos prematuros e de baixo peso ao nascimento e internados em unidades de terapia intensiva. Estas infecções são ainda mais graves quando causadas por microrganismos resistentes a antimicrobianos usuais da prática clínica. Determinar o tipo de agentes etiológicos envolvidos nas IPCS hospitalares e conhecer o perfil local de resistência aos antibióticos contribuirá com a adequada escolha da terapia antibiótica empírica e consequente impacto positivo nos desfechos clínicos. O objetivo deste estudo foi conhecer o perfil microbiológico e a taxa de letalidade das IPCS nas crianças menores de um ano de idade internadas em um hospital público, referência materno infantil da região norte do Brasil. Foi realizado um estudo tipo coorte retrospectiva, onde foram avaliados dados demográficos e o desfecho clínico das IPCS hospitalares com cultura de sangue positiva para germes patogênicos, que também foram analisados quanto ao perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos a partir do método Vitek2, no período de abril de 2015 a abril de 2018. Foram identificados 1763 casos de IPCS nas crianças menores de um ano de idade e 631 isolados de sangue positivos para cepas patogênicas. Os gêneros Candida e Klebsiella foram os principais agentes etiológicos das IPCS hospitalares e os recém-nascidos prematuros, do sexo masculino e com baixo peso ao nascer foram os mais acometidos. O fenótipo ESBL (extended-spectrum beta-Iactamase/beta-lactamase de espectro estendido) ocorreu em 70,8% das cepas de Serratia marsecens. A taxa de letalidade geral foi de 36,3%. O uso de cateter venoso central, de ventilação mecânica e internação nas unidades de terapia intensiva foram associados a maior mortalidade. Na análise multivariada, o patógeno Candida (p=0,05) foi o mais, significantemente, associado aos óbitos. As IPCS hospitalares são eventos adversos graves e associadas a taxa de letalidade elevada nas crianças menores de um ano de idade.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Perfil epidemiológico, letalidade e caracterização molecular de Pseudomonas aeruginosa multirresistentes, produtoras de metalobetalactamases de isolados clínicos em Unidade de Terapia Intensiva na região Norte
    (Universidade Federal do Pará, 2014) MATOS, Eliseth Costa Oliveira de; CARNEIRO, Irna Carla do Rosário Souza; http://lattes.cnpq.br/4389330944043163; LIMA, Karla Valéria Batista; http://lattes.cnpq.br/9795461154139260
    A resistência bacteriana é responsável por grandes preocupações quanto ao impacto imediato aos sistemas de saúde. A proposta deste estudo foi determinar as características epidemiológicas, letalidade e aspectos moleculares de Pseudomonas aeruginosa isoladas de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em hospital de ensino de Belém/Pará e analisar o desempenho do teste de sensibilidade para P. aeruginosa em sistema automatizado VITEK-2 para esclarecimento da resistência. A população do estudo foi constituída de 54 pacientes com infecção por P. aeruginosa internados na UTI adulto, pediátrica e neonatal no período de janeiro de 2010 a março de 2012. Para investigação epidemiológica foram coletados dados demográficos, co-morbidades, tempo de permanência na UTI, classificação dos episódios de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS), uso de procedimentos invasivos, tipo de infecção, terapia utilizada e desfecho do paciente (alta ou óbito), escore de MacCabe Jackson, APACHE II, escore de Charlson. A identificação bacteriana foi realizada a partir dos testes bioquímicos e do sistema Vitek-2. O teste de sensibilidade foi realizado com a aplicação do método de referência microdiluição em caldo, e a detecção da produção de metalo-beta-lactamase pelo método do duplo disco e pela PCR. A genotipagem por amplificação por meio do sistema DiversiLab. A P. aeruginosa foi o segundo patógeno mais freqüente no hospital e esta ocorrência foi maior na UTI adulto. A infecção respiratória foi predominante na UTI adulto, enquanto a infecção de corrente sanguinea prevaleceu nas UTI neonatal e pediátrica. A multirresistência foi mais encontrada na UTI adulto, a média da faixa etária da população foi de 28 anos com tempo de internação em média de 87,1 dias, a maioria das doenças de base eram potencialmente fatais e os principais fatores de risco para aquisição de infecção por PaMR foram o uso de ventilação mecânica e sonda vesical. Podemos afirmar que após os resultados da metanálise foi possível evidenciar que as cepas MR apresentaram taxa de mortalidade maior, com duas vezes mais chances de ocorrer o óbito, sendo a multirresistência um fator de mau prognóstico em pacientes com infecção por PaMR. Foi detectado quatro isolados produtores da variante blaSPM-1 e na genotipagem figurou a presença de similaridade genética maior que 97%, as variações observadas podem ter relação com pressão seletiva existente na UTI adulto, somada a terapia inadequada. Este estudo mostrou a importância de investigação de infecções por patógenos multirresistentes em unidades críticas, contribuindo para o melhor monitoramento e controle destas infecções.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Análise da ação do tratamento de mobilização neural em pacientes com neuropatia hansênica
    (Universidade Federal do Pará, 2014) CABRAL, André dos Santos; QUARESMA, Juarez Antônio Simões; http://lattes.cnpq.br/3350166863853054
    Historicamente a Hanseníase é uma das doenças mais incapacitantes do planeta. Sua patologia gira em torno de uma polineuropatia periférica mista de cunho infeccioso e de caráter inflamatório insidioso que envolve uma relação ecológica entre o Mycobacterium leprae e o Homem. A clínica da doença expressa tanto de sinais positivos como dor, parestesia e disestesias; como de sinais negativos tais como a perda sensório-motora e distúrbios autonômicos. Clínica semelhantemente é desenvolvida em pacientes acometidos por síndromes neurológicas compressivas periféricas. A mobilização neural tem se mostrado um recurso terapêutico manual eficaz no controle dos sintomas destas síndromes compressivas. O caráter inflamatório da neuropatia hansênica exerce uma ação compressiva e limitante da mobilidade do nervo periférico, repercutindo negativamente com parte da patologia da doença. Neste trabalho buscou-se investigar se a técnica de mobilização neural é capaz de repercutir de forma positiva na sintomatologia da neuropatia hansênica. Para tanto foi elaborado um estudo clínico, longitudinal, não randomizado, do tipo auto-controle, com uma análise experimental de caráter quantitativa, constituído de quatro momentos distintos, a avaliação, período de intervenção experimental, reavaliação 1 e reavaliação 2. Foram examinados 12 membros superiores de seis pacientes com alta de esquema poliquimioterapêutico multibacilar para forma clínica Dimorfa, que possuíam sequelas neurológicas e sintomas neurais remanescentes. Um total de 23 troncos nervosos ainda encontravam-se sintomáticos durante a avaliação, estabelecendo-se uma média de 3.8±1.8 troncos nervosos por paciente. Os sintomas mais incidentes à avaliação palpatória foram a parestesia (20) e a dor (09). Ao fim do tratamento experimental a diminuição do número de MMSS sintomáticos diminuiu significativamente. A média da intensidade da dor neuropática de todos os MMSS foi de 6.33±3.24. Aferiu-se ainda a força de preensão palmar e a sensibilidade da face palmar para comparação após a intervenção. Após 12 sessões de mobilização neural os membros superiores observou-se uma ligeira melhora da sensibilidade e da força de preensão palmar, porém ela não foi significante. Observou-se ainda a analgesia de todos os MMSS tratados com manutenção deste benefício após um mês pós-término do período de intervenção. Com esses resultados podemos concluir que o tratamento de mobilização neural demonstrou ser eficaz no controle da dor neuropática hansênica.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Estado nutricional e desenvolvimento motor de crianças ribeirinhas expostas ao mercúrio no estado do Pará - Amazônia brasileira
    (Universidade Federal do Pará, 2014-11-26) LIMA, Antônio César Matias de; PINHEIRO, Maria da Conceição Nascimento; http://lattes.cnpq.br/6353829454533268
    Vários estudos têm mostrado que crianças ribeirinhas na Amazônia estão expostas ao mercúrio com níveis que podem trazer prejuízos ao desenvolvimento motor. Apesar de, a maioria dos estudos realizados nesta região avaliarem as consequências dessa exposição para o desenvolvimento cognitivo e neurocomportamental, os métodos aplicados não levaram em consideração os diferentes fatores interferentes no desenvolvimento infantil. Propõe-se avaliar o desenvolvimento motor infantil e sua relação com a exposição ao mercúrio, o estado nutricional e perfil socioeconômico dos familiares das crianças ribeirinhas de cinco a 10 anos de idade em duas diferentes regiões geográficas do Estado do Pará. As informações demográficas e socioeconômicas das famílias foram obtidas através do questionário socioeconômico da ABEP, (2012). Para a análise das medidas antropométricas foram utilizados os softwares WHO AnthroPlus v 1.0.2 (para crianças acima de 5 anos). Amostra capilar de cada criança foi utilizada para análise de HgT pela espectrofotometria de absorção atômica. Para analisar o desenvolvimento motor foi utilizado o Test of Gross Motor Development – Second Edition (TGMD-2) de Ulrich (2000). Os níveis de exposição ao mercúrio das crianças do Tapajós foram significativamente maiores que aos das crianças da área controle. Apesar da moderada redução observada na comunidade de Barreiras em relação à de anos anteriores, os níveis de exposição ao mercúrio ainda podem oferecer riscos ao desenvolvimento infantil. Em todos os grupos de escolares a condição social medida pela educação e a renda foram categorizadas como “muito pobres”. As crianças de São Luiz do Tapajós mostraram maior frequência de baixo peso e baixa estatura. Na avaliação geral, Barreiras apresentou melhor desempenho nas habilidades manipulativas, locomotoras e no coeficiente motor amplo. Não houve diferença entre as crianças de São Luiz do Tapajós e Furo do Maracujá que apresentaram os piores desempenhos. A correlação entre HgT e marcadores do desenvolvimento motor foi observada em Barreiras (IL), enquanto entre IMC e os marcadores do desenvolvimento(IL e CMA) foram observados nos escolares do Furo do Maracujá e de Barreiras. Estes resultados sugerem a influencia do mercúrio isoladamente e em associação com fatores nutricionais sobre o desenvolvimento motor dos escolares. O TGMD2 é uma técnica viável na avaliação do desenvolvimento motor de escolares ribeirinhos e pode ser recomendada para outros grupos de crianças com as condições socioeconômicas similares ao deste estudo.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Estudo do perfil de pacientes submetidos a pesquisa de Helicobacter pylori: análise endoscópica e dos fatores determinantes da atividade linfocitária na resposta imunológica gástrica (ROR-Y, FOXP3 e GATA3)
    (Universidade Federal do Pará, 2015) MIRANDA, Ariney Costa de; QUARESMA, Juarez Antônio Simões; http://lattes.cnpq.br/3350166863853054
    INTRODUÇÃO: O Helicobacter pylori é conhecido pela sua capacidade de adaptação ao hospedeiro podendo evoluir para infecção crônica usando mecanismos diversos e eficazes de patogenicidade. Apresenta elevada incidência mundial e sua relação direta com úlcera péptica, gastrite, carcinoma e linfoma gástrico ocorre em uma minoria de indivíduos infectados. O melhor entendimento da regulação gênica da resposta imunológica gástrica, motivou essa pesquisa. OBJETIVOS: Descrever os fatores de transcrição dos Linfócitos T positivos para ROR-γ, FOXP3 e GATA3, correlacionando-os com a intensidade, tipo e grau de atividade das gastrites, causadas pela infecção do H. pylori. METODOLOGIA: Participaram do estudo 50 pacientes de ambos os sexos, submetidos à endoscopia digestiva alta com biópsia. Teste da urease e estudo histológico foram feitos para identificação e confirmação da infecção pela bactéria. Trinta e cinco amostras foram encaminhadas para o laboratório de Imunopatologia do NMT-UFPA para estudo de expressão gênica dos fatores de transcrição dos linfócitos T (ROR- γ, FOXP3 e GATA3) pelo método RT-PCR. RESULTADOS: Obtivemos 48,5% de pacientes H. pylori positivos no teste da urease e 25,7% de H. pylori positivos no estudo histológico. A concordância de positividade para o H. pylori realizada pelos dois testes ocorreu em 11,7%. Relato de infecção prévia pelo Helicobacter pylori foi feito por 22% dos indivíduos da amostra. A idade e gênero dos indivíduos da amostra não influenciaram na expressão gênica dos fatores estudados. Houve maior expressão do gene GATA3 nos indivíduos H. pylori positivos, com relato de infecção prévia e que apresentaram gastrite leve erosiva de corpo classificada pelo Sistema Sydney via endoscopia digestiva alta. O gene ROR- γ apresentou-se com expressão aumentada somente ao compararmos amostras com ou sem positividade pelo H. pylori (estudo histológico), com a topografia do processo inflamatório evidenciado pela endoscopia. As expressões dos fatores em estudo apresentaram-se com maior significância, quando foi usado o gene constitutivo β-actina como padrão quando comparado com o gene GAPDH. CONCLUSÕES: 1- A faixa etária adulta analisada em nossa amostra, não influenciou na expressão gênica dos fatores de transcrição estudados. 2- Não houve diferenças encontradas nas expressões dos genes em estudo com relação ao gênero dos indivíduos participantes da amostra. 3- Houve expressão gênica significante tanto nos pacientes H. pylori positivos (análise histológica), como nos pacientes que relataram infecção prévia em nosso estudo. 4- Ao compararmos os achados endoscópicos da amostra, utilizando o Sistema Sydney, com a expressão gênica dos fatores de transcrição em estudo, obtivemos maior concordância somente em relação ao grau de atividade das gastrites. 5- O fator de transcrição GATA3 (perfil de resposta TH2) foi o gene de maior expressão nas amostras com gastrites endoscópicas e com positividade para o H. pylori. 6- O fator de transcrição ROR-γ (perfil de resposta TH17) apresentou-se com expressão aumentada ao compararmos as amostras com a topografia do processo inflamatório evidenciado pela endoscopia, independente da positividade pelo H. pylori (estudo histológico). 7- O gene da β-actina como gene-padrão constitutivo utilizado em nosso estudo foi o que mais apresentou resultados significativos nas expressões quantificadas, quando comparado com o gene GAPDH.