Inovações, produção do espaço e estratégias corporativas: a difusão espacial do modelo cash and carry nas múltiplas escalas do Brasil

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30-06-2025

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SILVA, Marlon Lima da. Inovações, produção do espaço e estratégias corporativas: a difusão espacial do modelo cash and carry nas múltiplas escalas do Brasil. Orientador: Jovenildo Cardoso Rodrigues. 2025. 503 f. Tese (Doutorado em Geografia) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18299. Acesso em:.

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A multiplicação de novos formatos supermercadistas pelo mundo, especialmente comandados por corporações varejistas globais, tem provocado uma série de debates que vão desde o impacto concorrencial até a ameaça de sistemas alimentares sustentáveis. Porém, muitos estudos carecem de visão sistemática a respeito da natureza das inovações produzidas e de seu processo de difusão. Nesse desafio, a tese discute a difusão espacial de inovações no varejo supermercadista globalizado, considerando a expansão do modelo cash and carry pelas corporações francesas Carrefour e Casino no Brasil (2007-2023). Sem abandonar os estudos clássicos sobre difusão espacial de inovações, mas apontando seus limites, estabelece um olhar renovado a partir do diálogo entre produção do espaço e estratégias corporativas, entendo o espaço como um conjunto indissociável de sistema de objetos e ações. Levanta, assim, a seguinte questão central: quais as lógicas e os mecanismos que orientam a difusão espacial de inovações por corporações varejistas globais que atuam no segmento supermercadista? Analisa o histórico de difusão espacial de inovações no varejo alimentar brasileiro, a partir dos supermercados, definindo três períodos: iniciação (1953-1968), maturação (1969-1995), consolidação (1996-atual). Ao sistematizar 25 relatórios anuais do Carrefour (1999-2023) e 19 do Casino (2005-2023), traça a evolução dos interesses estratégicos dessas corporações em diferentes países, classificando, comparando e quantificando três tipos de inovações: organizacionais; de produtos; de marketing. No Brasil, analisa os padrões de difusão e distribuição espaciais de 370 lojas cash and carry do Carrefour (Atacadão) e 295 lojas do Casino (Assaí), comparando regiões, estados, hierarquia das cidades, bem como o espaço intraurbano de 17 cidades na região Norte. Defende que a difusão espacial de inovações no varejo supermercadista globalizado se manifesta como impulso estratégico da produção do espaço, em diferentes níveis e escalas, sendo conduzida, sobretudo, pelo poder crescente exercido por grandes corporações varejistas mediante novos mecanismos que modulam as inovações no espaço e no tempo de modo a se obter vantagens competitivas diante de complexas e aceleradas mutações econômicas, políticas e culturais que se materializam diferenciadamente nas múltiplas formações socioespaciais. Tais estratégias são canalizadas por três práticas espaciais comuns: realocação concentrada de capitais; produção do espaço inovador; aceleração da inovação. Em conjunto, elas complexificam os padrões de difusão e distribuição espaciais, uma vez que as múltiplas barreiras (concorrenciais, logísticas, tributárias, imobiliárias) representam desafios e oportunidades cujas respostas são tecidas de modo diferenciado pelas corporações, o que exige ir além dos clássicos padrões de difusão espacial e das teorias locacionais, sendo necessário, assim, compreender simultaneamente a produção do espaço e o universo particular das estratégias corporativas, vendo o espaço como elemento ativo. Mostra que a “corrida” concorrencial pelos chamados “atacarejos” no Brasil: reproduz contradições e conflitos em múltiplas escalas; elucida paradoxalmente a força de grupos nacionais, regionais e locais e; exprime o modo complexo como a difusão espacial de inovações no varejo globalizado tende a reforçar o crescente poder das corporações. Nas conclusões: sistematiza as principais ideias; elucida as dificuldades encontradas na pesquisa; apresenta horizontes para aprimoramento analítico e; aponta caminhos para trabalhos futuros.

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Brasil

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Universidade Federal do Pará

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