Efeitos da Pandemia de Covid-19 sobre o Comportamento Alimentar e Variáveis Psicológicas: um estudo sobre estresse, ansiedade, afetos e autorregulação

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30-06-2026

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VALE, Flavia Beatriz Xavier do. Efeitos da Pandemia de Covid-19 sobre o Comportamento Alimentar e Variáveis Psicológicas: um estudo sobre estresse, ansiedade, afetos e autorregulação. Orientador: Amauri Gouveia Junior. 2026. 115 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém,2026. Disponível em: . Acesso em:.

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Este estudo analisou o impacto longitudinal da pandemia de COVID-19 sobre o comportamento alimentar, sofrimento psíquico, autorregulação e Índice de Massa Corporal (IMC), investigando a crise sanitária como um estressor psicossocial disruptivo. A pesquisa fundamenta-se na premissa de que a regulação do comer é um fenômeno multideterminado pela complexa interação entre fatores neurocognitivos, afetivos, antropométricos e ambientais. Delineou-se um estudo longitudinal de medidas repetidas com 79 participantes acompanhados em três momentos: eclosão pandêmica (T1; 2020), encerramento da emergência sanitária (T2; 2023) e período pós-pandêmico (T3; 2025). Utilizaram-se instrumentos psicométricos validados para avaliar o comportamento alimentar (TFEQ-18), estresse, ansiedade e depressão (DASS-21), afetos (PANAS), impulsividade (BIS-11) e autorregulação alimentar. Os resultados revelaram uma trajetória longitudinal estatisticamente significativa: o descontrole alimentar, a alimentação emocional e o IMC médio atingiram seus níveis máximos na coleta pós-pandêmica (T3). Revelou-se um paradoxo psicofisiológico relevante: enquanto os níveis agudos de estresse e ansiedade declinaram após o fim das restrições sanitárias, as disfunções alimentares e a elevação ponderal mantiveram-se em ascensão sustentada, demonstrando efeitos comportamentais diferidos no tempo. As análises correlacionais no pós-pandemia indicaram que o descontrole alimentar e o comer emocional associaram-se a maiores níveis de depressão, ansiedade, estresse, afetos negativos e impulsividade. Adicionalmente, identificou-se que a variável descontrole alimentar correlacionou-se inversamente com a percepção de falta de autocontrole e com a intenção de modificação dietética. Em contrapartida, os afetos positivos e o planejamento cognitivo associaram-se à autorregulação e à restrição cognitiva, atuando como fatores protetivos. Conclui-se que a exposição ao estresse crônico coletivo comprometeu os mecanismos executivos de autorregulação, promovendo o comer emocional compensatório e o ganho ponderal persistente. Os achados demonstram que o comportamento alimentar responde de forma tardia às crises macroestruturais, reforçando a necessidade de intervenções interdisciplinares integradas em saúde mental e nutrição.

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Universidade Federal do Pará

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