Uma leitura dos anarquivamentos em Milton Hatoum

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20-08-2022

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SOUSA, Rayniere Felipe Alvarenga de. Uma leitura dos anarquivamentos em Milton Hatoum. Orientador: Carlos Augusto Nascimento Sarmento-Pantoja. 2022. 150 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Programa de Pós-Graduação em Letras, Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2022. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18851. Acesso em:.

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Milton Hatoum desde sua estreia no mundo literário tem recebido atenção nos círculos intelectuais e na crítica especializada. O ficcionista aborda temáticas que marcam as suas vivências e constrói tramas voltadas aos terrenos da memória, geralmente originadas por meio de dramas familiares densamente relacionados a eventos historiográficos. Parto, portanto, da necessidade de investigação das manifestações da prática anarquivista nos romances Cinzas do Norte ([2005] 2010) e A noite da espera (2017). Sendo assim, em que medida a prática do anarquivamento influência nas configurações dos romances de Milton Hatoum? Acredito que seja possível o levantamento de fatores específicos desse exercício no objeto de pesquisa, justamente pela manifestação dessa postura nos narradores. Por outro lado, essa prática anarquivista pode ser originada apenas como consequência do escopo o qual as obras analisadas integram: romances que abordam a temática da violência, do deslocamento, das ditaduras e do exílio, por exemplo. O objetivo desse estudo, então, é a realização de uma leitura dos anarquivamentos presentes em diferentes formas no corpus dessa pesquisa (nas relações entre literatura, memória e história e nas entrelinhas do romance). O presente exame, dessa forma, investiga as questões relativas ao campo mnemônico em Milton Hatoum. Assim, mediante as movimentações contra as armadilhas da memória e a partir do choque das situações relatadas nos romances, tornou-se possível a discussão em torno anarquivamento, para além de seu valor conceitual: o que expressa o cunho estético desse traço lido como uma camada estilística em Milton Hatoum. Um exemplo disso é a categoria percebida a partir da figura dos narradores, o chamado narrador-anarquivista (aquele que integra a sua postura à prática anarquivista, confundida em muitos momentos com a figura do escavador e do arqueólogo). Para isso, fundamento essa pesquisa com os trabalhos de Theodor Adorno e Max Horkheimer (1985), de Jacques Derrida (2001), de Edward Said (2003), de Beatriz Sarlo (2007), de Jeanne Marie Gagnebin (2009; 2014), de Paolo Rossi (2010), de Aleida Assmann (2011), de Walter Benjamin ([1985] 2012) e de Márcio Seligmann-Silva (2014; 2019).

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