Dissertações em Letras (Mestrado) - PPGL/ILC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2311
O Mestrado Acadêmico iniciou-se em 1987 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) do Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Dissertação Acesso aberto (Open Access) Proposta inicial de um glossário etnoterminológico da fauna em Paresi (Aruák)- Português(Universidade Federal do Pará, 2023-10-06) MESQUITA, Amanda Medeiros Costa de; BRANDÃO, Ana Paula Barros; http://lattes.cnpq.br/5565558385115699; CHAGAS, Ângela Fabiola Alves; GOMES, Dioney Moreira; http://lattes.cnpq.br/2172763060506928; http://lattes.cnpq.br/8981925310366979; https://orcid.org/0000-0002-4925-1711; https://orcid.org/0000-0002-7937-2370A Etnoterminologia visa estudar os termos observados nos discursos de especialidade de uma comunidade tradicional. Diante disso, este estudo visa apresentar questões relativas à elaboração inicial de um glossário etnoterminológico bilíngue, a partir dos termos presentes no campo semântico da fauna que emergem dos discursos de especialistas denominados na sociedade Paresi como otyahaliti ‘sábios’, representados neste estudo a partir da figura dos Iyawitseko (Caçador); Zeratiyatane (Cantor); Zakainakatyare (Contador de narrativas orais); Waidyatare (Pajé); Zoimiazawenakitsasehalo (Parteira) e Zaotyakitsatidyoye (Professores), considerados exímios detentores dos conhecimentos tradicionais da língua e cultura Paresi (Aruák). O Paresi é uma língua indígena falada por uma comunidade de mesmo nome, pertencente à família linguística Aruák, falada por uma comunidade de aproximadamente 3.000 falantes (BRANDÂO, 2014), sendo 90% desta, falantes da língua e bilíngues em sua maioria, localizados no estado do Mato Grosso, na faixa do cerrado amazônico, a aproximadamente 500 km da capital Cuiabá. Este estudo está ancorado nos pressupostos teórico-metodológicos da Socioterminologia à luz do pensamento de Gaudin (1993) e Faulstich (2012); e da Etnoterminologia estabelecida em Costa e Gomes (2011) e Costa (2013; 2017), os quais se adequam à elaboração do glossário ora proposto. Os dados para análise foram obtidos por meio do processo de elicitação a partir da aplicação de questionários com imagens relativas à fauna, realizada em viagens de campo às comunidades em que a língua é falada e utilização do banco de dados da língua disponível no software computacional Fieldworks Language Explore (Flex). Este estudo ajudará no processo de descrição e documentação linguística das línguas indígenas brasileiras no âmbito da Etnoterminologia, bem como contribuirá para fins de inserção de dados no banco de dados da língua em análise, como forma de registro, documentação, preservação e valorização dos saberes linguisticos e socioculturais existentes nas línguas indígenas.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Letramento acadêmico na formação de professores alfabetizadores(Universidade Federal do Pará, 2023-11-22) LEITE, Aline Portilho; SANTOS, Isabel Cristina França dos; http://lattes.cnpq.br/0226549641470972; https://orcid.org/0000-0001-5750-5868; CARRERA, Carlos Cernadas; OLIVEIRA, Antonia Zelina Negrão de; http://lattes.cnpq.br/2845269847553868; http://lattes.cnpq.br/1514265111142130; https://orcid.org/0000-0002-3983-3152O letramento acadêmico (LA) desempenha um papel importante no desenvolvimento e na produção escrita de licenciandos que frequentam o curso de Licenciatura Integrada. Como um conjunto de habilidades e competências que vão além da mera alfabetização, o LA capacita os estudantes a se envolverem de forma eficaz no ambiente acadêmico, entendendo as demandas específicas da escrita acadêmica, pesquisa e comunicação de forma holística. Diante do exposto o estudo teve como objetivo compreender o letramento acadêmico como uma prática social no contexto universitário e profissional dos licenciandos. Para isso se levantou a seguinte questão norteadora: De que maneira o letramento acadêmico contribui para a formação e a capacidade de futuros alfabetizadores no curso de Licenciatura Integrada? A metodologia adotada foi qualitativa e descritiva, sendo configurada como uma abordagem colaborativa que se estabelece por meio de diálogo, embasada nas considerações da perspectiva decolonial. Esta escolha visa interpretar as complexas interações entre o ministrante, o dispositivo didático (minicursos) e os objetos de ensino. Tais direcionamentos constituem críticas incisivas à colonialidade do ser e à supremacia da ciência em relação as outras formas de conhecimento. Além disso, promovem o fortalecimento do diálogo no contexto da educação popular dialógica, multicultural e conscientizadora, que enfrenta a imposição dos valores eurocêntricos tradicionais dominantes. Para isso, essas reflexões se fundamentaram em estudos de autores como BAKHTIN (2020 [1950]), KLEIMAN (2005), SOARES (2006), STREET (2014), WALSH (2009), entre outros. Os dados de pesquisa incluem artigos em processo de produção para eventos acadêmicos. Foi possível se concluir que os licenciandos enfrentaram dificuldades em atender às expectativas do processo de desenvolvimento de um artigo científico. No entanto, após participarem dos minicursos, os futuros alfabetizadores demonstraram melhorias na escrita acadêmica, principalmente na etapa de reescrita, na qual realizaram os ajustes necessários e se apropriaram do discurso científico.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Ampliação das práticas do projeto de extensão “Circuito de leitura” para a abordagem da escrita e da oralidade em perspectiva dialógica e decolonial(Universidade Federal do Pará, 2024-04-25) AVIZ, Larissa da Silva Costa.; SANTOS, Isabel Cristina França dos; http://lattes.cnpq.br/0226549641470972; https://orcid.org/0000-0001-5750-5868; OHUSCHI, Márcia Cristina Greco; OLIVEIRA, Antônia Zelina Negrão de; http://lattes.cnpq.br/3038449011739174; http://lattes.cnpq.br/1514265111142130; https://orcid.org/0000-0001-8292-9806A presente pesquisa tem como temática a ampliação das práticas dos mediadores (bolsistas do programa de extensão Conexões de Saberes, os quais são de diversos cursos de graduação da UFPA) atuantes no projeto de educação popular “Circuito de Leitura: lendo para ser feliz”. Esse projeto, que é desenvolvido em escolas públicas, é vinculado ao programa de extensão Conexões de Saberes da UFPA. Para tanto, objetivamos ampliar as práticas de linguagens, já desenvolvidas a partir da leitura, para serem atreladas também à escrita e à oralidade, tendo como hipótese o desenvolvimento da aprendizagem a partir dos gêneros discursivos. Do ponto de vista teórico, fundamentamo-nos em estudos filosófico-linguísticos do Círculo de Bakhtin acerca da interação discursiva, e em seu signatário Geraldi que trata da concepção de língua como forma de interação; também nos debruçamos nos estudos decoloniais discutidos por Walsh e nas contribuições teóricas de Freire para a educação. O foco temático desta pesquisa é a valorização das vivências dos alunos na Amazônia a partir de uma postura de ensino decolonial por parte dos mediadores que atuam com eles. Temos como justificativa o fato de tal temática ainda ser pouco difundida em sala de aula, inclusive no próprio estado do Pará. Do ponto de vista metodológico, a abordagem é qualitativa e os tipos de pesquisa são a pesquisa ação e a pesquisa colaborativa; a intervenção colaborativa foi realizada nas ações do “Circuito de Leitura” por mim, enquanto pesquisadora formadora dos mediadores, e nos anos finais do ensino fundamental na turma do 7° ano de uma escola pública do município de Ananindeua PA. A realização das propostas de ensino ocorreu durante três meses e teve como gêneros discursivos: narrativas amazônicas, rodas de conversa sobre os povos indígenas, escrita de propagandas de produtos típicos paraenses e a produção de entrevistas pelos alunos, com o intuito de trocarem saberes sobre sua região (narrativas tradicionais dos povos originários, culinária local, artistas do estado etc.). Nossos resultados apontaram amplo desenvolvimento das metodologias de ensino da tríade leitura, escrita e oralidade por parte dos mediadores do projeto, sendo estas voltadas para o uso real e situado da língua de modo que valorize as trajetórias de vida dos alunos atendidos pelo projeto popular “Circuito de Leitura: lendo para ser feliz”.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Da imprensa ao romance: o percurso de Juana Manso no Brasil(Universidade Federal do Pará, 2024-09-29) RÊGO BARROS, Carolina de Novaes; QUEIROZ, Juliana Maia de; http://lattes.cnpq.br/0783166655929922; https://orcid.org/0000-0002-1741-1725; SALES, Germana Maria Araújo; SILVA, Regina Simon da; http://lattes.cnpq.br/8723885160615840; http://lattes.cnpq.br/5077246071578353; https://orcid.org/0000-0002-2120-7364; https://orcid.org/0000-0002-0376-5231Ao longo do século XIX, no Brasil, a cena literária foi sendo conquistada pelas mulheres oitocentistas. Um dos inúmeros exemplos foi a escritora Juana Paula Manso, dessa forma, esta dissertação tem como objetivo explorar a trajetória da escritora Juana Manso (1819-1875) no Brasil do século XIX, com foco em seu romance La Familia del Comendador (1854), destacando o domínio das mulheres na obra e seus aspectos abolicionistas. Além disso, visamos distinguir as formas de poder das personagens femininas dentro do romance, analisamos a construção da família brasileira e as dinâmicas familiares do século XIX, conforme retratadas na narrativa, examinamos a representação dos personagens negros e sua relevância, identificamos os elementos que caracterizam a narrativa como abolicionista e enfatizamos a importância da autora argentina durante seu exílio no Brasil. Para tanto, buscamos primeiramente compreender o cenário literário brasileiro no qual a escritora estava inserida e, para tal fim, utilizamos como aporte teórico os textos de Constância Lima Duarte (1994), Zahidé Muzart (1995), Mary Del Priore (2016) e outros. A metodologia desta pesquisa adotou uma abordagem qualitativa dividida em duas partes principais: a primeira consistiu na pesquisa documental, explorando trabalhos previamente publicados sobre o tema, enquanto a segunda parte envolveu o levantamento bibliográfico das fontes de pesquisa relacionadas à autora e à obra em questão, conforme definido por Gil (2002).Dissertação Acesso aberto (Open Access) A oralidade na perspectiva dialógica da linguagem: uma proposta decolonial com o gênero debate regrado na EJA(Universidade Federal do Pará, 2024-04-15) AMARAL, Letícia Gabriel Garcia do; SANTOS, Isabel Cristina França dos; http://lattes.cnpq.br/0226549641470972; https://orcid.org/0000-0001-5750-5868; CARRERA, Carlos Cernadas; SILVA, Sueli Pinheiro da; http://lattes.cnpq.br/2845269847553868; http://lattes.cnpq.br/3385715982293294; http://lattes.cnpq.br/3038449011739174; https://orcid.org/0000-0002-3983-3152; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0001-8292-9806A presente pesquisa possibilita a reflexão sobre o ensino e aprendizagem da oralidade, na perspectiva dialógica da linguagem, a partir de uma proposta didático pedagógica com o gênero discursivo debate regrado, em uma turma de 2ª etapa da Educação de Jovens e Adultos (EJA), de uma escola pública municipal em Ananindeua/PA. Como Objetivo geral, a pesquisa propõe refletir sobre as relações responsivas de estudantes da EJA a partir do gênero discursivo debate regrado, em uma perspectiva decolonial de ensino. Como objetivos específicos, este estudo pretende: a) verificar as práticas de oralidade em diferentes contextos do gênero debate regrado b) examinar a influência do gênero debate regrado na EJA sobre as habilidades de comunicação oral e a promoção da responsividade dos discentes; c) analisar em que medida uma abordagem decolonial de ensino e aprendizagem da oralidade na EJA, pode desafiar e transformar estruturas de ensino coloniais. Como aporte teórico, adotaram-se os postulados de Bakhtin (2003 e 2016), Volóchinov (2019 e 2021), Faraco (2009), Geraldi (2012), Fuza, Ohuschi e Menegassi (2020), Dolz e Schneuwly (2004), Freire (2017), Walsh (2020), Mignolo (2008 e 2017) e Maldonado-Torres (2007). Metodologicamente, este estudo se configura como uma Pesquisa-ação (Paiva, 2019) de natureza qualitativo-interpretativa. Com a implementação de uma proposta didático-pedagógica a partir do gênero debate regrado em uma turma da 2ª etapa da EJA, constata-se que o trabalho com a oralidade por meio do gênero elegido contribuiu para o desenvolvimento de habilidades orais dos estudantes envolvidos e que o papel do professor é fundamental na transformação significativa desses sujeitos por meio de diversas experiências com gêneros orais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Guy de Maupassant e a província do Pará: a prosa ficcional francesa no periódico paraense(Universidade Federal do Pará, 2022-09-23) RESQUE, Amanda Gabriela de Castro; Sales, Germana Maria Araújo; http://lattes.cnpq.br/8723885160615840; https://orcid.org/0000-0002-2120-7364; MENDES, Maria Lúcia Dias; PEREIRA, Helena Bonito; http://lattes.cnpq.br/7651308606192134; http://lattes.cnpq.br/9240687015870539; https://orcid.org/0000-0002-0215-1852Henri René Guy de Maupassant, ou simplesmente Guy de Maupassant foi um conhecido e importante autor francês, nascido em 1850 na região da Normandia, noroeste da França, e falecido na cidade de Paris, em 1893. Inserido aos trinta anos no meio jornalístico francês por Gustave Flaubert (18821-1880), foi aclamado como o inaugurador do terror psicológico, bem como ressaltado como o pai do conto moderno. Dentre os periódicos brasileiros que publicaram a produção assinada por Maupassant, A Província do Pará (1874 -) merece destaque por não dedicar apenas espaços à produção ficcional do autor, mas também por propagar seus artigos críticos. Jornal político, comercial e noticioso, A Província segue, entre interrupções e recomeços, como uma folha de enorme força no cenário jornalístico belenense desde o século XIX. O objetivo principal deste trabalho é verificar os contos assinados por Maupassant veiculados pela aludida folha entre 1890 e 1900, além de averiguar outras escrituras vinculadas ao nome do autor propagadas no periódico em pauta.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A configuração das personagens femininas em a Rainha do ignoto, de Emília Freitas(Universidade Federal do Pará, 2021-01-27) COELHO, Wanessa de Oliveira; QUEIROZ, Juliana Maia de; https://lattes.cnpq.br/0783166655929922; https://orcid.org/0000-0002-1741-1725; BERGAMINI JUNIOR, Atílio; SARMENTO-PANTOJA, Tânia Maria Pereira; https://lattes.cnpq.br/2909018676095967; https://lattes.cnpq.br/3707451019100958Esta dissertação teve por objetivo averiguar a quebra de paradigmas, em confronto com uma tradição literária, na configuração das personagens femininas no romance A Rainha do Ignoto (1899), de Emília Freitas. Para isso, partimos de uma pesquisa bibliográfica com base nos autores Gilbert e Gubar (1998), Showalter (1977), Todorov (2006), Bourdieu (2012), Verona (2013), Cavalcante (2008), Duarte (2003), Colares (1980), dentre outros. A partir disso, constatamos que houve uma construção do feminino na literatura que, sob a perspectiva masculina, assentava a imagem da mulher em duas figuras contrastantes, o anjo e o demônio, de modo que a figura do anjo se referia às mulheres que seguiam o padrão da ordem masculina dominante e a do demônio, às mulheres que, de alguma forma, transgrediam essa ordem. No entanto, algumas escritoras conseguiram romper com essa representação da mulher na literatura oitocentista, ainda que, muitas vezes, não de forma explícita. Para tanto, valeram-se de muitos recursos estilísticos, dentre os quais, a utilização de recursos sobrenaturais; é o caso de Emília Freitas em A Rainha do Ignoto. Nesse romance, a escritora utiliza-se desse artifício como uma maneira de burlar a ordem masculina dominante e, assim, propor uma nova configuração da mulher na narrativa literária, subvertendo a concepção de mulher do final do século XIX no Brasil.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A personagem Michele da série 3%: ambiguidades, patriacardo e branquitudes na construção do seu perfil(Universidade Federal do Pará, 2024-05-29) SANTOS, Rayza Carolina Rosa dos; SARMENTO-PANTOJA, Carlos Augusto Nascimento; http://lattes.cnpq.br/3263239932031945; https://orcid.org/0000-0003-0552-4295Em 2008 houve o lançamento da distopia infanto-juvenil Jogos Vorazes de Suzanne Collins, obra que viria a influenciar uma tendência literária e sequencialmente audiovisual de distopias produzidas para o público majoritariamente jovem e jovem adulto, sendo em sua maioria protagonizadas por mulheres. E no cinema, mais especificamente, por mulheres brancas. No presente trabalho, é neste específico contexto que analisamos a protagonista Michele (Bianca Comparato), da série brasileira 3% (2016-2020). Analisamos a construção do perfil desta, evidenciando as marcas dos preceitos patriarcais e as suas relações com a representação de movimentos de resistência. A obra foi escolhida por ter sido a primeira produção totalmente brasileira da empresa de streaming Netflix e, consequentemente, por sua grande difusão de público. O seriado está sendo estudado a partir do seu contexto de produção e lançamento – com pontuais comparações com outras distopias e os perfis femininos de suas protagonistas – com base em teorias feministas de gênero, sobretudo as de bell hooks (2019) e Audre Lorde (2019) e demais autoras contemporâneas. Por fim, analisamos a obra a partir da perspectiva dos estudos teóricos sobre a branquitude e seus mecanismos de manutenção de poder, de autoras como Linda Alcoff (2015), Cida Bento (2022), Lia Vainer Schucman (2012) e Françoise Vergès (2019), pois neste estudo foi possível perceber que distopias audiovisuais protagonizadas por figuras femininas e, principalmente, brancas, ganharam força nos últimos anos como tendência de produções feitas para uma grande circulação e comercialização, sendo marcadas por representações de resistências pouco radicais. Assim, o trabalho aqui apresentado buscará evidenciar que apesar do contexto de representação de resistência, ainda é perceptível na narrativa a manutenção de certos aspectos do status quo.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Análise perceptual da harmonia vocálica na fala Belenense(Universidade Federal do Pará, 2024-08-29) XAVIER, Francisco Cavalcante; CRUZ, Regina Célia Fernandes; http://lattes.cnpq.br/3307472469778577O presente trabalho tem por objetivo investigar, perceptualmente, a produtividade da harmonia vocálica (HV) disparada por vogais baixas na variedade do português falada em Belém/PA. Para isso, formou-se um corpus com 42 vocábulos paroxítonos, em sua maioria, no molde silábico CV'CV.CV, em que /e/ e /o/ se alternam na sílaba pretônica e /i, e, ɛ, a, ᴐ, o, u/, na tônica. Com uso do conversor Wideo Text-to-Speech Software, geraram-se, como estímulos sonoros, três variantes para cada item do corpus, de acordo com a altura da vogal pretônica: para , [i], [e], [E]; para , [u], [o], [O]. Uma amostra de 60 belenenses, estratificados em sexo, faixa etária e escolaridade, respondeu a um questionário implementado na plataforma Gorilla Experiment BuilderTM, versão 4, com dois protocolos de coleta de dados: I - Avaliação de Frequência (AF); II - Avaliação de Identificação (AI). Para a AF, protocolo principal, os participantes atribuíram às variantes de , uma frequência de ocorrência/uso aproximada na fala belenense, a partir dos seguintes índices escalares: Nunca, Raramente, Às vezes, Quase sempre. Na AI, tomou-se a avaliação dos participantes em identificar as três variantes como, de fato, diferentes. Para o tratamento estatístico dos 10.080 dados coletados, aplicaram-se análises de Correlação Simples e de Regressão Logística Binária, por meio do Programa R, versão 2024.04.1. Tomadas , por variáveis dependentes e as sete vogais tônicas por variáveis independentes, os resultados revelaram que, na fala de Belém, em geral, com base na escolha do índice de ocorrência plena Quase sempre: (a) as variantes altas são as menos frequentes – [i], com frequência relativa de .13 e [u], com .20; (b) as variantes médias são largamente predominantes, ajustando-se relativamente bem a todas as vogais tônicas – [e], .77 e [o], .75; (c) as variantes baixas estão em segundo lugar como mais frequentes – [E], .43 e [O], .41 –, mas, fortemente atraídas por vogais tônicas baixas, tomam a hegemonia das médias nesse contexto estrutural – [E], .82; [O], .78. Por fim, dos fatores externos: (a) falantes com mais idade realçaram a hegemonia da HV – [E], .83; [O], .83; (b) falantes mais jovens atenuaram-na – [E], .72; [O], .65; c) indivíduos formados na área da pesquisa tiveram maiores índices de discriminação entre as três variantes na AI – , .89; , .87. Em vista disso, atestou-se, no campo perceptual, uma regra fonológica de HV disparada por vogais baixas em pleno funcionamento no falar de Belém, como já apontavam estudos acústicos (Sousa, 2010; Fagundes, 2015; Souza, 2020). O fenômeno revelou-se produtivo com todas as vogais baixas em sílaba tônica, tanto sobre quanto , contrariando, nesse ponto específico, o sinal acústico (Souza, 2020).Tese Acesso aberto (Open Access) Glossário da área pedagógica para LSB: um estudo socioterminológico(Universidade Federal do Pará, 2025-02-26) MOTA, Carina da Silva; RAZKY, Abdelhak; http://lattes.cnpq.br/8153913927369006; https://orcid.org/0000-0001-9250-8917Esta pesquisa de tese de doutorado se insere na linha de pesquisa dos estudos linguísticos e é desenvolvida junto ao grupo de pesquisa GeoLinTerm – Projeto Geossociolinguística e Socioterminologia. Desenvolveu-se um glossário em Língua de Sinais Brasileira (LSB) na área de especialidade da Pedagogia. Embora inúmeros Surdos escolham cursar essa licenciatura, não existe nenhum dicionário, glossário e/ou sinalário da especialidade Pedagogia disponível para comunidade Surda. Objetiva-se saber quais terminologias têm sido convencionadas em Língua Brasileira de Sinais com conceitos do curso de Pedagogia e as registrar em um dicionário para consulta e compreensão de acadêmicos surdos, intérpretes de Libras e professores ouvintes e surdos. Foi realizado um estudo bibliográfico a partir de Faulstich (2003), Quadros (2004), Faria-Nascimento (2009), Castro Júnior (2014), Costa (2012) e Oliveira (2015) para respaldar o estudo no âmbito linguístico, particularmente na convencionalização da construção de morfemas que expressem adequadamente a terminologia da categoria curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Os dados coletados são norteados pela metodologia da Socioterminologia, que é uma área da ciência terminológica, cujo cerne busca reorganizar uma tipologia para a classificação de variantes em categorias técnicas e científicas, com duas concorrentes, quais sejam, a variante formal terminológica e a variante formal de registro Faulstich (1995). Traça-se, então, um mapeamento nacional das 05 regiões brasileiras para catalogar e registrar os sinais-termo convencionados por Pedagogos, acadêmicos Surdos do curso e Intérpretes de Língua de Sinais. Com a catalogação, foi construído um glossário Socioterminológico com 114 termos da Pedagogia emLíngua de Sinais, disponibilizado em Software de celular Android à Comunidade Surda.Dissertação Acesso aberto (Open Access) I am the arrow: a construção do Eu poético de Sylvia Plath(Universidade Federal do Pará, 2025-02-06) SERGIO, Flora Soutello Mendes; TAVARES, Otávio Guimarães; http://lattes.cnpq.br/9975804381328924; https://orcid.org/0000-0002-1083-6448Sylvia Plath foi uma escritora estadunidense do século XX, associada ao que veio a ser chamado de poesia confessional, ao lado de grandes nomes como Anne Sexton, Robert Lowell e John Berryman. Tal poesia é caracterizada por ser pessoal e de viés autobiográfico, transitando muitas vezes entre o real e o fantasioso, numa espécie de “derramamento de si”. O objetivo deste trabalho é investigar como se estabelece essa relação da poeta com a poesia lírica, a partir da exploração da figura do “Eu” e suas diversas possibilidades presentes em seus poemas. Para lidar com tal problemática utilizamos principalmente os aportes de Jackson e Prins (2014); Culler (1999; 2015); West (1993); Brunhara (2017); Ragusa (2021; 2011; 2005); e Genette (1987). O referencial teórico foi escolhido com o fim de analisar os valores e a relevância das escolhas poéticas de Sylvia Plath através da construção de um panorama do que seria o “lírico” e onde reside sua origem.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A influência do aconselhamento em aprendizagem de línguas na prática de professores de inglês da educação básica(Universidade Federal do Pará, 2024-11-04) GANTUSS, Sarah Costa; MAGNO E SILVA, Walkyria Alydia Grahl Passos; http://lattes.cnpq.br/6129530461830312; https://orcid.org/0000-0001-8572-147XEste trabalho analisou a influência do aconselhamento em aprendizagem de línguas (AAL) na prática de professores de inglês que atuam na educação básica, especificamente em escolas públicas. Esta pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso, tendo como participantes quatro professores de língua inglesa que, em algum momento de sua formação, já atuaram como conselheiros em aprendizagem de línguas. Os dados foram constituídos por meio de questionário, observação de aulas, entrevista semiestruturada e grupo focal. A discussão foi desenvolvida com base nas obras de Carson e Mynard (2012), Kato e Mynard (2016), Magno e Silva (2016), Mozzon-Mcpherson e Tassinari (2020), entre outros. Os resultados mostraram que, apesar das dificuldades, como o grande número de alunos e carência de recursos adequados, o aconselhamento em aprendizagem de línguas exerceu influências sobre a prática do professor em sala de aula, tais como negociação, fomento à autonomia e a atenção a fatores afetivos. Esses achados evidenciam, que apesar dos desafios, as práticas de AAL podem oferecer subsídios para enriquecer a experiência de aprendizagem na escola pública.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Narrares ancestrais e testemunhais na escrita desaldeada de Eliane Potiguara e Daniel Munduruku(Universidade Federal do Pará, 2024-02-29) ALBUQUERQUE, Rosalia dos Santos; SARMENTO-PANTOJA, Tânia Maria Pereira; http://lattes.cnpq.br/3707451019100958; https://orcid.org/0000-0003-1575-5679Nesta pesquisa recorremos primeiramente ao processo histórico das gênesis da literatura de autoria indígena no Brasil, bem como às proposições a respeito da configuração da literatura de Autoria Indígena, segundo Graça Graúna (2012) e FIGUEIREDO (2018). Também, buscando compreender questões etnográficas sob a luz de MONTOYA (2012), a fim de explorar as figurações do contador de história, como aquele a quem é dada a responsabilidade como transmissor de saberes e guardião das ancestralidades, o Xamã, e nesse processo buscamos verificar se assim como nas culturas africanas, também é-nos possível associar o Xamã ao Griô, com quem guarda semelhanças quanto à função social e à performance. Esse percurso nos deu condições para analisar mais detidamente a presença do contador de histórias e sua relação com a ancestralidade nas narrativas de autoria indígena - Metade Cara, Metade Máscara (2004), de Eliane Potiguara e Meu vô Apolinário: um mergulho no rio da (minha) memória (2009), de Daniel Munduruku, ambas profundamente marcadas pelos paradigmas das narrativas memorialísticas: a história de vida e mais especialmente o testemunho. Procuramos por fim, compreender como a figuração do contador de histórias, que propomos como o Xamã, potencializa a resistência na escrita literária do indígena desaldeado, condição muito presente em Metade Cara, Metade Máscara e Meu vô Apolinário: um mergulho no rio da (minha) memória. A hipótese da pesquisa é a de que o desaldeamento vem ao texto como uma cisão, um (des)encontro entre dois mundos, que coloca em perigo o ser do sujeito indígena, perigo a que ambos os narradores respondem com o testemunho sobre a catástrofe do desaldeamento e, sobretudo, sobre a ancestralidade, como forma de sobrevivência identitária. Para dar conta da análise apresentamos alguns conceitos e reflexões, como os de (Márcio Seligmann-Silva 2017; Sarmento-Pantoja 2014), Augusto Sarmento-Pantoja (2019), Paul Zumthor (1993), dentre outros.Dissertação Desconhecido Ele não compreende nossos costumes: literatura, colonização e memória na Trilogia africana, de Chinua Achebe(Universidade Federal do Pará, 2023-12-21) CHAGAS, Alessandra Santos; GUIMARÃES, Mayara Ribeiro; http://lattes.cnpq.br/6834076554286321Chinua Achebe é considerado um dos escritores de maior destaque no cenário literário africano moderno e que possui grande relevância na contemporaneidade, em função de seu projeto político-literário que une história e literatura para a escrita de uma ficção feita a partir das perspectivas e das experiências africanas como contraponto aos discursos, às imagens e às literaturas coloniais. Dessa forma, esta dissertação se propõe a investigar de que maneira a Trilogia africana, escrita por Achebe entre os anos de 1958 e 1964, contribuiu para o estabelecimento de uma nova forma de representação do passado e das experiências tradicionais partindo da perspectiva daqueles que foram colocados à margem da história e dos discursos coloniais. Além disso, buscaremos examinar como a colonização, com práticas de invisibilização e sujeição, provocou transformações sociais, culturais, religiosas e identitárias para a etnia Igbo. Para isso, tomamos como aporte teórico trabalhos como Pollak (1989; 1992), Quayson (2000), Benjamin (1987), Said (2011), Bhabha (2011), Noa (2015), os quais englobam a teoria pós-colonial e os estudos de memória, e também trabalhos críticos do próprio Achebe (1988; 2000; 2012a; 2012b). Com isso, observou-se que o fazer literário de Chinua Achebe, alinhado às demandas político-sociais da Nigéria, buscou representar não só as experiências Igbo anteriores à colonização como forma de resgatar e celebrar as memórias tradicionais, mas também as transformações culturais, religiosas, linguísticas e identitárias advindas da colonização.Dissertação Desconhecido Melancolia em Repertório Selvagem, de Olga Savary, e Metade cara, metade máscara, de Eliane Potiguara(Universidade Federal do Pará, 2023-12-22) SENA, Mayara Haydée Lima; GUIMARÃES, Mayara Ribeiro; http://lattes.cnpq.br/6834076554286321Este estudo centra-se nas imagens da melancolia que emergem no contexto de colonialidade em duas de suas expressões brasileiras: as tristezas indígenas e as amazônicas. As chamadas tristezas periféricas são representadas pelos livros Metade cara, metade máscara (2004), de Eliane Potiguara, e Repertório Selvagem (1998), de Olga Savary, que compõem o corpus desta pesquisa. Dessa forma, objetiva-se identificar a melancolia alegorizada como tema fundamental das poéticas de Metade cara, metade máscara, de Eliane Potiguara, e de Repertório Selvagem, de Olga Savary. Outrossim, como objetivos específicos, anseia-se discutir algumas relações entre colonialidade do saber e o silenciamento das tristezas periféricas, não canônicas, brasileiras e amazônicas; identificar a melancolia indígena, metonimizada na obra de Eliane Potiguara; além de investigar imagens da melancolia à sombra da floresta amazônica no livro de Olga Savary. O trabalho recupera autores canônicos dos estudos sobre a melancolia, como Sigmund Freud (2013), Julia Kristeva (1989), Giorgio Agamben (2007), Susan Sontag (2022), Jean Starobinski (2016), Susana Kampff Lages (2007), Luiz Costa Lima (2017), Maria Rita Kehl (2015), entre outros; dialoga com a perspectiva decolonial de pensadores como Aníbal Quijano (2005), Enrique Dussel (2005), Walter Mignolo (2017), María Lugones (2014); com estudiosos das questões amazônicas, como Neide Gondim (1994), Ana Pizarro (2012), Carlos Walter Porto Gonçalves (2023), Eidorfe Moreira (1958) e João de Jesus Paes Loureiro (2001); e com pensadores indígenas como Graça Graúna (2013), Trudruá Dorrico (2017), Davi Kopenawa (2015), Jaider Esbell (2020), Ely Makuxi (2018), Ailton Krenak (2022), Olívio Jekupé (2019), Daniel Munduruku (2012), entre outros. Assim, constata-se a necessidade de um debate mais específico sobre a experiência brasileira do mal-estar, atravessado pela colonialidade e que, portanto, distingue-se das compreensões eurocentradas da tristeza e suas representações literárias. Nesse sentido, a partir do percurso interpretativo dos poemas, reconhece-se que a literatura indígena de Eliane Potiguara e a onipresença da floresta amazônica, na obra de Olga Savary, colocam outros personagens e territórios no repertório dos estudos da melancolia na contemporaneidade, fora da hegemônica melancolia das grandes cidades europeias. As contribuições poéticas das autoras são fundamentais para a visibilização das tristezas periféricas, criando uma contranarrativa que desafia a colonialidade do saber sobre a melancolia. Na poética de Savary, as Amazônias, no que tange ao seu conceito fitogeográfico (MOREIRA, 1958), são inscritas sob o signo da perda; bem como, no testemunho poético de Eliane Potiguara, revela-se que não se pode pensar a colonialidade sem o reinado da tristeza.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Literatura e educação profissionalizante: a resistente relação entre o trabalho e a subjetividade humana(Universidade Federal do Pará, 2023-07-07) OLIVEIRA, Gabhriele Rodrigues; OLIVEIRA, Célia Zeri de; http://lattes.cnpq.br/7392823829322057; https://orcid.org/0000-0001-9477-7336O presente trabalho discute o ensino de literatura no contexto da educação profissional e tecnológica – EPT. Compreende-se que esta modalidade de ensino tem a gênese no ideal de saber-fazer, sem a necessidade de refletir a respeito das implicações sociais ou do processo como um todo. Para fazer surgir ou aperfeiçoar a criticidade dos estudantes em relação ao acesso à literatura, propôs-se uma experiência de leitura inserida em um projeto multidisciplinar entre as áreas de linguagens e ciências humanas e a analisou-se a partir da receptividade dos alunos. Nesta pesquisa, estudos foram realizados acerca da relevância da literatura na escola (BERNARDES, 2021); do ensino de literatura (FRANCHETTI, 2021; WALTER, 2014); da leitura subjetiva (HOOKS, 2013; BAJOUR, 2012) e da educação profissional e do trabalho (MANACORDA, 2007). A pesquisa é de cunho qualitativo, organizada como uma pesquisaação em que a metodologia consiste em cinco etapas. Na etapa inicial, os alunos respondem um formulário sobre a experiência e o interesse que possuem pela literatura. Em seguida, na segunda etapa, são efetivadas as aulas sobre o contexto histórico e político do período do Pré- modernismo e dos pensamentos que culminam no Modernismo brasileiro (1922-1960). As três gerações são discutidas com o foco no estudo da Geração de 45, com o propósito de estabelecer relações entre a última geração e as obras brasileiras contemporâneas. A terceira etapa, a de leitura, é destinada ao contato direto com a obra, em que os alunos podem ler munidos de informações sobre o contexto de produção. Na quarta etapa, os alunos têm a oportunidade de produzir expressões artísticas em um projeto chamado “Diálogos contemporâneos”, organizado entre as disciplinas de língua portuguesa, história, geografia, filosofia e sociologia, em uma escola de ensino profissional e tecnológico de Belém-PA. Na última etapa, há uma entrevista semiestruturada com os estudantes da turma para obter informações acerca das novas experiências e da relação que possuem com a leitura literária. A análise da pesquisa é comparativa-interpretativa, a partir das etapas inicial e final. Com efeito, os alunos da 5ª fase – referente ao 3º ano do ensino médio regular – com mediação dos educadores, devem estar mais receptíveis às práticas de leitura subjetiva, partindo da literatura como arte e objeto de estudos. Nesta pesquisa identificou-se o valor atribuído à literatura em contextos de educação profissionalizante e avaliou-se as percepções dos alunos sobre a relevância das obras literárias.Dissertação Acesso aberto (Open Access) Subversivas vozes femininas em Jane Austen: das publicações na Inglaterra regencial à circulação, tradução e recepção no Brasil(Universidade Federal do Pará, 2023-10-31) GALENO, Maria do Carmo Balbino; QUEIROZ, Juliana Maia de; http://lattes.cnpq.br/0783166655929922; https://orcid.org/0000-0002-1741-1725A escrita literária de Jane Austen tem sido, ao longo de dois séculos, consideravelmente revisitada e interpretada sob várias perspectivas. Meu interesse nessa pesquisa é evidenciar as vozes femininas subversivas em seus romances, em convergência com a Reivindicação dos Direitos da Mulher(1792), de Mary Wollstonecraft, bem como investigar os primeiros registros da presença austeniana no Brasil, através dos anúncios de vendas de suas obras nos periódicos, a partir do século XIX. Partindo do estudo de Vasconcelos (2016), sobre a tradução de Persuasão, via França e Portugal, que mostra o intermédio do comércio livreiro nesse intercâmbio e aponta as primeiras referências à obra no Rio de Janeiro, exponho através de rastreios na Hemeroteca Digital que, anos antes, o romance foi anunciado à venda em um periódico de Pernambuco; dessa forma, o presente estudo amplia os conhecimentos acerca da circulação da obra no país. Procuro evidenciar, outrossim, as primeiras resenhas sobre Jane Austen nas páginas literárias dos periódicos brasileiros oitocentistas que apresentavam a escritora como um dos pilares do gênero romance, além de uma voz defensora do desejo e da racionalidade da mulher. Ainda nas trilhas da Hemeroteca, procuro rastrear e demonstrar como se deu a primeira tradução brasileira de Orgulho e preconceito, em meados do século XX. Para concluir, analiso, nos dois romances, a força das vozes femininas que rompem com “O Anjo do Lar” e identificam-se com “Judith Shakespeare”, representações femininas debatidas por Virginia Woolf. Sustento, portanto, que é na subversão das personagens femininas que reside uma das razões da obra austeniana permanecer em contínua vitalidade, tanto acadêmica quanto popular. Para seguir este percurso com segurança, diálogos com os estudos de Sandra Vasconcelos, Virginia Woolf, Simone de Beauvoir, Gerda Lerner, Silvia Federici, Janet Todd, Ian Watt, Margaret Kirkham, Terry Eagleton, Paulo Henriques Britto, dentre outros teóricos e críticos, foram essenciais.Dissertação Acesso aberto (Open Access) O testemunho Arbiter, o auricular caminho da memória: o ouvir e reproduzir em maus de art Spiegelman e em I was a child of holocaust survivors de Bernice e Eisenstein(Universidade Federal do Pará, 2023-08-02) GONÇALVES, Gustavo Reis; SILVA, Alessandra Fabrícia Conde da; http://lattes.cnpq.br/8747999892547499; https://orcid.org/0000-0003-2731-8708; SARMENTO-PANTOJA, Carlos Augusto Nascimento; http://lattes.cnpq.br/3263239932031945Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a libertação dos campos de concentração, em meio a diversas situações de traumas, os sobreviventes desses espaços concentracionários falaram sobre suas experiências e seus relatos foram tomados como testemunhos direto dos eventos. Entretanto, as gerações posteriores produziram relatos relacionados à shoah, como é o caso de dois filhos de sobreviventes, cujas obras, Maus de Art Spiegelman e I was a child of holocaust survivors de Bernice Eisenstein, são o objeto de estudo desta dissertação. Não estando nos campos de concentração, como seus pais, seus testemunhos são de caráter auricular, o que nos leva a considerar a teoria do testemunho arbiter para analisarmos as duas narrativas, oriundas do convívio com a memória da shoah. Esta é uma pesquisa bibliográfica e, de tal modo, utilizamos estudos de autores que tratam da memória, testemunhos e representação, como Le Goff (1996), Assmann (2011), Agamben (2008), Sarmento-Pantoja (2019), Benveniste (2016), dentre outros. Nesta dissertação, procuramos demonstrar como as características do testemunho arbiter se fazem presentes nas obras selecionadas, considerando seus gêneros e os aspectos narrativos singulares no modo de narrar.Dissertação Acesso aberto (Open Access) A forma verbal TXA da língua Apurinã: um fenômeno de gramaticalização(Universidade Federal do Pará, 2021-05-21) BATISTA, Gabriela de Andrade; FACUNDES, Sidney da Silva; http://lattes.cnpq.br/9502308340482231; https://orcid.org/0000-0002-7460-8620Domínios semânticos como polissemia e homonímia não dão conta de explicar satisfatoriamente determinados comportamentos do verbo txa da língua Apurinã (Aruák), falada por comunidades indígenas que vivem ao longo dos afluentes do Rio Purus no sudeste do estado do Amazonas. Por isso, o processo de gramaticalização torna-se a melhor forma de analisar e descrever a forma em que este verbo se manifesta na língua, em contextos diferentes, com significados distintos e comportamentos sintáticos díspares, mas que, no entanto, apresentam a mesma forma. Acerca do verbo txa Facundes (2000), constatou em sua gramática da língua que este pode funcionar como verbo pleno, pró-verbo, cópula e verbo auxiliar. A hipótese de que esta forma verbal tenha passado ou esteja passando por um processo de gramaticalização advém do pressuposto de que há certa relação semântica entre as diferentes ocorrências do verbo, mas com diferentes comportamentos morfossintáticos associados. Mediante isso, considera-se que na língua está em progresso esse fenômeno de gramaticalização (HEINE, 2001), em que certas formas verbais “fonte” dão origem a significados “alvo”, os últimos mais abstratos, como resultado de um processo de desbotamento semântico. Para a realização desta pesquisa, foi selecionado um corpus composto por 32 textos que fazem parte do banco de dados da língua Apurinã, mais alguns dados coletados com falantes nativos da língua, em um levantamento sistemático das diferentes ocorrências desses verbos, para então analisa-los e descrevê-los, a fim de observar o comportamento do verbo na respectiva língua, com a intenção de verificar a direção das mudanças linguísticas ocorridas, para uma visão mais ampla sobre o fenômeno que ocorre em Apurinã, mais em específico na forma verbal txa.Dissertação Acesso aberto (Open Access) I dwell in possibility: a tradução poética de Emily Dickinson por Mário Faustino(Universidade Federal do Pará, 2022-03-21) OLIVEIRA, Filipe Brito de; LEAL, Izabela Guimarães Guerra; http://lattes.cnpq.br/2507019514021007Emily Dickinson é uma das mais célebres poetas norte-americanas de todos os tempos. Sua poesia tem sido lida por sucessivas gerações, que encontram em seus poemas reflexões sobre o espetáculo das coisas, da natureza e da vida. Não é à toa que sua poesia tem sido traduzida há quase um século no Brasil por grandes nomes da nossa literatura. O objetivo desta dissertação é estudar as traduções realizadas pelo poeta e crítico literário Mário Faustino (1930 – 1962), publicadas no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil na página Poesia-Experiência. Para isso, o trabalho foi dividido em três capítulos. O primeiro discute a vida e a obra de Emily Dickinson, bem como os elementos que compõem a poética da escritora. O segundo capítulo apresenta Mário Faustino e as condições de produção e circulação das traduções que ele realizou. O terceiro capítulo analisa os poemas selecionados por Faustino e suas traduções, de modo a observar as estratégias adotadas por ele para recriar os poemas em nosso idioma. Para fundamentar tal pesquisa foram utilizadas as obras de Berman (2002), D’Hulst (2001), Martin (2007), dentre outros autores. Podemos afirmar que as traduções de Faustino possuem grande valor formativo à geração de leitores e escritores ao longo da década de 50, seja pelo alcance que o suplemento literário teve, seja pelo papel desempenhado por Faustino na apresentação e crítica de autores que se utilizavam da experimentação da palavra como instrumento de produção poética.
