“Território pra gente é casa”: mobilizações quilombistas no Marajó dos Campos

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28-02-2025

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MEDEIROS, Monique LattesORCID

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COSTA, José Felipe Rodrigues da. “Território pra gente é casa”: mobilizações quilombistas no Marajó dos Campos. Orientadora: Monique Medeiros. 2025. 135 f. Dissertação (Mestrado em Agriculturas Amazônicas) - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: . Acesso em:.

DOI

Esta dissertação tem como lócus de análise o município de Salvaterra, na Ilha do Marajó, estado do Pará, onde se situam cerca de 18 comunidades quilombolas. O estudo se concentra em duas dessas comunidades, Vila União/Campinas e Mangueiras, onde atuam dois movimentos organizados majoritariamente por mulheres: o Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campinas/Vila União (Narq) e o Grupo de Mulheres Sementes do Quilombo, da comunidade de Mangueiras. O objetivo central deste trabalho é analisar as estratégias de resistência quilombola diante dos projetos neocoloniais implementados em Salvaterra (PA). De forma específica, busca-se: (1) identificar as estratégias desenvolvidas por essas organizações para enfrentar os impactos dos projetos neocoloniais nos territórios quilombolas; (2) caracterizar as alianças e redes de apoio formadas para amplificar suas demandas e resistências; e (3) compreender como esses movimentos articulam atividades culturais e econômicas para fortalecer as comunidades quilombolas. A pesquisa adotou entrevistas semiestruturadas individuais com membros do Narq e do Grupo de Mulheres Sementes do Quilombo, além da observação participante em suas atividades coletivas. A análise baseou-se nas perspectivas da antropologia do desenvolvimento, da territorialidade quilombola e do conceito de quilombismo. Os resultados evidenciam que as ações de enfrentamento aos projetos neocoloniais em Salvaterra são fundamentadas em uma identidade étnico-racial, elemento essencial para mobilizar ações e dar coesão ao histórico de organização das comunidades quilombolas. O Narq e o Grupo de Mulheres Sementes do Quilombo se configuram, à luz da teoria do quilombismo, como movimentos quilombistas, pois promovem a autonomia e o fortalecimento comunitário, buscando a independência de suas comunidades. Além de sua identidade quilombista, essas iniciativas integram uma rede mais ampla de mobilizações, articulando-se territorialmente para fortalecer seus territórios por meio de atividades culturais e econômicas, como a dança, a geração de renda e o resgate de práticas agrícolas tradicionais. Essas ações também se conectam a mobilizações estaduais e nacionais, estabelecendo parcerias alinhadas a seus objetivos internos. Ao contribuir para o campo dos estudos sobre quilombos, neocolonialismo e resistência territorial, esta dissertação também dialoga com o debate sobre políticas públicas voltadas para a garantia dos direitos territoriais e o fortalecimento da autonomia das comunidades quilombolas.

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País

Brasil

Instituição(ões)

Universidade Federal do Pará
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Sigla(s) da(s) Instituição(ões)

UFPA
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