Os Saberes sobre as plantas medicinais no quilombo de Bela Aurora: racismo, poder e a epistemologia de Oxum

dc.contributor.advisor1PONTE, Vanderlúcia da Silva
dc.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/2911877430319887
dc.contributor.advisor1ORCIDhttps://orcid.org/0000-0003-3187-9348
dc.contributor.memberBAHIA, Mirleide Chaar
dc.contributor.memberSILVA FILHO, José Sena da
dc.contributor.memberMUNIZ, Érico Silva Alves
dc.contributor.member1Latteshttp://lattes.cnpq.br/6052323981745384
dc.contributor.member1Latteshttp://lattes.cnpq.br/5791372279187707
dc.contributor.member1Latteshttp://lattes.cnpq.br/6294815313176569
dc.contributor.member1ORCIDhttps://orcid.org/0000-0001-7168-2019
dc.contributor.member1ORCIDhttps://orcid.org/0000-0003-4422-8800
dc.contributor.member1ORCIDhttps://orcid.org/0000-0002-5543-4266
dc.creatorMATOS, Simone da Silva
dc.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/2695701756172138
dc.date.accessioned2026-05-26T19:10:21Z
dc.date.available2026-05-26T19:10:21Z
dc.date.issued2026-12-09
dc.description.abstractThis research emerges from my lived experience as a Black quilombola woman and granddaughter of a traditional healer, guardian of the ancestral knowledge of Quilombo Bela Aurora, located in the municipality of Cachoeira do Piriá, Pará, Brazil. The study aims to understand the uses, meanings, and threats surrounding medicinal plants in our territory, articulating traditional knowledge, spirituality, and resistance against the epistemic racism that has historically attempted to silence our practices. Guided by the methodology of escrevivência, proposed by Conceição Evaristo, this work is constructed as both a political and affective act, in which my personal trajectory intertwines with the collective history of the community. I do not write about the quilombo but with it— listening to the elders, observing the household gardens, engaging with the enchanted beings, and acknowledging the presence of Oxum, the orixá of water and healing. The epistemology of Oxum underpins this investigation, as it frames the knowledge of the leaves as a vital, spiritual, and medicinal force. The research was carried out through ethnographic interviews with women and men from different age groups, documenting their knowledge of species such as andiroba, barbatimão, cat’s claw, verônica, and roses. Common forms of use include garrafadas, syrups, herbal baths, benzimentos, teas, and medicinal oils—practices that persist despite prejudice and cultural erasure resulting from religious racism and the devaluation of Afro-diasporic knowledge. The study also addresses the historical formation of Quilombo Bela Aurora and its connections with the municipality of Cachoeira do Piriá and the State of Maranhão, highlighting the resistance of ancestors who, fleeing the gold exploitation cycle, founded riverside communities and rooted their own modes of existence and healing. Gardens and backyards emerge as spaces of care and resilience, where memory, spirituality, and community well-being are woven together, resisting deforestation, the absence of public policies, and cultural erasure. This work is, therefore, an act of gratitude and reaffirmation of traditional knowledge—an invitation to listen to quilombola communities and to preserve their territories of healing. Inspired by Oxum and by my ancestors, I offer this writing as a seed of resistance, recognition, and continuity of the Afro-Indigenous practices that sustain life
dc.description.resumoEste trabalho nasce da minha vivência como mulher negra, quilombola e neta de benzedeira, guardiã dos saberes ancestrais do Quilombo de Bela Aurora, localizado no município de Cachoeira do Piriá, Pará. A pesquisa tem como objetivo compreender os usos, significados e ameaças que envolvem as plantas medicinais em nosso território, articulando saberes tradicionais, espiritualidade e resistência diante do racismo epistêmico que historicamente tenta silenciar nossas práticas. A partir da metodologia da escrevivência, proposta por Conceição Evaristo, este estudo foi construído como um ato político e afetivo, em que minha história se entrelaça à história coletiva da comunidade. Não escrevo sobre o quilombo, mas com ele, a partir da escuta dos mais velhos, da observação dos quintais, do diálogo com os encantados e da presença de Oxum, orixá das águas e da cura. A epistemologia de Oxum constitui o fundamento desta pesquisa, pois é por meio dela que compreendo o saber das folhas como força vital, espiritual e medicinal. A investigação foi desenvolvida com base em entrevistas etnográficas realizadas com mulheres e homens de diferentes faixas etárias, registrando seus conhecimentos sobre espécies como andiroba, barbatimão, unha-de-gato, verônica e rosas. As formas de uso mais recorrentes incluem garrafadas, xaropes, banhos de ervas, benzimentos, chás e óleos medicinais, práticas que, embora persistam, enfrentam o preconceito e o apagamento decorrentes do racismo religioso e da desvalorização dos saberes afro-diaspóricos. O estudo também aborda a formação histórica do Quilombo de Bela Aurora e suas conexões com o município de Cachoeira do Piriá e o Estado do Maranhão, destacando a resistência dos antepassados que, fugindo do ciclo do ouro, fundaram o quilombo e territorializaram modos próprios de existir e curar. Os quintais se revelam como espaços de cura e de resistência, onde se entrelaçam memória, espiritualidade e cuidado, resistindo ao desmatamento, à ausência de políticas públicas e ao apagamento cultural. Este trabalho é, assim, um gesto de gratidão e reafirmação dos saberes tradicionais, um chamado à escuta das comunidades quilombolas e à preservação dos territórios de cura. Inspirada por Oxum e pelos meus ancestrais, ofereço esta escrita como semente de resistência, reconhecimento e continuidade das práticas afroindígenas que sustentam a vida.
dc.description.sponsorshipCAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
dc.identifier.citationMATOS, Simone da Silva. Os Saberes sobre as plantas medicinais no quilombo de Bela Aurora: racismo, poder e a epistemologia de Oxum. Orientadora: Vanderlucia da Silva Ponte. 2025. 112 f. Dissertação (Mestrado em Planejamento do Desenvolvimento) - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18255. Acesso em:.
dc.identifier.urihttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18255
dc.languagept
dc.publisherUniversidade Federal do Parápt_BR
dc.publisher.countryBrasilpt_BR
dc.publisher.departmentNúcleo de Altos Estudos Amazônicospt_BR
dc.publisher.initialsUFPApt_BR
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmidopt_BR
dc.rightsAcesso Abertopt_BR
dc.rightsAttribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 Internationalen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
dc.source1 CD-ROMpt_BR
dc.subjectPlantas medicinais
dc.subjectQuilombo
dc.subjectEscrevivência
dc.subjectEpistemologia de Oxum
dc.subjectPoder
dc.subjectRacismo
dc.subjectMedicinal plants
dc.subjectOxum epistemology
dc.subjectPower
dc.subjectRacism
dc.subject.areadeconcentracaoDESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTALpt_BR
dc.subject.cnpqCNPQ::CIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA::ANTROPOLOGIA DAS POPULACOES AFRO-BRASILEIRAS
dc.subject.cnpqCNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA::EPISTEMOLOGIA
dc.subject.linhadepesquisaSOCIEDADE, URBANIZAÇÃO E ESTUDOS POPULACIONAIS
dc.titleOs Saberes sobre as plantas medicinais no quilombo de Bela Aurora: racismo, poder e a epistemologia de Oxum
dc.typeDissertaçãopt_BR

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