Efeitos do desmatamento no comportamento hidrológico da sub-bacia da UHE de Estreito

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23-02-2024

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ALMEIDA, Erlen Assis de. Efeitos do desmatamento no comportamento hidrológico da sub-bacia da UHE de Estreito. Orientador: João de Athaydes Silva Junior; Coorientador: Flávio Augusto Altieri dos Santos. 2024. 96 f. : il. color. Dissertação (Mestrado em Gestão de Riscos e Desastres Naturais na Amazônia) - Programa de Pós-Graduação em Gestão de Riscos e Desastres Naturais na Amazônia, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Pará, Belém, 2024. Disponível em: . Acesso em:.

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O ciclo hidrológico da água caracteriza-se por um fenômeno natural de circulação fechada entre a superfície terrestre e a atmosfera, em seu caminho rumo à superfície, a precipitação passa, por meio de condições atmosféricas, descendo sobre a superfície com uma cobertura vegetal, onde está retém parte dessa precipitação para as suas atividades morfofisiológicas. Pesquisadores concluem que a diminuição da floresta em uma bacia hidrográfica pode provocar um aumento no escoamento superficial, promovendo um incremento nas vazões máximas, pois a retirada da vegetação original menos intercepção da água teremos. Sendo assim, o monitoramento da área de estudo é essencial para prevenir e minimizar os impactos de possíveis desastres, como inundações, deslizamentos de terra, contaminação da água e secas. O principal objetivo deste trabalho foi avaliar o impacto do desmatamento na dinâmica da resposta hidrológica ao longo de 37 anos na SB-ESTREITO (Sub-bacia do Estreito), ela é parte da bacia do rio Tocantins até a usina hidrelétrica de Estreito, com uma área de aproximadamente 285.167,06 km², abrange principalmente os Estado do Tocantins, Goiás e Maranhão, inserida totalmente no bioma cerrado. Também foi considerado para essa pesquisa o período de 2012-2022. Foram aplicados os métodos de tendencias nas variáveis precipitação, vazão, Resposta Hidrológica (RH) e Taxa de Incremento de deflúvio (TID), o intuito foi verificar se elas estão apresentando aumento ou decremento. Posteriormente, as variáveis foram relacionadas com o desmatamento acumulado. A RH e o TID são divulgadas por cientistas a estar associados à dinâmica de desflorestamento, indicando que a remoção da floresta gera uma resposta rápida nos valores de escoamento superficial e lateral devido à diminuição dos processos de interceptação e de infiltração após a remoção da floresta. Ao todo a SB-Estreito perdeu aproximadamente 26,6% (49.872 km²) de sua vegetação original presente em 1985. Os resultados indicam tendência para o período de 1985-2022 de decremento para os dados de precipitação (o que pode comprometer o potencial hídrico da bacia), vazão e TID, enquanto para os dados de RH não apresentou tendências. Os valores de TID e vazão para os 37 anos mostrou-se uma resposta mais lenta no escoamento da água. Outra situação que os valores de desmatamento só foram atingir mais de 20% de perda de vegetação original na bacia em 2022, até 2021 a perda era em torno de aproximadamente 17%, incluindo nas APP a remoção da floresta foram e torno de 17% de cobertura original (1985-2022). A SB-estreito, tem como característica principal a construção vários complexos hidrelétricos, transformando o rio numa sucessão de represas. Com o intuito de observar se a construção de Estreito apresentou algum impacto, selecionou-se a década de 2012-2022, 2012 é marcado pela inauguração da usina de Estreito e pelo lançamento do novo código florestal. Nenhuma variável hidrometeorológica apresentou tendência para o período de 2012-2022, porém, a RH mostrou-se crescente a partir de 2018 e acompanhando o desmatamento, tendo seu maior valor em 2022 (ano que a supressão atinge mais de 20%, alguns pesquisadores concluem que a diminuição da vegetação, aumenta o escoamento da água desde que a área desmatada seja superior a 20%), ou seja, nesse ano em específico tivemos mais água se transformando em vazão. O TID predominou um comportamento padrão, para última década, uma taxa de escoamento mais controlada, talvez relacionada com a inauguração da usina a partir de 2012. Mediante aos dados levantados, conclui-se que as variáveis vazão e TID não apresentaram um escoamento mais rápido para o período de 37 anos, e para a última década (2012-2022) nenhuma variável hidrometeorológica apresentou tendências. Além do desmatamento, outros fatores parecem influenciar o comportamento hidrológico da bacia em questão, como as usinas hidrelétricas (UHEs), que estão alterando o fluxo natural do rio e modificando diretamente o comportamento da vazão.

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