Comunicação cinestésica e negociação regulada: o corpo negro no Traslado para Ananindeua e Marituba

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26-03-2026

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FERREIRA, Gabriel da Mota. Comunicação cinestésica e negociação regulada: o corpo negro no Traslado para Ananindeua e Marituba. Orientadora: Marina Ramos Neves de Castro. 2026. 135 f. Tese (Doutorado em Comunicação) - Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18760. Acesso em:.

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Esta tese analisa a procissão do Traslado de Nossa Senhora de Nazaré para Ananindeua e Marituba como um campo de batalha comunicacional, onde a apropriação popular ocorre prioritariamente por vias cinestésicas, corporais e sensoriais. Partindo do questionamento sobre como a dimensão comunicacional do rito modula sentidos de identidade e território para um corpo negro e periférico, o trabalho propõe o conceito de comunicação cinestésica. Esta categoria é definida como uma inteligibilidade corporal que emerge do movimento e produz pertencimento à revelia da mediação discursiva oficial. Metodologicamente, a pesquisa assume a autoetnografia sensorial e a microetnografia como arquiteturas epistemológicas que fogem ao lugar-comum, utilizando o corpo do pesquisador como operador metodológico central e instrumento de conhecimento. O campo, realizado entre 2022 e 2024, revela que a vivência do rito não é uma harmonia mística, mas uma negociação altamente regulada. O corpo negro, atravessado por opacidades e ruídos, habita uma ambiguidade numinosa: entre o fascínio da ocupação coletiva e o medo tratado como fenômeno estatal, racializado e historicamente produzido. A análise das cenas etnográficas e da cultura material demonstra que a periferia atua como centro simbólico e produtor de resistências. Conclui-se que a ambiguidade é a categoriachave para compreender essa comunicação. O trabalho oferece uma contribuição original ao campo ao provar que o sentido no asfalto é produzido na fricção entre a soberania do intelecto e o confinamento simbólico imposto pela vigilância institucional.

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Brasil

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Universidade Federal do Pará

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UFPA

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