Trabalho precarizado e transtorno mental: a visão dos profissionais de um CAPS de Belém-PA

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14-12-2015

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NASCIMENTO, Rodolfo Valentim Carvalho do. Trabalho precarizado e transtorno mental: a visão dos profissionais de um CAPS de Belém-PA. 2015. 188 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Pará, Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, Belém, 2015. Programa de Pós-Graduação em Serviço Social.

DOI

O presente estudo é resultado de pesquisa de tipo qualitativa na forma de análise dos relatos verbais de dez profissionais de um CAPS de Belém do Pará, com o objetivo de analisar a visão que possuem da relação trabalho e transtorno mental, mais especificamente sobre os impactos das mudanças no mundo do trabalho na saúde mental de trabalhadores que fazem tratamento no CAPS, e que referem seus transtornos mentais como resultantes das condições precárias de trabalho. Como desdobramento desse objetivo primeiro, a pesquisa procurou analisar se as respostas institucionais iriam ao encontro das demandas dos usuários ou se restringiriam à medicalização/administração de sua condição de “doente mental”. Como referencial teórico-metodológico adotou-se a abordagem marxista, o que permitiu uma revisão histórica e teórica críticas das mediações que envolvem a relação objetividade-subjetividade, notadamente as determinações econômicas e sociais presentes na sociedade capitalista contemporânea marcada pela precarização do trabalho, incremento das desigualdades sociais e banalização do humano, decorrente da obtenção da mais-valia. A abordagem da relação saúde mental e trabalho, de Seligmann-Silva e de Dejours também foram de suma importância para uma análise o mais ampla possível dos dados coletados, sobretudo, os estudos dos efeitos danosos do processo de trabalho na subjetividade do trabalhador. A hipótese inicial da pesquisa, que se confirmou, era de que as mudanças no mundo do trabalhado, a partir da crise capitalista contemporânea, intensifica a precarização das relações de trabalho e, consequentemente, todas as dimensões da vida social, favorecendo o surgimento de transtornos mentais, e que tal fenômeno seria perceptível pelos profissionais do CAPS. Os elementos do universo do trabalho que impactaram a saúde mental foram: a falta de identificação com o trabalho, relações de trabalho competitivas, instalações precárias, intensificação do ritmo e da jornada de trabalho, ausência de tempo livre e aumento da vulnerabilidade social. Associados a estes elementos, a violência social desempenhou papel importante na produção dos transtornos mentais. A pesquisa revelou também que os efeitos deletérios da nova organização do trabalho sobre a saúde mental estenderam-se aos próprios profissionais do serviço, cujo elemento central é a extensão da jornada de trabalho. Já os dados sobre as respostas institucionais evidenciam uma tensão entre as ações que favorecem a maior autonomia dos usuários e as ações focalizadas na administração\medicalização de sua condição de “doente mental”, porém com hegemonia das primeiras.

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País

Brasil

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Universidade Federal do Pará

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UFPA

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