Percepção da doença, comportamento alimentar e motivações alimentares em pessoas com Diabetes Mellitus 2

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28-03-2025

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GOMES, Daniela Lopes Lattes

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Souza, Yasmym Dannielle do Espirito Santo. Percepção da doença, comportamento alimentar e motivações alimentares em pessoas com Diabetes Mellitus 2. Orientador: Carla Cristina Paiva Paracampo. 2025. 90 f. Dissertação (Mestrado em Neurociências e comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: . Acesso em: .

DOI

Este estudo teve como objetivo testar a correlação entre a percepção da doença, o comportamento alimentar e as motivações para escolhas alimentares em pessoas com DM2. Trata-se de um estudo transversal, descritivo e analítico realizado entre agosto de 2023 a agosto de 2024 em um hospital público de referência em Belém/PA, com indivíduos entre 20 e 64 anos de ambos os sexos. Foram coletados dados socioeconômicos e demográficos, bem como aplicados os questionários Brief Illness Perception Questionnaire, Three Factor Eating Questionnaire e o The Eating Motivation Survey. Participaram 157 indíviduos com idade média de 54,7 ± 7,3 anos, sendo a maioria do sexo feminino (72,6%), pardos (51,6%), residentes na Região Metropolitana de Belém (78,3%), com companheiro/a (54,1%), com ensino médio completo/incompleto (84,7%) e com renda familiar ≥ 1 salário-mínimo (68,8%). No primeiro estudo, a média de percepção da doença foi de 46,6 ± 9,6, tendo as dimensões temporal (8,6 ± 2,4), consequências (8,4 ± 2,2) e preocupação (8,3 ± 2,7) obtido as maiores pontuações. Os participantes apresentaram maior padrão de comportamento alimentar de restrição cognitiva (45,8 ± 23,0) e suas motivações alimentares foram mais determinadas por hábitos (11,7 ± 2,5), preferências (11,1 ± 2,7), necessidade e fome (11,1 ± 2,4) A dimensão consequências apresentou correlação positiva com o domínio normas sociais (r = 0,143; p = 0,037). O domínio temporal foi correlacionado negativamente com os hábitos (r = -0,149; p = 0,031). A dimensão controle pessoal apresentou correlação positiva com as preferências (r = 0,156; p = 0,025) e correlação negativa com as motivações de saúde (r = -0,257; p = 0,001), questões naturais (r = -0,168; p = 0,017) e controle de peso (r = -0,312; p = 0,000). Observou-se também correlação positiva entre o controle de tratamento e as preferências (r = 0,266; p = 0,000), necessidade e fome (r = 0,148; p = 0,032), prazer (r = 0,140; p = 0,041) e alimentação tradicional (r = 0,154; p = 0,027), além de correlação negativa com o controle de peso (r = -0,144; p =0,036). A dimensão preocupação foi correlacionada positivamente com o controle de peso (r = 0,139; p 0,041), enquanto o domínio compreensão apresentou correlação negativa com a conveniência (r = 0,145; p = 0,035), questões naturais (r = -0,221; p = 0,003) e controle de peso (r = -0,252; p = 0,001), e positiva com a imagem social (r = 0,140; p = 0,041). As emoções também foram correlacionadas positivamente com o controle de emoções (r = 0,210; p = 0,004). o controle pessoal apresentou correlação positiva com o descontrole alimentar (r=0,198; p=0,006) e correlação negativa com a restrição cognitiva (r= -0,252; p=0,001). A dimensão compreensão teve correlação negativa com a restrição cognitiva (r= -0,268; p=0,000) e a dimensão emoções apresentou correlação positiva com a alimentação emocional (r=0,155; p=0,026). Quanto ao segundo estudo, o descontrole alimentar e o comer emocional apresentaram correlação positiva com os domínios de preferências (r = 0,284/0,159; p=0,000/0,023) necessidade e fome (r = 0,230/0,002; p 0,177/ 0,013), alimentação tradicional (r=0,138/0,255; p=0,042/0,001), socialização (r=0,199/0,295; p=0,006/0,000), atração visual (r=0,311/0,286; p=0,000/0,000), controle de emoções (0,413/0,717; p=0,000/0,000), normas sociais (r=0,145/0,179; p =0,035/0,013) e imagem social (r=0,191/0,160; p = 0,008/0,023). A restrição cognitiva apresentou correlação negativa com a dimensões preferências (r= -0,221; p=0,003), necessidade e fome (r= -0,154; p = 0,027), e alimentação tradicional (r= -0,186; p = 0,010) além de correlação positiva com saúde (r= 0,276; p = 0,000), questões naturais (r=0,468; p = 0,000), controle de peso (r=0,630; p = 0,000) e normas sociais (r=0,209; p 0,004). Diante disso, os resultados dos estudos apontam relações significativas entre as variáveis investigadas. A percepção das consequências da doença e o controle de tratamento influenciam as escolhas alimentares dos indivíduos. Comportamentos alimentares como restrição cognitiva e alimentação emocional estão associados a motivações das escolhas alimentares externas e emocionais. Esses achados evidenciam a importância de abordagens terapêuticas que integrem os aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais no diabetes. Compreender esses aspectos é fundamental para a criação de intervenções individualizadas que efetivamente promovam a adoção de hábitos alimentares saudáveis.

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Brasil

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Universidade Federal do Pará

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UFPA

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